Le Chant des Sirènes
40 Capítulo XXXIX
Notas iniciais
Capítulo XXXIX
A primeira coisa que notou foi o cheiro forte de enxofre e um ar extremamente seco, sentia que a qualquer momento seu nariz poderia sangrar devido a falta de umidade. O cheiro de enxofre apenas deixava mais óbvio sua hipótese de que além de magia negra, havia demônios envolvidos.
Quando demônios são invocados, sempre deixam rastros de enxofre pelo local, nunca conseguem disfarçar sua aparição, mesmo que sejam quase imperceptíveis. Passou os olhos avaliando o local em que se encontrava, era feito de um material rochoso e cinza e havia apenas uma pequena janela com grossas grades aonde ela lhe era permitido ver se jazia sol ou a lua. A porta de aço no canto direito, obviamente estava bem trancafiada, ela nem precisava tocar para saber. Olhou para o estado em que se encontrava, sentada em uma cadeira com algemas nos pés e mãos presas a cadeira, impossibilitando qualquer movimento, olhou para o desenho feito nas algemas e após notar que não sentia sua magia em si, soube que estava com algemas que impossibilitada o uso de magia. Óbvio, não seria tão empolgante se fosse fácil.
O ranger alto da porta sendo aberta chamou sua atenção, e então, Zero entrou com um sorriso que ia de orelha a orelha. Atrás de si, um homem empurrava um carrinho de metal com vários utensílios que ela tinha certeza que não era para lhe darem conforto.
—Como está se sentindo? Eu espero que a acomodação esteja no seu nível. – ele dizia sorrindo empolgado olhando ao redor, ela apenas mantinha o olhar inexpressivo. – essa é nossa melhor cela. – ele piscou o olho antes de se virar até o carrinho e passar a mão pelos objetos. – antes de tudo, eu gostaria de lhe fazer umas perguntas.
—O que te faz pensar que irei responder?- ela falou tão seca quanto o ar daquele lugar. Zero por outro lado apenas gargalhou com a resposta da loira.
—Ah minha cara, será bastante doloroso eu diria. – ele pegou um tipo de chicote de aço com várias pontas feito espinho e açoitou as cochas da loira. Ela apenas comprimiu os lábios quando sentiu perfurar a pele, não se permitindo dá o prazer a ele de demonstrar emoções de dor. O impacto cortara o vestido que estava sobre as cochas deixando visível a pele com riscos vermelhos. – porém, para mim, será gratificante do mesmo modo. – então ele acertou a barriga cortando o vestido e a pele, entretanto ela não demonstrara nenhuma reação novamente. – é dura na queda, eu gosto disso. – ele sorriu quando acertou um pouco mais acima da barriga onde pegou um pouco nos seios.
—Já vi mexilhões fazerem pior.- ele gargalhou alto com a fala da garota, ela estava tão irritada com aquele homem que nada que ele fizesse a machucaria mais do que ele já a havia ferido.
—Vamos ao que interessa. – ele se aproximou dela se abaixando para ficar na mesma altura. – você estava com a Fairy Tail, eles sabem o que você é?- ela não lhe respondeu e apenas permaneceu inexpressivamente quieta. – as reações do Natsu parecem ter sentido agora, ficar irritado com as escamas desses seres desprezíveis. – ela o olhou irritada e ele sorriu feliz por conseguir uma outra reação dela. – por que estava com eles? Você por acaso enfeitiçou ele? Eu nunca vi aquele estúpido daquele jeito antes. – ele colocou uma mão sobre o ombro dela e ela balançou na tentativa de retirar as mãos nojentas de si.
—Claro, meu passatempo favorito é brincar de barquinho com humanos. – ela ditou irritada. – e o segundo é acabar com desgraçados como você. – ela cuspiu irritada e bateu a cabeça com força na dele que foi para trás com o impacto. Ele a olhou chocado enquanto levava a mão até o nariz que escorria sangue.
—Sua vagabunda!- ele pegou um instrumento que ele colocou entre os dedos e era extremamente pesado feito chumbo, e socou o rosto dela, repetida vezes até começar a sair sangue da boca e a pele ficar ferida. – você está achando que sou como aqueles idiotas? Que não irei fazer nada com você? Aqui, você não passa de um nada!
— Em uma coisa você finalmente tem razão.- ela cuspiu o sangue e ele a olhou com sobrancelhas unidas. – você não é, e nunca será como eles! Você é podre, você não passa de um humano amedrontado com medo de ser pisado por outros que podem ser maiores que você, por que você não passa de um nada, você quer bancar o maldoso, mas no fim não passa de um babaca com medo de ser visto exatamente como é.- ela o olhou com nojo e sorriu ladino. – um inseto desprezível. – ele apertou os punhos irritado e pegou um punhal na mesa fincando na coxa dela, apenas para depois arrancar e arrebentar os vasos sanguíneos.
—O único ser desprezível aqui é você!- a respiração dela subia e descia de maneira rápida e o olhar de ódio era mútuo. – eu arranquei a bala de seu coração para não lhe deixar morrer, mas isso não significa que a qualquer momento eu não posso matá-la. – a quantidade de veneno na bala não poderia matá-la, porém seria danoso.
—Para um caçador de sereias você não sabe nada. – ele a olhou sem compreender. – porém, do que você sabe não é mesmo ? – ele deu um sorriso de escárnio e foi até a mesa novamente e pegou uma haste metálica com duas terminações pontiagudas que se pareciam com um garfo.
— Eu sei sobre tortura.- ele sorriu se aproximando com o instrumento. – você sabe o que é isso? É conhecido como forguilha do herege. Durante a inquisição espanhola, quem não seguia as práticas do catolicismo era considerado um herege e era condenado com essa forguilha como punição. – ele colocou no pescoço dela e ela podia sentir seu maxilar sendo perfurado até o peito. – não costuma matar, ainda mais sendo você, mas vai lhe causar dor ao menos. – ele sorriu satisfeito.
**
—Não devemos atacar logo? Por quanto tempo devemos esperar?- um jovem falou nervoso em cima da árvore analisando o local junto de outras pessoas. A sereia de cabelos castanhos que estava ao seu lado apenas o olhou com um olhar afiado que o fez ficar parado no mesmo instante.
—Devemos aguardar o sinal de Lucy e avaliarmos o sistema de vigia. – ela olhava fixamente para a estrutura feita de rocha com homens de vigia em cada janela e porta.
Algumas horas antes
—Você não vai ser a isca!- Michelle falou firme olhando para a loira que não se deixou levar pelas palavras da amiga.
—É a única maneira de descobrirmos o esconderijo desse desgraçado. – Lucy cruzou os braços sobre os seios e olhou atenta para o mapa que estava estirado sobre a mesa. – eles vão estar me esperando como foi dito na informação, eles acham que irei atrás de um informante que não quer outra presença além da minha. – ela quase riu da ideia imbecil. – se formos já atacando, também estaremos em desvantagem, segundo o que o Telquines disse, o local é um lugar de clima mais seco e árido, não é vantajoso para nós, seres marinhos. – ela apontou no mapa o local. – irei na frente e deixarei que me capturem e me levem diretamente ao covil, vocês virão atrás de mim mais afastados e escondidos. – ela levantou os olhos para olhar cada um que estava ali presente. – eu usarei um dispositivo para avisá-los no lacrima o melhor momento para atacar, porém, eu ficarei presa em algum tipo de calabouço sem visão do que ocorre ao lado de fora. Então vocês ficaram de vigília para montar um plano de ataque e observar quantos são e como funciona o sistema de vigia. – ela colocou as mãos sobre as mesas. – irão atacar silenciosamente sem fazer alarde, para ficarmos em vantagem, e eu não quero que mate os outros cinco, eles estão sobre um tipo de possessão, então após livrá-los, deixe os a vista do conselho humano. — alguns a olhava curioso a respeito de sua decisão, para eles, era mais fácil, matar todos.- eu serei o cavalo de Tróia. – alguns piscaram os olhos sem compreender a referência. – vamos nos dividir em dois grupos, os que possuem melhor desenvolvimento em terra, irão ir comigo, os que obtiverem melhor desempenho na água, irão com Acliteia para o local que está sendo a fonte da substância negra. – a ruiva a olhou de olhos arregalados.
—Eu?- não conseguiu disfarçar a surpresa em ser escolhida pela loira para ser líder, nunca imaginaria isso em algum momento da sua vida. Lucy assentiu e deu um sorriso ladino.
—Você é a melhor na questão de acabar com a raça daquilo que despreza nossa espécime. – ela engoliu em seco. – tenho certeza que vai saber o que fazer.
**
Em nenhum momento ela duvidou que seria capaz de conseguir, ainda mais que havia sido a loira que havia ditado. Acliteia sentia uma necessidade em provar ser melhor que a sereia celestial de uma maneira que ninguém compreendia, ela queria provar que conseguiria completar a missão e ser tão boa quanto a princesa dos mares. Era uma certeza que ela possuía até ver aquilo que estava um pouco a frente de si, e por um momento ela pensou se de fato obtivera sucesso.
—Mas que...- Marlee falou perplexa incapaz de completar a fala, uma dama como ela não dizia tais absurdos. – mas o que é isso? – ela questionou olhando o enorme ser que se encontrava encostado nas pedras de um abismo e metade do corpo dentro da água. Era grande e tinha enormes chifres, um líquido negro que estava preso em sua pele escorria até o oceano o sujando com a substância. Haviam de fato achado a fonte.
—É... Um demônio!- Delfim falou tão surpreso quanto os outros ali presente. – Deliora.
—Um demônio? Mas nós.... Como vamos lutar... Com isso?- Marlee falou apressada e tropeçando nas palavras de modo nervoso. – não temos o poder da Lucy.
—Pretende deixar tudo nas costas dela?- Acliteia falou firme fazendo a outra engolir em seco. – nós somos sereias, temos de manter o equilíbrio, isso significa que obtemos o poder necessário para isso. – ela olhou nos olhos da castanha. – se você acha que não é capaz disso, pode ir embora daqui!- Marlee arregalou os olhos surpresa e a ruiva olhou para todos ali. – TODOS VOCÊS, SE NÃO ACHAM CAPAZES DISSO, VÃO EMBORA! Eu irei ficar e irei lutar pela minha espécie. – todos se entreolharam antes de confirmarem com a cabeça. Acliteia olhou para Marlee antes de se virar para frente e rodar sua cimitarra nas mãos.
—Ele está em processo de despertar, está mais fraco agora, devem atacar antes dele acordar. – Delfim falou, porém, no momento seguinte um rugido alto foi se ouvido e todo o mar tremeu junto das rochas presas ao demônio, e então ele abriu os olhos vermelhos saindo do penhasco e derrubando várias rochas na água. Ele rugiu alto e várias ondas foram feitas em consequência.
—É, parece que isso não vai ser possível. – Marlee falou antes de mergulhar para nadar em direção ao grande demônio.
**
Os olhos dela estavam pesados e todo o seu corpo doía, o processo de cura ainda funcionava, porém, estava mais lento e em razão disso, alguns machucados estavam abertos e sangrando em uma poça escarlate que se formava ao redor de si. Ele havia retirado a forguilha depois de um tempo bem doloroso com ela, segundo ele, queria ouvir os gritos dela. Mesmo que em nenhum momento das torturas ela esboçara alguma reação e nem sequer dado um grito mínimo, ele estava convicto de que agora ela iria, até mesmo berrar. Ela não imaginava e nem queria pensar em qual seria a próxima ideia daquele ser desprezível, contudo ela sabia que faria nele de maneira pior.
A porta fora aberta pela segunda vez no dia e então um Zero sorridente passou por ela e adentrou assobiando, onde atrás de si dois homens entraram com uma sereia e a jogaram no chão. Lucy arregalou os olhos ao notar a garota ainda em forma de sereia com algumas escoriações e roxos no corpo.
—Finalmente uma reação!- Zero falou sorridente e depois caminhou até a sereia pegando nos pulsos que estavam algemados e a levantou colocando a corrente das algemas em um gancho que ficava preso no teto. Depois caminhou até a mesa pegando de lá uma lâmina média e que obtinha um brilho irritante, e foi a afiando em um objeto na mesa. A loira entrou em desespero tentando se soltar da droga das algemas que possuíam espinhos ficando em sua pele, porém estava presa na cadeira. – agora ouça o que é música para os meus ouvidos. – ele foi até a sereia e começou a passar a lâmina na calda arrancando as escamas, o grito alto e agonizando da sereia parecia ter sido sentido até nos ossos de Lucy que olhava tudo horrorizada enquanto o sangue escorria, e ele parecia se divertir pegando as escamas brilhantes feito diamantes.
—PARA! EU VOU TE MATAR SEU DESGRAÇADO!- Ela berrou entre os pulmões até sentir a garganta doer e os olhos ficarem úmidos, seu peito doía de maneira inexplicável.
—Era essa reação que eu queria.- ele gargalhou empolgado. – estou me sentindo prestigiado com tais sons. – ela o olhou com ódio.
—Eu juro pelo rio estinge que irei te matar seu desgraçado, e nem mesmo no tártaro você terá paz, irá ficar preso para sempre no rio Flagentonte sentindo sua pele queimar e derreter até os ossos infinitamente. – ela o olhava de uma maneira tão profunda que por um segundo ele paralisou e engoliu em seco, na tensão do ar era palpável o sentimento de ódio e desprezo, Lucy nunca pensou que na vida odiaria alguém como aquele homem. Ele deu um pigarro e então em um movimento rápido arrancou a cabeça da sereia que rolou até o meio da sala. A loira gritou desesperada enquanto lágrimas desciam de seus olhos.
Zero se aproximou encantado com a visão das lágrimas escorrendo pela pele pálida e aveludada, o desespero que ele viu nos olhos dela, fora algo maravilhoso para si. Ele levou os dedos até o rosto dela tocando as lágrimas e ela balançou a cabeça se afastando do toque, sentindo repulsa.
—Você é linda!- ela o olhava com ódio enquanto as lágrimas desciam de seu rosto e ela não se importou em não demonstrar mais, era demais para ela, ela não suportava aquilo. – você é um ser que enfeitiça.- ele falou com ódio levando a mão até o pescoço o apertando com certa força. – entendo por que Natsu estava assim. – ela cuspiu nele com ódio, e ele apenas se afastou indo até a mesa onde pegou um lacrima. – eu tive uma brilhante ideia enquanto estava preparando esse momento, e então eu fiz uma maldição onde tudo o que você sentiu, o desgraçado do Natsu também sentiu. – os olhos castanhos se arregalaram com as palavras do homem que fez um sinal com as mãos e os homens que haviam levado a sereia pegaram o corpo morto da mesma e retiraram da sala, onde Lucy a olhou uma última vez com lágrimas nos olhos. E então o lacrima se acendeu e surgiu uma imagem de Natsu deitado em uma cama e então ele acordou assustado colocando a mão no peito que começou a sangrar, e então repetidamente os eventos que antecederam a ela , ocorreram com ele o ferindo de verdade que gritava na cama, Erza entrou desesperada e berrava para chamarem Porlyusica. Os olhos de Lucy se encheram de lágrimas novamente e seu peito se apertou. Zero a olhou intrigado antes de desligar a imagem e colocar o lacrima de volta a mesa. – você... O que sente por esse garoto?- ela não o respondeu, apenas ficou o olhando inexpressiva e com o tão conhecido ódio no olhar.
Saber que além da sereia outra pessoa havia sofrido por sua causa, a fazia se sentir de uma maneira mais terrível que antes. Ela podia suportar qualquer tortura, qualquer dor que fosse, desde que não fizesse nada contra aqueles que ela gostava. Ela sempre fora assim, sempre entrou na frente dos outros para os defender sem se importar de absorver os impactos para si. Ela sentia que era o mínimo que ela devia fazer, se sentia na obrigação. Ela sempre se sentiu na obrigação de ser perfeita e fazer tudo para provar aos outros, ela viveu a vida toda acreditando ser forte por que era o que era imposto a ela, era aquilo que ela deveria ser. Sereias não sentiam, sereias não choravam, sereias eram inexpressivas. Porém, não para ela, aquilo sempre queimou como uma chama dentro de si a incomodando e sentindo vontade de sair da armadura de gelo e mostrar a verdadeira Lucy, ela não queria sentir essa obrigação de não sentir nada .E essa Lucy queimava dentro de si para se libertar.
As lágrimas desceram pesadamente escorrendo por suas bochechas até cair em sua cocha ao chão rochoso, ela chorou, chorou tudo que parecia guardado dentro de si. Ela não conseguia fingir que não se importava, que não sentia, por que ela sentia e muito. Ela sentia pelas sereias, por cada uma daquelas que morreram para saciar os desejos dos humanos, ela sentia por ... Ele. Por alguns segundos se odiou, por estar tão exposta a frente daquele que ela odiava, dentro de si se corroía ver que era Zero que estava presenciando seu momento de desmoronamento. Ela não queria não se sentir fraca, mas era exatamente assim que ela se sentia.
Apertou o pequeno botão do anel que estava em seu dedo e sabia que logo começaria o ataque, logo mortes silenciosas começariam a manchar a noite com o sangue. Por que era aquilo que guerra trazia, sangue, e ela odiava guerras.
—Você fez suas escolhas, agora terá de lidar com as consequências. – Zero ainda estava absorto com a imagem dela em prantos, aquilo o havia enfeitiçado, ele gostava de ver expressões de sofrimento, e aquela em específico, ficaria para sempre em sua mente. – por que não me solta? Estou feito uma humana agora, se me vencer na luta, pode me matar ou fazer o que quiser. – ele piscou os olhos a olhando.
—O que?- ele quase sorriu. – não vá se arrepender de suas escolhas. – ele se aproximou e tirou a algemas apenas da cadeira, mas ainda as deixando no pulso da loira. Como elas impedia de usar seu poder, Lucy estava como uma humana normal.
Quando se levantou, suas pernas pareciam duas gelatinas e acabou caindo no chão fraca, o que resultou em uma gargalhada de Zero que já contava com a vitória, brincaria um pouco com a garota antes de entregá-la ao imperador. Já podia ver Hades sendo punido e ele adorado, mal conseguia disfarçar o sorriso de empolgação.
Lucy fincou as unhas no chão chegando a machucar os dedos e então em um movimento rápido se virou pegando a cadeira e quebrando ela em Zero, que fora pego desprevenido com o impacto e então ela pegou uma estaca que se formou dos destroços e fincou no pé dele que gritou alto. Ela levantou a perna a girando e acertando o rosto dele o derrubando no chão, depois pegou outra estaca e antes que ela usasse contra, ele se levantou a empurrando com força na parede e socando a barriga dela que sentia uma forte dor devido aos machucados, contudo não se deixou distrair e aproveitou que estava com a perna entre as dele e chutou sua intimidade o fazendo cair no chão com a dor.
Deu a volta por detrás dele para então usar a corrente das algemas para o enforcar, usando toda sua força para prender o pescoço do homem que se debatia nervoso em busca de ar, sua face já estava avermelhada e suas mãos em vão tentavam retirar as correntes do pescoço. A garota pegou a estaca e em um movimento rápido usou a parte afiada e fincou na região da costela dele o acertando na espinha.
Zero arregalou os olhos quando sentiu a dor descomunal na região da espinha onde até os pés ficaram impossibilitados de se mexerem. Lucy foi o puxando pelas correntes no pescoço e então pegou uma lâmina na mesa e fincou na mão dele perfurando junto o peitoral a deixando preso. Ela tirou as algemas do pescoço dele apenas para ir até o cinto e pegar as chaves das algemas e então as retirar de si para então colocar no homem que a olhava irritado. Porém, gritou de dor quando ela retirou a lâmina apenas para colocar as algemas. Quando sentiu sua forma e magia voltar, ela o puxou e o colocou pendurado no mesmo gancho que havia colocado a sereia.
—Desgraçada!- ele falou com certa dificuldade pela dor, e olhou para a porta quando começou a ouvir um barulho suspeito do lado de fora. Ele a olhou com uma sobrancelha em pé.
—O quê? Achou que eu seria burra de vir sozinha, exatamente como você pediu o Telquines para me instruir? – ela o olhou inexpressiva.- deveria procurar saber mais dos seres mitológicos, antes de lhes pedirem ajuda, os Telquines nunca fazem nada para os outros. – ela então levou a lâmina até o meio do peitoral e foi descendo cortando até o umbigo. – agora vamos para a parte em que você vai implorar pela sua vida, seu maldito!- ela o olhou com ódio e então ditou um encantamento que aumentava a dor dele o fazendo berrar alto, depois ativou a sensibilidade em cada região do corpo em mil vezes. Foi até a mesa pegando a forguilha para colocá-la no pescoço dele e fez questão de fincar a lâmina bem fundo. Depois pegou o chicote que ele havia usado e o passou pelo abdômen como um cinto por baixo do casaco fincando os espinhos na pele. – não se preocupe, o encantamento não vai deixar você morrer. – ela deu um sorriso sem mostrar os dentes e rasgou a roupa deixando várias partes da pele exposta, para então usar a lâmina para arrancar lentamente a pele dele que gritou esganiçado a olhando de olhos arregalados. – o que ? Não é bom quando é feito em você?- ela fez repetidamente, o seu ódio a impedia de sentir nojo ou qualquer sentimento, no momento Lucy estava cega e não parecia ver e nem ouvir nada, nem os gritos altos e estridentes do homem. – eu nunca irei perdoa-lo, eu não me importo que me machuque, mas a situação muda quando você machuca as minhas pessoas. – ela passou a faca com brutalidade.
—Você.... É...um...monstro- ele falou com certa dificuldade por conta do aparelho de tortura. – você é amaldiçoada, nunca poderá ficar com ele. – ela paralisou por alguns segundos. – você pode dizer mil coisas de mim, porém eu não minto quem eu sou, eu não finjo ser boa quando na verdade sou mal. – ela o olhou com a respiração subindo e descendo rápido. – você é pior, por que vai tirar a vida daqueles que você diz amar. – ela deixou a lâmina cair no chão piscando os olhos por alguns segundos. – você vai para o inferno.
—Então guarde um lugar para mim. – levou a mão até uma espada que estava na mesa que usou para acertá-lo com força em direção do abdômen o partindo ao meio. Metade do corpo caiu inerte cheio de sangue enquanto a outra estava pendurando sangrando e com tripas caindo e os olhos assustados.
A respiração dela estava pesada e se virou rápido para então vomitar o que havia em seu estômago, suas mãos tremiam, ela olhou para as mãos suja de sangue e começou a esfregar uma na outra tentando inutilmente e desesperadamente retirar o líquido vermelho da pele. A porta foi aberta e ela se virou vendo Michelle que entrou pronta para atacar, porém ao notar o corpo do homem e Lucy agachada no canto ela correu até a amiga.
—Acabou Lucy, você conseguiu!- ela abraçou a amiga. Lucy odiava matar, odiava tirar vidas, independente de quem fosse, mesmo que fosse um monstro como Zero. Ela não se arrependia, porém o sangue que ficava manchado nas mãos, era algo que não saia com facilidade.
**
Todos estavam extremamente exauridos, o demônio era mais forte, porém eles obtinham a vantagem de que ele havia acabado de ser desperto e por consequência estava fraco.
—É um demônio de fogo, então a água é um elemento que é desvantagem para ele. – a ruiva olhou para todos ali presente. – vamos todos criar uma grande onda e o prender dentro de uma bolha e então vamos modificar o estado físico da água e com a solidificação transforma a água em gelo. – todos assentiram concordando.
Deliora havia mandando uma enorme bola de fogo em direção a eles, muitos conseguiram fugir, porém alguns foram pegos e ficando bastante feridos no ato. A ruiva olhou irritada para o monstro e junto das outras sereias iniciou um encantamento onde o mar começou a ficar revolto e uma grande onda começou a se formar. O demônio mandou uma bola de fogo em direção da mesma, porém, ela se apagou quando entrou em contato com a água encantada. Era a lei da natureza, e nada podia vencê-la, nem mesmo um demônio. Então, uma bola de água se formou ao redor do monstro quando foi acertado pela onda e então congelado.
Por alguns segundos eles se permitiram sorrir, contudo o gelo começou a tremer e se assustaram pensando ser o monstro. Uma enorme luz se formou ao redor da bola para então ela explodir transformando em vários flocos de neve e o demônio ali já não se encontrava mais. Todos olhavam surpresos, principalmente Acliteia, mas assim que se viraram para trás, teve a resposta de seus questionamentos. Atrás deles, estava Poseidon segurando firme seu tridente e Anfitrite ao seu lado.
Finalmente havia sido o fim.
Fim.
“Nós precisamos entender melhor a natureza humana, porque o único perigo real que realmente existe é o próprio homem.”
—Carl Jung-
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