Leão do Inverno
10 Livro Um — Capítulo IX
Notas iniciais
Pouco mais de nove meses haviam-se passado.
Com os braços cruzados atrás da cabeça e uma Evony Stortzmann nua, suspirando pesadamente aninhada em seu peito, Alexandra Winter encontrava-se deitada no chão amadeirado e perfumado com um agradável cheiro de cera do mais novo estúdio de dança de Berlim.
Oh, com certeza esse fora um bom jeito de comemorar a compra do salão – o quarto andar de um esplêndido prédio na Eisenbahnstraße 4, entre a Lausitzerplatz e o antigo mercado, com 148 metros quadrados e serviço de limpeza incluso.
O tempo passara tão rápido que algumas lembranças daqueles meses estavam nítidas como tinta fresca em sua mente. Parecia que ontem mesmo Alexandra conhecera Evony e os outros integrantes do Beauties on the Beats.
Ali, descendo os dedos pelos longos cabelos louros de Stortzmann, a britânica se recordava da tarde em que viu aqueles fios lisos e platinados pela primeira vez.
O frio cortante da capital alemã fazia Alex se encolher em seu primeiro dia na Berlin Brandenburg International School. Era um colégio renomado, dedicado especialmente a alunos de outros países que vinham estudar na Alemanha. Como seu alemão não era dos melhores, foi a opção mais plausível encontrada.
Mesmo sendo apenas a segunda semana de dezembro, geava com força na cidade toda. Não que isso fosse um problema, é claro. Alexandra adorava isso. Sentir as pontas dos dedos formigarem e o vento cortante acertar-lhe certeiramente a face enquanto seus pés quebravam a crosta de gelo na calçada só não lhe era mais agradável que dias chuvosos, obviamente.
À passos largos fora em direção ao ginásio que acabara de descobrir, matando a primeira aula de literatura que teria.
A morena adentrou o local com um sorriso satisfeito ao perceber que estava vazio. Despiu-se ali mesmo, e usando apenas a camisa e a saia do uniforme, começou a mover-se. Dançara alegremente, deixando a mente vaga e vazia, até ouvir passos. Não se importou, realmente, e prosseguiu com seu passo-chassé-passo-gazela A. Saltou, esticou-se numa perfeita bandeira e deixou as pernas descerem, estendidas, num spacatto perfeito.
Ao terminar todas as coreografias que treinara arduamente para a competição regional de Ginástica Rítmica – da qual não participaria –, o suor cobria grande parte de seu colo, agora exposto por quatro botões abertos.
Virou-se para a arquibancada, encontrando cinco pares de olhos arregalados acompanhados de sorrisos e queixos caídos.
— Wow! Wir müssen es bevor die Cheerleader¹ – o primeiro a se pronunciar, um garoto loiro usando uma touca larga, tinha uma expressão maravilhada no rosto.
Alex os ignorou completamente, partindo para suas coisas e vestindo-se, mas a garota baixinha de cabelos louro-prateado segurou seu braço, sorridente.
— Sou Evony Stortzmann.
Ela tinha um sorriso lindo, mas Alexandra não estava interessada em nenhum grupo de dança com um nome estúpido.
No entanto, Winter aprendeu rápido que Stortzmann era muito determinada. Elas tinham quatro aulas juntas, e em todas a loira fez questão de sentar-se a seu lado. Depois da aula de ginástica, após uma série de pedidos de por favor, Alex aceitou tomar um café com a garota.
Para sua surpresa, ela não citara nenhuma vez o grupo de dança. Pelo contrário, falaram de coisas banais, e a londrina descobriu que Evony também morava só com o pai, pois a mãe vivia na Dinamarca, de onde ela viera, há cinco anos. Ela também lhe contou que tinha duas irmãs mais novas, gostava de cachorros e do cheiro da grama cortada no verão. Alex pegou-se confidenciando sobre seus livros favoritos, de como gostava de biscoito com leite e tiveram sua primeira briga ali mesmo, no banco da lanchonete – uma fervorosa discussão sobre quem era melhor, Batman ou Superman.
No fim da semana elas já haviam ido mais de três vezes ao café, duas semanas depois, Alex era a nova arma secreta do Beauties on the Beats, e após um mês e meio Evony estava acordando na cama de Winter, chocada por ter dormido com uma garota.
Em nove meses Alexandra falara apenas duas vezes com sua irmã gêmea. Uma vez por telefone, e outra por mensagem e, sinceramente, preferia assim. A solidão e o buraco de bordas ardentes em seu peito eram monstros que lhe acompanhavam dia e noite, mas este fora o objetivo da viagem – fugir. Fugir de Sam, da rejeição, da dor que aquela loucura lhe causava.
Samantha, Thomas e Katherine estiveram em Berlim pelo menos quatro vezes, e Ethan voara para Londres ao menos sete desde sua chegada. Alex, no entanto, não via o restante da família desde a despedida no aeroporto, em dezembro do ano anterior. Sempre arranjava desculpas assim que era informada da chegada deles ou de uma futura viagem para casa.
“Tenho de competir”, “É semana de mostra no colégio”, “Vamos viajar para fazer trabalhos”, “Preciso estudar com meus amigos”.
Olivia não lhe mandava mais mensagens, não ligava e mantinha uma distância dolorosa. Tom se conformara. Katherine não se pronunciava. E ela não queria saber a opinião de Sam.
Ethan não insistia, uma vez que a relação dos dois despedaçou-se com a vinda para Berlim. Na décima semana na capital, o arquiteto chegara em casa mais cedo do trabalho e encontrara Alexandra nua entre as pernas de Evony. Cegos de ódios, pai e filha discutiram por horas, até Alex gritar que ele não tinha moral para questioná-la.
— Pelo menos não estou traindo ela! – Berrara a morena, com lágrimas nos olhos. – Seu hipócrita de merda!
Ganhara um tapa que deixara o lado esquerdo de seu rosto roxo-esverdeado por nove dias, mas não houve mais uma palavra sobre sua sexualidade sob aquele teto – porém, honestamente, o abismo criado entre os dois doía mais para Alexandra que qualquer tapa recebido.
Londres e a vida antiga pareciam estar há anos luz de distância. Qualquer raiz que ainda a ligasse àquela cidade fora abruptamente cortada com o afastamento de Olivia. Gold a odiava por ter-lhe deixado quando mais precisava, mas ela nada podia fazer agora. A única coisa que lhe restava dali, além das lembranças, era Anabelle Parker, que prometera nunca deixá-la – e, pela primeira vez em sempre, alguém que lhe prometera algo estava cumprindo.
Agora, deitada nos braços de Evony, Alexandra Winter sentia-se uma nova mulher. Uma mulher recém–formada e prestes a ingressar na Technical University of Munich como aluna da turma de psicologia.
No fundo, tudo ainda doía e sabia que nove meses ou noventa anos não fariam aquele sentimento anormal e devastador por Samantha desaparecer, mas poderia sufocá-lo por quanto tempo fosse necessário – ou assim ela esperava.
OLIVIA
“Sempre estarei aqui. Nunca vai me perder.”
Mentirosa, Olivia Gold pensou, secando os olhos. Alexandra era uma mentirosa filha da puta, e ela uma tola por acreditar.
Onde ela estava quando as náuseas matinais se tornaram tão insuportáveis que Via precisava faltar às aulas? Onde ela estava quando ela chorou a madrugada toda segurando o palito plástico com o símbolo de positivo nas mãos? Onde ela estava quando Olivia ligou quarenta e três vezes para seu celular, desesperada, sozinha, grávida?
Onde Alexandra estava quando o médico lhe deu o sedativo, as luzes saíram de foco e a enfermeira mal-humorada lhe abriu as pernas?
— Desculpe por não estarmos mantendo contato como prometi que faríamos – Winter disse, pensativa, quando se falaram pela internet, mais de sete meses antes. Era a primeira vez desde a partida dela. – Aquela escola é um hospício. E agora estou num grupo de dança. Isso consome todo o meu tempo livre e... Você parece tão cansada.
Talvez porque tiraram um feto de mim? Gold lembrava-se de ter pensado, nauseada.
— É – ela respondera, olhando a imagem pixelizada.
— Aconteceu algo?
— Eu estava grávida.
A expressão de Alex foi de incredulidade para horror, para espanto, para estática em menos de dez segundos.
— Está falando sério?
E Via explicou seu envolvimento estúpido com Harry em poucas palavras. Estava pálida e lembrava-se de suar muito. Só fazia algumas horas desde a operação.
— Isso é... – Winter não tinha palavras, mas depois um sorriso empolgado surgiu em seus lábios. – Vamos criar o bebê, Via! Você e eu, o que me diz? Céus, eu vou ser tia! Terei um sobrinho e-
— Seu sobrinho está na bandeja de um médico – ainda hoje as palavras tinham um gosto ruim na boca de Olivia.
E ela jamais se esqueceria do desapontamento nos olhos de Alex.
— O-o quê?
— Eu simplesmente não pude! Eu não tinha ninguém! Meu pai não aceitaria e... Você me deu as costas.
“Você me deu as costas”.
Não se falavam mais desde então, e isso fora uma decisão de Via. Porque ela se cansara de ser a segunda opção. Sempre a segunda opção.
Com Harry ela não era a segunda opção. Ele talvez não quisesse o filho, mas que jovem de dezesseis anos iria querer? Gold simplesmente não podia culpá-lo.
Mesmo com seus “serviços”, Mollison era atencioso e estava melhorando na cama. Ele lhe comprava presentes e a levava em casa com a nova moto, além de conseguir ingressos para as melhores baladas onde distribuía a mercadoria.
Ali, sentada na calçada do Elephant & Castle, a cabeça leve por conta da maconha recém fumada, Olivia pensava no que Alexandra poderia dizer caso a visse naquele estado – olhos vermelhos, boca seca, expressões vagas.
Ela não pode me julgar, pensou, encarando o imenso e cafona elefante vermelho que decorava a fachada. Ela tem de se preocupar com aquela doença. Ela é nojenta. Anormal. Uma aberração. Apaixonada pela própria irmã? Que tipo de maníaco faz isso?
SAMANTHA
Anabelle Parker franziu o cenho quando Samantha Winter a puxou bruscamente para o lado oposto do estacionamento do Elephant & Castle.
— O que houve? – A psicóloga perguntou.
Mas Sam só respondeu quando já estavam bem longe da fachada do shopping – e de Olivia Gold.
— Pensei ter visto alguém que conhecia – ela sorriu, desconcertada. – Desculpe.
Annie riu, sacudindo negativamente a cabeça.
Ansiosa, a morena lançou um olhar tenso para trás, certificando-se de que Gold não as vira.
Da última vez que se encontrara com a ex-melhor amiga de sua irmã, Samantha foi assediada e agredida. Na ocasião, Sam estava voltando de suas aulas de piano, cansada, quando Via puxou seu braço. Estava com os olhos vermelhos e a respiração acelerada, fedia a álcool e era quase impossível reconhecer a antiga Olivia sob aquela expressão transtornada.
— Você voltou – ela dissera, com um sorriso sonhador e dopado.
— Não, Via, eu-
Mas a garota pressionara os lábios contra os seus, desesperada.
— Não! Olivia! – Sam a empurrou com força, surpresa e enojada. – Eu sou a Samantha!
E a menção de seu nome fez a loira se encolher por poucos instantes, e depois tentar atingi-la com tapas cegos e fracos.
Um rapaz estacionava o carro no restaurante onde estavam paradas de frente, e, ao ver a cena, foi ao auxílio de Samantha – mais tarde ela descobriu que ele se chamava Edward, e agora estavam juntos há sete semanas – e só dessa forma Olivia fora contida.
A lembrança da cena causava uma vertigem profunda em Sam até o presente momento, por isso agarrou-se forte a Annie, sentindo-se frágil.
Anabelle estalou a língua e guiou-a para o carro. Trocara seu Nissan por um Ford Fusion preto, e, para Winter, sua postura, além do carro, também ficara mais elegante.
Naquele seis de setembro fazia exatamente nove meses que seu pai e Alex mudaram-se para a Alemanha. Era estranho como muita coisa se transformara desde então. Sam sentia-se mais madura, mais mulher e, mesmo esforçando-se para não pensar em Alexandra, desejava que ela pudesse ver sua evolução.
Formara-se. Seu pai veio à cerimônia, sua irmã, não.
Alex se formou. Ethan só descobriu a data da festa que financiara quando encontrou quatro convites rasgados no lixo e o vestido de Alexandra amassado no guarda roupas, com manchas de vinho e cerveja.
O fantasma dela estava presente em tudo o que Sam fazia, em seu subconsciente, assombrando-a. Mas ela sabia que poderia ser muito mais doloroso se Anabelle não estivesse ali para ajudá-la.
Ela foi a única pessoa com quem conseguira se abrir a respeito de absolutamente tudo o que sentia. Confiava nela agora como em si mesma. Era sua melhor amiga, sem dúvida.
Surpreendentemente, Annie agira naturalmente ao descobrir os sentimentos conturbados de Samantha Winter em relação à irmã gêmea, e foi ela quem a ajudou a superar – ou pelo menos tentar fazê-lo.
Nove meses depois, a atual Samantha Winter estava prestes a iniciar seu primeiro semestre em Oxford como aluna de música, tinha uma audiência com um músico que pretendia gravar um CD com seus solos de piano, e estava em um relacionamento sério com um futuro neurocirurgião.
E tudo poderia estar melhor se ela estivesse aqui, algo sussurrou em seu interior, e ela enrijeceu, fixando os olhos na estrada escura pela qual Annie guiava o carro e engolindo a seco.
Anabelle tocou seu joelho, ainda com os olhos fixos na estrada.
— Você está bem? – Perguntou.
— Si-sim, e-eu só- Eu não- É que hoje faz nove meses – sussurrou a resposta, envergonhada.
Doutora Parker apertou seu joelho subindo as unhas carinhosamente por sua coxa, mas ela não pôde deixar de pensar em como seria se Alex estivesse fazendo aquilo. Suas bochechas coraram muito e a respiração ficou presa na garganta.
— Sim. Nove meses – Annie repetiu, agora com uma expressão profunda e indecifrável. – O tempo voa.
— Parece que se arrasta – replicou a morena, frustrada e culpada.
— Não se preocupe. Ela logo estará em casa – a psicóloga sorriu, quebrando o contato de suas peles.
— É. Claro.
Samantha só não sabia dizer se isso era algo bom ou ruim.
Quando Anabelle a deixou em casa, sua cabeça girava, pulsando com imagens de Alexandra que reprimira por meses. Não sabia explicar o motivo. Talvez o reencontro com Olivia ou a data específica, mas agora não conseguia desviar seus pensamentos de sua irmã – ou do beijo que trocaram.
Sua mãe estava no escritório e Sam se limitou a passar direto, sem cumprimentá-la. Ao subir as escadas, encontrou a porta do quarto de Thomas entreaberta, e aproximava-se para dar boa noite quando ouviu vozes.
— Mesmo?! – Ele estava chocado, mas empolgado. – Você precisa trazê-la para casa! Faremos um jantar para vocês e-
‘Você é retardado? Katherine surtaria, você sabe! Por isso não pode dizer nada a ela.’ – Alguém respondeu do outro lado da tela. A voz estava um pouco trêmula, mas ela podia reconhecer. Sentiu as pernas fraquejarem. Fazia meses desde que a ouvira pela última vez.
— Nem à Sam? – Ele perguntou, esperançoso.
‘Muito menos à Sam.’
Samantha segurou a maçaneta com força. Mordeu o lábio e tomou coragem para entrar.
— O que não podem contar a mim? – Perguntou, tentando manter o tom firme.
Tom virou-se, surpreso, e um sorriso caloroso se abriu nos lábios do garoto. Na tela, Alexandra aparecia numa imagem um pouco pixelizada, com os ombros nus e os cabelos presos num rabo-de-cavalo frouxo.
— Sam! – Thomas riu alto, olhando para a gêmea presente. – Que bom que chegou!
— Alex – ela sussurrou o nome como uma prece quase inaudível. Não sentia suas pernas ou a ponta de seus dedos. – O-olá.
‘Hm, oi.’ – Alexandra parecia muito pálida, ou talvez fosse apenas a luz do monitor. Em poucos segundos Samantha notou as sardas adoráveis nos ombros despidos, o batom vermelho ardendo nos lábios, os olhos faiscando. – ‘E-eu tenho que ir agora. Estão me esperando.’
— Ora, vamos, Alex! – Thomas agitou-se na cadeira. – Você só vai sair às nove!
‘Preciso me aprontar.’ – ela respondeu com um suspiro. – ‘Falo com vocês mais tarde, e-’
— Fique.
Samantha se surpreendeu com a firmeza de suas palavras. Ela não atendera a seus pedidos da primeira vez que os fizera, aos prantos, no inverno anterior, parada no aeroporto. Talvez pudesse atender agora.
— Só... Fique... Por favor – pegou-se implorando, aproximando-se da tela como se assim pudesse tocá-la, sentir o calor de seu corpo ou seu cheiro.
Tom olhou de uma para a outra e parecia não saber o que fazer. Sam sentiu que ele absorvera a tensão do ambiente, e agora estava desconcertado com a cena.
— Eu vou buscar algo para comer – disse, levantando-se rápido e atirando-se para fora do quarto.
Estavam sozinhas e a perspectiva fez o coração de Samantha errar as batidas. Alexandra a encarava, rígida, do outro lado da tela. Ela estava suando, quente, com os olhos embaçados por lágrimas ardentes.
— Eu estou com saudades – ela disse e sentiu imediatamente o rosto molhado.
‘Não... Não chore.’ – A gêmea mais velha levantou a mão para tocar a tela, mas voltou a baixá-la, desviando os olhos para o teclado.
— Quero que volte – a pianista desejou cobrir a boca para parar a enxurrada de palavras. – Quero que volte para casa, para minha vida, para mim.
‘Sam, eu não... E-eu não... Eu preciso ir.’
— Por favor – ela choramingou, sentindo-se insignificante.
‘Alex?’ – Alguém chamou do outro lado da tela. – ‘Amor, estamos ficando atrasadas.’
Uma garota seminua apareceu atrás de sua irmã e Samantha não conteve um riso irônico, sarcástico, cheio de inveja e amargura. Ela conhecia muito bem aqueles cabelos descorados, num loiro tão claro que chegava a ser enjoativo.
Evony abaixou-se para olhar a tela, e sorriu largamente ao vê-la.
‘Samantha! ‘– Aquele sotaque era patético. – ‘Olá.’
— Eu acho que é melhor mesmo você ir – Sam secou os olhos com raiva, suspirando com força. – Até outra hora.
‘Samantha, veja, e-eu–‘
Porém, Samantha Winter desligou a câmera, afundando o rosto entre as mãos e deixando as lágrimas escaparem por entre suas pálpebras cerradas. Desejou, agora mais que nunca, ser um pouco mais forte.
Mas não posso ser, pensou, encolhendo-se. Porque a amo, e sei disso.

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