Leão do Inverno

38 Livro Três — Capítulo XII


Notas iniciais
CONTAGEM REGRESSIVA PARA O FINAL DA FIC — 02. Hola! Como vão vocês? Eu só queria dizer que... Gente, eu não estou sabendo lidar com vocês. De verdade. Está difícil manter a máscara de escritora-assassina-sanguinária com vocês sendo tão fofos, tão lindos, tão amorzinho. E embora eu não queira ser melosa antes do fim (que está próximo), eu só tenho a agradecer. Muito obrigada por tudo. Vocês são os melhores leitores que alguém poderia pedir. DRAMA QUEEN MODE OFF. É treta! Só treta nesse capítulo! Capítulo que eu dedico à Stella, porque você e sua história me inspiraram muito mesmo. Let's make crazy science together ;) E aos meus alunos que resolveram ler as obscenidades que eu escrevo na internet asdhaus' Não espalhem! Boa leitura, leõezinhos :3 --------------------------------------------------------------- "Silêncio. Não fale. Quando você cospe seu veneno, mantenha a boca fechada. Odeio isso. Quando você fala assobiando e dá sermão sobre seu novo messias, porque suas teorias são muito interessantes. Não consigo encontrar nenhum lado bom. Eu não quero julgar, mas quando você lê o seu discurso, é cansativo. Já é o bastante. Agora que eu tenho você no meu espaço eu não vou deixar você ir. Tenho você algemado em meu abraço, estou trancando em você." FIFTH HARMONY — La La La (Latch).

SAMANTHA

Geava do lado de fora e aquela tarde de 24 de dezembro na cidade de Oxford estava tão escura e fria que nem mesmo a perspectiva do Natal conseguia aquecer o apartamento meio-vazio e de paredes nuas no primeiro andar do Tennyson Lodge, na Paradise Square.

Quando Samantha Winter finalmente depositou a última caixa no chão, uma fina camada de suor umedecia seu rosto apesar dos calafrios. Ela sentou-se no chão, com as pernas trêmulas.

No momento seguinte, um Thomas suado apareceu lhe oferecendo uma cerveja. Alexandra chegou em seguida, trazendo pequenos pacotes aparentemente frágeis e colocando-os no único sofá da casa com todo o cuidado antes de pegar uma cerveja das mãos do irmão.

Quatro dias antes, Katherine MacIntyre não suportaria a ideia de ter Tom se mudando da casa na Arkwright Road para morar em Oxford. Ela, que depois do divórcio vinha enfrentando uma depressão intensa, via em Thomas sua única companhia; alguém que não permitia que seus demônios lhe assombrassem.

Mas depois de descobrir que suas filhas gêmeas viviam um romance incestuoso, a já frígida decoradora enclausurara-se num tipo de apatia extrema. Dois dias antes ela simplesmente anunciara a Thomas que alugara, por ora, um apartamento para ele no mesmo prédio que suas irmãs viviam, na cidade de Oxford, e ele deveria arrumar suas coisas o mais rápido possível, pois ela colocaria aquela casa – o lugar onde ele nascera e crescera, que continha todas as memórias de sua vida, bem como as das vidas de Alexandra e Samantha – a venda.

Nenhum dos três herdeiros pode dizer qualquer coisa. Primeiramente porque as gêmeas não sabiam como falar com a mãe depois que ela as expulsara de casa a gritos histéricos, amaldiçoando-as e renegando-as completamente. E depois, porque a casa na Arkwright Road era propriedade única e exclusiva de Katherine, conforme a partilha de bens feita algum tempo antes.

Segundo Thomas, ela assegurara a ele que parte da renda da venda seria dividida entre ele e as irmãs, mas o que preocupava os três naquele momento era a saúde mental da mãe.

Sam sentia-se absurdamente culpada por tudo. Ela sentia que Katherine surtaria. A decoradora optara por viajar para a casa da família MacIntyre em North Yorkshire para recesso de fim de ano, enquanto as burocracias relacionadas à venda eram resolvidas. Tom predispôs-se a ir com ela, mesmo enfrentando todo o tumulto emocional e físico da mudança abrupta.

Eles ainda não haviam tocado no assunto entre si. Samantha não entendia ao certo como ele sabia sobre ela e Alex, e uma vez que eles jamais discutiram esse tópico, tudo se tornava ainda mais confuso e delicado.

Mas, além da culpa que sentia em relação à mãe, Sam ainda tinha de lidar com a responsabilidade de saber que fora o motivo das mudanças na vida de Tommy. Seu Pequeno Príncipe, como ela invariavelmente o chamava, estava sofrendo por algo que ela provocara.

Alex também se sentia dessa forma, ainda que não tivesse externado aquilo em palavras – a pianista conseguia ler suas expressões e entender seus olhares.

— Eu posso levá-lo ao aeroporto – Samantha quebrou o silêncio exausto que se instaurara. – Se você quiser, claro.

Bagunçando o topete incrivelmente loiro e longo, Thomas sorriu de lado, segurando a cerveja com uma das mãos.

— Olivia vai me levar, mas obrigado – ainda vermelho pelo esforço, ele deu um longo gole em sua bebida antes de prosseguir. – Acredito que seja melhor evitar que mamãe veja você ou Alex, pelo menos por ora.

Sentindo-se estúpida, Sam assentiu, rápido.

— Sim, é claro. Eu devia ter pensado nisso. Desculpe.

— Está tudo bem – ele abriu um sorriso genuíno e grande, tocando o joelho encolhido dela com a mão grande. – Ela só precisa de um tempo para associar as coisas. Eu posso falar com ela futuramente. Ela ama as duas. É mãe de vocês. Talvez não entenda, mas acabará aceitando.

Samantha foi pega de surpresa pelo soluço que lhe rasgou a garganta naquele momento.

Ela vinha evitando chorar. Desde que deixaram Londres naquele sábado, a pianista vinha esforçando-se ao máximo para conter suas emoções e angústia, pelo bem de Alexandra, que piorara visivelmente depois de tudo o que fora obrigada a ouvir de Katherine – quem Samantha não julgava de forma alguma, embora se sentisse triste pela reação. Ela entendia a forma como Kate se sentia. Não era fácil. Não era mesmo.

Alex a abraçou, puxando-a para seu peito. Sammy se encolheu ali, sentindo o corpo forte de Thomas se adicionado ao abraço momentos depois. Suas lágrimas começaram a adicionar mais umidade à camisa do rapaz, mas nenhum deles parecia se importar.

— Eu sinto tanto – ela soluçou novamente, apertando ambos os irmãos contra si. – Eu- Eu não queria que- Eu sinto- Ela- Nós-

— Shhh – Tom beijou-lhe os cabelos, afagando suas costas enquanto a pianista podia sentir o corpo de Alexandra agitar-se um pouquinho, num choro tímido e contido.

Levantando o rosto rápido e fazendo o abraço afrouxar um pouco, Samantha agarrou o garoto pelos ombros, com lágrimas correndo pelos olhos.

— Por favor, não nos odeie! Por favor, Tom! Nós sentimos muito. Eu juro que sentimos.

Ele segurou seu rosto nas mãos, negando freneticamente com a cabeça, recolhendo as lágrimas amargas com o polegar. Embora ele estivesse claramente forçando um sorriso, Samantha era capaz de ver que seus olhos estavam marejados.

Céus, o que fizemos com você, Tommy? Sam pensou, horrorizada, enxergando sob a barba dourada o garotinho que corria pela casa de cueca de patinhos e toalha amarrada às costas. Nós destruímos qualquer significado de família que você conhecesse. Nós o machucamos. Todos nós.

— Não diga besteiras, sua cabeçuda – ele deu-lhe um tapa fraco na cabeça, mas ela não conseguiu rir. – Eu não odeio vocês. Como poderia, huh? Diga-me, como poderia? Por que vou odiá-las se a única coisa que vocês fizeram foi... Amar?

Alexandra, que parecia uma sombra pela forma como estivera calada nos últimos quatro dias, tomou as mãos dele nas suas, sorrindo palidamente.

— Você é um homem maravilhoso, sabia? – Ela disse e ele corou. – E eu tenho orgulho disso.

— E eu tenho orgulho pela forma como vocês lutaram por isso – ele mordeu o lábio, olhando de uma para a outra. – Talvez esteja tudo uma bagunça agora, mas quando é que coisas certas foram interessantes? Eu não acredito muito nessas coisas, mas... É tudo uma grande piada cósmica. Nós somos peças num jogo que nunca entenderemos, e temos de fazer desta partida a melhor possível, afinal, não há replay.

Dois pares de olhos o fitavam atentamente quando ele adicionou, com um sorriso convencido:

— O que? Eu estou fazendo algumas aulas extras de filosofia.

Um silêncio súbito se deu e em seguida os três Winter explodiram em uma gargalhada sincera e intensa. Riram juntos, verdadeiramente, até que suas barrigas doessem e estivessem fracos, apoiados pelos cantos do apartamento meio-vazio.

O som daquele riso tão cheio de vida preencheu o lugar, preencheu-os, e quando as gêmeas acompanharam o irmão até o carro de Olivia Gold, horas mais tarde, a pianista sentiu como se, apesar do clima estranho entre Alexandra e Via, um peso imenso tivesse sido removido de suas costas.

— Boa viagem, Tommy – ela murmurou, olhando-o pelo lado de fora da janela do passageiro, com Alex abraçando-lhe pela cintura. – E feliz Natal.

Quando o carro sumiu pela rua de edifícios residenciais, Samantha Winter apertou os braços da irmã em sua cintura, sorrindo.

— Vamos entrar. Vou lhe fazer um pouco de chá.



ALEXANDRA

Nevava. A segunda semana de Janeiro começara muito fria, e segundo a garota-do-tempo do jornal da véspera, a tendência era esfriar ainda mais. Era domingo e Alexandra Winter terminava de colocar os pratos na mesa quando o interfone tocou. Ela não queria atender, pois sabia quem o porteiro estaria anunciando.

Foi Samantha quem respondeu aos toques, e depois que ela murmurou um doce “Certo. Peça que ele suba, por favor.”, Alex e Thomas, que colocava a travessa incandescente de peixe assado sobre a mesa, trocaram um olhar preocupado.

— Certo. Pessoal, tentem ser um pouco amigáveis com ele, por favor – Sam pediu, ainda que estivesse claro que ela não se sentisse totalmente à vontade com aquela situação.

Ethan Winter entraria por aquela porta em poucos instantes, e mesmo que tentasse muito manter-se calma, Alexandra simplesmente não podia. Ela guardava muitas mágoas de seu pai e mesmo depois de ter passado por tantos problemas e provações, não se sentia plenamente apta a perdoá-lo, principalmente quando se recordava de Victoria Wall.

Ele estava tentando ser um pai melhor, da maneira dele. Não que simplesmente ligar – com o prefixo da Suécia! – para desejar feliz-natal e feliz-ano-novo fosse uma atitude muito paternal, mas ele ao menos ligara, diferentemente de Kate. Não que isso fosse durar muito tempo, ela sabia. Ele ainda não estava ciente do romance entre as gêmeas, mas não demoraria a descobrir, e por mais que sua reação fosse previsivelmente menos explosiva e histérica que a de sua ex-mulher, estava claro para Alexandra que ele tampouco lhes daria os parabéns.

A futura psicóloga, que se esgueirara para o banheiro em busca de um Klonopin assim que começara a sentir as mãos tremerem e o suor escorrer pela testa, ouviu a voz grave de Ethan preencher o apartamento, cumprimentando Sam e Tom.

Depois de lavar o rosto e engolir a pílula a seco, ela voltou para a cozinha e finalmente viu o arquiteto parado à porta, estendendo presentes para os filhos. Ela se adiantou para ele, cumprimentando-o de forma polida e aceitando com um velado desinteresse seu presente.

— Você está melhor, princesinha? – Ele perguntou, afagando o rosto de Alex.

Tanto o apelido quanto a carícia soou destoante, mas ainda assim ela tentou sorrir e responder de forma amável.

Samantha, que parecia realmente disposta a fazer aquele “almoço em família” ser um sucesso, começou a divagar sobre as receitas que eles usaram para preparar a comida, e depois de algum tempo, estavam todos comendo.

Embora tudo estivesse realmente delicioso, Alexandra não conseguia engolir muito bem sua refeição, principalmente se mantivesse contato visual com seu pai por tempo demais.

Eles falavam – Samantha e Ethan falavam – sobre assuntos triviais enquanto comiam, mas nem mesmo uma discussão animada sobre a última Copa do Mundo de Futebol conseguiu apaziguar por completo o clima estranho e pesado que se mantinha presente no cômodo. Tudo ficou ainda mais tenso quando a pianista citou, despreocupadamente, Lewis.

Para Alex, seu pai ter tido um filho com Victoria Wall não lhe agradava, mas também não lhe era de todo absurdo. Para Thomas, porém, ela sabia que aquilo soava como uma afronta.

No momento em que Ethan estava pronto para responder, o garoto colocou-se de pé e começou a retirar os pratos vazios. Seu pai teve pelo menos a decência de esperá-lo sair para responder, um pouco constrangido.

— Ele está bem. Crescendo forte, embora tenha vindo prematuro. No próximo dia dezoito ele fará cinco meses – o arquiteto sorria, embora estivesse desconcertado. – Quer ver algumas fotos? – Ele puxou o celular de dentro do bolso e Alex sentiu que a comida voltaria se continuasse ali.

— Vou ajudar Thomas com as louças – ela anunciou, colocando-se de pé subitamente. – Com licença.

Na cozinha, ela não se atreveu a trocar uma só palavra com o irmão caçula. Lavaram e secaram as louças lentamente, evitando contato visual, pois nenhum deles sabia como reagir. Depois, Alex preparou um pouco de café, e só então voltaram.

Agora na sala-de-estar, o assunto parecia ser outro, e os dois suspiraram em alívio.

Entre elogios ao seu café e comentários aleatórios sobre a gravidez de Kate Middleton, os quatro Winter conseguiam rir esporadicamente e quando Alexandra pensou que finalmente a atmosfera estaria tornando-se mais amena, seu pai pigarreou, trazendo a atenção dos três irmãos para ele.

Sentindo-se ansiosa e pouco positiva em relação ao que viria a seguir, Alex apenas focou-se no homem loiro a sua frente.

— Preciso contar algo – ele disse, obviamente, e logo o silêncio voltou a reinar, como o prelúdio de algo bombástico.

Libertando a respiração de forma audível, Samantha exclamou:

— Então diga. Não nos deixe apreensivos.

— Bem – Ethan parecia incerto, encarando a xícara ao invés de olhar diretamente para os filhos. – O motivo principal da visita é para anunciar que... – ele tomou um longo fôlego e quando Thomas, inquieto, parecia próximo de dizer algo, o arquiteto declarou. – Eu vou me casar.

Nenhum deles disse nada por um bom tempo.

Alexandra apenas piscava repetidas vezes, tentando associar as palavras.

Não estava decepcionada, triste ou revoltada. Apenas surpresa.

Ethan era um homem muito atraente, e as mulheres costumavam se atirar para ele. Ainda que soubesse que ele e sua mãe jamais voltariam a ficar juntos, ela não esperava que ele tornasse a se casar tão rápido.

Não se esqueça de que você dormiu por quase um ano, querida. Algo sussurrou em sua mente e, para afastar a voz, ela chacoalhou a cabeça e esforçou-se para perguntar:

— E poderíamos saber com quem, se você não se importa?

— Ela... Bem – ele passou a mão pelos cabelos, exatamente como Sam fazia quando estava nervosa. – O nome dela é Rosário. Ela é paraguaia. É a babá do Lewis.

— A babá? – Thomas riu sem um único vestígio de humor. Seus olhos, presos nos de Ethan, transbordavam aversão. – Sério? Quando eu penso que você não pode fazer mais nada para reforçar o estereótipo de “Cinquentão Galinha”-

— Olhe como fala comigo-

— Rapazes – Sam pousou as mãos nos ombros de seu pai, que começava a levantar-se em seu assento. – Rapazes, por favor, vamos nos comportar como pessoas civilizadas, sim?

— Civilizados? Ele ao menos sabe o significado dessa palavra?

Thomas rolou os olhos, se colocando de pé. Alex sentia o ar ficar cada vez mais pesado e suas mãos voltaram a tremer. Ela fitou o irmão, calada, enquanto o rosto dele começava a ruborizar.

— Esse falso moralista de merda simplesmente-

— Eu sou seu pai! – Ethan esbravejou, erguendo-se de onde estivera sentado e desequilibrando Sam, assumindo uma coloração avermelhada, também. – E você me deve respeito enquanto ainda for sustentado por mim, pirralho!

— Essa é a única coisa com que importa pra você, não é? – Tom gritou, dando alguns passos em direção ao pai, estufando o peito como os homens geralmente fazem quando querem parecer mais másculos. Alex se levantou depressa, tentando contê-lo, segurando seus ombros. – Dinheiro! É por isso que você fazia notas frias e sonegava impostos? É por isso que você se tornou a porra de um corrupto?

O arquiteto ergueu o braço para acertar seu punho cerrado no rosto de seu filho, mas Samantha se colocou entre eles e no instante seguinte o golpe estava acertando em cheio o olho dela.

A pianista caiu e os momentos seguintes não passaram de um borrão para Alexandra. Ela estava dividida entre bater em seu pai como retaliação ou ajudar a irmã jogada no carpete, desacordada pela força do soco.

O corpo de Sam caíra para trás, colidindo com as pernas de Thomas antes de bater no chão e amenizando o impacto que a queda inicial provocaria, mas ainda assim, quando a cabeça dela colidiu com o carpete, uma onda de náusea e calafrios apossou-se do corpo da gêmea mais velha.

Alexandra ajoelhou-se, gritando o nome da irmã. Seu pai e seu irmão fizeram o mesmo, mas antes que Ethan chegasse perto o suficiente, Thomas o estava empurrando para longe, praguejando e o expulsando do apartamento.

O desespero gritante no interior da futura psicóloga a impediu de tomar qualquer outra atitude, senão a de cuidar da mulher que amava. Amparando a cabeça em seu colo, ela esforçou-se para acordar Samantha, enquanto lágrimas de angústia corriam por seu rosto.

Ela despertou alguns momentos depois, tonta. Os olhos muito azuis vagavam, perdidos pelo apartamento, enquanto uma voz um pouco rouca perguntava o que acontecera. A essa altura os gritos de Thomas e Ethan já haviam sido engolidos pelo corredor e Alexandra tinha a completa ciência de que eles poderiam estar se matando nos andares inferiores, mas, talvez por puro egoísmo, ela permaneceu ali, com Sammy.



ELAS ESTAVAM DEITADAS na cama, olhando-se. Já passava da uma da manhã, mas nenhuma das gêmeas Winter conseguia dormir. Depois de ter cuidado dos ferimentos de ambos os irmãos – pois, quando retornou, Thomas estava com um lábio cortado e um hematoma começando a se formar no maxilar – Alexandra precisou de mais um calmante antes que as vozes e gargalhadas em sua mente fizessem-na surtar completamente.

Nenhum deles tocou no assunto. Era como se Ethan nunca tivesse pisado naquele apartamento, e mesmo Samantha, que vinha defendendo o pai, parecia ter sucumbido a uma dor maior que aquela em seu olho arroxeado e inchado.

Ouvindo o vento do lado de fora, Alex acariciava o rosto e os cabelos de seu reflexo, à meia-luz do abajur, envolta em edredons. Ela sabia que a irmã estava sobrecarregada e sofrendo, que o peso dos últimos acontecimentos estava sufocando sua delicada pianista. Mas sabia também que estava ali para dividir aquela carga e fazê-la esquecer-se do quão amarga a vida poderia ser.

Ela poderia tornar aquilo doce. Por Sam, ela poderia.

Delicadamente ela beijou o olho ferido da pianista, sorrindo em seguida.

— Mais para baixo – Samantha murmurou, rindo.

Pressionando os lábios no nariz da garota, Alexandra esperou pelo próximo comando.

— Mais para baixo – ela repetiu.

Alex beijou-lhe os lábios muito devagar, provando da textura pela qual era apaixonada. Ao afastar-se, abriu os olhos, fitando o rosto machucado com carinho.

— Mais para baixo – a voz agora rouca de Samantha pediu, e Alexandra Winter soube exatamente qual parte daquele corpo frágil e sensual seria seu próximo alvo.

Notas finais
E então, como estamos? Pra quem esqueceu o que aconteceu com a Victoria, volta lá no segundo capítulo do livro três, que tá explicando. ETHAN OTÁRIO, MDS DO CÉU. Masokay, o que esperar dele, né? Aff. (vou fingir que eu não estava esperando que ele voltasse a ser uma boa pessoa). Sobre o encontro literário: que amoooor! Muita gente topou, e eu achei isso sensacional. But, por motivos de VESTIBULAR, se for rolar mesmo, só vou poder lá pra Janeiro. O que é bem sad, já que a fic vai acabar antes mesmo do Natal. Anyway, se vocês quiserem discutir sobre, mande-me o número e eu coloco vocês no grupo do whatsapp! Ou só mande o número, quem sabe a gente não sai pra tomar alguma coisa, quem sabe uma atitude e se beijar? (BIA, TE AMO, COME TO SÃO PAULO) Sobre a fic da Evony: gente, quanto apoio! Fiquei até emocionada. Ela se interligará com a história da Alex e da Sam, mas num cenário pós-Leão do Inverno. A one-shot que eu vou postar no bônus vai falar mais sobre e dar um gostinho pra vocês :v SPOILER DA VEZ: "Quando Samantha se ajoelhou, ainda segurando o ovo de escamas vermelhas e pretas, Alexandra realmente acreditou que a irmã estivesse bêbada, mas a voz que saiu daqueles lábios não poderia vir mais sóbria: — Até que o sol nasça no oeste e se ponha no leste. Até que os mares sequem e as montanhas sejam sopradas pelo vento como folhas (...)” SHABLAAAAAUUUUU!!!!!!!! Sim, é o que vocês estão pensando, porque O PRÓXIMO CAPÍTULO É O ÚLTIMOOOOOOO! DEPOIS SÓ TEM O EPÍLOGO. MDS EU NÃO TO BEM!!!! Obrigada por ler, gente. Vocês são sensacionais. See you soon ^-^