Leão do Inverno

25 Livro Dois — Capítulo IV


Notas iniciais
Babi: Hola! Chegamos cedo, como podem ver, seus lindos. E esse capítulo é nada mais, nada menos, que o penúltimo do livro dois! "Mas já, Babi?" Sim, já. O segundo livro foi o mais pequeno. Logo logo teremos outra fucking reviravolta na história, como vocês perceberão ao lerem o Spoiler da Vez nas notas finais, cof cof. Enfim, é isso. Boa leitura, seus tchucos :3 Toki: Esse cap tá ó... Maravilhoso. Altas atividades paranormais (~*o*)~ E quem viu Fifth Harmony no PJ? Lauren conseguiu um solo em Worth It/Dame Esta Noche!! Amen, Chessus. Pirei lindo com ela falando em espanhol. ---------------------------------------------------------------------------------------- Babi again: então, sobre Dame Esta Noche, eu escrevi o capítulo ouvindo ela, mas acho que não vai combinar muito na hora da leitura, então fiquem com: "Desde que você se foi, eu tenho estado perdido sem direção. Eu sonho à noite e só consigo ver o seu rosto, eu olho em volta, mas é você que eu não consigo substituir. Eu sinto tanto frio e desejo seu abraço; eu continuo chorando, querida, por favor. Você não enxerga? Você pertence a mim. Meu pobre coração sofre tanto com cada passo que você dá. Cada movimento que você fizer, cada promessa que você quebrar, cada sorriso que você fingir, cada direito que você reivindicar, eu estarei te observando" — THE POLICE, Every Breath You Take.



ANABELLE

O estúdio de música de Oxford era amplo e muito confortável. A primavera estava muito abafada naquele ano, permitindo que os braços e ombros esguios e pálidos de Samantha Winter ficassem a vista de Anabelle Parker. Ela tocava de uma forma tão delicada, tão limpa e clara que a psicóloga americana, mesmo não sendo a maior fã de música clássica, não podia deixar de se apaixonar por cada nota. Era uma composição nova, ainda faltavam alguns ajustes, como Sam deixara claro antes de ser convencida a tocar, mas estava perfeita.

Ela era perfeita.

— E então? – Winter perguntou, mordendo o lábio, ansiosa. – O que achou?

— Maravilhosa – Belle disse, sem conter o sorriso e sem saber ao certo se era mesmo da música que falava. – Quer dizer, é tão melancólica, e profunda. É emocionante, tocante. Céus, Samantha, você é um gênio!

E, corando, ela riu.

— Não exagere, por favor. Bach deve estar se revirando no túmulo com os erros de tempo que cometi.

— Só se estiver se revirando de inveja – Parker esticou-se no assento onde estivera sentada durante toda a apresentação particular de Winter, observando-a se aproximar. – Já pensou sobre a turnê que a Island lhe ofereceu?

A garota fez uma careta, sentando-se a seu lado.

— Estou pensando. Mas não sei se deveria. Tenho medo que longe de casa...

As bochechas dela assumiram uma coloração rosada e ela pareceu evitar o olhar de Parker quando a médica inclinou a cabeça em sua direção.

— Longe de casa...? – A loira incentivou, curiosa.

— Não quero que me ache infantil – Winter levantou-se, agora claramente desconfortável. – É só que- Eu- Os sonhos – um suspiro escapou de seus lábios avermelhados e Anabelle não pôde evitar que seu olhar fosse descaradamente atraído para lá. – Os sonhos que eu tenho, eles estão cada vez piores, entende? E eu tenho medo que longe de casa, longe da estabilidade e segurança que meu irmão, minha mãe... Que você me passa... Eu surte ou algo assim.

A psicóloga tentou ignorar o calor súbito que se apossou de seu corpo, partindo do centro de seu peito, mas foi algo irrefreável. Não percebeu quando se colocara de pé, mas logo estava envolvendo Samantha num abraço apertado e repleto de afeto.

— Sam, você precisa de ajuda – Parker sussurrou, descendo os dedos pelos cabelos castanhos que gostaria de ver espalhados por seu travesseiro todas as manhãs. – Já está além dos meus domínios. Eu quero ajudá-la, mas já não consigo. E- – parecia que as palavras estavam ficando presa em sua garganta. – E dói vê-la sofrer dessa forma.

Winter parecia prestes a dizer algo, mas subitamente virou-se, olhando para o lado onde o piano estava, com os olhos inquisidores e arregalados.

Anabelle preparou-se para perguntar-lhe o que estava havendo, mas foi interrompida pela voz da garota, baixa e tímida.

— Eu andei pensando e... Talvez- Talvez seja legal fazer uma sessão com Gabriel. Só por curiosidade – Samantha murmurou sem fitar a loira diretamente, imersa em pensamentos, fissurada na sensação proporcionada pelo beijo que provara em seu sonho.

SAMANTHA

Ela nunca vira uma sexta-feira tão ensolarada. O dia claro e quente de Junho parecia desafiar seu estado de humor, que sugeria uma tempestade com raios ou uma nevasca intensa.

O estômago de Samantha Winter deu uma volta completa quando Anabelle Parker estacionou. Estavam na entrada de uma casa de aparência colonial em Windsor, Berkshire. Era um espaço bonito e isolado; Sam não soube explicar o motivo, mas aquele lhe pareceu o cenário perfeito para um filme de terror.

— Annie...

— Sam, apenas respire – A psicóloga pareceu antecipar seu pedido para darem meia-volta e retornarem à Londres. – Gabriel é um ótimo profissional.

— Eu não quero ser hipnotizada – ela gemeu, encolhendo-se, quase as lágrimas.

— E você não será – Parker segurou suas mãos que agora cobriam os olhos marejados. – Howard Peterson é o hipnotizador, e ele não está aqui hoje. Além do mais, ninguém pode colocá-la sob hipnose sem seu consentimento.

— Eles não precisam que eu consinta nada se eu já estiver entorpecida – Winter murmurou como se fosse algo óbvio.

— Eu não vou deixar ninguém entorpecê-la, meu amor – Annie riu e antes que a pianista pudesse voltar a argumentar, ela disse: – Veja, nós estamos aqui para ajuda-la, mas você não precisa fazer nada que não queira. Caso não esteja à vontade podemos regressar agora mesmo.

Entretanto a expectativa de mais uma noite perturbada com sonhos inexplicáveis fez Samantha Winter descer do carro, mesmo que suas pernas não quisessem obedecer a seus comandos.

Gabriel as esperava em seu escritório, aparentemente imerso em fichas de outros pacientes. Seu filho, um rapaz loiro e alto, deixou-os as sós depois que o pai pediu.

O psicólogo instruiu-as a sentarem-se e ofereceu chá. Anabelle aceitou, mas Samantha empurrou sua xícara para longe, com medo de que houvesse algo ali que a fizesse perder a consciência.

Ela sabia que estava sendo infantil e ridícula, mas tinha medo do que aconteceria a partir dali. Não que não confiasse em Anabelle, mas já vira documentários demais sobre lobotomia para não ter certo receio em relação a médicos com interesses demasiados em cérebros e no que há por dentro deles.

— Eu vou deixá-los para que tenham mais privacidade, sim? – Parker levantou-se, já adiantando-se para a porta, mas Samantha agarrou seu pulso, inquieta.

— Não – murmurou, com os olhos arregalados. – Quero dizer – acrescentou, recobrando a postura – eu não direi nada a ele que você já não tenha ouvido.

— Eu-

— Tudo bem, Belle – Gabriel riu; estava claramente se divertindo com a agonia de Sam. – Pode ficar.

E, indicando um divã muito clichê para Samantha, Gabriel tratou de procurar um gravador, deixando-a a observar sua sala enquanto esperava por ele, deitada.

Além da decoração estranha e díspar, havia, espalhados, os mais diversos e bizarros aparelhos possíveis. Os que mais chamaram a atenção de Sam no pouco tempo que ela teve para analisar o cômodo foram um imensa bola prateada sustentada por um cilindro e algo que se aprecia muito com um relógio, mas que mostrava números aleatórios a cada segundo.

— Sexta-feira, vinte de Junho de 2014, 14h23min – Gabriel Knox falou para o gravador, sentando-se ao lado de Samantha. – Paciente Samantha Winter; dezenove anos. Agora – ele apanhou um bloco de notas e virou-se para Sam – Quero que relaxe, Samantha.

Era um pedido um tanto quanto complicado, mas, esforçando-se para parecer calma e tranquila, Sam fechou os olhos.

— Certo – Gabriel retomou – Conte-me sobre seus sonhos.

— Eu os venho tendo desde meus quinze ou dezesseis anos, quando meus pais se separaram. Para ser exata, a primeira vez que aconteceu foi na madrugada do meu décimo sexto aniversário.

— E o que acontece nesses sonhos?

— É complicado – Winter respirou fundo, tentando não entrar em pânico ao lembrar-se com detalhes do que acontecia. – Antes, quando começaram, eu estava sempre numa espécie de campo todo coberto de neve e cercado de árvores. A minha frente há um espelho e nele eu enxergo meu reflexo.

— Como você se vê?

Sam... Uma voz sussurrou muito próximo a seu rosto e a pianista abriu os olhos rápido, buscando sua fonte. Encontrou, no entanto, apenas Knox e Anabelle, ambos olhando diretamente para ela de forma inquisidora.

Corada, ela fixou os olhos no relógio estranho no canto da sala, evitando qualquer tipo de contato de visual com os psicólogos.

— Eu- Eu sou uma criança. Não devo ter mais de oito anos. Mas no espelho não sou eu. Quero dizer, sou eu, mas não sou- Eu- O reflexo repete meus movimentos, mas é incapaz de reproduzir minhas expressões faciais.

— Então ele é apático?

— Não, ele... Parece sofrer.

— Talvez isso seja uma representação do sofrimento que o divórcio dos seus pais lhe causou – o parapsicólogo sugeriu.

— Não. Não pode ser. Porque não sou eu! Aquele reflexo, ele não sou eu. No sonho, o bosque onde eu estou começa a pegar fogo. Há um grito e quando eu me viro, o reflexo... Ele... Já não está mais igual.

— Como ele está, Samantha?

Sentir. Você precisa sentir, ela ouviu novamente, agora de forma mais clara, como se Belle ou Gabriel tivessem dito aquilo.

Engolindo a seco, Winter cerrou os punhos e evitou fazer movimentos bruscos. Não queria olhar para nenhum outro lugar.

Respirando fundo, ela voltou a falar:

— Agora aparenta ter a minha idade. É como eu sou agora. Mas... Mas está tão machucado. Tão destorcido. Pingando sangue. Céus, há tanto sangue – ela tapou os olhos com as mãos, tentando controlar-se.

— Quer que paremos? – Anabelle perguntou, a voz soando ansiosa e preocupada.

— Não. Tudo bem – a pianista afastou as pálpebras lentamente, como fazia no sonho, e voltou a focar-se no estranho relógio. – Eu fecho os olhos e quando volto a abri-los meu reflexo está batendo no vidro, como se pedisse socorro, como- como se quisesse que eu o tirasse de dentro do espelho.

— E você o tira?

— Não. Eu tento tocar o espelho, mas ao invés de sentir o vidro, eu sinto a mão dela. Eu- Eu sinto- Eu a sinto.

— Então não é um reflexo? São duas de você?

Sammy, ajude-me. A voz sibilou e Samantha jurou que pôde sentir o hálito quente de alguém em sua orelha.

Encolhendo os ombros para livrar-se da sensação, Sam sentiu um soluço subir por sua garganta. Estava chorando. Chorando de verdade, e nem percebera que as lágrimas começaram a cair. Tremia violentamente, com a respiração presa a garganta e os olhos fixos no relógio que agora não gerava mais números aleatórios, e sim multiplicações com dois.

Dois, quatro, seis, oito, dez...

— Eu não sei – ela soluçou, enxugando o rosto. – Eu não sei se sou eu, porque o espelho se parte e a última coisa de que eu me lembro de ouvir antes de acordar é uma voz, minha voz, dizendo “Sammy, ajude-me”, como-

Ela foi incapaz de continuar. Se admitisse isso agora, deixaria de ser apenas algo em sua cabeça. Tornar-se-ia real e palpável.

— Como...? – Gabriel instigou-a, inclinando-se mais em sua poltrona, não na direção de Winter, mas frisando o peculiar relógio com os olhos semicerrados.

— Como estou ouvindo neste exato momento – Samantha Winter declarou, exausta, deixando seus ombros caírem.

O silêncio que se seguiu foi tão opressor que forçou Sam a erguer a cabeça. Anabelle estava ligeiramente pálida, olhando-a num misto de receio e pena, com os punhos fortemente fechados sobre as pernas.

Gabriel, por outro lado, estava boquiaberto, mas não prestava a mínima atenção na paciente que acabara de lhe confidenciar algo tão íntimo. A atitude nada profissional deixou a pianista muito desconfortável.

— Sexta-feira, vinte de Junho de 2014, 14h50min. O gerador de números aleatórios começa a reproduzir a tabuada do número dois depois que a paciente Samantha Winter relatou seus sonhos e admitiu estar ouvindo vozes.

— Gabriel? – Anabelle chamou a atenção do homem, franzindo o cenho para o comportamento estranho enquanto Sam observava tudo, assustada.

— Este aparelho gera números aleatórios, mas, na presença de um espírito ou entidade paranormal ele começa a demonstrar sequências lógicas – ele esclareceu, parecendo fascinado.

— Annie, eu quero ir embora – Sam levantou-se, encarando o “gerador de números aleatórios” com medo. – Por favor, me tire daqui.

— Não, Samantha-

O parapsicólogo tentou argumentar, parecendo sair de seu transe de perplexidade, mas já era tarde, pois Anabelle Parker estava agarrando sua bolsa e guiando Winter para fora do consultório.

As pernas de Sam pareciam não querer responder enquanto ela caminhava tropegamente em direção ao carro de Belle.

A pianista não prestou a mínima atenção no caminho de volta, pois não conseguia controlar o choro histérico que irrompeu por sua garganta. Mesmo com Anabelle dizendo-lhe que tudo ficaria bem e que aquilo fora apenas um mal entendido, a garota era incapaz de conter seus soluços e espasmos.

Estava ficando louca, então?

Ou simplesmente assombrada? Possuída, talvez?

Tapando os ouvidos, ela chorou por cerca de dez minutos seguidos, até que Parker parou o carro no acostamento, segurando suas mãos e trazendo-a para perto. Com as pernas moles e os pulmões implorando por ar, Sam deixou-se ser envolvida num abraço forte e controlador, até que as lágrimas parassem de descer e as convulsões de seu corpo cessassem.

ANABELLE SE RECUSOU a deixá-la sozinha pelo restante da tarde e começo da noite. Elas ficaram juntas no apartamento de Parker, sem se importar realmente com o mundo exterior. Sam se sentia mais calma ali, sob as cobertas da cama da psicóloga, mas mesmo assim ainda estava incerta sobre voltar para casa.

Não fazia ideia de como reagiria caso ouvisse novamente um pedido de socorro ou uma voz incorpórea chamando seu nome.

Porém, no início da madrugada, Annie a levou de volta para casa. A médica deixou claro que caso ela precisasse de companhia ou simplesmente quisesse vê-la, só precisaria ligar e ela estaria a sua porta em questão de minutos.

Insegura, mas menos nervosa, a pianista fez questão de fechar a porta cuidadosamente e fazer o mínimo de barulho possível ao subir as escadas e passar pelo corredor. Chamar a atenção de sua mãe agora era algo totalmente fora de cogitação.

Estava exausta e os acontecimentos do dia martelavam incessantemente em sua cabeça, causando uma dor intensa, desagradável. A melhor opção que tinha por ora era tomar um banho, um calmante e se deitar. Nem ao menos comer ela desejava. Portanto, rumou diretamente para sua cama, mas foi interrompida por seu celular tocando de forma estridente.

"Onde esteve o dia todo?" A voz impaciente de Miguel questionou logo ao ser atendido, sem nenhum tipo de cumprimento prévio.

— Eu fui- Eu estava- – interrompeu-se e pressionou as têmporas, suspirando. – Estava com a Annie – Samantha fechou os olhos e aguardou pelos resmungos.

"Annie? Anabelle Parker? Não acha que anda passando tempo demais com ela, Samantha?" Exclamou ele, exaltado.

— Não, eu não acho.

Por favor, desligue, ela implorou mentalmente, tremendo, fraca. Não queria discutir depois de tudo o que enfrentara durante o dia.

"Devia ter cuidado. Sabia que ela é lésbica? E se voc..."

— Qual é o seu problema com a sexualidade da minha psicóloga? – Esbravejou a pianista, sem paciência, sentindo as lágrimas arderem em seus olhos novamente. Seu emocional estava tão destruído quanto seu autocontrole. – "E se vocês" o que? – Sendo brutalmente empurrada para seu limite psicológico, ela o cortou, claramente irritada.

"Eu só acho que..."

— Só acho que você devia aprender a confiar mais em mim – ela gemeu, respirando fundo para não soluçar. Não podia surtar outra vez. – Eu estou morrendo de dor de cabeça, será que-

Sam iria continuar a frase, mas um soluço que não era seu a distraiu.

Com um arrepio na espinha e as pernas voltando a tremer, a pianista arregalou os olhos, aterrorizada. Seu coração errou as batidas enquanto ela tentava manter a calma – algo muito difícil àquela altura.

Não queria enlouquecer.

Mas talvez eu já esteja completamente fora de mim, percebeu, contendo o choro e secando rapidamente os olhos.

— Eu preciso desligar.

Sem esperar uma resposta ela encerrou a chamada e, quando o celular voltou a tocar, ela apenas o desligou.

Winter deitou-se na cama, apanhando seus fones de ouvido e ligando no volume máximo. Não queria ouvir nada. Queria que o mundo se calasse e a voz de Mariah Carey preenchesse o vazio que sobraria.

Contentou-se em permanecer ali, encarando o teto, com as luzes acesas, atenta a qualquer mínimo movimento a sua volta.

Tinha medo do sonho que teria hoje, mas também temia o que poderia acontecer se permanecesse acordada, sozinha.

Será que minha vida se resumirá a isso? Ela sentiu as lágrimas descendo. De novo.

Com medo de minha própria sombra? Sem conseguir dormir? Perseguida eternamente por meus demônios interiores?

Ou não tão interiores assim, algo a fez lembrar.

Não ficou muito tempo divagando sobre isso, porém. Seus olhos pesados decidiram por ela.

Antes que pudesse realmente adormecer, sentiu o peso de um corpo sobre o seu, sacudindo-a, o que a fez abrir os olhos, alerta.

Ali estava o reflexo de seu sonho, ao seu lado na cama, dando-lhe safanões como se a vida dependesse disso. Sam sentou-se enquanto a garota falava sem parar, mas notou logo que nenhum som saía de sua boca.

— Você- Como você...? – A pianista levantou sua mão e tocou o corpo da garota a sua frente, fazendo-a arregalar os olhos e arfar, parando o monólogo mudo.

Teve vontade de empurrá-la para longe. Quis estapeá-la com todas as suas forças. Sentiu o impulso de gritar, horrorizada, mas o medo aos poucos murchou em seu peito e uma estranha sensação terna se apoderou de seu corpo trêmulo.

O toque bruto tornou-se uma carícia, que foi aproveitada pela outra por alguns segundos.

Olhando agora ela parecia tão frágil.

Seu reflexo respirou fundo, concentrando-se e aparentemente fazendo um esforço inumano.

— Ele me pegou – ela disse devagar, fazendo uma careta, agarrando a própria garganta, como se, daquela forma, o som pudesse ser exprimido para fora. – E-Ele me prendeu aqui!

— Quem?! Quem a pegou? Onde você está? – Samantha assustou-se, agarrando-lhe os ombros.

Não tinha mais medo, apenas a certeza de que precisava ajudá-la. Isso a tornava mais louca?

— Quem é você?

A outra apenas negou com a cabeça, desesperada, puxando suas roupas, torcendo o rosto numa expressão de dor.

— Onde você está? – Winter gritou, segurando-a firme. – Quem é você?

Os olhos da garota se arregalaram enquanto ela abria a boca para gritar...

Mas a pianista acordou de sobressalto antes que ela conseguisse terminar, suando, ofegante e assustada. Ainda sentia o aperto afoito em seus braços, os dedos finos cravados em sua pele, aqueles olhos repletos de dor...

Com o coração batendo rápido, Samantha Winter esgueirou-se para o quarto do irmão mais novo.

Ela não tornou a dormir aquela noite.

Notas finais
Babi: Tem alguém aqui que vai participar do desafio de Julho/Agosto do Nyah? Porque eu super quero ler essas fics. Farei uma steampunk que vou postar no Wattpad (Eng) e no SS (Port) como Camren *u* Logo menos falarei mais sobre, porque adoro fazer propaganda nas notas. Julguem-me. SPOILER DA VEZ: “— Alex, o que está acontecendo? – Sam inquiriu, trêmula. Era incapaz de soltar a irmã; recusava-se a deixá-la ir uma vez mais.” ME BEIJEM AGORA POR ESSE SPOILER, MDS. Obrigada por ler, gente. E por todos os comentários mega amorzinhos (ou não) que andamos recebendo. You rock, guys *u* Toki: Vou comprar um relógio desses... ¬u¬ -sqn Mas ow, lobotomia é muy top. Passei um dia inteiro pesquisando sobre isso esses dias. Bizarro, na verdade.