Laços de amor

58 Capítulo Bônus 5 - A vida de Tommy e Sofia


Laços de amor

Los Angelis

Sofia

De todas as merdas que eu fiz na vida, que nem foram tantas assim, a da noite passada foi, com certeza, a maior.

Eu era mais fraca para bebidas alcoólicas do que crianças de dois anos, e sabia disso. Portanto, virar doses duplas de Vodka, uma atrás da outra, não foi algo muito inteligente a se fazer.

Considerando minha ressaca colossal do momento, que me fizera vomitar no tapete da minha mãe, tudo o que eu queria era ter me mantido completamente sóbria ontem à noite. Principalmente quando soube por Mia que Adam havia me trazido para casa.

Como diabos eu não me lembrava disso?

Aliás, minha mente confusa estava bloqueando até agora toda e qualquer memória da presença de Adam naquele bar. Eu não me lembrava de tê-lo encontrado ontem a noite depois que saí do hospital. Eu não me lembrava de ter ficado tão bêbada a ponto de perder a consciência. E, definitivamente, eu não me lembrava de ter sido trazida para casa pelo novo residente G.O.S.T.O.S.O que estava virando minha vida de cabeça pra baixo desde que resolvera trabalhar em Los Angeles.

Mas, Tommy se lembrava.

Sua expressão séria enquanto ele me encarava nesse momento não deixava dúvidas de que meu namorado devia estar puto por eu ter sido trazida para casa, completamente bêbada, por ninguém menos que Adam Jones.

Que os céus me protejam!

― Aiii que nojo, Sofia! ― Mia gritou, fazendo uma careta para o vômito no chão e eu gemi, deitando-me novamente sobre os travesseiros.

― Fala baixo, Mia... ― Eu pedi com um gemido e fechei os olhos, como se isso fizesse com que Tommy e sua carranca desaparecessem.

― Por que não deu os remédios para ela, ainda? ― Tommy perguntou a Mia e eu abri os olhos, para vê-lo retirar das mãos da irmã um copo e comprimidos.

Achei fofo o fato de Tommy querer cuidar da minha ressaca. Isso significava que, pelo menos, ele ainda se importava um pouquinho comigo.

Nem tudo estava perdido, afinal!

― Eu estava atualizando Sofia das notícias ruins primeiro. ― Mia declarou em um tom divertido e Tommy bufou, vindo sentar-se ao meu lado e me oferecendo os remédios, que eu aceitei de bom grado.

Eu beberia urina nesse momento se soubesse que isso aliviaria minha dor de cabeça e meu enjoo.

― Acho que teu namorado está te esperando na cozinha. ― Tommy comentou enquanto me observava tomar os remédios e Mia sorriu, dirigindo-se para a porta.

― É.... Ele está. Portanto, vou deixá-los a sós, casal. Boa sorte, Soso.

Depois que Mia saiu, me obriguei a encarar Tommy, que ainda me olhava em completo silêncio.

― Vou mesmo precisar de sorte? ― Perguntei em um fio de voz e Tommy suspirou, colocando uma das mãos sobre minha testa.

― Como você sente?

Ok. Ele iria ignorar minha pergunta.

E talvez isso fosse um bom sinal. Não precisar de sorte significava que eu sairia daquela conversa viva.

― Melhor do que eu mereço. O que não significa muito. ― Eu respondi por fim e ele respirou fundo, me encarando com o mesmo olhar de censura que minha mãe usava quando eu ainda era uma criança e me metia em encrenca.

― Vodka, Sofia?

Eu corei.

― Eu gosto de Vodka. Mas, deveria ter me mantido em uma única dose. Sou fraca demais para bebidas alcoólicas.

― A questão central é: por que você quis se embebedar ontem? ― Eu respirei fundo e baixei o olhar.

Sinceridade era a melhor opção nesse momento.

― Porque nós brigamos e eu odeio brigar com você. A chegada de Adam à Los Angeles, nossa discussão, o trabalho excessivo, o fato de você não ter me mandado nem uma mensagem durante todo o dia... Chega uma hora que a gente pira. Ontem, beber para esquecer me pareceu uma boa ideia. ― Eu falei, me sentindo uma idiota e Tommy sorriu de leve.

― Beber para esquecer nunca é uma boa ideia, Sofia. ― Eu bufei.

― É, parece que não. Ainda mais quando você é trazida para casa por um cara que seu namorado odeia. Mas, antes que você diga algo, saiba que eu nem me lembro de Adam estar naquele bar. Não sei de onde ele surgiu e nem porque resolveu me trazer para casa.

Só esperava que Tommy acreditasse, pois eu realmente não me lembrava de muita coisa da noite de ontem.

― Na verdade, devemos agradecê-lo. Você chegou em casa desacordada. Portanto, não seria seguro coloca-la em um táxi ou muito menos deixá-la sozinha no bar. Pelo menos com seu ex-namorado você estava segura. Eu não gosto dele e acho que nunca irei gostar, mas eu sei que Adam Jones não te faria mal algum.

Tive que sorrir para suas palavras. Colocar minha segurança acima do seu ciúme era algo que só um homem íntegro e verdadeiramente apaixonado faria.

― Pensar na minha segurança acima do seu ciúme é um ponto mais do que positivo ao seu favor, Tommy. É muito fofo, na verdade. ― Eu comentei depois de algum tempo e ele suspirou, se aproximando um pouco mais e segurando minhas mãos.

― Eu amo você, Sofia. Sua segurança e bem-estar estão acima de qualquer coisa. Não tem nada de fofo nisso. É amor. Puro e sincero. ― Ele declarou e eu sorri largamente, entrelaçando meus dedos nos seus. Eu queria beijá-lo, mas antes de qualquer aproximação, eu precisava tomar banho e escovar os dentes.

― Eu também amo você. Só você. Não vou voltar para Adam, porque ele faz parte do meu passado. O máximo que ele terá de mim agora é uma parceria de trabalho e amizade. Amor, paixão e desejo eu só tenho para oferecer a você, Tommy.

― Eu sei. Fui um tolo em discutir com você e cogitar sua saída de um programa de residência que te explora, mas que você ama. Minha insegurança é inevitável, pois eu tenho a consciência de que fui um canalha com você um dia. Adam Jones esteve ao seu lado em momentos que eu deveria estar. Mas, agora eu sou o seu namorado e meu único dever é amá-la e fazê-la feliz. Entendi ontem, quando ele te trouxe desacordada para casa, que brigar com você a afasta de mim e te aproxima dele ou de qualquer outro. E eu simplesmente não posso perder você. Nunca mais. ― Tommy falou e eu sorri outra vez, sentindo as lágrimas invadirem meus olhos.

― Não precisa sentir-se inseguro, amor. Eu amo você e é ao seu lado que eu quero estar. Ontem, enquanto virava uma dose de Vodka atrás da outra, tive tempo para refletir bastante. Você sabe, né? A bebida me faz pensar.... Eu entendo sua insegurança, embora ela seja desnecessária. Mas, eu também já me senti insegura com relação ao nosso namoro. Poxa.... Eu sou residente cirúrgica. Quase não tenho tempo para estar com você. Qualquer estagiária de direito mais livre para sexo e diversão poderia tirá-lo de mim. ― Tommy rolou os olhos para minhas palavras.

― Não fale bobagens, Sofia...

― É verdade, oras! Lembre-se que você já terminou comigo antes para curtir a vida.

― Eu era imaturo e idiota. Não sou mais assim. Nenhuma noite de sexo e diversão vale a tristeza de uma vida sem você.

― Você é tão lindo quando se declara assim. Pena que eu não posso te beijar agora. ― Eu lamentei e ele sorriu, se inclinando e beijando minha testa.

― Você precisa de um banho, Dra. Swan. Enquanto isso, eu vou limpar o pequeno acidente gástrico que arruinou o tapete da mamãe. ― Fiz uma careta. Minha mãe iria querer me matar quando soubesse que eu havia vomitado em seu precioso tapete, que se eu não me engano, foi presente de casamento.

Fui para o banheiro e, mesmo ainda me sentindo tonta, garanti a Tommy que podia fazer minha higiene matinal sozinha.

A verdade era que, mesmo após nossa conversa, eu ainda me sentia envergonhada por ter sido trazida para casa desacordada. Nem em meu tempo de caloura eu havia feito algo assim.

Deus, eu já era uma mulher, médica, quase cirurgiã.... Como eu podia ter tomado um porre daqueles?

Mas, agora não adiantava mais chorar pelos copos de Vodka entornados. O melhor era jogar a noite de ontem no fundo da mente e seguir a vida como se nada tivesse acontecido.

Mas, é óbvio que não seria tão fácil. Não com a família que eu tinha.

― Já fui atualizada sobre a noitada de ontem. Beber até perder a consciência, Sofia? Jura? ― Minha mãe me perguntou assim que eu entrei na cozinha e eu me arrependi de ter declinado o oferecimento de Tommy para me levar café na cama.

Merda!

― Eu estou bem, mãe. Me recuperando maravilhosamente rápido. Obrigada por perguntar. ― Optei pelo sarcasmo, mesmo sabendo que eu não iria escapar da sua bronca.

― Não, não, não.... Quem tem que estar chateada aqui sou eu. Talvez eu tenha pulado essa lição quando você era uma adolescente, mas álcool em excesso não resolve problemas, filha. ― Respirei fundo e a encarei.

― Eu sei, mãe. Não vai acontecer de novo. Até porque, nenhuma “vibe”, por melhor que seja, compensa a ressaca do dia seguinte. ― Eu falei, me servindo de uma caneca cheia de café fumegante e minha mãe riu, vindo sentar-se ao meu lado.

― Você está muito mal?

― Graças ao Tommy estou melhorando. Ele fez soro, me deu analgésicos....

― Mesmo teu ex-namorado tendo vindo te entregar de madrugada? ― Minha mãe perguntou ironicamente e eu bufei, encarando-a.

― Você vai ficar me lembrando disso de quanto em quanto tempo?

Ela riu.

― Esse é o meu papel, Dra. Swan.... Te lembrar das merdas que você faz para que elas não se repitam. Mas, não vou ficar tocando muito no assunto não. Tommy pode não gostar e não queremos ele magoado, não é mesmo?

Revirei os olhos e bufei.

― Não, mãe. Não queremos. Mas, ele me perdoou. Tommy me ama. Além do mais, foi só uma carona. Não é como se eu tivesse tido uma tórrida noite de amor com Adam. ― Minha mãe fez uma careta.

― Uma carona na qual a senhora estava desacordada. Sofia, Sofia... Juízo é bom e necessário. ― Gemi e fechei os olhos.

Eu conhecia minha mãe o suficiente para saber que nunca mais ela me deixaria em paz sobre essa história e já estava sofrendo antecipadamente por isso.

― Tá, mãe.... Já entendi. Não vou fazer de novo.

― Acho bom. Já liguei no hospital e avisei que você não irá trabalhar. Fique em casa e recupere-se bem da noite de ontem, pois amanhã eu pretendo explorá-la por muitas horas. Edward dispensou Tommy também. Passem o dia juntos.

― Obrigada, mãe.... Eu realmente não iria conseguir praticar medicina hoje.

― Eu sei. Já estive de ressaca algumas vezes. Agora, eu preciso ir, porque se a Anny e a Nicolly estão bem como você, é provável que tenhamos um grande déficit de residentes hoje. Tchau, amor.... Mantenha-se bebendo apenas água hoje, ok?

― Ok.... ― Eu resmunguei e ela se foi, depois de beijar meus cabelos.

O dia passou de forma preguiçosa. Tommy e eu ficamos praticamente o dia todo deitados no sofá assistindo filmes e séries.

E o melhor de tudo é que estávamos sozinhos. Elena e Benjamin estavam na escola, nossos pais no trabalho e Mia estava na faculdade. Portanto, a casa era só nossa e, de repente eu percebi que isso era bom.

Estar apenas com Tommy era muito bom.

Mas, será que essa necessidade de ficar a sós com ele era suficiente para que fossemos morar em outra casa, longe de todos?

Eu o amava e já havia morado sozinha com ele em Boston, mas agora não éramos mais estudantes, o que faria desse arranjo quase um casamento.

Entretanto, eu não podia deixar de me perguntar se Tommy e eu tínhamos maturidade suficiente para um compromisso tão sérios?

― Parecem importantes. ― Tommy falou de repente e eu o encarei.

― O que?

― Seus pensamentos. Eles parecem importantes. ― Eu sorri, beijando-o de leve.

― Você me conhece bem, não é?

― Muito. Quase uma vida toda. Além disso, suas expressões são reveladoras e quando você faz esse vinco aqui na testa, que é bem macio de beijar, eu sei que você está pensando algo bem importante. ― Ele falou, beijando minha testa no lugar do vinco e eu ri.

― Você tem razão, senhor advogado. Eu estava pensando sobre algo importante.

― E o que seria?

― Como é bom estar apenas com você em casa e como seria se fossemos morar juntos.

― E à que conclusão chegou? ― Eu suspirei.

― Somos maduros o suficiente para morarmos sozinhos? Porque, dessa vez, não seria igual foi em Boston. Não somos mais estudantes, Tommy. Somos pessoas adultas que trabalham, que recebem salários, que pagam contas....

― Do que você tem medo? Que dessa vez se pareça com um casamento?

― E se a gente não der certo? E se terminar em divórcio e brigas na justiça para ver quem vai ficar com as crianças, com o cachorro e com a casa? ― Eu confessei o que eu mais temia e me arrependi no mesmo instante em que Tommy gargalhou.

Corei de raiva e vergonha por me sentir uma boba.

― Não tem graça, Tommy. ― Eu resmunguei e ele riu ainda mais, enquanto nos virava no sofá para me deixar abaixo do seu corpo.

― Prometo te deixar com a casa e com o cachorro. Quanto às crianças, podemos combinar uma guarda compartilhada.

― Antony Cullen, isso é sério! ― Ele sorriu e me beijou.

― Eu sei. É muito sério para mim também. O que eu mais quero no mundo é me casar com você, ter filhos com você, adotar um cachorro com você, comprar uma casa e decorá-la do nosso jeito. Eu sei que não vai ser sempre perfeito. Que vamos brigar, discutir, ficar de mal. Podemos até nos arrepender em alguns momentos, mas apesar de tudo vamos continuar nos amando. E isso, no final, é o que realmente importa.

Eu sorri e o beijei de leve.

― Sabe o que essa conversa me lembra? Você, aos dezesseis anos, tentando me convencer que nosso namoro era uma boa ideia, me garantindo que nossa história não iria interferir na relação dos nossos pais.

― E eu estava certo, não estava? Mesmo quando nos separamos, nossos pais continuaram firmes. Além disso, apesar dos tropeços, estamos juntos como disse que estaríamos.

Eu suspirei.

― Eu vou pensar, ok? E vou pedir para minha mãe não alugar mais o apartamento depois do fim do atual contrato. Acho que podemos.... Sei lá.... Morar lá até compramos nossa primeira casa.... ― Eu não terminei de falar, porque Tommy me agarrou e me beijou com força.

Acho que ele gostou da minha ideia, afinal.

― Você não faz ideia do quanto eu estou feliz. ― Ele falou assim que nosso beijo terminou e eu sorri, acariciando seu rosto.

― Eu também estou feliz. Mas, não será um casamento ainda, ok? Não sei se estou pronta para ser uma noiva.

― Mas, um dia você estará pronta. Aliás, eu tenho muitas ideias para convencê-la. Excelentes ideias. ― Ele falou de forma maliciosa, passando a mão pelo meu corpo e eu corei outra vez. Não de raiva, mas sim de uma excitação quente e absolutamente deliciosa.

― Eu geralmente gosto muito das suas ideias. Mas, não acho que o sofá da sala seja um bom lugar para as colocarmos em prática.

― Adoro transar no sofá. E ninguém vai chegar agora. ― Tommy falou, me beijando de uma forma bem persuasiva e eu me deixei levar.

Como estávamos apenas de pijama, não demorou muito para que as roupas desaparecessem dos nossos corpos e Tommy riu contra meus lábios quando eu o virei no sofá para que pudesse me enroscar melhor nele.

― Está com pressa, hein!

― É medo de alguém pegar a gente aqui. Já pensou?

― Já. Mas, isso não vai me fazer parar. ― Eu apenas ri, sentindo meus músculos internos se contraindo em antecipação ao imaginá-lo dentro de mim.

Sexo com Tommy sempre foi muito bom.

Ele era selvagem e, ao mesmo tempo, carinhoso e atencioso e, por conhecer meu corpo tão bem, sabia exatamente o que fazer para me provocar e excitar.

― Você é tão linda. ― Ele falou, enquanto acariciava meus seios e eu sorri, me inclinando para beijá-lo, enquanto me encaixava em seu corpo.

― Você também é, mas rápido com isso. ― Eu falei e ele sorriu, se adaptando ao meu ritmo rapidamente e em pouco tempo senti meu corpo se preparando para a explosão que eu sei que virá, pois com Tommy não poderia ser de outra maneira.

Fechei os olhos e gemi alto quando um orgasmo intenso sacudiu o meu corpo e me agarrei em Tommy, que estava perdido em seu próprio êxtase. Fiquei deitada sobre seu peito por longos minutos, esperando nossa respiração voltar ao normal.

Quando ergui o rosto, para me certificar de que Tommy não havia dormido, ele sorriu preguiçosamente para mim e beijou minha testa suada de leve.

― Isso foi maravilhoso. Quando faremos de novo? ― Eu sorri.

― Sou uma pobre garota de ressaca. Preciso descansar. Além disso, da próxima vez, faremos isso na segurança do nosso quarto. Se nossos pais descobrem que transamos no sofá da sala, eles nos matam. ― Eu falei, me levantando e procurando pelas minhas roupas e Tommy fez uma careta.

― Por isso que precisamos nos mudar. Além disso, já transamos aqui antes. ― Eu corei.

― Éramos adolescentes cheios de hormônios naquela época. Qual nossa desculpa agora?

― Somos adultos cheios de tesão. ― Eu revirei os olhos e joguei uma almofada em seu rosto.

― Arrume essa bagunça que eu vou tomar um banho. E todo esse tesão me deu fome, então, Antony Cullen, trate de me alimentar.

― Você é muito mandona, Dra. Swan. ― Ele resmungou e eu ri, indo para o nosso quarto e separando uma roupa.

Sexo me fez bem, afinal. Já não estava mais me sentindo uma morta viva.

Como eu pedi, Tommy fez o almoço e depois de lavar a louça, voltamos para o sofá, mas dessa vez nos comportamos. Até porque, Elena e Benjamim não demorariam a chegar.

E, quando chegaram, adoraram nos ter em casa e Tommy e eu passamos momentos divertidos ao lado daqueles dois pestinhas.

― Soso, como é estar apaixonada? ― Elena me perguntou enquanto eu trançava seus cabelos depois do banho e eu a encarei através do espelho.

― Por que?

― Porque eu quero saber.

― Bem, a gente quer sempre estar perto da pessoa, porque geralmente a consideramos muito bonita e especial. Mas, às vezes, ao vê-la nos sentimos envergonhadas ou tímidas. O coração bate descompassado, as mãos ficam molhadas.... Esse tipo de coisa. ― Eu expliquei, tentando ser “didática” e Elena suspirou.

― Acho que eu estou apaixonada por um menino da escola. ― Ela confessou e eu sorri, me sentindo feliz por ela confiar o suficiente em mim para dividir algo assim comigo.

― Você não acha que é muito jovem para se apaixonar?

― E tem idade para essas coisas?

― Ah.... Você só tem doze anos. Eu, quando me apaixonei pela primeira vez, tinha quinze. Aos doze eu ainda pensava em brincar.

― Eu gosto de brincar. Mas, quando estou perto do Lucca me sinto da forma como você falou. Sabia que ele é o menino mais bonito da sala? ― Eu ri.

― Ah, é? E você não acha isso porque está apaixonada? ― Elena corou.

― Será? Mas, se for isso, todas as meninas da minha turma são apaixonadas por ele. ― Eu ri, me lembrando quando muitas meninas da High School se diziam apaixonadas por Tommy porque ele era obviamente lindo, popular, atleta, fofo e totalmente desejável.

― Lucca é popular, então?

― Ele é sim. Ele pratica natação e as meninas adoram assistir os treinos e competições apenas para vê-lo de sunga. ― Elena me confessou baixinho e eu a olhei espantada.

Meninas de doze anos queriam ver garotos de sunga? O que estava acontecendo com as crianças dessa geração?

― Elena.... ― Eu me ajoelhei à sua frente e fiz com que ela me encarasse. ― Eu acho fofo o fato de você achar que está apaixonada, mas amor, você ainda é uma criança. Terá muito tempo para viver um romance. Agora, você deve se concentrar em apenas ser criança. A vida adulta é complicada, Elena. Aproveite enquanto você pode brincar e se divertir sem nenhuma outra preocupação.

― Você não gosta de ser adulta? ― Eu ri da sua pergunta.

― Não muito. Ser criança é bem mais divertido.

― Você promete que não conta pra mamãe sobre a nossa conversa?

― Elena, a mamãe é nossa melhor amiga. Você pode confiar nela incondicionalmente. Eu sempre confiei e nunca me arrependi.

― Eu sei. Mas, aí ela vai contar para o papai, que vai surtar, porque ele quer ser o único homem da minha vida. ― Eu ri de sua lógica.

Edward Cullen podia ser difícil quando o assunto era a vida amorosa das filhas, mas isso não podia inibir minha irmã de ter em Isabella Swan uma melhor amiga e confidente. Nossa mãe era a melhor e merecia toda a confiança do mundo.

― É... Você pode ter razão. Mas, mesmo assim você deve fazer da mamãe sua confidente. Eu te garanto que não irá se arrepender. ― Eu falei, beijando seu rosto e ela sorriu, me abraçando.

― Você é a melhor irmã mais velha do mundo. Quando eu crescer, quero ser linda, inteligente e poderosa como você. E quero me casar com alguém lindo como o Tommy.

― Você será e terá tudo o que quiser, princesa. O céu é o limite.

Depois que ela saiu do quarto, mandei uma mensagem para minha mãe dizendo que ela precisava se aproximar mais da Elena. Eu gostaria muito que as duas tivessem o tipo de relação que minha mãe e eu tínhamos e eu sabia que era o que minha mãe queria, mas Elena era mais arredia do que eu. Fazia mais o estilo da Mia e, portanto, era difícil conseguir sua confiança irrestrita.

Ainda bem que ela confiava em mim.

Ajudei Tommy com o jantar e quando todos chegaram do trabalho nos sentamos para comer. Noah veio com Mia direto da faculdade, o que significava que ele iria dormir aqui, para a total infelicidade de Tommy e Edward.

― Você não tem casa, Noah? ― Meu pai perguntou ao pobre garoto, que corou, se engasgando com o suco.

― Edward! ― Minha mãe o advertiu e ele bufou, parecendo um moleque birrento.

― Tenho sim, Sr. Cullen. Meus pais estão viajando, por isso Mia me convidou para ficar aqui. Mas, se for um problema, ela pode ficar comigo lá. Por mim, tanto faz. ― Noah respondeu e foi a vez do meu pai corar. Só que de raiva.

― Melhor ficarem aqui. Pelo menos eu posso ficar de olho. ― Edward resmungou e Mia limitou-se a rolar os olhos.

Eu, por outro lado, achava tudo muito divertido.

Houve uma época que eu era vítima desse ciúme todo. Mas, acho que viver em pecado com Tommy em Boston me deu permissão para transar em casa sem que Edward Cullen precisasse surtar.

― Acho engraçado que sobre a Sofia e o Tommy ninguém fala, não é? Os dois fornicam aqui em casa também. E muito. ― Mia falou e foi minha vez de corar. Ainda bem que eles não faziam a menor ideia de onde Tommy e eu tínhamos “fornicado” essa tarde.

― O que é fornicar? ― Benjamin perguntou curioso e minha mãe olhou irritada para Mia.

― Depois eu te explico, amor. Quanto ao seu comentário, Mia Cullen, saiba que seus irmãos já viveram juntos antes. Não teria como proibi-los de dividir um quarto. ― Minha mãe explicou e Mia bufou.

― Eles não são casados. O papai poderia implicar um pouco com eles e deixar Noah e eu em paz.

― Não somos, mas seremos. ― Tommy falou e todos nós o encaramos.

Meu namorado parecia nervoso e eu torci fervorosamente para que ele não fizesse o que eu achava que ele faria.

Porque eu disse a ele que ainda não estava preparada para me casar.

Nós poderíamos morar juntos, mas casar era um passo sério demais.

Mas, quando ele se levantou e se posicionou de joelhos – SIM, DE JOELHOS! ― na minha frente, tudo o que eu pude fazer foi prender a respiração e torcer para não cair dura no chão.

― Sofia Swan Cullen, eu te amo. Te amei desde a adolescência, no tempo em que ficamos separados e sei que te amarei para sempre. Por isso, eu estou aqui, ajoelhado aos seus pés, em frente a nossa família maluca para te perguntar se você quer deixar de ser uma pecadora e se tornar a minha esposa. Eu sei que você disse que ainda não estava pronta, mas eu quero te provar que somos bons juntos. Somos bons como amigos, namorados e seremos excelentes como marido e mulher.... E então: você aceita?

Eu engoli em seco e continuei encarando-o.

Meu Deus do céu, o que dizer a ele?

Notas finais
E aí? O que vocês querem que a Sofia responda? kkkkkk Espero que tenham gostado! Não deixem de comentar. Beijos!