Laços de amor

79 Capítulo Bônus 25: A vida de Tommy e Sofia


Laços de amor

Los Angeles

Sofia

Alguns meses depois…

Ter uma imensa barriga de grávida era difícil pra caramba.

Acho que a gente nunca pensa muito nisso quando, em algum momento da vida, deseja se tornar uma mãe.

A bendita barriga podia nos atrapalhar em quase tudo.

Sentar, levantar, deitar, andar… Qualquer tarefa usual se tornava complicada quando seu centro de equilíbrio estava bastante afetado.

Ver e tocar a própria vulva era quase impossível e amarrar um cadarço podia ser mais difícil do que trabalhar na Nasa. Nem dirigir eu conseguia mais, porque simplesmente não cabia atrás do volante.

Sem contar a dor intensa nas costas e o cansaço sem fim.

Lógico, pois o aumento do tamanho da barriga, somado ao ganho de peso geram uma sobrecarga à coluna e ao sistema cardio respiratório, resultando em desconforto e fadiga. Dormir a noite toda havia se tornado quase uma utopia.

Comer era a única coisa que ainda me dava algum prazer. Mesmo sabendo que cinco minutos após a refeição eu teria uma azia terrível, comer era realmente maravilhoso quando se estava grávida.

E os mimos eram muito bons também. Todos estavam mais do que dispostos a cuidar de você e a realizar todos os seus desejos e vontades, por mais malucos e sem sentido que fossem.

Meu último desejo foi o de chupar laranja. Parecia fácil. Tommy respirou aliviado quando disse a ele o que eu queria. Mas, para satisfazer esse desejo, eu precisava de um pé de laranja, às três horas da manhã de um domingo. Eu não queria laranja de supermercado. Queria uma laranja do pé de laranja. E não adiantava meu namorado me explicar pacientemente que mesmo as laranjas vendidas no supermercado haviam nascido de um pé de laranja. Isso era óbvio. Mas, meu desejo era por laranjas colhidas na hora. Eu queria colhê-las e saboreá-las. E é claro que meu pai e Tommy mobilizaram céus e Terra para que eu tivesse meu desejo atendido e, no dia seguinte, fui levada até uma fazenda de laranjas, há mais de 100 Km de Los Angeles, onde pude saboreá-las da forma como desejei. Minha boca ainda salivava com a lembrança.

Além dos desejos esdrúxulos, a gravidez também havia me deixado muito sentimental. Qualquer tratamento mais ríspido, mesmo que não fosse intencional, fazia com que eu me derramasse em lágrimas. Era inevitável e irritante.

Certa vez, Tommy me negou um pedaço de pizza. Eu já havia comido a minha parte, mas ainda estava com fome. A história de comer por dois era muito real, pois a fome durante a gestação era desumana. Mas, Tommy simplesmente me disse não, fazendo com que um biquinho ridículo se formasse e eu começasse a chorar como se tivesse sofrido a pior das ofensas.

ㅡ Você está chorando? Por que? ㅡ Tommy perguntou espantado e eu funguei, olhando-o magoada.

ㅡ Você gritou comigo…

Ele fechou os olhos e respirou fundo, certamente se contendo para não gritar de verdade. Lidar com os meus hormônios estava exigindo muito do autocontrole do meu namorado.

ㅡ Sofia, eu apenas lhe disse que ainda estou com fome e que não vou te dar a minha pizza. Poxa! Eu trabalhei o dia todo e mereço ter uma refeição completa, para variar. Se eu continuar deixando toda a minha comida pra você, no final dessa gravidez, estarei anêmico e desnutrido.

Revirei os olhos para o seu claro exagero, mas continuei chorando. Minhas glândulas lacrimais agiam por conta própria desde o início da gravidez.

ㅡ Eu tenho fome o tempo todo. Não é culpa minha. ㅡ Eu murmurei dramaticamente e ele suspirou, empurrando seu prato em minha direção, o que me fez sorrir imediatamente.

ㅡ Come a pizza, princesa. Pode comer. Vou pedir um hambúrguer pra mim. ㅡ Tommy falou, já sacando o celular para fazer o pedido e eu suspirei satisfeita, enquanto me deliciava com mais um pedaço de pizza.

E ele foi inteligente em pedir dois hambúrgueres, caso contrário, eu teria mais uma vez roubado sua comida, pois o cheiro estava simplesmente irresistível.

Mas, é óbvio que ele não me deixava viver apenas de pizza e hambúrgueres. Tommy era rigoroso com a minha alimentação e fazia questão de cozinhar para mim quase todos os dias, o que eu achava ótimo, pois me sentia mimada e amada.

E toda a minha família controlava também as minhas horas de trabalho.

Passado o primeiro trimestre da gravidez, o sono, os enjoos e o cansaço diminuíram e eu consegui retomar meu ritmo de trabalho. Retornei ao quadro cirúrgico e à corrida pela chefia da residência. Eu era a princesinha do trauma e não deixaria que minha gravidez me impedisse de ter o sucesso profissional pelo qual eu sempre lutei.

Ter útero e a possibilidade de gerar uma vida não deveriam me impedir de nada e não iriam, no que dependesse de mim.

Mas, é claro que minha prática profissional estava sendo vigiada de perto pela minha mãe. Ela fazia questão de me lembrar dos horários das refeições, das pausas para usar o banheiro, da quantidade de água que eu deveria ingerir, de colocar meus pés pra cima, de tomar minhas vitaminas… Enfim, Isabella Swan Cullen havia se tornado minha sombra pelos corredores do hospital desde o dia em que descobriu que seria avó do meu bebê.

ㅡ Você é displicente com a sua saúde, Sofia. Não come direito, não dorme, não se hidrata e só pensa em trabalho… Mas, agora não é só sobre você. E eu vou ser sua sombra até essa criança nascer. ㅡ Minha mãe falou, enquanto tirava o meu sangue para mais um exame de hipoglicemia e eu bufei.

Aparentemente, cuidar da minha saúde tinha um único objetivo: manter meu bebê saudável e confortável dentro de mim. Eu mesma era bem pouco importante.

ㅡ Me sinto uma incubadora ambulante. ㅡ Resmunguei mal humorada e ela riu.

ㅡ E não é o que nós mães somos durante a gravidez? Eu te amo, filha. Mas, esse bebê aqui é indefeso e precisamos protegê-lo dos seus péssimos hábitos para que ele ou ela nasça saudável e cheio de vida.

Péssimos hábitos?

Eu não fumava, não bebia — pelo menos não durante a gravidez — comia razoavelmente bem e dormia pelo menos seis horas por noite. Sempre que conseguia, me exercitava e até meditava para me manter sã, o que era um verdadeiro desafio, já que eu passava a maior parte do meu tempo em uma emergência hospitalar. Então, não sabia porque meus hábitos eram classificados como péssimos na cartilha da minha mãe, mas resolvi não contestar. Raramente tinha algum sentido discutir com Isabella Swan Cullen.

Depois do exame, segui para a emergência que estava lotada por conta de um acidente ferroviário com dezenas de vítimas. Ajudei a colocar ordem em tudo e auxiliei em duas cirurgias de médio porte. Já passava das dez horas da noite quando finalmente consegui sair do hospital.

Meus pés e minhas costas estavam me matando, sem contar a fome que apenas uma barrinha de cereal e duas bananas não foram capazes de enganar. Mas, eu não reclamava, pois o dia havia sido produtivo e, como residente cirúrgica, eu não podia e não iria deixar o meu trabalho de lado.

Meu bebê estava protegido no meu útero, crescendo saudável até a hora de estar pronto para vir ao mundo e, no que dependesse de mim, nada de mal aconteceria a ele. Mas, os meus pacientes, que já haviam nascido em sua maioria, precisavam muito de mim como médica e eu não poderia deixá-los. Afinal, cuidar da saúde das pessoas era o ofício que eu tinha escolhido para a vida e eu iria honrá-lo em todos os momentos.

Quando cheguei à recepção do hospital, notei que Mia me esperava.

ㅡ O que está fazendo aqui? ㅡ Perguntei curiosa e ela sorriu, se aproximando e colocando as mãos sobre minha barriga, como já era de costume desde que soube da minha gravidez.

ㅡ Oi, amor da madrinha… ㅡ Mia cumprimentou o bebê, que se mexeu ao som da sua voz, e eu revirei os olhos, enquanto algumas pessoas nos encaravam curiosas. ㅡ Então… Respondendo à sua pergunta, nossos pais estão em um evento da escola das crianças e Tommy ficou preso em uma reunião. Como você não cabe atrás do volante, me ofereci para ser sua motorista. ㅡ Ela explicou e eu sorri.

Mia já podia ser considerada minha motorista oficial, já que desde o início da gravidez me levava a todos os lugares.

ㅡ Obrigada. Mas, eu poderia ir para casa de táxi.

ㅡ Nada de táxi. Queria ver você e meu afilhado. Além do mais, tenho presentes.

Eu bufei.

ㅡ Mia, eu vou precisar de outro apartamento apenas para guardar todos os presentes que você compra pra essa criança. Imagina quando descobrirmos o sexo?

Minha irmã apenas deu de ombros porque ela realmente não tinha limites quando o assunto era gastar dinheiro com o meu bebê.

ㅡ Quando saberemos essa informação, aliás? ㅡ Eu fiz uma careta.

Também estava super curiosa para saber se estava esperando uma menina ou menino, mas meu bebê resolveu fazer mistério. Eu havia feito uma ultrassonografia por mês e em nenhuma delas conseguimos ver o sexo. A Dra. Clay sugeriu a sexagem fetal, mas eu não achava necessário. Queria descobrir pela ultra ou iria esperar o nascimento, que já estava bem próximo, uma vez que havia entrado no oitavo mês.

ㅡ Não sei, Mia. Esse bebê aqui não parece disposto a se revelar e eu não quero forçar nada. Saberemos quando ele ou ela nascer. Até porque, esse mistério torna tudo interessante.

ㅡ Não acho. Quero ajudar a decorar o quarto com as cores que o capitalismo determinou para meninos e meninas. Esse negócio de cores neutras está acabando comigo. A mamãe meio que sabia o sexo dos bebês quando estava grávida. Ela dizia ser intuição. Você não tem nenhum palpite?

Eu sorri e coloquei minhas mãos sobre minha barriga, sentindo meu bebê se mexer de leve em meu ventre dilatado como se soubesse que era o assunto do momento.

E, pensando na pergunta da Mia, desde o início da gravidez, eu tinha uma secreta vontade de que meu bebê fosse uma menina.

Minha mãe e eu tínhamos uma relação tão linda que eu gostaria de ter algo parecido com a minha filha. Ser para ela o que Isabella Swan era pra mim: a melhor amiga, parceira e a pessoa que eu mais amei na vida.

Claro que a situação seria diferente, porque esse bebê teria pai e uma família para amá-lo, mas ainda sim, a vontade de ter uma menina era forte em mim.

ㅡ Eu gostaria de ter uma filha, Mia. Mas, sinceramente, não sei o que minha intuição me diz. Prefiro confiar na ciência, mas essa criança não parece disposta a se mostrar. Então, vamos continuar com o enxoval neutro.

Mia revirou os olhos.

ㅡ Pelo menos você e meu irmão já decidiram o nome?

Sorri para sua pergunta, pois a saga para a escolha dos nomes tinha sido, no mínimo, curiosa.

Tommy e eu fizemos uma lista imensa e tínhamos o poder de veto dos nomes que não gostássemos. Foram inúmeras discussões até que finalmente chegássemos a um acordo.

ㅡ Emma? Por causa da Emma Watson? ㅡ Tommy me perguntou divertido, já riscando o nome da minha lista e eu corei, olhando-o irritada.

Óbvio que não tinha nada a ver com a atriz de Harry Potter — ou poderia ter, sei lá — Mas, eu realmente achava Emma um nome lindo.

Só que Tommy não compartilhava da minha opinião.

ㅡ Não. É porque eu acho um nome bonito, forte e imponente. E já que Emma está fora do páreo, pode ir riscando Michelle da sua lista, porque me lembro bem da Michelle Morgan do time de vôlei com quem você se pegou na festa de Halloween da escola e, definitivamente, não terei uma filha com esse nome.

Ele gargalhou.

ㅡ Como você sabe disso? A gente não namorava na época.

Eu o encarei irritada.

ㅡ Isso é óbvio. Mas, a Lara sabia da vida de todo mundo do time e me disse que vocês se pegaram. Além do mais, Mary Jane, como a psicopata que era, perseguiu a Michelle como uma louca por semanas. Portanto, eu sei das suas conquistas, Sr. Cullen. Michelle está fora.

Ele riscou e encarou minha lista mais uma vez.

ㅡ Kimberly é nome de garota de programa. Pode riscar.

Ergui a sobrancelha em sua direção.

ㅡ Ah, é?

Ele teve a decência de corar ao ouvir meu tom irônico.

ㅡ Nunca saí com garotas de programa se é isso que você está pensando. Mas, já vi em filmes, sabe?

ㅡ Não, Antony Cullen, não sei. Não costumo consumir pornografia, pois faz mal ao cérebro. Mas, vou riscar Kimberly da lista, porque definitivamente não quero que o nome da minha filha lembre alguém de filmes pornográficos. E pode riscar Amber da sua lista também.

ㅡ Por que? ㅡ Ele perguntou curioso e eu o encarei.

ㅡ Amber Ford te lembra alguma coisa?

ㅡ Sim. Ela era minha professora de direito penal.

ㅡ É. Professora essa que você e o Ethan não cansavam de repetir que era muito gostosa.

ㅡ Mas, ela era mesmo. ㅡ Tommy confirmou e eu estapeei seu braço, fazendo-o rir. ㅡ Tá bom, tá bom… Amber está fora. Não precisa me agredir.

E assim seguimos até chegarmos a um acordo sobre o nome da nossa filha, caso fosse mesmo uma menina.

ㅡ Será esse, então? ㅡ Tommy me perguntou e eu sorri, olhando para o único nome que não havia sido riscado e que era comum nas duas listas.

ㅡ Sim. Se nascer uma menina, ela se chamará Wendy Swan Cullen.

ㅡ E se for menino?

Nossa lista para nomes de meninos havia entrado em discussão também e Tommy vetou praticamente todos os que eu sugeri, tendo crises de ciúmes com os nomes dos caras que eu havia me envolvido na época da nossa separação. Como ele sabia nome por nome, ainda era um mistério pra mim.

ㅡ Elliott de jeito nenhum. ㅡ Ele riscou o papel com tanta força que eu o encarei espantada.

ㅡ E posso saber por que não?

ㅡ Elliott Taylor era nosso vizinho e vivia te secando. Morria de vontade de quebrar os dentes dele pra que nunca mais ele conseguisse sorrir pra namorada de ninguém.

Eu ri.

ㅡ Nem me lembrava desse vizinho, mas ok. Elliott está fora. E com esse veto, só sobram Daniel da minha lista e Blake da sua. Como faremos para decidir?

Ele sorriu.

ㅡ Pode escolher. É justo, já que você está carregando o bebê.

ㅡ Como Daniel está na minha lista, eu fico com ele. Além do mais, combina mais com nossos sobrenomes. Daniel Swan Cullen. É perfeito.

E assim, depois de mais de duas horas discutindo sobre nossas listas, havíamos chegado a um acordo e decidido quais nomes mais gostávamos para o nosso bebê.

Não havíamos contado sobre nossa decisão para ninguém ainda. Acho que por falta de tempo, já que mesmo com a gravidez, nossa rotina era muito complicada e não sobrava muito tempo ou disposição para confraternizações em família.

Mas, acreditávamos que nossa escolha seria aprovada, porque eram, realmente, nomes lindos.

ㅡ E então? Já sabem os nomes? ㅡ Mia me perguntou novamente e eu saí do meu transe, sentindo meu bebê se mexer mais uma vez.

ㅡ Wendy se for menina e Daniel se for menino. ㅡ Eu declarei e Mia ficou em silêncio por alguns segundos.

ㅡ Wendy? Tipo a menina do Peter Pan? ㅡ Ela me perguntou divertida e eu ri.

Mia amava essa história.

ㅡ É. Tipo essa Wendy. Pesquisamos o significado e gostamos. Wendy é nome de uma mulher justa e abençoada. E Daniel também tem um significado bonito. Achamos que esses nomes são fortes e potentes e, portanto, perfeito para esse bebê. Além disso, foram os únicos que restaram de uma longa lista que seu irmão e eu fizemos.

Mia riu.

ㅡ Eu só consigo rir ao imaginar vocês discutindo sobre a tal lista. Mas, são verdadeiramente nomes lindos. Da minha parte estão aprovados. E acredito que todos vão amar.

Eu sorri satisfeita, porque também tinha certeza de que todos iriam aprovar os nomes para essa criança que já era tão amada.

Antes de me deixar em casa, Mia passou em um restaurante para me conseguir alguma comida, uma vez que me namorado não teria tempo de cozinhar hoje e eu também não o faria. Minha irmã não quis subir comigo até meu apartamento, porque já estava tarde e ela teria uma reunião importante no dia seguinte.

Assim, subi sozinha e coloquei a banheira para encher enquanto jantava uma deliciosa lasanha. Tommy havia deixado frutas cortadas, que eu comi com chantilly enquanto relaxava no meu banho de espumas.

E foi assim, relaxada e nua, que meu namorado me encontrou quando chegou em casa.

ㅡ Já disse que dormir na banheira é perigoso, Dra. Swan. Além disso, essa água já está fria e você pode se resfriar. ㅡ Eu sorri preguiçosamente ao ouvir seu sussurro em meu ouvido.

ㅡ O que nos faz gripar ou resfriar é vírus, Tommy, não água fria. ㅡ Eu respondi baixinho e ele bufou, beijando meus lábios de leve.

ㅡ Você jantou, Dra. Swan?

ㅡ Jantei sim. Mas, meus pés e minhas costas estavam me matando e eu precisava relaxar. Além disso, nosso bebê fez um intenso malabarismo hoje em minha barriga. Estou exausta e precisava mesmo de um banho de banheira.

ㅡ Conseguiu relaxar?

Eu assenti e ele sorriu, estendendo a mão para que eu me levantasse.

Tommy envolveu meus ombros com uma toalha e me posicionou em frente ao grande espelho do banheiro, espalmando a mão em meu ventre.

ㅡ Você é a grávida mais linda que eu já vi. ㅡ Ele afirmou e eu corei, encarando-o através do espelho.

ㅡ Obrigada, mas eu sei que você está exagerando. Meu corpo se perdeu durante esses meses de gestação. Engordei mais de dez quilos, minha pele tem manchas, minhas axilas e minha virilha estão escuras e não acredito que conseguirei escapar de algumas estrias. Ao final dessa gravidez, meu corpo vai estar bem diferente daquele que te enchia de tesão.

ㅡ Não estou exagerando, Sofia. Você está. Eu acompanhei cada pequena transformação do seu corpo até chegar a esse estágio da gravidez e vibrei com todas elas. Você está linda, Sofia. Mesmo que não consiga enxergar o próprio pé.

Eu ri.

ㅡ Nunca me imaginei grávida. Parecia algo muito abstrato na minha mente até se tornar real. Mas, eu definitivamente não me considero bonita nesse momento. E o pior é que durante o puerpério, minha aparência tende a piorar.

Tommy estalou os lábios e segurou meu queixo delicadamente, me fazendo encará-lo através do espelho.

ㅡ Sofia, você sempre foi linda. Em todos os momentos da sua vida. Na adolescência, quando geralmente somos estranhos e desproporcionais, você era exuberante. Eu já te disse isso uma vez, mas você parece fazer questão de esquecer. Na época da escola, tinha um monte de caras a fim de você.

Eu revirei os olhos para o seu claro exagero.

ㅡ Eu não me lembro disso. Eu era uma garota tímida, que vivia enfiada na biblioteca quando não estava treinando vôlei. Além disso, nunca nenhum garoto chegou em mim além de você.

Tommy sorriu e me apertou entre seus braços fortes.

ㅡ Você não dava muitas brechas para isso, amor. Mas, acredite: Sofia Swan era bem popular entre os meninos da escola. E conforme você foi crescendo e se tornando mulher, a sua beleza só aumentou. Na faculdade, acredito que você tenha conseguido ter uma ideia do quão linda é, porque depois que a gente terminou, não faltaram candidatos mais do que dispostos a assumir meu lugar na sua vida.

Eu sorri.

ㅡ Você também é um cara muito bonito, Antony Cullen. E as mulheres não fizeram fila apenas quando terminamos. As filas se formavam o tempo todo. Antes, durante e depois. Antony Denali Cullen era um partidão: bonito, rico, bom de cama…

Ele gargalhou e depois beijou meu pescoço.

ㅡ Gosto do fato de você me considerar bom de cama, Dra. Swan. Gosto muito, aliás, já que uma das minhas atividades favoritas nesse universo é fazer amor com você e me perder nesse corpo maravilhoso que você tem. E isso jamais vai mudar, pois eu amo receber os seus beijos e ouvir seus gemidos e suspiros quando estou completamente dentro de você. Eu amo seu cheiro, a textura suave da sua pele, que se arrepia ao toque do meu corpo, das minhas mãos e dos meus beijos. Eu amo ter sido o homem que colocou esse bebê aqui. ㅡ Ele espalmou as mãos no meu ventre e eu sorri ao sentir nosso bebê se mexer. Meu corpo a essa altura já estava alerta e pronto para o sexo, já que palavras como as que acabaram de ser ditas tinham um absoluto efeito afrodisíaco sobre mim. ㅡ Quanto a ser bonito… Bem, eu posso dar créditos à minha genética. Sendo filho biológico de Edward Cullen e Tanya Denali, não havia a menor possibilidade de nascer feio. A beleza está impregnada em todas as bases nitrogenadas do meu DNA. ㅡ Revirei os olhos para sua total falta de modéstia e ele continuou. ㅡ Rico… É, nossa família é rica. Meu pai tem uma firma de direito bem sucedida e nossa mãe é uma cirurgiã famosa e bem paga. Tivemos sorte. Mas, estamos construindo a nossa própria riqueza com muito trabalho e dedicação e, pra ser sincero, eu não teria a metade do sucesso que tenho hoje se não fosse você. Preciso de você pra ser quem eu sou, princesa. Antony Cullen não é absolutamente ninguém sem Sofia Swan. Então, só posso concluir que fomos dois tolos quando nos separamos. Estava na cara que terminaríamos juntos. Nosso amor é épico e sem fim e não haveria outro futuro para nós além desse que estamos vivendo. Nós dois, juntos, cada dia mais apaixonados e à espera do nosso primeiro bebê.

Sorri largamente sem conseguir evitar que as lágrimas escorressem pelo meu rosto.

Eu era uma mulher grávida, insegura, sensível e apaixonada e ouvir aquele tipo de coisa, praticamente sussurrada ao pé do meu ouvido, era demais para o meu autocontrole.

ㅡ Eu não disse essas coisas pra você chorar… ㅡ Tommy falou suavemente, me virando de frente pra ele e eu funguei, me inclinando para beijá-lo.

ㅡ Eu estou grávida, amor. Chorar é o que mais fiz durante todos esses meses. Você já devia estar acostumado. ㅡ Eu comentei e ele riu ㅡ Mas, você me emocionou com essas palavras. Realmente não existia outro destino para nós dois. Juntos somos perfeitos, apesar das nossas diferenças. Não me arrependo de nada do que fiz, porque cada escolha minha me trouxe para esse momento com você e com o nosso bebê crescendo dentro de mim.

ㅡ Eu te amo. ㅡ Tommy sussurrou e eu sorri, beijando-o mais uma vez.

ㅡ Eu também te amo, Tommy. Muito. E para sempre.

Ficamos um tempo abraçados. Eu nua e ele ainda com a calça do terno e de camisa. O silêncio era confortável, assim como os braços dele ao meu redor.

ㅡ Eu vou colocar minha namorada e nosso bebê na cama e depois vou tomar um banho. O dia foi interminável hoje.

ㅡ Sério? Achei que íamos fazer amor agora depois de toda aquela declaração… ㅡ Reclamei, fazendo um biquinho ridículo e ele riu, me beijando de leve.

ㅡ Eu estou às ordens, princesa. Sempre pronto para te satisfazer. Minha preocupação é com o seu bem estar e do bebê. A mamãe me disse que está tudo bem com a gravidez, mas que seria bom que a gente evitasse ter relação na reta final.

ㅡ Você e a mamãe conversaram sobre nossa vida sexual? Por que?

Tommy corou.

ㅡ Bem, eu nunca tive uma namorada grávida antes. Não sei até que ponto sexo é saudável e indicado. E a mamãe é médica…

ㅡEu também sou… ㅡ Pontuei e ele coçou a cabeça, me olhando meio ressabiado.

ㅡ Eu sei, princesa. Mas, você é a pessoa interessada em ter sexo. Não sei se a sua resposta a essa questão seria confiável.

ㅡ O que? Tommy! É óbvio que minha resposta seria confiável. Eu jamais colocaria nosso bebê em risco. Se eu estou dizendo que quero transar é porque estou me sentindo bem. Está tudo normal comigo e com o bebê. Mas, tudo bem. Não vamos transar. Nunca mais, aliás… ㅡ Eu falei brava, indo para o quarto e ele veio atrás de mim.

ㅡ Sofia, amor, não fica brava. Eu só fui conversar com a Bella porque me preocupo com você. Não quero que nada de ruim aconteça com o bebê. Além disso, você conta tudo pra ela. Não sei qual o problema…

É, realmente não havia nenhum problema. Minha mãe sempre soube de tudo a respeito da minha vida e só estava preocupada com a minha gravidez. Mas, eu estava grávida e as grávidas eram irracionais. Não havia um real motivo para estar brava, mas bem… Eu estava.

ㅡ Vá tomar seu banho e me deixe dormir em paz. ㅡ Eu resmunguei e Tommy bufou, mas teve o bom senso de não discutir comigo.

Arrumei a cama e já estava deitada quando me lembrei que não havia escovado os dentes. Voltei ao banheiro no exato momento em que Tommy saia do box e a visão do seu corpo nu e úmido me deixou ainda mais irritada.

Escovei os dentes com tanta fúria que não sei como não quebrei nenhum.

Depois, segui para o quarto a passos largos e me deitei. De costas, já que em outra posição era quase impossível.

Tommy apagou as luzes e se deitou ao meu lado sem me dizer uma palavra, o que me irritou ainda mais, mesmo sabendo que se ele tentasse conversar, eu o mandaria à merda.

Eu estava sendo irracional e sabia disso. Tommy estava pensando apenas no meu bem estar e conforto. Mas, por algum motivo, eu estava me sentindo triste e rejeitada. Meu corpo já não era mais o mesmo e eu temia que ele não me desejasse mais, embora tivesse afirmado exatamente o contrário.

Lágrimas quentes desceram pelo meu rosto e eu quis me chutar por ser tão estúpida e sentimental. Qual era o problema comigo, afinal?

Funguei baixinho, tentando ser o mais silenciosa possível, mas de repente Tommy acendeu a luz ao lado da cama e, jogando as cobertas no chão, se posicionou sobre mim, com uma perna de cada lado do meu corpo e com as mãos ao lado da minha cabeça, me fazendo encará-lo assustada.

ㅡ Eu não te rejeitei porque não te desejo, Sofia. Eu só quero garantir o seu bem estar e o do bebê. Eu te amo e vou te desejar sempre, com ou sem dez quilos a mais, com axilas e virilha escuras, com ou sem estrias. Você é a minha princesa gostosa e vai ser sempre. ㅡ Tommy falou de maneira ríspida e me beijou com força, forçando sua língua em meus lábios e é óbvio que eu retribuí, pois beijá-lo era tudo o que eu precisava nesse momento. .

Ele puxou minha camisola pela cabeça e, sem que eu esperasse, começou a beijar minha pele exposta, me fazendo estremecer.

ㅡ Pensei que a gente não ia transar. ㅡ Eu falei ofegante, enquanto ele beijava e sugava meu mamilo e Tommy levantou os olhos para me encarar.

ㅡ Eu não vou penetrá-la, mas isso não significa que não podemos nos divertir um pouco.

Eu sorri largamente.

Deus abençoe esse homem incrível que eu tenho ao meu lado!

ㅡ Mas, e você?

ㅡ Eu já me satisfaço com o seu prazer, princesa. Não se preocupe.

Tommy era tão bom com a boca que até uma mulher frígida se renderia aos seus talentos orais. Portanto, eu, uma pobre mulher grávida regida por hormônios só pude gemer e aproveitar cada sensação incrível que estar nua e a mercê dele me proporcionava.

Quando ele finalmente chegou em meu clitóris, eu acho que vi estrelas. Foi incrível e em poucos minutos, eu estava gosando em seus lábios, gemendo e gritando de uma forma que eu tinha certeza que incomodaria nossos vizinhos.

E eu não poderia me importar menos com isso.

ㅡ Isso foi… ㅡ Eu falei ofegante e ele riu.

ㅡ De nada!

ㅡ Eu realmente precisava de um orgasmo hoje. Obrigada, amor.

ㅡ Ora… De nada, princesa. Estou às ordens sempre que desejar.

Eu me virei um pouco para poder encará-lo.

ㅡ Eu posso retribuir o favor, sabia?

Ele sorriu e tirou uma mecha de cabelo do meu rosto suado.

ㅡ E você quer isso?

Assenti.

ㅡ Sou todo seu, então.

E é óbvio que me esforcei para retribuir todo o prazer que ele me dera. Sexo com penetração seria realmente arriscado nessa etapa da gravidez, mas Tommy estava certo ao afirmar que nós poderíamos nos divertir mesmo assim.

Tínhamos intimidade para explorarmos outras possibilidades e foi exatamente o que fizemos naquela noite, que foi maravilhosa.

Tomamos mais um banho antes de finalmente nos entregarmos ao cansaço e eu dormi feliz e satisfeita nos braços daquele que sempre seria o homem da minha vida.

***************

ㅡ Olha só quem resolveu se revelar nessa ultra. ㅡ Dra. Clay comentou durante meu exame, na tarde do dia seguinte, e eu arregalei os olhos, encarando o monitor.

Eu tinha tido uma mínima perda de líquido essa manhã e resolvi que precisava de uma ultrassonografia. Não comentei nada com a minha família, pois não queria preocupá-los. E, por isso, estávamos só eu e minha obstetra na sala de exames no exato instante em que meu bebê finalmente nos deixou ver o sexo.

E agora eu estava me sentindo bem culpada pelo fato da minha família não estar presente.

ㅡ Você não precisa que eu te diga o que é, não é mesmo, Dra. Swan? ㅡ A médica me perguntou e eu neguei com um gesto de cabeça, enquanto grossas lágrimas molhavam o meu rosto.

ㅡ Uma filha… ㅡ Eu murmurei emocionada e a Dra. Clay sorriu.

ㅡ Sim. Uma menina saudável, de quase três quilos e quarenta e oito centímetros. Ela já tem nome?

ㅡ Wendy Swan Cullen.

ㅡ É um lindo nome. Combina com uma cirurgiã famosa.

Eu ri.

ㅡ Ela pode não querer ser médica.

ㅡ Duvido muito. Wendy terá mentores incríveis. A medicina está no DNA dessa pequena que, aliás, sou capaz de apostar que nascerá com a sua cara.

ㅡ Por que acha isso?

ㅡ Pelas imagens da ultrassonografia 3D e porque os genes da sua mãe são dominantes demais.

Eu gargalhei.

ㅡ Modéstia a parte, mas minha filha será maravilhosa, então.

A médica riu.

ㅡ Será sim. E não precisa ser modesta não, Sofia. Você é bonita e ponto final. Agora, quanto a sua perda de líquido, é normal. Ela já está posicionada e em breve você estará entrando em trabalho de parto. Procure evitar emoções fortes e diminua o ritmo de trabalho.

Fiz uma careta.

ㅡ Você sabe que isso é difícil.

ㅡ Sofia, você está há poucas semanas do parto. Precisa descansar. Até porque, não vai ter muito tempo pra isso depois que essa princesa nascer. Bebês dão muito trabalho. Ouça o conselho de quem convive diariamente com mães e bebês e é mãe de três filhos.

Eu tinha plena consciência que minha vida iria mudar muito depois do bebê, mas eu simplesmente não poderia me afastar das cirurgias. Até porque, depois que a Wendy nascesse, eu ficaria um tempo de licença e isso poderia me prejudicar na residência médica.

ㅡ Eu prometo me cuidar. É tudo o que posso fazer agora.

A Dra. Clay revirou os olhos.

ㅡ Beba bastante água, se alimente bem, durma e, entre uma cirurgia e outra, coloque os pés pra cima. Qualquer dor diferente, me procure imediatamente. Qualquer coloração de urina diferente, me procure imediatamente. Não exite.

ㅡ Pode deixar!

ㅡ Vou imprimir uma foto da sua princesa para que você dê ao Tommy. Acho que ele vai ficar feliz em saber que vocês terão uma filha.

Eu sorri ao imaginar Tommy descobrindo o sexo do nosso bebê. Assim como eu, ele também queria uma menina.

Uma mini Sofia para eu cuidar e amar. ㅡ Era o que ele sempre dizia quando alguém lhe perguntava se tinha alguma preferência pelo sexo do bebê.

Ao que parece, todos os nossos desejos seriam atendidos daqui em diante.

Eu só podia agradecer a Deus pela vida maravilhosa que eu tinha ao lado do meu amor e da minha família.



Notas finais
Eu já nem vou mais me desculpar pela demora. Mas, prometo finalizar a fanfic. Espero que tenham gostado. E, por favor, quem estiver lendo, não esqueça de deixar um comentário. Beijos!