Laços de amor

80 Capítulo Bônus 26: A vida de Tommy e Sofia


Laços de Amor

Los Angeles

Tommy

Cheguei em casa depois de um dos dias mais exaustivos da minha carreira e desabei sobre o sofá.

Eu, definitivamente, odiava direito cível, principalmente quando tinha que lidar com divórcios litigiosos e brigas intermináveis sobre a custódia de crianças inocentes.

Nunca ia entender o porquê de as pessoas não aceitarem o fim de um relacionamento. Se o amor não existia mais, nem tão pouco a amizade, a consideração ou o mínimo respeito, era o fim. Não tinha motivos para disputas intermináveis em tribunais, gritos e até agressões.

Mas, as pessoas eram complicadas e gostavam de brigar.

Claro que, como advogado, deveria considerar essas brigas intermináveis vantajosas, pois quanto mais difícil o caso, mais caro se cobrava. Mas, ao final de disputas complicadas, eu deixava o tribunal me sentindo esgotado, acabado e estressado. Às vezes, me sentia até um pouco deprimido.

O caso de hoje tinha sido particularmente triste, pois ao vencer o processo, acabei afastando um pai dos seus três filhos.

O homem chorou e eu me senti verdadeiramente comovido. Óbvio. Como futuro pai, eu conseguia ter uma dimensão da dor que ele havia sentido ao ser afastado dos filhos. Contudo, fazia parte do meu trabalho cuidar do interesse da minha cliente que, após o divórcio, queria voltar para o Canadá, a fim de estar próxima à sua família.

O ex-marido, na tentativa de não ficar sem os filhos, entrou com um pedido de guarda total. Contudo, o juiz deu a custódia para a mãe, que após a sentença favorável, adquirira o direito legal de sair do país com os filhos.

O divórcio — que havia sido pra lá de complicado — foi motivado por uma traição por parte do marido, fato que facilitou meu trabalho em provar que as crianças estariam melhor com a mãe, fiel e dedicada, do que ao lado de um pai instável e de uma madrasta que eles mal conheciam.

O pai teria o direito a visitas e a passar parte das férias com os filhos, mas eu sabia que não seria a mesma coisa do que conviver diariamente com eles.

Eu só esperava jamais ter que passar por isso como pai.

Como advogado eu sabia ser inevitável, pois era o meu trabalho. Contudo, eu me esforçaria ao máximo para ser um excelente pai e companheiro para que nunca precisasse me separar de novo da minha princesa e, muito menos, do nosso filho.

Eu já havia ficado sem a Sofia duas vezes para saber que a vida era uma droga sem ela ao meu lado. Era impossível seguir sozinho ou com outra pessoa, pois Sofia Swan Cullen era a parte mais bonita de mim mesmo e estava impregnada em mim. Doía demais ser apenas o seu irmão de consideração e não poder tê-la ao meu lado como minha mulher.

Desde que reatamos, nossa vida estava perfeita. A gente se amava, se respeitava e se entendia muito bem, mesmo durante as crises hormonais provocadas pela gravidez.

Sorri com o pensamento.

Sofia era uma grávida difícil. Tinha explosões de ódio na mesma proporção que se sentia feliz, com fome ou com sono. Ou seja, o tempo todo. Chorava por qualquer motivo e tinha uma fome de dez leões enjaulados, comendo a parte dela e a minha em qualquer refeição que fizéssemos juntos. E ai de mim se lhe negasse comida.

一 Está vendo essa barriga imensa? Pois bem, ela carrega o nosso bebê. Bebê que você ajudou a fazer com muito entusiasmo, se eu me lembro bem. Então, dividir sua comida comigo é o mínimo que você pode fazer como pai, já que a morosidade dessa gestação ficou apenas com um de nós dois.

Ela era excelente em fazer drama também e eu sempre cedia às suas vontades e ordens, uma vez que, em primeiro lugar, tinha muito amor à minha vida e, para completar, odiava vê-la chorando.

No início da gestação, Sofia enjoava a todo momento e isso nos preocupou demais, já que ela perdeu peso e parecia sempre muito indisposta. Foram muitas noites mal dormidas assistindo suas crises de ânsia e vômito e me preocupando se ela conseguiria levar a gravidez até o final, passando mal daquele jeito.

Eu me comunicava o tempo todo com a nossa mãe e com a Dra. Clay, pois não conseguia acreditar que todo aquele mal-estar era normal. Já havia convivido com outras mulheres grávidas e nenhuma delas passava noventa por cento do dia vomitando.

一 Algumas mulheres passam por isso, Tommy. Fique tranquilo, pois a estamos monitorando de perto e, por enquanto, está tudo bem. Uma hora esse enjoo vai passar e Sofia terá uma gravidez tranquila. Tenho certeza. 一 Bella me garantiu quando mostrei preocupação e eu tentei ser otimista, pois queria muito que aquele bebê nascesse.

Mas, os enjoos não passaram com facilidade e Sofia teve que buscar a orientação de uma nutróloga e fazer repouso — forçado — para o desespero dela que se preocupava muito com suas atividades de médica residente.

一 Residência é coisa séria, Tommy. É nesse período que acumulamos conhecimentos mais específicos para nossa área de atuação do futuro. Eu passei com louvor pelo internato e minha residência tem que ser tão ou mais perfeita. Não posso me dar ao luxo de relaxar. Minha carreira como cirurgiã do trauma depende disso.

一 Eu sei, princesa. Mas, você está carregando o nosso bebê no ventre e precisa se cuidar. Esse mal-estar não vai durar pra sempre. O repouso é temporário e assim que der, você volta para sua residência. Só tenha paciência, por favor.

Ela até tentou ter paciência, mas eu percebia que minha namorada estava a ponto de surtar por ter que ficar trancada em casa, enquanto os outros colegas seguiam trabalhando normalmente. Contudo, apenas no segundo trimestre da gravidez que os enjoos finalmente deram uma trégua e Sofia passou a se sentir um pouco melhor, podendo retornar à sua rotina normal.

E foi nessa época também que o seu corpo começou a mudar, me fazendo vibrar com cada pequeno detalhe que evidenciava que ela carregava em seu ventre o fruto do nosso amor.

Seu apetite voltou com força total e a ausência dos enjoos a fez ganhar peso, na mesma proporção em que eu passava fome, já que ela roubava toda a minha comida. Mas, eu não me importava, de fato, pois faria qualquer coisa para vê-la bem e feliz.

Uma vez cheguei do trabalho e a encontrei nua em frente ao enorme espelho do closet, observando com atenção cada pequena mudança do seu corpo. Sorri com a cena e me aproximei devagar para não a assustar.

Ela fez uma cara de choro assim que me viu, o que me fez sorrir.

一 Qual o motivo do bico, princesa?

一 Eu estou horrível. 一 Ela murmurou e eu revirei os olhos, espalmando as mãos em sua barriga e beijando seus cabelos de leve.

一 Onde exatamente você está horrível? Por que eu não consigo ver.

Ela estalou os lábios e bufou, me fazendo sorrir ainda mais para o seu mau humor.

一 Eu toda. Minha virilha está escura, assim como os meus mamilos. Minhas calças jeans não me servem mais e meus peitos estão enormes. E eu me pergunto sempre se essa barriga vai desaparecer um dia.

Eu ri.

一 Amor, você está linda. Seu corpo está mudando para acomodar nosso bebê, mas depois do parto vai voltar ao normal.

一 E se não voltar? Você ainda vai me achar bonita?

一 Claro que sim, meu amor. Mas, não se preocupe, porque você não conseguiria ficar feia nem que se esforçasse muito pra isso.

一 Você está dizendo isso só pra me agradar.

一 Não. Estou dizendo isso porque é a verdade. Você é linda, Sofia. Era uma adolescente linda e se tornou uma mulher maravilhosa. Seu corpo é incrível e vai continuar assim, mesmo depois da gravidez. E eu vou continuar adorando cada pedacinho dele.

Ela fungou, me olhando desconfiada através do espelho.

一 Quero só ver…

Eu sorri e segurei seus seios ligeiramente maiores, massageando-os delicadamente e adorando ouvi-la gemer.

一 Você está se sentindo bem? 一 Eu perguntei, beijando a pele do seu pescoço suavemente e ela se arrepiou, me fazendo sorrir.

一 Estou. Sem enjoos hoje.

一 Hum… Ótimo. Então, posso começar a provar todo o apreço que eu tenho pelo seu corpo?

Ela me encarou divertida.

一 Estamos no meio da tarde, Tommy.

一 E o que tem isso? Não tem hora certa para o amor.

Ela riu.

一 Você é brega quando quer seduzir, amor. Sorte sua que eu gosto.

一 Deu certo, então? 一 Eu perguntei, virando-a de frente pra mim e ela sorriu, estendendo os braços para desfazer o nó da minha gravata.

一 Claro que deu certo, pois eu adoro ser seduzida por você. Além disso, a prática sexual na gravidez é ótima para a autoestima do casal, pois controla a ansiedade, o humor e aumenta a produção de anticorpos da gestante, no caso eu, além de liberar endorfina e fortalecer a musculatura da vagina. Ou seja, fazer amor só vai me fazer uma futura mamãe feliz e saudável.

Eu ri da sua pequena explicação científica e a beijei, conduzindo-a até nossa cama.

一 Então, vou me dedicar ainda mais, pois adoro cuidar de você e da sua gravidez.

E é óbvio que nossa tarde foi maravilhosa, porque fazer amor com a minha namorada era uma das melhores coisas da vida. E eu não estava mentindo quando dizia que adorava cada pedacinho dela. Sofia era linda e eu era um cara de sorte por tê-la ao meu lado.

Ela sempre foi uma amante dedicada e cheia de energia, mas eu sabia que a gravidez poderia mexer com sua libido. No início, devido aos enjoos constantes, a gente não transava. Sofia estava sempre indisposta e eu também, já que vê-la daquela forma sem poder fazer nada concreto para ajudá-la era totalmente ante tesão. No entanto, depois que os enjoos passaram, sua libido aumentou na proporção da sua fome e o sexo, que antes da gravidez era quase diário, voltou a fazer parte da nossa rotina diária. E, às vezes, até mais de uma vez por dia.

一 Eu virei uma ninfomaníaca. 一 Sofia comentou divertida e ofegante logo após mais uma rodada de sexo e eu sorri, puxando seu corpo nu para cima do meu para poder beijar os seus lábios macios.

Hoje havia sido a folga dela e tiramos o dia para nos curtir. Fomos à praia, almoçamos com nossos pais e voltamos para casa na intenção de assistir a um filme e simplesmente curtir a companhia um do outro. Mas, é óbvio que não vimos filme nenhum, pois estávamos muito ocupados perdidos um no outro.

一 Eu gosto muito dessa sua versão ninfomaníaca. Mas, você sempre foi, na verdade.

Sofia me olhou surpresa, ficando ainda mais vermelha do que já estava e eu não pude deixar de rir.

一 Tommy! 一 Ela exclamou indignada e eu a beijei, pois a minha namorada estava muito linda toda envergonhada.

一 Mas, é verdade, amor. Você sempre gostou muito de sexo. Eu me mato na academia pra dar conta do seu pique de atleta sexual e mesmo assim não é fácil. Você tem muita energia acumulada e eu nem sei como, já que sempre trabalhou demais.

Ela gargalhou.

一 Que bom que eu te deixo cansado, Cullen. Assim você não tem disposição para procurar nenhuma diversão sexual por aí.

Eu revirei os olhos.

一 Até parece que eu preciso de alguém além de você.

Ela sorriu tristemente e, ao me dar conta das minhas palavras, me senti miserável.

Não era mesmo preciso dizer nada, pois o seu silêncio falava mais do que se Sofia estivesse gritando a plenos pulmões que eu já havia precisado de alguém além dela, fato que fizera de mim um tremendo idiota cretino.

Acredito que ela e eu já havíamos superado essa fase sombria da nossa história, ou pelo menos estávamos no caminho certo para a superação total, mas infelizmente era inevitável que qualquer lembrança dessa época ainda nos incomodasse e eu sentia vontade de me agredir todas as vezes que via qualquer traço de tristeza nublar os lindos olhos verdes da minha namorada.

一 Eu nunca precisei de outra mulher, Sofia. Não no aspecto sexual e em nenhum outro. Você sempre foi maravilhosa e suficiente pra mim. Eu só fui muito estúpido pra perceber antes de fazer merda.

一 Não precisamos falar disso. 一 Ela murmurou e eu suspirei, tocando seu rosto com delicadeza e fazendo com que ela me encarasse.

一 Eu sei. Mas, é que eu não me canso de me amaldiçoar mentalmente por ter sido tão babaca e idiota em nosso tempo em Harvard. Eu te machuquei, mesmo tendo prometido que jamais faria isso. E a minha estupidez quase destruiu nosso futuro juntos. Eu te amava e não existe justificativa para a forma como te tratei.

Sofia respirou fundo e se sentou, vestindo minha camiseta e prendendo o cabelo em um coque frouxo antes de me encarar de novo.

一 Você foi mesmo estúpido, Tommy e eu fico feliz que reconheça. No entanto, não adianta ficar se martirizando pelo que já passou. A gente realmente se machucou, mas o importante é que estamos juntos. Tudo o que passamos contribuiu para formar as pessoas que somos hoje, responsáveis, maduras e apaixonadas. Eu tento não pensar muito no que a gente viveu quando estávamos separados e você deveria fazer o mesmo. Estamos felizes e é nisso que temos que nos concentrar. Em nós e na família que vamos formar.

Eu sorri e coloquei a mão sobre sua barriga.

一 Eu vou me esforçar para sempre cuidar de vocês, princesa. Eu serei o melhor pai do mundo.

Ela colocou a mão sobre a minha e sua barriga e se inclinou para beijar meu rosto.

一 Não vai ser difícil ser um bom pai, já que você tem o melhor exemplo.

Eu sorri para suas palavras. Se existia alguém nesse mundo que tinha uma verdadeira adoração por Edward Cullen, esse alguém era a Sofia. Ela amava e admirava demais o nosso pai, que fez dela uma filha amada e a protegia de tudo e todos.

一 Realmente. Edward Cullen é um exemplo a ser seguido, assim como Isabella Swan. Acho que nos sairemos bem como pais, pois temos em quem nos espelhar e sei que eles fizeram um bom trabalho com todos nós.

一 Edward Cullen e Isabella Swan formam um bom time. 一 Sofia falou e eu concordei, agradecendo ao destino por ter colocado Bella e Sofia no caminho da nossa família. Nossa vida jamais teria sido completa sem elas.

**********

Conforme a barriga da Sofia crescia com o passar das semanas, o fato de que eu, Anthony Cullen, me tornaria o pai de alguém se tornava ainda mais real.

O bebê agora chutava ao som da minha voz e toda vez que isso acontecia, eu me sentia alguém muito especial.

一 Ele se mexeu de novo, princesa. Será que ele realmente conhece o som da minha voz?

一 Provavelmente, Tommy. Você vive pendurado na minha barriga tagarelando com o bebê. Impossível ele não te reconhecer. Além disso, os sons são amplificados dentro da barriga. Quando nascer, ele ou ela vai saber que você é você pela voz.

Eu sorri animado. Saber que nosso bebê podia me ouvir era algo incrível. A única coisa que ainda me incomodava era não poder chamá-lo pelo nome, já que ainda não sabíamos se seríamos pais de uma menina ou de um menino.

Pelo menos os nomes já haviam sido decididos depois de uma certa batalha entre Sofia e eu: Wendy se fosse menina e Daniel e fosse menino.

一 Por que não é possível saber o sexo ainda? 一 Perguntei à Sofia, depois de mais uma ultrassonografia frustrada e minha namorada suspirou, tirando os tênis e se acomodando no sofá.

一 Por causa da posição do bebê e do cordão umbilical que está passando bem meio das perninhas. Aí, não conseguimos ver com clareza o órgão sexual.

一 Não tem um exame de sangue que dá pra descobrir? 一 Insisti, mal contendo minha frustração e Sofia sorriu, fazendo um gesto para que eu me sentasse ao seu lado e ela pudesse acomodar a cabeça sobre o meu colo.

一 Tem. Se chama sexagem fetal. Mas, eu não acho necessário. Além disso, quando levei aquele tiro na perna, passei por muitas transfusões sanguíneas devido à perda intensa de sangue e as células dos doadores podem nos dar um falso resultado.

一 Mesmo depois de tantos anos? 一 Perguntei espantado e Sofia assentiu.

一 Sim. As células sanguíneas se renovam constantemente, é claro, mas ainda assim não seria um resultado cem por cento confiável. Então, teremos que esperar até que o bebê mude de posição e se revele. Ou até o nascimento.

Bufei.

一 Nosso bebê herdou o temperamento da Mia e já é teimoso desde o ventre. Por isso não quer se revelar. 一 Eu resmunguei e Sofia riu.

一 Sabia que já pensei a mesma coisa? Mas, sendo sobrinho ou sobrinha dela, como ser diferente? Nosso bebê terá em seu DNA traços da Mia, da Elena e até da Lara.

一 Misericórdia, Deus! 一 Eu brinquei, mas falando sério, e minha namorada riu.

一 Mas, ele ou ela pode vir calminho como o Benjamin. Oremos!

一 Deus te ouça, amor! Porque eu não aguentaria ser pai de uma Mia ou de uma Elena. Quem dirá de alguém com a personalidade da sua prima.

Sofia apenas revirou os olhos e riu, mas eu sabia que, no fundo, ela compartilhava do mesmo pensamento que eu.

**********

As semanas continuaram passando depressa e Sofia parecia mais grávida a cada dia. Porém, até o momento, nada do nosso bebê se revelar. Eu estava impaciente, mas como minha namorada parecia tranquila, comecei a aceitar a ideia de que só descobriria o sexo do nosso bebê no dia do nascimento.

E, como nem tudo podia ser preparado depois da chegada do nosso filho, Sofia e eu resolvemos decorar o quarto com cores neutras.

Escolhemos os móveis e o papel de parede e comecei a colocá-lo com a ajuda entusiasmada do meu pai, que não via a hora de poder conhecer o primeiro neto ou neta.

一 Eu me lembro quando decorei o quarto para sua chegada, filho. Sua mãe e eu também optamos por cores neutras, poque queríamos ter mais filhos. Mas, eu já sabia que seria pai de um menino.

一 E você ficou feliz?

一 Óbvio, não é, Tommy? Bem, na verdade eu não tinha preferência. Sempre procurei fugir dessa convenção machista de que homens preferem filhos meninos. Mas, secretamente, eu queria sim um pequeno companheiro para trilhar os meus passos no direito. E foi exatamente o que aconteceu.

Eu sorri.

一 Fui influenciado, senhor Cullen. Ou pensa que não me lembro que desde muito pequeno você me levava ao escritório e me dizia que tudo aquilo poderia ser meu se eu me tornasse um advogado?

一 Sua mãe ficava muito brava comigo quando eu o levava para o trabalho. Acho que ela gostaria que você trilhasse o mesmo caminho que o dela na publicidade ou se tornasse um médico, como os meus pais. Mas, o direito estava em seu sangue.

一 Eu penso que meu filho não seguirá os meus passos. 一 Falei sinceramente, pensando em todo o legado médico da nossa família e meu pai fez uma careta.

Edward Cullen era um homem de tradições e penso que ele sonhava com um neto ou neta que pudesse assumir a firma de Direito que ele e o tio Emmett se empenharam tanto para construí-la e torná-la um sucesso.

Ethan e eu estávamos lá agora, trabalhando na firma que também era nossa. Nossos filhos deveriam assumi-la um dia, mas eu não acreditava que isso aconteceria de fato.

一 Não tem como saber qual caminho profissional seu filho ou filha irá tomar, Tommy, ele ou ela pois terá inúmeras possibilidades. Inclusive, possibilidades além do direito ou medicina. Mas, sendo filho, neto e bisneto de grandes cirurgiões, eu confesso que a possibilidade de um dia esse bebê se tornar um médico é bem grande.

Foi minha vez de fazer uma careta.

Sofia tinha uma rotina tão maluca que a possibilidade do nosso bebê se tornar um médico um dia já me deixava cansado.

一 Mas, ele ou ela também será filho, neto, sobrinho e primo de grandes advogados. Podemos influenciá-lo também e aumentar nosso time.

Meu pai sorriu, concordando.

Mas, é obvio que eu apoiaria qualquer profissão que ele ou ela decidisse ter. Meu pai havia me influenciado sim, mas em nenhum momento interferiu em minha decisão. Tenho certeza de que se tivesse optado pelo futebol, esporte no qual eu era muito bom durante o Ensino Médio, ele teria me apoiado incondicionalmente. Porque esse era o papel dos pais: orientar, apoiar e amar os filhos incondicionalmente, independente se as escolhas deles nos agradassem ou não.

*********

Escutei o barulho de chaves e percebi que havia dormido sobre o sofá, ainda de terno.

Olhei para o relógio que marcava quase meia-noite e me sentei depressa assim que as luzes se acenderam, assustando Sofia que entrava com uma pequena caixa nas mãos.

一 Que susto, Tommy! O que está fazendo aí de terno, de meias e todo amassado? Achei que já estivesse na cama.

一 Eu cheguei tão exausto do tribunal hoje que desabei no sofá e apaguei. 一 Falei depois de um bocejo e ela fez uma careta.

一 Não tem jantar, então?

Eu a olhei de cara feia.

一 Sou seu namorado ou seu cozinheiro?

Sofia riu e se aproximou pra me beijar.

一 Os dois, amor. É que eu estou morrendo de fome. Achei que teria algo gostoso para comer quando chegasse em casa. Você já foi mais eficiente, Cullen.

Eu bufei e ela riu.

一 Vou fazer alguma coisa pra você comer enquanto você toma banho. Pode ser omelete?

一 Pode sim. Mas, antes, queria te dar uma coisa. 一 Sofia falou e eu olhei desconfiado para a caixa em suas mãos.

一 O que é isso?

一 Abra e descubra. 一 Ela falou divertida e eu revirei os olhos, abrindo a caixa e me deparando com um par de sapatinhos de bebê cor de rosa.

一 Eu já sei que você está grávida, princesa. O tamanho da sua barriga não me deixa dúvidas. 一 Eu falei, pousando a mão em seu ventre dilatado e sentindo nosso bebê chutar. Era emocionante quando isso acontecia, porque eu sabia que ele ou ela podia reconhecer meu toque e a minha voz.

一 Engraçadinho você, Tommy! Eu sei que estou grávida, seu bobo. Mas, hoje descobri o sexo do nosso bebê. Vamos ter uma menina, Tommy.

Eu a olhei surpreso.

一 Sério? Mas, como você descobriu? E por que eu não estava com você? 一 Perguntei meio puto e Sofia suspirou.

一 Eu fui apenas para um exame de rotina, pois sinto que estou perdendo um pouco de líquido diariamente, já que a data do parto se aproxima. E a Dra. Clay sempre deixou o exame visível e bem... Eu sou médica. A Wendy mudou de posição e finalmente conseguimos ver o órgão sexual. E é uma menina. A nossa Wendy Swan Cullen. Desculpe por você não estar comigo. Não tinha ideia de que hoje conseguiria vê-la. Foi uma surpresa pra mim também.

Eu respirei fundo e sorri, me aproximando para beijá-la.

一 Está tudo bem, princesa. É claro que eu queria estar lá porque foi um momento especial, mas não tem problema. O importante é que vocês estão bem e já sabemos que seremos pais de uma princesa. A nossa Wendy. 一 Eu falei, me inclinando para beijar sua barriga e sentindo pequenos chutes que me fizeram sorrir.

一 Você está feliz? 一 Sofia me perguntou e eu levantei os olhos para encará-la.

一 É claro, princesa. Tudo o que eu mais desejo é ser pai de uma menininha tão linda quanto você. Além do mais, não existe possibilidade de não ser feliz ao seu lado.

一 Não vejo a hora de tê-la nos braços. 一 Sofia falou sonhadora, acariciando a própria barriga e eu sorri, me inclinando para beijá-la.

Eu também mal podia esperar para ter minha filha nos braços para completar ainda mais a nossa felicidade.

Notas finais
Não tenho mais cara para me desculpar pela demora. Então, não vou falar nada. Espero que tenham gostado. E no próximo capítulo iremos finalmente conhecer a pequena Wendy. Beijos!