Laços de amor

78 Capítulo Bônus 24: a vida de Tommy e Sofia


Laços de amor

Los Angeles

Sofia

A gravidez é considerada um momento muito especial para a mãe, para o bebê e para todas as pessoas próximas. E eu admitia que era quase mágico acompanhar o desenvolvimento do meu bebê em meu ventre, ver todas as mudanças no meu corpo, mesmo que mínimas, sentir o primeiro chute e ansiar todos os dias por conhecer seu rostinho e saber com quem aquele pequeno ou pequena se pareceria.

Todo mundo estava em êxtase com a minha gravidez. Tommy, nossos pais, nossos irmãos e toda a nossa família vibravam a cada pequena mudança no meu corpo que indicava que em breve teríamos um bebê para amar.

E eu também estava feliz. Muito. Mas, ninguém me avisou que para encontrar toda essa magia da maternidade eu teria que passar pelos terríveis enjoos que eram, sem dúvida, um presságio de tortura e morte.

Fechei os olhos com força, enquanto mais uma náusea intensa me fazia enfiar a cabeça no vaso sanitário e vomitar de forma violenta os últimos resquícios do meu café da manhã.

Eu não aguentava mais vomitar. Já fazia semanas que eu não passava nem um dia sem me sentir enjoada 24 horas. Sim, porque aparentemente, nem dormir eu conseguiria mais, já que acordava no meio da noite para vomitar.

Vomitar era tudo o que eu fazia. Dia e noite.

Tudo para cinco minutos depois de despejar todo o conteúdo do meu estômago no vaso sanitário, numa seção exorcista de ânsias, sentir uma fome de dez leões enjaulados que me fazia atacar a geladeira sem nenhum pudor. Aí eu comia e, em seguida vomitava. Era um ciclo sem fim e eu tinha a impressão que nunca mais conseguiria sair dele.

Encostei minha cabeça na louça fria do vaso a minha frente e respirei fundo, tentando acalmar meu estômago vazio que ainda se revirava, mesmo não tendo mais nada para expulsar de dentro dele.

Já era a segunda vez que eu vomitava naquele dia e eu decidi que mesmo que meu estômago se autodestruísse, eu não iria mais comer nada. Pelo menos não até eu terminar a cirurgia para a qual fui escalada.

Meu organismo tinha que entender que eu ainda estava no controle do meu próprio corpo.

— Colabora com a mamãe, por favor. Nada de mais enjoos hoje. Eu preciso trabalhar. — Falei baixinho para minha barriga, torcendo ardentemente para que os enjoos passassem e me levantei do chão da forma mais digna que consegui.

Saí do banheiro após dar a descarga e dei de cara com minha mãe, que me encarou preocupada.

— Eu estou bem, mãe. Fique tranquila.

Ela se aproximou, colocando a mão na minha testa e eu sorri, me sentindo com cinco anos outra vez.

— Eu sei que a Dra. Clay já disse que está tudo bem com o bebê, mas todo esse enjoo está me preocupando. — Minha mãe falou e eu suspirei, me dirigindo até a pia para que pudesse escovar os dentes. De novo.

Acho que meus dentes nunca foram tão escovados na vida.

— Ela disse que vai passar. E eu sinceramente espero que sim, porque não aguento mais vomitar.

— Quando estava grávida de você, eu enjoei por quatro meses. Mas, vomitava só pela manhã. Você, por outro lado, não consegue manter nada no estômago. Acho até que perdeu peso.

Fiz uma careta.

— Perdi três quilos. — Falei com a boca cheia de espuma e minha mãe suspirou.

— Vou pedir uns exames, Sofia. Quero fazer uma ultra também, para ver se está tudo realmente bem.

Eu cuspi a espuma na pia e a encarei através do espelho.

— Será que eu vou conseguir levar essa gravidez até o final, mãe? — Perguntei em um fio de voz, sentindo um nó na garganta ao me imaginar tendo outro aborto e minha respirou fundo, sorrindo em seguida.

— Faremos o possível para que você consiga, filha. Não fique ansiosa. Enjoos são normais no início de qualquer gestação. Os exames e a ultra são só uma precaução.

Eu assenti e, depois que ela saiu, tratei de terminar minha higiene bucal para que pudesse ir para a sala de cirurgia, mas quando cheguei lá, cerca de vinte minutos depois, fui informada de que eu não era mais a residente do caso.

— Desde quando? — Perguntei irritada ao Adam, que desviou a atenção do seu Tablet e me encarou seriamente.

— Desde agora. Você não está bem e precisa descansar. São ordens da Suzana.

Eu bufei.

— Eu estou grávida e não doente. Não posso perder meus casos, Adam. Eu estou na residência e tenho infinitas horas cirúrgicas para cumprir.

— Sofia, você está nesse hospital desde às cinco horas da manhã e já participou de uma cirurgia. Além disso, só hoje, eu já te vi passando mal duas vezes. Você está pálida e tenho certeza de que não comeu nada depois da sua última seção de enjoo. Então, por favor, vá fazer os exames que sua mãe solicitou e depois vá descansar. É da sua saúde e da saúde do seu bebê que estamos falando.

Eu respirei fundo, contendo a vontade de manda-lo à merda, já que eu sabia que ele tinha razão, e me dirigi para a ala das consultas, onde me joguei numa maca.

Nicolly veio me atender.

— Você parece péssima. — Ela comentou e eu revirei os olhos.

— Acabei de ser impedida de participar de uma cirurgia. Estou puta. Então, pode coletar meu sangue logo para que eu possa ir para casa, antes que volte lá e arranque os lindos olhos de Adam Jones?

Ela riu.

— Sua mãe me passou uma lista imensa de exames. Então, prepare o bracinho aí. E só vou poder te dispensar depois da ultra. Precisamos ver se o herdeiro do legado médico Swan-Cullen está mesmo bem.

E ele estava. Seu coração batia rápido e forte dentro de mim e, segundo a Dra. Clay, não havia motivo para que eu me preocupasse.

— Vou te receitar um remédio para esse enjoo. Você já perdeu peso e não podemos arriscar que você desenvolva uma anemia. Vou te encaminhar para a nutróloga também para que ela te passe uma dieta adequada para sua gravidez. Tudo bem?

Assenti e, após a consulta com a nutróloga, fui dispensada para descansar. Em casa.

Eu ainda queria brigar pela minha cirurgia, mas como estava mesmo cansada, resolvi obedecer às ordens médicas.

Mandei uma mensagem para Tommy, avisando que já estava indo para casa e quando cheguei ao estacionamento, pronta para chamar um táxi, Mia se materializou na minha frente.

— Tá fazendo o que aqui? — Perguntei surpresa e ela sorriu, tirando minha mochila das minhas costas e enganchando minha mão em seu braço.

— Mamãe me ligou e pediu que eu ficasse com você esta tarde. Então, vou te levar para casa e cozinhar para você. Preciso cuidar muito bem do meu afilhado.

Eu revirei os olhos.

— Eu não me decidi sobre a madrinha ainda, Mia. Além disso, você não cozinha.

— Posso não ser a madrinha, ainda, mas sou a tia e, portanto, tenho todo o direito de cuidar de vocês. E quanto a comida, eu já providenciei. Fique tranquila. Vamos?

Discutir com Mia Cullen era algo que não valia a pena, porque ela sempre iria nos vencer. Fosse pelo argumento ou pela birra, minha irmã jamais havia perdido uma discussão na vida. Por isso, eu apenas a segui até o carro e me deixei levar para minha casa, grata por simplesmente ter uma carona.

— O que houve com o seu carro? — Ela me perguntou e eu dei de ombros.

— Nada. Seu irmão o sequestrou. Ele vendeu o Jeep e até agora não comprou outro carro. E aí ele usa o meu.

— O Tommy é muito folgado.

Eu sorri para o seu comentário porque ela tinha razão.

Depois da sua promoção, Tommy resolveu que iria trocar de carro. Seu Jeep havia sido um presente do papai quando ainda estávamos na faculdade e, segundo o meu namorado, ele precisava de um carro a altura do seu cargo agora.

Mas, entre tantos processos, audiências e minha gravidez inesperada, ele simplesmente não encontrou tempo e disposição para procurar outro carro e acabou se apossando do meu Equinox, que eu havia comprado durante o primeiro ano de residência e que estava praticamente novo, já que eu não era muito de dirigir.

Como Tommy havia se oferecido para ser o meu motorista particular e eu passava a maior parte dos dias no hospital, não me importava que ele ficasse com o meu carro. De verdade.

Mas, que meu namorado era folgado, isso era, poque se ele realmente quisesse, já teria ido atrás do seu próprio carro.

Quando chegamos em casa, não me surpreendi ao encontrar Noah na minha cozinha. Ele era chef amador e é óbvio que Mia havia recrutado o namorado para cozinhar para mim. E eu não iria reclamar, pois estava realmente com fome.

Tomei um banho demorado e, já de pijama e remédio de enjoo tomado, fui para cozinha, onde uma canja maravilhosa me esperava.

— Vou dar o meu bebê para o Noah batizar. Depois desse almoço, ele merece ser o padrinho de todos os bebês da família Cullen. — Eu brinquei e Mia bufou, pegando meu prato vazio e o levando até a pia. Noah se limitou a sorrir agradecido pelo meu elogio.

— Eu não entendo porque tanta indecisão entre Lara e eu. Juro. Eu sou sua irmã e irmã do Tommy e serei a tia do bebê. Não deveria nem mesmo haver outra pessoa sendo cogitada para a vaga de madrinha dessa criança. — Mia reclamou e eu sorri.

Eu já havia me decidido sobre a madrinha. Apenas não havia contado a ninguém.

E não era maldade. Eu simplesmente estava passando tão mal que não tinha mais disposição para nada. Além disso, Tommy e eu estávamos tão enrolados com o trabalho que quase não tínhamos tempo de conversar sobre nosso bebê, quem dirá sobre a disputa acirrada entre Mia e Lara.

Mas, eu sabia que Tommy aprovaria a minha escolha.

— Seria bom você e Tommy se decidirem sobre a madrinha logo, Sofia, ou sua irmã vai me enlouquecer. — Noah comentou e eu assenti.

— Eu vou me decidir, Noah. Logo. Mas, antes eu preciso dormir. Vou aproveitar que meu estômago deu uma trégua e vou para cama. Obrigada pelo almoço. E obrigada por cuidar de mim, Mia. Você é a melhor irmã do mundo.

Deixei os dois na cozinha e fui para o quarto e, graças aos céus, consegui dormir por algumas horas.

Acordei me sentindo renovada e após usar o banheiro, fui para sala. Mia estava lá.

— Conseguiu descansar?

Eu assenti e me joguei no sofá ao seu lado.

— Acho que eu estava mesmo precisando de uma tarde de folga.

— Você trabalha demais, Sofia. Precisa relaxar um pouco, principalmente agora que está grávida. Esse bebê precisa ser muito bem cuidado.

— Esse bebê está me dando muito trabalho já. — Eu resmunguei e ela sorriu, colocando a mão sobre o meu ventre ainda plano.

— Eu estou tão ansiosa para conhecê-lo, Sofia. Não vejo a hora de ter meu sobrinho ou sobrinha nos braços.

Eu sorri e coloquei minha mão sobre a sua.

— Essa criança será muito amada, mas eu acho que será mais que seu sobrinho ou sobrinha.

Mia me encarou ansiosa.

— Eu serei a madrinha, então?

Eu apenas sorri e pedi licença. Fui até meu quarto e peguei a caixinha que eu havia encontrado por acaso e que não tinha mostrado para ninguém, exceto para Tommy.

Voltei para sala e Mia me olhou curiosa quando lhe estendi a caixa.

— Abre. Tenho certeza que você vai se emocionar da mesma forma que eu me emocionei.

Eu havia encontrado essa caixa durante minha mudança para o apartamento. Ela estava entre as coisas do Tommy e na época, eu apenas a coloquei dentro de uma caixa e a trouxe comigo.

Quando meu namorado e eu brigamos (pela milésima vez), ele saiu do meu apartamento e voltou para a casa dos nossos pais e essa caixinha ficou por aqui, novamente esquecida. Acho que foi providencial eu tê-la encontrado logo depois que descobri minha gravidez.

Nessa pequena caixa, já desbotada pelo tempo, estavam guardadas algumas lembranças de Tanya Denali adolescente, bem como anotações de planos para um futuro que, infelizmente, não aconteceu.

E era incrível observar nas várias fotos amareladas pelos anos o quanto Mia era parecida com a mãe e o quanto minha sogra havia sido uma pessoa maravilhosa.

— Somos idênticas... — Mia comentou com a voz embargada, enquanto segurava uma foto que mostrava Tanya bem jovem em seu uniforme de líder de torcida e eu assenti.

— São muito parecidas mesmo. Tipo eu e minha mãe.

— Ou a mamãe e a Elena... — Mia murmurou, ainda atenta à foto e eu sorri ao pensar em minha irmã caçula tão parecida fisicamente comigo. A genética era mesmo algo incrível.

— Cinco filhos? — Mia perguntou divertida, lendo os planos de sua mãe para o futuro e eu não pude deixar de rir.

— Ela queria uma família grande. Filhos, netos, cachorros.

— Pena que ela não teve tempo... — Minha irmã murmurou, observando uma foto de sua mãe com ela recém-nascida nos braços e eu me aproximei mais, abraçando-a de lado e fazendo com que ela deitasse a cabeça no meu ombro.

— Sinto muito por você não ter podido conviver com a sua mãe, Mia. Tenho certeza de que ela era uma mulher incrível.

— Ela era. Pelo menos é o que dizem. E eu lamento também por não tê-la conhecido, mas acredito que ter a minha mãe biológica em minha vida me impediria de conviver com você e com a mamãe e eu não consigo imaginar a minha vida sem vocês ou sem a Elena e o Ben. Gosto até de conviver com a Lara... Pensa?

Eu ri.

— É triste imaginar que ter a sua mãe em sua vida significaria não conviver com Isabella Swan, porque nossa mãe é realmente incrível. Mas, eu gosto de pensar que Tommy e eu estávamos predestinados um ao outro e que mesmo que nossos pais não tivessem se conhecido no Tinder e começado a namorar, nós ainda sim teríamos nos encontrado e nos apaixonado.

— Então, de qualquer forma, eu seria a tia E MADRINHA do seu filho ou filha.

Eu ri para a ênfase que ela deu a palavra madrinha.

— Eu gosto de pensar que sim. Quando encontrei essa caixinha, eu tive a oportunidade de conhecer melhor a mãe de vocês, que é também a avó desse bebê que carrego no ventre. E percebi que ela adoraria participar da vida dessa criança, porque netos estavam nos planos dela. Mas, infelizmente ela faleceu e não está aqui agora para segurar nos braços o seu primeiro neto ou neta. Deus a quis com ele lá no céu. Mas, você está aqui e é tão parecida com ela... É um pedacinho lindo da sua mãe e por ser a filha dela e a melhor irmã que Tommy e eu poderíamos desejar, queremos que você seja a madrinha. — Eu declarei e ela sorriu entre lágrimas, me abraçando emocionada.

— Eu sabia que seria eu, Soso. Muito obrigada! Serei a melhor madrinha do mundo. Meu irmão já sabe dessa decisão?

Eu fiz uma careta.

— Não exatamente. Mas, ele aprova, com toda a certeza. Não teremos problemas quanto a isso.

Mia riu.

— É claro que ele aprova. De um lado estou eu, a irmã dele que o apoiou até quando ele fez merda e que torceu por vocês desde o início, mesmo quando parecia que não daria mais certo. E do outro lado está a Lara, que infernizou a vida do pobre coitado por um bom tempo. A escolha era óbvia, para dizer o mínimo.

Eu fiz uma careta, sabendo que Mia tinha razão. Embora a relação do Tommy com a Lara tenha melhorado bastante e esteja bem parecida com o que era no início, o voto do pai do meu bebê para a madrinha sempre foi da irmã.

— Lara foi minha primeira melhor amiga, Mia e desde criança ela tem a mania de tomar as minhas dores. Ela amava o Tommy quando eu também amava, mas passou a odiá-lo no momento em que eu também odiei. Eu não costumo guardar rancores, mas o mesmo não acontece com a Lara. Contudo, a minha prima não é uma pessoa ruim e seria uma excelente madrinha também.

— Eu sei que ela não é uma pessoa ruim, Sofia. Eu adoro a Lara. Mas, ela que espere o próximo bebê, pois esse já é o meu afilhado.

Sorri satisfeita com a alegria dela.

— Agora eu tenho a difícil missão de contar minha decisão a ela e a todos da família. Tenho certeza de que a Lara vai surtar e me odiar por um tempo.

Mia riu.

— Ela vai, mas passa. Acho que ela também vai entender a sua escolha, mana. Afinal, como você mesmo disse, como madrinha do seu bebê, eu estou representando a mim e a minha mãe. Não tinha como ser diferente.

Eu suspirei, sabendo que tinha tomado a decisão certa e Tommy concordou comigo ao ser bombardeado com a novidade assim que colocou os pés na soleira da porta.

— Eu estou feliz por você, loirinha. Acho que não vai existir no mundo uma madrinha melhor. — Meu namorado falou, abraçando-a com carinho ao saber da novidade e eu respirei aliviada.

Tommy teria o direito de se irritar comigo, já que, sendo o pai daquele bebê, ele deveria ter participado daquela conversa e, principalmente, da decisão. Mas, aparentemente minha escolha de madrinha havia sido prontamente aprovada.

— Eu até poderia ficar chateado por não ter estado presente durante o convite da madrinha do nosso bebê, mas eu estou muito feliz com a sua decisão. De verdade. — Tommy me falou assim que nos deitamos naquela noite e eu sorri, me aconchegando em seus braços.

— Mia estava prestes a ter um ataque. Eu precisava contar a ela sobre a minha decisão. Eu sei que não conversamos abertamente sobre isso, mas tenho certeza de que você aprova minha escolha, não é?

Ele riu.

— Com certeza. Lara seria a madrinha que iria colocar meu próprio filho contra mim. Além disso, Mia realmente irá representar a nossa mãe na vida desse bebê. Eu sei que Tanya Denali queria uma família grande e não pôde viver para realizar o seu sonho. É reconfortante saber que minha irmã estará representando um pouco do papel que a minha mãe teria na vida do nosso filho. Além disso, nossa irmã já ama esse bebê e eu tenho certeza de que ela o protegerá de qualquer mal, caso seja necessário.

Eu assenti, concordando com Tommy. Mia era mesmo perfeita para o cargo e eu até me sentia mais leve depois te ter comunicado a ela minha decisão.

— Mia me pediu para levar algumas fotos que estavam naquela caixinha. Como ela não é minha, pedi que conversasse com você. — Eu avisei a Tommy, que suspirou, beijando meu rosto.

— Quando a minha mãe faleceu, Mia era apenas um bebê. Meu pai sofreu muito com a morte dela e minha tia resolveu que o melhor era guardar a maioria das fotos da minha mãe para amenizar um pouco do meu sofrimento e o do meu pai. Assim, minha irmã cresceu em uma casa onde existiam poucas memórias de Tanya Denali e, por isso, ela precisa mais daquela caixinha do que eu. Eu convivi com a minha mãe, Sofia. Tenho na minha memória o seu rosto, o seu perfume e até a sua voz. Mia não teve nada disso. Tudo o que ela sabe sobre nossa mãe foi o que contamos a ela.

— Crescer sem um dos pais pode ser bem ruim. Minha mãe fez um excelente trabalho tentando fazer com que a ausência de Jacob na minha vida não fosse notada, mas, por vezes, eu sentia falta de ter um pai.

— Hoje você tem. Aliás, você é a filha favorita dele. — Eu revirei os olhos.

Não sei porque todos insistiam em dizer que eu era a filha favorita de Edward Cullen. Tudo bem que ele sempre ficava do meu lado em qualquer situação – mesmo quando eu estava errada, o que era bem difícil, aliás – e me defendia até contra a ira da minha mãe. Ai de alguém se mexesse comigo. Nem mesmo Tommy, seu filho biológico, escapou da sua ira quando terminamos. Papai me apoiou incondicionalmente, mas isso tinha mais a ver com o fato de Antony Cullen estar realmente errado do que eu ser a filha favorita. Aliás, achava essa história um imenso exagero.

— Papai é maravilhoso. Mas, eu não sou a filha favorita.

Tommy riu.

— É claro que é. Você tem Edward Cullen enrolado no dedo mindinho desde que entrou para essa família. Ele tem verdadeira adoração por você e te defende de todo mundo, até da Bella. Além disso, você, Sofia Swan, é a filha que vai lhe dar o primeiro neto. Eu não ficaria surpreso se o papai fizesse um altar de adoração em seu nome.

Eu belisquei sua barriga e ele riu.

— Você está exagerando, mas meu ego iria adorar ter um altar de adoração.

— Sofia, meu pai ama você e está tudo bem. Nenhum de nós nos importamos realmente com o fato de você ser a favorita. Até porque, você é a minha favorita também.

Eu sorri e me aproximei ainda mais do seu corpo morno, me aconchegando perfeitamente em seus braços.

— Você também é o meu favorito. E eu te amo.

— Também te amo, princesa. Te amo demais!

Naquela noite eu adormeci sorrindo.

***********

Lara irrompeu pela sala dos residentes, sem se preocupar com o fato de que aquela era uma área restrita, e parou bem a minha frente com os braços cruzados e expressão séria.

Eu já esperava por esse confronto desde que comuniquei a ela, por telefone – sim, eu era uma covarde –, da minha decisão de nomear Mia como a madrinha do meu bebê. Minha prima havia ficado muda ao telefone e simplesmente desligou na minha cara.

Estava mais do que óbvio que pouco tempo depois ela apareceria no meu trabalho.

— Bom dia, Lara. — A cumprimentei alegremente, enquanto bebericava meu chá de camomila e ela bufou, sentando-se a minha frente.

— Nós tínhamos um trato e você não cumpriu. — Ela falou magoada, fazendo um biquinho ridículo e eu apenas revirei os olhos.

Sabia que Lara se referia ao trato de que ela seria a madrinha do meu bebê e eu a madrinha do bebê dela, mas a verdade era que minha querida prima havia quebrado o trato primeiro quando resolveu que não teria filhos.

— Você também não. Se você não tiver filhos, nunca poderei batizá-los. Além do mais, como eu já expliquei, Mia irá representar a mãe dela na vida do nosso bebê. Ela é a escolha mais lógica, Lara. Não seja dramática.

Lara fungou. Aparentemente, ela estava realmente magoada.

— Não é drama. Nós somos mais que primas e você sabe disso. Não é justo eu ficar de fora só porque a Mia é irmã do seu namorado e ele não consegue gostar mais de mim por causa das cretinices passadas dele.

— Mia é minha irmã também. — Eu a lembrei, ignorando seu comentário sobre o Tommy e Lara bufou.

— Já entendi que perdi, Dra. Swan. Espero que possa ser a madrinha do próximo bebê, ou realmente irei cortar relações com você.

— Olha, se eu sobreviver a todo esse enjoo, posso pensar em conceber outra vez. E, nesse caso, prometo que você será a madrinha.

— Acho muito bom. Mas, de qualquer forma, eu vou ser a prima mais legal que esse bebê já teve. E ai da Mia se não me deixar participar também. É bom lembra-la sempre que eu sou excelente em processar pessoas.

Eu sorri. Era reconfortante perceber que as pessoas estavam competindo para ver quem amaria mais o meu bebê. Ele ou ela nem tinha nascido e já era a criaturinha mais amada de todo o mundo.

Um dos maiores medos que acompanha a maternidade é a incerteza do que poderia acontecer com a criança caso os pais, por algum motivo, não pudessem mais estar presentes. Desde o momento em que me descobri grávida, essa era uma das minhas maiores preocupações. Afinal, como médica do trauma, eu sabia o quanto a vida podia ser efêmera.

No entanto, eu percebia, conforme minha gravidez avançava, que meu bebê teria um exército de pessoas dispostas a dar a vida por ele caso algo acontecesse comigo ou com o Tommy.

Depois que a Lara foi embora, ainda chateada pela escolha da madrinha, eu segui para a emergência, onde trabalhei pelo resto do dia.

À noite, minha mãe me arrastou para um jantar em sua casa, onde nós pudemos, finalmente, comemorar a escolha da madrinha do bebê, que, aliás, estava radiante.

— Um brinde a mim que serei a melhor madrinha para esse bebê. E um brinde a minha mãe, Tanya Denali, que será muito bem representada na vida do seu primeiro neto ou neta. — Mia propôs feliz e nós erguemos nossas taças, acompanhando-a. Na minha tinha suco, é claro.

— Eu fico muito feliz que a madrinha foi finalmente escolhida. Temia que Mia me enlouquecesse com essa história a qualquer momento. — Noah resmungou e minha irmã lhe deu um beliscão.

— Eu tenho que concordar com o Noah. E olha que isso nem sempre acontece. — Meu pai gracejou e nós rimos, já que sua implicância com o namorado da minha irmã era bem real e persistente. — Mia iria fazer todo mundo pirar se não tivesse sido eleita amadrinha do ano. Aliás, tenho que dizer que essa foi a escolha certa, pois Tanya será muito bem representada. Minha primeira esposa sempre desejou ter uma família grande e tenho certeza de que ela está muito feliz com a chegada do nosso primeiro neto. Ela olha por nós e nesse momento deve estar sorrindo. — Meu pai falou, parecendo emocionado e eu troquei um sorriso com Tommy.

— Essa criança já é muito amada. Que venha com muita saúde para nos trazer ainda mais felicidade. — Minha mãe completou e, mais uma vez, eu sorri.

Já fazia um tempo que eu só sorria e eu esperava que assim fosse por muito tempo.

Notas finais
Gentes, eu nem vou me desculpar pela demora. Não tenho nem cara pra isso. Mas, acho que vocês ficarão felizes em saber que eu já defendi minha tese, já entreguei e concluí o doutorado com sucesso. Só que vida adulta é uma correria. Trabalho, contas, família... Tenho pouco tempo para escrever. Mas, prometo concluir a fic logo. Acho que só mais uns dois capítulos e fim. Espero que vocês gostem da leitura e até o próximo capítulo. Beijos!