Laços de amor

73 Capítulo Bônus 20: A vida de Tommy e Sofia


Laços de Amor

Los Angeles

Tommy

Fiz uma careta ao abrir a geladeira da Sofia e constatar, sem muita surpresa, que estava vazia, ao não ser por um pedaço de queijo velho e uma fatia de pizza dura em um prato.

Sofia odiava ir ao supermercado, mas podia ao menos usar um serviço de delivery para evitar que morresse de fome. Como ela podia morar sozinha se não era capaz de abastecer a despensa?

Estava tudo muito limpo e organizado, porque Sofia era metódica quando o assunto era higiene, mas não tinha comida. Muito provavelmente porque ela detestava cozinhar.

Suspirei pesadamente e fui em busca do meu celular para que pudesse pedir nosso café da manhã pela internet. Encontrei o aparelho jogado de qualquer jeito no chão do quarto, ao lado dos nossos sapatos e roupas e sorri com a lembrança de como ele foi parar lá.

Sofia e eu nos divertimos bastante na festa da firma, apesar da presença de Melissa Flammer e das implicâncias da Lara.

Depois da cerimônia de promoção, eu me permiti beber algumas (muitas) taças de champanhe e dançar com todas as mulheres da família, a começar pela minha avó que estava um pouco triste pela ausência do vovô, que continuava internado à espera da cirurgia.

― Parabéns, querido. Eu sempre soube que você teria sucesso na carreira de direito. ― Ela falou, enquanto nos movimentávamos lentamente na pista de dança e eu sorri, beijando seu rosto com carinho.

― Não é fácil ser funcionário do papai e do tio Emmett. Mas, Lara, Ethan e eu sobrevivemos e agora teremos finalmente um salário decente, além de poder trabalhar em casos maiores.

― Seu pai e Emmett são chefes linhas duras mesmo, mas é por isso que os melhores advogados do país trabalham pra eles. Ser contratado pela firma da nossa família é uma grande honra.

― Alguns dirão que é nepotismo. ― Eu comentei ácido e minha avó riu.

― Que pensem, meu querido. Você sabe que não é, pois trabalhou duro por essa promoção. Então, fique tranquilo e continue dando o seu melhor.

― Sempre. ― Eu falei confiante e continuamos nossa dança conversando sobre assuntos mais amenos.

Depois da vovó, eu dancei com a Mia, com Elena e com a mamãe, que aproveitou o momento para me questionar sobre minha relação com Sofia.

― Estamos bem, mãe. Nosso mundo está voltando novamente ao eixo.

Bella me olhou desconfiada.

― E vocês já conversaram sobre tudo? Sobre o aborto?

Eu suspirei. Aquele assunto ainda era difícil pra mim.

― Já. E já nos entendemos sobre os nossos outros relacionamentos também. Sabe, mãe... Sofia e eu amadurecemos bastante nos últimos tempos. Acho que finalmente vamos conseguir seguir em frente. Eu amo sua filha, Bella. Sei que fui um babaca e a fiz sofrer em muitos momentos, mas eu não vou fazer isso novamente. Até porque, eu não posso perdê-la. Sofia Swan Cullen é parte de mim.

Bella sorriu largamente.

― Eu sei que você a ama, Tommy. Eu sei disso desde quando te vi olhando para ela no dia do meu primeiro encontro com o seu pai. Aliás, desde então eu sou uma das maiores tietes dessa relação.

Eu ri.

― Ah, eu sei bem, mamãe. Sofia só aceitou sair comigo por causa de um ultimato seu e dos pedidos insistentes da Mia.

Bella assentiu.

― Sim. Você apareceu lá em casa para ajudá-la com a matemática e depois a convidou para ir ao píer. Sofia era muito insegura e tinha medo que um relacionamento entre vocês atrapalhasse meu namoro com o seu pai. Eu tive que praticamente obrigá-la a aceitar sua ajuda e depois a incentivei a aceitar o convite para o passeio.

Eu sorri com a lembrança.

― Foi nesse dia que demos nosso primeiro beijo. Depois que a Sofia quase morreu na montanha russa.

Bella riu.

― O amor de vocês é lindo, Tommy e eu sempre acreditei nessa relação. Ainda acredito, aliás. E como sou uma mãe que apenas deseja felicidade dos filhos, sei bem que você e Sofia pertencem um ao outro.

Eu sorri e beijei o seu rosto com carinho. Bella era uma mulher incrível e sua chegada na vida da minha família só trouxe alegrias. Ela se tornou uma verdadeira mãe para mim e para Mia e fez do meu pai um homem feliz e bem diferente do triste viúvo que criou um perfil no Tinder por insistência minha e da tia Rosalie.

Nós tínhamos muita sorte de ter Bella em nossas vidas. E de quebra, ganhamos Sofia que também foi um grande presente para todos.

Olhei para minha namorada, que nesse momento conversava animadamente com Mia e sorri. Sofia estava magnífica em seu vestido de festa, mas o que realmente a tornava linda era o seu jeito doce e alegre que sempre contagiou a todos. Sofia Swan Cullen irradiava luz e era impossível estar ao seu redor sem se iluminar e se aquecer com os mais lindos sentimentos e sensações.

Aparentemente ela havia conseguido finalmente superar minha história com Melissa, já que nem ao menos piscou quando minha ex-companheira de faculdade chegou à festa acompanhada do marido. Sofia até sorriu amigavelmente para ela, o que me surpreendeu bastante. As duas nunca haviam trocado nenhum tipo de gentilezas em todos os anos de convivência forçada e depois que voltamos para Los Angeles, Sofia não suportava ouvir nem mesmo ouvir o nome da Melissa sem que iniciássemos uma guerra. Mas, acredito que tudo o que vivemos nos últimos tempos, desde o meu pedido de casamento surpresa, até a descoberta do aborto e nossa consequente briga, nós dois amadurecemos bastante como pessoas e também como casal.

Pra mim, já não era uma tortura saber que Sofia trabalhava ao lado de Adam Jones. Acredito que eu nunca fosse fazer dele o meu grande amigo, mas eu convivia em paz com a ideia dos dois juntos todos os dias. E da mesma forma Sofia já não sofria quando se lembrava da existência da Melissa ou de tudo o que vivemos em nosso período em Harvard. Não sabia se havia sido a terapia ou o encontro das duas no shopping. Talvez um pouco dos dois. Mas, o fato era que finalmente podíamos seguir em frente com a certeza de que nosso passado havia sido superado.

― Tá olhando que, Tommy? Pensando em todas as merdas que você fez com a minha prima? ― Lara me perguntou ácida, tomando a taça vazia da minha mão e me oferecendo outra.

Apesar da sua gentileza em não me deixar sem bebida, fui obrigado a revirar os olhos para suas palavras.

― Lara, eu não estou a fim de problemas hoje. Então, guarde sua acidez e seu rancor apenas para você.

Ela riu. Acho que não estava muito sóbria.

― É muito atrevimento daquela cara de foca aparecer aqui depois de tudo o que ela fez. Pouco me importa que ela se casou e pariu. Uma vez vadia, sempre vadia. Você não acha?

Eu dei de ombros e virei a taça de uma vez. Preferia não dar opinião.

― Pois é o que eu acho. Sofia sempre foi muito magnânima. Você se lembra da Mary Jane, né? Sofia insistia em ser boa pessoa com ela e embora tenha quebrado os dentes daquela loira insuportável com uma bolada, ainda tentava manter a boa convivência entre as duas.

― E isso era ruim? ― Eu perguntei confuso, já que manter a boa convivência era algo que todos nós fazíamos, e Lara bufou, pegando duas taças de champanhe do garçom que passava por nós e virando uma logo em seguida.

― É claro que é ruim. Pessoas como a Sofia mantém muita raiva guardada, já que quase nunca extravasam. Quando dão vasão ao ódio acumulado, o estrago geralmente é grande. Da primeira vez, ela quebrou os dentes da Mary Jane. Da segunda, ela terminou com você e se mudou para outro continente... Com um cara. Da terceira vez, vocês romperam um noivado, ela brigou com a Mia e com a tia Bella e foi morar sozinha. Imagina? Sofia nunca brigou com a mãe. Nunca! Eu, por outro lado, que deixo meu ódio sempre às claras, não tenho esses rompantes. Eu extravaso minha raiva diariamente contra qualquer um que me irrite.

Eu ri, porque não tinha outra coisa que eu poderia fazer a respeito das conjecturas de Lara Swan. Até porque, acho que ela tinha razão. Sofia sempre tentava ver o lado bom de tudo e mantinha sua raiva muito bem controlada. Aí, quando toda aquela raiva e mágoa acumuladas transbordavam, as consequências eram sempre desastrosas.

― E você está com raiva agora? ― Eu perguntei divertido, vendo-a fulminar Melissa com o olhar e Lara assentiu.

― Melissa Flammer sempre vai me fazer sentir raiva. Sabe, Sofia e eu sempre fomos melhores amigas. Vê-la sofrendo por causa daquela vadia insuportável e por sua causa, sempre me fez ferver de ódio. Ela pode até ter esquecido ou perdoado, mas eu não. Nunca.

― Melissa é passado, Lara. Esquece. Ela seguiu em frente e Sofia e eu precisamos fazer a mesma coisa. E talvez, agora isso seja realmente possível.

Lara me encarou.

― Faz minha prima sofrer de novo e eu juro que te mato, Tommy. E eu não estou brincando. Minha raiva sempre borbulhante vai dar conta de fazer picadinhos de Antony Denali Cullen caso ele resolva bancar o canalha engraçadinho outra vez.

Eu sorri. A sinceridade da Lara às vezes me irritava, mas essa característica ao menos nos permitia saber quando estávamos prestes a morrer por meio das suas pequenas mãos.

Bebi mais algumas taças de champanhe e já estava bastante tonto quando Sofia se aproximou de mim com um sorriso lindo nos lábios.

― O que você acha de pegar leve, bonitão? ― Ela me perguntou, beijando meu rosto de leve e eu sorri, abraçando-a pela cintura.

― Esse champanhe está tão gostoso que eu simplesmente não consigo parar.

Ela sorriu.

― Está muito bom mesmo. Mas, só que eu contei, você já deve ter bebido umas dez taças dessa. Chega, né? Não estou a fim de te levar arrastado para casa.

― Você vai me levar para casa? ― Eu perguntei animado, sabendo que minha voz estava mole e que eu provavelmente estava sendo ridículo, mas eu simplesmente não podia evitar minha alegria em saber que ela iria embora comigo ao final daquela festa.

― É claro que eu vou te levar para casa. Eu quero sexo e para isso preciso do meu namorado. Por isso que sugeri que pegasse leve, já que é pouco provável que você queira fazer sexo se estiver desmaiado de bêbado.

Eu fiz uma careta.

― Você tem um ponto. Vou parar de beber, pois a ideia do sexo é excelente.

Sofia riu.

― Eu só tenho ideias excelentes, baby. Agora, fique quietinho aí que eu vou procurar um doce pra você. E vou trazer água também.

Eu assenti e fiquei esperando pacientemente ela voltar. Alguns colegas de trabalho vieram me parabenizar pela promoção e eu apenas sorria e agradecia. Não estava a fim de papo.

A verdade era que eu estava com sono, mas não podia, porque Sofia queria sexo e a vontade da minha princesa era uma ordem.

Mas, se eu debruçasse na mesa só um pouquinho será que teria algum problema?

Acho que não...

― Olá, Tommy. Quanto tempo...

Levantei minha cabeça rapidamente ao ouvir a voz de Melissa e quase caí da cadeira ao sentir o mundo girar. Acho que eu estava realmente bêbado.

― Posso falar com você?

― Não. A Sofia vai ficar brava. ― Eu resmunguei, virando meu rosto e a escutei bufar e puxar uma cadeira para se sentar ao meu lado.

― Já me entendi com sua carinha de anjo. Fique tranquilo. Na verdade, eu até prometi que não ia me aproximar de você hoje, mas tem algo que preciso dizer.

― Se prometeu, porque não cumpre, porra? ― Eu resmunguei irritado e ela apenas revirou os olhos.

― Eu vou ser rápida. Fique tranquilo. Até porque, eu também não quero irritar sua namorada.

Eu bufei, mas fiquei em silêncio, torcendo para que ela dissesse de uma vez o que queria e fosse embora, antes que eu Sofia aparecesse e esfregasse minha cara no chão.

― Bem, eu vou ser direta. Quero apenas te pedir desculpas por todas as vezes que dei em cima de você e tentei convencê-lo a deixar sua namorada para curtir a vida de solteiro. Na verdade, tudo o que eu sempre quis era que você gostasse de mim como gostava da Sofia, mas eu sei que isso nunca aconteceu, nem mesmo quando estávamos juntos. Você ama a sua namorada e sempre foi assim e eu não devia ter tentado te convencer do contrário. Tenho consciência de que minha intervenção trouxe uma série de problemas. Não que você seja um santo, mas eu reconheço minha parcela de culpa.

Eu estava bêbado e muito louco por achar que estava ouvindo o que estava ouvindo. Melissa Flammer estava mesmo me pedindo desculpas?

― Tommy?

― Eu estou ficando malucou ou você está mesmo se desculpando por alguma coisa?

Ela riu.

― Você está bêbado, mas não louco. Eu estou mesmo me desculpando. Quero deixar tudo o que aconteceu para trás, pois devo isso a mim e a vocês. Minha única exigência após esse ato de humilhação é que você se entenda de vez com a carinha de anjo e seja feliz. Case-se com ela, tenha filhos com ela e cuide dela como você fazia quando nos conhecemos. É daquele Tommy que ela precisa.

Eu fiquei encarando-a por longos segundos, tentando imaginar quem enfeitiçou Melissa para que ela mudasse tanto.

― Quem é você e o que fez com Melissa Flammer?

Ela revirou os olhos.

― As pessoas podem mudar, Tommy. E o amor pelo meu marido e pelo meu filho me mudaram. Mark me amou da mesma forma que você amou Sofia e quando finalmente eu entendi o que era a reciprocidade em uma relação amorosa, percebi que precisava pedir desculpas a vocês. Não foi certo tudo o que eu fiz. Eu fui uma verdadeira vadia e não tinha o direito de interferir na história de vocês.

― Já passou, Melissa. Apenas siga o seu caminho, pois Tommy e eu vamos seguir o nosso juntos, como deveria ter sido sempre. ― Ouvi a voz de Sofia e virei o rosto rapidamente em sua direção, tentando detectar qualquer traço de ódio em seu rosto, mas aparentemente ela estava tranquila.

― Certo, carinha de anjo. Entendi a dica e vou mesmo manter a minha promessa de não me aproximar mais do seu namorado. Adeus! E espero mesmo que vocês sejam felizes.

E assim, sem mais e nem menos, Melissa se virou e foi embora e em engoli em seco esperando que Sofia começasse a gritar comigo, mas ela apenas respirou fundo e me ofereceu um copo de água.

― Você não vai gritar?

Ela revirou os olhos.

― Não, Tommy. Apenas beba a água para que possamos ir para casa. ― Eu assenti e virei o copo, antes que ela se irritasse comigo.

Fui obrigado a comer um pudim estranho, porque segundo minha namorada eu precisava de glicose. Como realmente não queria testar sua paciência, engoli o pudim sem protestos ou perguntas e lhe ofereci um sorriso amarelo, esperando ansioso pelo momento em que poderíamos ir para casa e esquecer que a noite de hoje aconteceu. Exceto pela minha promoção, é claro. Mas, eu teria a lembrança desse acontecimento na minha próxima folha de pagamento. Então, esquecer todo o resto era uma excelente ideia.

Quando finalmente Sofia resolvei ir para casa, nós nos despedimos apenas dos nossos pais. Tinha muita gente naquela festa e eu não estava sóbrio o suficiente para me despedir de todo mundo.

Quando chegamos ao estacionamento, Sofia arrancou as chaves das minhas mãos, dizendo que eu não estava em condições de dirigir e eu dei de ombros, apenas aceitando sua vontade, pois ainda não era seguro contrariá-la.

Eu acho que dormi durante o caminho, pois não me lembro de nada e, quando dei por mim, já estávamos na garagem do prédio.

Sofia foi gentil e me ajudou a chegar até o elevador. Eu não estava mais tão bêbado, apenas sonolento, mas acho que ela queria garantir que eu não fosse cair com a cara no concreto e estragar o final da nossa noite.

Assim que chegamos ao apartamento, ela chamou pela Nicolly e como não obteve resposta, o que significava que a residente francesa mais louca que eu já conheci havia ido embora, Sofia fechou a porta e pulou em cima de mim. Literalmente.

Eu teria caído, se a porta não estivesse bem atrás de mim para servir de apoio.

― Hoje encerramos definitivamente o assunto “separação em Harvard”. Vamos colocar uma pedra nessa época da nossa vida e nos concentrar em nosso presente e futuro. Não vou mais mencionar Melissa Flammer, assim como você não vai mais surtar todas as vezes que ver Adam Jones próximo a mim, uma vez que nós trabalhamos juntos e não há nada que possamos fazer para mudar este fato. Nós somos adultos e podemos lidar muito bem com as consequências das nossas escolhas, escolhas essas que não precisam transformar nossa vida em um eterno dramalhão mexicano. Nós fomos imaturos e fizemos merda, mas a gente se ama e podemos ser felizes. A gente já foi feliz, aliás. Precisamos apenas nos lembrar como era e tentar fazer de novo.

Eu toquei seu rosto lindo e olhei bem dentro dos seus olhos incrivelmente verdes antes de beijá-la com todo o amor que eu tinha guardado em mim desde os dezesseis anos quando me apaixonei instantaneamente por ela na quadra da escola.

Sofia era e sempre seria a mulher da minha vida e eu me esforçaria todos os dias para fazê-la feliz, porque depois de tudo o que passamos – tiroteios, separação, aborto, brigas, ciúmes e crises – felicidade era o mínimo que merecíamos.

― Você não me disse se concorda com minhas palavras. ― Sofia pediu sem fôlego ao final do beijo e eu sorri, trazendo-a mais para perto e começando a desabotoar o seu vestido.

― É claro que eu concordo, princesa. Tudo o que eu mais quero é esquecer o passado e ser feliz ao seu lado. Melissa já era e Adam é o namorado da sua colega de trabalho. Ponto. Eu não vou mais surtar. Prometo. Eu quero ter um futuro ao seu lado e não vou mais permitir que nossas escolhas erradas nos faça sofrer. Eu te amo e só o que quero é estar com você. Para sempre, se possível.

E é obvio que depois dessas palavras nós fizemos amor. Mas, eu consegui convencê-la a ir para quarto, já que o chão da sala não me parecia muito convidativo. E foi assim que nossas roupas e celulares viraram um monte de bagunça no tapete do quarto.

Nosso amor foi breve, pois estávamos cansados, mas foi intenso e maravilhoso como sempre. E enquanto eu tinha Sofia, nua suada, quente e ofegante em meus braços, me perguntei por um momento como pude algum dia querer curtir a visa sem ela.

Eu havia sido um grande imbecil, mas estava disposto a compensá-la. Eu sabia que a vida real estava longe de ser perfeita, mas juntos enfrentaríamos todos os problemas que viessem.

Escutei o barulho do interfone e fui liberar a entrada do entregador, pois estava realmente com fome. Já estava terminando de colocar a mesa, quando Sofia apareceu vestida com minha camisa e foi se servindo de café sem ao menos me cumprimentar.

― Bom dia, Sofia.

― Estou dormindo ainda. Preciso de café. ― Ela resmungou e eu sorri, beijando o topo da sua cabeça e a servindo de ovos e bacon em seguida.

― Coma tudo. Provavelmente não estão tão bons quanto os meus, mas é o que temos já que você não visita o supermercado há um tempo.

Sofia fez uma careta.

― Eu fui ao supermercado no dia em que comprei o vestido para a festa de ontem, mas naquele dia dormi na casa dos nossos pais e acabei deixando as compras por lá. Depois disso, não tive mais tempo para nada. Além do mais, eu não como em casa.

― E onde você come?

Ela deu de ombros, enquanto reabastecia seu prato.

― No hospital, na rua, na casa da mamãe...

Eu estreitei meus olhos em sua direção.

― Você precisa se alimentar melhor, princesa. Não dá pra ficar comendo na rua ou no hospital. Até porque, a comida de lá não é nada apetitosa.

Sofia riu.

― É ruim só quando tem Jambalaia. Odeio aquele negócio. Mas, no resto do tempo eu me alimento bem. Quando dá.

― Sofia... ― Eu falei em um tom de advertência e ela suspirou, vindo sentar-se em meu colo.

― Eu trabalho na emergência durante a maior parte do tempo e nem sempre conseguimos parar para nos alimentar. Mas, eu como sempre que dá e procuro não comer besteiras. Eu como frutas, verduras e legumes e evito doces e fast food. Então, fique tranquilo, pois não vou morrer de fome.

Eu revirei os olhos, pois sabia que ela não se alimentava tão bem assim, mas deixei passar. Faria o possível a partir de agora para que Sofia se alimentasse bem pelo menos nas refeições que fizesse em casa.

Por falar nisso...

Respirei fundo e tomei coragem para fazer a pergunta que provavelmente definiria os próximos passos na nossa relação.

― Sofia, eu não quero te pressionar, nem nada, mas a gente tá junto outra vez e eu queria saber se...

― Você pode vir morar aqui sim. ― Ela respondeu antes que eu terminasse de perguntar e eu a olhei surpreso.

― Sério?

― Claro que sim. Eu disse que nós teríamos um recomeço e eu quero que a gente tenha uma vida juntos. Então, é óbvio que você pode vir morar aqui, até porque redecoramos esse apartamento com essa finalidade e nada vai me fazer mais feliz do que tê-lo ao meu lado todos os dias. E noites. ― Ela falou, piscando pra mim e eu ri, me inclinando para beijá-la.

― E assim eu também vou poder alimentá-la.

― E por que você acha que eu deixei você vir morar aqui?

Eu ri.

― Ah, é? Então, você está comigo por puro interesse? ― Eu brinquei e ela assentiu, beijando meu rosto com carinho.

― É claro que é por interesse. Estou interessada em nosso amor e em nossa felicidade. ― Sofia declarou e eu sorri, beijando-a.

― E a gente vai ser feliz, princesa. Eu prometo.

E eu me esforçaria ao máximo para cumprir essa promessa, pois não queria fazer a minha princesa sofrer. Nunca mais.

Notas finais
Boa noite muito gelada para todos e todas! Voltei e dessa vez trouxe calmaria. Espero que tenham gostado do capítulo e aviso que, de agora em diante, a história está se encaminhando para o final. Eu escrevi esse bônus porque não conseguia simplesmente me despedir desses personagens e achava que a história dos dois, que se entrelaçou com a dos pais, merecia um desfecho específico. Essa segunda parte da fanfic não teve tanto engajamento quanto a primeira, mas eu agradeço muito a todas e todos que ficaram até agora comigo. Agradeço cada comentário e cada recomendação. Vocês são ótimas leitoras. Espero tê-las comigo nas próximas fanfics. Aliás, já tenho ideia para a próxima e acho que vocês irão gostar. Não deixem de comentar o capítulo. Vejo vocês em breve. Beijos e se cuidem!