Laços de amor

74 Capítulo Bônus 21: A vida de Tommy e Sofia


Laços de Amor

Sofia

Algumas semanas depois...

― Tommy? Cheguei! ― Gritei, ao entrar no apartamento e como não obtive respostas, saí procurando por ele, encontrando-o na cozinha, apenas com a calça do pijama e avental, dançando e desafinando ao som de Coldplay, enquanto cozinhava o que parecia ser um molho para lasanha.

A cena era simplesmente irresistível e me fez sorrir.

Eu me aproximei lentamente e o abracei pelas costas, sentindo-o estremecer de leve, provavelmente devido ao susto por não ter percebido minha aproximação.

― Você dança bem, sabia? Já não posso dizer o mesmo da sua voz.

Ele riu, se virando para me beijar.

― Olha só quem chegou. Pensei que a minha princesa não fosse voltar para casa hoje. ― Ele comentou e eu fiz uma careta, me enroscando em seu corpo como uma gatinha carente.

― A emergência estava uma loucura e no final do expediente tivemos uma reunião de última hora para discutir o plano cirúrgico do vovô pela última vez. A equipe de Boston já está no hospital e queria conversar com a gente.

― A cirurgia é amanhã, né? ― Tommy falou preocupado, abaixando o volume da música e eu assenti, me encostando no balcão para me livrar dos sapatos. Meus pés estavam me matando.

― É sim. Mas, fique tranquilo, amor. O plano cirúrgico é muito bom e eu tenho certeza de que conseguiremos extrair o tumor e todas as margens. A equipe é excelente e o mais legal é que a maioria dos cirurgiões que vão participar foram treinados pelo Carlisle e pela Esme.

― Carlisle e Esme são excelentes professores e já ajudaram a formar uma legião de cirurgiões. Aliás, até hoje eu não entendo porque você voltou para Los Angeles quando tinha a oportunidade de ser residente no hospital em que o vovô é o chefe de cirurgia.

― O hospital em que eu trabalho é uma das maiores referências no trauma, especialidade que eu escolhi e Suzana também é uma boa chefe e mentora. Além disso, eu queria ficar perto da mamãe e da nossa família e já não aguentava mais não viver em Los Angeles. Eu amo esse lugar.

Tommy sorriu e beijou minha testa, se virando para o fogão em seguida e eu tive certeza de que ele faria um comentário engraçadinho.

― E você também não queria ficar longe de mim, não é? Confessa.

Eu ri, enquanto ia até minha pequena adega e pegava um vinho e duas taças.

― Isso também. Na época eu era muito bobinha.

Tommy gargalhou.

― Você me ama, Sofia. Não adianta tentar disfarçar.

Eu sorri e coloquei uma taça de vinho no balcão a sua frente, já que ele montava nossa lasanha parecendo bem concentrado na tarefa.

― Amo sim. Vou até dividir com você o meu vinho londrino, safra de 1912.

― Esses vinhos valem uma fortuna, sabia? Caso a gente precise de dinheiro, sei exatamente onde conseguir.

― Fique bem longe dos meus vinhos, Cullen. ― Eu resmunguei e ele riu, colocando a lasanha no forno e se virando pra mim em seguida.

― De todas as coisas que eu imaginei que você colecionaria na vida, vinhos antigos não eram uma delas.

Eu dei de ombros e me servi de mais vinho.

Comecei a coleciona-los quando fui a um evento em Boston, no meu primeiro ano de faculdade. Neste dia, provei vinhos de várias safras e vinícolas, ficando bêbada pela primeira vez. Tommy cuidou de mim e me ajudou a iniciar minha coleção. Adquiri outros vinhos quando estive em Londres e sempre que sabia de algum evento, ia em busca de novas garrafas.

― Eu gosto de beber bons vinhos, oras. Portanto, minha mini adega é um investimento maravilhoso e você vai se manter bem longe dela, Antony Cullen. Meus vinhos são motivo de separação por justa causa.

Tommy riu e levantou as mãos em sinal de rendimento.

― Ok, ok... Não vou me aproximar dos seus vinhos. Desde que você mantenha suas mãos cheias de dedos bem longe das minhas revistinhas.

Eu ri alto.

― Eu acho essa sua mania de colecionar revistinhas muito fofa, amor. Jamais iria me meter com sua coleção dos vingadores, até porque eu também gosto. Fique tranquilo.

― Colecionar revistinhas não é fofo. É coisa de macho. ― Tommy resmungou e eu ri, me sentando em seu colo.

― É claro que é. Eu te amo. ― Eu o beijei e pude sentir o gosto do vinho em seus lábios.

― Eu também te amo, princesa. E amo os seus vinhos também.

Ficamos ali namorando até que a lasanha ficou pronta. Jantamos em um clima muito leve, enquanto Tommy me contava sobre os casos em que estava trabalhando agora.

Depois, lavamos a louça juntos e fomos para o quarto. Tommy insistiu para entrar no banheiro comigo e eu deixei, pois precisava realmente relaxar.

Amanhã seria um longo dia.

― Eu não vou trabalhar amanhã. Vamos todos ficar na sala de espera enquanto a cirurgia acontece.

― Será uma cirurgia longa, amor. Mas, eu entendo essa necessidade de estar lá. Parece que a gente pode ajudar, não é?

― Sim. Eu não consigo pensar em nenhum outro lugar pra gente estar do que lá, no hospital, dando todo o apoio ao vovô, mesmo que de longe. E eu fico tranquilo por saber que você é a residente do caso.

― Eu não vou operar, Tommy. Vou apenas assistir.

― Mesmo assim. Só de saber que você vai estar lá eu fico mais tranquilo.

― Sua prima querida também vai estar. ― Eu resmunguei, enquanto arrumava a cama para que pudéssemos nos deitar e ele riu.

― Jhessika não é uma prima querida. É apenas uma prima chata.

― Bota chata nisso. ― Eu murmurei e me deitei em seguida, sendo imediatamente abraçada por ele.

― Esquece a Jhessika e durma. Amanhã será um longo dia e você precisa estar descansada. Depois da cirurgia do vovô, minha prima chata vai embora e a gente não precisa falar dela nunca mais.

Eu sorri satisfeita. Não falar mais de um dos seres humanos mais egocêntricos e insuportáveis que eu já tive o desprazer de conhecer era uma excelente ideia.

― Boa noite, amor. ― Eu murmurei, já quase adormecida e ele beijou meu rosto.

― Boa noite, princesa.

**********

― Bom dia! ― Eu cumprimentei a equipe de cirurgia assim que cheguei ao hospital e Suzana me olhou seriamente.

― Bom dia, Dra. Swan. Está atrasada.

Eu fiz uma careta e olhei discretamente para o relógio. Eu estava apenas dois minutos atrasada, mas era óbvio que a Dra. Cooper não deixaria passar. Ela não admitia nada menos do que a perfeição.

― Peço desculpas, Dra. Cooper, mas minha família me segurou na sala de espera mais do que eu gostaria. Eles estão ansiosos e preocupados com o vovô.

― Você respondeu a todas as perguntas?

― Sim, Dra. Cooper. Acho que consegui acalmá-los.

― Ótimo. Agora que já estão todos aqui, eu quero que vocês se preparem para a cirurgia. Temos dois residentes no caso, sendo eles a Dra. Swan e o Dr. Jones. A Dra. Swan, por ser neta do paciente, vai apenas assistir, já o Dr. Jones irá auxiliar no procedimento. Eu quero tudo dentro do tempo cronometrado. Muita atenção e empenho e nada de distrações. Certifiquem-se que os celulares e pagers estejam todos desligados.

― Eu também irei participar como residente, Dra. Cooper. ― Jhessika falou e eu não contive um revirar de olhos.

Adam sorriu para mim, pois ele sabia que eu não suportava aquela garota.

― Assim como a Dra. Swan, você irá apenas assistir, Dra. Cullen, já que é sobrinha do paciente.

Jhessika sorriu satisfeita e eu revirei os olhos mais uma vez. Era uma reação corporal incontrolável quando eu estava perto dela.

Depois das instruções de Suzana e dos médicos responsáveis pelo caso e de alguns comentários desnecessários de Jhessika Cullen, fomos nos vestir e nos lavar para a cirurgia e eu percebi que estava muito nervosa.

― Fica calma, Sofia. Vai dar tudo certo. ― Adam falou, tentando me acalmar e eu sorri pra ele.

― Carlisle é uma pessoa maravilhosa, Adam. Ele acolheu a mim e a minha mãe de uma forma tão especial, que eu me senti como se sempre tivesse feito parte da família Cullen. Ele foi uma das pessoas que mais apoiou minhas escolhas profissionais e meu namoro com o Tommy e eu o amo. Eu sei que a equipe médica que irá operá-lo é excelente, mas eu tenho medo. Como neta dele, eu tenho medo.

― A única coisa que podemos fazer é confiar, Sofia. Como você mesma disse, a equipe médica que irá operá-lo é excelente e nós devemos acreditar que tudo vai dar certo. Depois de hoje, Carlisle Cullen não terá mais um tumor e poderá voltar a praticar medicina e ensinar outros médicos como sempre fez. Além disso, ele vai continuar sendo o avô incrível que te ama e que te apoia em tudo.

Eu sorri para ele.

― Obrigada pelas palavras, Adam. Você tem razão. Vamos confiar.

Seguimos para a sala de cirurgia e o procedimento começou.

Foram dezesseis horas de cirurgia, algumas complicações e incertezas, mas ao final deu tudo certo.

O tumor foi retirado e Carlisle Cullen foi conduzido para o CTI para os procedimentos do pós-operatório.

― Eu estou exausto. Mas, pelo menos sei o que eu não quero seguir. Jamais faria neurocirurgia na vida.

Eu ri e me deitei no banco do vestuário, na tentativa de alongar minhas costas, que queimavam.

― Eu continuo sendo a princesinha do trauma. Não gosto de neurocirurgia também. Mas, temos que confessar que eles foram deuses naquela sala de cirurgia. Aquele tumor era imenso. Mas, ainda bem que deu tudo certo.

― E você não deveria estar lá com a sua família?

― Eu vou. Quero dar as boas notícias a todos. Mas, precisava ir ao banheiro esticar minhas costas. Além disso, a Dra. Cooper ficou de vir me chamar para irmos falar com eles. Acho que ela quer participar desse momento também.

― É justo já que ela reuniu essa equipe incrível e contribuiu muito para o plano cirúrgico.

― Ela é uma excelente chefe de cirurgia, né?

― Por que acha que deixei Boston e vim para Los Angeles? Suzana Cooper é uma das médicas mais brilhantes que eu já conheci. Trabalhar com ela é um grande privilégio.

― Obrigada, Dr. Jones. Você também é um excelente residente. ― Suzana falou, aparecendo de repente no vestuário e Adam e eu demos um pulo, nos ajeitando rapidamente. ― Aliás, vocês dois são residente maravilhosos e foram essenciais para esse caso. Mas, agora precisamos ir, Sofia. Sua família espera por notícias.

Eu dei um sorriso amarelo para Adam e saí andando atrás da Suzana em direção à sala de espera na qual estava minha família.

Todos se levantaram ao mesmo tempo assim que nos viram e eu sorri, tentando tranquiliza-los.

― E aí? Deu tudo certo? Como está o meu pai? ― Edward perguntou e Suzana sorriu para ele.

― Carlisle está estável. A cirurgia foi bem sucedida o tumor foi totalmente retirado. Ele vai passar por alguns exames ainda e depois faremos mais algumas sessões de quimioterapia, mas o pesadelo acabou.

Todos se abraçaram felizes, comemorando o sucesso da cirurgia e Tommy veio até mim, me abraçando apertado.

― Acabou mesmo? ― Ele perguntou e eu assenti, beijando seu rosto com carinho.

― Acabou. Em breve o vovô vai voltar para casa.

― Graças a Deus! ― Ele falou e me beijou em seguida e, por um momento, eu me esqueci que estava na sala de espera do hospital, na frente da minha chefe e de toda nossa família.

Mas, é óbvio que eles não iriam nos esquecer ali.

― Ei, desgrudem aí. Isso não é lugar para essa baixaria. Alguém joga um balde de água fria neles? ― Tio Emmett gritou e Tommy e eu nos separamos, olhando de cara feia para nossa intrometida família.

― Dra. Swan, antes que você se entregue aos prazeres da carne, preciso que venha comigo até a emergência. Tenho um caso pra você.

Foram dezesseis horas de cirurgia e eu estava exausta, mas não podia me recusar. Não quando eu almejava ser chefe da residência e uma cirurgiã do trauma excepcional.

Olhei para minha mãe e ela me deu um sorriso solidário, o qual eu retribuí.

Ela já havia sido residente e sabia que eu estava cansada, mas sabia também que eu não tinha saída quando Suzana Cooper dava uma ordem. Assim, me despedi rapidamente da minha família e segui minha chefe até a emergência que, para variar, estava uma loucura.

Fiquei no hospital até duas da manhã e perdi a reunião de família para comemorar o sucesso da cirurgia do vovô. Mas, em compensação, participei de uma cirurgia rara e estava bastante satisfeita com o dia de trabalho que tive.

Consegui até dar uma olhadinha no vovô, que estava acordado e bem feliz por saber que a cirurgia havia dado certo.

― Agora, Dra. Swan? ― Tommy me perguntou, aparecendo na sala descabelado e de pijama e eu sorri para ele, enquanto me jogava de qualquer jeito sobre o sofá.

― Tem comida?

Tommy suspirou e veio sentar-se ao me lado.

― Eu fiz risoto. Sabia que você chegaria com fome.

Eu sorri e me inclinei para beijar o seu rosto.

― Estou exausta. Você prepara um prato pra mim enquanto eu tomo um banho?

― Vai lá. Eu levo a comida na cama.

― Obrigada. Eu te amo. ― Eu falei, já andando em direção ao meu quarto.

Tomei um banho rápido e após vestir um pijama fui para cama, onde Tommy já me esperava com a comida, a qual eu devorei imediatamente.

― Você trabalha demais, Sofia. ― Tommy falou me observando comer e eu dei de ombros.

― Eu sei, Tommy. Mas, a carreira médica é assim mesmo. Eu participei de uma cirurgia rara hoje e até arrumei tempo para visitar o vovô. Ele está bem, aliás.

― Eu sei. Vovó fez uma chamada de vídeo e nós conversamos por uns minutos com ele. Esperávamos que você se juntasse a nós, mas quando o relógio marcou meia noite, desistimos de esperar.

― Domingo faremos um almoço de comemoração e eu estarei lá. Suzana me deu folga sábado e domingo. Vamos poder até fazer um programa de casal. Então, não se preocupe, por favor.

― Não tem como eu não me preocupar, princesa. Você come mal, dorme pouco, trabalha demais e quase não tem nenhum momento de lazer. É uma profissão muito estranha essa sua.

Eu ri.

― Eu amo o que eu faço, Tommy. Não é fácil, mas eu realmente gosto de ser médica e essa correria toda me faz bem. E sabe o que me faz bem também? Sua comida. Esse risoto estava uma delícia. Obrigada!

Ele riu.

― Quer mais?

― Até quero, mas estou com muito sono. Então, vou escovar os dentes e dormir. Como mais risoto amanhã.

Tommy revirou os olhos e foi levar o prato na cozinha, enquanto eu fui para o banheiro escovar os dentes.

Cai na cama e dormi antes que Tommy voltasse, mas me sentindo feliz e segura por saber que ele estaria ali, ao meu lado, a noite toda.

*********

Vovô saiu do hospital no sábado de manhã e foi recepcionado em casa com muito amor. Mamãe e tia Rosalie organizaram um almoço e toda a família esteve presente para encher Carlisle de mimos. Jhessika e o pai, Cristian Cullen, também estiveram presentes e eu me senti muito feliz quando ao final de tudo eles se despediram, dizendo que voltariam para casa.

Estar longe de Jhessika Cullen era um dos acontecimentos que eu mais almejei nas últimas semanas.

Tommy e eu saímos para jantar àquela noite e depois nos encontramos com Lara e Ethan em uma boate. Eu estava muito feliz por ter um tempo para me divertir depois de tanta tensão nas últimas semanas.

― Um brinde ao vovô e á partida tardia de Jhessika Cullen. ― Lara propôs, levantando seu copo de tequila e eu ri alto, imitando o seu gesto.

― Ela era tão ruim assim? ― Ethan perguntou divertido e eu assenti, bebendo minha tequila sem esperar por ninguém.

― Ela é a pessoa mais chata que eu já conheci na vida. Ainda bem que foi embora.

― Há boatos que após a residência ela virá para Los Angeles. ― Tommy provocou e eu fiz uma careta, pedindo mais uma dose de tequila ao barmen.

― Se isso for verdade, eu me mudo para o lugar que vai me deixar mais longe o possível dela. Ofertas de emprego é o que não me faltam. Eu não trabalho no mesmo lugar de Jhessika Cullen nem por dez minutos. Só aguentei ela por esses dias para não chatear o vovô, mas não faria isso de novo por mais ninguém.

Ethan e Tommy apenas riram, pois sabiam o quanto Jhessika Cullen podia mesmo ser insuportável.

Conversamos, rimos, bebemos e dançamos madrugada a dentro e quando chegamos em casa, Tommy e eu ainda encontramos disposição para transar.

― Eu estou ficando velho. ― Tommy falou, ainda ofegante depois do nosso orgasmo incrível e eu sorri, abrindo os olhos para encará-lo.

― Você ainda tem muita lenha para queimar, amor. Fique tranquilo.

― Eu estou exausto. Há alguns anos ainda teria forças para transar mais uma vez. Mas, agora só penso em tomar banho e dormir.

Eu ri.

― Assim você me ofende. Estou aqui, nua e suada sob o seu corpo e você quer dormir. Desse jeito serei obrigada a ir atrás de um cara mais jovem.

Tommy fez uma careta.

― Você nunca vai precisar de outro cara, Sofia. E saiba que você nua e suada é o alvo dos meus desejos mais selvagens. Você é linda, Sofia e acho que não tem a mais remota ideia do quanto os caras ao teu redor babam em você. Não só caras, né, se formos levar em conta todas as cantadas da Nicolly.

Eu revirei os olhos para o seu exagero.

― A Nicolly é maluca e não devemos levar suas palavras a sério. Além do mais, eu não devo ser tudo isso se meu namorado quer dormir ao invés de transar.

― Vamos para o banheiro e vou te mostrar outra vez o quanto te acho bonita e gostosa, Dra. Swan. ― Tommy falou, me puxando em direção ao banheiro e eu ri, seguindo-o sem reclamar.

No dia seguinte, almoçamos todos na casa da tia Rosalie e eu aproveitei o momento para ter um pouco do colo da minha mãe.

― Essa semana foi tão maluca que eu nem falei com você direito, amor. Como você está? ― Minha mãe perguntou, enquanto saboreávamos a sobremesa no jardim e eu sorri.

― Eu estou bem, mãe. Cansada, mas bem. Tommy e eu conseguimos fazer um programa de casal ontem e hoje de manhã fomos caminhar no píer. Ele tem cuidado bem de mim, o que torna os meus dias bem mais fáceis. Acredita que ele fez sozinho a limpeza do apartamento? Até minhas roupas ele lavou, sem contar que cozinha melhor do que um chef francês. Eu sou uma mulher de sorte.

Minha mãe sorriu.

― Ele me parece bem feliz também e eu, como mãe, estou mais do que satisfeita em vê-los bem. Mas, e o hospital? Às vezes eu sinto que a Dra. Cooper pega um pouco pesado com você.

― Eu amo meu trabalho, mãe. A Suzana pega pesado com todo mundo. É verdade que ela prefere me azucrinar, mas eu não ligo pois sei que estou me tornando uma médica muito boa. Além disso, eu serei a próxima chefe da residência.

Minha mãe riu.

― Você será?

― Claro. Quem além de mim é qualificada para o cargo? Eu sou a princesa do trauma e a melhor residente da minha turma. Tenho um procedimento médico com o meu sobrenome e sou disputada por vários hospitais. Além disso, todos os internos e residentes me respeitam. Mamãe, eu sou a residente chefe perfeita. Admita.

― O pior que você está certa. Você está mesmo sendo cotada para o cargo. Mas, a chefia da residência significa mais trabalho e mais responsabilidades.

― Eu sei, mãe. Mas, estou preparada e quero isso. Falta quase um ano e eu irei me dedicar ao máximo para conseguir a chefia residência.

― Eu só posso torcer para que você consiga, meu amor. Tive poucas vezes o prazer de tê-la como minha residente, mas eu sei que você é brilhante e eu tenho muito orgulho disso. Mas, filha a medicina não pode ser a sua vida. Ela é apenas parte dela. Jamais se esqueça que existe vida fora das paredes do hospital. Suzana me mataria se ouvisse eu te dizer isso, porque ela quer que vocês coloquem a medicina acima de qualquer coisa.

Eu sorri e deitei minha cabeça sobre o ombro da minha mãe, sendo imediatamente envolvida pelos seus braços.

A medicina não era a minha vida, mas era uma parte bem importante dela. Eu havia dedicado muitos anos da minha vida a fim de me tornar uma boa cirurgiã e não poderia desperdiçar nenhuma oportunidade em minha carreira. Mas, o conselho da minha mãe havia chegado em boa hora. Eu realmente tinha uma vida fora do hospital e também precisava vivê-la de uma forma plena e feliz.

Por sorte, eu tinha Tommy ao meu lado. Ele me apoiava e cuidava de mim, me deixando livre para viver os dois lados mais importantes da minha vida: o pessoal e o profissional. E enquanto ele e minha família estivessem comigo tudo ficaria bem.

Notas finais
Carlisle está curado. Viva! E espero que estejam todos bem. Teremos uma surpresinha no próximo capítulo. Então, até lá. Beijos!