Laços de amor
71 Capítulo Bônus 18: A vida de Tommy e Sofia
Laços de amor
Los Angeles
Sofia
Dormir era realmente maravilhoso e eu adorava. Mas, como residente cirúrgica, eram raras as noites em que eu podia dormir na minha cama até de manhã.
Ou eu chegava de madrugada em casa ou era tirada dos sonhos de madrugada para atender alguma emergência. Ultimamente, eu estava dormindo quase todas as noites no hospital. Era mais prático e rápido para atender aos chamados e conseguir cirurgias.
Mas, hoje, por incrível que pareça, eu pude dormir tranquila, na minha cama, até às oito da manhã. Depois de uma noite maravilhosa, era o mínio que eu merecia. Entretanto, é claro que alguém, em algum lugar dessa cidade ensolarada iria ter a brilhante ideia de me ligar de manhã.
Tateei às cegas pela cama até encontrar o maldito aparelho que me tirou dos do mundo dos sonhos e dei uma olhada na tela, onde o nome da minha mãe piscava. Deslizei a trava de segurança, um pouco menos mal-humorada, e falei um “alô” tão abafado, que tenho quase certeza que ela não conseguiu ouvir.
― Alô? Tem alguém aí? ― Minha mãe perguntou depois de uns segundos e eu sorri, me sentindo um pouco mais desperta.
― Eu estou aqui, mãe. Pode falar.
― ...
― Mãe?
― Sofia? ― Minha mãe falou, parecendo surpresa e um tanto divertida e eu me sentei na cama, ganhando a atenção de Tommy, que acabara de despertar ao meu lado.
― É, sou eu. Sofia. Sua filha. Aconteceu alguma coisa? ― Eu perguntei preocupada e a ouvi suspirar.
― Não. Está tudo bem. Na verdade, eu estou ligando pra te perguntar se você sabe do Tommy. Ele não dormiu em casa e seu pai e eu estamos preocupados.
Eu encarei o cara (nu) ao meu lado e mordi meu lábio inferior. Eu poderia simplesmente dizer que ele estava ali, comigo. Nossos pais entenderiam e até ficariam felizes, pois eu sei que eles queriam e torciam para nos ver juntos outra vez.
Mas, eu ainda queria manter o nosso interlúdio em segredo, pois não me sentia pronta para dividir Tommy com toda minha família outra vez.
E por isso, menti.
― Eu não sei onde ele está, mãe. Deve ter dormido no apartamento do Ethan e da Lara. Acho que eles iam sair para beber ontem.
Tommy me encarou divertido, erguendo uma sobrancelha em minha direção e eu corei dos pés à cabeça.
― Ah, você não sabe onde ele está, então?
― Não. ― Minha voz vacilou e eu tenho certeza que minha mãe percebeu. Isabella Swan sempre sabia quando eu estava mentindo.
― É por isso que você atendeu o telefone dele, então? Por não saber onde ele está? ― Ela falou calmamente e eu arregalei os olhos, tirando o aparelho de telefone do ouvido e o encarando como se ele tivesse em chamas.
Tommy, que certamente ouviu o que minha mãe disse, riu da minha reação, ganhando um tapa no braço, enquanto eu aproximava o telefone da orelha outra vez.
Ouvi a risada estridente da Mia também, o que me deixou ainda mais envergonhada com a situação.
― Esse é o telefone dele? ― Perguntei de maneira quase retórica, uma vez que a resposta era óbvia, e minha mãe riu.
― É. E que bom que agora eu sei exatamente onde ele está. Peça ao seu namorado para não se atrasar. Ele tem uma reunião importante hoje. E nós duas nos vemos no hospital. Você vai operar comigo hoje.
Fiz uma careta.
Em outras circunstâncias, eu ficaria muito feliz em saber que iria operar com a minha mãe. Mas, hoje essa cirurgia soou como uma ameaça.
Desliguei o celular e o entreguei a Tommy, que me encarava divertido, mal contendo o riso.
― Deixe sair, Tommy. Pode rir da minha ingenuidade em achar que poderia enganar minha mãe.
Ele riu alto e me puxou para os seus braços, beijando meu rosto.
― Agora ela já sabe que passamos a noite juntos. E, sinceramente, não acho que isso seja um problema. Por que você mentiu?
Eu suspirei teatralmente e o olhei nos olhos.
― Eu ia contar pra ela. Claro. Até porque não dá pra esconder nada de Isabella Swan Cullen por muito tempo. Mas, sei lá... Queria manter isso entre nós por mais um tempo.
Ele beijou minha testa.
― Eu te entendo. Mesmo. Manter entre nós deixa tudo mais íntimo, mais especial e nos afasta de alguns problemas. Mas, eu sei que a Mia ouviu sua conversa com a mamãe e, uma hora dessas, todos estão sabendo que transamos.
Eu fiz uma careta, porque sabia que ele tinha razão.
Mia era uma fofoqueira de primeira e com certeza diria a todos os Cullen que Tommy e eu estávamos juntos outra vez.
Meu celular vibrou e eu olhei desanimada para a tela, constatando, sem nenhuma surpresa, que Lara já havia me enviado umas vinte mensagens.
Bufei.
Maldita seja minha irmã e sua língua grande.
― Eu vou tomar banho. Preciso trabalhar. E você também. Papai falou algo sobre uma reunião.
Tommy suspirou.
― Uma audiência de reconciliação. Bem apropriado, não é?
Eu ri.
― A vida é uma ironia sem fim... ― Eu debochei e beijei seus lábios de leve. ― Agora, vamos. Chuveiro. E depois café da manhã na rua, pois estou morrendo de fome.
― Sim, doutora Swan. Vamos lá...
Foi um banho maravilhoso, preciso acrescentar.
Depois, Tommy e eu tomamos café em uma cafeteria perto do hospital e ele me deixou no trabalho, antes de ir para o escritório, já que meu carro se recusou a funcionar essa manhã.
Não combinamos nada, mas eu sabia que no final do dia ele viria visitar o vovô e aí a gente decidiria qual seria o próximo passo nessa nossa não tão nova relação.
Para garantir que nada sairia errado, marquei uma sessão com minha terapeuta e fui para a ala cirúrgica, onde minha mãe já me esperava.
― Bom dia, Dra. Swan. Dormiu bem? ― Ela perguntou ironicamente e eu corei.
― Bom dia, Dra. Swan. Dormi sim. Muito bem.
Ela estreitou os olhos em minha direção.
― Você sempre foi uma péssima mentirosa, Sofia. E eu te conheço muito bem. Sua voz fica trêmula quando você mente. E é claro que ter atendido o telefone errado te entregou mais depressa, mas eu saberia de um jeito ou de outro. Até porque, vocês são meus filhos e as mães sabem de tudo.
Revirei os olhos.
― Tudo bem, mãe. Me desculpe por ter mentido. Eu só queria manter a noite de ontem entre o Tommy e eu por mais um tempo. Não fiz por mal.
― Eu sei. Está perdoada. Agora, vamos trabalhar. Passe as visitas com os internos e depois me encontre no quarto da Alexia Forbes. Você já estudou os exames que eu pedi?
― Já. Estão todos aqui. ― Eu falei, apontando para minha cabeça e minha mãe riu.
― Certo. Te vejo daqui a pouco, então.
― E o vovô?
― Está ótimo. E ficou muito feliz ao saber que os netos preferidos estão juntos outra vez. Falou algo sobre bisnetos.
Eu bufei.
― Claro que ele ficou feliz. Obrigada por dar a notícia, mãe. ― Eu falei ironicamente e ela piscou para mim.
― Ora, de nada, querida. Te amo!
― Eu também te amo. ― Eu murmurei e fui atrás dos meus internos, os encontrando na companhia indesejada de Adam Jones.
Contive um suspiro.
― Bom dia, Dra. Swan. Que bom que se juntou a nós para as visitas.
Eu apenas assenti, o que pareceu irritá-lo.
― Até quando você vai me evitar, Sofia? ― Ele me perguntou quando os internos estavam a uma distância segura e eu o encarei.
― Eu não estou te evitando. Trabalho com você normalmente. Retornamos ao nosso projeto, estamos juntos no caso do meu avô... Mas, sinceramente, Adam... Eu não sei se quero mais sua amizade. Você não é confiável.
― Claro que eu sou confiável. Eu... Me desculpa, Sofia. Eu não devia ter gritado o seu segredo no meio do hospital para que todos ouvissem. Eu tenho consciência disso e me envergonho do que fiz. Se vale de justificativa, eu só não queria que sua mãe se sentisse magoada com o seu silêncio, pois eu sei que você nunca escondeu nada dela...
― Adam... ― Eu tentei fazê-lo se calar, pois realmente não estava a fim de lidar com essa merda toda hoje, mas quando Adam estava determinado, poucas coisas o faziam desistir. Assim, eu apenas continuei ouvindo.
― Sofia, eu sinto sua falta. Éramos amigos antes de qualquer envolvimento amoroso e depois que terminamos, nossa relação continuou sendo leve e saudável. Já faz tempo que você está me ignorando, e tem toda a razão. Não estou discutindo isso. Mas, você ainda é amiga da minha namorada e isso está destruindo minha vida social. Eu sei que você e o Tommy estão juntos outra vez e se pôde perdoá-lo, depois de tudo, por que não pode me perdoar também?
Era uma boa pergunta: por que eu não podia perdoá-lo também?
Na verdade, não tinha um motivo. Não mais.
Eu havia ficado com muita raiva quando ele gritou no meio do corredor que eu estava escondendo um abordo da minha família. Aquilo era sobre meu corpo, minha decisão e minha vida e Adam não tinha nenhum direito de interferir.
Mas, com o tempo eu percebi que falar sobre aquele triste episódio me fez bem. Foi como tirar um peso morto dos meus ombros e da minha vida.
E eu perdoei o Tommy. Realmente. E estava feliz por isso.
E talvez, perdoar o Adam pela sua enorme estupidez me fizesse ficar ainda mais feliz. Ou não. Mas, eu só saberia se tentasse.
― Tá bom. Você está perdoado. Agora, vamos logo com essas visitas, pois eu tenho uma cirurgia daqui a pouco. ― Eu disse, voltando a andar, pois estava realmente com pressa, mas Adam me agarrou e me deu um abraço apertado, seguido de beijos efusivos na bochecha que, é claro, me fizeram corar.
― Muito obrigada, Swan. Você é a melhor! Prometo nunca mais te decepcionar.
― Que bom! Agora me solta, Adam.
Ele soltou, se desculpando, e eu ajeitei minha roupa, evitando o olhar divertido da alguns funcionários do hospital e seguindo para onde meus internos me esperavam.
Foi uma manhã atribulada, mas eu tinha que confessar que não odiar Adam Jones tornou minha rotina no hospital bem mais leve.
A cirurgia com a minha mãe durou nove horas e quando finalmente acabou, eu estava exausta, mas extremamente satisfeita com o belo trabalho que realizamos juntas.
Eu ainda era a princesinha do trauma, mas flertar com a cirurgia pediátrica ao lado da minha mãe era muito bom.
Tomei um banho rápido e troquei de roupa e antes de finalmente dar o fora do hospital, passei para ver meu avô.
Como o previsto, Tommy estava lá e me recebeu com um lindo sorriso.
― Você parece cansada. ― Ele comentou e eu assenti, me encaixando em seus braços e recebendo um beijo carinhoso na testa.
― Eu estou. Foi um longo dia, mas a boa notícia é que deu tudo certo. E você vovô, como está? ― Eu perguntei ao meu avô e Carlisle sorriu, tirando os óculos de leitura e olhando com ternura para Tommy e eu.
― Eu estou ótimo, querida. Tive poucos enjoos hoje e consegui um jornal subornando uns internos com promessas de cirurgias. Além disso, recebi uma excelente notícia. Fico muito feliz por vê-los juntos outra vez. Agora só falta vocês encomendarem meu bisneto.
Eu corei e revirei os olhos, enquanto Tommy ria. Mas, percebi que ele também estava envergonhado.
― Nada de bisnetos por enquanto, vovô. Eu sou residente ainda, lembra? Não tem espaço para um bebê na minha rotina. Mas, quem sabe daqui uns anos...
Uma certa tristeza toldou os olhos de Carlisle.
― Eu posso não estar aqui daqui uns anos. ― Vovô resmungou e Tommy e eu trocamos um olhar preocupado.
Carlisle era geralmente o mais otimista de todos nós. Tendo sido o mentor de todos os neurocirurgiões que estavam na equipe que iria operá-lo, ele sempre tinha quase cem por cento de certeza de que seria curado. “Conheço bem e confio nos médicos que formei, Sofia. Vai dar tudo certo”. Era o que ele sempre dizia, quase como um mantra. Assim, seu último comentário era realmente preocupante.
― Você vai estar, vovô. Eu tenho certeza. Vai conhecer todos os seus bisnetos, incluindo meus filhos e do Tommy. Agora, procure descansar. Você poderá ler o seu jornal amanhã. ― Eu recomendei, dando um beijo em seu rosto e me despedindo, enquanto esperava que Tommy fizesse o mesmo.
― Ele não me parece muito bem. ― Tommy comentou quando já estávamos no carro e eu suspirei.
― Tommy, o vovô tem câncer. Câncer no cérebro e o tratamento é muito agressivo. Ele tenta se manter otimista na maior parte do tempo, mas nem sempre é fácil, pois ele é neurocirurgião e conhece os riscos do tratamento e da cirurgia.
Tommy respirou fundo e passou as mãos pelos cabelos.
― Quando esse pesadelo vai acabar?
Eu me aproximei e segurei seu rosto, fazendo com que ele me encarasse.
― Tommy, eu sei que é difícil. Nosso avô tem um problema grave e nós estamos com medo de perdê-lo. Mas, precisamos ser fortes, porque Carlisle vai precisar do nosso apoio. A equipe que está trabalhando no caso dele é maravilhosa. Então, vamos ter fé. Por favor.
― O que eu faria sem você? ― Tommy perguntou, encostando sua testa na minha e eu sorri tristemente, beijando seus lábios de leve.
― Esperamos que você nunca tenha que descobrir.
**********
― Então é oficial? Vocês estão juntos de novo? ― Mia me perguntou enquanto lavávamos a louça do jantar e eu sorri.
Tommy estava preocupado com o vovô e sugeriu que fôssemos jantar na casa dos nossos pais, pois não estava a fim de sair. E eu aceitei, pois estava morrendo de saudades dos meus irmãos e do papai.
― Não tem nada oficial, Mia. Estamos nos deixando levar. Sem rótulos.
Mia revirou os olhos.
― Vocês namoram desde a adolescência, Sofia. Como assim estão se deixando levar?
― É diferente agora. A gente se magoou muito, Mia. A faculdade nos mudou, teve aquele término estúpido, Melissa, Adam... Teve o aborto. ― Eu murmurei a última parte e ela me encarou.
― Eu sinto muito por isso. Nem gosto de imaginar o que você passou em Londres sozinha, sem o nosso apoio. E depois, quando descobrimos, todos nós nos comportamos de maneira tão escrota. Eu tenho vontade de me chutar quando me lembro da nossa briga.
Eu sorri e a abracei de lado.
― Já passou, Mia. Foi horrível e acho que sempre vou lamentar a perda do meu bebê. Mas, hoje, já consigo pensar no que aconteceu sem sentir tanta dor. E quanto à reação de vocês... Bem, não é algo que eu gosto de me lembrar, mas também já passou. Era meu corpo e minha decisão, mas vocês são minha família e a família do Tommy, que era o pai do bebê e, portanto, tinham o direito de saber.
― Não vamos mais falar disso. Um dia, você e meu irmão terão filhos e eu serei a madrinha mais dedicada. Mas, por favor, vamos esquecer esse episódio triste. O momento agora é de comemoração. Afinal, você e meu irmão estão juntos outra vez.
― Madrinha, é? ― Eu falei divertida e Mia corou.
― Claro. Eu sempre fui a maior tiete do romance de vocês. Portanto, quando meu primeiro sobrinho ou sobrinha nascer, eu serei a madrinha e isso não está em discussão.
― Desconfio que você e a Lara vão disputar esse posto a tapas. ― Comentei divertida e Mia fez uma careta.
― Lara que não se atreva. Eu sou a madrinha oficial do meu futuro sobrinho ou sobrinha e não abro mão desse posto. Lara pode ser a madrinha dos próximos filhos ou filhas.
Eu apenas ri. Afinal, esse bebê tão desejado e disputado demoraria um tempo para ser concebido. Um longo tempo.
**********
― É muito bom te ter em casa, princesa. Gostaria que você viesse mais vezes. ― Ouvi a voz do meu pai entrando na sala onde eu esperava por Tommy e me virei para encará-lo, sorrindo largamente pra ele.
― Eu estou trabalhando muito, pai. Mas, prometo aparecer sempre que der.
Ele me abraçou de lado e beijou o topo da minha cabeça.
― Você faz falta aqui, Sofia. Acho que preferia a época em que você era uma adolescente que ficava para cima e para baixo com seus livros, jogando xadrez com Mia e trocando beijos e abraços com Tommy, mesmo que a terceira situação me preocupasse um pouco.
Eu ri.
― Era bom estar aqui, participar das confusões dessa louca família que você e a mamãe formaram, ver meus irmãos crescerem, ter sempre o seu colo e o da mamãe disponível... Mas, eu gosto de ter o meu próprio apartamento, embora eu sinta muita falta falta disso aqui. ― Eu falei, apontando para nossas fotos que estavam sobre o aparador e que eu olhava antes de ele chegar e Edward sorriu.
― Nossa família é linda, né? ― Ele falou orgulhoso, segurando uma foto de um dos muitos Natais passados em Boston, na qual estávamos todos reunidos e eu sorri, assentindo.
― É sim. Linda e um pouco complicada.
― Que família não é complicada?
É, ele tinha razão. Acho que todas as famílias do planeta eram complicadas de alguma forma, afinal muitos humanos juntos no intervalo de espaço e tempo nunca dava totalmente certo.
― Quando eu conheci sua mãe e descobri que meu filho era apaixonado pela filha dela, confesso que fiquei um pouco preocupado. Porque eu queria me casar com a sua mãe e sabia que, mais cedo ou mais tarde você e Tommy viveriam juntos sob o mesmo teto, pertenceriam a mesma família, dividiriam os mesmos irmãos... Mas, embora eu me preocupasse com o futuro da relação de vocês, eu torcia para que tudo ficasse bem. Afinal, eu fui o cara que presenciei o meu filho adolescente apaixonado pela menina do time de vôlei que era praticamente idêntica à mulher que eu conheci no Tinder. Eu vi Tommy todo encantado quando você aceitou namorá-lo e, mais tarde, presenciei o sofrimento dele quando precisou ir para Boston e deixá-la Los Angeles. Como você bem sabe, eu não concordei com a ideia de vocês morarem juntos durante a faculdade, pois embora não fosse oficial, a relação de vocês passou de namoro a um quase casamento rápido demais.
― Talvez não devêssemos ter feito isso mesmo... ― Eu murmurei e meu pai sorriu tristemente, afagando meu rosto com carinho.
― Vocês fizeram uma grande bagunça com aquela história de término. Quando você chegou a Los Angeles sozinha e deprimida para o Natal, dizendo que meu filho estava com a nova namorada em New York, eu quis matar aquele moleque. Sua mãe teve que praticamente me acorrentar em casa para que eu não fosse atrás dele para colocar um pouco de juízo naquela cabeça oca.
― Eu nunca quis que você e Tommy se desentendessem por minha causa.
― Eu sei que não, filha. Mas, foi inevitável, porque você era minha filha, minha princesa e merecia um pouco mais de consideração do garoto que se dizia apaixonado por você desde os dezesseis anos. Aquele Tommy, festeiro, mulherengo, grosso e irresponsável não se parecia em nada com o garoto que eu criei e era isso que me irritava mais. E depois de tudo, teve aquele seu namoro com o tal Adam. Imagina o susto que eu levei quando sua mãe e eu chegamos a Londres de surpresa e pegamos ele dormindo com você em seu dormitório.
Eu corei ao me lembrar de um dos episódios mais constrangedores da minha vida.
Fazia pouco tempo que Adam e eu estávamos juntos como um casal e como não tínhamos muito tempo livre para o namoro, pois estudávamos feito loucos, geralmente passávamos a noite juntos. Aquela foi a primeira vez que ele ficou no meu dormitório e quando na manhã do dia seguinte, ao abrir a porta, eu dei de cara com os meus pais e com Mia, eu quis morrer de tanta vergonha.
Minha mãe sabia que Adam e eu estávamos juntos, mas meu pai não e, a cara que ele fez ao perceber que Adam estava apenas de cueca deitado na minha cama, nunca iria sair da minha cabeça. Ele ficou tão vermelho que até hoje eu me pergunto como Edward Cullen não teve um derrame naquela manhã gelada na terra da Rainha.
Meus pais e Mia ficaram uma semana em Londres e eu me lembro que Edward só conseguiu dirigir a palavra a Adam nos últimos dias da viagem e, ainda assim, não foi muito simpático.
― Aquela manhã fatídica nunca vai sair da minha mente.
Edward fez uma careta.
― Nem da minha. Mas, eu tentei levar numa boa, já que você e Tommy, por não estarem mais juntos, inevitavelmente nos apresentariam outros parceiros. Você deve se lembrar que quando Adam esteve aqui com você, depois que retornaram de Londres, eu fui um pouco mais simpático.
Eu ri.
O mais simpático do meu pai queria dizer que ele cumprimentou o Adam e, depois de alguns cutucões da minha mãe, não ficou nos encarando com uma expressão de gangster perigoso. Mas, é, ele realmente tentou aceitar o novo cara da minha vida.
― Acho que você ficou bem feliz quando Tommy e eu reatamos.
Edward expirou.
― Fiquei. Eu ainda me preocupava, pois vocês tinham se relacionado com outras pessoas e eu não sabia até que ponto essa nova realidade poderia afetar a relação de vocês.
― Afetou. Sempre. Eu simplesmente não era capaz de esquecer que Tommy havia ficado com aquela garota odiosa que me infernizou durante muito tempo. Tommy e eu éramos imaturos e acabamos nos ferindo mutuamente, o que nos levou à situação atual.
Meu pai sorriu.
― Eu estou feliz em vê-los juntos. Eu acho mesmo que vocês nasceram um para o outro e merecem ser felizes e viver esse amor. Mas, depois de tudo, eu ainda me preocupo. Acho que agora mais do que antes. Vocês estavam noivos, Sofia e, de repente, terminaram tudo. Você expulsou gentilmente meu filho do seu apartamento, brigou com todo mundo, Tommy entrou de cabeça num período depressivo e eu fico me perguntando se vocês não deveriam esperar um pouco mais de tempo para reatar essa história que é tão linda, mas igualmente complicada.
Eu suspirei e antes que eu pudesse dizer alguma coisa, Tommy entrou na sala, me fazendo vacilar em minhas palavras.
― Tudo bem? ― Ele me perguntou, alternando o olhar preocupado entre Edward e eu e eu apenas sorri, estendendo minha mão para que ele pudesse entrelaçar seus dedos aos meus.
― Eu amo o Tommy, papai e sei que ele também me ama. E depois de tudo que a gente viveu me parece impossível arrancar esse sentimento de nós e eu nem quero isso. Penso que amadurecemos muito depois de todos esses anos e, por isso, vamos saber encarar com mais responsabilidade nossa relação.
Meu pai sorriu para nós.
― Então, só posso desejar toda a felicidade do mundo a vocês. Aliás, foi o que eu sempre desejei quando torci por esse romance desde o início dele.
― Obrigado, pai. Prometo cumprir a promessa que fiz a você e à Sofia quando eu era apenas um garoto de dezesseis anos. Vou fazê-la feliz. Eu prometo.
― Acho bom, rapaz. Não pense que por ser meu filho, eu não vá te dar uns bons tapas se você for um idiota com a minha princesa outra vez.
Tommy riu.
― Pode deixar, velho. Eu vou cuidar dela.
― E eu vou cuidar dele. ― Eu prometi e meu pai sorriu ternamente, beijando meu rosto com carinho.
― Ótimo! Agora, eu vou colocar as minhas crianças na cama, porque se deixar a minha pequena Elena passa a noite toda naquele celular e o Benjamin naquele videogame. Boa noite, meus amores.
Depois que Edward saiu, eu encarei Tommy, que me puxou para os seus braços e beijou meus lábios.
― Tudo bem se a gente dormir aqui hoje?
― Eu preciso ir para casa. Pedi para um mecânico ir dar uma olhada no meu carro amanhã de manhã. Mas, você pode ficar. Sem problemas.
Tommy fez uma careta.
― Não gosto da ideia de ficar longe de você. Mas, tudo bem. A gente se vê amanhã depois do trabalho.
Eu sorri feliz.
― Ok. Está combinado.
― E eu sei que está meio em cima da hora, porque vocês mulheres tem uma coisa com vestidos, sapatos e maquiagem, mas no sábado tem um evento do escritório e eu gostaria que você me acompanhasse. Vou se promovido e gostaria de tê-la ao meu lado. Acho que Lara e Ethan vão gostar de te ver lá também. Sabe, para nos dar apoio moral.
Eu sorri, me aproximando um pouco mais dele e enlaçando seu pescoço.
― É claro que eu aceito te acompanhar. Acho que devo ter um vestido ou outro que possa servir para uma ocasião tão importante.
Ele me beijou e eu, é claro, derreti em seus braços.
― Obrigada por ser maravilhosa.
― Não por isso! ― Gracejei e ele riu, me beijando outa vez.
Depois de me despedir dos meus pais e irmãos, Tommy me levou para casa e não insistiu para subir quando eu disse que precisava descansar e eu percebi satisfeita que ele cumpriria a promessa de não me pressionar.
No dia seguinte, recebi o mecânico e quando meu carro voltou a funcionar, eu fui ao supermercado e atrás de um vestido para o evento de sábado, pois os que eu tinha não me agradaram.
Estava bem distraída olhando as vitrines quando alguém parou ao meu lado e me cumprimentou com um discreto bom dia, que me fez estremecer dos pés a cabeça.
Eu fazia terapia duas vezes por semana e estava bem melhor. Aliás, já fazia algum tempo que eu me sentia em paz com os acontecimentos do meu passado e bem mais confiante e mais segura do meu amor e da minha relação com Tommy. Mas, encontrar Melissa Flammer nunca me faria bem. Nem em mil anos.
Assim, eu tive que respirar fundo algumas vezes antes de encarar o seu sorriso insuportavelmente branco.
― Olá, Sofia Swan. Tudo bem com você?
Eu apertei os lábios e expirei.
Pelas barbas de Merlin, o que aquela odiosa mulher estava fazendo em Los Angeles?
Fale com o autor