Laços de amor
70 Capítulo Bônus 17: A vida de Tommy e Sofia
Laços de amor
Los Angeles
Sofia
Algumas semanas depois...
Bom dia, princesa. Estou com saudades. Aceita ir ao cinema comigo hoje à noite? =)
Eu sorri ao ler a mensagem de Tommy e, mesmo estando um pouco atrasada para as visitas da manhã, tratei de responde-lo rapidamente. Afinal, não se recusava um convite para o cinema do homem que você estava tentando reconquistar e de quem também estava morrendo de saudades
Bom dia, Tommy. É claro que eu aceito. Qual o filme?
A resposta não demorou a chegar.
Alguns clássicos e campeões de bilheteria voltaram para o cinema e esse eu sei que você vai amar. Mas, é uma surpresa. Esteja pronta às sete. Beijos!
Eu sorri animada. Na verdade, pouco me importava o filme que iríamos assistir. Um encontro com Tommy seria perfeito mesmo que ficássemos em casa, de pijama, conversando sobre a revolução russa.
Aliás, dadas as circunstâncias atuais, acho até que ficar em casa (sem pijama) seria uma ideia bem mais aproveitável do que ir ao cinema.
Eu corei com o pensamento, me sentindo uma completa depravada por estar parada no meio do corredor do hospital, às sete da manhã, pensando em transar loucamente com o meu ex-namorado, que havia decidido (e estava certo sobre isso, infelizmente) que o melhor era darmos um passo de cada vez, já que sexo não resolveria nossos problemas, podendo até complicar nossa já delicada situação.
Suspirei.
O problema era que eu estava sem sexo há tempo demais e isso poderia ser um grande problema para os planos do Tommy, já que, mesmo sem querer, minha mente maquinava diversas formas de burlar suas nobres intenções e seduzi-lo de um jeito que ele não pudesse recusar.
Respirei fundo e olhei desanimada para o Tablet em minhas mãos. Eu estava no hospital desde às três horas da manhã e ainda tinha uma infinidade de coisas para fazer até que pudesse ir ao cinema e, quem sabe, conseguir um pouquinho mais do que beijos e abraços.
Sorri com o pensamento.
Mas, meu sorriso morreu nos lábios no momento em que cheguei ao quarto do Carlisle e encontrei o objeto do meu desejo, lindo, vestido em seu terno Armani (um presente meu em nosso último aniversário de namoro), conversando animadamente com nosso avô.
Estaquei na porta do quarto feito uma estátua de mármore, enquanto corava dos pés à cabeça sob o olhar atento de Antony Cullen. Era óbvio que ele não tinha como saber sobre o que eu estava pensando há alguns minutos atrás (Graças aos céus!), mas isso não significava que eu não fosse me sentir envergonhada com as imagens totalmente eróticas e inapropriadas para o horário que passaram pela minha mente ao nos imaginar transando outra vez.
Já fazia algum tempo que Tommy e eu não nos víamos. Meus dias estavam atribulados, pois além de toda a rotina exaustiva do hospital, eu tinha que encontrar tempo em minha agenda para participar de reuniões sobre a neurocirurgia de Carlisle Cullen, estudar seus exames e procurar por artigos que tratassem de uma abordagem médica semelhante. Assim, tive que declinar todos os convites para encontros que recebi nas últimas semanas. Hoje seria o primeiro dia em que sairia no horário e estava mais animada do que gostaria de admitir.
― Bom dia, senhores! ― Eu falei depois de alguns segundos, saindo do meu estado pensativo e envergonhado, e meu avô me presenteou com um grande sorriso.
Era muito bom vê-lo alerta.
― Bom dia, Dra. Swan. Como vai? ― Carlisle me perguntou com a voz fraca e eu sorri, me aproximando para checar seus sinais vitais que pulsavam nos aparelhos ao seu redor, enquanto tentava ignorar o olhar de Tommy sobre mim.
― Muito bem, vovô. Estou no hospital trabalhando na emergência desde as três da manhã e já participei de uma cirurgia, o que significa que estou de pé há mais de quatro horas e meu dia de trabalho nem sequer começou. Mas, eu estou aqui para saber do senhor. Como está se sentindo hoje?
― Bem. Tirando a dor de cabeça constante, eu me sinto quase humano outra vez. ― Eu sorri para o seu comentário.
― E os enjoos?
― Aquela radiação toda é uma droga. Mas, por incrível que pareça, hoje eu não vomitei nenhuma vez ainda. Entretanto, temo não ter a mesma sorte nos próximos dias, pois tenho ciência de que conforme o tratamento com radiação for avançando, meu estado vai ficar mais delicado, principalmente no que diz respeito ao meu estômago.
― O senhor já está sendo medicado e creio que isso vai ajudá-lo nos sintomas após cada seção. Agora, preciso fazer um exame físico. Tudo bem?
― Claro, querida. Adoro vê-la em ação. ― Carlisle declarou animado e eu sorri, enquanto me aproximava mais a fim de aferir sua pressão e auscultar seu pulmão e coração.
― Ele está bem mesmo? ― Tommy perguntou ansioso após alguns minutos e eu assenti, enquanto verificava os exames que haviam sido coletados durante a noite.
― Ele está ótimo. A equipe que vai operá-lo virá vê-lo essa manhã e faremos outra tomografia mais tarde. Mas, por enquanto, está tudo bem.
― Que bom! Acho que agora eu consigo trabalhar em paz. ― Tommy disse aliviado e vovô contraiu os lábios, encarando-o seriamente.
― Não se preocupe comigo, meu neto. Eu sou mais forte do que aparento e vou sair dessa. Concentre-se no seu trabalho e na sua carreira. Concentre-se também em reconquistar minha neta, pois eu não posso morrer sem conhecer meus bisnetos. ― Carlisle falou, alternando o olhar entre Tommy e eu e, para variar, todo o sangue do meu corpo veio parar em meu rosto.
― Vovô, por favor... ― Eu pedi sem graça, trocando um olhar envergonhado com Tommy e Carlisle riu.
― Fiquei sabendo que vocês estão saindo outra vez e eu, mais do que ninguém, torço para que reatem, pois está na cara que ainda se amam. Então, por favor, parem de enrolar e se permitam. A vida é curta demais para que a gente perca tempo.
― Prometemos que vamos pensar nas suas palavras, vovô. Aliás, eu convidei Sofia para o cinema hoje.
― E ela aceitou? ― Vovô perguntou animado, enquanto me encarava e eu assenti. ― Ótimo! Vou querer saber tudo amanhã.
Eu ri.
― É muito feio se aproveitar da sua condição para fofocar, Carlisle Cullen.
― Ora, eu sou apenas um pobre homem doente. A obrigação de vocês como netos é me entreter e me deixar feliz. E nada melhor que um romance para isso.
Eu revirei os olhos e olhei para Tommy, que sorria para nosso avô.
Era visível em sua expressão o alívio por vê-lo bem, apesar do tumor e do tratamento agressivo ao qual ele foi submetido.
― Eu tenho que ir agora. Procure descansar, vovô. ― Eu recomendei e meu avô assentiu.
― Essa é minha deixa também, pois preciso ir para o escritório. ― Tommy falou, despedindo-se de Carlisle em seguida e me seguindo até o corredor. ― Ele parece bem.
― Ele está bem, Tommy. Fique tranquilo. O tratamento é agressivo, mas o organismo dele está reagindo positivamente.
― Que bom! Isso me deixa mais tranquilo para o nosso programa de hoje à noite. ― Ele falou, me segurando pela cintura e eu sorri, me aproximando e beijando seus lábios de leve.
― Eu gosto muito de filmes. Aliás, você me pediu em namoro depois que fomos ao cinema. Nos beijamos de verdade aquele dia. E eu me lembro como se fosse hoje da avalanche de emoções que eu senti e de como fiquei feliz quando aceitei namorá-lo. ― Tommy sorriu e encostou sua testa na minha.
― Podemos nos beijar de verdade hoje também.
― Me parece promissor. ― Eu declarei divertida e me inclinei para beijá-lo, adorando tê-lo próximo a mim. Mas, nosso interlúdio matinal foi breve e antes que eu pudesse aproveitá-lo um pouco mais e, quem sabe convencer Tommy a me acompanhar até a sala de descanso dos médicos, me vi obrigada a seguir para a emergência, enquanto ele saia apressado para uma audiência importante.
O que me consolava era saber que eu o veria em breve e, dessa vez, ele teria mais trabalho para fugir das minhas intenções nada inocentes.
**********
Por volta das dez da manhã, retornei para o quarto de Carlisle e fiz uma careta ao encontrar Jhessika Cullen por lá, acompanhada do seu pai e da minha avó.
― Sofia, que bom te ver, querida. ― Esme falou e eu sorri, aceitando de bom grado o seu abraço e ignorando solenemente a prima chata do meu pai, que me olhava de um jeito nada amigável.
Eu não a conhecia bem, mas já não gostava dela. Nem um pouco.
E minha antipatia não tinha nada a ver com o fato de ela ter sido o primeiro beijo de Tommy. Claro que não, pois eu nunca havia feito o estilo ciumenta irracional. Eu não gostava dela porque Jessika era realmente chata. Só por isso.
― É bom te ver também, vovó. E como está o meu paciente preferido?
― Estaria melhor se eu não fosse espetado e cutucado a cada cinco minutos. ― Carlisle reclamou e nós rimos do seu drama.
Médicos eram, definitivamente, péssimos pacientes.
― É para seu bem, vovô. Aliás, eu vim buscá-lo para mais uma tomografia. Está pronto?
― Pode deixar que eu o levo. ― Jhessika se intrometeu antes que Carlisle pudesse responder e eu a encarei confusa.
― Você não trabalha aqui.
― A Dra. Cooper me concedeu alguns privilégios. Afinal, não é todo o dia que uma equipe médica pode contar com uma residente cirúrgica do Hopkins, não é? ― Eu revirei os olhos e encarei minha avó, que sorria divertida para a cena.
Se Jhessika Cullen soubesse que eu havia recebido um convite para a residência no Hopkins e que, após declinar gentilmente, eles afirmaram que me esperariam para ser atendente no futuro, acho que provavelmente ela teria uma síncope.
― Não vou recusar ajuda quando ela é oferecida de bom grado. Afinal, hoje o dia está bem cheio. Mas, vou pedir que um interno te acompanhe para que você não se perca. ― Eu falei gentilmente e Jhessika sorriu triunfante, enquanto ajeitava meu avô na maca.
Deixei que ela cuidasse do exame, mas fiz questão de monitorá-la o tempo todo, fato que pareceu irritá-la.
― Eu sei bem como funciona um tomógrafo.
― Eu sei que você sabe, mas é minha obrigação como monitora acompanhar os residentes convidados. Além disso, Carlisle é meu paciente e meu avô e eu quero ver com os meus próprios olhos a evolução do tratamento. ― Eu declarei e ela bufou, mas não teve outra opção ao não ser aceitar minha presença.
Após o exame, a equipe médica do caso do meu avô se reuniu e decidiu que a cirurgia aconteceria em um intervalo de trinta dias.
― É um período curto para a regressão das bordas do tumor. Mas, esperar significa também que o tumor pode aumentar. Então, acredito que essa seja a melhor decisão. ― Minha mãe sentenciou após eu lhe contar a decisão da equipe e eu assenti, embora não pudesse deixar de sentir medo sobre os riscos daquela cirurgia.
Carlisle era uma das pessoas mais maravilhosas que eu havia conhecido na vida e quando minha mãe e Edward se casaram, ele realmente me acolheu como uma neta, nunca fazendo diferença entre mim e seus netos biológicos. Aliás, todos da família Cullen sempre foram maravilhosos comigo e tudo o que eu podia desejar nesse momento difícil era que meu avô se curasse e que aquele pesadelo todo de tumor cerebral acabasse da forma feliz que todos nós merecíamos.
**********
O dia foi intenso, mas, graças aos céus, eu consegui sair no horário e, às sete em ponto esperava ansiosa por Tommy em frente ao meu prédio.
Ele, pontual como sempre, apareceu lindo vestido em uma bermuda bege e camisa branca de botões, me fazendo conter um suspiro de puro deleite, enquanto encarava seus cabelos eternamente bagunçados e retribuía o seu sorriso lindo.
― Boa noite, princesa. Tudo bem se caminharmos um pouco?
― Claro. É bom andar ao ar livre, para variar. Ultimamente, só caminho pelos corredores do hospital.
E assim, de mãos dadas, seguimos até um dos cinemas de Santa Monica pelo calçadão repleto de pessoas, enquanto conversávamos banalidades e ouvíamos o barulho do mar se arrebentando em ondas na areia da praia.
Chegamos logo ao cinema rapidamente e eu dei pulinhos de alegria quando descobri que assistiríamos ao primeiro filme de Harry Potter e, é claro que minha empolgação quase infantil causou risos no meu acompanhante.
― Eu sabia que você iria gostar, mesmo já tendo assistido esse filme umas duzentas vezes.
Estreitei meus olhos em sua direção.
― Um verdadeiro Potterhead nunca se cansa de assistir os filmes e ler os livros. Pensei que soubesse disso. ― Eu declarei, enquanto pagava por nossas pipocas e Tommy revirou os olhos.
― É claro que eu sei e, por isso, te trouxe ao cinema hoje. Sabia que você ficaria feliz.
Sorri largamente para ele.
― Obrigada por me deixar feliz. ― Eu murmurei, beijando seus lábios de leve e ganhei um lindo sorriso em troca.
Por trata-se de Harry Potter é óbvio que não houveram beijos e amassos na sala de cinema. Eu não conseguia desgrudar os olhos da tela e Tommy sabia que seria assim. Óbvio... Ele me conhecia bem.
Mas, minha atenção total ao filme e aos meus personagens favoritos não me impediu de entrelaçar nossos dedos, deitar meu rosto em seu peito, enquanto era abraçada ternamente e trocar alguns sorrisos ternos durante a sessão.
Estar novamente com Tommy assim, sem brigas ou cobranças, era muito bom e, de repente, eu me vi assaltada pelas mesmas sensações e sentimentos que havia experimentado aos quinze anos, quando iniciamos nosso namoro.
― No que você está pensando? ― Tommy me perguntou enquanto voltávamos para meu apartamento em silêncio, caminhando descalços pela orla da praia e eu sorri, olhando de relance para os seus lindos olhos claros.
― Estava me lembrando do início do nosso namoro e de como éramos tão apaixonados naquela época.
― Ainda somos apaixonados, Sofia. ― Ele falou depois de alguns minutos e eu suspirei, sorrindo tristemente.
― Eu sei. Mas, em algum momento da nossa história machucamos um ao outro e, às vezes, eu me pergunto se conseguiremos sarar essas feridas de modo que elas não doam nunca mais.
Tommy respirou fundo e entrelaçou sua mão livre a minha, me fazendo encará-lo.
― Eu me pergunto isso também. Todos os dias... Sabe, quando você me mandou embora da sua vida pela segunda vez, eu cogitei a possibilidade de nunca mais me aproximar de você, porque percebi que há muito tempo eu não conseguia fazê-la feliz. A gente sempre brigava e em todas as nossas discussões, sem exceção, tirávamos do armário os nossos ex-namorados e esse fato era a prova de que talvez você e eu estivéssemos feridos demais para continuarmos juntos. Assim, eu pensei em deixa-la livre. Você poderia encontrar outro cara ou seguir sua vida sozinha. A decisão seria sua...
― O que o fez mudar de ideia? ― Eu perguntei baixinho e ele sorriu, se aproximando e beijando minha testa com carinho.
― Eu te amo, Sofia, e acho que nunca vou deixar de amá-la. Eu poderia deixá-la livre, como sugere os poetas, e esperar que você voltasse pra mim um dia, mas nas semanas seguintes ao nosso afastamento, eu percebi que não queria ficar sem você. Eu não queria a minha Sofia sozinha ou envolvida com outros caras, pois eu a amava desde os dezesseis anos... Você, Sofia Swan Cullen, foi meu primeiro amor, a minha primeira transa, a única menina com quem eu morei, a única que carregou meu filho no ventre, a única que ama pizza, Harry Potter e Baseball de um jeito louco... Você é o meu amor, Sofia e não há a menor possibilidade de eu ser feliz sem tê-la na minha vida... Eu passei tempo demais me lamentando pelo nosso término, mas quando percebi que não suportaria que você me olhasse com a mesma decepção que me encarou no dia em que me contou sobre a morte do nosso bebê e eu agi como o completo babaca ciumento que era, soube que deveria lutar por nós. Nosso relacionamento vai sempre valer a pena.
― Você já me perdoou? ― Eu perguntei em um fio de voz e Tommy balançou a cabeça.
― Eu não tenho nada para perdoar, Sofia. Era o seu corpo e você tinha o direito de se preservar da dor daquela perda da forma que julgasse melhor. E tenho certeza de que você teria me permitido estar com você naquele momento difícil se eu não tivesse sido um completo idiota.
Tommy tinha razão.
Mantê-lo afastado quando sofri o aborto foi uma decisão difícil, mas necessária, pois eu simplesmente não suportaria passar por aquele pesadelo e ainda ter que suportar o homem que eu amava ao lado da odiosa Melissa Flammer.
― Qual é o seu maior arrependimento com relação à nossa história? ― Eu perguntei depois de alguns minutos de silêncio, realmente curiosa pela sua resposta e Tommy suspirou, encarando o mar para fugir do meu olhar.
― Meu maior arrependimento é não ter cumprido a promessa que te fiz quando iniciamos nosso namoro.
Promessa? Que promessa?
Percebendo meu olhar confuso em seu rosto, Tommy sorriu tristemente e me encarou, enquanto ajeitava uma mecha do meu cabelo atrás da orelha.
― Eu disse a você que eu era um cara legal e que iria me esforçar para fazê-la feliz, já que não queria machucá-la propositalmente. E eu não fui um cara legal. Fui influenciável e panaca em mil níveis diferentes e te machuquei. Propositalmente.
Senti as lágrimas inundarem os meus olhos ao me lembrar de todo o que passamos em Boston e Tommy estalou os lábios, se aproximando para me abraçar.
― Eu amadureci, Sofia. Ou pelo menos estou em vias de... Dessa vez, vou levar minha promessa a sério e nunca mais vou fazê-la sofrer. Se você me der outra chance, é claro.
― Tudo o que eu mais quero é te dar outra chance, Tommy. Eu te mandei embora da minha vida pois realmente precisava de um tempo sozinha. Eu nunca estive realmente solteira desde os meus quinze anos e queria esse tempo para mim. Mas, eu ainda te amo e sei que nenhum outro homem vai me fazer feliz como você me faz. Eu sou sua. Sempre fui e isso não vai mudar. ― Eu declarei e ele sorriu timidamente, enquanto se aproximava mais do meu corpo e tocava meus lábios com os seus, delicadamente e apaixonadamente, num beijo tão doce que tocou minha alma.
Depois disso, seguimos em silêncio pela praia, apenas curtindo a presença um do outro e a brisa suave que vinha do mar. Nossos dedos entrelaçados eram como uma promessa de que tudo ia ficar realmente bem.
Quando chegamos em frente ao meu prédio, fiquei tentada a convidar Tommy para subir. Eu não queria que essa noite terminasse ainda, mas deixei a decisão em suas mãos e quando dei por mim, entrávamos juntos no elevador e eu sorri em expectativa, fazendo com que ele me encarasse curioso através das portas espelhadas.
― Por que você está sorrindo tanto, senhorita Swan?
― Por nada. Eu estou feliz. Apenas isso.
Ele sorriu em resposta, mas não comentou nada.
Ao entrar no meu apartamento, percebi que Tommy olhou atentamente ao redor, provavelmente se lembrando da última vez em que estivera ali. Fui para a cozinha em busca de taças e uma garrafa de vinho e, ao abrir minha geladeira completamente vazia, ao não ser por um iogurte natural e um queijo velho, me dei conta de que estava com fome, já que minha última refeição havia sido um almoço bem precário no hospital. Mas, como minha dispensa estava tão ruim ou pior que minha geladeira, a única solução seria pedir comida.
― Você não mudou nada por aqui. ― Tommy comentou quando voltei para a sala e eu sorri, entregando uma taça vazia a ele.
― Não mudei, pois gosto da forma como está. Além disso, todo o trabalho da residência não me deixa muito tempo para pensar em decoração. Quer vinho? ― Eu perguntei e ele assentiu, me encarando divertido enquanto eu enchia as duas taças.
― Me embebedar faz parte de algum plano sexual?
Eu corei e ele gargalhou.
― Não, Tommy. Estou apenas sendo uma boa anfitriã.
― Sei. E você não vai me oferecer comida?
― Não tenho comida em casa. Mas, podemos pedir algo.
― Você não tem comida em casa? ― Tommy me perguntou seriamente e, mais uma vez, eu corei, me sentindo uma garotinha levada diante do seu olhar.
― Não tive tempo de ir ao supermercado.
― E o que você come?
Fiz uma careta.
― Eu como no hospital. A comida não tem um gosto muito bom, mas pelo menos me mantém bem nutrida e saudável.
― A mamãe sabe que você não tem comida em casa?
― Sabe e já me ameaçou dizendo que me levaria de volta para a casa dela para que eu pudesse ser devidamente alimentada. Mas, não se preocupe com isso. Eu estou bem. Eu como no hospital e quando estou em casa, o que é bem raro, peço comida. Além disso, não é como se eu fosse realmente cozinhar caso minha dispensa estivesse cheia. Você sabe que eu e a culinária não somos amigas.
― É... Eu sei. Bem, então vamos pedir algo, pois estou realmente com fome.
Pedimos pizza, é claro, e nos sentamos na sala para esperá-la, enquanto conversávamos sobre a doença do vovô.
Tommy estava preocupado com o tratamento e a cirurgia e eu tentei acalmá-lo, dizendo que a equipe estava preparada para tudo o que viria a seguir.
Devoramos a pizza no momento em que ela foi entregue e depois que nossa fome por comida foi saciada, eu me dei conta de que estava sozinha com meu ex-namorado, esparramados no tapete felpudo da sala, e tudo o que eu desejava era arrancar suas roupas e me perder em seu corpo como se não houvesse amanhã.
Mas, é claro que Tommy estava pronto para frustrar os meus planos.
― Bem, agora que sei que você não vai mais desmaiar de fome, vou para casa. Amanhã tenho uma reunião muito importante e preciso estar descansado.
― Dorme aqui. ― Eu sugeri corajosamente e Tommy me olhou divertido.
― Você disse que não tinha nenhum plano sexual em mente. ― Eu corei.
― Eu disse que o vinho não fazia parte de um plano sexual, mas isso não significa que eu já não tivesse um plano. Aliás, ultimamente minha mente vive para planejar atividades sexuais com você. ― Eu declarei e vi com satisfação Tommy corar após minhas palavras.
― Eu não sei se devemos, Sofia. Sexo não resolve nada. ― Eu revirei os olhos e respirei fundo algumas vezes, tentando manter a calma.
― Tommy, até quando você pretende nos manter em abstinência? Por que eu estou prestes a procurar um voluntário que queira fazer comigo o que você se recusa terminantemente a fazer. Aposto que eu encontraria alguém disposto agora mesmo se anunciasse... ― Mas, antes que eu pudesse concluir minha fala, Tommy me agarrou e me beijou com força, quase me fazendo berrar de alegria.
Eu me agarrei a ele como se minha vida dependesse disso e, após me sentar em seu colo, arranquei sua camisa de qualquer jeito, descendo meus lábios por seu rosto, pescoço e torso.
― Você tem certeza disso? ― Tommy me perguntou ofegante, enquanto tentava desabotoar meu vestido e eu assenti, encarando-o seriamente.
― É claro que eu tenho. Eu quero transar com você. Agora. E eu juro que se você desistir, vou atrás de alguém que queira transar comigo. ― Eu ameacei e, nesse momento, Tommy puxou meu vestido pela cabeça, me deixando apenas de lingerie.
― Não vai ser preciso ir atrás de ninguém, Sofia. Eu quero transar com você e dou conta do recado. ― Ele falou decidido e eu sorri, beijando-o outra vez.
Depois de algum tempo, Tommy se afastou de mim para terminar de tirar as próprias roupas, enquanto olhava para o meu corpo com indisfarçável desejo e eu não resisti ao ímpeto de provocá-lo.
― Vai ficar só olhando?
Ele sorriu e quando ficou nu – Deus o abençoe! – se inclinou sobre meu corpo, me prendendo completamente sob ele.
― Não. Eu vou tocar, beijar e te levar a loucura, como é o seu desejo, senhorita Swan.
― Ótimo! Estou ansiosa. ― Eu declarei, puxando-o para um beijo e depois disso não houve mais espaço para conversas, pois nossos corpos e nosso desejo tinham pressa.
Há muito tempo atrás, quando decidi ter a minha primeira vez com Tommy, eu me lembro de me sentir muito tímida diante da ideia de ficar nua na frente dele. Embora eu desejasse profundamente me entregar a ele, a perspectiva de tamanha intimidade me assustava bastante.
Mas, hoje, depois de anos de relacionamento, idas e vindas, eu não tinha mais essa vergonha. Gostava de ser admirada e desejada por ele e a intimidade que desenvolvemos fazia com que eu me sentisse segura e confortável em seus braços.
― Você é muito linda, Sofia. Absolutamente perfeita. ― Tommy falou em um dado momento, enquanto me livrada da minha última peça de roupa e eu me senti corar diante do seu olhar intenso, não de vergonha, é claro, mas de pura satisfação e desejo.
E quando ele me penetrou, depois de tanto tempo, eu me senti ser transportada para um mundo onde só existia nós dois, nossos corpos suados e nossos gemidos de prazer.
Meu corpo era dele e não havia como negar esse fato diante de tanta sintonia e prazer. Sempre havia sido perfeito, principalmente nas voltas das tantas idas que tivemos. E eu desconfiava de que esse era um dos principais motivos para que não ficássemos afastados por muito tempo.
― Eu senti saudades... ― Confessei, deitada sobre o peito de Tommy, esperando nossas respirações voltarem ao normal e ele beijou o topo da minha cabeça.
― Eu também, princesa. Estar com você é sempre maravilhoso. ― Eu sorri fracamente, me sentindo sonolenta, mas entes que eu pegasse no sono, uma ideia incômoda surgiu e eu me vi fazendo uma pergunta estúpida antes que pudesse morder minha língua grande.
― Era bom com as outras garotas também? ― Eu perguntei, ao mesmo tempo que me amaldiçoava mentalmente.
Claro, porque eu só podia ter um problema para perguntar sobre outras garotas depois de finalmente ter voltado a transar com Tommy.
― Era. Mas, com você é melhor. Sempre foi. ― Ele respondeu depois de longos minutos e eu respirei fundo antes de encará-lo.
― Eu não devia ter te perguntado isso. Me desculpe...
― Talvez falar do passado nos ajude a superá-lo. Eu fiquei com outras meninas. Não tantas, como eu sei que você imagina... ― Fiz uma careta. ― Mas, eu realmente fui para a cama com algumas garotas. Nada extraordinário, é claro. Mas, aconteceu... Da mesma forma que Adam Jones e Matt Scott aconteceram na sua via e... Na sua cama.
Eu ri.
― Nunca fui para a cama com o Matt.
Tommy ergueu as sobrancelhas.
― Não? Pois, não era o que ele dizia por todo o campus. ― Eu revirei os olhos.
― Tommy, até parece que você não sabe como um cara rejeitado age. Eu não quis transar com ele e Matt achou que seria muito humilhante admitir que não tinha conseguido me levar para a cama.
― Mas, você transou com o Adam.
― Transei. Eu ainda estava muito triste quando fomos para Londres e Adam era o cara legal que estava ao meu lado o tempo todo, me apoiando e me fazendo sorrir. Nosso envolvimento foi algo absolutamente natural. E foi natural também que a gente transasse.
― E era bom? ― Tommy perguntou visivelmente incomodado e eu sorri, me inclinando sobre seu corpo para beijá-lo.
Eu sabia que ainda era muito difícil tratar do passado, mas o fato de estarmos falando sobre nossas antigas relações sem brigas, lágrimas e acusações era um bom sinal.
― Era. Mas, com você é melhor. ― Eu respondi sinceramente e Tommy fez uma careta, tentando disfarçá-la com um sorriso.
― Que bom que eu sou melhor. Meu ego e minha masculinidade um tanto frágil agradecem. Mas, o que você acha de um banho agora?
Eu sorri animada.
― Juntos?
― Juntos sim. Aliás, sempre juntos a partir de agora.
Eu suspirei satisfeita.
― Soa perfeito pra mim.
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