Laços de amor
69 Capítulo Bônus 16: a vida de Tommy e Sofia
Laços de amor
Los Angeles
Tommy
Olhei para o grande relógio que ficava na sala de espera do hospital e constatei, sem grande surpresa, que o tempo realmente não passava quando estávamos angustiados e preocupados.
Já fazia horas que tínhamos vindo do bar para o hospital e a única notícia que recebemos até o momento era a de que meu avô estava vivo, o que era bom, claro. Mas, ele estava muito doente e o caso, segundo os médicos, era delicado.
Agora, depois que ele passou mal na casa dos meus pais, sabíamos que Carlisle Cullen tinha um imenso tumor cerebral e que viera para Los Angeles a fim de ser consultado por uma junta médica que acreditava ser possível operá-lo.
O porquê de ele ter escondido isso de toda a família ainda era um mistério para todos nós.
― Café? ― Ouvi a voz de Sofia ao meu lado e me virei para encará-la. Ela estava linda em seu uniforme de médica e eu sorri de leve ao aceitar o copo térmico que ela me oferecia.
Há muitos anos, eu já estivera angustiado nesta mesma sala de espera, enquanto ela estava entre a vida e a morte em alguma sala de cirurgia, as quais hoje ela frequentava como médica residente.
― Obrigado. Estou realmente precisando de algo que me mantenha acordado. ― Eu falei agradecido e ela suspirou, sentando-se ao meu lado.
― Eu acho que vocês deveriam ir para casa descansar. Não há muito o que fazer aqui. Vovô está sedado e vai permanecer assim até que todos os exames sejam feitos.
― Você está aqui. ― Eu pontuei e ela sorriu.
― Eu sou médica e minha chefe não me deu muita escolha. Ela me quer na equipe que vai tratar o vovô.
― A princesinha do trauma vai flertar com a neurocirurgia? Acho que alguns atendentes vão entrar em guerra nesse hospital. ― Eu comentei e ela revirou os olhos, enquanto tomava seu próprio café, que eu sabia ser descafeinado e sem açúcar.
― As pessoas nesse hospital, incluindo minha mãe e a vovó Esme, tendem a exagerar sobre o meu talento para o trauma. Não entre nessa. Além disso, eu preciso de horas em outras especialidades também e desde quando vi as tomografias do vovô me interessei pelo caso. É justo que eu participe, já que estão cogitando usar algumas técnicas do meu projeto de pesquisa desenvolvido em Oxford na ressecção do tumor. ― Contive uma careta ao ouvi-la falar sobre o período em que ela estudou no Reino Unido. Isso me trazia lembranças bem desagradáveis de um período sombrio da minha vida e da minha relação com Sofia.
Eu estava a caminho de superar tudo o que houve, mas me lembrar de algumas coisas sem sentir nenhum tipo de incômodo ainda era uma tarefa árdua.
― Pensei que os médicos não pudessem tratar os seus familiares. ― Eu comentei, mudando propositalmente de assunto, e Sofia suspirou.
― Eu sou apenas a Cullen adotada, lembra? ― Ela resmungou, olhando de soslaio para Jhessika, que estava entretida em uma conversa com Lara, e eu sorri.
― O que conversamos hoje a tarde, Sofia Swan Cullen? ― Ela fez uma careta adorável e, mais do que nunca, eu senti vontade de beijá-la. Mas, me contive, é claro. Não era o momento, já que meu avô estava doente em algum lugar daquele hospital. Além disso, toda nossa família estava presente, o que tornaria qualquer demonstração de carinho entre Sofia e eu um grande acontecimento.
― Eu sei... Desculpa. Mas, respondendo a sua pergunta: não há nenhuma regra específica que nos impeça de cuidarmos dos nossos familiares e amigos. Na verdade, é uma questão ética e também de segurança, já que há sentimentos pessoais envolvidos. Entretanto, eu não vou participar diretamente dos procedimentos cirúrgicos. Vou apenas acompanhar o caso.
― Você me conta tudo? ― Eu pedi e ela sorriu, segurando minha mão.
― Tudo o que eu puder. ― Sofia prometeu e soltou minha mão quando Bella chegou a sala, acompanhada da minha avó. Todas estavam no modo médicas e, de repente, eu me vi admirando a força da ala feminina da família Cullen.
― Pessoal, o vovô está bem. Ele teve um leve sangramento cerebral, que já foi contido. Os exames mostram que o tumor não aumentou de tamanho, o que é muito bom. Nos próximos dias, ele iniciará um tratamento com radiação, que vai prepara-lo para a cirurgia de ressecção do tumor, que será feita pela Dra. Cornnel e sua equipe. Contaremos também com o apoio das equipes de Boston e do Dr. Cristian Cullen, que veio a Los Angeles especialmente para isso. Portanto, peço que fiquem tranquilos, pois Carlisle está em ótimas mãos. ― Bella falou calmamente e eu respirei aliviado por saber que meu avô estava vivo e bem, dentro do possível.
Troquei um olhar aliviado com Sofia e ela sorriu docemente para mim.
― Eu não acredito até agora que vocês esconderam um tumor cerebral da gente, mamãe. Estamos nos sentindo traídos. ― Tia Rosalie reclamou, enxugando uma lágrima solitária e minha avó suspirou.
― Rosalie, nós apenas queríamos evitar que vocês sofressem. Seu pai e eu queríamos ter certeza do diagnóstico antes de contar tudo a nossa família. Vocês precisam entender que manter alguns segredos também é uma prova de amor. ― Minha avó falou, olhando diretamente para mim e eu respirei fundo, corando levemente, enquanto ignorava propositalmente os olhares de Lara e Ethan.
A última frase da minha avó havia sido uma indireta (bem direta) para mim que, em um dado momento de completa estupidez e insensibilidade, não havia entendido o fato da minha namorada esconder um aborto de toda a família apenas para nos poupar de um sofrimento desnecessário.
Olhei para Sofia e percebi que ela também estava corada, enquanto me encarava com o olhar triste e, naquele momento, eu senti vontade de me chutar por ter me comportado como um grande imbecil com aquela garota que sempre foi muito além de maravilhosa.
― Rose, não é hora para julgamentos. O importante agora é que a gente se mantenha unidos para podermos dar todo o apoio necessário ao papai. Eu só espero que esse pesadelo passe logo. ― Meu pai falou e Bella se aproximou para abraça-lo.
― Vai passar, amor. Temos que ter fé. Agora, eu aconselho que todos vocês vão para casa descansar. Não há o que fazer aqui. Sofia estará de plantão esta noite e irá nos avisar caso algo aconteça. ― Bella falou e todos assentiram, começando a se despedir.
Eu me aproximei de Sofia e a tomei nos braços, abraçando-a com força, enquanto ignorava solenemente todas as razões para não fazer isso na frente de todos.
― Não quero deixa-la aqui. Não me parece justo ― Eu falei em seu ouvido e ela se afastou, sorrindo para mim.
― Esse é o meu trabalho, não se preocupe. Monitorar o vovô será um grande prazer. Além disso, vou poder torturar meus internos pessoalmente hoje. Depois da besteira que fizeram, é o mínimo que eles merecem e tenho que confessar que estou até ansiosa por isso. ― Eu ri.
― Tenho pena desses pobres internos.
― Não tenha. Eles merecem cada minuto de tortura. ― Ela piscou e eu sorri, colocando atrás de sua orelha uma mecha que se soltara do seu coque, enquanto tomava coragem para chama-la para sair.
Talvez não fosse o momento ideal, mas eu a queria de volta e não poderia mais perder tempo.
A vida era curta demais para que ficássemos longe das pessoas que amávamos.
― Amanhã, depois do expediente, se tudo der certo e o vovô continuar estável, eu queria... ― Engasguei e Sofia me encarou curiosa, o que me fez corar.
Deus, essa garota havia sido minha namorada por anos. Por que era tão difícil me reaproximar dela e convidá-la para um simples encontro?
― Queria... ― Ela incentivou e eu respirei fundo, segurando suas mãos.
― Queria que você aceitasse ir a um encontro comigo. ― Sofia me encarou surpresa e corada.
Linda!
― Encontro?
― É. Encontro. ― Eu confirmei e ela sorriu de leve.
― Eu aceito. Devo me vestir formalmente? ― Ela perguntou divertida e eu sorri, me sentindo aliviado por ela ter aceitado.
― Não. Jeans e camiseta está bom. Eu te pego no seu prédio às sete.
― Ok. Vou estar esperando.
Beijei seu rosto com carinho e fui para casa me sentindo leve.
Meu avô estava doente e isso era uma droga. E era justamente por isso que me reaproximar de Sofia era uma boa ideia. Eu ainda amava aquela garota e Sofia tinha o estranho poder de me manter mentalmente são.
**********
― Onde vamos? ― Sofia me perguntou ansiosa assim que entrou no carro na noite seguinte e eu sorri, enquanto voltava a dirigir pelas ruas iluminadas de Los Angeles.
Ela havia acatado minha sugestão e estava vestida com uma calça jeans apertada, camiseta e tênis branco. Seus longos cabelos ainda estavam úmidos e a mistura de cheiros nela me deixou embriagado. Tentei não ficar olhando para suas pernas como um tarado idiota, mas sua beleza geralmente dificultava minhas nobres intenções.
Sofia Swan sempre havia sido linda. Quando ainda era apenas uma garota, eu me lembro que por onde ela passava atraía olhares, o que muitas vezes me deixava louco de ciúmes. Sua pele muito clara, contrastando com os cabelos castanhos, sempre longos e bem cuidados, e seus olhos grandes e intensamente verdes, emoldurados por cílios volumosos eram uma mistura de tirar o fôlego de qualquer pessoa, fossem homens ou mulheres.
E o melhor era que, com o passar dos anos, ela se tornara ainda mais bonita e eu jamais me cansaria de admirá-la, mesmo já não tendo o mesmo direito de antes.
― Tommy? Pra onde você está me levando? ― Ela voltou a perguntar e eu apontei para uma caixa de presentes no banco de trás.
― Abra e descubra.
Depois de me lançar um olhar desconfiado, Sofia fez o que eu pedi e quando descobriu o que havia dentro da caixa, me encarou encantada.
― Dodgers? Sério? ― Seus olhos brilhavam e eu assenti animado.
― Consegui com um cliente ingressos para a partida de abertura da temporada. E como não conheço ninguém mais apaixonado por Baseball que você, achei que seria uma boa ideia levá-la ao jogo.
Ouvi um gritinho animado e, de repente, Sofia agarrou meu pescoço e encheu meu rosto de beijos, me fazendo rir, enquanto tentava manter o controle do carro.
― Você é o melhor ex-namorado/irmão do universo. Esses ingressos se esgotaram já na pré-venda e eu fiquei tão chateada. Daria todo o meu salário por eles.
― Eu imaginei. Por isso que tive a ideia de levá-la. Além disso, quando nos conhecemos, você me disse que se eu tivesse te convidado para ir ao jogo dos Dodgers ao invés de subornar o carinha da biblioteca para ler sua ficha de leitura, eu teria conquistado você com mais facilidade.
Sofia gargalhou.
― Está tentando me conquistar, Antony Denali Cullen? ― Ela perguntou divertida e eu a olhei por alguns segundos, antes de voltar minha atenção para o trânsito.
― Está funcionando? ― Perguntei e ela riu, colocando o boné dos Dodgers na cabeça e entrelaçando sua mão a minha logo em seguida.
― Pode apostar.
**********
A animação da Sofia em um campo de Baseball era muito engraçada, para dizer o mínimo. Ela gritava, xingava, pulava e me chacoalhava para que eu visse e prestasse atenção em detalhes que eu provavelmente ignoraria se estivesse sozinho.
Não que eu desgostasse de Baseball. Era um esporte tipicamente americano e eu gostava de assistir e, até mesmo, acompanhar os campeonatos, embora preferisse futebol americano.
Mas, minha apreciação pelo esporte não chegava perto da paixão de Sofia. Ela sabia o nome de todos os jogadores e de cada passe ou arremesso. Eu ousava arriscar que nem o próprio técnico sabia de tantos detalhes quanto a garota ao meu lado, que nesse momento gritava em plenos pulmões por causa de um Throwing.
― Até eu arremesso melhor que ele. ― Ela resmungou, enquanto o time adversário avançava duas bases, e eu apenas sorri, enquanto me deliciava com a melhor pipoca de Los Angeles.
― Nunca vou entender porque você jogava vôlei na escola se sua grande paixão é o Baseball.
Ela fez uma careta.
― Eu jogava vôlei porque, além de gostar muito da modalidade, nosso treinador era um porco machista que achava que Baseball não era um esporte para garotas. ― Eu gargalhei, ganhando um olhar irritado dela.
― É um esporte um tanto violento. ― Sofia revirou os olhos, tomando o balde de pipoca das minhas mãos.
― Eu daria conta. Lara também. Mas, não foi possível, já que não tivemos o apoio da direção quando decidimos que iríamos montar um time feminino.
― Vocês eram ótimas no vôlei. Seu saque, então... Ia além da perfeição ― Eu falei debochado, me referindo à bolada que ela deu no rosto de Mary Jane Volturi durante um treino de vôlei e ganhei um tapa no braço, o que me fez rir.
― Engraçadinho você... Mas, nós éramos realmente muito boas. Inclusive Mary Jane. Acho que nos tornamos as melhores para provar ao treinador e à bruxa da Minerva que seríamos boas em qualquer coisa que nos propuséssemos a fazer, inclusive em Baseball.
― Você poderia ter sido uma jogadora profissional. ― Eu falei com sinceridade e Sofia deu de ombros.
― Poderia, mas estou bem como médica. Amo o que eu faço, mesmo sendo cansativo às vezes. Cuidar das pessoas, salvar vidas, desvendar casos médicos, propor tratamentos, fazer pesquisa... É realmente o que eu gosto.
Eu sorri, pois sabia o quanto ela amava ser médica e o quanto tinha se dedicado para alcançar a formatura e o sucesso profissional que estava tendo agora, ainda na residência.
Talvez eu já não tivesse mais esse direito, mas eu me orgulhava imensamente da profissional incrível que Sofia Swan Cullen havia se tornado.
Depois do jogo, do qual minha acompanhante saiu toda feliz carregando uma bola da partida, fomos a uma pizzaria italiana em Santa Mônica e eu me perguntei divertido para onde ia toda a pizza que Sofia comia.
― Eu amo pizza. ― Ela falou, enquanto devorava mais uma fatia da pizza de pepperoni de olhos fechados para apreciar melhor o sabor e eu ri.
― Isso é mais do que evidente, Dra. Swan. Eu te conheço bem e sei que a noite perfeita deve terminar em pizza. ― Ela abriu um largo sorriso.
― Exatamente. Nada de salada. Pizza. Até porque, nem estamos vestidos para um jantar mais sofisticado. ― Eu sorri e segurei sua mão sobre a mesa, fazendo com que ela parasse de comer e me encarasse atentamente.
Seus olhos estavam mais verdes que o normal e eu concluí que aquele olhar lindo um dia seria a causa da minha morte.
― Você está linda com essa roupa, Sofia e tenho certeza que qualquer restaurante te receberia de bom grado. ― Sofia corou.
Acho que ela nunca aprenderia a lidar com elogios.
― Obrigada, Tommy. Mas, eu não ligo para sofisticação e glamour e você sabe. Um sorvete na praia, um jogo de Vôlei ou Baseball, uma boa pizza e cerveja fazem mais meu estilo. Aliás, eu adorei a noite de hoje. Cada segundo dela.
― Eu também adorei nossa noite e quero saber se podemos repetir.
Ela sorriu e apertou meus dedos com carinho.
Sofia também queria nossa reaproximação e eu sabia que ela não se negaria a me ver de novo.
― É claro que podemos...Tommy, eu sei que te magoei quando te expulsei da minha vida há alguns meses, mas eu realmente precisava desse tempo sozinha para me entender e me encontrar. Hoje, eu já consigo enxergar onde erramos e, por ainda te amar, o que eu mais quero é que a gente se reaproxime. Você sempre foi mais do que meu namorado... Você é um dos meus melhores amigos e estar longe de você é muito doloroso.
― Nós não precisamos falar sobre isso hoje...
― É... Tem razão. Não vamos terminar um encontro perfeito falando de problemas. Mas, eu só queria que você entendesse que eu... ― Ela sorriu tristemente, corrigindo-se em seguida. ― Que nós precisávamos desse tempo e tudo o que eu almejo nesse momento é me reconectar a você, que é e sempre será o garoto que eu amo. ― Eu sorri e beijei sua mão com carinho.
― Você também é e sempre será a garota que eu amo.
Essa era a certeza mais absoluta que eu tinha na vida, pois mesmo quando Sofia e eu nos separamos, eu nunca havia sido capaz de deixar de amá-la. Nenhuma garota conseguia despertar em mim o que ela conseguia e acho que sempre seria assim. Portanto, tê-la de volta era uma questão de sobrevivência.
Podia parecer exagero e talvez eu não devesse gostar tanto de uma pessoa assim, mas o fato era que eu gostava e precisava dela. Muito!
Ao final daquela noite, após um passeio a pé pela orla de Santa Mônica, regado de conversas, risadas e beijos, eu a levei para casa e, com muito esforço, declinei ao convite de subir até o seu apartamento, ganhando um biquinho lindo em resposta.
― Você sabe que eu quero. Mas, não devemos dar esse passo. Não ainda, pois o sexo costuma complicar as coisas. ― Eu expliquei, acariciando seu rosto de leve e Sofia suspirou.
― Eu odeio quando você tem razão.
― Nesse caso, eu também odeio, princesa. Mas, nosso momento vai chegar e vamos voltar a nos perder um no outro. Eu prometo. ― Sofia fez uma careta e se agarrou a gola da minha camisa, aproximando nossos rostos.
― Pelo menos te beijar eu posso? ― Ela perguntou emburrada e eu sorri, enlaçando sua cintura e percebendo com satisfação como o seu corpo perfeito se moldava completamente ao meu.
― Deve. ― Sentenciei e a beijei com intensidade, tentando mostrar a ela todo o meu amor e desejo.
E depois de alguns beijos maravilhosos, eu esperei que ela entrasse no prédio e fui para casa. Sozinho.
Mas, se tudo desse certo, minha solidão estava com os dias contados.
Em breve eu teria minha princesa de volta e faria tudo certo dessa vez para nunca mais precisar me afastar dela.
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