Laços de amor
68 Capítulo Bônus 15: A vida de Tommy e Sofia
Laços de Amor
Los Angeles
Sofia
Acordei com o barulho insistente do telefone e, ainda de olhos fechados, tateei sobre a cama até encontrar o aparelho, enquanto amaldiçoava até a décima geração da pessoa que me acordava às sete da manhã em pleno meu domingo de folga.
― Alô? ― Eu falei ainda meio grogue de sono, não me esforçando em nada para ser simpática.
Na verdade, eu queria que meu interlocutor se explodisse.
― Bom dia, Dra. Swan. Pelo visto te acordei. ― Ouvi a voz de Suzana Cooper e me senti imediatamente desperta.
A chefe de cirurgia do hospital não me ligaria no dia da minha folga se algo grave não tivesse acontecido.
― Bom dia, Dra. Cooper. Algum problema?
― Sim. Temos um problema. Seus internos realizaram uma Laparotomia exploratória em um paciente sem autorização. ― Eu me sentei na cama rapidamente e senti minha cabeça girar.
― Eles fizeram o que?
― Eles fizeram merda, Dra. Swan. E como são seus internos, preciso que você resolva. Agora, se possível. ― Eu fechei os olhos com força.
Alguns internos iriam morrer hoje com toda a certeza.
― Eu estarei aí em vinte minutos. Preciso apenas de um banho para acordar. ― Eu falei, já pulando da cama e ouvi Suzana suspirar com impaciência.
― Estou cronometrando, Dra. Swan.
Depois que minha chefe desligou, eu corri para o banheiro e tomei o banho mais rápido da minha vida, pois sabia que não era nada inteligente deixar Suzana Cooper esperando, principalmente quando ela estava irritada. Assim, vesti a primeira roupa que encontrei, ao mesmo tempo em que escovava os dentes e ajeitava o cabelo.
Saí correndo de casa, carregando o presente do meu irmão, já que depois do assassinato dos meus internos, eu iria comemorar o aniversário do pequeno Benjamin com a minha família. Plena e linda, uma vez que eu mataria aqueles imbecis por justa causa.
Graças aos céus o trânsito estava tranquilo e em exatos vintes minutos eu já estacionava meu carro na vaga da minha mãe, já que eu não tinha tempo para procurar outra.
Quando cheguei ao andar cirúrgico, meus internos me esperavam na sala de reuniões e, pelo menos, pareciam estar um pouco preocupados.
Era o mínimo que eu esperava depois da grande merda que eles fizeram.
― Dra. Swan, fico muito feliz que você seja pontual. ― Suzana falou, aparecendo do nada como sempre e eu respirei fundo, encarando-a.
Ela estava irritada e sua expressão carrancuda me fez engolir em seco.
― O que de fato aconteceu? ― Eu perguntei, sem nem ao menos cumprimenta-la, e Suzana sorriu friamente, me entregando seu Tablet.
― Esse é o prontuário do paciente, no qual descrevemos todos os detalhes da cirurgia e do pós-operatório. Mas, eu prefiro que seus internos lhe digam o que aconteceu. ― A Dra. Cooper falou e eu me virei para encarar meus internos, que se encolheram diante da minha expressão.
Eu era uma residente legal. Não gritava, sempre que possível deixava meus internos participarem de cirurgias, os livrava constantemente do plantão noturno... Mas, eles sabiam que minha tolerância para estupidez era zero e tinham razão de estarem com medo.
― Cuspam. ― Eu ordenei e Grace Inoue, que era a melhor interna da turma deste ano, trocou um olhar com os outros e se levantou.
― Nós fizemos uma Laparotomia exploratória em um paciente. Ele estava com dores abdominais agudas e os exames não nos diziam absolutamente nada. Em um dado momento da noite, ele começou a vomitar sangue e nós agimos. Como ele já tinha um histórico de problemas hepáticos, estando inclusive na lista de espera do transplante, optamos por uma Laparotomia. Foi uma emergência, na verdade.
― E não passou pela cabeça de vocês chamar um médico? Um residente? Vocês não têm autorização para fazer cirurgias sem supervisão. ― Eu falei com firmeza e Paul Rupert se levantou, me encarando irritado.
― A gente não tem autorização para fazer cirurgias de jeito nenhum. Esse programa é horrível. Eu quero ser um cirurgião e não nos deixam realizar cirurgias. Já estamos no meio do primeiro ano e, até agora, só assistimos aos procedimentos. Quando a emergência surgiu, pensamos que era a oportunidade perfeita para aprendermos na prática o que é a cirurgia. Além disso, estávamos no plantão noturno e não havia nenhum médico ou residente disponível.
― E você acha que abrir um paciente no meio da noite, na surdina, colocando-o em risco faz de você um cirurgião, Dr. Rupert? ― Eu rebati e ele apertou os lábios, mas não disse mais nada. Afinal, ele sabia bem que a resposta era não.
Eu me virei para Suzana.
― Como está o paciente?
― Estável. Foi levado para a UTI depois que um dos nossos médicos, ao estranhar o sumiço dos internos, descobriu a cirurgia clandestina e salvou a noite. ― Eu respirei fundo, me contendo para não agredir alguém e olhei para o prontuário em minhas mãos, constatando que, graças aos céus, o paciente estava realmente bem.
Ótimo, porque apesar de ter minha manhã estragada por internos idiotas que não sabiam respeitar regras simples, eu poderia pelo menos curtir o resto do meu domingo.
― Vocês foram muito irresponsáveis e antiéticos. Se estavam descontentes com o programa, deviam ter nos procurado ou à diretoria, ao invés de sequestrarem um paciente no meio da noite e realizarem um procedimento cirúrgico não autorizado. Vocês colocaram a vida de um paciente em risco, assim como o meu emprego e o nome desse hospital. Deviam ser expulsos por isso. ― Eu disse irritada e eles arregalam os olhos.
― Mas, o paciente está bem, Dra. Swan. Não podem nos expulsar! ― Um dos internos falou amedrontado e eu olhei para Suzana.
― Vocês podem ser expulsos sim, Dr. Smith. Entretanto, eu não o farei. A família do paciente optou por não nos processar e, só por isso, deixarei a punição para esse caso por conta da Dra. Swan, que é a residente de vocês. ― Suzana falou e eu assenti, encarando seriamente os meus internos.
― Vocês estão suspensos das cirurgias por tempo indeterminado. Só vão poder assistir os procedimentos da galeria e, enquanto isso, devem ficar na emergência sob minha constante supervisão e dos outros residentes. A partir de hoje, vocês são responsáveis por todos os plantões noturnos, inclusive aos finais de semana. Vou pedir para que a residente chefe cuide da escala. Não vamos mais admitir erros. Outra atitude irresponsável como essa e eu cuidarei pessoalmente para que vocês sejam expulsos do programa. Entenderam? ― Eu falei com frieza e eles assentiram. ― Agora podem ir.
Depois que eles saíram da sala, eu encarei Suzana e ela sorriu satisfeita para mim.
― Você foi firme e pensou na punição ideal. Eu não teria feito melhor. ― Eu suspirei e passei as mãos pelo rosto, sentindo minha cabeça latejar levemente.
Era domingo e eu estava com sono, de ressaca, mergulhada em sentimentos confusos sobre minha relação com Tommy e irritada por ter que resolver problemas que nem deveriam existir se não fossem meus internos irresponsáveis e idiotas.
Mas, pelo menos eu havia recebido um elogio da chefe de cirurgia, que era linha dura. Isso, de certa forma, compensava todo o estresse.
― É muito difícil ser chefe. ― Eu resmunguei e Suzana riu.
― Eu sei. Mas, como eu disse, você se saiu bem. Pode ir para casa agora, Dra. Swan. Soube que você tem que participar de uma festa de aniversário hoje. ― Eu assenti.
― Eu realmente tenho que comparecer ao grande evento de aniversário de dez anos de Benjamin Swan Cullen. Mas, antes gostaria de verificar o paciente. Quero ter certeza de que ele está realmente bem.
― Fique à vontade. Agora, eu tenho que ir, pois mais alguns problemas aguardam minha atenção. Até mais!
Depois que Suzana se foi, fiz uma visita rápida ao paciente, um senhor de 59 anos, verifiquei os exames pós-operatórios, conversei com o cirurgião responsável pelo procedimento e quando estava dando minha visita forçada ao hospital como encerrada tive um encontro inesperado.
Eu estava saindo da sala de exames quando praticamente trombei em Esme Cullen.
De onde minha avó tinha saído?
― Vovó? O que você está fazendo aqui? ― Eu perguntei e Esme me olhou surpresa. Acho que ela não estava esperando me encontrar no hospital hoje.
― Sofia? Não sabia que você estava de plantão hoje, querida. ― Ela falou, se aproximando para me abraçar e eu sorri, me apertando contra ela.
― Ultimamente eu estou em quase todos os plantões. Entretanto, hoje é minha folga. Vim apenas para resolver um problema. Mas, e a senhora? O que está fazendo em Los Angeles? ― Ela respirou fundo.
― Seu avô e eu viemos para o aniversário de Benjamin e aproveitamos para dar uma consulta.
― A Dra. Cooper deve estar adorando a presença de vocês aqui. ― Minha avó sorriu, mas notei que a alegria não chegava aos seus olhos.
― Ela adorou. Há muito tempo eu não aparecia por aqui apesar dos inúmeros convites e propostas de Suzana Cooper. Mas, tenho que dizer que essa visita está sendo muito boa, uma vez que todos os médicos, incluindo a chefe de cirurgia, me falaram maravilhas sobre você. Sofia Swan Cullen é, de longe, a melhor residente deste hospital. ― Eu corei com o elogio.
Eu me esforçava muito para ser sempre a melhor e desde que Tommy e eu nos separamos, eu me dedicava quase que integralmente à residência. Mas, ser elogiada era algo que eu nunca iria me acostumar.
― Eu tento. E a propósito, se você ou o vovô forem fazer alguma cirurgia aqui, eu quero participar. ― Eu falei verdadeiramente animada com aquela possibilidade e o sorriso morreu nos lábios da minha avó, me fazendo ter a certeza de que algo não estava bem.
― Sinto muito, querida, mas acho pouco provável que você possa participar da cirurgia que faremos aqui.
― Vovó, está tudo bem? ― Eu perguntei receosa, tocando seu ombro de leve e ela respirou fundo, apertando minhas mãos entre as suas.
― Vai ficar. Agora, eu preciso ir. Vejo você na festa do nosso pequeno. ― Esme falou suavemente e sumiu pelo corredor do hospital, me deixando ali, confusa e preocupada.
Suspirei pesadamente e quando já estava quase chegando à saída, me lembrei das tomografias que estavam expostas no projetor quando entrei na sala de exames e uma desconfiança me fez voltar para lá correndo.
A Dra. Cornnel, neurocirurgiã chefe, ainda estava lá e parecia preocupada ao encarar os exames.
― Dra. Swan... Você não devia estar em uma festa de aniversário? ― Ela perguntou, desligando o aparelho rapidamente, como fez da outra vez que eu entrei na sala, e eu sorri sem graça.
― É... Eu... Bem, na verdade, fiquei curiosa sobre suas tomografias. Vi que é um tumor cerebral. Você pretende ressecar? Eu gostaria de participar da cirurgia. ― Ela ergueu a sobrancelha, me encarando seriamente.
― Pensei que você fosse a princesa do trauma. ― Eu corei.
Eu havia nascido para o trauma e isso estava mais do que claro para mim e para toda a equipe médica, o que não significava que eu não deveria conhecer outras especialidades ou participar de cirurgias da neuro. Especificamente daquela cirurgia.
― É a especialidade que pretendo seguir. Mas, tenho que conseguir horas nas outras áreas médicas também.
― Entendi. Bem, mas dessa cirurgia você não vai poder participar. ― Eu a encarei seriamente.
― Quem é o paciente? ― Perguntei e a Dra. Cornnel respirou fundo e desviou o olhar do meu rosto.
― Não posso te dizer, Sofia. Mas, você saberá em breve. ― Ela falou e saiu da sala levando todas as tomografias com ela e eu senti meu peito se apertar de apreensão.
Aqueles exames eram de alguém da minha família. Poderiam ser da minha avó ou de Carlisle, e esse certamente era o motivo de eu não poder participar da cirurgia, se é que ela aconteceria.
Fui para a casa dos meus pais pensando naqueles exames, mas resolvi deixar a questão de lado, pois não queria estragar o dia do meu irmão.
― Sofia? Que bom que chegou, meu amor. Eu já te liguei algumas vezes e estava preocupada, já que você não me atendeu. ― Minha mãe me falou, assim que coloquei os pés em casa e eu sorri, beijando seu rosto com carinho.
― Tive que resolver um problema no hospital. Saí tão apressada que esqueci meu celular em casa.
― Problema? Que tipo de problema? ― Minha mãe perguntou preocupada, me seguindo até a cozinha e eu fiz uma careta, enquanto me servia de ovos mexidos.
― Meus internos fizeram merda. Mas, já está tudo bem. E isso está uma delícia. ― Eu elogiei após a primeira garfada e ela sorriu, me entregando um copo de suco.
― Está mesmo. Foi o Tommy que fez. ― Minha mãe falou no meu ouvido e eu senti meu coração falhar uma batida ao pensar em Tommy e em nosso interlúdio na noite anterior.
― Tommy é um ótimo cozinheiro. Sinto falta de quando ele era o responsável pelas refeições. Ultimamente eu sobrevivo da comida do hospital e de Fast Food. ― Eu confessei e minha mãe me lançou um olhar irritado, enquanto terminava de decorar o bolo de aniversário do Benjamin.
― Eu não vou iniciar uma palestra sobre os benefícios de uma dieta saudável, Dra. Sofia Swan. Mas, é óbvio que, como médica, você devia se envergonhar dessa confissão. ― Fiz uma careta.
― Mãe, a residência toma todo o meu tempo. Além disso, não sou uma amante da culinária, como bem sabe. Aí, uso meu tempo livre para dormir.
― Sofia, Sofia... Ou você muda isso, ou a trarei arrastada de volta para essa casa apenas para garantir que você se alimente direito. ― Eu ri e revirei os olhos.
― Prometo que vou me esforçar mais. ― Eu pisquei para ela, que estreitou os olhos em minha direção, mas acabou se aproximando e me acolhendo em um abraço.
― Eu sinto tanto sua falta, meu amor, e me preocupo por saber que você está sozinha naquele apartamento.
― Mãe, eu estou bem. Não fique preocupada. Além disso, eu gosto de morar sozinha. Este tempo comigo mesma tem me feito muito bem. ― Ela sorriu para mim.
― Que bom! Fico feliz. Tudo o que eu mais quero é vê-la bem. Agora, termine logo seu café e vá para o quintal. Seus irmãos e os outros te esperam. ― Minha mãe orientou e eu respirei fundo, tentando conter as batidas frenéticas do meu coração.
Era sempre assim quando eu sabia que iria me encontrar com Tommy em algum lugar e, depois de ontem à noite, meu coração batia com ainda mais intensidade.
Tommy e eu nos beijamos e conversamos, pela primeira vez, a respeito da nossa separação, dos nossos sentimentos e também sobre o futuro. Eu tinha certeza de que aquele clima ruim entre nós havia sido desfeito, mas, ainda sim, estar com ele diante de toda nossa família não seria fácil.
Assim, depois de enrolar mais algum tempo ali na cozinha conversando com minha mãe sobre nada realmente importante, eu respirei fundo e fui para o jardim.
Dois bracinhos magros me abraçaram pela cintura assim que saí pela grande porta de correr, o que me fez rir e me abaixar para envolver meu pequenino irmão em meus braços.
― Sofiaaa, você veio... ― Benjamin falou e eu beijei seus cabelinhos avermelhados e tão bagunçados quanto os do pai.
― É claro que eu vim. Jamais perderia a festa de aniversário do meu irmão caçula preferido. A propósito, eu trouxe um presente muito legal. Um passarinho me contou que você queria um certo uniforme bruxo para a festa da escola... ― O pequeno arregalou os olhos e começou a pular ao meu redor, empolgado demais para ficar quieto.
― Você me trouxe o uniforme da Grifinória? Com varinha do Harry Potter, capa e tudo mais? ― Eu assenti e ele gritou feliz, correndo para dentro da casa e perguntando para a mamãe aos berros onde estava o presente que eu trouxera.
― Obrigado por isso. Ele nunca mais vai tirar essa roupa. ― Meu pai falou e eu sorri, me aproximando para beijar seu rosto e me encaixar em seu abraço, que sempre me transmitia muito amor e segurança.
― Papai, Ben é um bruxo. Você precisa respeitar isso... ― Edward riu.
― Eu não quero nem pensar quando ele fizer onze anos e a carta de Hogwarts não chegar.
― Eu superei essa decepção. Ou quase. Na verdade, até hoje eu lamento por não ser uma bruxa poderosa. Mas, se eu superei, Benjamin também consegue. Um dia.
Edward revirou os olhos e eu ri.
― Agora, falando sério, mocinha. Como você está, amor? ― Eu sorri.
― Estou bem. Sobrevivendo bravamente à residência e a vida adulta. ― Ele beijou o topo da minha cabeça.
― É bom te ver, princesa. E fico feliz em saber que você está bem. Agora, curta a festa, pois eu vou ajudar o Benjamin com sua roupa de bruxo antes que ele enlouqueça sua mãe.
Depois que meu pai se foi, eu cumprimentei meus tios, Rosalie e Emmett, Alice e Jasper, meus avós, Renée e Charlie, minhas irmãs, Mia e Elena e, depois, me aproximei hesitante do grupo que estava próximo à piscina, composto por Lara, Ethan e Tommy.
― Bom dia, pessoal... ― Eu falei baixinho, tentando conter meu nervosismo e eles me encararam, parecendo felizes e um pouco surpresos em me ver.
Acho que todos naquela festa acreditavam que eu não viria.
― Bom dia, Sofia... Achei que não viesse mais. ― Ethan falou, confirmando minhas suspeitas, e eu sorri, aceitando o copo de suco que ele me oferecia, enquanto me acomodava na cadeira vaga ao lado de Tommy.
― Tive um pequeno problema para resolver no hospital e, por isso, me atrasei. Mas, jamais faltaria ao aniversário do meu irmão.
― E como foi a carona ontem? ― Lara perguntou com malícia, sendo a baixinha inconveniente de sempre e eu corei, trocando um olhar com Tommy, que apenas sorriu.
― Foi normal, Lara. Tommy me deixou em casa. Ponto final.
― Hum... Nada de sexo, então?
― Lara... ― Ethan protestou, mal contendo o riso e eu os fuzilei com o olhar, enquanto Tommy ria, entre surpreso e constrangido com o atrevimento de Lara Swan.
― Nada de sexo, Lara. Sinto muito se nós te desapontamos, mas eu realmente só deixei Sofia em casa. ― Tommy falou e eu contive uma careta, enquanto ainda sentia meu rosto queimar. Não havia sido apenas uma carona, mas nossa vida sexual ou a falta dela não eram, definitivamente, da conta de ninguém.
― Nada de sexo... Por enquanto. ― Eu murmurei para que apenas Tommy ouvisse e ele me olhou divertido, mas não disse mais nada sobre o assunto.
Nesse momento, Benjamin entrou correndo no jardim vestido em sua roupa de bruxo e foi inevitável que começássemos uma conversa sobre quando nós mesmos nos vestíamos assim e andávamos com nossas varinhas jogando feitiços em todos, enquanto esperávamos ansiosos nossa carta de Hogwarts.
― Minha casa é a Lufa-Lufa. Tive que iniciar praticamente uma greve de fome para conseguir ganhar o uniforme dos meus pais, que achavam minha paixão uma besteira. Sofia e eu até dormíamos com nossas roupas. Aliás, que saudade daquela época. ― Lara falou e eu sorri, concordando.
― Eu sou Grifinória e minha mãe, tão apaixonada por Harry Potter quanto eu, comprou o uniforme sem que eu pedisse. Foi um dos melhores presentes que eu já ganhei na vida, depois dos livros, que eu já li inúmeras vezes. Eu realmente acreditava que receberia uma carta aos onze anos. Uma pena que nunca aconteceu.
― Você seria uma bruxa linda. ― Tommy falou e eu sorri, corando levemente, lembrando que ele já havia me dito a mesma coisa outras vezes.
Tommy sabia da minha paixão por Harry Potter e uma vez me disse que o jeito que meus olhos brilhavam ao falar da saga o deixava encantado. Quando éramos adolescentes, eu praticamente o obriguei a fazer o teste das casas e do patrono e descobri, sem grande surpresa, que até no mundo bruxo a gente combinava, uma vez que nós éramos da Grifinória e tínhamos o mesmo patrono, que era um Gato manx.
― Obrigada! Mas, atualmente eu estou bem como médica. Entretanto, acredito que faço alguns feitiços naquela emergência, pois só isso justifica pacientes praticamente mortos saírem do hospital andando dias depois.
― Não é mágica, Sofia. É dedicação e talento. Características essas que você tem de sobra. ― Tommy falou e eu sorri, feliz por estar conversando amigavelmente com ele.
Depois de tudo, eu achei que isso não seria mais possível. Mas, parece que a carona de ontem desanuviou parte da tensão e possibilitou que nos aproximássemos outra vez.
E essa aproximação era algo que eu realmente queria. Discuto isso com minha terapeuta e ela concordou que seria uma boa ideia, já que eu estava, finalmente, aprendendo a lidar com o meu passado e o período em que Tommy e eu ficamos separados.
― Esse lugar é meu. ― Ouvi uma voz feminina desconhecida e deixei de lado meus pensamentos, erguendo os olhos para de deparar com uma moça loira que me olhava com cara de poucos amigos.
― Desculpe? ― Eu falei um pouco confusa e ela suspirou impaciente.
― Esse lugar ao lado do Antony... Eu estava sentada aí.
― E você é? ― Eu perguntei, sem fazer menção de me levantar e a loira suspirou irritada.
O que eu havia feito para irritá-la é que não sabia.
― Jhessika Cullen. Meu pai é irmão de Carlisle Cullen. Portanto, eu sou prima do Edward e da Rosalie. E você? Quem é?
Meu avô tinha um irmão?
Como eu nunca fiquei sabendo disso?
― Sofia Swan Cullen. Sou filha do Edward. ― Eu me apresentei e ela sorriu de forma afetada.
― Filha adotada você quer dizer. ― Eu fechei a cara, sentindo um baque no estômago.
Eu realmente havia sido adotada por Edward e não tinha problema nenhum com esse fato. Mas, a forma como a tal Jhessika Cullen se referiu à minha adoção fez com que eu me sentisse como alguém indesejado e de pouca importância para a família Cullen. Filha adotada nos lábios dela soou como uma ofensa.
― Filha é filha, Jhessika. Não fazemos esse tipo de distinção nessa família. ― Tommy falou sério e a loira sorriu sem graça.
― Claro. Peço desculpas.
Eu apenas assenti, pois estava claro que ela não estava arrependida por ter dito aquilo. Mas, minha mente, ainda tão cheia de inseguranças apesar da terapia, começou a trabalhar freneticamente, trazendo à tona pensamentos e conjecturas nada agradáveis.
Edward não era o meu pai biológico e eu sabia disso. Claro! Afinal, eu fui também a namorada do seu filho, o que não seria possível se Tommy e eu fôssemos irmãos.
Eu, Sofia Swan, era apenas a pobre menina que nunca tinha tido um pai e que Edward Cullen acolheu por ser a filha da mulher que ele amava. Ele não havia tido escolha. Minha mãe e eu éramos um pacote. Para ter uma, teria que aceitar a outra.
Mas, Edward me amava, certo?
Pelo menos era o que ele dizia.
Entretanto, ouvir que eu era adotada com aquele tom de desdém fez com que eu me questionasse se eu era realmente uma Cullen. Talvez não. Talvez eles não me considerassem um verdadeiro membro da família. Só alguém que eles tinham que aturar pela minha mãe e pelos meus irmãos, que eram filhos legítimos de Edward Cullen.
Talvez os Cullen não me quisessem mais, principalmente agora que Tommy e eu não éramos um casal... Talvez, todos ali me desprezassem. Afinal, eu havia escondido uma gravidez e um aborto e quando fui confrontada por isso, simplesmente tirei Tommy da minha vida, causando grande sofrimento a nós dois.
― Sofia? ― Ouvi a voz da Lara e a encarei, percebendo que eu havia ficado fora do ar por alguns segundos.
― Eu... Eu preciso falar com a minha mãe. Com licença. ― Eu disse baixinho e segui rapidamente para dentro da casa, parando apenas quando cheguei ao meu quarto.
Quer dizer, o quarto de Tommy.
Que droga! O que eu estava fazendo ali? E por que eu estava chorando?
Eu não era mais uma menina frágil e insegura e precisava lidar melhor com as palavras das outras pessoas, já que era algo que eu não podia controlar.
― Você não devia dar ouvidos às besteiras que a Jhessika fala. ― Ouvi a voz de Tommy minutos depois de eu ter entrado no quarto e enxuguei minhas lágrimas, antes de me virar para encará-lo.
― Eu não dei ouvidos.
― É por isso que você estava chorando? Por ignorá-la?
― Eu estou bem, Tommy. E me desculpe por ter invadido o seu quarto. Foi instintivo.
― Sofia, olha pra mim. ― Ele pediu, se aproximando e eu suspirei, encarando-o.
― Eu já disse que estou bem...
― Meu pai ama você. Meus avós, meus tios e primos amam você. Eu te amo. E você é uma Cullen, porque o destino e nossos corações fizeram de você uma de nós. Não ligue para o que a Jhessika falou. Ela não é uma boa pessoa e não entende nada do tipo de amor que uniu você e sua mãe a nós.
― Amor fraterno? ― Eu perguntei baixinho e ele sorriu, beijando meu rosto.
― Também. Você é minha irmã para todos os efeitos. Mas, eu te amei como mulher muito antes de considerar a possibilidade dos nossos pais se unirem em matrimônio e fazer de nós dois irmãos.
― Amou? Não ama mais? ― Eu perguntei magoada, me sentindo extremamente infantil por confrontá-lo daquela forma, mas não conseguindo evitar, o que me deixava com raiva, mas ao mesmo tempo ávida por ouvir sua resposta.
Deus, eu ainda estava tão confusa!
― Amo sim. Acho até que não devia, depois de tudo, mas amo. E tenho a impressão que vou amá-la sempre, Sofia. Você está impregnada em mim. ― Eu sorri levemente e deitei meu rosto em seu peito, sendo imediatamente envolvida por seu abraço, do qual eu sentia muita falta.
― Sinto muito pela minha insegurança. Ouvir de uma Cullen que eu sou adotada me fez considerar a possibilidade da sua família não gostar de mim de verdade, principalmente depois de tudo o que aconteceu entre nós.
― Não pense e não diga bobagens, Sofia Swan Cullen. Você é muito amada e não tem a mais remota ideia do quanto todos se orgulham da médica incrível que você se tornou e do ser humano maravilhoso que você é. Quanto ao que aconteceu entre nós... Bem, era um relacionamento e isso, por si só, já é bastante complicado. E é claro que todos os Cullen entendem isso e apenas torcem para que a gente se entenda.
― Menos sua prima... ― Resmunguei encarando-o e Tommy fez uma careta.
― Jhessika é complicada... Quando éramos mais novos, a gente passava muito tempo juntos, porque os pais dela viviam em Los Angeles. Meu tio também é médico e recebeu uma proposta de trabalho na Europa... Acho que ele e meu avô se desentenderam e ficaram alguns anos sem se falar... Enfim. Fazia muito tempo que eu não a via. ― Eu estreitei os olhos em sua direção, me afastando do seu corpo.
Algo em seu breve relato não me cheirava bem.
― Vocês passavam muito tempo juntos? ― Tommy corou.
― A gente ficou. Jhessika foi meu primeiro beijo. ― Meu queixo caiu.
Ele não podia estar falando sério!
― O que? ― Perguntei baixinho e ele passou a mão pelos cabelos, gesto que sempre denunciava seu crescente nervosismo.
― Eu tinha treze anos, Sofia. Naquela época meu gosto para garotas era meio duvidoso. ― Eu ri.
― Seu gosto para garotas é duvidoso, Tommy. Analise comigo: Jhessika Cullen foi seu primeiro beijo. Ela é bonita, mas parece ser insuportável. Além de ser prima do seu pai, o que faz desse primeiro beijo algo meio... Incestuoso. Depois, você se aventurou com Mary Jane Volturi, que te perseguiu por anos por causa de um único beijo. Acho que ela estaria no seu pé se não tivesse morrido naquele tiroteio. E por fim, como se sua lista de conquistas já não fosse ruim o suficiente, você se envolveu com Melissa Flammer, que era uma completa vadia...
― Sofia... Não vamos falar sobre Melissa, por favor...
― Tudo bem, Tommy... Esse nome já não me faz tão mal. ― Ele me olhou surpreso.
― Sério?
― Sério. Mas, não muda de assunto... Estávamos falando das suas péssimas escolhas amorosas, tirando eu, é claro...
Ele riu.
― É claro... ― Tommy debochou e eu pisquei pra ele.
― Você tem o dedo muito podre. Então, como médica, eu recomendo que você não se envolva com mais ninguém. Espere até que a gente se entenda, porque a próxima garota pode ser uma psicopata e te matar enquanto dorme. ― Ele gargalhou, me fazendo rir também.
― Certo, Sofia Swan Cullen. Eu prometo me manter longe de todas as mulheres perigosas até você voltar pra mim. ― Eu sorri e me inclinei sobre ele, beijando seus lábios com carinho.
― Ótima decisão. E, por favor, mantenha sua prima longe de mim. Eu estou na terapia e tudo... Porém, ainda posso me transformar em uma louca a qualquer momento. E não querermos o lindo rostinho dela todo arranhado, não é?
― Não. Não queremos. ― Ele concordou, parecendo bastante divertido.
― Certo. Agora, vamos descer, pois eu vim aqui para aproveitar a festa do meu irmão, e não é sua prima insuportável que vai me privar disso. ― Peguei a mão de Tommy e juntos descemos para o jardim.
Nossa família até tentou ser discreta ao nos ver de mãos dadas, mas estava evidente nos sorrisinhos e trocas de olhares que todos estavam mesmo torcendo pela nossa reconciliação. Exceto Jhessika Cullen, que nos fuzilou com o olhar.
Mas, ela que fosse à merda.
Ela podia ter sido o primeiro beijo de Tommy, mas eu fui a primeira namorada e a primeira transa. Nós dois tínhamos uma história juntos e, apesar de todos os desentendimentos, ainda havia sentimentos entre nós.
Não que fosse uma competição. Até porque, eu odiava essa ideia estúpida de que mulheres precisavam ser rivais em tudo.
Mas, foi ela quem começou, me chamando de filha adotada. O que de fato eu era, mas a forma como ela falou soou bem ofensiva, como se eu tivesse menos valor do que meus outros irmãos. Portanto, eu não gostava dela. E estava no meu direto.
Não era competição feminina. Era justiça.
Meus avós chegaram na hora em que o almoço começou a ser servido. Carlisle estava tranquilo, mas, Esme, por mais que tentasse, ainda parecia muito nervosa.
Como já havia tido muita emoção para um único dia, deixei para pensar nos meus avós e nos exames que vi no hospital em outro momento.
Hoje eu me concentraria apenas no meu irmão, que estava muito fofo em seu uniforme da Grifinória, lançando feitiços em todos nós.
― Ouvi dizer que você é uma excelente residente, Sofia. ― Cristian Cullen, irmão do meu avô e pai da tal Jhessika, comentou ao final do almoço, e eu sorri, já sentindo meu rosto levemente corado.
Cristian Cullen também era neurocirurgião e sua presença em Los Angeles me fazia suspeitar que talvez ele soubesse de algo a respeito do tumor que eu vi nos exames hoje de manhã.
Era muita coincidência que o irmão do meu avô resolvesse vir a Los Angeles justo quando Carlisle e Esme estavam na cidade para o aniversário do meu irmão.
― Faço o que posso. ― Comentei, deixando de lado os meus pensamentos e ele sorriu simpático.
― Você é médica? Qual a sua especialidade? ― Jhessika se intrometeu e eu troquei um breve olhar com Tommy antes de respondê-la.
― Eu estou no terceiro ano da residência. Mas, pretendo ser cirurgiã do trauma. ― Ela riu.
― Isso nem é uma especialidade... ― Jhessika comentou debochada e eu fechei a cara. Odiava o preconceito da maioria dos médicos com a traumatologia.
― É uma especialidade muito importante, Jhessika e Sofia é fantástica atuando nela. Os médicos atendentes praticamente se agridem para tê-la na equipe. E o seu talento para a medicina vem de berço, já que a mãe também é uma cirurgiã fantástica. Sofia flertou com a traumatologia aos quinze anos, quando mesmo ferida e prestes a entrar em choque hipovolêmico, ajudou Tommy a estancar uma hemorragia em sua própria perna. Minha neta ainda estava na faculdade quando desenvolveu com um colega uma técnica de corte anatômicos que é usado até hoje em cirurgias abdominais. Essa técnica lhe rendeu uma bolsa em Oxford e uma passagem direta para a escola de medicina em Harvard, na qual se formou com honras. Ela estaria comigo em Boston, se minha querida nora não a tivesse convencido a voltar para Los Angeles. Mas, talvez você queira saber que os maiores hospitais dos Estados Unidos brigaram por ela e ainda brigam. Estão apenas esperando pelo fim da residência. A princesinha do trauma, como é chamada por aqui, vai ser motivo de disputa entre os programas americanos de especialização médica. Mais uma vez. ― Esme falou, piscando para mim ao final do seu discurso, e eu sorri agradecida, me contendo para não lançar um olhar triunfante para a Jhessika “nojenta” Cullen.
Todos na mesa, inclusive o irmão do meu avô, me olhavam admirados. Meus pais sorriam com indisfarçável orgulho e eu, é claro, corei como uma colegial apaixonada.
Acho que jamais aprenderia a lidar com elogios.
― Uau... Eu me considerava uma excelente profissional, mas depois desse currículo, vou recolher minha insignificância e me conformar com o segundo lugar da família... ― Lara comentou e todos riram, o que desanuviou parte da tensão criada por Jhessika Cullen.
― Você também é fantástica, Lara. Já é uma advogada bastante conceituada e admirada. Nosso escritório tem muita sorte de poder contar com você. ― Meu pai falou indulgente, já que ele amava a atuação da minha prima, e Lara sorriu satisfeita.
― De nós ninguém fala nada, Tommy. ― Ethan se queixou e todos riram, enquanto tio Emmett discursava sobre o talento dos outros dois advogados da família.
Depois disso, o aniversário do meu irmão transcorreu sem mais incidentes e a alegria do pequeno ao soprar suas velinhas de dez anos contagiou a todos nós.
Minha mãe quis uma foto de toda a nossa família e eu me senti mais do que satisfeita em posar para os celulares de todos ao lado dos meus pais e irmãos, comprovando que eu era sim uma Cullen, amada e admirada por todos.
― Eu disse que todos amavam você. ― Tommy sussurrou em meu ouvido, enquanto ainda pousávamos para as fotos e eu sorri, sem encará-lo.
― Eu sou insegura. Mas, estou trabalhando nisso. E sobre a medicina... Bem, todos têm razão... Eu sou mesmo foda. ― Ele riu.
― Eu sei, Sofia... E é muito modesta também.
― Sempre...
Depois das fotos e da abertura dos presentes, Lara convidou os netos da família Cullen para uma rodada de Chopp em Santa Monica e eu aceitei animada, já que depois do dia de hoje, eu estava realmente precisando de uma dose de álcool.
Mas, como nem tudo era perfeito, Jhessika Cullen aceitou ao convite, que obviamente não foi direcionado a ela, e eu tive que suportá-la por algumas infinitas horas falando sobre seus feitos médicos – Sim, ela era residente e pretendia seguir pela neurocirurgia – e viagens pelo mundo.
― Essa garota é muito insuportável. Alguém sabe me dizer o que diabos ela está fazendo em Los Angeles? ― Mia perguntou quando a prima foi ao banheiro acompanhada de uma Lara contrariada e eu dei de ombros.
― Não faço a menor ideia. Mas, concordo que ela é insuportável.
― Meu irmão e ela tiveram uma aventura adolescente. Papai ficou apavorado com a ideia de tê-la como nora, o que significa que ela sempre foi um porre. ― Mia se virou para o irmão. ― Tommy, você é péssimo em escolher mulheres. Tirando a Sofia, que é maravilhosa, nenhuma outra escolha amorosa faz qualquer sentido. ― Minha irmã falou e Tommy revirou os olhos, enquanto eu ria.
― Eu concordo com você, Mia.
― Claro que concorda. ― Tommy resmungou e eu sorri, me aproximando dele e pousando a mão em seu peito.
Tommy era tão lindo e eu estava com muita vontade de beijá-lo, mas me contive. Ele disse que deveríamos ir com calma e nos reconectar aos poucos e eu precisava me lembrar disso, mesmo quando minha vontade era me atirar em seus braços e beijá-lo como se não houvesse amanhã.
― Eu sou perfeita, Tommy, admita... A única das suas conquistas amorosas que não é uma psicopata insuportável. ― Ele sorriu de lado.
― É... Você é perfeita sim. E está bêbada já...
― Só um pouquinho. ― Eu afirmei e ele balançou a cabeça, pedindo que o garçom me trouxesse uma garrafa de água, a qual eu aceitei de bom grado.
Nesse meio tempo, Jhessika e Lara voltaram do banheiro e a loira insuportável fez uma careta ao me ver próxima a Tommy, o que só me motivou a me aproximar ainda mais dele.
― Vocês não tinham terminado? ― Jhessika perguntou azeda e eu bufei, tomando minha água e ouvindo Tommy suspirar ao meu lado.
Aparentemente, ele também não gostava muito da priminha intrometida.
― Para uma prima distante, até que você sabe bastante da nossa vida... ― Eu resmunguei e ela sorriu debochada, mas antes que pudesse dizer mais uma de suas besteiras, senti o telefone de Tommy vibrar e me afastei do seu corpo para encará-lo, me sentindo estranhamente ansiosa.
― Oi, mãe... A Sofia? Está... Só um minuto. ― Tommy respondeu ao seu interlocutor e estendeu o celular para mim, me fazendo encará-lo confusa. A água ainda não tinha feito muito efeito e minha mente um pouco confusa graças a algumas canecas de Chopp. ― É a mamãe. Ela quer falar com você.
Eu peguei o telefone e o levei ao ouvido imediatamente.
― Mãe? ― Eu murmurei e pude ouvir sua respiração ofegante.
― Sofia, eu preciso que você traga Tommy, Ethan, Candyce e Mia para o hospital agora. ― Ela falou com a voz embargada e um alerta soou em minha mente.
― O que houve? ― Eu perguntei preocupada e percebi que todos me encararam, certamente estranhando meu tom de voz.
― Você viu as tomografias hoje de manhã. A Dra. Cornnel me disse. Aqueles exames são do Carlisle. E hoje, depois que vocês saíram de casa, ele passou mal e está internado. É grave, filha e nós precisamos de vocês aqui. Mas, eu não quero assustá-los. Assim, preciso da sua calma e técnica médica para trazê-los para cá sem causar alarde. ― Eu engoli em seco e tentei conter minhas próprias lágrimas, pois todos ali precisavam da máscara de frieza que nós médicos usávamos quando precisávamos dar alguma notícia ruim à família de algum paciente.
― Em meia hora estaremos aí. ― Eu falei baixinho e desliguei o celular, devolvendo o aparelho a Tommy, que me olhava ansioso.
― O que aconteceu? Você está meio pálida, Sofia. Para onde nós vamos? ― Ele falou e eu respirei fundo, bebendo o resto da minha água e me virando para encará-lo.
― Precisamos ir para o hospital.
― Por que? ― Ethan questionou alarmado e eu continuei olhando para Tommy enquanto respondia.
De todos ali, meu ex-namorado era o que teria a pior reação à doença do vovô. Tommy era muito apegado a Carlisle e não lidava muito bem com perdas e situações que fugiam ao controle.
Assim, ele era, sem sombra de dúvida, uma das minhas maiores preocupações no momento, pois eu sabia que ele precisaria de toda minha força e apoio para não desabar.
― O vovô está doente e nossa família precisa de nós. ― Eu anunciei depois de alguns minutos e todos ficaram em absoluto silêncio, enquanto me encaravam assustados.
E foi ali que uma das fases mais difíceis das nossas vidas começou.
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