Laços de amor
48 Capítulo 47
Capítulo 47
Pov. Bella
Algumas semanas antes...
─ Cuida dela, Bella. Por favor! Sofia é o meu amor e eu preciso ter a certeza de que ela está bem e feliz para conseguir me concentrar nos estudos. ─ Tommy me pediu, enquanto despedia-se de mim no aeroporto e eu sorri, beijando sua testa.
─ Vou cuidar, Tommy. Fique tranquilo, pois Sofia vai ficar bem. E, por favor, tenha juízo em Harvard. Curta cada momento, mas com sabedoria.
─ Pode deixar, mamãe. Eu amo você. ─ Ele falou divertido e eu ri, beijando-o e abraçando-o mais uma vez.
─ Também te amo, querido. Amo para sempre!
Depois foi a vez de Edward, que embora tentasse disfarçar, estava chorando desde o início do dia pela partida de Tommy para Boston.
Rosalie também estava inconsolável por conta da partida de Ethan. Tanto que Emmett e eu chegamos a apostar qual dos irmãos Cullen iria prender o filho nos pés da mesa primeiro. O choro alto da minha cunhada indicava que provavelmente seria ela.
─ Tire esse sorriso debochado do rosto, Bella. No ano que vem será você chorando por Sofia. Vai ver o quanto dói se despedir de um filho. ─ Rosalie resmungou ao meu lado e eu ri.
─ Rosalie, eles estão indo para a faculdade e não para a guerra. Deixe de ser dramática! ─ Eu falei e Rosalie bufou.
─ É o meu bebê. Meu menininho. Não tem como não ser dramática. Ethan será corrompido pela faculdade. Vai beber, fumar e fazer sexo. E isso me mata! ─ Rosalie lamentou e eu gargalhei, fazendo com que nossos maridos nos encarassem. Dei um sorriso amarelo pra eles e abaixei a voz em um tom perfeito para a fofoca que viria a seguir.
─ Seu filho já faz sexo, Rosalie. Muito sexo. Então, não se preocupe, pois Ethan já foi corrompido.
Rosalie me encarou chocada.
─ Desde quando? Como é que eu não fiquei sabendo disso?
─ Desde... Faz tempo, eu acho. Ele e Lara transaram antes de Tommy e Sofia.
─ Espera... Tommy e Sofia também transaram? Por quanto tempo eu dormi? ─ Rosalie perguntou e eu ri.
─ O que eu estou dizendo é que nossos menininhos cresceram e se tornaram homens. Homens que vão para a faculdade. É Harvard, Rosalie. É o sonho deles. E por mais que a saudade machuque, o melhor que temos a fazer como mães e apoiá-los e torcer para que tudo dê certo. ─ Ela fungou, fazendo um biquinho ridículo que se parecia muito com os do irmão quando estava bravo ou emburrado.
─ Você tem razão, mas ficar sem o meu filho vai ser tão difícil. Agora eu entendo porque minha mãe não queria que Edward e eu viéssemos para Los Angeles. Dizer adeus aos filhos, mesmo que para o bem deles, é muito doloroso. ─ Rosalie resmungou e eu sorri, abraçando-a pela cintura, enquanto observava Lara e Sofia despedindo-se dos namorados.
Quando o voo foi anunciado pela terceira vez, vimos com tristeza Tommy e Ethan desaparecer pelo portão de embarque e eu me revezei em apoiar Edward e Sofia, que se debulhavam em lágrimas ao meu lado.
─ Por que todo mundo tá chorando? Ir para Harvard é uma coisa ruim, mamãe? ─ Mia me perguntou confusa e eu sorri, puxando-a para meu lado e beijando o topo da sua cabeça.
─ Não, meu amor. Ir para Harvard é algo maravilhoso. Ficar longe dos meninos é que é ruim. A saudade machuca, princesa, e é por isso que todos estão chorando.
─ Quando eu for pra Harvard você vai chorar também, mamãe?
─ Vou chorar muito, amor. Mas, acho que antes disso eu me mudo pra Boston com seu pai e Elena. Não vou saber ficar sem Sofia e sem você, amor. Simplesmente não vou saber.
Fomos para casa depois que o avião dos meninos decolou e assim que chegamos, eu subi para o meu quarto a fim de descansar. Minha barriga de oito meses estava pesando demais, me deixando sempre cansada e sonolenta.
─ Amor, eu tenho que ir para o escritório e não tenho hora pra voltar. Mas, vou estar com o celular o tempo todo. Qualquer coisa me ligue que eu venho correndo. ─ Edward falou, entrando no quarto de repente eu suspirei, encarando-o.
─ Pensei que você não fosse para o trabalho hoje...
─ Estou com uma centena de casos acumulados. O acidente de Emmett tumultuou tudo. Além disso, tenho duas audiências importantes amanhã. Preciso reavaliar os casos com calma, pois um deles estava sob os cuidados de Emmett desde o início.
─ Emmett quebrou a perna, não a mão. Por que não está ajudando você com os casos acumulados?
─ Por conta da dor e dos efeitos dos analgésicos. Ele não consegue se concentrar. Além disso, Emmett está de licença médica. Não seria justo entupi-lo de trabalho. ─ Edward falou e eu fiz uma careta.
Ele tinha razão. Emmett precisava descansar, pois sua fratura na perna havia sido bastante séria. Mas, era uma droga que Edward tivesse tanto trabalho justo agora no estágio final da minha gravidez. Eu só queria meu marido ao meu lado, curtindo cada movimento de Elena em meu ventre e planejando sua chegada comigo. Mas, ao invés disso, Edward estava enterrado em uma pilha de processos e chegando cada dia mais tarde em casa. Minha vida era uma droga, às vezes!
─ Não fica com essa cara, Bella. Sofia e Mia vão ficar com você. Volto assim que puder. ─ Edward falou e eu bufei, cruzando os braços sobre o peito.
─ Te espero para o jantar?
─ Não. E nem me espere acordada. Mas, qualquer coisa, pode me ligar que eu venho voando. Eu te amo, tá?
─ Eu também te amo. E não fique sem comer, Cullen. Trabalhe a noite toda, mas peça comida. Promete? ─ Eu pedi e ele sorriu, beijando meus lábios repetidas vezes.
─ Prometo. Agora, descanse e cuide bem das nossas filhas.
─ Volte logo pra mim... ─ Eu falei, vendo-o sair do quarto e ele parou, me encarando.
─ Sempre...
**********
─ Mãe? Mia e eu fizemos macarronada. Você não vai comer?
Ouvi a voz suave de Sofia e abri os olhos, encarando-a.
─ Que horas são?
─ Quase oito. Você dormiu a tarde toda. ─ Fiz uma careta. Elena estava me deixando mais cansada do que eu gostaria de admitir.
─ Você e Mia fizeram o jantar? Que novidade é essa?
─ Era Tommy quem sempre cozinhava, mas aprendemos muitas coisas com ele. Além disso, você estava cansada. Mia e eu, como boas filhas que somos, quisemos fazer uma surpresa. ─ Dei um largo sorriso. Minhas filhas eram maravilhosas.
─ Vocês são incríveis mesmo. Vou tomar um banho e já desço. Liga para o papai e certifique-se de que ele pediu o jantar. ─ Sofia assentiu, me ajudando a levantar.
Encontrei minhas meninas na sala de jantar e Sofia me garantiu que Edward já havia jantado.
─ Falou com Tommy? ─ Eu perguntei enquanto comíamos e minha filha suspirou, me encarando com os olhos verdes cheios de lágrimas.
─ Falei. Ele e Ethan estão na casa da vovó Esme. Eles vão se mudar para o apartamento de Cambridge no fim de semana. Tommy está muito feliz por ter conseguido ir para Harvard. Ethan também... Mas... Vai ser ruim demais ficar sem eles aqui.
─ Verdade. Eu nunca fiquei longe do meu irmão. É estranho saber que ele não está em casa. ─ Mia resmungou triste e eu sorri, segurando sua mãozinha e apertando-a com carinho.
─ Ele vai vir nos visitar sempre, querida. Podemos ir a Boston também. Vai ser estranho ficar longe de Tommy, mas temos que pensar que é pelo bem dele. Nosso menino está realizando um sonho. E é isso que importa.
─ Tommy podia ter um sonho mais perto de casa... ─ Mia falou e Sofia e eu rimos.
─ Eu concordo com você, Mia. Esse ano vai demorar muito pra passar. ─ Sofia resmungou e eu fiz uma careta por saber que daqui a um ano minha filha estaria trilhando o mesmo caminho que Tommy para longe de mim.
Seria difícil, mas eu tentaria manter o discurso de que seria para o bem dela, porque de fato seria. Minha filha estudará em Harvard e isso deveria ser apenas motivo de orgulho pra mim que lutei tanto para criá-la e dar-lhe uma boa educação.
Depois do jantar e da limpeza da cozinha, nós três nos reunimos na sala para um filme. Mia dormiu ainda nos créditos iniciais e Sofia passou o tempo todo trocando mensagens com Tommy e chorando.
─ Vou precisar marcar uma sessão no psicólogo para você, amor? ─ Perguntei a minha filha que suspirou e jogou o celular sobre o sofá.
─ Não. Eu vou ficar bem. É só que... Eu estava acostumada com ele e com a nossa rotina. Estudávamos na mesma escola e morávamos na mesma casa. Vai ser complicado desacostumar, mas eu não vou morrer e nem ficar depressiva. Pode ficar tranquila.
─ Eu sinceramente espero que não. Preciso de você viva e saudável. Minha felicidade depende disso. ─ Eu falei e ela sorriu, se aproximando de mim e deitando a cabeça sobre meu ombro, já que Mia estava sobre meu colo.
─ Estar apaixonada é uma droga, ás vezes... ─ Ela resmungou e eu ri.
─ É. De fato. Minha paixão por Edward, por exemplo, me impede de matá-lo por me deixar sozinha nesse estágio da gravidez.
─ Ele está trabalhando, mãe. De um desconto ao melhor marido que você poderia sonhar em ter.
─ Você sempre o defende... ─ Eu resmunguei e Sofia riu alto.
─ O papai é uma vítima nas suas mãos, mãe. Ele precisa de alguém que o defenda e esse é o meu papel.
─ Você também é minha filha, senhorita Sofia Swan Cullen. Na verdade, o seu papel é ficar neutra em conflitos envolvendo seus pais.
─ Mãe, você é uma bomba ambulante de hormônios. Sinto muito, mas enquanto a Elena não nascer, meu dever é defender o papai da sua fúria de grávida. ─ Ela falou divertida e eu ri, beijando seu rosto.
─ Logo a Elena vai nascer. Mais algumas semanas, apenas. Aí, Edward estará livre dos meus hormônios malucos de grávida.
─ E será vítima dos seus hormônios de lactante. Pobre papai! ─ Sofia comentou e eu ri.
─ Vamos dormir, vai... Seu pai vai demorar e amanhã você e Mia têm aula. ─ Sofia fez uma careta.
─ Eu queria que as férias durassem para sempre. Ir para a escola sem Tommy vai ser horrível... ─ Revirei os olhos.
─ Para de drama, Sofia. Ele não morreu. E você já foi para escola sem ele. Passou muitos anos lá antes de conhecê-lo.
─ Mas, agora é diferente...
─ Claro que é! Vamos lá... Cama. Vocês duas. Mas, antes, banho e escovar os dentes. ─ Eu falei, levantando Mia do meu colo, que me encarou mal humorada.
─ Eu tomei banho ontem... ─ Ela resmungou e eu ri.
─ Exatamente. Ontem. Portanto, precisa de um banho hoje. Agora. Vamos lá, loirinha. Vamos ficar limpinha para dormir. ─ Fui empurrando minha pequena escada acima, enquanto ela resmungava por todo o caminho até o banheiro.
Coloquei Mia na cama e fui desejar boa noite a Sofia, antes de desabar sobre minha cama e adormecer profundamente.
Não vi quando Edward chegou. Só soube que ele tinha voltado para casa quando na manhã seguinte ele me acordou com um beijo já pronto para ir ao fórum.
─ Você dormiu em casa? ─ Perguntei sonolenta e ele sorriu.
─ Dormi. Cheguei por volta da meia noite. Vou chegar tarde hoje de novo, mas Alice vai vir ficar com você. Continue dormindo, pois as meninas já estão prontas e eu vou levá-las a escola.
─ Eu odeio o seu trabalho. ─ Edward sorriu para o meu resmungo mal humorado. Ele já sabia que eu não era uma boa pessoa de manhã.
─ Eu também odeio seus plantões intermináveis, mas não falo nada porque é algo que você ama. Sei que nesse momento da gravidez deveria estar o tempo todo ao seu lado. Eu gostaria de estar, mas tenho responsabilidades e funcionários que dependem de mim. Logo Emmett volta para o escritório e eu vou tirar uma licença para cuidar de você e da Elena como se deve. Prometo! ─ Fiz uma careta e não respondia nada, aceitando em silêncio seu beijo de despedida.
O fato era que Edward era um bom marido e eu não podia enlouquecê-lo só por conta de um contratempo no escritório. Ele me apoiara em todas as situações complicadas pelas quais eu passara e o mínimo que eu podia fazer era apoiá-lo agora, mesmo que eu odiasse estar longe dele nesse momento tão importante da minha gestação.
Depois que Edward e as meninas saíram eu voltei a dormir, só acordando quando meu estômago reclamou de fome.
Alice chegou por volta das três da tarde e ficou comigo até Sofia voltar do hospital. Foi um dia calmo e agradável, mas eu estava morrendo de saudades do meu trabalho. Viver por tantos anos dentro de um hospital fizera com que eu desenvolvesse um vício. Eu era uma viciada em cirurgias e ficar longe disso por um tempo seria doloroso.
─ Quando a Elena nascer você vai esquecer esse seu vício em cirurgia, Bella. Fica tranquila. Serão tantas fraldas sujas, choro, peitos doloridos e noites mal dormidas que a última coisa que você vai querer na vida é operar. ─ Alice falou quando comentei sobre a saudade que eu sentia do trabalho e eu ri. Ela tinha razão. Um bebê novo significava muito trabalho. Acho que era exatamente por isso que ela e meu irmão nunca mais quiseram filhos. Lara não tinha sido uma criança fácil.
No fim daquela semana tive uma consulta com a Dra. Clay, que me garantiu que estava tudo bem comigo e com Elena. Sofia me acompanhou, pois Edward estava, como sempre, preso no escritório.
─ Seu parto está previsto para a segunda quinzena de setembro, mas é possível que você já comece a sentir algum desconforto antes disso. Qualquer mudança na sua urina ou dor mais forte me procure. A propósito, como foi o seu primeiro parto? ─ Fiz uma careta. Contrações nunca seria uma lembrança agradável.
─ Foi tranquilo, embora tenha doído bastante. Somos malucas de querer passar por esse suplício de novo, não é? Um bebê nos rasgando de dentro pra fora e saindo por nossa vagina... Meu Deus! ─ Eu falei divertida e Joice riu. Sofia me olhou indignada.
─ Mãe!
─ Eu tenho três filhos. Todos de parto normal. Dói muito, claro. Como dói! Mas, vale a pena quando eles são colocados lindos e perfeitos em nossos braços, ainda sujos com nosso sangue. Não somos malucas. Somos mães.
─ Sou apaixonada por minhas filhas, Dra. Clay, mas o parto não me atrai. Em nada. Mas, se entrou tem que sair. Eu te vejo em algumas semanas, então.
─ Isso aí. Continue com a dieta e os exercícios moderados. E nada de sexo. Isso pode acelerar a hora do parto. ─ Fiz uma careta. Meu marido nem ficava em casa mesmo. Falta de sexo não seria um problema.
Sofia, Mia e eu arrumamos juntas os últimos detalhes para a chegada de Elena. Edward chegava todos os dias muito tarde, mas o tempo que estava em casa dedicava-se a mim e às nossas filhas.
Minha mala e a de Elena já estavam prontas há semanas e Edward lavava e trocava a água da garrafa térmica todos os dias, estando sempre pronto para qualquer emergência.
─ Tommy vai vir para uma visita em setembro. Ele quer estar aqui quando Elena nascer. ─ Edward comentou quando nos preparávamos para dormir e eu sorri.
─ Vai ser bom tê-lo em casa de novo. Mas, não sabemos exatamente quando Elena vai resolver dar o ar da graça.
─ Segunda quinzena de setembro. Temos uma previsão. Se ela for doce como Sofia, vai nascer no tempo previsto. Se for marrenta como Mia vai adiantar ou atrasar. Tommy chega dia 10. Ele quer estar aqui para o seu aniversário e para o aniversário de Sofia.
─ Nada de festas esse ano. Vou fazer apenas um bolo, como fazia quando Sofia era criança. Estou cansada, gorda e pesada demais para festas. ─ Eu resmunguei e Edward riu, me abraçando por trás e beijando meu pescoço.
─ Você não está gorda. Está linda. É a grávida mais linda que eu já vi.
─ Mais linda do que Tanya? ─ Eu perguntei baixinho e Edward suspirou, me virando para que pudesse me encarar.
─ Tanya era uma grávida linda também. Ela adorava ser mãe e curtia cada momento da gravidez como se fosse único. Mas...
─ Mas... ─ Eu incentivei e ele respirou fundo, me encarando com tristeza.
─ Ela me deixava de fora. Não pedia minha opinião para nada relacionado à gravidez ou às crianças. Eram todas decisões dela e quando eu queria decidir também ela se irritava. Eu não curti muito a gravidez dos meus filhos, pois era o momento da Tanya Denali. Ela nunca me deixava chegar perto quando sua barriga começava a crescer, então não tinha como eu acha-la bonita. Portanto, pra mim, você é a grávida mais linda de todas, pois além de ser minha grávida, exige minha participação em tudo. Esperar por Elena está sendo muito especial, mesmo eu não estando com você o tempo todo no estágio final. ─ Edward explicou e eu sorri de leve, beijando seus lábios com carinho.
─ Seu apoio e sua participação são muito importante pra mim, Edward. Você é o pai do meu bebê e o fato de você amá-la e deseja-la na mesma intensidade que eu faz de mim a pessoa mais sortuda e feliz desse planeta. Quando eu estava grávida de Sofia, tudo o que eu mais queria era a participação do pai. Queria que alguém a desejasse como eu a desejava. Ter você ao meu lado agora é perfeito. Você é perfeito e eu te amo. ─ Falei emocionada e ele sorriu, me beijando profundamente.
─ Eu também te amo, minha barrigudinha linda. Agora, descanse. Amanhã vamos fazer as últimas compras para nossa filha e você precisa estar plena. ─ Edward falou e eu ri, me aconchegando em seus braços e dormindo o sono dos justos.
No dia seguinte, um domingo, fomos às compras e passamos o dia todo no shopping com Mia e Sofia. Compramos tudo o que ainda faltava para a chegada de Elena. Compramos também presentes pra mim e para Sofia, já que dentro de alguns dias seria o nosso aniversário.
Tommy chegou a Los Angeles no fim de semana seguinte, trazendo com ele toda a alegria de Sofia, que não parava de sorrir desde que fora buscar o namorado com o meu carro no aeroporto.
─ Eu já disse que o carro está inteiro, mamãe. Sou uma ótima motorista. Papai me ensinou bem. ─ Ela falou, dando um beijo no rosto de Edward, que sorriu orgulhoso.
─ Ela é ótima mesmo. Melhor do que Tommy, até. ─ Tommy encarou o pai indignado.
─ Ei! Isso não é verdade. Eu sou ótimo no volante. Se não fosse assim, você jamais me deixaria dirigir o seu carro.
─ Bem... Isso é verdade. Mas, Sofia é ótima também. Pode confiar seu carro a ela, amor. Sem medo. ─ Edward me garantiu e eu revirei os olhos, me sentindo um pouco enciumada com a relação da minha filha com o pai. Às vezes, eu tinha a impressão que ela gostava mais dele do que de mim.
No dia do aniversário da Sofia, dois dias após o meu, fizemos um jantar para nossos familiares, com direito a bolo e música de parabéns, o que a deixou muito feliz.
Os aniversários anteriores da minha filha, tirando sua linda festa de dezesseis anos, eram sempre solitários. Apenas eu e ela passeando por Los Angeles, fazendo compras, preparando e comendo seu bolo de brigadeiro, assistindo filmes e dormindo agarradas. Ter uma família para comemorar essa data era mais do que especial para ela. E para mim também. Vê-la feliz e realizada era tudo o que eu sempre desejei.
No dia seguinte ao aniversário de Sofia, eu acordei estranha. Eu já tinha tido alarmes falsos durante aquela semana, mas dessa vez eu sabia que era diferente. Elena estava pronta para nascer e algo me dizia que ela chegaria ainda hoje.
Tomei um banho demorado e após o café da manhã, voltei para cama, pois precisava poupar energia para a hora do parto.
Alice veio me fazer companhia após o almoço e ficou até Sofia voltar do hospital, trazendo Mia que se recusava a ir para casa de Rosalie por causa de uma briga com Candyce na aula de balé.
─ Ela me derrubou e estragou meu número perfeito. Além do mais, ficou com o papel principal. ─ Mia falou e eu a olhei seriamente.
─ O tombo foi um acidente, Mia. E quanto ao papel principal, ela mereceu. Você não pode querer ser a protagonista de todos os musicais. É preciso dar a vez para as outras crianças.
─ Eu sou a melhor. ─ Mia falou teimosamente e eu bufei, segurando seu queixo para que ela me encarasse.
─ Você é ótima, meu anjo, e eu fico feliz que seja tão segura sobre o seu talento no balé. Mas, você não é a única com talento no seu grupo de dança. Todos lá merecem e batalham por uma oportunidade assim como você. Portanto, você vai se desculpar com Candyce pela briga de hoje e vai dar todo o apoio a sua prima para que ela faça uma apresentação magnífica como dançarina principal. Caso contrário, a senhorita estará de castigo até o natal. Sem sobremesa e com uma porção de brócolis diária. E aí... Como vai ser?
─ Vou ligar pra ela... ─ Mia murmurou emburrada e eu sorri satisfeita.
─ Ótimo. Agora, posso parir em paz. Sofia, ligue para o seu pai, pois minha bolsa acabou de romper. ─ Eu falei e minha filha arregalou os olhos, olhando assustada para a poça de água e sangue que acabara de se formar sob meus pés. ─ Anda, Sofia. Agora.
─ Acho melhor o Tommy ligar. Eu te ajudo a trocar de roupa. ─ Ela sugeriu e eu assenti, aceitando sua ajuda e voltando para o meu quarto.
─ Meu pai não atende. Nem o celular e nem o telefone do escritório. Mandei mensagem e deixei recado na secretária eletrônica e na caixa postal. Vamos torcer pra ele ver. ─ Tommy falou quando Sofia e eu voltamos para o andar debaixo e eu bufei.
Eu ia matar o meu marido por sumir no dia do meu parto.
─ Tommy, pegue a chave do carro. Vamos deixar Mia na casa da sua tia e depois vamos para o hospital. Você consegue dirigir?
─ Sim. Podemos passar no escritório do papai antes de irmos para o hospital. Não fica tão fora do caminho assim. ─ Tommy sugeriu e eu o encarei mal humorada.
─ Tommy, você já pariu? ─ Ele corou, engolindo em seco diante do meu olhar.
─ Não...
─ Então, não sabe o que é ter uma maldita contração. Eu não vou desviar do meu caminho para o hospital, ao não ser para deixar Mia na casa da sua tia, pois eu estou com dor. Tem um bebê pronto para passar pela minha vagina e se o seu pai se esqueceu desse detalhe, ele que vá para o inferno, pois nós vamos direto para o hospital. Alguma dúvida?
─ Nenhuma. Hospital. Vamos lá. ─ Ele falou, parecendo assustado e eu suspirei.
─ Me desculpe. Não sou uma boa pessoa com dor. Então, vamos logo. Elena está com pressa. E eu também.
Depois de deixar Mia na casa da tia, para quem eu amaldiçoei Edward mais de mil vezes, fomos para o hospital, onde a Dra. Clay já me esperava.
─ Vamos para a sala de triagem agora. Onde está seu marido? ─ Ela me perguntou assim que terminei de preencher toda a papelada para a internação e eu bufei, fechando os olhos e gemendo quando uma nova contração chegou.
─ Essa é a pergunta do dia. Onde está o meu marido? Não sabemos. Mas, se eu parir sem ele aqui, amanhã ele estará no cemitério, com toda a certeza. ─ Eu declarei irritada e Joice riu.
─ Sofia, encontre seu pai. Se ele não chegar, vista-se e entre. Você pode assistir o parto se quiser. Você não, Tommy. Sua missão é avisar a família sobre o nascimento da pequena Elena.
─ Eu não ia querer mesmo, Dra. Clay. Fico feliz com minha tarefa de mensageiro. ─ Meu filho respondeu e eu sorri para ele. Acho que Tommy ainda estava traumatizado com o meu surto de antes.
Fomos para a sala de pré-parto, na qual passei pela triagem. Mediram minha pressão, tomaram minha temperatura, auscultaram o coração do bebê, e verificaram minha dilatação. Estava tudo bem comigo e com Elena e minha dilatação estava evoluindo rápido, o que significava que Edward deveria chegar logo, ou perderia o nascimento da nossa filha.
─ Vai querer anestesia? ─ Dra. Clay me perguntou depois de algumas horas e eu assenti, gemendo com mais uma contração longa e dolorosa.
─ Por favor. Não aguento mais isso. Edward já chegou?
─ Ainda não. Sofia vai entrar. Quer que chame mais alguém?
─ Não. Quero o meu marido.
─ Vamos aplicar a anestesia daqui a pouco e depois eu quero que você ande. Caminhe pelo quarto nos intervalos das contrações.
─ Andar? Eu estou parindo. ─ Protestei e Joice revirou os olhos.
─ Você é médica, Bella e sabe que andar durante os intervalos das contrações é bom para o trabalho de parto. Então, obedeça. Vamos tentar encontrar seu marido enquanto isso. ─ Ela falou e eu bufei, mas acatei suas ordens.
Sofia ficou comigo o tempo todo e quando finalmente fui levada para a sala de parto, Edward apareceu esbaforido e apavorado e eu só não o agredi, pois tinha um bebê escorregando de dentro de mim naquele momento.
─ Onde você estava? ─ Perguntei brava e ele suspirou, beijando minha testa e agarrando minha mãe esquerda.
─ No escritório. Bella, me perdoe. Meu celular descarregou e eu não ouvi o telefone do escritório tocar. Quase morri de susto quando cheguei em casa e não encontrei ninguém. Liguei para Rosalie e ela me disse que você estava no hospital. Eu vim praticamente voando. Não me perdoaria se perdesse o nascimento da nossa filha.
─ Se você não estivesse aqui eu pediria o divórcio, Cullen. E depois eu te mataria. ─ Eu resmunguei e ele riu, beijando minha mão.
─ Mãe, para de brigar. Ele já chegou. Concentre-se em trazer Elena para o mundo, agora. ─ Sofia falou e eu bufei, mas não pude dizer nada, pois outra contração chegou. Não era tão forte por causa da anestesia, mas ainda doía bastante.
─ Obrigada, Sofia. Você é o juízo que sua mãe perdeu. Bella, agora eu preciso que se concentre. A cada nova contração eu quero que empurre. Vamos trazer Elena para a luz... ─ Dra. Clay falou e eu assenti fazendo o que ela pediu e menos de vinte minutos depois minha filha escorregou do meu corpo, chorando em plenos pulmões e me fazendo chorar também. ─ Ela é linda, Bella. Forte e saudável. O papai pode cortar o cordão.
─ Sofia vai cortar. Já combinamos. ─ Edward falou e Sofia foi cortar o cordão umbilical da irmã depois de me dar um beijo no rosto.
Elena foi colocada sobre meu peito ainda toda suja de sangue, mas àquilo não diminuía em nada sua beleza. Ela era perfeita. Idêntica à Sofia quando nasceu, o que me fez sorrir. Elena era parecida comigo.
─ Ela é linda, amor. Obrigada por me dar essa filha. Obrigada por ser minha e por me fazer tão feliz. ─ Edward falou e eu sorri entre lágrimas, beijando-o emocionada.
─ Elena é perfeita, mãe. Parabéns aos dois pelo bebê lindo que fizeram juntos. ─ Sofia falou entre lágrimas e eu sorri, olhando mais uma vez para a menina linda em meus braços que ainda chorava.
─ Ela é linda mesmo. Minha pequena Elena. Como eu te amo!
─ Agora, eu preciso que todos saiam. Vamos cuidar da mamãe e do bebê. Daqui a uma hora vocês podem encontrá-las no quarto. ─ A Dra. Clay falou e Edward sorriu, beijando a filha e a mim e saindo da sala de parto acompanhado por Sofia.
Passei as próximas horas sob cuidados médicos e dormi na maior parte do tempo.
Fui levada para o quarto no início da manhã e sorri ao encontrar toda minha família me esperando, inclusive Rosalie que viera para trazer Mia.
─ Mãe, Elena é linda. A tia Rosalie disse que você deve fazer feitiços, pois todos os bebês que você tem nascem apenas com a sua cara. ─ Mia falou e eu encarei Rosalie, que deu de ombros, parecendo divertida.
─ Essa é a verdade. Sofia é uma fotocópia sua e, pelo visto, Elena também. Seu útero é enfeitiçado. É a única explicação. Mas, ela é linda. A coisinha mais fofa que eu já vi.
─ Ela é linda mesmo. Principalmente porque se parece com a minha namorada. ─ Tommy falou orgulhoso, dando um beijo em Sofia e eu revirei os olhos, assim como Edward, que estava com nosso bebê no colo, parecendo muito satisfeito por poder segurá-la.
─ Elena é perfeita. Ela vai ter os meus olhos e os cabelos da cor dos meus. Além disso, se parecer com a mãe é um privilégio, pois minha esposa é lindíssima. ─ Edward falou e Rosalie revirou os olhos, enquanto todos os outros riam.
─ Já avisamos os avós sobre o nascimento da pequena. Meus pais virão no fim de semana e os seus já estão no avião. Alice e Jasper virão à tarde. Mas, todos já receberam fotos da princesa. ─ Rosalie falou e eu assenti, recebendo minha filha nos braços.
─ Obrigada, Rosalie. E sobre meu feitiço... Bem, não posso fazer nada se meus genes são mais potentes. Mas, minhas filhas são lindas. Todas elas, mesmo as que não nasceram de mim. ─ Eu falei, piscando para Mia que sorriu, e se aproximou para me dar um beijo.
─ Você também é linda, mamãe. A mais linda de todas. ─ Mia falou e eu sorri, beijando seu rostinho lindo.
Eles ficaram por mais um tempo, até que a Dra. Clay mandou todos para casa, dizendo que Elena e eu precisávamos descansar. Apenas Edward ficou.
─ E o escritório? ─ Eu perguntei e ele suspirou, sentando-se na poltrona ao lado da cama e me observando, enquanto eu tentava fazer com que nossa filha pegasse meu seio.
─ Riley Biers vai ficar responsável por enquanto. Ele foi nosso melhor estagiário e é um excelente advogado. Mas, se tudo der certo, Emmett volta à ativa na próxima segunda, pois eu estou de licença para curtir minha mulher e minha filha recém-nascida.
─ Ótimo, pois vamos precisar do papai. Obrigada por estar aqui. Por ter vindo para o parto e por me apoiar agora. Você é o melhor!
─ Obrigada por me deixar participar. Ela é linda e perfeita e eu estou mais do que feliz de ser o pai de todos os seus filhos, mesmo que duas delas tenham apenas sua cara. ─ Edward declarou e eu ri.
─ Meus genes são poderosos, mas Sofia é linda. Elena vai ser também. Já é, aliás.
─ Claro que sim. Ela é perfeita. Assim como você. ─ Edward falou e eu sorri, observando meu bebê que sugava meu seio como se sua vida dependesse disso.
Elena era linda. Minha família era toda linda e, nesse momento, não cabia mais felicidade em mim. Minha vida estava perfeita e eu esperava que continuasse assim por muito tempo.
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