Laços de amor
46 Capítulo 45
Capítulo 45
Pov. Sofia
Senti alguém se aproximando de mim, mas não me virei para ver quem era. Estava frio e chovendo, mas eu estava tão mentalmente cansada que não importei com nenhuma condição adversa do tempo sombrio de Forks. A única coisa que eu queria no momento era ser deixada em paz.
− Filha? Você está bem, meu amor? – Minha mãe me perguntou suavemente, sentando-se ao meu lado na grama molhada do jardim dos meus avós e eu respirei fundo, mantendo meus olhos fixos no céu eternamente nublado de Forks sem saber o que dizer a ela. – Sofia? Fale com a mamãe, por favor. Eu preciso ter certeza de que você está bem, princesa. Eu preciso ouvir sua voz linda para saber que você está realmente bem. – Minha mãe insistiu e eu senti lágrimas invadindo meus olhos, enquanto uma sensação estranha oprimia meu peito.
− Tudo podia ter sido bem diferente, não é? – Eu murmurei depois de um longo momento de silêncio e minha mãe respirou fundo, se aproximando um pouco mais de mim e fazendo com que eu deitasse a cabeça em seu ombro.
− A que você se refere?
− Hoje, durante o funeral de Jacob, o pastor descreveu um cara incrível, mãe. Alguém generoso, bondoso e leal. Eu vi muitos amigos e familiares chorando e se lamentando pela morte dele. E aquele Jacob por quem as pessoas choravam não se parecia em nada com o homem que te abandonou grávida e que me tratou tão mal quando nos conhecemos. Se ele tivesse sido com você a mesma pessoa que foi para aquelas pessoas, tudo poderia ter sido diferente.
− Você queria que tivesse sido diferente? – Ela me perguntou suavemente e eu a encarei, enquanto grossas lágrimas deslizavam por meu rosto.
− Desejei isso hoje por alguns instantes. Eu queria ter conhecido o cara por quem aquelas pessoas choravam. Eu queria ter podido conviver com meu pai. Eu queria que ele tivesse me amado. Mas, aí, eu penso em Edward e no quanto somos felizes desde que ele entrou em nossas vidas e me sinto culpada por ter desejado isso. Eu... Eu estou tão confusa e tão triste que nem sei como explicar... – Eu falei com a voz embargada e minha mãe expirou, me apertando mais contra ela.
− Amor, não há problema nenhum desejar ter conhecido e convivido com o seu pai. Edward entenderia perfeitamente isso.
− Mas, mãe, se tivesse sido diferente, se Jacob e você tivessem me criado juntos, nós provavelmente nunca teríamos ido para Los Angeles e não teríamos conhecido Edward. Então, desejar que minha vida tivesse sido diferente significa desejar que Edward, Tommy e Mia não fizessem parte dela.
− Amor, mesmo que Jacob tivesse te assumido e cuidado de você, eu duvido que nós dois ficaríamos juntos. Ele e eu éramos muito diferentes e não daria certo. Não por muito tempo, pelo menos. Acredito que, no final das contas, teríamos ido para Los Angeles sim e eu acabaria conhecendo e me apaixonando por Edward Cullen. – Ela falou e eu sorri do seu jeito apaixonado.
− Por que ele era bom para as outras pessoas e não me quis? Por que Jacob não me assumiu como filha, mãe?
− Ele era muito imaturo quando eu fiquei grávida, amor. Jacob queria explorar o mundo em sua moto e não estava interessado em assumir as responsabilidades que um filho traria. Mas, meu anjo, isso não aconteceu só comigo. Muitos homens abandonam seus filhos sem nenhuma assistência. E isso é culturalmente aceito. A responsabilidade de cuidar e criar os filhos acabam sendo exclusivamente das mulheres.
− Isso é tão errado! Se dois são necessários para gerar um bebê, dois são necessários para criá-lo.
− Eu também acho, mas não é assim que geralmente acontece. Todavia, eu me saí bem sozinha. Apesar de todas as dificuldades, consegui criar um ser humano maravilhoso de quem eu muito me orgulho. Você é doce, obediente, inteligente, espirituosa, generosa, leal... Eu te amo tanto, meu amor. Amo por todos aqueles que não te amaram como deveriam. – Ela falou e eu sorri, beijando seu rosto e me aconchegando em seus braços.
− Aquela senhora, Sarah Black, me disse que Jacob falou de mim para todos na reserva. Disse que eu era sua cara e que era linda.
− Filha, acho que no fundo Jacob chegou a te amar. Vocês não criaram laços, mas isso não significa que ele não fosse se orgulhar de ter uma filha como você. Além disso, é tão fácil te amar, Sofia. Você é tão perfeita... – Minha mãe declarou e eu revirei os olhos.
− Você é minha mãe. É óbvio que me acha perfeita.
− Os Black também acharam. Quer dizer, Sarah, Rebeca e Rachel. Elas te acharam linda e doce. Fizeram questão de me dizer isso. – Minha mãe falou e eu fiz uma careta.
− É tão estranho saber que eu tenho uma avó e tias. Você nunca me falou sobre elas.
− Seu avô Charlie e Billy, o pai de Jacob, eram muito amigos. Quando Jasper e eu éramos crianças íamos muito a reserva e eu acabei me tornando amiga de Rachel e Rebeca. E de Jacob também. Vivíamos sempre juntos. Jasper chegou a namorar Rebeca por um tempo antes de conhecer Alice. No entanto, quando seu pai e eu começamos a namorar, eu acabei me afastando das suas... Bem, das suas tias. Rebeca se casou com Paul e Rachel foi estudar fora. Eu nunca mais as encontrei. E Sarah... Sua avó vivia sob o domínio total do marido. É assim na reserva. Os homens são a lei. E eu acabei quase não convivendo com ela, mesmo tendo namorado Jacob por quase dois anos.
− Os homens mandam nas esposas? Completamente? – Eu perguntei chocada e minha mãe assentiu. – Ainda bem que não fui criada na reserva, então. Jamais concordaria com isso. – Eu declarei e minha mãe sorriu.
− Esse era um dos motivos para Jacob e eu não nos darmos bem. Ele achava que tinha total controle sobre meus atos e desejos. Mas, eu não o culpo, pois foi a forma como seu pai foi criado.
− Você o odeia? Digo, por tudo o que ele fez a você? – Eu perguntei e minha mãe expirou, me encarando nos olhos.
− Não. Não mais. Na verdade, eu lamento que ele tenha morrido sem ter a chance de conviver com alguém tão especial como a filha que fizemos juntos. – Ela falou, beijando minha testa em seguida e eu sorri tristemente.
− Sarah me convidou para ir até a reserva amanhã. Ela disse que tem algo para me entregar.
− E você vai?
− Acho que sim. Provavelmente será a última vez que eu a verei. Além disso, fiquei sabendo que tenho primos. Gostaria de conhecê-los.
− Tommy vai com você?
− Você não quer ir? – Eu perguntei surpresa e minha mãe suspirou.
− Só se você fizer questão que eu vá. La Push e a reserva Quileute não me trazem boas lembranças. – Ela declarou e eu sorri de leve.
− Certo. Tommy pode ir comigo, então. Eu te conto tudo quando voltar.
− Certamente. Agora, vamos para dentro antes que a gente pegue um resfriado. – Ela ordenou e eu assenti, seguindo-a para o interior da casa de Charlie e Renée.
No dia seguinte, depois de uma noite muito mal dormida, Tommy me acompanhou até La Push, mesmo tendo tentado me fazer desistir de ir até lá.
Quando chegamos à reserva, Sarah já nos esperava na porta.
− Bom dia, Sofia. Pensei que sua mãe viria com você. – Ela comentou e eu sorri de leve, trocando um olhar com Tommy, que continuava emburrado.
− Ela tinha umas coisas pra fazer com o meu pai. Por isso Tommy veio me acompanhar.
− Seu pai? – Sarah me perguntou confusa e eu assenti.
− Sim. Edward Cullen. Meu pai. E esse é Antony Denali Cullen, meu namorado. – Eu falei com firmeza e Sarah forçou um sorriso para nós dois.
− Certo. Bem, vamos entrar. Suas tias e seus primos estão ansiosos para vê-la outra vez. – Ela falou e eu respirei fundo, seguindo-a e forçando Tommy a nos acompanhar.
Foi muito estranho estar entre a família do meu pai biológico. Eram todos muito gentis, mas eu não tinha nenhum tipo de laço ou ligação com eles. Nada.
− Tudo bem? – Tommy me perguntou baixinho, enquanto eu observava meus primos discutindo sobre como devia ser estranho viver em Los Angeles e eu sorri de leve pra ele, assentindo.
− Sim... Só é estranho estar aqui, sabendo que eu tenho uma ligação genética com todos eles. Com pessoas que até ontem eu nem sabia da existência. – Eu comentei e Tommy assentiu.
− Você vai para a faculdade, Sofia? – Teddy, filho de Rebeca com Paul me perguntou e Tommy se empertigou ao meu lado, apertando minha mão com força. Teddy tinha minha idade e desde ontem meu namorado estava surtando com esse fato.
− Vou. Harvard. Tommy e eu vamos juntos. – Eu respondi e ele encarou meu namorado por longos segundos, antes de voltar sua atenção pra mim.
− E sua mãe vai deixar?
− Vai, claro. Minha mãe me apoia sempre. Além disso, ela confia em Tommy. Vai ser ruim ficar longe dela, do meu pai, de Mia e da minha irmãzinha que vai nascer, mas pelo menos meu namorado e eu estaremos juntos.
− E já sabe o que vai cursar? – Rachel me perguntou, segurando Vivian, minha prima de quatro meses no colo, e eu sorri pra ela.
− Provavelmente irei para a escola de medicina. Serei cirurgiã como minha mãe. – Eu falei com orgulho e Rachel sorriu, trocando um olhar com Sarah.
− Escola de medicina, é? Isso é algo grande. E caro. Sua mãe tem como arcar com essas despesas? – Sarah me perguntou e eu assenti.
− Tem sim. Minha mãe guarda dinheiro para minha faculdade desde que eu era criança. Além do mais, meu pai também irá ajudar nas despesas. Os Cullen tem um apartamento em Cambridge que iremos usar durante a faculdade. Portanto, não serão tantos gastos assim. – Eu concluí e Sarah sorriu pra mim.
− Querida, eu sei que nós, os Black, nunca te demos nada. Nenhuma assistência ou ajuda. Mas, seu pai deixou em seu nome uma grande quantia em dinheiro e eu gostaria que você aceitasse para sua faculdade. Não vai compensar mais de dezesseis anos de abandono, mas vai fazer com que eu me sinta melhor. Vai fazer com que a morte do meu filho não machuque tanto. – Ela falou e eu prendi a respiração para sua proposta, olhando para Tommy em busca de uma ajuda.
− Eu... Eu não sei. Tenho que falar com a minha mãe. – Eu murmurei e Sarah sorriu, pegando minhas mãos nas suas me fazendo encará-la.
− Converse com ela. De qualquer forma o dinheiro é seu. Jacob deixou pra você. Ele foi um pai horrível que nunca te deu atenção, mas antes de morrer meu filho quis deixa-la amparada. Portanto, pense com carinho, meu anjo. Esse dinheiro vai ajuda-la durante a faculdade de medicina e até depois. Então, aceite, meu bem. Aceite por mim, pelas suas tias e primos e...
− Pelo meu pai. – Eu completei e Sarah sorriu emocionada.
− Isso. Pelo seu pai. Por alguém que não soube demonstrar, mas que te amou de alguma maneira.
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− Ele o que? – Minha mãe me perguntou zangada e eu me encolhi, encarando-a.
− Deixou um dinheiro pra mim. E Sarah quer que eu aceite. Para a faculdade.
− Isso é absurdo! Eles nunca te deram nada. Nunca se importaram se tínhamos dinheiro para comida, material escolar ou assistência médica e agora...
− Bella, fique calma. Pense em nossa filha aí no seu ventre. – Edward falou e minha mãe bufou, sentando-se ao meu lado e cruzando os braços sobre o peito.
− Você vai aceitar, Sofia? – Ela me perguntou e eu suspirei, dando de ombros.
− Não se você não quiser. – Eu respondi e ela suspirou.
− Eu ainda acho que isso tudo é um absurdo. Mas, aceite. Não vai compensar mais de dezesseis anos de abandono, mas vai tornar sua vida na faculdade mais fácil. – Minha mãe falou ainda zangada e eu assenti, me aproximando dela e abraçando-a com carinho.
− Nada vai mudar, mãe. Nunca. Eu te amo e vou ser sempre só sua. Mas, Jacob nunca nos deu nada. Se esse dinheiro pode me ajudar, é meu direito como filha abandonada aceitá-lo. Tudo bem por você também, não é, Edward?
− Claro que sim, querida. Ele nunca te deu nada e dinheiro nunca é demais quando se vai para Harvard. Eu sei bem disso. E como você mesmo disse: é um direito seu. – Edward falou e eu sorri, correndo para abraçá-lo.
− Você é o melhor pai do mundo. Eu te amo. – Eu declarei e ele sorriu, beijando o topo da minha cabeça.
− Também te amo, princesa. Te amo para sempre.
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Com a aprovação dos meus pais eu aceitei o dinheiro que Jacob me deixara. Foram preciso alguns dias para que resolvêssemos tudo. Então, aproveitei o tempo forçado em Forks para conhecer mais a família Black. Participei de uma fogueira na reserva onde os anfitriões contaram histórias dos antepassados Quileutes e, embora eu agradecesse por ter sido criada na civilização moderna, gostei de conhecer um pouco mais sobre a cultura deles.
Sarah se mostrou uma pessoa muito agradável e eu gostava realmente da sua companhia. Ela me contou muitas histórias sobre a infância e adolescência de Jacob e das minhas tias e eu me peguei rindo de algumas.
− Jacob sempre foi teimoso, encrenqueiro e agitado. Eu tive muitas dores de cabeça com ele desde o nascimento. Mas, agora que ele se foi, eu daria qualquer coisa para ter todas as dores de cabeça outra vez. – Sarah comentou com tristeza, olhando para uma foto do filho sobre sua moto e eu senti muita pena dela.
Quando eu fui atingida por uma bala no tiroteio da escola minha mãe surtou achando que eu iria morrer. Ela ficou desesperada só de pensar na possibilidade de me perder. Portanto, eu imaginava que não fosse fácil para Sarah saber que o filho morrera, mesmo que quando ele estivesse vivo só lhe trouxesse problemas.
− Por que ele não me quis? – Eu perguntei a ela depois de minutos de silêncio e Sarah me encarou surpresa.
− Não sei. Acho que nem mesmo Jacob sabia. Ele surtou quando descobriu que sua mãe estava grávida. Billy e eu sugerimos casamento, mas Bella era muito nova e não aceitava muito bem os costumes do nosso povo. Além disso, Jacob insistia em dizer que também não queria se casar, pois tinha muito que viver antes de formar uma família. Nossas crenças nos impediam de sugerir um aborto, então sabíamos que mais cedo ou mais tarde sua mãe daria à luz uma criança que era nossa também. E não rejeitamos você. Secretamente seu avô e eu estávamos animados com sua chegada e oferecemos ajuda, mas ela estava tão irada com seu pai que nos afastou completamente. Aí, um dia, policiais bateram em nossa porta. Jacob tinha sido preso acusado de mandar bater em sua mãe. Billy surtou e discutiu com Charlie por ter mandado nosso filho, um menino que seu avô viu crescer, para a cadeia. Eu entendo Charlie, é claro. Era a filha dele grávida e machucada, mas Billy não se conformava por seu amigo ter mandado nosso filho para a cadeia. Depois disso, meu marido nos proibiu de falar qualquer coisa sobre sua mãe ou o bebê. Ele pagou a fiança do seu pai, mas disse que qualquer responsabilidade com Bella e com criança teria que ser assumida por Jacob, que sumiu. Seu pai não tinha trabalho e era irresponsável demais para pensar em assumir a namorada e um bebê.
− E vocês desistiram de mim? Simples assim? – Eu perguntei e Sarah suspirou, limpando discretamente as lágrimas que escorriam por seu rosto.
− Não ficamos sabendo do seu nascimento. Os Swan nunca mais nos procuraram depois que Jacob foi preso. Longe de Billy eu fiz roupinhas pra você. Sapatinhos, casaquinhos e toucas. Mas, nunca tive a oportunidade de entregar a sua mãe. Eu morria de vontade de saber como você era, mas não tinha permissão para procura-la. Eu vi você pela primeira vez na creche municipal de Forks. Fui buscar Teddy quando Rebeca se enrolou no trabalho e a vi com sua mãe. Você era tão linda e tão idêntica a ela. Depois disso, sempre que dava eu ia até a creche para vê-la. Mas, aí sua mãe foi embora com você e nunca mais tivemos notícias. Até que meu marido morreu e colocou àquela cláusula ridícula no testamento dele, obrigando Jacob a procurá-la.
− E por que Billy exigiu que Jacob me registrasse para ter acesso a sua herança?
− Billy se arrependeu de não tê-la conhecido. Nós tínhamos nossos netos, filhos de Rachel e Rebeca, mas faltava você, que também era nossa. Ele queria que Jacob a procurasse e convivesse com você. Que criasse laços e que... Bem, que a trouxesse pra mim. Meu marido sabia o quanto eu me lamentava por não ter você em nossas vidas e quis me dar isso antes de morrer. Mas, acabou que... Para ter você eu tive que perder o meu filho. É doloroso. A falta dele machuca tanto que eu nem sei descrever a intensidade dessa dor. Mas, pelo menos eu conheci você que é a minha neta. O pedacinho que Jacob deixou pra mim. – Ela falou emocionada e eu funguei, me aproximando para poder abraçá-la. – Ah, querida, eu sonhei tanto com esse abraço.
Ficamos ali por algum tempo até que eu senti a necessidade de me afastar. Sarah sorriu para mim e beijou meu rosto com delicadeza.
− Sofia, não odeie seu pai. No fundo, ele era apenas um garoto imaturo e irresponsável. Talvez por culpa minha que sempre o protegi demais. Mas, ele não era uma má pessoa. Você teria gostado dele se Jacob tivesse te dado a oportunidade de conhecê-lo. – Ela falou e eu suspirei, desviando o olhar de seu rosto.
− Eu não o odeio. Eu fui criada por uma mulher incrível que sempre me ensinou que maus sentimentos só fazem mal a nós mesmos. Jacob e eu não criamos laços. Ele não foi o meu pai. Minha mãe sempre foi tudo o que eu precisei. Mãe, pai, professora, amiga, conselheira e, acima de tudo, ela me ensinou a ser uma boa pessoa que não odeia.
− Sua mãe é ótima. Digna de toda a admiração, pois ela realmente fez um ótimo trabalho com você. E agora ela está grávida outra vez, não é? – Sarah perguntou e eu sorri ao pensar na minha irmãzinha.
− Sim. É outra menina, mas nós ainda não escolhemos o nome.
− Fico feliz que ela tenha se casado com um homem bom e que esteja feliz ao lado dele. Fico feliz também por saber que você se dá bem com o marido dela e que o considere um pai. Pelo menos sei que você conheceu o amor paterno que é tão importante e especial. – Ela falou e eu sorri agradecida pra ela.
Sarah era uma pessoa legal e eu gostaria de vê-la sempre. Talvez, não pudesse amá-la como a uma avó, mas gostava dela. Dela, das minhas tias e dos meus primos. Tommy morreria se me ouvisse dizer isso por causa do seu ciúme ridículo de Teddy, mas eu gostaria muito de manter contato com todos eles, que também eram minha família, de certa forma.
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Voltamos para Los Angeles uma semana após o funeral de Jacob. Sarah ficou com nosso endereço e prometeu que me visitaria logo. Fiquei animada com essa possibilidade, mas mantive meus sentimentos pra mim, pois minha mãe estava meio enciumada com a minha relação com Sarah e com as minhas tias.
− O que é isso? Mensagem do Teddy? Sofia, você deu seu número pra ele? – Tommy me perguntou bravo quando viu uma mensagem do meu primo apitando em meu celular e eu revirei os olhos, tomando o aparelho das suas mãos.
Havíamos chegado há pouco tempo e eu estava exausta. Tudo o que eu não queria agora era enfrentar uma cena boba de ciúmes.
− Teddy é meu primo e só está me perguntando como foi a viagem. Para de bobeira.
− Bobeira? Não é bobeira! Ele está interessado em você desde que a conheceu. Eu percebi o jeito que ele a olha. Quero àquele babaca bem longe de você.
− Não seja ridículo, Tommy. Ele é meu primo e acabou de me conhecer. É natural que fique curioso a meu respeito. Ele cresceu em uma tribo estranha no meio de uma floresta e eu em Los Angeles. Somos muito diferentes mesmo compartilhando alguns genes. Então, sim, pare de bobeira. Você está sendo bobo e ciumento a toa. E, só para constar, você não decide com quem eu falo ou não. – Eu declarei e ele bufou, levantando-se da minha cama e saindo do meu quarto sem me dizer mais nada, o que me fez suspirar.
Garotos e suas demarcações de territórios. Às vezes, eles eram piores do que cães nesse departamento.
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− Primos? Como assim primos? E eu? – Lara me perguntou indignada quando eu contei a ela sobre os Black e eu revirei os olhos.
− O que tem você? Você é minha prima. Como eles.
− Não. Como eles não. Eu sou Lara Brandon Swan, a garota que está ao seu lado desde o nosso nascimento. Sou sua parceira de travessuras e aventuras. Não sou como eles.
− Tá. Você é minha prima favorita e vai ser sempre. Mas, foi legal conhecê-los. Conhecer a outra parte da minha história. Apesar de tudo e da morte horrível de Jacob voltar a Forks teve o seu lado bom.
− Sim. Tia Bella disse para minha mãe que você finalmente se entendeu com a vovó Renée. Fiquei tão feliz com essa notícia. Já estava na hora. – Lara comentou e eu sorri, me lembrando da conversa que eu tivera com Renée.
Tia Rachel me levara para Forks após mais uma tarde passada na reserva e quando eu cheguei na casa dos meus avós descobri que todos haviam ido para Seattle em uma expedição de compras e me deixado para trás. Com Renée.
− Eles não me disseram que iam a Seattle. Por que não me esperaram? – Eu perguntei indignada e Renée deu de ombros.
− Eles não planejaram ir a Seattle hoje. Mas, Charlie precisava ir atrás de uns documentos e Edward se ofereceu para ir também. Bella quis acompanhá-los e como você estava na reserva Tommy quis ir com eles. Mia é a sombra da sua mãe e não quis ficar comigo. Então... Além disso, achamos que você ficaria em La Push até mais tarde como ontem.
− Ontem foi dia da fogueira. Não dá pra se fazer uma durante o dia. – Eu resmunguei e Renée riu, sentando-se ao meu lado no sofá.
− Está com fome? Eu assei biscoitos. Garanto que eles estão comíveis. Tenho treinado muito na cozinha. – Renée falou e eu sorri, encarando-a.
− Não estou com fome. Comi na casa da minha... Da Sarah. Ela fez wafers. Mas, obrigada. Vou experimentar os biscoitos mais tarde.
− Sarah sempre foi ótima na cozinha. Acho que cozinhar é um pré-requisito para se conseguir um marido em La Push. – Renée falou e eu fiz uma careta. Como é que aquele pessoal podia ser tão retrógrado?
− Ainda bem que minha mãe me criou bem longe daquela reserva. Jamais me encaixaria em nenhum dos costumes deles.
− Nem a sua mãe conseguiria. Bella é tão péssima com serviços domésticos como eu. Acho até que é um distúrbio genético. – Renée declarou e eu ri.
− Herdado com sucesso por mim. Ainda bem que Tommy e Edward cozinham. Minha mãe e eu temos nos alimentado bem melhor depois que eles entraram em nossas vidas. – Eu falei e Renée riu.
− Tenho certeza que sim. Eles são ótimos, não é? Digo, os Cullen.
− São. Eu adoro todos eles.
− Fico feliz que vocês tenham encontrado pessoas boas. Pode não parecer, mas eu torço muito pela felicidade de vocês. – Ela declarou e eu suspirei, desviando meu olhar do seu.
− Você sempre me tratou tão mal...
− Sim. E me arrependo muito disso. Já te expliquei e gostaria que você me perdoasse. Posso ser uma avó legal. Eu sou para Lara e quero ser para você e para nossa menininha que vai nascer. E também para Tommy e Mia. Vocês são a minha família, Sofia. A família que eu amo e que quero ter por perto sempre e sempre.
− Hoje conversei com a Sarah sobre Jacob. Ela me pediu para não odiá-lo. Eu queria ter tido a oportunidade de conhecê-lo melhor e, quem sabe, conviver com ele. Mas, Jacob morreu. Morreu sem ter a oportunidade de ser o meu pai. E se eu posso perdoá-lo pelo abandono e por tudo o que ele fez a mim e a minha mãe, posso perdoar você também. Só não me magoe de novo. Por favor. – Eu pedi emocionada e Renée sorriu entre lágrimas, me puxando para seus braços.
− Nunca, minha menina. Nunca. Vou ser a melhor avó a partir de agora. Eu prometo. Nem Sarah com toda sua perfeição culinária ou Esme com toda sua elegância vão ganhar de mim. Eu serei a avó preferida. – Renée declarou e eu ri, retribuindo o seu abraço e aceitando-a em minha vida.
Depois disso, a estadia em Forks melhorou bastante. Além disso, me dar bem com Renée tirara um peso enorme das minhas costas. Era bom não ter ranços. Era libertador.
Se bem que agora o meu novo ranço se chamava Antony Denali Cullen, que não falava comigo desde que vira a mensagem de Teddy no meu celular.
− Por que Tommy não está grudado em você? Vocês brigaram? – Lara me perguntou quando a mula do meu namorado foi sentar-se em outra mesa na hora do almoço e eu bufei.
− Porque Tommy é uma besta teimosa. Cismou que um dos meus primos está interessado em mim e como eu me recusei a parar de falar com o garoto ele parou de falar comigo. – Eu expliquei e Lara riu.
− Viu só? Eu sou uma prima muito melhor. Nunca fiz você se desentender com o seu namorado. – Ela declarou e eu revirei os olhos.
− Se todos os meus primos fossem garotas minha vida seria bem menos complicada. – Eu resmunguei e ela riu.
− Pelo menos o primo em questão é bonito?
− Lara, é meu primo. Não tem na a ver. Mas, sim. É bonito sim. Muito, inclusive.
− Sofia, você namora e transa com o seu “irmão”. Ficar com o primo gato seria fichinha para o seu histórico. – Ela falou debochada e eu revirei os olhos, mas acabei rindo das suas bobeiras.
Na hora do treino, Ethan veio cumprimentar Lara e eu fiquei esperando por Tommy que não apareceu, fazendo com que minha vontade de esganá-lo aumentasse consideravelmente.
− Ei, Sofia, volte a transar com meu primo. O humor dele está insuportável. – Ethan falou e eu enrubesci, lançando a ele um olhar irritado.
− Não seja idiota, Ethan. Aliás, onde está o bobo ciumento do seu primo? – Eu perguntei e ele riu, abraçando Lara pela cintura e beijando seu rosto.
− No vestiário. Ele está irritado, pois nosso treino hoje foi uma merda. Mas, acho que o péssimo humor tem mais a ver com você. Então, pelo bem do nosso time de futebol, volte a transar com ele. – Ethan repetiu e eu bufei, me afastando dos dois idiotas que riam da minha cara.
Depois do treino, eu fui para o hospital. Suzana Cooper ainda não havia me dispensado do estágio, o que significava que eu não havia feito nenhuma besteira.
Cheguei em casa no início da noite e descobri que meu namorado havia saído com o time para comemorar as semifinais do campeonato de futebol.
− Saiu? Como assim saiu? Ele não me falou nada. – Eu protestei e minha mãe ergueu a sobrancelha em minha direção, me olhando desconfiada.
− Vocês brigaram? – Ela me perguntou e eu bufei, pegando minha mochila e me dirigindo para o andar de cima.
− Não. Mas, vamos brigar. Com certeza vamos brigar. – Eu declarei, já me preparando para a guerra que eu iria iniciar por conta das infantilidades de Antony Denali Cullen.
Ele que me aguardasse.
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