Laços de amor
44 Capítulo 43
Capítulo 43
Pov. Bella
Enjoo.
Como eu odiava àquela parte da gravidez. Estava muito frio para me levantar e eu me sentia muito confortável envolvida nos braços do meu marido. Mas, eu sabia que se não me levantasse imediatamente acabaria vomitando sobre o tapete da minha sogra e não acho que ela seria capaz de me perdoar por isso. Não quando o tapete devia custar quase o meu salário mensal.
Respirei fundo várias vezes, tentando conter a náusea, mas não adiantou e, no último minuto, pulei da cama e corri para o banheiro, vomitando toda a ceia de natal no vaso sanitário e quase arrebentando a testa na porcelana. Isso só não aconteceu porque Edward se materializou atrás de mim, segurando minha testa e meu cabelo para que eu não me machucasse ou me sujasse.
− Ei, princesa, calma. – Edward murmurou, me apertando contra si, enquanto eu vomitava mais e mais, sem entender o porquê de ter que passar por àquele suplício todas as manhãs.
− Eu odeio essa parte da gravidez. – Eu resmunguei, depois que a ânsia diminuiu e ele suspirou, beijando o topo da minha cabeça.
− Eu fico assustado com essas suas seções matinais de vômito. Você tem tendências suicidas quando está ajoelhada em frente ao vaso sanitário. – Meu marido falou divertido e eu revirei os olhos, dando-lhe uma cotovelada que o fez rir.
− Não seja engraçadinho, Cullen. Queria ver se você também tivesse esses acessos de ânsia se não iria quase bater com a cabeça no vaso sanitário. Agora, para de me irritar e me ajude a levantar, pois eu preciso de um banho e deu uma escova de dentes. E depois, eu preciso de comida, pois já estou com fome. – Eu declarei e ele assentiu rindo, levantando-se e me conduzindo até o box. Parei antes na pia para escovar os dentes.
O chuveiro lançava um jato incrivelmente forte de água quente e eu deixei a força da ducha massagear meu couro cabeludo, fechando os olhos e aproveitando a sensação boa que àquilo me trazia.
− Já teve notícia dos nossos filhos? – Edward me perguntou, colocando-se atrás do meu corpo para me ajudar com o banho (mesmo eu sabendo perfeitamente bem tomar banho sozinha) e eu o olhei divertida, antes de voltar a fechar os olhos e aproveitar o meu banho.
− Não, Edward. São sete da manhã e é bem provável que eles ainda estejam dormindo. Pare de ser tão ranzinza. – Eu falei e Edward bufou.
− Não estou sendo ranzinza. É só que... Eles transaram Bella. Minha filha, de dezesseis anos, iniciou uma vida sexual com o meu filho de dezessete na casa dos meus pais, no mesmo lugar onde eu costumava transar com minha falecida esposa. Eu estou pirando e não sei como você, que também é mãe dos adolescentes em questão, pode estar tão calma. – Edward falou e eu suspirei, me virando para encará-lo.
− Edward, nossos filhos estão apaixonados e foram muito responsáveis com a primeira vez deles. Sofia foi ao ginecologista para tirar suas dúvidas e pediu um anticoncepcional e você mesmo me disse que Tommy tinha muitos preservativos na mochila. Então, não seremos avós precocemente. Nosso filho preparou uma noite romântica para os dois. Portanto, não estou preocupada com uma primeira vez traumática. Sofia me contou sobre sua primeira vez como me prometeu que faria, o que prova que ela e eu somos realmente amigas e confidentes. Então, não há motivos para a preocupação. Não seja chato. – Eu falei e Edward me olhou indignado.
− Não seja chato? Não seja chato? Isabella Swan Cullen, nossos filhos transaram. Fizeram sexo. Nus. Como vai ser agora? Eles vão dividir o mesmo quarto na nossa casa? – Edward me perguntou bravo e eu me mexi incomodada com a ideia.
− Não. Tenho certeza de que eles saberão respeitar nossa casa. Mas, sexo debaixo do nosso teto, uma vez ou outra, vai rolar. O melhor é que nos acostumemos a isso. – Eu falei e ele bufou.
− Isso é absurdo. Eu acabei de ganhar uma filha e já tenho que entregá-la ao namorado. – Ele resmungou e eu ri de seu mau-humor, beijando seu rosto lindo e emburrado.
− O namorado é um menino maravilhoso, de boa família e que ama nossa filha. Pare de se preocupar, Edward. Eles estão felizes e isso é tudo o que realmente importa.
− Tommy é mesmo um bom menino. Foi criado para respeitar as mulheres em qualquer circunstância. Mas... Sofia é minha filha. E para nós, saber que as filhas já transaram é pior que a morte. – Edward declarou com sofrimento na voz e eu revirei os olhos.
− Isso pra mim é machismo. – Eu pontuei e ele me olhou bravo.
− Não sou machista. Criei meu filho para respeitar as mulheres e Mia sempre foi ensinada de que o céu é o limite para ela. Não estou dizendo que Tommy ter perdido a virgindade foi algo esplêndido. Não sou esse tipo de homem que incentiva meninos e prende meninas. Acho que é muito cedo para os dois. Tanto para Antony quanto para Sofia. Portanto, esposa, eu não estou sendo machista. Estou sendo pai. – Ele falou e eu sorri, beijando-o mais uma vez.
− Certo, marido. Eu realmente te entendo. Mas, não adianta mais ficar nos lamentando. A primeira vez dos dois já aconteceu. O que devemos fazer agora é apoiá-los e instruí-los. Eu sei que você ama Sofia e quer apenas protegê-la, mas nossa menina amadureceu e sabe o que está fazendo, assim como Tommy. Vamos deixá-los viver esse momento, amor. É o melhor que fazemos como pais. – Eu ponderei e ele suspirou, beijando meus lábios de leve e me olhando triste.
− Você é sempre tão sensata com relação aos nossos filhos. Sei que devo respeitar o momento deles e prometo tentar fazer isso. Eu também já tive minha primeira vez e... Enfim. Vou tentar não surtar mais. É o máximo que consigo. – Ele falou e eu ri, segurando-o pelo pescoço e beijando-o mais uma vez.
− Isso já basta. Agora, vamos sair desse box antes que fiquemos enrugados. Eu estou com fome. Seu filho está fazendo de mim uma esfomeada. – Eu falei e Edward riu, enquanto pegava a toalha para nos secar.
Nos vestimos em meio a beijos, brincadeiras e provocações e já no andar de baixo encontramos Esme.
− Bom dia, meus amores. Parece que todo mundo madrugou nessa casa hoje. – Minha sogra falou, nos recebendo com calorosos abraços, que eu retribuí de bom grado.
− Eu fui tirada do meu sono muito a contra gosto. Seu neto resolveu me torturar com o enjoo todas as manhãs. Então, ou eu me levantava ou teria que estar neste momento limpando um acidente nojento no chão do quarto. – Eu gracejei e Esme riu, enganchando seu braço no meu e me conduzindo para a mesa da sala de jantar já repleta de Swans e Cullens reunidos para o café da manhã.
− Enjoos são um saco, mas geralmente significam que está tudo indo bem com a gravidez. Sente-se aqui. Pedirei para Martha lhe preparar um chá. Você vai se sentir bem melhor depois que comer algo leve e nutritivo, meu anjo.
− Eu nem acredito que você está mesmo grávida. Quando nos contou ontem eu juro que fiquei com vontade de engravidar também. Mas, aí me lembrei de todo o trabalho que um bebê dá e desisti na mesma hora. – Alice comentou divertida, sorri, enquanto Edward enchia meu prato de panquecas e frutas.
− Bebês crescem, Alice. E, apesar de ter jurado encerrar minha produção depois do nascimento de Candyce, a notícia da gravidez de Bella também fez com que eu me animasse para mais bebês. – Rosalie declarou empolgada e meu sorriso se alargou. Pelo visto todos estavam inspirando-se no meu bebê para aumentar a família e este fato era simplesmente maravilhoso.
− Muitos netos de uma só vez serão demais para o meu coração. Eu não estou me contendo de tanta felicidade. – Esme comentou voltando da cozinha e todos nós rimos da sua empolgação.
− Nem me fale, Esme. Um bebê é um bálsamo para tudo o que passamos neste ano. Estou muito animada com a ideia de ser avó outra vez. – Minha mãe afirmou, me olhando carinhosamente e eu não pude evitar um sorriso. Era bom ver Renée reagindo positivamente à minha gravidez. Da última vez em que eu tive um bebê no ventre houve gritos, acusações, choros e discussões. Saber que ela me apoiava agora e que estava feliz pelo neto ou neta que iria nascer era simplesmente maravilhoso. A realização de um sonho adolescente.
− Como Mia reagiu à notícia do bebê? Ela não está tão arredia quanto antes, mas eu sei como minha pequena netinha pode ser difícil. – Esme me perguntou e eu fiz uma careta ao me lembrar da cena que Mia protagonizara ao descobrir sobre minha gravidez.
− Foi bem ruim no início. Ela até parou de me chamar de mamãe. Mas, depois que Sofia e eu conversamos com ela, eu fui perdoada e está tudo bem agora, desde que ela possa escolher o nome do bebê.
− Meu Deus! Mas, isso é seguro? E se ela der ao meu sobrinho algum nome de personagem de desenho animado? – Rosalie perguntou alarmada e eu ri, dando de ombros.
− Ela está na fase dos clássicos, Rose. Sofia está fazendo com que Mia se apaixone pela leitura assim como ela. Mas, não se preocupe. Edward e eu temos o poder de veto caso ela escolha um nome pouco convencional. – Eu garanti a minha cunhada que sorriu, voltando a se concentrar em seu café.
Depois de um tempo, Tommy, Sofia, Lara e Ethan apareceram para o café e eu senti Edward se retesar ao meu lado ao avistar os filhos vindo em nossa direção.
Apertei seus dedos de leve, pedindo-lhe calma e prudência e tentando lembra-lo de nossa conversa no banheiro. Era o momento dos nossos filhos e precisávamos respeitá-los. Era nosso dever como pais e família.
**********
Pov. Tommy
Terminei meu banho e me olhei no espelho por alguns segundos, sorrindo de leve ao me lembrar da noite maravilhosa que eu tivera ao lado da minha namorada linda.
Ser atleta e popular em uma escola americana sempre seria sinônimo de muitas garotas e sexo fácil. A maioria dos meus amigos atletas se aproveitava da nossa “fama” para colecionar uma infinidade de conquistas e se gabar de cada uma delas. Mas, Ethan e eu sempre agimos de forma diferente. Não sou hipócrita a ponto de negar que eu ficava sim com muitas garotas, mas nunca me aproveitei de nenhuma delas. Não no quesito sexual e acredito que em nenhum outro. Nossos pais nos ensinaram a respeitar as mulheres e eu sempre me recusara a usar meu posto de atleta para transar com as meninas e descartá-las como se fossem nada.
Meu pai tratava as mulheres a sua volta com muito respeito e eu sempre procurei imitá-lo nesse aspecto. Assim, cheguei virgem aos dezessete anos.
Não que eu não tenha tido a oportunidade de transar antes, mas a verdade era que eu não desejava apenas sexo. Eu queria romance. Queria amor. Como um leitor voraz de Thomas Hardy e Jane Austen eu sempre sonhara em me apaixonar e ter a minha primeira vez com a garota dos meus sonhos. E eu não me arrependia nem um pouco por ter esperado. Não quando minha recompensa era ter Sofia como minha namorada.
− Voltou, margarida? Como foi a noite? – Ethan me perguntou, entrando no banheiro de repente e batendo a porta no meu braço e eu bufei, olhando-o mal-humorado. Às vezes, eu odiava ter que dividir o quarto com meu primo na casa dos nossos avós.
− Já disse umas mil vezes pra você não entrar no banheiro quando eu estiver. Qual é, Ethan? Parece até que gosta de me ver pelado. E eu não sou a merda de uma margarida. – Eu falei bravo, ajeitando a toalha ao redor da minha cintura e ele riu.
− Eu estou bem de boa de te ver pelado, Tommy. Mas, você está enfiado aqui desde que chegou e eu estou apurado. Dividir o quarto e o banheiro significa que os coleguinhas também podem usá-lo. Não só você. – Ele falou e eu revirei os olhos.
− Falou o cara que nunca demora no banheiro. – Eu resmunguei e ele riu.
− Você está muito mal humorado esta manhã. Pensei que estaria radiante depois de transar com a Sofia. – Ethan comentou e eu suspirei, indo para o quarto e sendo seguido por ele, que não tinha nenhum pudor em urinar na minha frente.
− Eu estou radiante. Ou estava antes de você invadir o banheiro e me chamar de margarida. – Eu reclamei e ele riu.
− Então aconteceu mesmo? – Ethan perguntou, jogando-se na cama e me encarando divertido e eu bufei para a sua personalidade de vizinha fofoqueira, enquanto me vestia para o dia gelado.
− Aconteceu, Ethan. E foi perfeito. Mas, tendo Sofia como minha namorada não podia ser de outro jeito.
− Ela é um encanto mesmo. Mas, se foi tudo perfeito, então porque o mau humor?
− Já disse que não estou mal humorado. É você que me irrita. – Eu declarei e ele riu.
− Também te amo. – Ele declarou enquanto eu saia do quarto e eu revirei os olhos, mas acabei rindo de suas bobeiras. Ethan era uma réplica irritante do seu pai e acho que jamais iria me livrar das suas piadas infames e das suas provocações. Não que eu quisesse isso. Ethan sempre seria o meu melhor amigo. Eu só queria que ele fosse menos idiota.
− Está rindo do que, Cullen? – Sofia me perguntou, saindo do seu quarto ao mesmo tempo em que eu saia do meu e eu sorri largamente, tomando-a nos braços e beijando-a.
− Das bobeiras do meu primo. Mas, o maior motivo do meu sorriso é você.
− Que namorado mais romântico eu tenho. – Ela falou e eu sorri, beijando-a outra vez.
− Romântico e eternamente apaixonado por você.
− Gente, desgrudem um pouco, pelo amor de Deus. Já basta terem passado a noite toda juntos. Deem um tempo. – Lara falou, aparecendo de repente e eu bufei, enquanto Sofia corava e lançava um olhar mal humorado à prima.
− Quer um megafone, Lara? Assim fica mais fácil anunciar para toda a família que Tommy e eu passamos a noite juntos. – Sofia falou brava e ela riu.
− Mais cedo ou mais tarde todos vão ficar sabendo sobre a fuga de vocês na noite de Natal. Mas, não. Não vou anunciar a ninguém. Até porque, não quero ter minha própria saga sexual divulgada na mesa do café. – Lara falou, piscando para nós e Sofia e eu reviramos os olhos.
− Você e Ethan se merecem, Lara. – Eu resmunguei e ela riu outra vez.
Descemos para o café e no momento que Bella e meu pai colocaram os olhos sobre nós eu corei dos pés a cabeça. Eles sabiam o que Sofia e eu tínhamos feito àquela noite e este fato me deixava muito constrangido.
− Bom dia, dorminhocos! Sentem-se para o Brunch, pois a hora do café já passou faz tempo. – Vovó Esme falou e nós nos sentamos rapidamente. Sofia e eu evitávamos olhar para os nossos pais a todo custo.
− Sofia já devia ter descido a tempos. Quando fui verificar as meninas mais cedo ela já não estava no quarto. – Tia Rosalie falou e Sofia se engasgou com o suco, trocando um olhar assustado com Bella.
− Ela estava comigo. Sofia faz isso, às vezes. Corre para a cama da mamãe quando se sente carente. – Bella falou, livrando-nos de uma possível situação constrangedora e eu sorri agradecido para ela.
− Acho tão linda essa relação de vocês, sabia? Tanta intimidade e confiança que dá inveja. Mas, preciso dizer que Ethan também foge para minha cama de vez em quando. Meu homenzinho ainda precisa do colo da mamãe. – Tia Rosalie revelou e Lara e eu rimos. Só parei porque ganhei uma cotovelada e um olhar feio da minha namorada.
− Mamãe! – Ethan protestou e eu mordi os lábios para não rir outra vez,
− Lara sempre foi muito independente. Posso contar nos dedos as vezes que ela dormiu em minha cama. Mas, ela tem um cobertor de estimação. Dorme agarrado a ele desde os três anos. – Tia Alice revelou e eu não consegui conter uma gargalhada, enquanto Lara corava e lançava um olhar fulminante à mãe.
Aquele Brunch estava sendo ótimo. Revelações estavam sendo feitas e eu as guardaria para momentos propícios.
Depois da refeição e da abertura dos presentes de natal, Lara, Ethan, Sofia e eu fomos para a sala de TV a fim de assistir a um filme.
− “Esqueceram de mim” não, hein! Odeio filmes natalinos. – Lara resmungou e eu revirei os olhos, enquanto navegava pelos títulos da Netflix em busca de algo decente para assistir que não fossem, de fato, filmes de Natal. Já não estávamos mais em idade de assistir àquele tipo de coisa.
Acabamos optando por um suspense e passamos alguns minutos entretidos na história, até que Bella apareceu na porta e com apenas um olhar tirou Sofia dos meus braços.
− E é agora que as duas vão conversar sobre o seu desempenho na noite passada, Tommy querido. – Lara gracejou e eu bufei, jogando nela almofada que estava em meu colo, o que a fez rir.
− Sofia jamais falaria sobre meu desempenho com a Bella. Afinal, para todos os efeitos, ela também é minha mãe e tenho certeza de que não gostaria de saber detalhes do que aconteceu entre nós. Na verdade, Sofia não vai compartilhar detalhes com ninguém. Nem com você. – Eu afirmei e Lara riu, me devolvendo a almofada direto no rosto.
− Vai sonhando, Cullen! Sofia e eu somos melhores amigas e contamos tudo uma para a outra. Compartilhamos segredos e detalhes. Mas, fique tranquilo... Jamais conversaria com alguém além de Sofia sobre o seu desempenho sexual ou sobre o tamanho do seu... – Ela falou, não terminando a frase e eu corei, encarando-a mal-humorado.
− Amor, eu não acho que seja adequado dividir confidências sexuais com alguém que não seja seu namorado. Isso é íntimo demais. – Ethan falou e Lara revirou os olhos para o namorado, o que me fez rir. Aquela garota não tinha limites.
− Bobagem! Sofia e eu somos melhores amigas. Trocar confidências é o que fazemos.
− Melhores amigas são forças indomáveis na natureza, Ethan. Não tente entendê-las ou contê-las. Gastaria saliva a toa. – Eu resmunguei e Lara riu, piscando pra mim, o que me fez bufar.
Conversaria com Sofia sobre suas confidências com a prima. Ela não poderia contar detalhes da nossa primeira vez a ninguém, muito menos à maluca de sua prima. Não queria que Lara tivesse mais motivos para me tirar do sério. De jeito nenhum.
Ficamos na sala até o fim do filme e depois, como o almoço estava demorando e Sofia não voltava nunca da conversa com a mãe, eu fui até a cozinha atrás de algo para comer.
Meu pai estava lá lendo jornal e tomando chocolate quente e me lançou um olhar sério quando me viu entrar.
− E aí velho? Tudo bem?
− Tudo ótimo. E você? Como foi a noite? – Meu pai perguntou e eu ergui a sobrancelha em sua direção.
− Quer mesmo falar sobre isso?
− Não. Quer dizer, sim... Não. – Meu pai gaguejou e eu ri, o que o fez bufar. – Aconteceu mesmo? – Ele perguntou e eu corei, assentindo, olhando de esguelha para Martha e sua ajudante que estavam concentradas na preparação do almoço de natal.
− Sim. Nós estávamos prontos, pai. Eu queria e Sofia também. Nós namoramos e sexo é absolutamente normal entre duas pessoas que se amam, se respeitam e se desejam. Você e Bella, quando namoravam, transavam sempre. Mia e eu ficamos muitas vezes aos cuidados da tia Rosalie para que vocês pudessem ficar a sós. – Eu falei e foi a vez do meu pai corar. Seu rubor quase me fez rir, mas o olhar irritado que ele me lançou me impediu. Ele não estava para brincadeiras naquele momento.
− Bella e eu temos mais de trinta anos e, portanto, somos adultos e responsáveis pelos nossos atos. Além do mais, Sofia é minha filha. Minha princesinha. Pensar nela fazendo... Enfim... É demais pra mim. Meu dever como pai é protegê-la e amá-la. E só de pensar que eu vou ter que passar por isso com Mia também eu tenho vontade de gritar. – Meu pai resmungou e eu fiz uma careta ao pensar que um dia minha irmãzinha faria sexo com alguém.
− Pai, idade é só um número. Além do mais, meu dever como namorado também é proteger e amar Sofia. Eu jamais a faria sofrer ou a machucaria de propósito. Eu a amo. E quanto a Mia... Bem seremos dois com vontade de gritar. – Eu declarei e meu pai riu, bagunçando meus cabelos.
− Só me prometa que jamais vai machucar Sofia deliberadamente. Que vai cuidar dela, respeitá-la e amá-la. Que não vai fazer àquela garota sofrer, pois se não eu serei obrigado a te dar uns tapas. – Meu pai falou e eu ri, encarando-o.
− Eu prometo. Eu amo àquela garota pai e a única coisa que eu quero é fazê-la feliz para sempre. Você não vai precisar me dar uns tapas. Pode ficar tranquilo.
− E usem camisinha, pelo amor de Deus. Sou muito jovem e lindo para me tornar avô.
− Sofia e eu não pretendemos nos tornar pais tão cedo. Então, relaxe. Podemos não ter mais de trinta anos, mas também somos responsáveis por nossos atos. – Eu falei e meu pai revirou os olhos, voltando a atenção para o seu jornal.
− Assim espero, Antony... Assim espero.
**********
Pov. Sofia
− E aí? Como foi? – Minha mãe me perguntou, assim que estávamos sozinhas no quarto e eu corei, desabando sobre a cama e esperando que ela se acomodasse ao meu lado.
− Foi... Bem, foi constrangedor no início. Você sabe bem como uma garota pode ser insegura com o próprio corpo. Eu nunca havia ficado completamente nua na frente de ninguém além de você. – Eu expliquei e minha mãe sorriu, puxando minha cabeça para o seu colo e começando a acariciar meus cabelos.
− Seu corpo é lindo, meu amor. Você é toda linda. – Ela falou e eu revirei os olhos, rindo em seguida.
− Você é minha mãe. É claro que você vai me achar bonita. Portanto, sua opinião não conta muito. Mas, o fato é que eu tive que superar as minhas neuras e deixar que Tommy visse o meu corpo. Foi estranho no início, mas ele conseguiu me deixar à vontade comigo e com a situação. Ele foi cuidadoso, carinhoso e romântico. No geral, minha primeira vez foi boa. – Eu falei e ela sorriu, beijando o topo da minha cabeça.
− Doeu? – Ela perguntou e eu fiz uma careta, corando outra vez.
− Foi desconfortável. Mas, Tommy sabia que podia ser doloroso e... Bem, ele levou algumas coisas para deixar a situação o melhor possível pra mim. – Eu falei e ela sorriu, me olhando divertida. – Mãe, não me olhe assim!
− Assim como?
− Com esse olhar cheio de sabedoria e experiência. É constrangedor estar contando sobre minha primeira vez pra você. Você é minha mãe e, para todos os efeitos, é a mãe de Tommy também. E nós transamos. Isso é muito estranho! – Eu falei, escondendo meu rosto nas mãos e ela riu, beijando minha testa.
− Amor, eu além de ser a sua mãe, eu sou sua melhor amiga. Não tem nada de constrangedor em falar sobre a sua primeira vez comigo. Além do mais, sobre sexo e relacionamentos eu realmente tenho sabedoria e experiência. E é justamente devido às minhas experiências traumáticas que eu fico muito feliz em saber que a sua primeira vez foi especial e que não há arrependimentos.
− Foi quase perfeito, tirando o fato de ter que ficar nua na frente dele. Mas, eu fico me perguntando como vai ser agora.
− Normal. Vocês se amam e isso não mudou. Vocês agora são apenas mais íntimos.
− Não é estranho olhar para a pessoa com quem você faz sexo todos os dias? Conversar com ela como se jamais tivessem se visto nus? Eu vi o Tommy hoje depois de tudo. Vi e conversei com ele. Mas, sei lá... Pra mim ainda é estranho e acho que vou demorar a superar isso.
− Filha, superar essas neuras leva um pouquinho de tempo. É tudo muito novo pra vocês, mas vai chegar um tempo que estar com ele, nua ou vestida, será algo completamente normal. – Ela afirmou e eu fiz uma careta, pois não tinha muita certeza sobre àquilo.
− Mãe, eu li muito sobre isso de primeira vez e... Eu não sangrei. Será que tem algo errado comigo? – Eu perguntei realmente preocupada com questão e minha mãe sorriu.
− Nem todas as garotas sangram, amor. Existem diferentes estruturas de hímen e alguns são complacentes, como deve ser o nosso caso, pois eu também não sangrei. Mas, isso é absolutamente normal. Existem muitas lendas e tabus envolvendo a primeira vez e a gente vai desmistificando tudo conforme vai acontecendo.
− Você também não sangrou? Mãe, você se dá conta que a gente é muito parecida em tudo? – Eu perguntei admirada e ela riu, me abraçando.
− Pois é! Mas, graças aos céus você teve mais sorte no amor do que eu.
− Isso é verdade, embora agora você esteja ao lado de um homem maravilhoso que é o meu pai. – Eu falei e minha mãe sorriu, assentindo.
− Ele é maravilhoso sim. Maravilhoso e surtado. Quase teve uma síncope com toda essa história de primeira vez entre você e Tommy.
− Eu não sei se consigo encarar o papai depois do que aconteceu ontem. – Eu comentei e ela riu.
− Consegue sim. Com o tempo ele se acostuma. É estranho, já que você e Tommy vivem na mesma casa e são nossos filhos, mas vamos superar. Tudo o que eu quero e preciso é que vocês sejam responsáveis. Sempre. Continue com os anticoncepcionais, mas jamais se esqueçam da camisinha.
− Nós vamos ser, mamãe. Ontem usamos camisinha em... Enfim, usamos sempre... – Eu murmurei a última parte, corando violentamente e minha mãe fez uma careta, rindo em seguida.
− Certo. Sem muitos detalhes, por favor. Mas, fico aliviada em saber que vocês estão sendo responsáveis.
− Eu tive uma boa orientação, mãe. Acho que o fato de você sempre falar sobre sexo comigo numa boa me deixou confiante para esse momento. Eu não estava com medo do que ia acontecer. Existe um pouco de constrangimento por ser tudo muito novo pra mim. Afinal, até pouco tempo atrás eu não tinha nem mesmo beijado um garoto. No entanto, eu sabia o que eu queria. Eu tinha certeza de que transar com Tommy nesse momento era a decisão certa. E foi bom. Não perfeito, mas deixou boas lembranças. Nada de traumas. – Eu falei e minha mãe sorriu, beijando meu rosto e me olhando com carinho.
− Isso é ótimo, meu anjo. Saber que nosso diálogo constante te ajudou nesse momento me deixa muito feliz e aliviada. Faz com que eu acredite que eu cumpri meu papel de mãe da melhor forma possível e que eu posso ser boa para Mia, para Tommy e para esse bebê também. – Minha mãe falou e eu sorri, tocando sua barriga de leve.
− Você é a melhor, mãe e é óbvio que vai ser incrível com Mia, Tommy e o bebê. Somos todos abençoados por tê-la em nossa vida. A propósito: obrigada por ser essa mãe tão maravilhosa que me ama, me aconselha, me apoia e me protege. Eu te amo muito. – Eu falei, me levantando do seu colo para poder abraçá-la e ela fungou, beijando meu rosto emocionada.
− Não faz isso com a mamãe, meu amor. Eu sou um poço de hormônios e essas declarações me fazem chorar igual criança. Mas, saiba que eu também te amo. Mais do que minha própria vida. E para sempre. – Ela declarou e eu sorri, me apertando mais contra ela e aproveitando mais o melhor abraço do mundo.
Minha mãe era a melhor e se minha primeira vez tinha sido ótima ela era uma das maiores responsáveis. Eu tinha sorte por tê-la. Todos nós tínhamos.
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