Laços de amor
43 Capítulo 42
Capítulo 42
Pov. Sofia
− Vocês o que? – Eu perguntei assustada a Lara que me lançou um olhar mortal quando o professor de história nos encarou irritado por estarmos interrompendo sua narração monótona sobre a corrida armamentista dos Estados Unidos. Eu enrubesci na hora e pedi desculpas para o Sr. Rynnes, que depois de nos lançar mais um olhar atravessado, continuou sua aula como se não tivesse sido interrompido.
− Eu e Ethan transamos. Não foi planejado. Mas, devido a uma dor de estomago de Candyce acabamos sozinhos na casa dele e aconteceu. – Lara repetiu aos sussurros, quando o professor se esqueceu de nós no fundo da sala e eu continuei olhando-a pasma, não conseguindo acreditar no que eu acabara de ouvir
− Quando foi isso?
− Domingo, depois que vocês foram para casa. Aparentemente Mia e Candyce comeram doce escondido e minha cunhadinha passou mal.
− Meus tios foram para o hospital e você e Ethan para cama? Lara! – Eu falei chocada e ela deu de ombros, me olhando divertida.
− Aconteceu, Sofia. Ficamos sozinhos e, de repente, estávamos nos pegando nus no quarto dele. Foi bom. Doeu, mas foi uma experiência legal.
− Doeu muito? – Eu perguntei depois de uns minutos, quando o professor se virou para escrever algo na lousa, e Lara sorriu.
− Não muito. Acho que é porque eu estava bastante excitada. Foi desconfortável no início, mas eu curti. De verdade. Ethan fez com que eu me sentisse bonita e desejável. Ele é tão fofo! – Lara falou sonhadora e eu engoli em seco, ainda tentando absorver as últimas novidades.
Lara e Ethan transaram. Minha prima e melhor amiga não era mais virgem e àquilo era louco.
Eu não devia estar tão surpresa, pois ela sempre fora mais precoce que eu. Lara Brandon Swan funcionava e agia do seu próprio jeito e no seu próprio tempo, mesmo tendo pais controladores como tia Alice e tio Jasper.
Mas, era óbvio que eles não sabiam tudo o que a filha aprontava. Se eles desconfiassem, trancariam minha prima em uma masmorra.
− Seus pais sabem? – Eu perguntei, só para ter certeza, e ela revirou os olhos.
− Claro que não. Eu vou contar pra minha mãe, mas não agora. Ela anda muito estressada com algumas coisas no trabalho e surtaria se soubesse que eu iniciei minha vida sexual. E o meu pai vai ficar no escuro sobre essa questão por bastante tempo. Eu não me vejo contando uma coisa dessas pra ele. – Lara explicou e eu respirei fundo, mão concordando muito com sua posição sobre seus pais.
Eu não dava nenhum passo e nem tomava uma decisão como aquela sem falar com a minha mãe.
− Lara, eu acho que você tem que conversar com a sua mãe sobre isso. Já pensou se algo dá errado?
− Como o que? Eu ficar grávida aos dezesseis anos? Sofia, eu não sou idiota. Ethan e eu usamos camisinha. Além disso, nem todas as mães são como a sua. – Ela declarou e eu a olhei confusa.
− Como assim? Mães são mães. Porque a minha é diferente das outras? Da sua?
− A relação de vocês é invejável. Você confia na tia Bella e sempre conta tudo a ela. Eu sei que sou sua melhor amiga, mas estou em segundo lugar. Porque sua mãe é a melhor de todas as amigas. Falar da sua primeira vez com ela vai ser de boa. Mas, com a minha mãe não. Ela nunca me deu essa liberdade. Alice Brandon Swan é mais do tipo autoritária. – Lara falou e eu revirei os olhos, mas no fundo eu sabia que ela estava certa.
Acho que a relação que eu tinha com a minha mãe era mesmo rara e única.
− Você e sua mãe também são amigas. Além disso, tia Alice não é tão careta a ponto de não te apoiar em um momento tão importante como o início da vida sexual.
− Acredite em mim quando digo que minha mãe vai surtar se souber que Ethan e eu estamos transando. É bem capaz que ela tente impedir o meu namoro. Mas, relaxe, Sofia. Na hora certa eu vou falar com ela. – Lara me garantiu e eu suspirei, tentando me concentrar novamente na aula, mas não obtendo sucesso.
A novidade de Lara e Ethan demoraria bastante tempo para sair da minha mente.
*************
− Você está bem? – Tommy me perguntou na hora do almoço, enquanto eu encarava fixamente Lara e Ethan conversando longe de nós e eu assenti, suspirando e me virando para encará-lo.
− Sim...
− Pois não parece. Você está muito quieta e parece preocupada. Aconteceu alguma coisa? – Ele me perguntou, colocando uma mecha do meu cabelo atrás da orelha e eu mordi o lábio tentando me decidir se contava ou não a novidade a ele. Optei por contar. Precisava dividir àquilo com alguém.
− Lara e Ethan transaram. – Eu disparei e Tommy arregalou os olhos, me encarando pasmo.
− Oi?
− Eles transaram. Domingo. Depois que você, Mia, nossos pais e eu voltamos para casa.
− Sério? Ethan não me contou nada. – Tommy declarou e eu o encarei com deboche.
− Ora, não são vocês meninos que não fofocam? – Eu perguntei com ironia e Tommy riu, beijando meu rosto e roubando mais um pedaço do meu pudim.
− Não é fofoca. Nós nos atualizamos. Mas, não é uma atualização com tantos detalhes quanto a de vocês meninas. Além disso, ele é o meu melhor amigo e este posto me dá todo o direito de saber o quando ele resolve perder a virgindade. – Tommy declarou e eu o olhei surpresa.
− Ethan era virgem? – Eu perguntei e Tommy corou, assentindo um pouco envergonhado e desviando o olhar do meu.
Espera... Se Ethan, que também era um cara super popular e ficara com uma legião de garotas antes de Lara era virgem isso só podia significar que...
— Você também é virgem, Tommy?
− Porque isso agora? – Ele perguntou, desviando o olhar do meu mais uma vez e eu sorri, segurando seu queixo e obrigando-o a me encarar.
− Só responde. Você é? – Eu insisti e ele bufou, me olhando mal-humorado.
− Sou, Sofia. Satisfeita? – Ele perguntou em um resmungo e eu sorri outra vez, beijando seus lábios com carinho.
− Muito. – Eu respondi mais feliz do que devia e ele revirou os olhos, mas acabou sorrindo pra mim.
− Eu nunca tive uma namorada além de você e nem uma menina despertou em mim o desejo de... Enfim. E acho que com Ethan foi a mesma coisa. Até que Lara e você surgiram em nossas vidas. – Ele explicou de um jeito fofo e eu me inclinei para beijá-lo.
− Eu desperto desejo em você? – Eu perguntei baixinho depois que nos separamos e ele ergueu a sobrancelha para mim.
− Você sabe que sim, Sofia. Nossas expedições noturnas têm ficado cada vez mais perigosas, inclusive. – Ele declarou e eu engoli em seco, sentindo minha pele se aquecer e minha respiração ficar irregular ao me lembrar dos beijos que trocamos na noite passada. Nossos lábios e mãos estavam ficando cada vez mais atrevidos.
− Você quer transar comigo? – Eu perguntei e foi a vez de Tommy engolir em seco.
− Quero. Claro que quero. – Ele respondeu depois de uns segundos, me dando um beijo leve no pescoço em seguida e eu respirei fundo, tentando controlar as batidas do meu coração. Àquele assunto era perigoso demais para ser tratado em um refeitório de escola onde qualquer um poderia nos ouvir. Mas, eu precisava deixar um ponto claro antes de encerrar o assunto por hoje.
− Eu também quero... – Eu murmurei e Tommy respirou fundo, se mexendo desconfortavelmente ao meu lado e me apertando contra ele, enquanto me dava um beijo terno na testa.
− Ei? Sofia? Vamos! Temos treino agora. – Lara falou, aparecendo do meu lado de repente eu assenti, me dando conta de que o refeitório estava praticamente vazio, o que significava que o sinal já havia tocado há algum tempo. Mas, aparentemente o papo entre Tommy e eu nos deixou além de qualquer acontecimento a nossa volta.
Fui para a quadra e tentei gastar toda minha energia no jogo. Depois do treino, Tommy me deixou no hospital para o meu estágio e, sem que minha mãe soubesse, marquei consulta com a minha ginecologista.
Durante minha conversa com a médica eu procurei tirar todas as dúvidas sobre meu corpo, sobre o início da vida sexual e sobre contracepção. Ela coletou meu líquido vaginal para exames posteriores e fez uma ultrassonografia para saber a situação do meu útero, tubas e ovários.
− Tudo bem com você, Sofia. Vamos ter que esperar o parecer do laboratório sobre sua secreção vaginal, mas você é uma jovem absolutamente saudável. Portanto, iniciar uma vida sexual é apenas a escolha do melhor momento.
− Essa é uma decisão complicada. Envolve muita coisa, principalmente porque o meu namorado é também o meu irmão. – Eu falei para a Dra. Clay, que sorriu para mim.
− Sua família é diferente, mas eu acho um máximo o arranjo entre os seus pais. Tenho certeza de que eles saberão lidar com o início da vida sexual entre você e seu namorado/irmão.
− É... Talvez... – Eu murmurei e ela sorriu, me dispensando do seu consultório logo em seguida. E, para o meu azar, eu me deparei com minha mãe no corredor assim que fechei a porta atrás de mim.
− Sofia? Tá fazendo o que no consultório da Dra. Clay? Você não deveria estar na emergência? – Ela perguntou e eu corei, enquanto tentava encontrar uma desculpa, mesmo odiando mentir para minha mãe.
− Eu vim trazer uns exames pra ela a pedido do laboratório. Mas, já estou voltando para a emergência. – Eu falei rapidamente e ela estreitou os olhos em minha direção, mas não disse nada.
Trabalhei a tarde toda na recepção da emergência e à noite, quando cheguei em casa junto com minha mãe, Edward e Tommy nos esperavam com o jantar pronto.
Ajudei Mia com o dever de casa e, antes de dormir, Tommy e eu fomos assistir juntos um episódio na nossa série favorita. Mas, eu simplesmente não conseguia me concentrar em nada e meu namorado percebeu isso.
− Diga, Sofia... Qual o problema? – Tommy me perguntou, pausando nossa série e eu suspirei, beijando seu queixo de leve, enquanto ele me encarava sério.
− Problema nenhum. Eu apenas estou pensando no que Lara me contou hoje sobre a primeira vez deles.
− Eu conversei com ele. Aconteceu mesmo. Domingo. E, depois disso, eles já fizeram outras vezes. – Tommy falou e eu o encarei surpresa. Lara não me contara essa parte.
− Sério?
− Sim. Mas, eles estão facilitando. Já imaginou se alguém pega eles nus? Eu não quero nem pensar na confusão que vai dar. Seu tio vai querer a cabeça de Ethan em uma bandeja. – Tommy falou e eu ri ao imaginar tio Jasper descobrindo que sua bonequinha estava transando. Ele certamente iria querer matar Ethan.
− Tio Jasper vai enfartar quando descobrir, mas não vai adiantar muito, não é? Afinal, já aconteceu.
− Não importa que já aconteceu, princesa. Pais são programados para sentirem ciúmes das filhas. O meu vai surtar quando a gente... Enfim. Você também é a princesinha de Edward Cullen e isso certamente será um problema quando nós dois resolvermos dar esse passo na nossa relação. – Tommy falou e eu suspirei. Ele provavelmente estava certo. Nossos pais iriam enlouquecer quando Tommy e eu resolvêssemos transar.
− Eu fui à ginecologista hoje. – Eu declarei e Tommy me afastou do seu corpo para poder me encarar.
− Para quê? – Ele me perguntou alarmado e eu revirei os olhos.
− Para consultar meus olhos. – Eu falei irônica e ele me lançou um olhar exasperado que me fez rir. − Eu queria me consultar e tirar dúvidas a respeito de sexo, corpo e contracepção. Ela foi bem legal respondendo a todas as minhas perguntas e me receitando um anticoncepcional compatível com a minha idade. – Eu expliquei e Tommy corou, limpando a garganta de leve, o que fez com que eu enrubescesse também.
Por que falar sobre sexo com ele era tão desconfortável?
− Você vai tomar anticoncepcional?
− Vou. Uma hora ou outra vai acabar acontecendo entre a gente e eu quero estar preparada. Minha mãe é contra anticoncepcionais, pois diz que eles detonam com o corpo da mulher, mas a Dra. Clay me garantiu que o que ela indicou tem uma baixa dosagem de hormônio. Além disso, eu não pretendo usar por muito tempo. Só no início, para o caso de algum acidente... Tipo a camisinha furar ou a gente simplesmente se esquecer dela no calor do momento. – Eu falei e Tommy ficou me encarando por longos segundos, sem expressar nenhuma reação. – Tommy?
− Sofia... Você não pode ficar dizendo essas coisas... – Tommy murmurou e lancei a ele um olhar confuso.
− Por que não?
− Porque essa conversa toda sobre nossa primeira vez, contraceptivo, camisinha, calor do momento... Tudo isso mexe muito comigo. Eu desejo você. Você é minha namorada linda e totalmente desejável e eu resisto ao desejo de tê-la dessa forma dia a dia para respeitar o seu momento. Mas, você não facilita ao me contar que visitou sua ginecologista para falar com ela sobre o início da nossa vida sexual. Nossos pais e nossa irmã estão em casa e tudo o que eu consigo pensar agora é em te jogar nessa cama e... – Ele deixou a última frase no ar e eu engoli em seco, sentindo meu corpo todo se aquecer.
− Acho que nosso momento chegou. – Eu falei e ele ergueu as sobrancelhas em minha direção.
− Só porque Ethan e Lara transaram?
− Não. É por que eu realmente me sinto preparada. Ou estou me encaminhando para isso. – Eu falei e Tommy riu, beijando o topo da minha cabeça.
− Sofia, sexo é pra ser algo legal. Então, vamos fazer isso sem pressão e no nosso tempo. Não é só por que nossos primos estão transando loucamente que temos que fazer a mesma coisa. Eu desejo muito você, mas posso esperar. Fique tranquila.
− Eu estou tranquila, Tommy. – Eu resmunguei e ele sorriu, beijando meu rosto.
− Amor, vamos deixar esse assunto de lado por enquanto. Tudo o que eu quero é estar com você e isso não precisa, necessariamente, envolver sexo. Não ainda.
− Eu só não quero que você vá para Harvard e faça sexo com outras garotas porque nós ainda não... – Eu murmurei minha maior insegurança e Tommy suspirou, segurando meu rosto para que eu pudesse encará-lo.
− Sofia, eu amo você. Você é muito importante pra mim e eu jamais a magoaria dessa forma. Além disso, se eu quisesse traí-la com alguma menina na faculdade, mesmo que nós já tivéssemos uma vida sexual ativa, eu poderia fazê-lo, pois isso é uma questão de caráter e não de falta de sexo. Então, por favor, tire esses pensamentos bobos dessa cabecinha linda e relaxe. Vai acontecer no momento certo e vai ser ótimo. Eu tenho certeza. – Ele falou e eu sorri de leve, beijando seu rosto e voltando a prestar atenção em nossa série.
**********
Alguns dias depois...
Assim que coloquei os pés em casa, depois de um longo e cansativo treino de vôlei, minha mãe me segurou pelo braço, sem me cumprimentar direito, e me rebocou até o meu quarto.
− Faça xixi nesse palito. – Ela falou, me entregando um teste de gravidez e eu arregalei os olhos, encarando-a assustada.
− Mãe, eu e Tommy não... Eu... Mãe, eu não estou grávida. – Eu falei, para deixar bem claro que eu ainda continuava virgem, e ela revirou os olhos, me olhando exasperada.
− Eu sei, Sofia. Por isso que eu quero que você faça xixi nesse palito. Vamos comparar o seu teste com o meu.
− Você está grávida? – Eu perguntei chocada e ela respirou fundo, me empurrando para o banheiro.
− Vamos descobrir agora. Faça xixi nesse palito de uma vez. – Ela mandou e eu bufei, mas entrei no banheiro e fiz o que ela tão gentilmente me ordenou.
Depois disso, enquanto minha mãe se escondia covardemente em seu quarto, eu tive que ficar sozinha esperando o resultado dos testes, resmungando pelo fato de Isabella Swan estar ficando maluca por me obrigar a fazer àquilo.
− São testes de gravidez? – Tommy perguntou, aparecendo do nada e, apesar do susto com a sua aparição repentina, eu tive que rir de seu rosto pálido e sua expressão assustada.
− São, Tommy. Mas, antes que você surte, saiba que eu não transei com ninguém e não estou grávida. Isso é coisa da cabeça maluca da minha mãe. – Eu expliquei e ele suspirou, ainda encarando os testes em minhas mãos.
− Bella está grávida? – Ele perguntou surpreso e eu dei de ombros.
− Segundo ela, vamos descobrir. Mas, eu não entendo nada de testes de gravidez. Por motivos óbvios, eu nunca precisei fazer nenhum. – Eu resmunguei e ele riu.
− Acho que tem algo a ver com cores.
− É... Acho que tem. Acho que azul significa normal e rosa significa gravidez. – Eu murmurei e ele assentiu.
− Mas, você tem certeza? O que diz as instruções?
− Claro que eu não tenho certeza. Eu nunca fiz um teste de gravidez antes. – Eu declarei mal-humorada e ele revirou os olhos, apontando para a embalagem sobre minha cama.
− Eu sei, amor. E é por isso que devemos seguir todas as instruções da caixinha. O que diz aí? – Ele me perguntou e eu peguei a embalagem para verificar o que as cores significavam.
− Duas fitas rosa significam gravidez. – Eu falei e ele assentiu, me encarando.
− E de que cor as fitas estão? – Tommy me perguntou e eu mostrei o teste da minha mãe a ele. As fitas estavam em uma tonalidade escura de rosa. – Bem, então já sabemos a resposta. – Ele falou com um sorriso nos lábios, que eu retribuí.
Minha mãe estava grávida e nós teríamos um irmãozinho ou irmãzinha para amar.
− Gravidez... – Eu sussurrei e, de repente, sem que soubéssemos de onde, Edward apareceu e começou a gritar com a gente, certamente achando que a grávida da história era eu.
Foi preciso a interferência da minha mãe para que ele não nos assassinasse. E, graças a Deus, ao fim daquela noite estávamos comemorando a chegada do bebê com pizza, Coca-Cola e sorvete.
Mia surtou por causa da chegada do bebê, mas minha mãe e eu conseguimos contornar a situação e fazer com que a loirinha aceitasse o novo membro da família Swan-Cullen numa boa.
− Você está feliz? – Eu perguntei a minha mãe naquela noite, quando ela foi me colocar na cama e recebi um imenso sorriso como resposta.
− Mais do que feliz. Eu me sinto nas nuvens. A reação de Mia sobre o bebê estava me preocupando, mas não tem como ficar triste ao saber que eu estou esperando um filho de Edward. Um filho que é amado e desejado por todo mundo mesmo quando ainda é um pequeno carocinho em meu útero. – Ela declarou e eu fiquei encarando-a por longos segundos sem conseguir expressar a insegurança que me tomara ao ouvir suas palavras. Eu não queria dar uma de Mia, afinal, eu já tinha dezesseis anos. Mas, era inevitável pensar que como o bebê era filho do homem que minha mãe amava, ela gostaria mais dele do que de mim. – Sofia? Tudo bem, amor?
− Você vai amá-lo mais do que a mim, não é? – Eu murmurei e ela arregalou os olhos, me olhando preocupada.
− Claro que não, meu amor. Mas... Por que isso agora? – Minha mãe perguntou e eu engoli em seco, tentando controlar a vontade idiota de chorar que me tomara.
− Esse bebê é filho do homem que você ama. Esse mesmo homem vai te ajudar a criá-lo e vai amá-lo junto com você, diferente do que foi comigo. Portanto, é natural que você goste mais dele do que de mim. – Eu concluí e ela sorriu, sentando-se ao meu lado na cama e me tomando nos braços.
− Amor, não existe a menor possibilidade de eu amar um mais do que o outro. Você é a coisa mais linda que aconteceu na minha vida e eu te amo tanto que nem sei expressar em palavras esse sentimento. Além disso, você também é filha de Edward, amor. A filha que ele adotou e a quem ele ama. Mas, quem é o seu pai é só um detalhe. Você é e sempre será o meu coração que bate fora do peito. A parte mais linda e perfeita de mim mesma. Eu posso ter dez filhos, meu anjo, mas eu sempre te amarei da mesma forma. Sempre te amarei cada dia mais e mais. – Minha mãe falou e eu sorri entre lágrimas, me agarrando a ela.
− Eu também te amo, mamãe. Cada dia mais. E estou muito feliz por esse bebê. Eu sempre quis ter irmãos e agora tenho um monte deles. – Eu falei divertida e ela riu, beijando minha testa e me abraçando forte.
− Realizar os seus sonhos é tudo o que eu sempre quis, meu amor. Eu te amo pra sempre, Sofia. Infinitamente. – Minha mãe declarou e eu sorri, beijando seu rosto.
− Eu sei, mamãe. Também te amo pra sempre. Até o infinito e além.
**********
Alguns dias depois...
Terminei meu banho em cinco minutos e corri para o quarto a fim de me vestir. Viajaríamos para Boston hoje e se eu não corresse, acabaria fazendo minha família toda perder o voo. E tudo isso era culpa da Dra. Cooper que me prendera no hospital até mais tarde hoje para compensar os dias em que eu não faria estágio. Eu adorava meu trabalho de meio período, mas, às vezes, eu amaldiçoava Suzana Cooper e suas mãos de ferro para chefiar o hospital.
− Sofia, você viu o meu fone de... – Ouvi a voz de Tommy e me virei assustada em direção à porta, já que a única coisa que eu vestia era uma calcinha. Ele parou de falar no momento em que se deu conta da pouca quantidade de roupa que cobria o meu corpo e ficou me encarando estático.
Acho que ele simplesmente não esperava me encontrar seminua em meu quarto.
− Me desculpa... Eu achei que você já estivesse pronta. Já estamos quase saindo para o aeroporto. – Ele murmurou com a voz rouca, ainda me encarando e eu corei.
− Feche a porta. – Eu pedi, antes que mais alguém me visse seminua e ele respirou fundo antes de fazer o que eu pedi. O curioso foi que ele não saiu do quarto. Eu sorri de leve e me virei de costas para ele, tentando me concentrar na tarefa de me vestir para nossa viagem.
Eu estava ciente de que Tommy não desgrudava os olhos de mim. Mas, aquele era o meu namorado. Algum dia eu ficaria nua na frente dele e quanto antes eu me acostumasse a isso, melhor.
− Seu fone está na minha mochila. – Eu falei, vestindo meu moletom e ele me olhou confuso.
− O que? – Ele murmurou e eu revirei os olhos, encarando-o divertida.
− O fone, Tommy. Não foi isso que você veio procurar?
− É... Foi. Acho que foi. Mas, eu nem sei mais de nada. – Ele declarou e eu ri, terminando de abotoar minha calça jeans e me sentando sobre a cama para calçar o tênis.
− Tá tudo bem, Tommy. Um dia, ficar nua na sua frente vai ser algo corriqueiro. – Eu comentei e ele expirou, fechando os olhos e passando as mãos pelo rosto.
− Você vai ser a minha morte, Sofia Swan. – Tommy resmungou e eu sorri, andando até ele e abraçando-o pelo pescoço.
− Eu já disse que estou pronta, mas você não acredita. Azar o seu. – Eu falei e Tommy fez uma careta, o que me fez rir.
− Tá certo, Sofia. Vamos transar. Mas, não agora, pois estamos atrasados. Vamos fazer isso em Boston. Um dia, viveremos juntos lá por causa de Harvard e vai ser legal começarmos nossa vida sexual já no futuro. O que me diz? – Ele perguntou e eu engoli em seco, tentando controlar o nervosismo e a expectativa por saber que nossa primeira vez finalmente aconteceria.
Sexo em Boston?
Seria diferente, ousado e inesquecível.
− Eu acho perfeito. Vai ser um ótimo presente de natal. – Eu declarei e ele riu, beijando meus lábios. E foi nesse momento que minha mãe também invadiu o meu quarto. Pelo visto, ninguém naquela casa sabia bater à porta.
− Desgrudem, crianças ou perderemos o voo. Não se esqueça do casaco, Sofia. A previsão para Boston é congelante. – Ela falou e eu assenti, terminando de me arrumar rapidamente e seguindo com minha família para o aeroporto.
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Boston
− Papai viu as camisinhas na minha mochila e já sabe que vamos transar. – Tommy falou aos sussurros, enquanto todos conversavam na sala antes do jantar e eu arregalei os olhos em sua direção.
− E como ele reagiu?
− Nada bem. Ameaçou contar para a mamãe. – Ele falou e eu sorri ao ouvi-lo chamar minha mãe de mãe. Era a primeira vez que ele fazia isso. – Por que você está rindo?
− Você falou mamãe. – Eu comentei e ele revirou os olhos, rindo e beijando meu rosto, o que atraiu a atenção de todos para nós.
− Eles não são o casal mais lindo que já existiu na face da Terra? Eu morro de amores por esses dois! – Vovó Esme falou e Edward estreitou os olhos em nossa direção, o que me fez corar. Saber que ele sabia o que faríamos naquele feriado me deixava constrangida.
− São lindos sim, mãe. Lindos até demais. Lindos e precoces. – Ele comentou, resmungando a última parte e eu troquei um olhar com Tommy. Se Edward contasse sobre minha primeira vez com Tommy para minha mãe antes de mim ela iria me matar.
− Todos os casais dessa família são lindos, querida. A começar por nós dois. – Vovô Carlisle falou e todos riram, desviando a atenção de Tommy e eu.
Depois do jantar, minha mãe me rebocou para o quarto para uma sessão de filmes das meninas. Ela, tia Rosalie, vovó Esme, Candyce, Mia e eu ficamos horas assistindo filmes infantis e conversando sobre coisas banais até que, às duas da madrugada, fomos para a cama a fim de estarmos descansadas para o Natal.
Lara chegou à Boston acompanhada dos pais e dos nossos avós no dia seguinte e assim que tive uma oportunidade, a arrastei para o quarto a fim de contar o que Tommy e eu faríamos àquela noite.
− Vocês vão transar hoje? Aqui? – Ela me perguntou chocada e eu assenti, mordendo os lábios nervosa.
− O que você acha? – Eu perguntei insegura e ela riu.
− Que vocês são loucos. E se alguém descobre? Ou pior. Se alguém pega vocês no flagra?
− Depois da ceia, quando todos estiverem dormindo, Tommy e eu vamos para o chalé que fica atrás da mansão. Vamos passar a noite lá. Ele passou o dia preparando tudo para nossa primeira vez e não me deixou chegar nem perto, pois disse será uma surpresa. – Eu contei a ela que riu, batendo palmas de empolgação.
− Tommy é um fofo. Tenho certeza de que a primeira vez de vocês vai ser inesquecível.
− Vai sim. A parte mais difícil dessa noite vai ser contar para minha mãe.
− Não conta. Deixa acontecer primeiro. Depois, ela não vai poder fazer nada além de gritar com você. – Lara falou e eu fiz uma careta.
− Eu não quero que minha mãe grite comigo, Lara. Eu nunca fiz nada sem contar a ela e não vou começar agora. Isabella Swan nunca me perdoaria se eu fizesse algo assim. Eu prometi a ela que lhe contaria sobre a minha primeira vez e farei isso.
− Pelo menos deixe para falar com ela após a ceia ou é bem capaz da tia Bella ter uma indigestão. – Lara debochou e eu fiz uma careta, por saber que ela estava absolutamente certa.
**********
Minha mãe ficou me olhando aturdida e eu estalei os dedos em frente ao seu rosto, com medo de ela estar tendo uma síncope.
A ceia tinha acabado e, mesmo temerosa, eu pedira para conversar com a minha mãe a sós. Ela me olhou com estranheza, mas me acompanhou até o quarto que Lara, Mia, Candyce e eu estávamos dividindo, enquanto toda família ainda comemorava a notícia da sua gravidez. E quando eu lhe contei sobre os planos para àquela madrugada ela paralisou.
− Mãe?
− Oi?
− Você ouviu o que eu disse? – Eu perguntei a ela que respirou fundo e me encarou.
− Ouvi. Você e Tommy vão transar hoje. Você se sente pronta e ele preparou tudo para te dar uma noite especial. – Ela falou baixinho e eu assenti, encarando-a muda.
− Tudo bem pra você? – Eu perguntei quando o silêncio se prolongou e ela expirou.
− A Dra. Clay me falou sobre o anticoncepcional. Eu sei que você está tomando regularmente todas as noites. Eu o vi perto da caixinha da sua lente. Então, sei que não vou me tornar avó essa noite. Você parece certa do que quer. Então, só posso torcer para que sua primeira vez seja especial e que você sempre se lembre dela com carinho. – Minha mãe falou e eu sorri, pulando em seu colo e abraçando-a.
− Obrigada por não surtar.
− Obrigada por me contar, amor. Confesso que duvidei que você fosse fazê-lo.
− Eu sempre te conto tudo, mãe. Você é minha melhor amiga e confidente. – Eu declarei e ela sorriu, beijando meu rosto.
− Que bom, meu anjo. Amanhã vou querer saber como foi. É estranho pensar que hoje você... Enfim. Minha menininha linda e meu bebê fofo... Você vai se tornar mulher.
− Eu já sou uma mulher, mãe. Hoje, vou apenas avançar mais uma casinha rumo à vida adulta.
− Você é tão mais madura que eu na sua idade. Tão inteligente e segura. Por isso que eu sei que esse é o seu momento e, só por isso, eu não estou surtando. Aproveite sua noite. Vou estar torcendo para que seja tudo maravilhoso. – Ela falou e eu sorri, beijando seu rosto e me felicitando por ter a mãe mais maravilhosa do mundo.
Depois que todos dormiram, Tommy e eu nos esgueiramos silenciosamente para o chalé que ficava no fundo da mansão dos Cullen. Aquele lugar fora uma espécie de cômodo de brinquedos para tia Rosalie e Edward e depois para Tommy, Ethan, Candyce e Mia. Mas, essa noite seria o local onde meu namorado e eu perderíamos a virgindade juntos. Pensar nisso fazia com que um milhão de borboletas dessem voltas em meu estômago.
− Acho que eu fui concebido nesse chalé. – Tommy falou, enquanto destrancava a porta, e eu o olhei com diversão.
− Sério?
− Sim. Meus pais se escondiam aqui para transar antes do casamento. Tia Rosalie e tio Emmett também. Então, tá de boa usarmos o local para isso. Estamos apenas seguindo uma tradição familiar. – Tommy declarou e eu ri, me agarrando em seu braço. Estava congelando do lado de fora e se ele não abrisse àquela porta logo, acabaríamos congelando também.
Quando finalmente entramos o calor da lareira nos recebeu e eu olhei para a cama improvisada no chão admirando o capricho e dedicação do meu namorado.
Meu estômago dava voltas em expectativa e quando minha respiração se acelerou, eu senti os braços de Tommy ao meu redor.
− Podemos desistir no momento que você quiser. – Ele sussurrou em meu ouvido e eu sorri, erguendo o rosto para encará-lo.
− Não quero desistir. Quero fazer amor com você. Hoje. Agora. Eu tenho certeza. O nervosismo apenas faz parte do pacote. – Eu declarei e ele sorriu, beijando minha testa.
− Eu te amo, Sofia Swan Cullen. Eu te amo desde a primeira vez que te vi sorrindo nos corredores da escola. Você me faz imensamente feliz e, por mais clichê que pareça, eu quero que você seja a única em minha vida para sempre. – Ele falou e eu sorri, tocando seu rosto lindo com carinho.
− Eu também te amo, Antony Denali Swan Cullen. Eu sou sua e serei sua para sempre. Você me faz feliz. Com você eu me sinto linda, especial, amada e completa.
− Você é linda, amor. A mais linda de todas. – Ele falou, me beijando em seguida e eu suspirei, deixando que ele me deitasse na cama improvisada em frente à lareira.
Depois disso, nossa noite começou. Nossa primeira vez. E foi lindo. Quase perfeito. E fez com que eu me apaixonasse por ele mais e mais. Infinitamente mais.
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