Capítulo 41

Pov. Mia

Ouvi um barulho vindo da porta do meu quarto, mas não me virei para ver quem era. Eu estava brava. Brava e magoada. Brava, magoada e indignada.

Minha mãe... Ou melhor, Bella estava grávida. Ela e papai não respeitaram a minha vontade de ser a filha caçula para sempre. Eles me traíram e eu não queria conversar com nenhum dos dois. Nunca mais.

− Mia? – Ouvi a voz de Sofia e bufei irritada. O que ela estava fazendo ali? Porque não ia beijar o meu irmão, já que era isso que eles gostavam de fazer o dia todo? Ninguém naquela casa se importava comigo de verdade e, agora, com um novo bebê, eu seria deixada de lado para sempre. – Mia? Fale comigo. Eu sei que você não está dormindo. – Sofia insistiu e eu respirei fundo, me virando para olhá-la.

− O que você quer? Porque não vai namorar o meu irmão? – Eu perguntei e ela disfarçou um sorriso, entrando no meu quarto e fechando a porta.

− Porque agora eu estou aqui para conversar com você. Seu irmão pode esperar.

− Eu não quero conversar. O bebê da ma... Da Bella já existe. Não tem mais nada o que possa ser feito. – Eu declarei e ela revirou os olhos, vindo sentar-se ao meu lado na cama.

− Você não vai mais chamá-la de mamãe? Jura? Você pede que a gente te trate como uma menina de nove anos, mas age como uma de quatro só porque foi contrariada? – Sofia provocou e eu a encarei irritada.

− Bella nem é minha mãe de verdade. Minha mãe se chama Tanya e morreu quando eu era bebê. Eu não tenho mãe. – Eu declarei brava e Sofia bufou.

− Claro que ela é sua mãe de verdade, Mia. Ela te ama, se preocupa e cuida de você. Minha mãe é maravilhosa, Mia e ela sempre foi só minha. Eu tinha a atenção dela toda pra mim e, de repente, tive que dividi-la com você e Tommy. Mas, isso não foi ruim. Pelo contrário, pois ela faz tão bem a vocês quanto faz a mim e isso sempre será uma coisa boa. Então, porque não podemos dividi-la com um bebê agora? Um bebê que todos nós vamos amar.

− Eu não vou amá-lo. – Eu resmunguei e Sofia revirou os olhos.

− Isso é inevitável, Mia. Será um pedacinho nosso e vamos amá-lo muito.

− Bella vai amá-lo mais do que a mim. E você também. E o papai e o Tommy. Vocês irão me esquecer. – Eu sussurrei e Sofia estralou os lábios, me puxando para perto dela e beijando meus cabelos.

− Mia, minha mãe tem um coração enorme. O amor dela não vai se dividir entre nós quatro. Pelo contrário. Vai aumentar para que ela possa amar todos os filhos da mesma maneira. Esse bebê é uma coisa boa. Acredite em mim, amor. Eu já menti pra você alguma vez? – Ela me perguntou e eu suspirei.

− Não...

− Então. Não seja teimosa, amor. Não destrate nossa mãe por estar se sentindo traída. Afinal, quase todo mundo quando se casa tem bebês. – Ela declarou e eu fiz uma carena. Não me casaria nunca, então, pois odiava bebês. − E pare de achar que Tommy, papai e eu vamos esquecê-la ou deixá-la de lado, pois isso é impossível. Você é a nossa loirinha linda e vamos te amar para sempre.

− Os bebês acontecem quando se namora pelado, não é? – Eu perguntei e Sofia corou, limpando a garganta e me encarando muda por alguns segundos.

Porque esse assunto deixava todo mundo estranho e constrangido?

− É, Mia. Nossos pais se casaram e... Enfim. Bebês acontecem. Nosso irmãozinho ou irmãzinha vai chegar e será muito amado ou amada por todos nós. Eu sei que você ficou chateada por ter acabado de ter uma mamãe e já ter que dividi-la com um bebê. Mas, assim é a vida. Tommy um dia precisou dividir sua mãe e Edward com você, depois vocês precisaram dividir Edward comigo, assim como eu precisei dividir minha mãe com vocês. Vamos nos unir para dar todo o amor que esse bebê precisa. Vamos continuar sendo essa família linda que todo mundo admira. – Sofia falou e eu funguei, me abraçando a ela.

− Mas, Sofia, esse bebê vai sair da barriga da mamãe. Vai ser um pedacinho dela. Então, com certeza, ela vai amar mais ele do que eu, pois eu nasci da barriga da mamãe Tanya.

− Mia, o amor não nasce do útero. Ele vem do coração. O fato de eu e esse bebê termos vindo da barriga da mamãe é só um detalhe. Ela ama você e Tommy do mesmo jeito que ama a mim e que irá amar esse bebê. Acredite em mim, princesa. – Sofia pediu e eu assenti, mesmo ainda não tendo certeza se podia mesmo confiar em suas palavras sobre Bella.

− O que acha de uma partida de xadrez? – Ela me perguntou e eu neguei com um gesto de cabeça. – Um filme?

− Vou ficar aqui no quarto. Prefiro ler o meu livro. – Eu falei, pegando meu exemplar de Orgulho e Preconceito que ela me dera e Sofia sorriu.

− Jane Austen é sempre uma excelente companhia. Você tem razão em preferi-la. Seu irmão e eu estamos lendo Emma. É um livro lindo da mesma autora. Assim que terminarmos, eu o passo pra você. Certo? – Ela me perguntou e eu assenti empolgada. Iria adorar ler algo novo. Só esperava que fosse tão bom quanto Orgulho e Preconceito. − Vamos pedir pizza para comemorar a chegada do bebê. Qual sabor você vai querer? – Sofia me perguntou e eu dei de ombros, fechando a cara novamente.

O que havia para ser comemorado?

Mas, como não queria parecer uma criança de quatro anos birrenta, resolvi participar da “comemoração”. Fazer o que?

− Pepperoni... – Eu murmurei e ela assentiu, levantando-se da cama e me encarando com um sorriso nos lábios.

− Com muito queijo e cebola?

− Muito queijo e sem cebola. – Eu murmurei e ela riu, beijando meus cabelos e saindo do quarto em seguida.

Respirei fundo e me deitei novamente em minha cama, conseguindo controlar a vontade de chorar com bravura. Não choraria por àquele bebê. Não mesmo. E nem pela mamãe... Quer dizer, Bella. Ninguém naquela casa merecia minhas lágrimas.

Eu estava quase dormindo quando ouvi a porta do meu quarto se abrir novamente. Eu achei que fosse Sofia me chamando para comer, mas quando me virei, me deparei com Bella me olhando seriamente.

− Sai daqui... – Eu falei brava, não conseguindo conter mais as minhas lágrimas e ela suspirou, sentando-se ao meu lado e me pegando nos braços.

Eu até tentei me afastar, mas Bella era forte e tinha um abraço tão bom que eu não quis mais resistir e me agarrei a ela.

− Amor, não rejeite a mamãe e nem a esse bebê. Eu te amo e essa criança que vai nascer vai te amar do mesmo jeito. Você vai ser uma irmã mais velha incrível. Quando seus irmãos forem para Harvard, é você quem vai me ajudar com o bebê. Seremos companheiras em tudo, como já acontece. Seu pai e eu estamos tão felizes. Nossa família vai aumentar, assim como nosso amor que cresce mais a cada dia.

− Você vai me esquecer quando o bebê nascer...

− Claro que não, meu anjo. Você vai ser sempre a minha princesa. A menininha que eu amei desde que a consultei na manhã seguinte ao primeiro encontro com o seu pai. A menininha que me defendeu dos ataques da tia Kate e que me apoiou quando Sofia levou um tiro. – Ela falou e eu funguei, a olhando em dúvida.

− Você promete que vai ser sempre a minha mamãe? Mesmo que você tenha cinco filhos depois de namorar pelada com o meu pai? – Eu perguntei e ela riu, beijando minha testa.

− Eu prometo, minha pequena. Serei sempre a sua mãe, independente de quantos filhos seu pai e eu tenhamos juntos. E, por favor, não fale sobre namoro e pelados perto dele. Edward já está eufórico demais. Não queremos que o papai tenha um ataque. – Ela brincou e eu sorri.

− Não vou falar. Eu prometo. Se bem que o papai bravo é bem engraçado.

− É sim... E então? Estamos bem?

− Sim. Mas, só se eu puder escolher o nome do bebê. – Eu negociei e mamãe sorriu.

− Tudo bem. Desde que os nomes eleitos não sejam Jane, Darcy ou Elizabeth...

− São belos nomes... – Eu resmunguei brava, indignada por ela não gostar dos nomes mais lindos do mundo, e ela riu, levantando-se da cama e me puxando pela mão para fora do quarto.

− Você e Sofia são mais parecidas do que pensam. Ela também queria batizar todos os seus brinquedos com os nomes dos personagens de Jane Austen. Mas, o meu bebê não vai ter um nome do século XIX. De jeito nenhum. Então, tirando esses, você pode escolher. Mas, papai e eu teremos o poder do veto.

− Tá bom. – Eu resmunguei e deixei que ela me levasse para o andar debaixo, onde um monte de pizza nos esperava.

Sofia sorriu ao nos ver juntas e piscou para mim. Eu também sorri. Era bom não estar com raiva da mamãe.

Papai me pegou no colo assim que chegamos à sala de jantar e sussurrou um obrigado no meu ouvido. Eu sabia que ele estava me agradecendo por eu ter perdoado a mamãe. Meu pai a amava e não queria que eu a expulsasse das nossas vidas como fizera com todas as suas ex-pretendentes.

Mas, eu não faria isso.

Bella era minha mamãe e se eu tivesse que dividi-la com um bebê para continuar tendo-a em minha vida, tudo bem. O importante era ser filha dela para sempre.

**********

Pov. Edward

Alguns dias depois...

Bella sentou-se sobre meu colo, tomando das minhas mãos o relatório que eu lia e eu a olhei confuso.

− Algum problema? – Eu perguntei a ela, retirando meus óculos de leitura e ela bufou.

− Eu quero sexo, Cullen. Muito sexo. Desde que você descobriu sobre minha gravidez nós não tivemos mais relações. Qual o seu problema? Não me deseja mais? – Ela perguntou fazendo um biquinho lindo e eu sorri, beijando-a.

− Não vou nem responder a essa última questão, pois é óbvio que eu desejo você. Na verdade, nós não tivemos relações porque minha esposa linda e grávida vive cansada, enjoada e mal-humorada. Na semana passada ela dormiu durante os preliminares. Ela roncou e ofendeu o marido gostoso e bom de cama que estava se esforçando em um sexo oral incrível. – Eu falei divertido e ela corou, escondendo o rosto na curva do meu pescoço.

− Sua esposa gostosa é um poço de hormônios descontrolados e furiosos. Desculpe-a, por favor. O sexo estava ótimo, mas o sono era incontrolável – Bella se justificou e eu ri, beijando seu pescoço com carinho.

− Ela já está desculpada. Eu não consigo ficar zangado com a mulher maravilhosa que virou meu mundo de cabeça para baixo e que me faz feliz simplesmente por existir. – Eu declarei e ela sorriu lisonjeada, beijando meus lábios.

− Sua esposa é foda.

− Sim. Fodidamente linda. – Eu declarei, acariciando seu rosto e Bella sorriu mais uma vez. – Você quer transar?

− Quero. Mas, antes precisamos conversar. – Ela declarou e eu suspirei, me ajeitando na cama, pois minhas pernas já estavam começando a formigar devido a nossa posição.

− Diga.

− Não contamos a ninguém sobre minha gravidez ainda. Nem mesmo meu irmão e Alice sabem. Por isso, quero preparar uma surpresa para nossa família. Quando eu fiquei grávida da Sofia, eu só ouvia críticas. Ninguém, além de mim, ficou feliz com a notícia. Mas, agora, eu tenho certeza que esse bebê vai ser muito comemorado e eu quero viver isso.

− Podemos armar a maior surpresa, embora eu ache que minha irmã já desconfie. E é óbvio que todos vão adorar a notícia. Nosso bebê vai ser muito amado e comemorado. Inclusive por Mia, que já fez uma lista imensa de nomes. – Eu falei e Bella sorriu, enquanto brincava com a gola da minha camisa.

− Eu fiquei com muito medo da nossa loirinha me odiar por causa do bebê. A reação dela a notícia foi como eu esperava, mas eu fiquei em pânico com a possibilidade de destruir a relação linda que Mia e eu construímos desde que o nosso namoro começou.

− Ela te ama. Mia é voluntariosa e teimosa, mas uma birra por não ser mais a filha caçula não seria maior do que o amor que ela sente por você. Aliás, Sofia e você têm um poder imenso sobre ela. Nunca vi àquela loirinha mudar de ideia ou deixar de lado uma birra tão depressa. – Eu declarei e Bella sorriu.

− Sofia abriu espaço para nossa conversa e, com jeitinho, eu pude me entender com ela negociando o nome do nosso bebê. Mas, você e eu temos o poder de veto.

− Ainda bem. Não quero ter um filho chamado Darcy. – Eu falei divertido e Bella riu.

− Nem eu. Por isso que negociei nosso poder de veto.

− Certo. Agradeço por isso. E por falar em Sofia, ela conseguiu a liberação do estágio para que possamos viajar?

− Conseguiu. Suzana a liberou. Amor, Sofia é incrível no hospital. Ela é rápida, prestativa, inteligente, simpática... Todos a amam. Eu criei uma médica prodígio. – Bella declarou orgulhosa e eu ri de sua empolgação.

− O que ela faz lá exatamente?

− Ajuda na recepção, no laboratório e, depois que voltarmos de Boston, ela vai trabalhar na emergência. Não com pacientes, é claro, pois Sofia é apenas uma estudante do High School. Mas, ela vai auxiliar os médicos, enfermeiros e técnicos e entender como o atendimento emergencial funciona.

− E ela vai se sair brilhantemente bem, pois como você disse, nossa filha é um prodígio.

− Ela é sim. E Tommy? Já sabe que carreira vai seguir?

− Eu torço pelo direito. Queria que ele seguisse meus passos. Mas, algo me diz que ele vai optar pela gastronomia. – Eu falei e Bella me olhou surpresa.

− Sério? Ele tem talento. Adoro quando ele cozinha. Aliás, eu e o bebê adoramos. – Bella falou e eu sorri largamente ao ouvi-la se referir ao nosso bebê.

Espalmei minha mão em sua barriga ainda plana e a encarei.

− Eu ainda não acredito que tem um bebê meu aqui... – Eu murmurei emocionado e ela sorriu, colocando uma mão sobre a minha e me encarando com os olhos brilhantes.

− Mas, tem. Nosso amado bebê. Um bebê feito com todo o amor do mundo e que vai ser criado por um pai e uma mãe, conviver com os irmãos, tios, primos e avós e que vai ser muito feliz, pois tem uma família maravilhosa. – Bella declarou e eu sorri outra vez.

− Sofia não teve nada disso, mas foi muito amada pela mãe e é uma menina maravilhosa. Você tem que superar isso, amor. – Eu falei e Bella fez uma careta, me olhando mal-humorada.

− Eu já superei, Cullen. Sofia agora tem uma família maravilhosa, que cuida dela e a ama. Não enche! – Ela resmungou e eu ri, apertando-a contra mim e beijando-a.

− Certo. Tem mais alguma coisa para me dizer?

− Acho que não... – Ela falou com a voz mansa, acariciando meu peito de leve e eu sorri de forma maliciosa.

− Vamos transar, então?

− Que romântico você, Edward Cullen! – Bella resmungou e eu ri, jogando-a na cama e pairando em cima dela, com um joelho de cada lado do seu corpo.

− Eu sou sempre romântico, Sra. Cullen. Mas, agora, eu quero transar com você. E, seu eu ouvir um ronco ao invés de gritos e gemidos, vou te deixar sem sexo até essa criança nascer. – Eu ameacei e Bella riu.

− Eu não vou dormir. Prometo. Agora, tire nossa roupa e me beijei de uma vez. – Ela comandou e eu ri.

− Você manda, esposa. – Eu brinquei e comecei os serviços daquela noite. Ela não dormiu. E nossa transa foi maravilhosa, como sempre acontecia.

Éramos perfeitos um para o outro e essa fato jamais mudaria.

**********

23 de dezembro.

Quase Natal.

Frio. Muito frio. Viver em Los Angeles às vezes fazia eu me esquecer do quanto a cidade de Boston podia ser gelada.

− Eu odeio frio. – Eu resmunguei pela décima vez e ganhei um olhar atravessado de Bella, que estava a horas olhando vitrines e tentando escolher um presente criativo para contar a nossa família que ela estava grávida.

− Da próxima vez que sair para fazer compras de Natal vou deixa-lo em casa. Você reclama demais, Cullen.

− Está frio. E nevando. E ventando. Gostaria realmente de estar em casa tomando chocolate quente e conversando sobre qualquer coisa com meu pai, Emmett, Jasper e Charlie.

− Você prefere jogar conversa fora com um monte de marmanjos do que passar um tempo com sua esposa? Bom saber! – Ela resmungou e eu revirei os olhos para o seu drama.

Bella precisava entender que eu não gostava de frio e muito menos de fazer compras. Então, nesse caso, e só nesse caso, eu preferia sim a companhia de marmanjos.

Tommy e Sofia vieram conosco para a seção de compras, mas estavam isolados em sua bolha de amor e nem davam bola pra gente.

− Àqueles dois estão muito grudados. Será que não enjoam? – Eu perguntei à Bella que lançou um rápido olhar ao casal de adolescentes que se beijava a nossa frente, enquanto examinava a centésima vitrine de roupas de bebê.

− Se eu não enjoo da sua reclamação, não tem porque eles enjoarem um do outro. Estão apaixonados. Além disso, daqui seis meses, Tommy virá para Harvard. Acho que eles estão apenas aproveitando o tempo que ainda resta a eles.

− Eu não reclamo sempre, engraçadinha. Só quando sou obrigado a fazer compras debaixo de uma nevasca. – Eu resmunguei e Bella revirou os olhos para o meu exagero. – Tommy não vai desaparecer. Ele vai nos visitar, viremos visitá-lo. Sofia pode vir para cá de vez em quando.

− Sozinha? – Bella perguntou em dúvida e eu dei de ombros.

− Mais cedo ou mais tarde eles vão acabar transando, Bella. O melhor é que a gente se acostume com isso. – Eu declarei e Bella suspirou.

− Eu ainda penso em Sofia como o meu bebê. Pensar nela transando ainda me causa arrepios. – Bella resmungou e eu ri, abraçando-a de lado e beijando seu rosto.

− Causa arrepios em mim também. Mas, eles estão crescendo. Em maio, Tommy faz dezoito. Sofia já tem dezesseis. O melhor é a gente se conformar que logo os dois vão fazer sexo. – Eu falei e Bella bufou, mas não fez mais nenhum comentário sobre o assunto.

Quando ela finalmente se decidiu sobre o que comprar como presente surpresa para nossa família, nós paramos para tomar um chocolate quente e conversar e no início da noite seguimos para casa dos meus pais.

No caminho, paramos em uma farmácia para comprar um remédio de enjoo que o obstetra de Bella receitara e enquanto minha esposa estava distraída conversando com a farmacêutica sobre a dosagem do medicamento, eu vi Tommy indo discretamente até um display de preservativos, o que acendeu uma desconfiança em minha mente.

Será que àqueles dois já haviam transado?

Quando chegamos à casa dos meus pais, Tommy subiu para tomar banho e se preparar para o jantar e eu fui atrás dele, enquanto Sofia paparicava Mia e Candyce e Bella fofocava com minha irmã e minha mãe. Os pais dela, o irmão, a cunhada e a sobrinha chegariam em Boston no dia seguinte.

Aproveitei que Tommy estava no banheiro e fui fuçar em suas coisas e, para minha surpresa, ou não, achei muitos pacotes de camisinha em sua mochila.

− Pai? O que tá fazendo aqui? – Ele perguntou quando saiu do banheiro e eu o encarei, mostrando-lhe o que estava em minhas mãos e vendo-o ruborizar.

− Você e Sofia estão transando? – Eu perguntei e ele suspirou, negando com um gesto de cabeça.

− Não... – Ele falou e eu fechei a cara.

− Você a está traindo, Antony Denali Swan Cullen? – Eu perguntei e ele arregalou os olhos, me lançando um olhar indignado.

− Claro que não. Pai, como pode pensar isso? Eu a amo e jamais a magoaria.

− Então, se vocês não estão transando e você não a está traindo, pra quê os preservativos? Vai usá-los como balão na decoração para o Natal? – Eu perguntei e Tommy me encarou irritado.

− Engraçadinho você... – Ele resmungou e eu ri.

− Fala logo, Tommy.

− Eu sempre carrego camisinha na mochila, pai. Já faz tempo. Foi uma orientação que recebemos na escola. Mas... Sofia e eu... Bem, nós vamos transar. Vamos ter nossa primeira vez durante esse feriado. Decidimos juntos que isso deveria acontecer em Boston, pois é onde vamos morar juntos quando ela vier para a faculdade, daqui a um ano e meio. – Tommy falou e eu arregalei os olhos, enquanto tentava não surtar. Eram meus filhos. Meus filhos iriam transar. Jesus! – Não conta pra Bella. Sofia vai falar com ela na hora certa. E eu ia te contar também. Mas, aí você resolveu bisbilhotar. – Tommy falou mal-humorado e eu revirei os olhos, colocando o pacote de camisinha de volta em sua mochila.

− Você é meu filho. Bisbilhotar é meu dever. E é claro que eu vou contar a Bella. Ela é minha esposa e mãe de vocês. Se vocês vão iniciar uma vida sexual durante nosso Natal ela tem todo o direito de saber.

− Pai, Bella vai surtar. Deixa que Sofia fale com ela, por favor. – Tommy pediu e eu bufei, passando as mãos pelos cabelos.

O Natal nem tinha acontecido ainda e as fortes emoções já estavam começando.

Que maravilha!