Capítulo 37

Pov. Bella

− Acorda, preguiçosa. É nosso último dia aqui. Temos que aproveitar. – Ouvi a voz de Edward, seguida de um beijo suave em meu rosto e abri os olhos lentamente, me deparando com o sorriso lindo do meu marido, que pairava sobre o meu corpo.

− Eu estive acordada durante toda a madrugada. Preciso dormir mais. – Eu resmunguei, fechando os olhos mais uma vez e ele riu, beijando meus lábios de leve.

− Nossa madrugada foi mesmo movimentada. Cheia de atividades deliciosas. Mas, precisamos sair para aproveitar nosso último dia de lua de mel. Afinal, não é sempre que temos a oportunidade de estarmos nas Maldivas. – Edward falou divertido e eu suspirei, abrindo os olhos outra vez para poder encará-lo.

− Nós já conhecemos tudo o que precisávamos, Edward. Amanhã voltamos para Los Angeles e estaremos cercados por nossos filhos sedentos por nossa atenção. Teremos que trabalhar e voltar à rotina. Eu estou cansada. Deixe-me dormir mais, por favor. – Eu pedi e ele riu, cobrindo meu corpo com o seu.

− Se vamos ficar trancados nesse quarto não vai ser para dormir. Você escolhe: aventuras ao ar livre ou sexo selvagem? – Ele perguntou e eu revirei os olhos, encarando-o divertida.

− Meu Deus, eu criei um monstro! Quando foi que você ficou tão viciado e sexo, Cullen?

− Desde que eu te conheci, doutora Isabella Swan Cullen. Não me canso de estar nu com você em uma cama. Aliás, estar nu com você em qualquer lugar é, sem dúvida nenhuma, minha atividade preferida em todo o universo. – Ele declarou enquanto me encarava com uma expressão de maníaco sexual e eu ri, empurrando-o de cima de mim.

− Mesmo que sexo com você, em qualquer lugar, seja algo maravilhoso, marido, estou impossibilitada no momento. Sabe como é... Brincamos demais ontem. Estou sentindo uma leve ardência nas partes íntimas. Então, peça o nosso café enquanto eu tomo banho, pois eu escolho a opção 1: aventuras ao ar livre. – Eu declarei e ele fez uma careta, o que me fez rir.

− Bem... Já que é assim, vou deixar você descansar um pouco, esposa. Entretanto, mais tarde, vamos voltar a usar suas partes íntimas. Como você muito brilhantemente colocou, amanhã nós estaremos de volta à nossa rotina e teremos nossa vida sexual prejudicada. Portanto, vou aproveitar cada segundo ao seu lado como se fosse o último. E isso inclui sexo com toda a certeza. – Ele declarou e eu sorri, me sentando em seu colo e agarrando-o pelo pescoço.

− Tudo bem, marido. Podemos fazer uso das minhas partes íntimas mais tarde. Também estou disposta a aproveitar todos os minutos ao seu lado. Mas, por hora, providencie minha comida. Estou faminta. – Eu falei, beijando-o e saindo do seu colo e ele assentiu, já alcançando o telefone que ficava ao lado da enorme cama na qual dormíamos e nos divertíamos há quase duas semanas, desde o início da nossa lua de mel nas ilhas Maldivas, um presente de casamento extravagante e maravilhoso dos meus sogros.

Foram dias mágicos. Eu nunca pensei que pudesse ser tão feliz ao lado de um homem como eu era ao lado do meu marido ninfomaníaco, romântico e gostoso.

Deixar Sofia, Mia e Tommy sob os cuidados de Rosalie enquanto eu curtia minha lua de mel havia sido a única parte dolorosa da nossa lua de mel. Eu nunca tinha me afastado da minha filha por tanto tempo assim e desde que fora morar na casa de Edward, jamais havia ficado longe de Mia e Tommy por mais de três dias. Assim, desde que Edward e eu saímos de Los Angeles, horas depois da minha festa de casamento, eu começara a sofrer de saudade.

− Serão apenas alguns dias, amor. Desfaça essa cara emburrada, por favor. É a nossa lua de mel e, portanto, temos que nos preocupar apenas em nos divertir e transar. – Edward falou, enquanto caminhávamos para o portão de embarque rumo à República das Maldivas e a senhora que andava ao nosso lado nos lançou um olhar indignado, ao qual eu retribuí, presenteando-lhe também com um sorriso malicioso.

Sim, transar, senhora da cara azeda. É o que recém-casados fazem e é o que a senhora devia fazer ao invés de ficar prestando atenção à conversa dos outros.— Eu pensei, respirando fundo para conter a vontade de expressar minha opinião em alto e bom som e ela bufou, afastando-se de nós.

− Não fale em transar quando alguém estiver ao nosso lado, Edward. As pessoas vão achar que somos pervertidos. – Eu resmunguei e Edward riu, me abraçando pela cintura e beijando meu rosto.

− Mas, nós somos pervertidos, amor. – Ele declarou e foi minha vez de rir. É. De fato. Edward e eu éramos mesmo pervertidos quando o assunto era sexo. Mas, as pessoas não precisavam saber disso.

− Certo, Edward. E quanto ao seu pedido para que eu pare de pensar nos nossos filhos e curta a nossa lua de mel, eu prometo que vou tentar. Mas, eu já estou morrendo de saudades. Sou uma mãe que precisa sempre estar próxima aos filhos. Então, você terá que me distrair para que eu pare de lembrar de que estou saudosista. – Eu falei, piscando em sua direção e ele sorriu maliciosamente pra mim, o que me fez rir.

− Ah, senhora Cullen, não se preocupe. Vou distraí-la o tempo todo. O que você não vai ter tempo de sentir nessa viagem é saudade. – Edward prometeu e eu sorri, sentindo um frio na barriga de antecipação.

E ele cumprira com o prometido. Em meio a tantos passeios, paisagens exóticas, sorrisos, conversas, brincadeiras e sexo, eu não tivera, de fato, muito tempo para sofrer de saudade dos nossos filhos. Tudo o que eu pudera fazer durante nossa maravilhosa viagem de lua de mel fora ser imensamente feliz ao lado do homem maravilhoso que eu tomara como marido.

− Panquecas, suco de laranja e salada de frutas saindo. Deseja mais alguma coisa, senhora Cullen? – Edward falou, aparecendo no banheiro de repente e eu o encarei, rindo do seu olhar tarado sobre o meu corpo nu.

− Por enquanto não, senhor Cullen. Só quero terminar o meu banho em paz. – Eu declarei divertida e ele fez uma careta.

− Você é que perde... – Ele falou com desdém e eu ri outra vez, ignorando-o e voltando a me concentrar em meu banho.

Depois do café, fomos para a área externa do nosso bangalô e passamos boa parte do dia curtindo nossa piscina privativa e o mar cristalino que estava inteirinho à nossa disposição.

Almoçamos no restaurante flutuante do Resort e, após um passeio na beirada da praia regado de conversa, risadas e beijos, Edward conseguiu me convencer a fazer sexo com ele outra vez (isso porque, após muitos drinks, eu estava um pouco bêbada e já não sentia mais o desconforto em minhas partes íntimas) e terminamos o dia nus e suados em nossa cama, da qual eu sentiria muita falta quando retornasse à Los Angeles.

− Vamos comprar uma cama dessas? ­– Eu sugeri a Edward que riu, me encarando divertido.

− A cama é mesmo maravilhosa. Mas, a companhia é ainda melhor. – Ele declarou e eu sorri, me aproximando do seu corpo e beijando seus lábios.

− Eu te amo tanto, Edward Cullen. Nunca pensei que pudesse amar alguém como eu amo você. – Eu declarei e ele sorriu docemente, beijando minha testa.

− Eu também te amo, minha linda. Amo demais. Amo o quanto minha vida mudou desde que você entrou nela. Amo o fato de você amar e cuidar dos meus filhos. Eu amo a sua filha como se fosse minha. Eu simplesmente amo você e vou amar para sempre. – Ele falou e eu sorri emocionada, acariciando seu rosto de leve.

− Eu esperei muito para encontrar você, mas agora que encontrei, eu também vou te amar para sempre. Obrigada por me fazer tão feliz, por me amar e por amar a melhor parte de mim que é a minha filha.

− É muito fácil amá-la, Bella. Sofia é uma menina encantadora. Assim como a mãe dela. Tommy está completamente apaixonado e Mia também. Minha pequena amou Sofia desde a primeira vez que a viu. Minha família também a adora. Ela já é parte de nós. Uma Cullen, assim como você. – Ele declarou e eu sorri, deitando minha cabeça sobre seu peito, sendo imediatamente envolvida por seus braços.

− Muitos homens fugiram de mim quando descobriam que eu era mãe. Ninguém queria compromisso sério com uma mãe solteira que colocava a filha antes de tudo. Os homens com os quais eu me envolvia exigiam minha atenção exclusiva, sendo que eu jamais poderia ser apenas deles, pois eu era, antes de tudo, a mãe da Sofia. Ela precisava de mim e eu jamais a deixaria em segundo plano. Você foi o único homem que a aceitou de verdade e a respeitou. Você amou a minha filha, Edward e isso faz de você o único homem perfeito pra mim.

− Posso dizer o mesmo a você, Bella. Depois que a minha esposa morreu, eu tentei iniciar novos relacionamentos, mas nenhuma mulher aceitava os meus filhos. E Mia não aceitava nenhuma mulher. Além de Kate, você foi a única mulher que ela aceitou ver ao meu lado. E isso é ótimo, pois só confirmou o que eu já sabia desde a primeira vez que te vi. Que você é a mulher perfeita para mim e para os meus filhos. E eu te amo.

− Estamos certos em fazer isso, não é? Eu digo, casar e juntar nossas famílias. Vamos ser muito felizes juntos, não é?

− Claro que vamos, amor. A vida a dois não é fácil. Eu sei bem isso. Tanya e eu não nos matamos por pouco no início do nosso casamento. Depois, vieram os filhos e os problemas continuaram. Mas, havia amor. E há amor entre nós dois. Muito amor, respeito, carinho, admiração e tesão. Muito tesão, aliás. Portanto, estamos fazendo o certo sim. – Ele declarou e eu ri, levantando a cabeça do seu peito para poder encará-lo.

− Você está com tesão agora, marido? – Eu perguntei de forma provocativa, mexendo meu corpo sobre o seu e Edward gemeu, inclinando os quadris em minha direção e apertando minha bunda.

− Eu estou sempre com tesão, esposa. Sempre pronto pra você.

− Isso é ótimo, marido, pois eu também estou sempre com tesão. E já que amanhã nós voltamos para nossa realidade, eu quero te curtir bastante nessa cama maravilhosa enquanto ainda podemos ficar nus e sozinhos – Eu falei e me inclinei para beijá-lo, reiniciando nossa tarde de amor.

Precisei de um cochilo depois que terminamos e, às onze da noite, após mais uma rodada de sexo alucinante no banheiro, saímos do Resort rumo ao aeroporto.

Chegamos ao aeroporto do Lax em Los Angeles na noite do dia seguinte, onde uma linda comissão de filhos nos esperava e eu me senti mais do que feliz por poder finalmente abraçá-los.

− Meu Deus, que saudade! – Eu falei, apertando Sofia contra mim e ela sorriu, retribuindo meu abraço.

− Mãe, nunca mais saia em lua de mel. Eu não sei viver sem você. – Minha filha pediu e eu ri, beijando seu rosto em vários pontos, enquanto Edward fazia o mesmo com Mia e Tommy.

− Eu também não sei ficar sem você, amor. Apesar de ter vivido dias mágicos nas Maldivas junto ao meu marido, eu pensava em você o tempo todo. Aliás, eu pensava em vocês três aqui, sozinhos sem a gente e morria de preocupação e saudades. – Eu falei e Sofia revirou os olhos, me encarando divertida.

− Nós ficamos bem, mãe. Tia Rosalie é uma ótima babá. Mas, eu tenho de confessar que é a mesma coisa sem você e Edward. Até das broncas de vocês nós sentimos faltas.

− Sofia tem razão. Eu estava com muitas saudades, mamãe. Não das broncas, é claro. – Mia falou, me abraçando pela cintura e eu ri, beijando o topo da sua cabeça e apertando-a contra mim.

− Vai demorar a sairmos em lua de mel outra vez, princesa. E, na próxima viagem vocês irão conosco. – Edward garantiu e Mia bufou, cruzando os braços sobre o peito e estreitando o olhar na direção do pai.

− Você disse isso quando foi com a mamãe para New York no aniversário dela e pouco tempo depois viajou sem a gente. Não vou mais acreditar em suas promessas, papai. – Ela falou brava e nós rimos.

− Mia, já falamos sobre isso. Eles não podiam levar a gente, pois era uma viagem de lua de mel. Eles são recém-casados e precisavam de um tempo a sós. Mas, na próxima, todos nós iremos juntos. – Sofia falou e Mia suspirou, olhando desconfiada de mim para Edward.

− Na lua de mel eles namoram pelados, não é, Sofia? Por isso não podemos ir junto. – A pequena declarou e Edward e eu enrubescemos, enquanto Tommy e Sofia riam.

− Vamos para casa, galera. Chega de papo no aeroporto. – Edward falou mal-humorado e eu concordei prontamente, guiando nossa tropa para o carro antes que essa história de namorar pelados tomasse proporções incontroláveis.

Tommy viera para o aeroporto dirigindo, enquanto Rosalie e Emmett ficaram em nossa casa para nos preparar o jantar. Alice, Jasper e Lara se juntaram a nós para uma visita e, mesmo exaustos, passamos horas maravilhosas ao lado da nossa família. Foi uma noite muito agradável, regada de conversas, boa comida, bebidas e risadas. Viajar com Edward fora maravilhoso, mas estar em casa, com a nossa família, era ainda melhor.

− Mamãe, deita comigo? – Mia me pediu quando nossos convidados foram embora e eu sorri, subindo com ela para o quarto.

− Quer que eu leia alguma coisa pra você? – Eu perguntei depois que ela colocara o pijama e escovara os dentes e Mia assentiu, me entregando um livro que estava sobre sua mesinha de cabeceira.

− Sofia e eu começamos Orgulho e Preconceito. Já estamos bem adiantadas. – Ela declarou e eu sorri, me congratulando por ter feito da minha filha uma boa leitora de clássicos.

− Jane Austen, hein! Vamos lá, então. – Eu falei e, após me acomodar ao seu lado, iniciei a leitura a partir do ponto que ela e Sofia haviam parado na noite anterior.

− Sua voz é tão bonita. – Mia sussurrou quando eu terminei a leitura por achar que ela estava dormindo e eu sorri, me inclinando e beijando sua testa.

− Obrigada, querida.

− Você não vai mais embora, não é? – Mia perguntou insegura e eu sorri, beijando sua testa mais uma vez.

− Não, meu amor. Seu pai e eu nos casamos e agora eu vou viver nessa casa para sempre. – Eu declarei e ela sorriu satisfeita.

− Isso é tão legal. Ter uma mamãe em casa. Eu sempre quis saber como é ter uma família completa. – Mia confessou e eu suspirei, segurando seu queixo e fazendo com que ela me encarasse.

− Amor, sua família já era completa. Você, seu pai e Tommy eram uma família linda, assim como Sofia e eu. Não é só porque não tinha uma mamãe vivendo aqui com vocês que significa que sua família era incompleta. Ela só era diferente. – Eu expliquei e ela sorriu.

− Mas, eu prefiro como está agora. Eu tenho uma mamãe, um papai e irmãos. É perfeito agora. – Mia declarou e eu sorri.

− Eu também prefiro da forma como é agora, Mia. A vida foi muito generosa comigo e com Sofia ao nos dar de presente pessoas tão especiais como você, Edward e Tommy. E você tem razão ao afirmar que tudo está perfeito agora. Eu nunca fui tão feliz em toda minha vida. E eu devo essa felicidade a você, ao seu pai, ao seu irmão e a todos os Cullen. – Eu declarei e ela sorriu lindamente. – Mas, agora é hora de dormir, amor, pois amanhã tem escola. Boa noite, princesa. – Eu falei, beijando seu rosto e ela sorriu outra vez, me beijando de volta.

− Boa noite, mamãe. Até amanhã.

Depois de me certificar que Mia estava devidamente coberta, segui para o quarto de Sofia e a encontrei deitada sobre o peito de Tommy, compartilhando um fone de ouvido com ele, que cantava baixinho, enquanto acariciava suavemente os cabelos escuros de Sofia. Sorri de leve para a cena e fiquei parada à porta esperando que eles me notassem.

Não demorou muito para que Tommy me visse ali e sorrisse para mim.

− Acho que sua mãe quer ter um momento com você, amor. – Tommy murmurou para Sofia que levantou o olhar e sorriu ao me ver parada ali. – Eu vou dormir. Até amanhã, princesa.

− Até amanhã, Tommy. – Sofia murmurou, recebendo um beijo do namorado que saiu do quarto após me desejar boa noite.

− Eu nem sei expressar a saudade que eu senti de você, mamãe. – Sofia falou e eu sorri, me sentando ao seu lado na cama e a aconchegando em meus braços.

− Eu também senti sua falta, meu amor. Mas, me conte... Como foi por aqui? Você e Tommy se comportaram? – Eu perguntei e ela revirou os olhos, me encarando divertida.

− Sim, mamãe. Mia é uma guardiã bem eficiente. Aliás, fiquei sabendo que alguém subornou minha irmãzinha para que ela ficasse de olho em nós. Mia se tornou nossa sombra durante todo o tempo da lua de mel de vocês. – Sofia comentou e eu ri.

− É... Posso ter prometido um presente a ela. – Eu confessei e Sofia bufou, me encarando com censura.

− Mãe, isso é ridículo! Tommy e eu não somos pervertidos. Não faríamos nada para desapontar vocês. Além do mais, eu já te prometi que quando for ter a minha primeira vez com ele vou conversar com você antes. Queria que você confiasse mais em mim. – Ela reclamou e eu suspirei.

− Eu confio em você, amor. Contratar os serviços da Mia foi só uma garantia para que vocês não caíssem em tentação durante nossa ausência. E eu não acho que vocês são pervertidos. De jeito nenhum. Mas, adolescentes são controlados por hormônios e acabam cometendo algumas loucuras. – Eu declarei e ela revirou os olhos.

− Tommy e eu somos os senhores dos nossos hormônios, mãe. Fique tranquila. Além do mais, a única preocupação do meu namorado no momento é entrar em Harvard. Portanto, não temos tido muito tempo para pensar em sexo. – Ela declarou e eu fiz uma careta, o que a fez rir.

− Sei... Bem, e a escola? Tudo certo?

− Tudo. Nenhum ataque de pânico, por enquanto. Mas, desistir da Biologia foi bem ruim. Era uma das matérias que eu mais gostava. Só que eu não consigo ter aulas naquele laboratório, mãe. É impossível estar lá sem me lembrar daquele atentado, do tiro e da minha experiência de quase morte. – Sofia falou e eu suspirei, beijando o topo da sua cabeça.

− Como você preferiu não mudar de escola, desistir das aulas de Biologia era o melhor a se fazer. Mas, podemos procurar um curso de Biologia pra você em outro lugar ou inscrevê-la para algum programa de férias. Posso, inclusive, conseguir um estágio pra você no hospital. O que você acha? – Eu perguntei animada e ela me encarou surpresa.

− Sério?

− Sim. Tenho certeza de que você vai adorar aprender mais sobre minha profissão e sobre a rotina no hospital. E lá você estaria em contato com alguns dos princípios básicos da Biologia.

− Mãe, eu não sei se quero me tornar médica. Saber como proceder em um momento de emergência é uma coisa, mas seguir carreira médica é algo muito sério. Não sei se essa é a minha vontade. Não depois de ter acompanhado toda sua saga até se tornar uma cirurgiã.

− Um estágio no hospital te ajudaria a decidir. Pense com carinho. Posso arranjar tudo. Sem contar que eu adoraria tê-la comigo no trabalho. Seria maravilhoso. – Eu falei e ela sorriu, se agarrando ao meu pescoço e beijando meu rosto.

− Eu também iria adorar passar o dia com você. Tenho certeza de que aprenderia muito mais ao vê-la em ação. Você é uma médica incrível, mãe.

− E você também será, caso opte pela medicina. Será uma grande cirurgiã do trauma. Alguém que pensa e age rapidamente em situações de emergência. – Eu declarei e ela fez uma careta, rindo em seguida.

− Mãe, eu soube como agir naquele dia porque te ajudei a estudar para as provas infinitas vezes. Não acho que é um dom. É só saber utilizar o conhecimento na hora certa.

− Amor, muitos médicos formados não teriam a destreza que você teve naquele dia. Portanto, acho que se trata de um dom sim. Conhecimento bem aplicado e dom. Mas, eu não quero forçá-la. A profissão é como um casamento e é uma decisão que temos que tomar sem a interferência de ninguém. Mas, acho que um estágio é uma excelente oportunidade para você aprender mais sobre a medicina e tomar a decisão certa quanto à escolha da sua carreira. Medicina ou literatura. Tanto faz. Vou te apoiar em qualquer decisão.

− É... Você tem razão. Como sempre. – Ela gracejou e eu ri, beijando seu rosto. – Então, acho que aceito a oferta do estágio. Quando eu começo?

− Vou acertar os detalhes com a Suzana e te falo. Mas, tomara que seja o mais breve possível. Agora, cama, senhorita, pois amanhã é dia de escola. Já escovou os dentes? – Eu perguntei e ela revirou os olhos, me lançando um olhar divertido.

− Sim, mamãe. Quer inspecionar como você fazia quando eu era criança?

− Acho que não é necessário. Se você aprendeu noções básicas de primeiros socorros deve ter aprendido a escovar os dentes também. – Eu declarei e ela riu. − Boa noite, amor.

− Boa noite, mamãe. É muito bom tê-la em casa outra vez.

− É muito bom voltar, meu amor. – Eu falei, e beijei sua testa, antes de apagar a luz e seguir para o meu quarto.

Edward estava desmaiado na cama vestido apenas com uma calça de pijama. Sorri para a cena e segui para o banheiro, onde vesti minha camisola e escovei os dentes. Quando voltei para o quarto, meu marido ainda estava na mesma posição.

− Edward, acorda. Eu preciso deitar e você está sobre o edredom.

− Estou exausto. Me deixa dormir, mulher. – Ele murmurou e eu bufei, tentando, em vão, movê-lo.

− Eu vou deixar você dormir. Mas, eu preciso deitar também. Então, levanta.

− Estou com sono...

− Meu Deus, Cullen, você dá mais trabalho que nossos filhos. Levanta pra eu puxar o edredom. – Eu falei brava e ele nem se mexeu, o que me fez bufar. O jeito era deitar por cima de tudo também.

Fui até o closet em busca de outro cobertor e me deitei ao lado de Edward, que há essas horas já roncava. Revirei os olhos e cobri a nós dois, apagando a luz do abajur e me entregando ao cansaço da viagem.

Acordamos atrasados no dia seguinte e a manhã se tornou uma loucura total na tentativa de evitar que nos atrasássemos para o trabalho no nosso primeiro adia após a lua de mel.

Deixei as crianças na escola e voei para o hospital, sendo recebida por uma emergência lotada de crianças doentes graças a uma epidemia de gripe que tomara conta da cidade.

− Eu não sinto os meus pés... – Eu reclamei para Suzana ao fim do dia, que riu, me lançando um olhar divertido.

− Você está muito mal acostumada, Dra. Swan. Essas semanas nas Maldivas te deixaram muito mimada.

− Foi maravilho, Suzana. E, você tem razão, eu realmente fui muito mimada durante mia lua de mel. Mas, o dia hoje foi puxado. Acho que devo ter atendido umas quarenta crianças, sem contar as três cirurgias e os mil prontuários que tive que atualizar.

− Esses prontuários já deviam estar prontos, mas os residentes desse ano estão meio lentos. Ah... E sobre o estágio para Sofia, tudo certo. Ela vai começar no laboratório. Tenho certeza de que vai adorar.

− Ela vai sim. E, quem sabe, conseguimos recrutá-la para o time da medicina.

− Tenho certeza de que ela será uma médica maravilhosa. Mas, agora vá para casa, Dra. Swan. Vá curtir sua família e descansar, pois preciso de você nova em folha amanhã. E avise a Sofia que ela começa na segunda.

− Pode deixar. Até amanhã, Suzana. E obrigada pelo estágio.

− Não me agradeça, pois eu vou explorar sua filha. – Ela falou e eu ri, sabendo que ela iria, de fato, explorar Sofia. Mas, Suzana era uma ótima médica e monitora e eu sabia que minha filha iria aprender muito com ela e com toda a equipe de médicos, enfermeiros e técnicos.

Segui para o estacionamento, respondendo a uma mensagem de Edward sobre o jantar daquela noite, quando senti alguém agarrando o meu braço.

Gelei ao reconhecer o homem que me encarava com um olhar debochado e respirei fundo para controlar o pânico crescente.

Já fazia muito tempo que eu não o via. Na última vez que tive notícias de James, soube que ele estava em Seattle, vivendo com uma antiga namorada. Jamais esperei encontrá-lo em Los Angeles de novo. Na verdade, eu torci para nunca mais encontrá-lo em lugar nenhum.

− Quanto tempo, Isabella. – Ele falou com a voz mansa e eu engoli em seco, olhando para os lados na esperança que alguém aparecesse para me livrar das garras daquele maldito desgraçado.

− Me solta!

− Não. Antes quero saber como você está. Quero também saber sobre Sofia. Sua filha deve estar ainda mais gostosa do que antes. – James falou e eu respirei fundo, soltando meu braço do seu aperto com um safanão. Ele sorriu e cruzou os braços sobre o peito, me encarando divertido.

Seu olhar debochado me causava náuseas.

− Não fale da minha filha, James. Nunca. E me deixe passar. Eu não quero falar com você. Eu e minha filha não somos da sua conta.

− E essa aliança? Você se casou? Encontrou alguém que te quisesse? – Ele falou e eu respirei fundo mais uma vez, me contendo para não agredi-lo.

− Vai para o inferno! – Eu falei entredentes e corri até meu carro, escutando sua risada enquanto jogava minhas coisas no banco traseiro e manobrava o carro para fora do estacionamento.

Jamais imaginei encontrar James outra vez. Pensei que ele nunca me procuraria depois de sair escoltado pela polícia do meu apartamento. Esperava que esse encontro fosse apenas uma triste coincidência. Ele tinha familiares em Los Angeles e devia ter vindo visitá-los.

“Ele sabe onde você trabalha, sua idiota”. Minha consciência gritou, mas eu ignorei. Aquele hospital era referência em muitas especialidades e àquele encontro devia apenas ser uma coincidência. Ele não viária atrás de mim ou de Sofia. Não depois de ter saído da minha casa escoltado pela polícia. Não depois de quase ter estuprado a minha filha.

Lembrei da ordem de restrição que o juiz determinara e me perguntei se aquele documento tinha uma data de validade. Eu torcia para que não, caso contrário teria que recorrer aos serviços de advogado do meu marido para tirar James da minha vida outra vez, pois eu não permitiria que ele estragasse minha felicidade e a felicidade da minha família. De jeito nenhum!

Notas finais
Demorou, mas saiu. Espero que tenham gostado. Não se esqueçam de comentar. Beijos e até o próximo!