Laços de amor
39 Capítulo 38
Capítulo 38
Pov. Sofia
− Você tem certeza de que isso vai ficar bom? – Eu perguntei a Tommy, que enchia o molho do macarrão de ervas estranhas e ele me lançou um olhar ofendido que me fez rir.
− Vai ficar perfeito, Sofia. Eu sei o que estou fazendo. – Ele falou convencido e eu revirei os olhos, me pendurando em suas costas para ver melhor o que estava dentro da panela.
− Seu talento para a culinária quase é tão grande quanto a sua modéstia, Antony Denali Cullen. Por isso, eu sei que essa macarronada vai mesmo ficar perfeita. – Eu gracejei e ele sorriu, virando o rosto em minha direção e beijando meus lábios delicadamente.
− Eu não sou convencido, Sofia. Mas, mando muito bem na cozinha. Eu e meu pai aprendemos a cozinhar juntos. Era isso ou morrer de fome, já que não tínhamos mais minha mãe para cozinhar pra gente. – Ele falou e eu suspirei, me afastando dele e parando ao seu lado.
− E ela cozinhava bem?
− Muito bem. Minha mãe era incrível na cozinha. Fazia pratos maravilhosos. Depois que ela morreu, meu pai e eu sobrevivemos de comida congelada e dos jantares que a tia Rosalie promovia para que não morrêssemos de fome e desnutrição. Mia era pequena e vivia apenas de leite, frutas e legumes. Isso era fácil de preparar. Agora comida de verdade, dessas que matam a fome e sustentam, meu pai e eu não sabíamos preparar. Tivemos que aprender no susto. Minha avó queria contratar uma cozinheira pra gente, mas a depressão do meu pai o impedia de aceitar qualquer outra mulher preparando nossas refeições. Assim, o único jeito de aprender foi testar receitas até que elas ficassem comíveis. – Ele explicou e eu ri, roubando um tomate seco da tábua que estava sobre o balcão e ganhando um olhar feio de Tommy.
− Minha mãe também não entende muito de cozinha. Na verdade, ela não teve muito tempo de aprender tendo que cuidar de mim ao mesmo tempo em que fazia faculdade e trabalhava para nos sustentar. Ela sabe o básico. E eu também. Não sou muito de cozinhar.
− Eu vou te ensinar, princesa. Mas, para isso eu preciso que você tenha mais fé nos meus dotes culinários. – Tommy declarou e eu sorri, beijando seu rosto.
− Eu tenho fé, Tommy. Mas, te provocar é simplesmente irresistível. Você fica lindo quando está irritado. – Eu falei e ele revirou os olhos, mas acabou sorrindo e beijando meus lábios com carinho.
− Vocês dois precisam desgrudar um pouco. Eu hein! Não fazem outra coisa ao não ser beijar, beijar e beijar. – Mia reclamou, aparecendo na cozinha de repente e eu ri, enquanto Tommy lançava um olhar irritado na direção da irmã.
− E você precisa deixar de ser menos intrometida, senhorita Mia. Porque não vai brincar com as suas bonecas? – Tommy perguntou e Mia estreitou os olhos em sua direção.
− Pare de me tratar como se eu tivesse quatro anos, Tommy. Eu já tenho nove e faço muitas coisas além de brincar com minhas bonecas. Se você não me tratar melhor vou contar para a mamãe que você e Sofia dormiram juntos várias noites durante a lua de mel dos nossos pais. Tenho certeza de que ela vai adorar saber disso. – Mia ameaçou e Tommy e eu arregalamos os olhos, encarando-a assustados.
Meu namorado e eu não tínhamos feito nada além de dormir na mesma cama, mas se minha mãe soubesse disso, tenho certeza de que ela armaria a maior cena já que desde que eu começara a namorar sua maior preocupação era proteger a minha virtude a todo o custo.
− Tommy vai te tratar como uma menina de nove anos a partir de agora. Não precisa delatar a gente. Agora, o que você acha de uma partida de xadrez? Vamos jogar até que o jantar fique pronto e nossos pais cheguem do trabalho. – Eu sugeri e Mia sorriu satisfeita.
− Eu topo. Vou pegar o tabuleiro. Espero você na sala. – Ela gritou, correndo para fora da cozinha e eu ri, enquanto Tommy olhava para a porta com uma cara azeda.
− Essa menina é o ser mais mercenário que eu conheço. Onde foi que ela aprendeu a chantagear assim?
− Ela é esperta, Tommy. Sabe conseguir o que deseja. Agora, termine a macarronada enquanto eu fico com a nossa irmã e evito que um reator termonuclear seja ativado caso minha mãe descubra que dividimos a mesma cama por muitas noites durante sua viagem de lua de mel. – Eu falei, beijando seu rosto e indo para a sala, onde Mia já me esperava com o tabuleiro montado.
Jogamos duas partidas a espera dos nossos pais e quando eles chegaram, a expressão no rosto da minha mãe me deixou preocupada. Ela estava séria e até um pouco pálida e em nada lembrava a mulher alegre que saíra de casa essa manhã.
− Hum... Que cheiro bom! Tommy fez o jantar? – Edward me perguntou, beijando o topo da minha cabeça e bagunçando os cabelos de Mia e eu assenti, sem tirar os olhos da minha mãe, que verificava as correspondências em absoluto silêncio.
− Fez. Macarronada. Acho que deve estar pronta já. – Eu respondi e ele sorriu satisfeito.
− Vou tomar um banho para que possamos jantar. Estou exausto. Acho que a temporada que sua mãe e eu passamos nas Maldivas me deixou muito mal acostumado. Você me acompanha no banho, amor? – Edward perguntou para minha mãe, que piscou, parecendo sair de um transe, e sorriu levemente para ele.
− O que?
− Você me acompanha no banho? – Ele repetiu a pergunta e minha mãe suspirou, negando com um gesto de cabeça.
− Eu vou depois. Vou ajudar Tommy a finalizar o jantar. – Ela respondeu e Edward deu de ombros, pegando seu paletó e sua maleta e seguindo para o segundo andar.
No momento em que minha mãe foi para a sala de jantar sem nem sequer cumprimentar Mia ou a mim, eu me levantei de onde estava e a segui, querendo descobrir o que a estava incomodando.
− Mamãe, o que aconteceu? – Eu perguntei a ela que suspirou e me encarou com um olhar triste.
− Nada, meu anjo. Só estou cansada.
− Não minta pra mim, Isabella Swan Cullen. Eu te conheço há bastante tempo. Há dezesseis anos para ser mais exata. Sei que alguma coisa aconteceu. Hoje de manhã você estava radiante e agora parece triste e preocupada. O que foi? Algum problema no trabalho? – Eu insisti e ela expirou, me olhando por alguns segundos e quando uma lágrima escorreu dos seus olhos eu tive a certeza de que algo grave acontecera. – Mamãe! Porque você está chorando? Você e Edward brigaram?
− Não, meu anjo. Ele e eu estamos bem. É só que... Eu falo com você depois. Não quero preocupar Tommy, Mia e Edward. – Ela falou e eu revirei os olhos.
− Mãe, somos a sua família e é para isso que as famílias servem. Para ouvir, compartilhar problemas e apoiar. Você precisa nos contar o que aconteceu. Por favor!
− Depois, Sofia. Não quero estragar nosso jantar. Termine de arrumar a mesa que eu vou lavar o rosto e já volto para que possamos comer. – Minha mãe falou e eu bufei, maldizendo em pensamento sua teimosia.
Terminei de por a mesa e quando Edward desceu já de banho tomado começamos a jantar. O macarrão estava mesmo delicioso e Tommy me lançou um olhar triunfante quando todos o elogiaram, o que me fez revirar os olhos para seu imenso ego.
Minha mãe participou das conversas, mas era evidente que algo a preocupava. Fiquei feliz em saber que fui aceita para estagiar no hospital e que poderia começar na próxima segunda. Seria muito bom aprender mais sobre a medicina para, quem sabe, seguir os passos profissionais da minha mãe um dia.
Depois do jantar, Edward e eu cuidamos da louça, enquanto minha mãe ajudava Mia com os deveres e vistoriava meu trabalho de história.
Na hora de dormir, minha mãe e Edward subiram com Mia e eu fiquei um pouco com Tommy, até que a Dra. Isabella apareceu e me rebocou para o meu quarto, depois de desejar boa noite a Tommy com um beijo no rosto.
Quando já estávamos sozinhas no meu quarto eu a encarei a espera de uma explicação, torcendo para que ela não tentasse me enrolar.
− Cospe, mãe. O que aconteceu?
− James apareceu no hospital hoje. – Ela falou e eu arregalei os olhos, encarando-a assustada e sentindo meu estômago se revirar.
− O que? – Eu murmurei e minha mãe suspirou, segurando minhas mãos e nos sentando na cama.
− Ele estava na porta principal do hospital e eu o encontrei quando saí. Ele me perguntou sobre você. Tenho medo de que ele te faça algum mal, Sofia. Aquele homem quase destruiu nossas vidas e agora que está tudo tão perfeito ele voltou para nos atormentar outra vez. Eu estou aterrorizada! – Ela falou chorando e eu suspirei, abraçando-a com carinho.
− Mãe, deve ter sido apenas uma triste coincidência. Não tem porque ele voltar para nos atormentar. Não temos nenhum laço com ele. Fique tranquila. James não pode mais nos fazer mal. Até porque, temos Edward agora e tenho certeza de que ele irá nos proteger de qualquer um que queira nos fazer mal.
− Eu sei que ele vai. Mas, é justamente esse o problema. Não quero envolvê-lo nessa história. – Minha mãe falou e eu a encarei com censura.
− Não, mãe. Isso não está certo. Edward é o seu marido e o meu pai e precisa saber o que está acontecendo. Se você não contar, eu conto. – Eu falei decidida e minha mãe suspirou.
− Filha, James faz parte do meu passado e eu não quero envolver Edward nos erros que eu cometi antes de conhecê-lo. Não quero que ele, Mia e Tommy sofram pelas escolhas erradas que eu fiz no passado e que não devem afetá-los agora como afetou você um dia. – Minha mãe falou e eu revirei os olhos, segurando seu queixo para que ela me encarasse.
− Mãe, o seu passado faz de você a mulher maravilhosa que hoje é a esposa de Edward Cullen, mãe da Mia e do Tommy e minha mãe, que apesar de todas as dificuldades, me criou com muito amor e carinho. Seus erros e acertos fazem parte da Isabella Swan que o Edward ama e respeita e, portanto, se um idiota aparece para te perturbar, ele tem todo o direito de saber. Ele tem o direito de te proteger e te amar. Não tire isso dele. Nenhuma relação vai seguir em frente se uma das partes esconder segredos, problemas e sofrimentos. – Eu falei e ela suspirou, me abraçando com força e beijando meus cabelos.
− Você é tão madura e isso, às vezes, me assusta. – Minha mãe declarou e eu sorri, me separando dela para poder encará-la.
− Eu aprendi a ser assim com você, mãe. Tudo o que eu sou e tudo o que eu sei eu aprendi com você. Nossa vida está maravilhosa agora. Eu tenho um pai que me ama e me respeita, uma irmã que eu adoro, um namorado por quem eu sou completamente apaixonada, avós, tios e primos. Não podemos estragar tudo isso por causa de um segredo besta que não precisa existir. Converse com o Edward e conte sobre esse encontro com o James. Vai ser melhor pra todo mundo. – Eu insisti e minha mãe respirou fundo, me encarando com um sorriso triste nos lábios.
− Tudo bem, amor. Eu vou falar com o Edward. Mas, eu quero que você me prometa que vai ter cuidado ao andar por aí. Não te quero sozinha por Los Angeles de jeito nenhum. Temos que evitar que aquele monstro te encontre.
− Pode ficar tranquila, mãe. Eu estou sempre com o Tommy, Lara ou Mia. Além do mais, ele não teria coragem de se aproximar de mim depois de ter sido denunciado e tirado da nossa casa pela polícia.
− Aquele homem é perigoso, Sofia. James Coven não conhece limites. Portanto, tome cuidado. – Ela pediu e eu assenti, beijando seu rosto com carinho.
− Pode deixar, mãe. Eu vou tomar cuidado. – Eu prometi e ela sorriu.
− Ótimo. Agora, eu vou para meu quarto conversar com Edward. Durma com os anjos, meu amor.
− Você também, mãe. – Eu respondi e fiquei observando ela sair do quarto após me dar um beijo suave na testa.
Eu tentei dormir, mas a lembrança de James e de tudo o que acontecera desde o momento em que ele começara a namorar minha mãe até o dia em que ele saíra escoltado pela polícia da nossa casa não me deixava pregar o olho.
Assim, mesmo sabendo que eu não devia, me esgueirei pelo corredor e fui para o quarto de Tommy, que me encarou surpreso assim que me viu abrir a porta na calada da noite. Eu, por outro lado, fiquei me perguntando com quem meu namorado conversava pelo celular àquela hora da noite.
− Tá fazendo o que aqui, princesa? Sua mãe vai ficar uma fera se descobrir que você anda fugindo para o meu quarto durante a madrugada. – Ele falou divertido, estendendo a mão para que eu me aproximasse e eu estreitei os olhos em sua direção, dando uma espiada na tela do seu celular enquanto me acomodava ao seu lado.
− Com quem você estava falando? – Meu ciúme perguntou e ele riu, me entregando o celular.
− Com Ethan. Estávamos falando sobre o jogo de amanhã. – Tommy respondeu e eu dei uma rápida olhada na tela do seu celular para constatar que ele dizia a verdade.
− Hum... Bom pra você, Cullen. Se eu te pegasse conversando com qualquer garota uma hora dessas, eu seria capaz de te matar. – Eu resmunguei e ele riu outra vez, beijando meu rosto.
− A única garota com quem eu troco mensagens além de você é Lara. Eu tenho apreço a minha vida, Sofia. Sei bem como o seu ciúme pode ser perigoso. – Ele declarou e eu ri, me aconchegando em seus braços.
− Quem bom que você sabe. – Eu murmurei e ele riu, beijando o topo da minha cabeça.
− Mas, o que veio fazer aqui? Você parecia perturbada quando chegou. – Ele falou e eu suspirei, sentindo um nó incômodo na garganta. – Sofia?
− Um ex-namorado da minha mãe reapareceu hoje. – Eu murmurei e ele me afastou do seu corpo para poder me encarar.
− Como? Ex-namorado? Que ex-namorado?
− James Coven. Ele foi o último namorado da minha mãe antes de Edward e quase destruiu nossas vidas. – Eu expliquei e Tommy suspirou, me colocando de frente pra ele.
− Me explica isso. – Tommy pediu e eu suspirei, encarando minhas mãos.
− Minha mãe conheceu James no hospital. Ele vendia instrumentos cirúrgicos e certo dia abordou minha mãe no refeitório. Os dois ficaram amigos e em menos de um mês começaram a namorar. Ele era legal. Diferente dos outros namorados da minha mãe, James não parecia se importar com o fato de ela ter uma filha. Pelo contrário. Ele sempre me tratou muito bem. Eu gostava dele, mas não conseguia me sentir totalmente à vontade ao seu lado. Sei lá... James tinha alguma coisa que não me inspirava confiança. Entretanto, minha mãe estava feliz ao lado dele e eu não queria atrapalhar o namoro dela e, então, guardei essa impressão apenas para mim. Depois de alguns meses de namoro, James passou a dormir algumas noites por semana em nosso apartamento e eu comecei a perceber que ele me olhava de um jeito estranho, principalmente se eu aparecesse com roupas mais curtas perto dele. Isso me deixava muito desconfortável e, quando ele estava na minha casa, eu procurava nem sair do quarto. Quando minha mãe e ele completaram um ano de namoro James sugeriu uma viagem e praticamente me obrigou a ir junto. Eu não queria ir de jeito nenhum, mas para não estragar os planos da minha mãe acabei acompanhando-os. E foi nessa viagem que as coisas desandaram de vez.
− Como assim desandaram? – Tommy perguntou baixinho e eu engoli em seco, tentando controlar a todo custo a vontade de chorar.
− Eu percebi que ele explorava minha mãe. Ele pegava muito dinheiro dela, Tommy. Eu não podia admitir àquilo, pois sabia o quanto minha mãe trabalhava para nos dar uma vida digna. Eu tentei argumentar com minha mãe sobre isso e, sem que ela visse, James me ameaçou. Disse que se eu não ficasse calada ele acabaria comigo. Eu fiquei morrendo de medo dele e não falei mais nada a respeito da exploração descarada que minha mãe estava sofrendo. Depois dessa viagem, ele começou a mostrar seu verdadeiro caráter. Além de continuar nos roubando, James começou a me assediar. Muito. E eu não falei nada para minha mãe para não fazê-la sofrer. Ela gostava dele ou estava enfeitiçada. Sei lá. O fato era que ela não se dava conta do quão tóxico o namorado dela era para nós. Mas, graças a Deus, depois de um tempo ela caiu em si e começou a querer se afastar daquele crápula. Só que James era extremamente violento e quando percebeu que perderia toda a sua mordomia, agrediu minha mãe. Duas vezes. James já havia sido bruto com ela em nome do ciúme doentio que sentia, mas nunca havia chegado a agredi-la. Foi horrível ver minha mãe machucada. Cada ferimento doeu em mim e aquela cena jamais saiu da minha cabeça. – Eu falei, não mais conseguindo conter as minhas lágrimas e Tommy suspirou, me tomando nos braços.
− Ah, Sofia... Eu sinto muito! – Tommy falou e eu funguei, querendo que àquelas lembranças horríveis abandonassem minha mente para sempre. Mas, eu sabia que levaria muito tempo para que eu as esquecesse completamente.
− Na primeira vez ela não quis chamar a polícia. Acho que ela sentia vergonha por não ter percebido antes o quanto àquele homem era mau caráter. Mas, na segunda vez que James bateu nela eu mesma chamei a polícia e quando ele percebeu o que eu tinha feito, trancou minha mãe na lavanderia e tentou me estuprar. Foi o momento mais desesperador da minha vida. Ele já havia passado a mão em mim e até me espiado no banho. Mas, nunca tinha tentado me violentar. Eu lutei contra ele e consegui fugir. Foi quando a polícia chegou e o prendeu em flagrante por agressão e tentativa de estupro. Foi um alívio se livrar dele. Mas, como James era réu primário logo ele estava solto e voltou a nos atormentar. Foi quando o advogado da minha mãe entrou com uma medida protetiva. Depois disso, nunca mais o vimos ou ouvimos falar sobre ele. Mas, agora ele voltou e eu tenho medo de que sua presença estrague a nossa felicidade. Estamos tão bem aqui, com vocês e com toda sua família. Não quero jamais ter que deixar de ser uma Cullen. – Eu confessei o meu maior medo e Tommy estalou os lábios, me puxando novamente para os seus braços.
− Você jamais vai deixar de ser uma Cullen, Sofia. Meu pai adotou você e não foi apenas uma formalidade. Ele realmente te ama como filha. Bella vai adotar a mim e a Mia e eu tenho certeza de que ela tem por nós um imenso amor de mãe. Nossos pais estão casados e apaixonados e todo o resto da minha família adora vocês. Portanto, não é um ex-namorado idiota que vai mudar isso. – Tommy afirmou e eu suspirei, me sentindo segura e amada no seu abraço.
− Mas, porque ele voltou? Eu tentei convencer minha mãe de que foi apenas uma coincidência, mas James sabe onde minha mãe trabalha. Se ele estava lá, esperando por ela, é porque ele quer alguma coisa.
− Pelo pouco que eu entendo de direito, algumas ordens de restrição têm prazos de validade. Se ele procurou sua mãe novamente depois desse tempo todo é porque ele já não será preso por isso. Meu pai é um advogado foda e tenho certeza de que ele vai conseguir outra ordem de restrição para proteger vocês. Além do mais, temos dinheiro suficiente para contratar guarda-costas. Dez seguranças caso seja necessário. Então, não tenha medo, pois esse homem escroto jamais vai colocar as mãos em você ou em sua mãe outra vez.
− Minha mãe se culpa até hoje pelo que aconteceu. Fizemos terapia por um tempo depois que James foi embora, mas eu sei que ela jamais vai superar o fato de ele quase ter conseguido me estuprar. Em umas das últimas brigas que eles tiveram, James confessou a ela que só manteve o namoro porque queria me levar para cama. Minha mãe ficou destruída. Por muito tempo ela não conseguia me encarar nos olhos. Foi muito difícil trazer a mulher alegre, divertida, autoritária e inteligente de volta, pois ela se afundou completamente em tristeza e depressão depois que James saiu das nossas vidas. Lara e eu tivemos que iniciar uma grande campanha para que ela aceitasse criar um perfil no Tinder e sair em busca de um namorado. E, no fim, foi a melhor coisa que ela fez, pois nos trouxe vocês. – Eu falei e Tommy levantou meu rosto do seu peito para que eu pudesse encará-lo.
− Eu sinto muito mesmo por tudo o que você e sua mãe passaram. Eu sei o quanto o mundo pode ser machista e perigoso para as mulheres e eu sinto muito. Mas, vocês não estão mais sozinhas. Meu pai e eu vamos protegê-las e nem James e nem ninguém vai fazer mal a vocês novamente. Eu prometo. – Ele afirmou e eu sorri, me inclinando e beijando seus lábios com carinho.
− Obrigada por ser o namorado mais fofo do mundo sempre. – Eu murmurei e ele revirou os olhos, mas sorriu para mim.
− De nada. Agora, deita aqui. Vamos dormir. Amanhã temos aula e precisamos descansar.
− Minha mãe vai surtar quando souber que eu dormi aqui. – Eu falei divertida e ele riu.
− Vai mesmo. Mas, depois do que você me contou, eu sinto que você precisa do meu abraço.
− Preciso mesmo. A noite toda se possível. – Eu declarei e ele riu, beijando meu rosto.
− É pra já, princesa. Abraço quentinho a noite toda saindo. – Tommy gracejou e eu sorri, me congratulando por ter o melhor namorado do mundo ao meu lado.
*********
Pov. Edward
Bella se mexeu ao meu lado e eu a puxei para meus braços, beijando seu rosto com carinho e observando-a em seu sono agitado através da claridade que entrava pela janela. Eu não conseguira pregar os olhos nem por um minuto durante aquela noite, pois a história que Bella me contara sobre seu ex-namorado ficara martelando em minha mente durante todo o tempo.
Eu notara que minha esposa estava estranha desde o momento em que nos encontramos na garagem da nossa casa após nosso primeiro dia de trabalho depois de termos voltado da nossa lua de mel nas Maldivas. Mas, quando eu perguntara qual o problema, ela sorrira e dissera estar apenas cansada.
Na hora de dormir, eu estranhei o fato de ela ter ficado quase por uma hora no quarto com Sofia. Todas as noites ela passava um tempo com a filha e eu entendia isso. Por muitos anos as duas viveram sozinhas e era natural que precisassem de um momento para cultivar aquele amor entre elas que era tão único e tão lindo. Mas, naquela noite Bella ficara muito tempo com a filha e quando ela veio até mim com os olhos vermelhos eu soube que alguma coisa estava muito errada.
− Bella? Amor, o que houve? – Eu perguntei, deixando o livro de direito que eu lia de lado e indo até ela que, para meu desespero, começou a chorar. – Bella, fala comigo, por favor. O que aconteceu para fazê-la chorar assim?
− Meu passado. A droga do meu passado voltou para me assombrar. Logo agora que eu estou tão feliz. – Ela falou entre soluços e eu a afastei do meu corpo para poder encará-la.
− Como assim, amor? Do que você está falando?
− James. Aquele monstro que um dia eu coloquei dentro da minha casa voltou para me atormentar e para acabar com a minha felicidade. – Ela falou com raiva e eu suspirei, me sentindo cada vez mais confuso com as suas palavras.
− James? Quem é James?
− Eu já te falei sobre ele. James foi o desgraçado que quis violentar a minha filha e que quase destruiu nossas vidas.
− Mas, o que você quer dizer quando afirma que ele voltou para destruir sua felicidade? Amor, eu sou seu marido e eu amo você. Eu sou o pai da sua filha, assim como você é a mãe dos meus filhos. Nenhum ex-namorado, por mais desgraçado que seja, vai mudar isso. Ninguém vai destruir nossa felicidade, Bella.
− Edward, James é perigoso. E se ele está de volta alguma má intenção ele tem. Eu temo por Sofia. James quis violentá-la uma vez. E se ele tentar de novo?
− Nós vamos contratar um segurança se for preciso, mas ninguém vai fazer mal nem a você e nem a nossa menina. Fique tranquila. – Eu falei, beijando sua testa e ela fungou, me lançando um olhar atormentado.
− Eu fui tão idiota ao me envolver com ele. James era um psicopata e provou isso quando roubou meu dinheiro, me agrediu e tentou violentar a minha filha. Eu me arrependo tanto de tê-lo namorado um dia e de ter levado ele para dentro da minha casa, colocando minha filha em risco.
− Bella, ninguém nasce com uma estrela na testa para nos alertar se são boas ou más pessoas. Você estava apaixonada e acreditava ser correspondida. Não tinha como adivinhar que ele era um mau caráter interessado apenas no seu dinheiro e na sua filha. Pare de se culpar, por favor. Você sempre foi uma mãe maravilhosa para Sofia, mas, além de mãe, você é uma mulher. Uma mulher normal que tinha todo o direito de namorar e ser feliz ao lado de um homem. O que aconteceu foi uma fatalidade, mas, Graças a Deus, James não conseguiu concluir sua maldade contra Sofia. E ele jamais vai colocar as mãos nela outra vez. Acredite em mim. Sofia é minha filha também e eu irei protegê-la com a minha vida se preciso for.
− Você é tão maravilhoso que, às vezes, eu duvido que seja real. – Ela murmurou e eu sorri, beijando seus lábios com carinho.
− Eu sou real sim e estarei sempre ao seu lado para amá-la e protegê-la. Agora, tome um banho enquanto eu busco um chá pra você. – Eu comandei e ela assentiu, encaminhando-se lentamente para o banheiro.
Preparei um chá de camomila para ela e voltei para o quarto no momento em que minha esposa já se acomodava contra os travesseiros. Bella parecia exausta e naquele momento eu desejei ter um super poder para fazer com que todos os seus problemas desaparecessem.
− Aqui está o seu chá. É de camomila. Vai te ajudar a dormir.
− Obrigada, Edward. Não sei o que seria de mim sem você.
− Você nunca vai ter que descobrir, Sra. Cullen. – Eu falei, piscando pra ela que sorriu e se inclinou para me dar um beijo nos lábios.
− Você foi o único homem realmente decente com quem eu me envolvi e eu agradeço todos os dias por tê-lo conhecido.
− Eu também agradeço todos os dias por ter você na minha vida e na vida dos meus filhos. Foi um longo caminho até encontrar a mulher perfeita para amar.
− Você teve muitas namoradas antes e depois de Tanya? – Bella perguntou tentando soar desinteressada e eu sorri para sua curiosidade.
− Algumas. Antes de Tanya eu não queria compromisso sério. Portanto, apenas ficava com algumas garotas sem permanecer muito tempo com nenhuma delas. Depois da morte da minha primeira esposa eu me dediquei inteiramente aos meus filhos. Tive alguns encontros e levei algumas mulheres pra cama. Cheguei a visitar bordéis, já que Mia não aceitava nenhuma das minhas namoradas e eu precisava de sexo. – Eu declarei e Bella revirou os olhos, o que me fez rir. – Mas, namorada mesmo, além de Tanya, só você. Foi a única que me fez ter vontade de firmar um compromisso sério. Ainda bem, pois agora eu posso afirmar, sem medo de errar, que tenho a melhor esposa do mundo. – Eu falei e Bella fez uma careta, enquanto bebericava seu chá.
− Melhor e mais complicada. – Ela murmurou e eu lhe lancei um olhar de censura.
− Pode parar com isso, Isabella Swan Cullen. Eu te amo como você é. Seus erros e acertos fazem parte da mulher maravilhosa que você se tornou. Não se rebaixe. Você é incrível e eu te amo. – Eu afirmei e ela suspirou, me olhando de maneira levemente divertida.
− Sofia me disse exatamente a mesma coisa. Acho que vocês dois são mais parecidos do que eu gostaria de admitir. – Ela resmungou e eu ri.
− Por isso que ela é minha filha. É uma garota inteligente. E linda. Como o pai. – Eu afirmei e Bella revirou os olhos, me entregando a xícara vazia.
− Marido, sua modéstia me impressiona. – Ela brincou e eu ri, deixando a xícara sobre a mesinha de cabeceira e me deitando ao seu lado.
− Dorme, Bella. Amanhã será um novo dia e nós vamos cuidar desse seu ex-namorado psicopata. Ele não vai encostar em um só fio de cabelo seu ou de Sofia. Eu prometo!
− Confio em você. Ah... E eu também te amo. – Ela murmurou, já quase adormecida e eu sorri, beijando seu rosto.
Passei boa parte da noite velando o seu sono e pensando em uma forma de impedir aquele canalha de se aproximar das minhas meninas.
O primeiro passo era ir à delegacia e conseguir todos os detalhes da prisão de James Coven. Depois, falar com o antigo advogado da minha esposa e me colocar a par da medida protetiva contra aquele crápula que protegeu Bella e Sofia durante anos. Eu iria renovar a medida protetiva e se àquele imbecil tentasse algo, acabaria preso outra vez.
− Bom dia marido... – Ouvi a voz suave da minha esposa e a encarei, deixando meus devaneios de lado e beijando seu rosto de leve.
− Bom dia, esposa. Dormiu bem?
− Como um anjo. Aquele chá foi uma boa ideia.
− Claro que foi. Eu só tenho excelentes ideias. – Eu gracejei e ela revirou os olhos, livrando-se das cobertas e seguindo em direção ao banheiro.
− Eu vou tomar banho. Hoje é o seu dia de acordar os filhos. – Ela falou, já tirando a roupa e eu fiquei observando-a, até que ela desapareceu das minhas vistas e eu me obriguei a me levantar e ir acordar nossos filhos para a escola.
Sai do meu quarto no mesmo instante em que Sofia saia do quarto de Tommy. Ela empalideceu no momento em que me viu parado à sua frente.
− Bom... Bom dia, Ed... Papai! – Ela murmurou e eu respirei fundo, olhando-a com censura.
− Bom dia, Sofia. Dormiu bem? – Eu perguntei ironicamente e ela suspirou, me lançando um olhar cheio de culpa.
− Dormi. Estar com Tommy me acalma. Depois de saber da volta de James eu precisava desabafar com alguém. Conversei muito com Tommy ontem e acabei dormindo na cama dele. Mas, nós só dormimos. – Ela afirmou e eu revirei os olhos, me aproximando mais dela.
− Vou deixar esse pequeno delito passar. E sobre James, fique tranquila. Ninguém, nunca mais, irá machucá-las. Você e sua mãe são minhas meninas agora e eu defendo o que é meu. Com a minha vida, se preciso for. – Eu afirmei e ela sorriu, ficando na ponta dos pés e me dando um beijo no rosto.
− Obrigada, Ed... Papai. Você é o melhor. – Ela falou e eu sorri, beijando seu rosto e deixando que ela voltasse para o seu quarto a fim de se arrumar para a escola.
O café da manhã foi tranquilo. Mia reclamando por ter que ir a escola, Bella tentando animá-la, Tommy e Sofia presos em sua bolha e eu tentando não bocejar a cada cinco minutos para que minha esposa não me desse uma bronca por eu ter passado uma noite em claro tentando encontrar uma solução eficiente para o seu problema com o ex-namorado psicopata.
Depois que deixei meus filhos na escola e minha esposa no trabalho, me certificando de que James não estava em nenhum dos dois lugares, fui para o meu escritório e me concentrei em resolver o problema da minha esposa.
− Boas notícias, cunhado. O tal James Coven tem algumas passagens pela polícia depois que foi denunciado por Bella e preso em fragrante por agressão e tentativa de estupro. A medida protetiva realmente expirou, mas vai ser fácil conseguir outra. A ficha dele acusa estelionato, agressão e furto. Um mau elemento de primeira. O que será que Bella viu nele? – Emmett falou, me entregando a ficha de James e eu suspirei.
− Bella era uma mulher carente e insegura que havia tido uma infinidade de relacionamentos frustrados e ansiava por um amor que aceitasse Sofia também. James se aproveitou disso e a iludiu com palavras bonitas e promessas vazias. O desgraçado se envolveu com ela interessado em Sofia. Sem contar que ele a roubou descaradamente. Não sei como a justiça deixa alguém como esse cara andar livremente por aí. – Eu comentei revoltado e Emmett suspirou.
− Os pais dele sempre pagam as fianças. Pelo que entendi durante a curta investigação que fiz sobre James, pagar o serviço dos advogados e as fianças é a única coisa que os pais fazem por ele. Aliás, o pai também foi preso algumas vezes acusado de agressão. Esses fatos talvez expliquem o fato de James ser um canalha completo. – Emmett falou e eu fiz uma careta, enquanto analisava com cuidado o relatório sobre o ex-namorado da minha esposa.
− O que ele estava fazendo no hospital onde Bella trabalha? A família dele é de Miami, pelo o que entendi.
− Sim. São. Mas, ele tem uma namorada aqui em Los Angeles que caiu e machucou o rosto. – Emmett falou com ironia e eu o encarei. – Isso mesmo. Ele provavelmente agrediu a namorada, que foi levada ao hospital onde Bella trabalha. Foi só uma coincidência, que James aproveitou para atormentar a ex-namorada. Afinal, é o que ele faz. Perturba e agride mulheres. – Emmett concluiu e eu expirei, devolvendo o relatório a ele.
− Emmett, fale com o Juiz Lewis. Peça outra medida protetiva contra James para Bella e Sofia. Diga a ele que é urgente.
− Sim, chefe. E para te deixar mais sossegado, a namorada dele não ficou internada. Então, é pouco provável que Bella veja James hoje ou em qualquer outro dia.
− Assim eu espero, Emmett. Assim eu espero.
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No fim do dia, graças à eficiência de Emmett e a rapidez do juiz Lewis, eu já tinha a medida protetiva contra James em mãos. Conseguimos descobrir o endereço da sua namorada e, então, provavelmente, James tinha uma cópia do documento em mãos e eu esperava que isso fosse o suficiente para mantê-lo afastado das minhas meninas.
Como Bella não foi com o seu carro para o trabalho hoje, eu saí do meu escritório diretamente para o hospital, encontrando-a na recepção conversando com a Dra. Cooper, que sorriu ao me ver.
− Quanto tempo, Sr. Cullen. Você parece muito bem. – Ela me cumprimentou e eu sorri, segurando minha esposa pela cintura, enquanto estendia minha outra mão para Suzana.
− Eu estou ótimo, Dra. Cooper. Tudo ficou perfeito depois que eu tornei essa linda mulher a minha esposa. – Eu respondi e Bella corou, enquanto Suzana ria.
− Bella é ótima mesmo. Uma ótima médica e mãe. Por isso não duvido que ela seja uma boa esposa.
− Ela é magnífica. Em todos os sentidos. – Eu gracejei e ganhei uma cotovelada de Bella, que me lançou um olhar assassino, enquanto sua chefe ria.
− Certo. Bem, eu vejo você amanhã, Dra. Swan. Até mais, Sr. Cullen. – Suzana falou, despedindo-se de nós e Bella continuou me olhando zangada.
− O que? – Eu perguntei, beijando seus lábios e ela me afastou com um empurrão.
− Suzana é minha chefe. Será que você podia não fazer referência à nossa vida sexual para minha chefe? – Ela perguntou brava e eu mordi os lábios para não rir. – Não ouse dar risada, Edward Cullen!
− Me desculpe, amor. Prometo não fazer mais isso. Vamos para casa? – Eu perguntei e Bella bufou, andando para fora do hospital com passos decididos, me obrigando a segui-la.
E foi quando ela alcançou a ala externa do hospital que um homem a agarrou pelos braços e a jogou contra parede com violência.
Apesar do susto, eu reagi depressa e o empurrei, tomando Bella nos braços e olhando de maneira assassina para homem que eu sabia ser James Coven.
− Que merda é essa de medida protetiva, Bella? Tá achando que pode me colocar na cadeia outra vez, sua vadia? – Ele falou com raiva e eu respirei fundo, tentando não socá-lo para não arranjar problemas com a polícia. Era tudo o que não precisávamos no momento.
− Chame-a de vadia outra vez e eu juro que arranco sua língua. Encoste um dedo na minha esposa de novo e eu juro que te mato lentamente. E antes que você continue com seu ataque de merda, saiba que fui eu quem consegui outra medida protetiva contra você. Então, vai fazer o que? Vai me bater? Ou vai recuar? Ah... Eu me esqueci. Você é um covarde que só agride mulheres, não é? – Eu falei e ele bufou, afastando-se de nós.
− Não precisa de nenhuma medida protetiva. Eu não quero nada com a sua esposa. Já tive bastante dela. Com a filha gostosa, por outro lado... – Ele falou debochado e eu não me contive ao ouvir falando daquele jeito sobre Sofia. Sobre a minha filha.
− SEU FILHO DA PUTA!
Soquei seu rosto, o derrubando no chão de primeira. Subi sobre seu corpo inerte e desferi mais uma série de golpes em seu rosto. Ele tentou reagir, mas a raiva que me cegava me fazia forte. Eu estava cego de ódio. Cego por saber que ele já batera em Bella. Cego por saber que ele tentara estuprar Sofia. Cego por toda a dor e sofrimento que ele causara nas minhas meninas. Eu iria matá-lo. Deus me ajude, mas eu iria matá-lo e, assim, ele não poderia mais agredir nenhuma mulher.
− Edward, pare, pelo amor de Deus! – Eu ouvi a voz desesperada da minha esposa vinda de algum lugar, mas não consegui parar. Eu iria matá-lo e ninguém conseguiria me impedir.
Depois de algum tempo, senti braços me puxando para longe daquele cretino e eu me debati para tentar me soltar e voltar para minha deliciosa vingança.
− Para, rapaz. Já chega.
− ME SOLTA!
− Você vai matá-lo.
− É O QUE EU QUERO. ME SOLTA!
− Edward, olha pra mim. Olha pra mim, amor. – Bella pediu, segurando meu rosto e eu a encarei, tentando controlar minha raiva. – Amor, já chega. A polícia está vindo e eu não quero que eles te prendam. Você tem que ir para casa e cuidar de mim e dos nossos filhos. James não vale a pena. Não vale... – Bella falou chorando e eu respirei fundo, conseguindo me acalmar aos poucos, enquanto me dava conta da multidão que nos cercava.
Abracei minha esposa e fechei os olhos, segurando-a com força contra mim, enquanto esperávamos pela polícia em completo silêncio. As pessoas à nossa volta me encaravam com censura e medo, mas eu queria que todos fossem para o inferno.
Eu sabia que seria processado. Preso não. Mas, processado com certeza.
Todavia, eu não me importava. Eu sabia que violência não era a resposta para nada, mas eu não me arrependia dos socos que eu dera naquele desgraçado. Eu faria qualquer coisa para defender minhas meninas. Elas eram importantes demais para eu permitir que alguém lhes fizesse qualquer mal.
Enfrentaria qualquer coisa por elas. Porque eu as amava. Era simples assim.
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