Laços de amor
35 Capítulo 34
Capítulo 34
Pov. Bella
− Eu não acredito que depois de tudo o que eu passei desde aquele tiro, ainda serei obrigada a ficar trancada em casa com aquela mulher. Eu preferia enfrentar dez atiradores a passar cinco minutos com ela. – Sofia resmungou e eu revirei os olhos, enquanto andava de um lado de outro pelo quarto de Edward terminando de me arrumar para o trabalho.
Ela havia dormido comigo ali, enquanto Edward ficara no quarto de hóspedes. Segundo meu noivo, o quarto dele era o mais confortável para atender às necessidades da nossa convalescente, que acordara, depois da sua primeira noite fora do hospital, muito mal-humorada.
− Amor, Suzana foi bem compreensiva comigo enquanto você estava internada, mas agora eu tenho mesmo que voltar ao trabalho. E a senhorita não pode ficar sozinha. Edward vai para o escritório, Tommy e Mia para a escola... Eu tentei encontrar uma enfermeira, mas até agora não consegui. Renée se ofereceu. Ela quer cuidar de você. Porque não aceitar a ajuda dela? – Eu perguntei, me sentando na cama de frente pra ela, que bufou e cruzou os braços sobre o peito. Eu contive um sorriso para sua expressão irritada.
Nesse momento, ela me lembrava muito a garotinha de dez anos que se recusava terminantemente a comer brócolis e que me lançava olhares cortantes quando eu insistia.
− Eu não gosto dela. Não é só porque Renée chorou quando eu estava morrendo no hospital que significa que eu tenha que perdoá-la por todas as vezes que ela me destratou. Além disso, ela já cuidou de mim antes e a experiência foi péssima. Pode acreditar. – Sofia declarou mal-humorada e eu estreitei o olhar em sua direção.
− Você era pequena quando ficava com ela aos fins de semana para que eu pudesse trabalhar. Não é possível que se lembre. – Eu comentei e ela enrubesceu, desviando o olhar.
− Tem coisas que ficam gravadas na memória para sempre, mãe... – Sofia murmurou e eu suspirei, me aproximando mais dela.
− Sofia, eu deveria saber de alguma coisa que não sei sobre sua relação com Renée?
− Deixa pra lá... – Ela resmungou e eu suspirei, erguendo seu queixo para que ela me encarasse.
− Amor, por favor. Conte para mamãe. – Eu pedi e senti meu coração se apertar quando uma lágrima solitária caiu dos seus olhos que, por ironia, eram idênticos aos da minha mãe.
− Eu não me lembro de muita coisa, pois eu era pequena. Mas, eu chorava muito e ela gritava comigo. Eu só estava com saudades de você, mas Renée não entendia. Ela me chamava de estorvo quando você não estava por perto. Agora, eu entendo que ela sempre me considerou um atraso de vida pra você. Mas, naquela época eu não sabia o que isso queria dizer, embora eu tivesse certeza de que não era algo bom pela forma como ela dizia. E eu me lembro de sentir fome também. Você sabe que ela não é de cozinhar. Então, eu só comia de verdade quando Charlie ou você voltavam para casa ou quando ela se compadecia e me oferecia alguma porcaria. – Ela me contou e eu fechei os olhos por um momento, sentindo meu coração se quebrar em mil pedaços com o que eu acabara de ouvir. Renée fora mais tóxica para minha filha do que eu gostava de admitir.
− Você a odeia? – Eu perguntei suavemente e Sofia fungou, negando com um gesto de cabeça.
− Não. Ódio é algo muito ruim e eu não consigo sentir isso por ninguém. Nem mesmo por Jacob. Mas, eu não gosto dela. Não tenho nenhum laço sabe? Nenhum sentimento bom que me faça considerá-la uma avó. – Minha filha declarou e eu expirei.
Sim, eu entendia. E, de repente, comecei a me sentir culpada por, talvez, estar forçando uma aproximação entre Renée e Sofia. Não era só porque eu estava disposta a ter uma boa relação com a minha mãe e esquecer o passado que Sofia precisava fazer o mesmo. Minha filha tinha todo o direito de não querer a avó por perto e eu simplesmente não podia obrigá-la. Aliás, eu jamais faria isso.
− Você quer que eu a mande embora? – Eu perguntei suavemente e Sofia suspirou, se inclinando em minha direção e se aninhando em meu peito. A perna imobilizada dificultava o abraço, mas eu me aproximei mais para poder envolvê-la.
− Não quero um tubo na minha uretra outra vez. É nojento e arde. E só por isso, só por eu não conseguir ir sozinha ao banheiro por enquanto, ela pode ficar. Mas, peça a Renée que não fique me bajulando. Ela é sua mãe e minha avó, mas eu não gosto dela. E isso não vai mudar. Pelo menos não de uma hora pra outra. – Sofia falou decidida e eu beijei o topo da sua cabeça, apertando-a mais contra mim.
− Eu já te disse isso muitas vezes, mas vou repetir para o caso de não ter ficado claro. Eu te amo. Amo tanto que até dói. E eu te amo por todos aqueles que não te amaram. Eu te amo pelo seu pai, pela família dele, por Renée, por Charlie... Meu amor por você é infinito, Sofia. Você é o melhor de mim mesma e é a coisa mais certa que eu já fiz na vida. Jamais, nem por um milésimo de segundo, se considere um estorvo. Você não é e nunca foi ruim pra mim. Entendeu? – Eu perguntei emocionada e ela assentiu, me encarando com o rosto molhado.
− Eu também te amo, mamãe. Te amo pra sempre. E eu sei que você só quer que eu tenha uma boa relação com Renée. Ela é sua mãe e você a ama. Tudo bem perdoá-la, então. Isso só prova que você é uma pessoa boa. Mas, eu não posso simplesmente esquecer o que ela fez e disse a mim. Não ainda, pelo menos. – Sofia falou tristemente e eu assenti, beijando seu rosto.
− Tudo bem. Eu te entendo, amor. Eu sei que ela te magoou muito e não espero que você a perdoe de uma hora para outra. Mas, com esse episódio do tiro aprendemos que a vida é frágil demais para que a gente perca tempo com rancor. Pense nisso, ok? – Eu pedi e ela assentiu.
− Vou pensar. E mãe... Quando eu melhorar, você me leva ao cemitério para que eu possa visitar o túmulo dos meus amigos? – Ela pediu e eu engoli em seco, sentindo um aperto no peito com o seu pedido.
Sofia quase morrera. Poderiam ser os amigos dela indo visitar seu túmulo. E só de pensar nisso eu me sentia gelada.
− Claro... Agora, o que acha de eu te ajudar no banheiro antes de ir para o hospital? Eu já me atrasei mesmo. – Eu ofereci e ela sorriu animada.
− Eu acho ótimo. – Sofia falou e eu beijei seu rosto, ajudando-a a se levantar e levando-a até o banheiro.
Depois do banho, eu sequei seus cabelos e troquei os curativos da sua perna, enquanto conversávamos sobre a possibilidade de ela mudar de escola.
Só quando ela já estava acomodada na cama assistindo a um filme no Netflix é que eu pude ir para o hospital. Renée já estava na cozinha da casa de Edward quando eu desci para o café. Meu noivo e os filhos já tinham saído.
− Oi, filha. Achei que você tivesse ido com Edward. Estou preparando o café de Sofia. – Ela falou animada e eu respirei fundo, fazendo com ela me encarasse. – Algum problema?
− Renée, eu só tenho um pedido a te fazer. – Eu falei seriamente e ela assumiu uma expressão cautelosa, colocando a bandeja que segurava sobre o balcão e me encarando.
− Pode pedir.
− Não magoe a minha filha outra vez. Não a destrate, não a maltrate, não a ofenda. Eu estou tentando passar por cima de tudo o que aconteceu entre nós, mas se você fizer ou disser qualquer coisa que faça Sofia sofrer, eu romperei em definitivo com a senhora. Entenda que aquela garota é a coisa mais importante da minha vida e eu não posso permitir que ninguém mais a machuque. – Eu falei seriamente e Renée assentiu, sustentando meu olhar.
A história que Sofia me contara hoje de manhã ainda estava fresca na minha memória e me machucava. Mas, eu já estava cansada de odiar Renée. Eu sentia que dar essa oportunidade a ela era o certo a se fazer.
− Eu não estou aqui para machucar nenhuma das duas. Pode ficar tranquila. Eu sei o quanto você ama sua filha, já que foi para ela uma mãe muito melhor do que eu fui pra você. Aliás, você sempre foi fantástica com Sofia. A relação que você tem com ela é algo invejável. Eu sei que errei. Tenho consciência de tudo o que fiz e disse para minha neta e para você. E eu estou aqui para me redimir. Espero ter essa oportunidade. – Ela falou com a voz triste e eu sorri de leve.
− Sofia está magoada, mas ela é uma menina incrível e tem um enorme coração. Tenho certeza de que se você provar a ela que seu arrependimento é sincero, com o tempo, as duas poderão construir uma relação de neta e avó.
− É o que eu espero. – Renée murmurou e eu sorri.
− Bem, eu já vou, pois estou mega atrasada. Sofia está fazendo uma birrinha para comer. Os remédios que ela está tomando estão mexendo com seu paladar. Então se prepara para uma série de reclamações. E, pelo amor de Deus, não a deixe firmar a perna no chão. Os pontos dela estão cicatrizando depressa e não queremos nenhum acidente. Qualquer coisa, me ligue que eu venho correndo.
− Pode deixar. – Renée falou e eu respirei fundo, sentindo uma inexplicável vontade de chorar por ter que deixar Sofia em casa. Desde o atentado, eu passara praticamente 24 horas do dia ao seu lado. Voltar para o hospital e não tê-la por perto, embora na atual situação fosse algo ótimo, me faria sofrer. Eu sabia que ela sofreria pelo mesmo motivo. O que só tornava a situação ainda pior.
Eu saí da casa de Edward, antes que desistisse de tudo e voltasse para a cama com a minha filha, e fui direto para o hospital.
O dia se arrastou, mesmo com a grande quantidade de cirurgias e pacientes que atendi. Na hora do almoço, liguei para a casa de Edward para saber se estava tudo bem e, embora Sofia estivesse claramente mal-humorada, ela e Renée ainda não tinham se matado, o que já era um progresso, dadas as circunstâncias.
Já eram mais de sete horas quando eu consegui sair do hospital e fiquei agradavelmente surpresa quando cheguei à recepção e encontrei Edward me esperando.
− Oi, amor. Está fazendo o que aqui? – Eu perguntei, beijando seus lábios e ele sorriu, me abraçando pela cintura.
− Eu vim te convidar para fazer um programa de pais. – Ele declarou e eu o olhei confusa. Programa de pais?
− Como assim? É assim que você está chamando sexo agora? – Eu brinquei e ele gargalhou.
− Não. Se bem que sexo não deixa de ser um programa de pais. Mas, o que eu quis dizer é que vim te convidar para ir a uma apresentação da Mia comigo. Hoje ela e Candyce vão apresentar uma prévia do que teremos no recital de balé que será daqui um mês. Ela não disse nada a você por causa do que aconteceu a Sofia, mas algo me diz que Mia ficaria radiante caso você fosse a essa apresentação. – Edward explicou e eu sorri, enganchando meu braço no seu e o guiando até o estacionamento.
− Eu estou honrada pelo convite, Sr. Cullen. Vamos lá. Só tenho que ligar para sua casa a fim de saber como está Sofia. Preciso saber também se Renée pode ficar com ela por mais algumas horas.
− Já está tudo resolvido. Ethan, Lara e Tommy estão com ela. Rosalie os levou pra lá no meu carro e, portanto, preciso de uma carona até o teatro. Renée já foi para casa do seu irmão e avisou que volta amanhã de manhã. Sofia não parecia muito contente em tê-la por perto, então, achei melhor que as duas dessem um tempo. – Edward explicou e eu suspirei, assentindo.
− Sofia tem muitos motivos para não gostar de Renée. Alguns deles eram desconhecidos por mim até hoje de manhã. – Eu falei, me lembrando da conversa que tive com Sofia, e Edward me lançou um olhar preocupado. − Eu não quero forçar uma aproximação entre elas, mas eu realmente não encontro nenhuma enfermeira para cuidar da minha filha. Minha mãe se ofereceu para ajudar e eu não vi nenhum problema nisso. Achei até que seria uma oportunidade perfeita para o ranço entre elas ser superado. Todavia, não sei se foi uma boa ideia. Depois de tudo o que Sofia passou, a última coisa que eu queria agora era irritá-la com a presença indesejada de Renée. Não sei o que fazer. – Eu falei, me sentindo extremamente exausta e Edward suspirou, fazendo um carinho em minha nuca enquanto dirigia pelas ruas iluminadas de Los Angeles.
− Vamos dar tempo ao tempo. Sofia tem um grande coração. Tenho certeza de que sua mãe e ela acabarão se entendendo. E, se isso não acontecer, pelo menos você sabe que tentou aproximá-las, amor. – Ele falou e eu sorri, pegando sua mão e a beijando.
− Você tem razão. Obrigada por ser o cara sensato dessa relação. Se não fosse sua força e apoio não sei se teria sobrevivido às últimas semanas. – Eu declarei e ele sorriu, apertando meus dedos de leve. − Mas, agora, vamos nos concentrar em Mia. Estou doida para vê-la dançando.
− Ela vai ficar no céu quando te vir lá. – Ele comentou e eu sorri satisfeita por saber que faria minha pequena feliz.
Quando chegamos ao teatro, Rosalie e Emmett já haviam guardado lugares para nós. Eu me sentei entre minha cunhada e Edward e senti meu coração se encher de alegria e orgulho quando minha pequena começou a apresentação. Mia era graciosa e dançava perfeitamente bem, arrancando sorrisos de mim, do pai e dos tios, que observavam satisfeitos as performances da filha e da sobrinha.
Sofia nunca levara jeito para o balé. Nós tentamos quando ela era pequena, mas minha pequena desistiu no primeiro mês de aulas. Sendo minha filha e praticamente uma cópia fiel minha, era natural que Sofia tivesse herdado minha total falta de coordenação motora. O único esporte que ela praticava com perfeição era o vôlei, o que já era um avanço em relação a mim, que era inimiga mortal de qualquer atividade física que envolvesse o mínimo de equilíbrio e coordenação.
− Quebra nozes. Eu adoro esse espetáculo. Mas, não é muito maduro para a idade dessas crianças? – Eu perguntei e Edward assentiu.
− Seria se fossem apresentar o espetáculo original. Mas, é apenas uma adaptação. Mia será a Clara esse ano. Ela está nas nuvens com isso, pois sua mãe representou a personagem por cinco anos seguidos quando tinha mais ou menos a idade dela e praticava balé. Tanya era uma dançarina incrível e minha filha herdou isso dela.
− Ainda bem, não é maninho? Pois, se ela dependesse do seu talento para a dança, Mia jamais poderia praticar balé. – Rosalie comentou divertida e Edward revirou os olhos, enquanto eu ria. Eu não era muito boa dançando, mas Edward conseguia ser pior que eu. Meu noivo parecia ter nascido com dois pés esquerdos.
− Você também não é muito da dança, loira. Então, calada. – Ele falou bravo e Rosalie riu, voltando a prestar atenção ao palco.
A apresentação durou cerca de meia hora e quando a música foi interrompida, indicando o fim do espetáculo, todos aplaudiram os pequenos bailarinos de pé.
Quando Mia me viu na plateia, ela soltou um grito animado e veio correndo em minha direção, pulando em meus braços quando me alcançou, o que me fez rir e enchê-la de beijos.
− Você veio, mamãe. Eu não acredito que você veio. Eu nunca tive uma mamãe me assistindo no balé. – Ela falou emocionada e eu sorri, sentindo meus olhos marejados de lágrimas.
− A partir de agora, eu virei sempre. Você estava linda dançando. Parecia uma princesa. Estou muito orgulhosa. – Eu declarei e ela sorriu, me abraçando pelo pescoço com força.
− Obrigada, mamãe.
− Eu também estou muito orgulhoso da sua apresentação, meu amor. Bella tem razão ao dizer que você parecia uma princesa naquele palco. Era, de longe a menina mais bonita e talentosa. Você e Candyce são as mais belas do palco. – Edward falou, piscando para a sobrinha que estava no colo do pai e ela sorriu para o tio.
Uma moça vestida com uma roupa muito parecida com a das meninas se aproximou de nós depois de uns minutos e eu julguei que aquela fosse a professora. Ela me mediu de cima a baixo, antes de pousar seus olhos em Edward, para quem abriu um imenso sorriso.
Pelo visto eu estava conhecendo mais uma Team Edward Cullen.
− Boa noite, Sr. Cullen. Sr. e Sra. McCarty. – Ela falou com suavidade e eles responderam ao cumprimento educadamente. − Meninas, eu preciso que vocês vão até o camarim para mudar de roupa. Enquanto isso, vou dar uma palavrinha com os pais de vocês. – A professora instruiu e Mia e Candyce foram correndo para o camarim, deixando-nos na companhia da mulher que não tirava os olhos do meu noivo. Eu não a conhecia, mas já não gostava nem um pouco dela. − Candyce e Mia vêm fazendo um bom trabalho nos ensaios e tenho certeza que se sairão muito bem na apresentação oficial que será daqui um mês. Todavia, eu estou um pouco preocupada com Mia. – A professora falou e Edward se empertigou ao meu lado, encarando a mulher seriamente.
− Preocupada? Por quê? Ela se envolveu em alguma encrenca?
− Não, não. Mia está bem mais tranquila ultimamente. Entretanto, de uns tempos pra cá, ela não para de dizer que logo a mãe estará morando na casa dela. Eu sei que sua esposa morreu há anos, Sr. Cullen. Como é possível que ela esteja vindo morar com vocês? – A professora perguntou confusa e Edward suspirou aliviado, enquanto Rosalie, Emmett e eu ríamos.
− A mãe sou eu. – Eu declarei e ela me encarou com desdém.
− Desculpe? – A professora falou com uma leve ironia e eu revirei os olhos, entrelaçando meus dedos ao de Edward para deixar bem claro para a senhorita colam e saia curta que meu noivo não estava disponível e nem interessado nos seus olhares. Ele era meu.
− Senhorita Scott, essa é Isabella Swan, minha noiva. Ela é a mãe a quem Mia se refere. Bella e eu nos casaremos ainda este ano e, como minha esposa, ela morará na minha casa. – Edward falou, beijando minha mão e eu sorri para a senhorita Scott, que me encarava com uma expressão azeda.
− Bem, se assim, tudo bem. E parabéns pelo casamento. – Ela falou com falsa simpatia e eu sorri triunfante.
− Obrigada, querida. – Eu falei com sarcasmo e ela respirou fundo, murmurando uma despedida e se afastando de nós rapidamente.
Quando ela já estava longe, Rosalie começou a gargalhar ao nosso lado.
− Isso foi hilário. Querida? Bella, você não existe. – Rosalie falou rindo e eu bufei, olhando para mal-humorada para Edward.
− Ela claramente me odeia por eu ser a noiva de Edward. Um pouco de sarcasmo não vai matá-la. – Eu resmunguei e Rosalie riu mais uma vez.
− Emily Scott fez de tudo para estar na lista de... Como os jovens chamam hoje? Crush. Isso. A professora de balé das meninas tentou por muito tempo ser a crush de Edward, mas foi sempre ignorada. E, de repente, ele aparece aqui com uma noiva, a qual Mia trata como mãe... É natural que a moça sinta um pouco de ciúmes. – Rosalie falou e Edward bufou, olhando-a irritado.
− Eu nunca estive minimamente interessado na senhorita Scott, loira. Pare de dizer bobagens. – Ele resmungou e a irmã e o cunhado riram. Eu por outro lado, ainda estava irritada com a cara de pau daquela professora em ficar manjando o meu noivo na minha frente.
− Mas, ela sempre esteve interessada em você, Cullen. Eu até passei seu telefone pra ela uma vez. – Emmett confessou e Edward e eu o encaramos chocados.
− Foi você? Emmett McCarty, você tem noção do quanto essa louca me perturbou? Ela ligava para mim até durante a madrugada, pelo amor de Deus. – Edward falou bravo e Emmett deu de ombros.
− Você não transava há séculos. Eu só quis dar uma mãozinha para sua vida sexual, cara. – Emmett se justificou e Edward revirou os olhos, bufando.
− Mas, agora ela sabe que você é noivo e que está fora do mercado. Portanto, ela não vai mais te ligar. Não depois que minha “querida” cunhada lançou a ela vários olhares de alerta do tipo: fique longe do meu homem. Bella sabe muito bem lutar pelo território dela, Cullen. Então, sossegue. – Rosalie falou divertida e Edward bufou, me segurando pela mão e me afastando um pouco dos meus cunhados, que ainda riam da cena entre a tal Emily e eu.
− Eu nunca tive nada com ela, amor. Eu juro. – Ele falou e eu sorri, me inclinando e beijando seus lábios.
− Tudo bem, Edward. Você é um homem bonito que ficou disponível por muito tempo. É natural que você seja o crush de muitas mulheres. – Eu declarei e ele riu. – Mas, saiba que eu sou ciumenta e não serei cordial com nenhuma delas. Você é precioso demais para que eu corra o risco de perdê-lo para quem quer que seja. – Eu declarei e ele sorriu, se aproximando e beijando minha testa.
− Ninguém vai me tirar de você. Fique tranquila. Agora que eu a encontrei, seremos um do outro para sempre. E o meu para sempre é de verdade.
− Ótimo. – Eu murmurei, abraçando-o e me sentindo muito amada e especial nos seus braços.
Quando Candyce e Mia voltaram do camarim, vestidas em suas próprias roupas, nós seguimos para uma pizzaria a fim de comemorar a apresentação linda que elas fizeram.
− Eu estou adorando ser a Clara. É muito legal, pois eu sou a que fico mais tempo no palco. Mas, a melhor parte da noite foi a ver a mamãe na plateia. – Mia declarou e eu sorri, acariciando seu rostinho, enquanto Edward e meus cunhados nos encaravam com sorrisos nos lábios.
− Já disse que estarei sempre nas suas apresentações de hoje em diante. – Eu falei e ela sorri largamente.
− Estou contando com isso. E quando Sofia melhorar, quero que ela venha também. – Ela falou, picando pra mim e eu ri, recebendo um olhar de gratidão de Edward.
Passamos um tempo agradável na pizzaria e quando chegamos em casa eu ordenei que Mia fosse direto para o banho, enquanto eu ia verificar Sofia. Ethan e Lara já tinha ido para casa. Jasper veio buscar a filha e deixou meu sobrinho na casa dos pais, o que significava que Tommy e Sofia estavam sozinhos.
Assim, não foi surpresa nenhuma encontrar os dois adormecidos na cama de Edward.
− Vamos deixá-los aí, colocar Mia na cama e nos refugiar no quarto de hóspedes. Estou morrendo de saudades de fazer amor com você. Precisamos aproveitar o fato de estarmos dormindo na mesma casa. – Edward murmurou no meu ouvido, me abraçando por trás e eu sorri.
− Sofia e Tommy dormindo juntos, na sua cama e com o nosso consentimento? Não sei não.
− Bella, Sofia está machucada. Não é como se eles fossem ter a primeira vez essa noite. – Edward falou divertido e eu ri, me virando em seus braços para poder beijá-lo.
− É. Você tem razão. Vamos dar uma escapadinha, então. Mas, depois, eu tenho que voltar para o lado de Sofia de qualquer jeito, pois ela tem medicamentos que precisam ser tomados de madrugada. E eu quero saber como foi o dia dela com Renée. A situação entre as duas me preocupa. – Eu expliquei e Edward assentiu, beijando meus lábios.
− Certo. Mas, você será minha por um bom par de horas. Então, vá colocar sua caçula na cama, enquanto eu arranjo vinho para nós. Vou te esperar no banheiro do quarto de hóspedes. Não demore. – Ele falou e eu assenti, beijando seus lábios mais uma vez e indo atrás de Mia depois de dar mais uma olhada na dupla de adolescentes que dormia serenamente.
− Era para lavar o cabelo? – Mia me perguntou quando eu apareci na porta do seu banheiro e eu sorri, indo até ela para lhe ajudar com a toalha.
− Sim. Você transpirou o dia todo. Vem aqui. Deixe que eu te ajudo a secá-lo. – Eu falei e ela sorriu satisfeita, sentando-se sobre a tampa abaixada do vazo sanitário e me deixando mexer nos seus cabelos. – Seus cabelos são tão lindos. Pelo que vi nas fotos, são iguais aos da sua mãe.
− São sim. Minha mãe era loira como eu. Tia Kate sempre diz que eu sou toda Denali. – Mia falou e eu fiz uma careta ao me lembrar da cunhada do meu noivo.
− Bem, isso não é verdade. Você tem algumas características dos Cullen também. O formato do seu rosto, a cor da sua pele, seus dedos e muito da sua personalidade também.
− Papai diz que eu sou a reencarnação da tia Rosalie toda a vez que eu me meto em encrenca. – Mia declarou e eu ri, pegando o secador e ligando-o na tomada, enquanto imaginava todos os tipos de confusões que Mia Denali Cullen já havia armado em sua vida. Só pelo seu jeitinho petulante de ser eu já sabia que haviam sido muitas.
Passei os próximos quinze minutos secando o cabelo da minha caçula e quando terminei, orientei que ela escovasse bem os dentes e fosse para cama.
Arrumei tudo e quando ela voltou ao quarto, se instalou rapidamente sobre as cobertas e me encarou com um sorriso doce nos lábios.
− Deita comigo. Quero que você faça comigo o mesmo que faz com a Sofia. – Ela falou e eu sorri, me deitando com ela e tomando-a nos braços, do mesmo jeito que eu fazia com minha filha quando ela ainda era apenas uma garotinha.
Comecei a acariciar seus cabelos de leve e a entoar uma canção de ninar, o que fez com que Mia se virasse em meus braços e me encarasse divertida.
− Mãe, essa música é para bebês. – Ela reclamou e eu ri, beijando seu rosto e a apertando mais contra mim.
− Os filhos são eternos bebês, Mia. Vocês jamais crescem para os pais em alguns aspectos.
− Você ainda acha que Sofia é um bebê? Mas, ela já tem até um namorado. – Mia falou e eu ri da sua lógica.
− Sofia vai ser pra sempre o meu bebê. E você também. Vou sempre me lembrar da garotinha loirinha que me olhava desconfiada quando eu comecei a namorar o pai dela. Eu não te conheci bebê, mas isso não significa que eu não possa te considerar um. – Eu falei e ela sorriu satisfeita, se aconchegando em meus braços, de costas para mim.
− Pode continuar cantando então. – Ela murmurou e eu ri, voltando a cantar. Pouco tempo depois ela dormiu e, depois de beijá-la e cobri-la corretamente, eu fui para o banheiro me encontrar com meu noivo lindo que já me esperava nu.
− Demorou, hein! – Ele comentou, me entregando uma taça de vinho e eu sorri, colocando a taça sobre a pia depois de beber um gole e começando a tirar a roupa.
− Eu estava colocando nossa filha para dormir. Agora, sou toda sua. – Eu murmurei e ele sorriu maliciosamente, se aproximando de mim e me tomando nos braços.
− Agora e sempre. Vou matar toda a saudade que eu estou sentindo, Bella. – Ele murmurou, beijando meus lábios com volúpia e eu gemi, me agarrando a ele.
− Me faz esquecer de tudo o que eu passei nessas últimas semanas, Edward. Faz amor comigo. – Eu murmurei e ele sorriu.
− Pode deixar, amor. Depois que eu terminar com você, não se lembrará mais nem do seu próprio nome. – Ele falou confiante e eu sorri animada.
Era disso mesmo que eu precisava.
**********
Fui para o quarto de Edward apenas na hora de dar o remédio à Sofia. Ela dormia com a cabeça sobre o peito de Antony e eu sorri para a cena.
− Sofia, amor... Acorda, meu anjo. Hora do remédio. – Eu falei e ela abriu os olhos lentamente, me encarando confusa.
− Mãe? Que horas são?
− Três da manhã. Você precisa tomar remédio.
− Eu odeio esses remédios. – Ela resmungou e eu revirei os olhos, lhe entregando os comprimidos e o copo com água.
− Os remédios são para ajudar na sua recuperação. Então, nada de reclamações. Como foi o dia hoje? – Eu perguntei baixinho e ela fez uma careta.
− Péssimo. Minha perna doeu o dia inteiro. Principalmente durante a fisioterapia. Eu até chorei. Depois dos exercícios, tomei um remédio pra dor que me deu enjoo. Vomitei tudo, inclusive o almoço horrível que sua mãe preparou. Aprendi hoje que Renée não sabe mesmo cozinhar. A comida dela é uma gosma nojenta pior que a do hospital. Peça pra Emma cozinhar amanhã, mãe, pelo amor de Deus. Nem que eu tenha que pagá-la com a minha própria mesada, que você me devolveu há pouco tempo, a propósito. – Ela falou, referindo-se à senhora que trabalhava todos os dias na casa de Edward cuidando das roupas, das compras e da limpeza e eu ri. – Renée veio com um papo de perdão e eu a cortei. Eu pedi pra ela não me bajular, mas ela me ignorou. O dia só melhorou quando Tommy, Lara e Ethan chegaram e me livraram dela. Mãe, eu falei que recusava o tubo na minha uretra, mas eu mudei de ideia. Uma sonda não me parece tão ruim. Só não me deixa com ela outra vez. – Sofia pediu e eu suspirei, me sentando com cuidado na cama para não acordar Tommy.
− Filha, eu vou falar com ela amanhã. De qualquer forma, Renée terá que voltar para Forks, pois Charlie não vai sobreviver tanto tempo sozinho. Alice não está trabalhando. Vou pedir para que ela fique com você. Ou vou trocar o meu turno para a noite. – Eu declarei e Sofia fez uma careta.
− Não, mãe. Nada de troca de turno. Você fica insuportável quando não dorme. – Sofia falou e eu mostrei a língua para ela, o que a fez rir. – Eu posso ficar só com a Emma. Se ela me ajudar a ir ao banheiro, todo o resto eu faço sozinha.
− Não podemos explorá-la assim, meu anjo. Mas, você não terá mais que ficar com Renée. Eu prometo. Agora, volte a dormir. – Eu falei e ela sorriu.
− Eu sei que você notou que Tommy está aqui, dormindo ao meu lado. Tudo bem por você? – Sofia perguntou divertida e eu sorri.
− Tudo bem. Eu sei que vocês vão só dormir. Então, aproveite.
− Vou aproveitar mesmo. – Ela falou, deitando-se com a cabeça sobre o peito de Tommy e eu sorri.
− Boa noite, me amor. – Eu falei, beijando seu rosto com carinho e ela sorriu.
− Boa noite, mãe. Eu te amo.
− Eu te amo mais. – Eu murmurei e saí do quarto, indo me deitar com Edward, que já estava completamente adormecido.
Acordei de manhã sentindo meu estômago dar voltas. Esperei alguns minutos até que o mal estar passasse e fui até o banheiro.
E claro que quando eu cheguei lá, vomitei tudo o que tinha no estômago.
− Tudo bem com você? – Edward me perguntou, abaixando-se ao meu lado para segurar meu cabelo e eu assenti.
− É só o meu organismo reclamando por conta da minha má alimentação dos últimos dias. – Eu falei, em meio a outra ânsia e Edward bufou.
− Será que vou ter que ir ao hospital todos os dias para garantir que você se alimente?
− Não será necessário. Prometo me alimentar bem no intervalo das cirurgias. Mas, esse enjoo tem a ver também com toda a tensão das últimas semanas. Meu emocional está em frangalhos... – Eu comentei, enquanto começava escovar os dentes e Edward ficou me encarando por longos segundos.
− Podia ser um bebê... – Ele murmurou e eu arregalei os olhos em sua direção.
− Bebê? – Eu perguntei após cuspir a espuma na pia e ele assentiu.
− Eu quero ter um filho com você, Bella. Eu sei que juntos já temos três, mas eu quero ter um bebê. Quero que ele tenha a nossa genética, que se pareça mais com um de nós ou que seja uma mistura perfeita dos dois. Quero criá-lo ao seu lado. Quero que esse bebê seja mais um pretexto para mantê-la para sempre ao meu lado. – Ele declarou e eu o olhei emocionada, sem saber o que dizer.
Aquele homem não podia ser real.
Terminei de escovar os dentes e me aproximei dele, envolvendo-o pelo pescoço.
− Esse enjoo não tem nada a ver com bebês. Pelo menos eu acho que não. Mas, depois do casamento, podemos começar a pensar em produzir um. Primeiro, eu quero que Mia me tenha só para ela. Nossa pequena quer tanto uma mãe. Não seria justo que agora que ela tem uma seja obrigada a dividi-la com um bebê. – Eu falei e Edward riu, beijando minha bochecha.
− Você está certa. Mas, saiba que vamos voltar a conversar sobre bebês. Eu quero muito ter um filho com você.
− E nós teremos, Edward. Nós teremos. – Eu garanti e ele sorriu feliz.
Quando descemos para o café, Renée já estava na cozinha e Edward me ajudou a conversar com ela sobre o fato de Sofia não a querer por perto. Minha mãe pareceu triste com o fato de a neta a estar rejeitando, mas foi compreensiva e entendeu que o melhor nesse momento era dar um tempo a minha filha. Assim, ela voltou para a casa do meu irmão após se despedir de Sofia e dois dias depois voltou para Forks, o que me deixou, de certa forma, aliviada. Ter Renée por perto me deixava mais tensa do que eu gostava de admitir.
Emma se ofereceu para ficar com Sofia até que ela estivesse completamente recuperada e eu prometi lhe pagar pelo serviço extra, mesmo ela dizendo que aquilo não seria necessário.
Assim, os dias foram passando rapidamente e quando menos esperávamos, setembro chegou. Sofia finalmente recebera alta completa e pudera voltar para a escola. Hoje era o seu primeiro dia de aula após o atentado e eu estava apreensiva de que ela não desse conta de toda a emoção que seria estar de volta ao local onde ela quase morrera. Sofia me garantira que estava pronta, mas eu só ficaria tranquila quando esse dia chegasse ao fim.
Mas, além da recuperação total da Sofia, esse mês sempre fora importante pra mim por dois motivos. Agora três. Mia, Sofia e eu ficaríamos mais velhas e embora eu não fosse muito fã de festas, esse ano eu gostaria de celebrar a vida.
Minha filha estava viva e isso merecia comemoração. Além disso, Sofia faria dezesseis anos e essa idade era um marco importante na vida de uma garota. Merecia todas as comemorações possíveis.
Mia completaria seus tão esperados nove anos e eu queria oferecer-lhe uma festa, pois sabia que ela iria adorar. Ainda mais pelo fato de ter uma mamãe para comemorar com ela.
E eu... Bem, eu faria trinta e três anos. Isso não era algo tão bom assim. Significava que eu estava ficando velha. Mas, poxa, eu tinha muitas coisas para comemorar esse ano. A vida da minha filha, meu entendimento com Renée, meu noivo maravilhoso por quem eu estava cada dia mais apaixonada, a família linda que ele me dera, minha promoção no hospital... Além disso, idade era só um número e eu era muito gata e gostosa para alguém com mais de trinta anos.
Eu estava saindo de uma cirurgia quando meu telefone começou a tocar e eu atendi rapidamente quando vi o rosto da minha princesa aparecendo na tela. Pelo horário eu sabia que as aulas ainda não tinham acabado. E isso só podia significar uma coisa.
− Filha? Está tudo bem, amor? – Eu perguntei aflita e a escutei fungando.
− Mãe... Eu não consigo. Vem me buscar, por favor.— Ela pediu com a voz sofrida e eu senti meu coração se apertar.
− Já estou indo, meu amor. Já estou indo. – Eu falei e corri para o estacionamento após mudar de roupa. Eu sabia que o trauma do dia do tiroteio seria difícil de ser superado. Minha filha quase morrera e perdera muitos amigos naquele dia. Eu só esperava que isso não atrapalhasse a recuperação emocional total de Sofia. Eu precisava da minha filha bem. Totalmente bem e recuperada.
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