Notas iniciais
Hoje de manhã, a fic recebeu quatro recomendações aqui no Nyah, somando um total de cinco e eu estou muito feliz por minha história ser aceita e recebida com tanto carinho por vocês. Buverlita, CM, Tamara Almeida, Regiane Helena e Patricia-Chan saibam que eu adorei cada palavra das recomendações deixadas em Laços de Amor. Esse capítulo é dedicado à vocês.

Capítulo 33

Pov. Sofia

I have died every day waiting for you… Eu ouvia uma voz suave cantando bem próxima a mim, mas não conseguia identificar quem poderia ser.

Darling don't be afraid... A voz era tão linda. Parecia de um anjo de tão suave e harmoniosa.

I have loved you for a thousand years… Eu adorava essa música. Era o toque do Tommy no meu celular.

I'll love you for a thousand more…Tommy. Será que era ele quem cantava pra mim?

Abri os olhos lentamente e sorri ao constatar que sim, era Tommy quem cantava para mim. Ele corou quando percebeu que eu estava acordada, o que me fez sorrir ainda mais.

− Você canta. – Eu murmurei e ele revirou os olhos, se inclinando para beijar meu rosto.

− Todo mundo canta, Sofia. No carro, no chuveiro, na cozinha... Não é como se eu fosse virar um astro da música no futuro, mas eu gosto de cantar. – Ele declarou e foi minha vez de revirar os olhos.

− Sua voz é bonita. Eu gostei muito de ouvi-lo cantando pra mim. Obrigada. Eu adoro essa música. – Eu falei e ele sorriu, beijando meu rosto mais uma vez. Quando ele voltou a sentar-se na cadeira ao lado da minha cama eu notei que ele chorava. – Está chorando? Por quê? – Eu perguntei preocupada e ele enterrou o rosto na cama, soluçando, enquanto segurava o meu braço livre do soro. – Tommy? – Eu chamei e ele me encarou depois de alguns minutos.

− Eu quase perdi você, Sofia. Você quase morreu e eu ainda não consigo acreditar que está bem e viva, conversando comigo sobre minha voz e sobre sua música preferida. – Ele murmurou, fungando e enxugando o rosto com a costa da mãe e eu sorri, sentindo meus próprios olhos marejados.

− Ei... Esquece isso. Eu estou bem. Tem um buraco na minha perna e meu corpo todo dói, mas, tirando isso, eu estou bem. E viva. Não precisa chorar. Sou mais dura de combater do que você pensa. – Eu gracejei, e ele sorriu tristemente, segurando minha mão e beijando-a.

− Quando eu escutei o barulho dos tiros e me dei conta do que estava acontecendo, meu primeiro pensamento foi você. Naquele momento, eu queria estar ao seu lado para tranquilizá-la e mantê-la segura. Nós já estávamos deitados no chão há algum tempo quando Ethan começou a receber fotos de alunos do segundo ano feridos e mortos e eu entrei em pânico pensando que a próxima foto poderia ser você, afinal, o atirador estava no prédio onde Lara e você estavam. Depois de uns quarenta minutos, a polícia conseguiu escoltar as turmas do meu prédio até o estacionamento, mas você não estava lá. Roy começou a pedir ajuda por mensagens, dizendo que o atirador estava atirando em todo mundo do segundo ano e eu me desesperei. Ethan me garantiu que Roy não estava com você, mas eu só ficaria tranquilo quando te visse segura e longe daquele prédio. E aí, Lara apareceu no estacionamento. Mas, você não estava com ela. Ela disse que o atirador invadiu a sala de vocês e mandou todos correrem enquanto ele atirava. Lara falou que você devia estar logo atrás dela, mas você não estava. Então, eu soube naquele momento que tinha que voltar lá para buscá-la. Eu sentia que você estava precisando de mim. E eu não estava errado. – Tommy falou e eu senti lágrimas escorrendo pelo meu rosto ao imaginar tudo o que ele tinha passado naquele dia.

− Você foi um herói, Tommy. Se você não tivesse me encontrado naquele laboratório eu provavelmente teria morrido. – Eu murmurei, estremecendo diante daquela ideia e ele balançou a cabeça, enxugando minhas lágrimas.

− Não pense nisso. Você está bem, agora. Além disso, se não fossem os seus conhecimentos sobre primeiro socorros, eu não teria ajudado em nada lá. Eu não fazia a menor ideia de como proceder diante de um ferimento como aquele. Já você... – Ele falou e eu ri, dando de ombros.

− Eu vivo com uma médica, Tommy. Desde criança eu ajudo minha mãe a estudar para provas e exames médicos. Além disso, eu sempre adorei os livros de medicina dela. Passava horas folheando-os. Alguma coisa eu tinha que aprender, não é?

− Você é fantástica, Sofia Swan. – Ele declarou orgulhoso e eu sorri, piscando pra ele.

− Eu sei. – Eu falei e ele revirou os olhos, beijando minha testa. – Tommy, quantas pessoas morreram? – Eu perguntei séria e ele engoliu em seco, desviando o olhar.

− Sofia, eu...

− Morreu alguém que a gente conhecia? – Eu perguntei e ele expirou, me olhando nos olhos.

− Vinte e dois mortos. E sim, conhecíamos alguns deles. – Ele falou e eu engoli a vontade de chorar, pois se uma lágrima escapasse dos meus olhos, Tommy não me diria o que eu queria saber.

− Quem? – Eu sussurrei e ele negou com um gesto de cabeça, ajeitando meu travesseiro e evitando me encarar.

− Não. Não vamos falar sobre isso agora. Você acabou de voltar do coma. Não pode ter emoções fortes. – Ele falou decidido e eu bufei, revirando os olhos.

− Eu não vou voltar para o coma só porque você vai me contar quem morreu no atentado horrível que sofremos. Eu quero saber. – Eu falei teimosa e ele balançou a cabeça. – Por favor!

− Não, Sofia. Falamos disso outro dia.

− Tommy, por favor. Eu preciso saber. Eu estava lá, eu fui atingida e quase morri também. O mínimo que eu mereço é saber quem dos nossos amigos não teve a sorte de sair da escola vivo naquele dia. – Eu falei e ele suspirou, me olhando exasperado.

− Roy Forbes, Amanda Trump, Jessica Adams, Kayla Parker, Richard Moore e... Mary Jane Volturi. – Ele falou o último nome e eu arregalei os olhos, cobrindo minha boca com a mão que estava livre do soro.

− Mary Jane morreu? – Eu sussurrei incrédula e ele assentiu, me olhando perturbado.

− Ela morreu com um tiro na cabeça. Na verdade, quase todos os alunos mortos foram atingidos na cabeça. – Tommy contou e eu assenti, limpando uma lágrima solitária que escorreu pelo meu rosto.

− Acho que aquele garoto não atirou em mim para matar. Ele estava muito perto quando disparou e poderia ter me acertado na cabeça com facilidade. Mas, ele mirou na perna. Quando eu caí, achei que ele fosse atirar em mim outra vez. Mas, o garoto apenas me olhou por alguns segundos e se foi. Eu estava com tanto medo que ele voltasse e com tanta dor que a única solução que encontrei foi me arrastar até o laboratório e torcer para não morrer ali sozinha. Mas, pela quantidade de sangue que saia por aquele ferimento, eu sabia que era só questão de minutos até meu coração parar. Mas, aí você apareceu e me salvou. – Eu falei e ele sorriu tristemente, beijando minha mão que estava agarrada à sua. − Só que os outros 22 alunos não tiveram a chance de ser salvos, Tommy. Eles morreram. Mary Jane morreu... – Eu falei chorando e ele me encarou triste, acariciando meus cabelos, enquanto mais lágrimas desciam por seu rosto. – Admito que eu não gostava muito dela. Afinal, ela queria você. Mary Jane me provocava e evocava o pior em mim. Mas, nunca, nunca mesmo, desejei que ela morresse. Ela e Amanda ofenderam minha mãe naquele maldito dia do nariz quebrado, mas eu nunca desejei mal a elas.

− Eu sei, princesa. Eu sei...

− Roy foi meu parceiro de laboratório no semestre passado, Tommy. Ele era tão divertido e atrapalhado! Eu adorava fazer os experimentos com ele, pois, mesmo tendo que fazer quase tudo sozinha para que ele não colocasse fogo em nada, eu sempre passava a aula toda rindo. Richard ajudava no nosso preparo físico em todos os treinos. O sonho dele era ser técnico da seleção americana de vôlei e eu tenho certeza de que ele seria, pois ele era muito bom. Além do aquecimento, as meninas do time e eu aprendemos muitos passes com ele. Jessica e Kayla eram do meu time. Dividimos o dormitório no acampamento do verão passado. Diferente das outras meninas, elas não ignoravam Lara e eu e, por isso, nos tornamos amigas. Antes de você, eu almoçava com elas quase todos os dias. Kayla já chegou até mesmo a dormir na minha casa por causa um projeto de biologia que fizemos juntas. E agora, todos eles estão mortos. Roy, Richard, Kayla, Jéssica, Amanda, Mary Jane e mais dezesseis alunos. Mortos. Isso é tão horrível! – Eu falei soluçando e Tommy me abraçou, chorando comigo.

− Era por isso que eu não queria falar sobre o atentado agora. Você ainda está muito fragilizada e não pode ficar nervosa. Sua mãe vai me matar. – Tommy falou e eu funguei, tentando parar de chorar para que minha mãe não brigasse com ele. Porque é óbvio que ela faria isso. Aparentemente, eu era de vidro agora.

− Já parei. – Eu falei, limpando o rosto e ele suspirou, beijando minha testa e depois enxugando as próprias lágrimas.

− Sofia, eu sei que o que aconteceu foi horrível. Eu estava lá também e embora não tenha levado um tiro, tudo o que eu vi, ouvi e vivi lá jamais vai sair da minha mente. Roy e Richard também eram meus amigos. Jogávamos juntos há anos. E eu assisti seus treinos e jogos por tanto tempo que me sinto como se conhecesse todas as meninas do time há anos. E eu lamento muito que eles estejam todos mortos. Mas, naquele dia, eu quase perdi você. Foi desesperador saber que minha namorada estava morrendo e que eu não podia fazer nada para ajudar ao não ser rezar para que ela ficasse bem. Portanto, não vamos mais falar desse assunto. Pelo menos por um tempo. Vamos nos concentrar na sua recuperação, pois eu não aguento mais te ver nessa cama de hospital. – Ele falou e eu sorri, tocando seu rosto de leve.

− Tudo bem. Mas, eu precisava saber. Obrigada por me contar. – Eu murmurei e ele sorriu, beijando minha testa.

− Disponha. – Ele falou, piscando pra mim e eu sorri.

− Você sabe da minha mãe?

− Ela foi cuidar dos documentos da sua internação. Desde que você chegou aqui há três dias ninguém se preocupou em preencher os tais papéis. Mas, agora que você acordou, a Dra. Cooper exigiu que isso fosse feito. – Ele falou e eu assenti, pensando em todo sofrimento pelo qual minha mãe passara naqueles dias. Pelo que eu tinha entendido durante os curtos períodos de lucidez desde que saíra do coma, eu tinha tido três paradas cardíacas e minha atividade cerebral poderia ter sido seriamente comprometida por conta da falta de oxigênio. Mas, depois de uma infinidade de testes e exames, os médicos concluíram que eu estava bem. Eu era uma sobrevivente, desde antes do meu nascimento.

− Eu dei um susto em todo mundo né? – Eu perguntei tristemente e Tommy fez uma careta.

− Melhor nem pensar nisso. – Ele resmungou e eu sorri. Mas, ao olhar para a porta do quarto, meu sorriso morreu nos lábios.

Renée me observava em silêncio e ao vê-la ali, eu fechei a cara, desviando o olhar.

− Eu vou atrás do meu pai. – Tommy murmurou, quando notou a presença de Renée, mas eu segurei sua mãe, impedindo-o de sair.

− Eu não quero ficar sozinha com ela. – Eu falei decidida e Tommy me olhou aflito, sem saber se ia ou se ficava.

− Sofia, eu queria falar com você. A sós. Por favor. – Renée pediu e eu neguei com um gesto de cabeça. Eu não tinha nada para conversar com ela. Aliás, eu nem sabia por que ela estava ali. Lara não levou um tiro. Minha prima estava bem e, portanto, Renée não tinha razão para estar em Los Angeles. – Por favor, Sofia. – Ela pediu outra vez e eu bufei, mas acebei concordando.

Tommy deu um beijo no topo da minha cabeça e saiu do quarto, me deixando sozinha com Renée e eu fiquei olhando para a parede, esperando que ela dissesse de uma vez o que queria ali e fosse embora.

− Eu conversei com a sua mãe ontem. – Ela falou e eu lhe lancei um olhar irônico.

− Sobre o que? Sobre o quanto ela te envergonhou por ser uma vadia? – Eu falei amarga e ela me olhou chocada. – O que? Não é o que você sempre fala pra ela?

− Sofia... Eu sei que eu te magoei muito durante todos esses anos. Tenho ciência de que eu fui uma avó horrível para você. Foi preciso que uma coisa horrível como esse atentado acontecesse para que eu me desse conta de que eu precisava me redimir com vocês, pois eu as amo e as quero na minha vida.

− Agora? Depois de mais de quinze anos? – Eu perguntei seca e ela suspirou, se aproximando e segurando minha mão. Minha cabeça estava doendo e eu sabia que o certo era eu pedir para ela sair, pois eu precisava descansar. Mas, eu precisava ouvir o que ela tinha a me dizer. Renée Swan realmente me devia uma explicação por todos esses anos de desprezo.

− Sofia, quando sua mãe engravidou de você aos quinze anos de idade eu senti muita raiva dela. Eu tinha em mente um futuro brilhante para minha filha e ela estragou tudo ao se envolver com o seu... Bem, com Jacob Black. Depois que você nasceu eu simplesmente não conseguia pensar em você como um acontecimento bom na vida da sua mãe. Você sempre seria o motivo para ela nunca sair de Forks e não ter um futuro brilhante. Acontece que foi exatamente o contrário. Por você, Sofia, sua mãe alcançou o impossível e hoje eu me orgulho muito dela. Eu sei que nada pode apagar as coisas horríveis que eu disse a ela e a você. Nada pode te fazer esquecer todas as vezes que eu a destratei, mas eu quero que você me dê uma chance para provar que eu posso ser uma boa avó pra você. Eu quero ter uma relação com você como tenho com Lara. – Ela falou e eu funguei, limpando as lágrimas que teimavam em escorrer pelo meu rosto.

− Isso nunca vai acontecer, Renée... – Eu sussurrei e ela escondeu o rosto entre as mãos, chorando alto.

− Sofia, eu...

− Renée, Sofia precisa descansar. Saia agora, por favor. – Minha mãe falou, entrando no quarto de repente e eu respirei aliviada.

Toda aquela conversa não estava me fazendo bem.

− Claro. Ela acabou de acordar de um coma e ainda está ferida e frágil. Eu volto para visitá-la amanhã. Tchau, Sofia. – Ela falou, se inclinando para beijar minha testa, mas quando eu me encolhi diante do seu gesto, ela desistiu, levantando-se e afastando-se em direção a porta.

− Não precisa voltar. – Eu resmunguei e minha mãe me lançou um olhar de censura.

Mas, o que ela queria, afinal? Não era só porque eu tinha tido uma experiência de quase morte que eu devia sair por aí perdoando todo mundo que já me fez mal. Jacob e Renée estavam na minha lista negra e seria quase impossível tirá-los de lá.

− Te esperamos amanhã, Renée. – Minha mãe falou e eu bufei, mas não disse mais nada, enquanto observava com desgosto Renée abraçar minha mãe e beijar seu rosto.

Depois que Renée saiu, minha mãe se aproximou de mim e beijou o topo da minha cabeça.

− Eu nunca vou me perdoar por ter perdido o seu primeiro momento de lucidez total após o coma. Era eu quem deveria estar aqui. – Ela falou e eu sorri, tocando seu rosto.

− Tá tudo bem, mãe. Tommy estava aqui. – Eu falei e ela sorriu, se aproximando de mim e enterrando o rosto em meu pescoço.

− Nunca mais me assuste desse jeito, amor. Eu não sobreviveria uma segunda vez. – Ela falou emocionada e eu a abracei com minha mãe que estava livre do soro.

− Esquece isso, mãe. Eu estou bem e não pretendo ir a lugar nenhum longe de você. – Eu falei e ela levantou o rosto para me encarar.

− Eu morri mil vezes desde que você chegou aqui naquela ambulância. Foram os piores momentos de toda minha existência. Eu achei que estava perdendo você e eu não posso perdê-la. Você é o meu coração que bate fora do meu peito, amor. Eu só sei viver se for com você. Eu só sobrevivo se tiver a certeza de que você está bem, feliz e saudável. – Ela falou emocionada, com lágrimas escorrendo por seu rosto e eu me apressei em enxugá-las.

− Eu estou bem. Não sofra. Você sabe que eu não gosto de vê-la chorando. – Eu sussurrei e ela sorriu, beijando minha testa.

− Você está quente, senhorita, o que indica febre. Alguém devia estar dormindo agora e não fofocando com o namorado. – Ela falou, pegando um termômetro do jaleco para medir minha temperatura e eu bufei.

− Sua mãe também esteve aqui enchendo minha cabeça de bobagens. – Eu resmunguei e minha mãe revirou os olhos.

− Sofia, ela está tentando, ok? Porque não dar uma chance a ela? – Minha mãe falou e eu a encarei incrédula.

− Isso é sério? Depois de tudo o que ela nos disse e fez? Não, obrigada. Eu tenho uma avó e ela se chama Esme Cullen. Não quero saber de Renée. Assunto encerrado. – Eu falei decidida e minha mãe bufou.

− Nós vamos voltar a conversar sobre isso, mocinha. Mas, agora trate de dormir. As visitas estão proibidas pelo resto do dia. Vou pedir para Suzana vir avaliar o seu ferimento. Essa febre está me preocupando.

− Minha perna está doendo. – Eu reclamei e ela suspirou, chamando a Dra. Cooper pelo pager.

− Dorme. Quando acordar já estará melhor. – Ela falou, beijando meu rosto e eu assenti, fechando os olhos e me entregando ao cansaço. Só esperava não entrar em coma dessa vez.

**********

Alguns dias depois...

− Essa cicatriz vai ficar aí para sempre? – Eu perguntei com desgosto, olhando para minha coxa enquanto minha mãe trocava os curativos e ela me encarou divertida.

− É uma cicatriz, Sofia. Então, sim, ela vai ficar aqui para sempre. – Ela falou e eu bufei.

− Vou fazer uma plástica. – Eu resmunguei e ela me lançou um olhar irritado.

− Nada de sala de cirurgia pra você tão cedo, mocinha. – Ela declarou e eu revirei os olhos, recolocando meu fone de ouvido.

− Vou ficar aqui quanto tempo mais? Já faz dez dias que estou presa nesse quarto. A infecção já foi embora e eu já estou bem. Se eu não sair desse hospital logo vou acabar no andar psiquiátrico. – Eu resmunguei e minha mãe revirou os olhos, rindo em seguida.

− Você reclama demais, Sofia.

− Mas, eu reclamo sorrindo. – Eu falei, sorrindo pra ela, que riu, e beijou minha testa.

− Você vai sair logo. Eu prometo. Agora, tira esse fone e come essa comida. Tommy me disse que você pulou o almoço ontem.

− Tommy é um fofoqueiro. Além disso, aquela comida estava com um cheiro horrível. – Eu falei e minha mãe bufou.

− Come, Sofia. Prende a respiração e come. Eu vou até o posto de enfermagem e já volto. Quero esse prato limpo. – Ela falou e eu revirei os olhos, mas comecei a comer.

Lara apareceu quando eu já estava terminando.

− E aí, Swan? Como vai? Te trouxe chocolates. – Ela falou e eu sorri, bebendo minha água e quase avançando sobre ela para alcançar o doce. – Você pode comer chocolate?

− Claro. Eu levei um tiro na perna, não no estômago. Além disso, chocolate é vida. Vai até ajudar na minha recuperação. – Eu declarei e Lara riu, sentando-se ao meu lado e recostando a cabeça em meu ombro, enquanto eu partia a barra de chocolate o ameio para dividir com ela.

− Por falar em tiro, hoje fizeram uma homenagem para os alunos mortos pelo atirador na escola. Eu fiquei com muita pena da mãe da Mary Jane. Ele não se parecia em nada com a poderosa Sra. Volturi que nos atacou na sala da diretora no dia do nariz quebrado.

− A filha dela morreu, Lara. Morreu de um jeito horrível. Ela deve estar sofrendo muito. – Eu murmurei e Lara expirou.

− Eu pensei que você fosse morrer. Senti muito medo de nunca mais te ver. – Ela murmurou tristemente e eu a abracei de lado.

− Eu estou bem, Lara. Foi horrível e eu também achei que fosse morrer, mas acabou. Meu ferimento já está quase totalmente cicatrizado e eu já quase recuperei todo o movimento da minha perna. Logo vou sair do hospital e tudo vai voltar ao normal. Vamos nos lembrar desse dia apenas como eu triste pesadelo. – Eu falei e Lara sorriu levemente.

− É difícil andar pelos corredores da escola sem lembrar-se dos corpos ensanguentados caídos por lá. Vamos levar muito tempo até conseguirmos esquecer aquele dia. Além disso, Roy, Kayla e Jessica fazem muita falta. Sem contar Richard... O treinador Johnson não conseguiu nem iniciar nosso treino. Melanie jura que o viu chorando. E tem os outros alunos mortos também. Vinte e dois... Aquele lugar está sombrio. Ainda bem que Ethan e eu... – Ela falou e eu a encarei surpresa, me esquecendo, de repente, de toda a tristeza daquela conversa.

− Ethan e você? Ai meu Deus! Vocês ficaram. – Eu falei empolgada e ela enrubesceu, colocando o rosto entre as mãos, o que me fez rir. – Lara, isso é maravilhoso!

− Arg... Sofia. Esquece isso.

− Não vou esquecer. Você e eu somos primas e namoramos primos. Agora, você é uma Cullen também. Se bem que Ethan é um McCarty. Mas, não importa! Você e Ethan são... Meu Deus, é maravilhoso! – Eu falei empolgada e ela revirou os olhos.

− Eu e Ethan não estamos namorando. Nós estamos próximos. Só isso.

− E vocês não beijaram? – Eu perguntei e ela corou, me fazendo rir. – Então, vocês estão mais do que próximos. Vocês estão ficando. Isso é tão legal!

− O que é legal? – Tommy perguntou, entrando no quarto com uma rosa nas mãos e eu sorri ao vê-lo.

− Ethan e Lara estão...

− Calada, Sofia. Seu namorado já me perturbou o suficiente com essa história. – Lara reclamou e Tommy riu, me entregando a rosa depois de beijar meus lábios.

− Obrigada pela rosa, amor. Mas, eu prefiro comida. – Eu declarei e Tommy revirou os olhos, enquanto Lara ria.

− Sofia, seu romantismo me impressiona. – Ela falou e eu dei de ombros.

− Só estou sendo sincera. Tommy não liga. Aliás, amor, me conte sobre nossos primos. Eles estão se pegando, então? – Eu perguntei e Tommy gargalhou, fazendo Lara lhe dar um tapa.

− Chega. Não quero ouvir vocês. – Ela falou, saindo do quarto e eu ri, me aconchegando no peito de Tommy, que acabara de sentar ao meu lado.

− Ethan está nas nuvens. Só fala dela. – Tommy me contou e eu ri.

− Podemos sair de casal agora.

− Podemos, claro. Quando você sair daqui.

− Não vejo a hora de sair. Se bem que a perspectiva de voltar para a escola não me atrai nem um pouco. Acho que nunca mais vou conseguir entrar no laboratório de biologia sem me lembrar de que eu quase morri lá. – Eu falei e Tommy suspirou.

− Eu tive aula lá hoje. – Ele murmurou e eu o olhei surpresa.

− E como foi?

− Não foi. Pedi para sair nos primeiros cinco minutos. – Ele confessou e eu expirei, deitando no seu ombro outra vez.

− O que acha de mudarmos de escola? Ainda estamos no inicio do semestre. Seria bom não ter que andar por aqueles corredores e nos lembrar dos nossos amigos mortos. – Eu ponderei e ele assentiu.

− Falei com meu pai sobre isso. Ele e Bella vão decidir. Mas, Lara e Ethan estão de acordo.

− Vou sentir falta do time e de alguns professores. Menos do de matemática. – Eu brinquei e ele riu. – Mas, vai ser melhor ficar longe de todas as lembranças ruins que aquela escola nos traz. – Eu falei e ele assentiu, beijando minha testa.

− Desde eu esteja com você, eu vou para qualquer lugar. – Ele declarou e eu sorri apaixonada.

Eu tinha o melhor namorado.

**********

Movi meu cavalo em direção à rainha e sorri para Mia, que analisava as peças do tabuleiro enquanto pensava em sua próxima jogada.

− Cheque! – Eu falei e ela bufou.

− Eu sou muito boa no xadrez, mas nunca consigo ganhar de você. – Ela resmungou e eu ri, observando ela mover a torre para frente do seu rei.

− Eu aprendi a jogar xadrez com a minha mãe, Mia. Ninguém é melhor nesse jogo do que ela.

− Vou pedir que ela me ensine, então. Só assim pra eu te vencer.

− E ela vai ensinar. Cheque mate! – Eu falei triunfante e Mia bufou, derrubando as peças sobre o tabuleiro e me fazendo rir.

− Desisto. Você é boa demais. – Ela resmungou e eu ri, afastando minha mesinha de refeição onde o tabuleiro estava e abraçando minha irmãzinha.

− Eu adoro quando você vem me visitar. – Eu murmurei e ela sorriu.

− Eu também gosto de vir te ver, mesmo papai dizendo que hospital não é lugar para criança. Mas, desde que você quase foi embora com o papai do céu, a mamãe tem me deixado entrar sempre que eu quero. Sabe, eu vou ser médica como ela. – Mia declarou e eu sorri.

− Sério? Ela vai adorar saber disso. Seus avós também.

− Sofia, a mamãe sofreu muito quando você ficou doente. Aí, eu fiz uma promessa. Não comeria chocolate se você ficasse bem de novo. Você sarou, o que significa que o papai do céu me ouviu. Eu já estou há doze dias sem chocolate. Será que se eu comer, ele vai se zangar e te fazer ficar doente de novo? – Mia me perguntou preocupada e eu ri, a abraçando e beijando o topo da sua cabeça.

− Tenho certeza de que o papai do céu vai entender. Afinal, é chocolate, né? Mas, da próxima vez que for fazer uma promessa, pense em desistir de algo menos incrível. Desista de brócolis, por exemplo. – Eu falei e ela riu.

− Vou me lembrar disso. Mas, por favor, não fique doente outra vez. Foi muito ruim ver todos chorando por você.

− Vou fazer o possível para ficar bem sempre. – Eu declarei e ela sorriu, deitando-se na cama ao meu lado.

− Você sabia que vai ficar lá em casa uns dias? – Ela perguntou empolgada e eu ri.

− É. Fiquei sabendo. O que você acha?

− Acho um máximo. Não vejo a hora de todos irmos morar juntos como uma família. – Ela declarou e eu sorri, pensando no quanto isso seria legal.

Sempre fomos apenas minha mãe e eu. Seria muito bom ter uma família grande, ainda mais porque essa família seria composta por Edward, Antony e Mia.

− Pronta para ir para casa, Sofia Swan? – Dra. Cooper me perguntou, entrando no meu quarto de repente, acompanhada por minha mãe e por Edward e eu sorri largamente.

− Mais do que pronta. – Eu declarei empolgada e ela sorriu.

­− Ótimo. Você não é mais paciente da cirurgia, mas ainda terá que nos visitar frequentemente para que possamos verificar seu ferimento e para as sessões de fisioterapia. Nada de vôlei por enquanto. E, como seus músculos da coxa foram muito danificados por conta do tiro, você vai usar essa muleta por enquanto. – Ela falou e eu arregalei os olhos ao ver a muleta que a minha mãe segurava.

− Muleta? – Eu perguntei em um fio de voz e minha mãe assentiu.

− Vai ser só por um tempo, amor. Fique tranquila. – Ela me assegurou e eu engoli em seco.

Se isso era o que eu precisava para ter alta, ok. Eu encararia a muleta. Faria qualquer coisa para ir para casa.

Depois que a Dra. Cooper saiu, prometendo voltar com a minha alta assinada, minha mãe e Edward se aproximaram da cama. Pelos olhares deles eu sabia que eu não ia gostar do que ouviria a seguir.

− Sofia, sua mãe e eu temos que trabalhar. Você sabe. – Edward falou e eu assenti. Claro. Trabalhar. Eu entendia. Mas, onde eles queriam chegar com isso? – Acontece que, por enquanto, você não vai poder ficar sozinha, pois vai precisar de ajuda para ir ao banheiro, conseguir comida e ir de um lugar a outro. Sua mãe e eu pensamos em contratar uma enfermeira, mas... – Edward falou e eu assenti, alternando um olhar desconfiado entre ele e minha mãe.

− Mas? – Eu perguntei e ele trocou um olhar sério com a minha mãe.

− Bem, Renée se ofereceu para cuidar de você até que se recupere totalmente. – Minha mãe falou e eu arregalei os olhos.

− O que? – Eles não podiam estar falando sério.

Mas, eles estavam.

Renée? Cuidando de mim?

Acho que a vontade de voltar para casa acabara de ir embora.

Notas finais
Presentinho! Um bálsamo depois dos últimos capítulos. Boa leitura!