Capítulo 26

Pov. Edward

Deixei Mia na escola após recomendações estritas para que ela não repetisse a história de namorados nus a ninguém. Não queria ser convocado pela direção porque minha filha de oito anos, quase nove, estava fazendo comentários impróprios para menores de dezoito anos.

Assim que ela desceu do carro, me virei para Antony, que estava sentado no banco da frente parecendo muito concentrado no celular em suas mãos, enquanto mantinha seus fones de ouvidos conectados, provavelmente no volume máximo.

Puxei o objeto das suas orelhas e ele me encarou confuso, como se só agora percebesse minha presença ao seu lado.

− Nós só dormimos, pai. – Ele resmungou mal-humorado, referindo-se ao fato de ele ter dormido ao lado da namorada no sofá da casa de Bella e eu suspirei, mantendo meu olhar sério sobre ele.

− Já é a segunda vez que Bella pega vocês juntos pela manhã. Eu estou tentando construir uma família com ela, mas fica difícil quando nossos filhos não colaboram e fogem para a cama um do outro durante a madrugada. – Eu falei e ele revirou os olhos.

− Pai, Sofia e eu apenas conversamos. Nada aconteceu. Aprendi com você a respeitar as garotas com quem me relaciono. Não vou atacá-la. Além do mais, estávamos no sofá da casa dela. Não é como se pudéssemos namorar pelados em um lugar como esse. – Tommy falou tentando ser engraçadinho ao fazer referência à fala de Mia e eu fiz uma careta.

− Mas, vocês já namoram pelados? – Eu perguntei, tentando conter minha vergonha em falar sobre sexo com o meu filho de dezesseis anos, e ele corou, baixando o olhar.

− Não...

− Mas, você quer?

− Claro que eu quero, pai. – Antony falou corando ainda mais e eu respirei fundo. − Quer dizer, Sofia e eu namoramos há pouco mais de um mês e eu sei que é cedo para que a gente inicie uma vida sexual, mas eu quero que aconteça um dia. Mas, por enquanto, você e Bella podem ficar tranquilos. Sofia e eu não estamos pensando em transformá-los em avós.

− Eu sinceramente espero que não mesmo. Já temos problemas suficientes a resolver para ter que lidar com uma gravidez precoce. Imagina o que a bruxa da minha sogra falaria se você engravidasse a neta dela? – Eu perguntei apavorado e ele riu, me olhando divertido.

− Papai, não é educado chamar sua sogra de bruxa, mesmo ela sendo uma. Imagina se Bella escuta uma coisa dessas sobre a mãe dela? – Tommy me perguntou e eu fiz uma careta.

− Bella concordaria comigo. Pode ter certeza. Mas, voltando ao assunto da sua saga noturna junto a Sofia, eu não quero que se repita, Tommy. Bella foi muito gentil em receber você e Mia na casa dela enquanto eu estava viajando e não podemos retribuí-la com você se enfiando na cama de Sofia toda vez que tiver uma oportunidade.

− Em minha defesa, foi ela que veio até mim nas duas ocasiões. Mas, eu repito: nós apenas conversamos. Sofia queria desabafar e trocar ideias. Raramente conseguimos um tempo a sós durante o dia. Portanto, não armem uma tempestade em cima disso, por favor. Nossos hormônios estão sob controle, por enquanto.

− Certo. Mas, me prometa que quando você e Sofia forem... Bem, forem iniciar uma vida... Enfim, quando vocês forem namorar pelados, farão isso com responsabilidade. – Eu perguntei, totalmente sem graça por estar falando da vida sexual do meu filho com uma garota que eu passara a ver como filha também, e ele corou, baixando o olhar mais uma vez.

− Prometo. – Ele murmurou envergonhado e eu suspirei.

− Eu tenho... Bem, eu tenho preservativos lá em casa. Você sabe que Bella e eu... Nós... Enfim... Se precisar, eu te dou algumas das minhas camisinhas. Só não produza um bebê nessa idade, Tommy. – Eu falei e ele corou ainda mais, enquanto ainda mantinha os olhos baixos.

− Tá pai. Obrigado... Eu acho. Posso ir agora? – Ele perguntou e eu assenti, observando meu filho sair apressadamente do carro e correr pelo estacionamento sem olhar para trás.

Quando foi que eu me tornara tão velho?

Parece que foi ontem que eu trocava as fraudas de Tommy e agora eu estava orientando-o sobre camisinhas a gravidez precoce. Balancei a cabeça e manobrei o carro para fora do estacionamento da escola, seguindo para o meu escritório.

Pedi que minha secretária ligasse para Emmett para que eu pudesse saber sobre a audiência que estava prestes a começar em New York.

Está tudo sob controle, Cullen. Os clientes não ficaram muito satisfeitos ao saber que você havia voltado às pressas para Los Angeles, mas quando eu disse que tratava-se de um problema grave com sua esposa, eles entenderam.

− Eu não tenho uma esposa, Emmett. – Eu falei, pensando em Bella e ele riu.

Mas, vai ter em breve, caro cunhado. Você atravessou o país para resolver os problemas da sua linda namorada. Isso já é amor e amores costumam encaminhar-se para um altar em algum momento.— Emmett declarou e eu ri.

− Certo, você pode ter razão. Mantenha-me informado sobre o andamento da audiência. – Eu falei, me despedindo dele e tentando me concentrar na pilha interminável de processos que estava sobre minha mesa.

Já era mais de duas horas da tarde quando eu dei falta de uma pasta de documentos que eu devia ter esquecido na casa de Bella e que eu precisava para anexar a alguns processos que iriam para fórum ainda naquele dia.

− Mary, eu vou sair rapidamente para comer alguma coisa e buscar uma pasta que esqueci em casa. Caso Emmett ligue, anote tudo e eu retorno a ele quando voltar. – Eu comandei e ela assentiu.

Passei por uma lanchonete e comprei um sanduíche com fritas, acompanhados de refrigerante. Eu não era muito fã de Fast Foods, mas na pressa do dia-a-dia, acabava me entupindo de gordura e açúcares de vez em quando.

Aproveitei a pausa para meu almoço altamente cancerígeno para mandar uma mensagem ao meu filho orientando-o a ir direto para nossa casa depois da escola. Era preciso mantê-lo um pouco afastado de Sofia antes que aqueles dois, controlados por hormônios adolescentes furiosos, acabassem fazendo alguma bobagem irremediável.

Paguei pela minha comida e liguei para minha namorada, perguntando se poderia ir até sua casa para buscar minha pasta.

Claro que pode, amor. Sofia já deve estar lá uma hora dessas. Ela me mandou uma mensagem dizendo que não ia para casa de Alice hoje por motivos óbvios. Meus pais estão lá e vão ficar até domingo.— Bella falou com a voz seca ao referir-se aos pais e eu ri, desativando o alarme do meu carro e me sentando atrás do volante.

− Até domingo, é? Vamos evitá-los, então. – Eu comentei e foi a vez de ela rir. – Amor, agora eu tenho que ir. Avise Sofia de que estarei passando rapidamente por lá. Vejo você mais tarde.

Até mais tarde, amor. Beijo!

Segui até Santa Monica, onde o apartamento de Bella ficava, e aproveitei o caminho para curtir do sol e da praia daquela região, ainda que fosse de dentro do carro, já que raramente eu tinha tempo para fazê-lo.

Abri os vidros a fim de curtir a brisa marítima e quando parei em um semáforo, uma loira parou de carro ao meu lado e, ao me notar, ergueu os grandes óculos escuros e meu lançou uma piscadela.

Eu sorri e antes que o sinal ficasse verde, ergui minha mão direita e lhe mostrei meu anel de compromisso, indicando-o com o polegar. Não precisava de loiras e nem de mulher nenhuma, pois eu tinha minha morena linda, por quem eu me apaixonava mais a cada dia.

Bella era quente, gostosa, fogosa, carinhosa, engraçada, inteligente... Enfim, a lista de adjetivos era imensa e eu só podia agradecer às forças divinas que me fizeram conhecê-la e torná-la minha namorada.

Já passava das três da tarde quando eu estacionei o carro em frente ao prédio de vinte e dois andares onde o apartamento de Bella e Sofia ficava. Eu estava prestes a acessar o saguão de entrada, quando escutei uma voz desesperada e chorosa, que parecia pertencer à filha da minha namorada, o que me fez virar para a rua novamente.

A voz pertencia mesmo à Sofia e ao perceber que Jacob Black estava tentando obrigá-la a entrar em um carro eu andei apressadamente na direção dos dois, decidido a arrancar os braços daquele desgraçado.

− Solta ela, Jacob Black. – Eu falei, soando extremamente frio até para os meus ouvidos, enquanto tentava controlar a vontade insana de acabar com a raça daquele filho da puta.

Sofia respirou aliviada ao ouvir minha voz e, conseguindo se soltar do aperto daquele imbecil, correu para meu lado. Jacob me encarou furioso.

− Ela é minha filha, Edward Cullen e eu preciso levá-la. Prometo devolvê-la sã e salva assim que fizermos um exame de paternidade. – Ele falou, dando um passo em nossa direção com as mãos estendidas, e eu empurrei Sofia para trás do meu corpo.

Ele não tocaria nela.

− Dê mais um passo e eu juro que te arrebento no meio. – Eu ameacei e ele parou abruptamente, me lançando um sorriso escroto.

− Não, Edward... – Sofia pediu amedrontada, agarrando-se ao meu paletó com as mãos trêmulas e eu respirei fundo, tentando conter minha fúria para não assustá-la ainda mais.

− Você e mais quantos vão me arrebentar, Cullen?

− Eu, Jacob. Apenas eu. Não se engane com meu terno. Com apenas um soco nessa sua cara de pau, eu arrebento todos os seus dentes. – Eu declarei com ódio e ele bufou, dando um passo para trás.

− Eu não estou aqui em busca de confusão. Só quero uma certidão de nascimento para receber minha herança. Depois disso, Sofia nunca mais irá me ver.

− Ela não quer ir com você, Jacob. E, ao não ser que você queira sair daqui algemado, sugiro que desapareça. – Eu ameacei e ele grunhiu.

− Eu não posso, entendeu? Eu estou sob ameaça de agiotas. Preciso dessa certidão.

− Eu não quero seu nome na minha certidão. Não quero nada de você. – Sofia falou chorando e Jacob a encarou com ódio.

− Eu te dei a vida, garota. O mínimo que você me deve é facilitar meu acesso à herança do meu pai. – Ele declarou com desprezo e eu bufei, não me contendo e desferindo um soco em seu rosto, bem no momento em que a polícia estacionava em frente ao prédio de Bella.

Ele não tinha direito nenhum de falar assim com Sofia. Não depois de tê-la abandonado e aparecido em sua vida da forma como fez.

− Ela não te deve nada, seu filho da puta. – Eu falei, vendo com satisfação um filete de sangue descer por seu nariz, enquanto ele me olhava irado.

Jacob não teve tempo de reagir, uma vez que os policiais tomaram conta da situação, enquanto eu abraçava Sofia e beijava sua testa, na tentativa de acalmá-la. A garota tremia tanto que eu não sabia como ela ainda estava de pé.

− Calma, meu anjo. Ele vai deixá-la em paz. − Eu murmurei entre seus cabelos, enquanto ela continuava a chorar agarrada a mim como se sua vida dependesse disso.

− Eu já liguei para sua mãe, menina. Ela está a caminho. E eu falei para os policiais que esse homem estava levando-a a força. Eles irão prendê-lo. – O porteiro do prédio onde ela morava falou e eu murmurei um agradecimento a ele, torcendo para que Jacob já tivesse sido levado quando Bella chegasse ou ela acabaria presa por homicídio. Porque, certamente, minha namorada iria matá-lo.

− Senhor, ele o está acusando de agressão. – O policial falou depois de algum tempo, dirigindo-se a mim e eu suspirei, estendendo-lhe a mão em um cumprimento.

− Sou Edward Cullen, senhor. Fui obrigado a agredi-lo, uma vez que ele estava tentando sequestrar a minha filha.

− Ela é minha filha, Cullen. E eu queria apenas levá-la para um passeio. Não era um sequestro. – Jacob se defendeu e eu revirei os olhos para o seu cinismo.

− Ele queria me levar à força. E ele não é meu pai. Edward é. – Sofia falou com raiva e eu encarei o policial, a espera da sua reação.

− Sinto muito, senhor Cullen, mas o senhor terá que me acompanhar até a delegacia. – O policial falou e eu suspirei, tentando me manter calmo.

Eu não seria preso por ter socado a cara daquele infeliz, mas só de pensar em passar algumas horas na delegacia explicando o porquê de tê-lo agredido já fazia as minhas têmporas latejarem.

− Vocês vão levá-lo preso? Não! Edward não fez nada. Ele só me defendeu. – Sofia falou chorando alto, se agarrando a mim mais fortemente e eu respirei fundo, fazendo com que ela me encarasse.

− Ninguém vai me prender, princesa. Eu vou apenas prestar um depoimento.

− Não! Não está certo. Jacob queria me sequestrar. Só ele deve ser preso. – Ela murmurou, enquanto mais lágrimas desciam por ser rosto e eu beijei sua testa outra vez.

− Senhorita, vamos levar o seu pai apenas por algum tempo. Prometo devolvê-lo em breve. Além disso, você também terá que nos acompanhar, pois é a vítima da tentativa de sequestro. – O outro policial, que mantinha Jacob cativo e algemado, falou e Sofia soluçou, encarando-o.

− E você vai mantê-lo preso? – Sofia perguntou com raiva, indicando Jacob com um gesto de cabeça e o policial assentiu.

− Faremos o possível. – Ele garantiu e Sofia respirou fundo, limpando o rosto com a costa da mão, enquanto abaixava-se para recolher sua mochila do chão.

− Eu vou de carro com minha filha. Tenho apenas que esperar a mãe dela chegar. – Eu disse ao policial e ele assentiu, enquanto fazia algumas anotações em um bloquinho de papel.

Eu não vi quando Bella se aproximou de onde nós estávamos, pois ela chegou silenciosamente. Só notamos sua presença quando ela acertou Jacob com um soco no rosto, que o fez gemer de dor e olhá-la assustado.

Os policiais se apressaram em segurá-la, mas ela soltou-se, encarando-os com raiva, o que os fez dar um passo atrás.

A cena seria engraçada se não fosse o medo que senti em vê-la presa por desacato a autoridade.

− Encoste em um fio de cabelo da minha filha novamente, Jacob Black, e nem as grades de uma prisão vão me impedir de matá-lo. Faça Sofia chorar outra vez que eu desço ao inferno para pedir pessoalmente ao capeta que te carregue para os confins do mundo. – Ela ameaçou com a voz incrivelmente baixa e controlada, enquanto eu via com satisfação Jacob empalidecer.

− Senhora, acalme-se. Sua filha está bem. Vamos levar esse senhor para prisão. Peço que nos acompanhe para prestar a queixa. – O policial falou, tendo o bom senso de não repreendê-la, e ela assentiu, cuspindo na cara de Jacob, antes de se afastar em direção à Sofia e tomá-la nos braços.

Eu encarava a cena chocado, assim como os policiais.

− Ah, meu amor, me desculpe pelo pai horrível que eu lhe dei. Mas, eu prometo que ele jamais irá tocar em você novamente. – Ela murmurou, enquanto lágrimas desciam por seu rosto e eu suspirei, abraçando-as.

− Ele não é o meu pai, mamãe. E você não tem que se desculpar. Eu te amo. – Sofia falou chorando e eu beijei o topo da cabeça das duas, me virando para os policiais em seguida. Jacob, que já estava sentado no banco de trás da viatura, nos encarava com ódio no olhar.

− Vamos para a delegacia no meu carro. – Eu declarei e o policial assentiu, entrando na viatura enquanto eu conduzia minhas meninas até o meu carro.

Bella foi no banco de trás com a filha e fizemos todo o caminho em absoluto silêncio.

As coisas na delegacia foram demoradas. Eu me apresentei como meu próprio advogado e advogado de Sofia e, portanto, pude acompanhar todo o seu depoimento.

Jacob foi acusado de tentativa de sequestro e ameaça e permaneceria por algum tempo preso até que algum advogado lhe conseguisse um Habeas Corpus, para que ele pudesse responder o processo em liberdade, já que era a primeira vez que ele era fichado na polícia.

− Eu estou entrando com um pedido de ordem de restrição para que Jacob Black não se aproxime novamente de Sofia ou de Bella. – Eu falei ao xerife, após ter justificado o soco que dei naquele escroto como legítima defesa, e ele assentiu.

− É o melhor a se fazer, senhor Cullen, pois temo não poder mantê-lo preso por muito tempo.

− Ele tentou sequestrar minha filha. Ele tem que ficar preso pelo resto dos malditos dias que lhe restam. – Bella resmungou e o xerife suspirou, olhando-a com certa diversão.

Acho que ele tinha conhecimento da cuspida que Bella havia dado na cara de Jacob Black.

− Eu entendo sua raiva, senhora. Mas, a lei não funciona assim. Ele nunca havia sido fichado e como o sequestro não se concretizou, será quase impossível mantê-lo preso por muito tempo. Basta que um advogado entre com um pedido de Habeas corpus para que ele seja solto. Todavia, farei o possível para que ele seja julgado por seus delitos. – O velho homem falou com calma e Bella bufou.

Já era fim de tarde quando finalmente fomos liberados e eu levei Bella e Sofia para casa. Subi com as duas, depois de garantir ao porteiro que elas estavam bem, e resolvi preparar-lhes um lanche, enquanto elas tomavam um banho.

Liguei para minha irmã e pedi que ela trouxesse Mia e Tommy até a casa da minha namorada. Acho que Sofia iria gostar de ter meu filho por perto depois de tudo o que acontecera hoje.

− Ela dormiu. Eu nem acredito que esse dia acabou, Edward. – Bella falou, aparecendo na cozinha descalça e com os cabelos molhados, parecendo mais uma menininha indefesa e eu suspirei, envolvendo-a em um abraço e beijando o topo da sua cabeça.

− Fique tranquila. Jacob não vai mais se aproximar de vocês. Pedi a Royce King, um dos advogados que trabalha comigo e que é especialista em testamentos, para tentar anular a cláusula que exige a certidão de nascimento de Sofia para que Jacob receba a herança do pai. Royce estará indo para Forks amanhã e acredito que dentro de alguns dias o progenitor de Sofia não tenha que importuná-las mais com essa história. – Eu contei a Bella que levantou os olhos para me encarar, parecendo contrariada.

− Você está ajudando aquele maldito? Por quê?

− Para que ele deixe vocês em paz. Se essa cláusula ridícula é o único motivo para que ele venha atrás de Sofia, vamos resolver isso. E eu não estou ajudando Jacob. Estou protegendo vocês. – Eu esclareci e ela revirou os olhos.

− Eu não sei se concordo com isso. – Ela resmungou, afastando-se de mim e eu suspirei.

− Amor, você não tem que concordar. Até porque, já está decidido. Royce irá para Forks amanhã e vamos acabar de uma vez por toda com toda essa história. E eu não quero que você fique zangada por eu ter tomado essa decisão e colocado meu escritório no caso. Eu sou o seu namorado e fui nomeado o pai de Sofia. Portanto, farei o que for possível para protegê-las e isso não está em discussão. – Eu declarei, puxando-a para os meus braços novamente e ela respirou fundo, me dando um beijo de leve.

− Bom, então espero que isso o mantenha longe de nós, pois se Jacob voltar a se aproximar da minha filha eu juro que o mato. E será uma morte bem lenta e dolorosa. – Ela falou, com a expressão tomada por ódio e eu contive um sorriso, fazendo uma nota mental para nunca irritá-la.

Bella e eu estávamos arrumando a mesa para o lanche quando minha irmã chegou com meus filhos e Ethan.

− Cadê a Sofia? Ela está mesmo bem? – Tommy perguntou preocupado, sem cumprimentar ninguém, e Bella sorriu, indo abraçá-lo.

− Sofia está bem sim. Graças ao seu pai nada de grave aconteceu. Ela está no quarto dela. Pode ir até lá. – Minha namorada falou suavemente e ele a olhou em dúvida.

− Eu vou me deitar com ela. Tudo bem por você? – Ele perguntou levemente divertido e Bella sorriu.

− Tudo bem sim, Tommy. Acho que ela vai apreciar sua companhia agora. E, para alguém que dormiu ao lado dela uma noite e meia, algumas oras ao seu lado na cama não farão diferença. – Ela declarou, piscando graciosamente para meu filho, que sorriu largamente, e correu para o quarto de Sofia depois de beijar Bella na bochecha.

− Onde está Candyce? – Perguntei para minha irmã, que abraçava Bella em um cumprimento e ela fez uma careta.

− Está com a minha sogra. Quando Eva está em casa minha filha me deixa totalmente de lado. Não podia ser diferente já que a avó faz tudo o que ela quer. Aquela mulher está estragando minha filha, Edward. Quando você vai me devolver meu marido? – Rosalie me perguntou e eu revirei os olhos para o seu drama.

− Ele chega amanhã. Pare de ser dramática.

− Eu queria que você fosse obrigado a conviver diariamente com uma sogra bruxa que rouba sua filha de você e a transforma em uma coisinha mimada e cheia de vontades. Duvido que, assim, classificaria meu desespero como drama. – Ela reclamou e Bella riu, me encarando divertida, enquanto, provavelmente, pensava em sua mãe e eu tendo que conviver diariamente.

É, pensando por esse lado, talvez não fosse um drama assim tão grande.

− Obrigada por trazer Tommy e Mia, Rosalie. Sei que acaba de chegar de viagem e deve estar cansada, mas depois de tudo o que acontecei hoje, Edward e eu precisávamos dos nossos filhos com a gente.

− Ah, não foi nada. E, por falar em minha viagem, meus pais mandaram beijos para você e Sofia. Eles querem que vocês passem um tempo em Boston durante as férias de verão. Temos que combinar. – Rosalie falou, sentando-se para lanchar com a gente e Bella sorriu.

− Vamos conversar a respeito. Agora, sirvam-se. Ethan, querido, venha comer também. Logo Sofia e Tommy se juntam a nós e você terá companhia adolescente. – Minha namorada falou, enquanto servia um sanduíche à Mia, que já estava sentada ao seu lado, e Ethan sorriu, não fazendo-se de tímido e sentando-se imediatamente para comer.

− Bella, aquele homem mau ia levar Sofia embora para sempre? – Mia perguntou preocupada e minha namorada sorriu, beijando o topo da cabeça da minha filha.

− Não, meu anjo. Mas, você tem razão quanto a ele ser um homem mau. Entretanto, não quero que se preocupe. Seu pai e um colega de trabalho vão nos ajudar a tirá-lo das nossas vidas para sempre e nunca mais ele vai tentar tirar Sofia de nós. – Bella falou e Mia sorriu satisfeita, começando a comer o seu sanduíche.

Tommy e Sofia apareceram para comer cerca de duas horas depois da chegada do meu filho e, mesmo que Sofia estivesse visivelmente mais calma e sorrindo, ao olhar para sua expressão abatida e seu rosto pálido, eu fiquei com pena de tudo o que ela passara desde que o pai, ou progenitor, como Bella o chamava, resolvera aparecer na sua vida.

Pais deviam cuidar, amar e proteger e não magoar, ferir e usar os filhos como moeda de troca para heranças ou outras coisas de seu interesse.

A verdade era que Sofia nunca havia tido um pai. Embora Jasper e até Charlie tivessem ajudado Bella a criá-la, ela nunca tivera um pai que a amasse de verdade e a protegesse.

Mas, eu estava ali agora e iria cuidar para que ninguém mais fizesse mal a ela. Bella e Sofia faziam parte da minha família e eu as protegeria com a minha vida, se preciso fosse.

Eu só precisava convencer Bella a oficializar nossa família.

Nós tínhamos que estar todos juntos. De qualquer jeito.

Só assim seríamos realmente felizes e nos sentiríamos finalmente completos.