Laços de amor
28 Capítulo 27
Capítulo 27
Pov. Bella
Algumas semanas depois...
− Esse é o último paciente do dia, Dra. Swan. Portanto, a senhorita está dispensada. Mas, antes que você saia de férias, quero que me responda algo. – Suzana Cooper, minha chefe, amiga e mentora, falou e eu a encarei curiosa.
− Pode perguntar.
− Estive em um congresso médico em New York na semana passada e lá me encontrei com Carlisle Cullen e Esme Cullen. Eles me perguntaram sobre você e, muito contentes, anunciaram que você e o filho deles, Edward Cullen, vão se casar. Essa informação procede? – Ela perguntou e eu continuei encarando-a, sem saber o que responder.
Casar. Edward queria casar comigo e já anunciara isso para toda sua família. Meu namorado era um cara incrível e eu estava perdidamente apaixonada por ele. Sofia também o adorava, assim como eu tinha o carinho dos filhos dele. Mas, casar? Não saberia dizer se estava pronta para isso. Todavia, Edward não parecia compartilhar dos meus medos.
− Bella? – Suzana me chamou quando meu silêncio se prolongou e eu respirei fundo, lançando a ela um sorriso amarelo.
− Bem, Edward e eu namoramos e estamos felizes juntos. Mas, eu não sei nada sobre casar, Suzana. Ele mencionou algo sobre morarmos juntos, mas não é nada oficial ainda. – Eu declarei e ela me olhou divertida.
− Seus sogros pareciam saber bem do que estavam falando, Bella. Mas, eu imaginei que você não estivesse muito de acordo com essa história de casamento já que não havia comentado nada. Aliás, desde aquele seu último namorado, James, você se fechou para o amor. Nem sabia que estava namorando Edward Cullen. – Suzana comentou e eu estremeci de leve ao me lembrar de James.
− Edward e eu nos conhecemos pelo Tinder e nos apaixonamos instantaneamente. Foi natural nossa relação evoluir rapidamente para um namoro e eu me sinto imensamente feliz ao lado dele. Nossos filhos também estão namorando. Sofia e Antony formam um casal ainda mais bonito que Edward e eu. Mia me aceitou como namorada do pai e até como uma mãe e tenho que confessar que adoro aquela baixinha falante. Mas, casar? Não sei se eu estou pronta para dar um passo como esse. Aliás, eu não sei se nasci para ser casada com alguém. Como você bem sabe, tentei ter uma relação assim com James apenas para descobrir que ele queria abusar da minha filha. Não tenho sorte com homens, Suzana. Tudo está tão bem como está entre Edward e eu. Não sei se quero evoluir para o casamento. Casamentos parecem trazer infelicidade para as pessoas. – Eu falei e Suzana riu, se encaminhando para sua sala e me obrigando a segui-la.
− Casamentos são complicados sim. Mas, se existe amor, é possível fazer com que eles deem certo. E sobre James... Bella, eu sinto muito que você tenha passado por isso, mas já está na hora de você esquecer essa história. Ele não está mais na sua vida e não merece ser lembrado. Pare de se culpar, pelo amor de Deus! E sobre seu noivo – Ela falou divertida e eu fiz uma careta para a palavra noivo. − Bem, pelo pouco que conheço de Edward Cullen durante todo o tempo que fui pediatra dos filhos dele posso te assegurar que ele é um homem incrível. Ele é lindo, mas isso você sabe bem. – Ela declarou, me lançando uma piscadela e eu ri. Sim, Edward Cullen era lindo. E como era! – Ele é íntegro, honesto, bom pai, bom profissional, bom filho, bom irmão, bom tio. Foi um bom marido. Enfim... A lista de virtudes é imensa. Acredito sim que ele deve possuir muitos defeitos, mas quem não tem? Aproveite a chance de ser feliz no amor e a abrace, Bella.
− Se eu não te conhecesse bem, poderia acreditar que Edward Cullen te subornou para que você tivesse essa conversa comigo. – Eu resmunguei e ela gargalhou.
− Ele não. Mas, a mãe dele pode ter insinuado para que eu desse uma forcinha para que esse casamento saísse. E, como você sabe, eu faço tudo o que Esme Cullen me pede, pois o que eu mais adoraria na vida era ter ela em nossa equipe de cirurgia. – Suzana confessou e eu revirei os olhos, rindo em seguida.
Então Esme havia pedido para que Suzana me convencesse a aceitar o pedido de casamento de Edward usando o fato de que minha chefe adoraria tê-la trabalhando conosco? Que calculista!
− Você mencionou o fato de Edward ter sido bom marido. Você conheceu a esposa dele?
− Tanya? Sim. Antony foi meu paciente, assim como Mia. Tanya era uma mulher linda, gentil, inteligente e muito doce. Edward era apaixonado por ela e isso era visível sempre que estavam juntos. Ele sempre foi um cavalheiro com ela e com os filhos. Eles tinham um casamento invejável. Pelo menos era o que aparentava. Até que após o nascimento de Mia ela descobriu um câncer e morreu meses depois. A família toda ficou devastada. – Suzana lamentou e eu respirei fundo.
− O fato de saber que o casamento dos dois foi tão perfeito me dá mais medo ainda. E se ele não for feliz comigo como foi com ela?
− Existem várias formas de felicidades, Bella. Não acho que você tenha que se preocupar com isso. Se você o ama e o sentimento é recíproco, não vejo porque não dar certo. Vocês serão felizes do jeito de vocês. – Ela falou de um jeito maternal e eu sorri, me felicitando por ter Suzana em minha vida.
Como chefe ela era o demônio. Mas, como amiga e conselheira ela sempre havia sido como um anjo em minha vida. Muito mais do que minha própria mãe.
− Prometo pensar com carinho nas suas palavras. Agora, eu posso finalmente sair de férias? – Eu perguntei e ela riu.
− Claro que sim. A partir de agora, você estará livre do meu domínio por dois meses. Você e Sofia vão para Forks?
− Não. Nem pensar. Quero distância das críticas dos meus pais. Edward falou algo sobre Boston. Queremos aproveitar que as férias de verão dos nossos filhos coincidiram com as minhas para viajar com eles. Mas, já não sei se quero ir visitar meus sogros. Com toda essa história de casamento, temo ser arrastada até o altar mais próximo e obrigada a casar a força. – Eu declarei e Suzana sorriu.
− Você estaria entrando para uma família maravilhosa, Bella. Não seria um sacrifício tão grande assim. Por isso, não deixe de ir para Boston. A cidade é maravilhosa e os Cullen também.
− Eu sei. Eles são mesmo maravilhosos. – Eu murmurei e ela sorriu.
− Então, aproveite. E quando voltar, conversaremos sobre você se tornar uma médica titular. – Ela declarou e eu arregalei os olhos em sua direção.
− Isso é sério? – Perguntei em um fio de voz e ela sorriu largamente.
− Claro. Com o fim da sua especialização cirúrgica, poderemos finalmente tê-la oficialmente como membro do Staff. Isso significa aumento das responsabilidades, do salário e de alguns benefícios. Você terá, inclusive, uma ótima vaga no estacionamento. Portanto, aproveite bem o seu período de férias, pois quando você voltar, Dra. Swan, eu estarei pronta para explorá-la. – Ela declarou com um sorriso divertido no rosto e eu sorri, me sentindo imensamente feliz por saber que eu seria finalmente uma médica efetiva no California Hospital Medical Center (CHMC), mesmo que isso significasse mais plantões, mais trabalho, mais prontuários, menos horas de sono e menos tempo para minha filha e namorado.
Entretanto, durante muito tempo eu lutei incessantemente para me tornar uma boa médica e, fazer parte do Staff do CHMC, era a concretização de todos os meus sonhos e o reconhecimento por todo o meu esforço para concluir a faculdade de medicina, mesmo sendo mãe em tempo integral.
Fui para meu apartamento envolta por uma nuvem mágica de felicidade e satisfação. Eu estava tão feliz que quase não me importei por encontrar Tommy e Sofia se agarrando no meu sofá. Quase.
− Boa noite, meninos. – Eu falei, assim que entrei e eles se afastaram rapidamente, quase caindo do sofá, o que me fez sorrir.
Algumas coisas nunca mudavam.
− Oi, mãe. Edward está na cozinha. – Sofia falou rapidamente, certamente tentando desviar minha atenção do fato de que ela estava praticamente sentada no colo de Tommy há alguns segundos atrás e eu respirei fundo, estreitando os olhos em sua direção.
− Sei. E Mia?
− Foi dormir na casa da tia Rosalie para comemorar o início das férias de verão com Candyce. Edward está nos preparando um prato com frutos do mar pelo mesmo motivo. – Ela falou animada, vindo me abraçar e eu suspirei, beijando o topo de sua cabeça.
− Certo. Vou cumprimentar meu namorado, então. E vocês dois, concentrem-se no filme da TV. Chega de beijos. – Eu orientei e Sofia revirou os olhos, enquanto Tommy me lançava um sorriso amarelo.
Fui para a cozinha e sorri ao me deparar com o meu namorado lindo e gostoso com as mangas da camisa social arregaçadas, de avental e descalço, enquanto tirava alguns frutos do mar da água fervente.
Paul McCartney tocava baixinho no rádio que ficava sobre o balcão e Edward se balançava lentamente ao som da música.
Eu me recostei no batente da porta e fiquei admirando a cena, enquanto me lembrava da conversa que tivera com Suzana no hospital.
Casar. Ser a senhora Edward Cullen. Ser oficialmente mãe de Antony e Mia. Dar um pai para Sofia.
Confesso que eram cenários bastantes tentadores, mas eu ainda tinha medo.
Medo de não ser a mulher que Edward precisava. Medo de não atender as expectativas dele quanto ao matrimônio. Medo de não fazê-lo feliz como Tanya o fizera. Medo de não ser boa mãe para os seus filhos. Medo do sonho lindo que era me namoro com ele acabar.
− Olha só quem chegou para me ajudar. Minha namorada linda. – Edward falou, quando notou minha presença, e eu sorri, indo até ele e ganhando um delicioso beijo nos lábios.
− Eu estava aqui admirando você tão à vontade na minha cozinha. É muito bom voltar do trabalho e tê-lo aqui, fazendo o jantar, enquanto nossos filhos adolescentes se pegam no sofá. – Eu falei, puxando-o pela gola da camisa em minha direção e ele riu, me beijando mais uma vez.
− Eles estavam se pegando, é? Quando saí de lá os dois estavam concentrados no filme que passava na TV.
− Tommy e Sofia não estão podendo mais ser deixados sozinhos. Os hormônios estão controlando os dois totalmente.
− De fato. Mas, eu não posso culpar o meu filho por estar sempre agarrado a Sofia, pois eu compartilho do mesmo desejo de estar sempre aos amassos com a mãe dela que é linda e gostosa pra caralho. – Ele declarou, mordendo meu queixo de leve e eu senti meu corpo se arrepiar.
− Não culpo Sofia também por estar sempre agarrada a Antony se ele for tão fofo, lindo e cheiroso quanto o pai.
− E ele é. Trata-se de genética, Baby. – Ele falou, piscando para mim e eu ri, enquanto me pendurava em seu ombro para espiar que prato ele estava preparando.
− Paeja? Hum! Parece deliciosa.
− Vai ficar, pois eu sou um cozinheiro maravilhoso.
− É muito modesto também. – Eu brinquei, me servindo de vinho e ele riu, enquanto acrescentava os frutos do mar no arroz que fervilhava na panela.
− Pronta para nossa viagem? – Ele perguntou, roubando minha taça e eu fiz uma careta.
− Hum... Talvez. Antes, preciso saber de uma coisa. – Eu declarei e ele me encarou, me devolvendo a taça de vinho e voltando a mexer a mistura de arroz e frutos do mar na panela.
− O que?
− Você disse aos seus pais que vamos nos casar? – Eu perguntei e ele enrubesceu, o que me fez concluir que sim, ele havia dito a Esme e Carlisle que nos casaríamos.
− Bem... Eu posso ter comentado alguma coisa. Mas, nós vamos, não é? Digo, casar. – Ele perguntou inseguro e eu respirei fundo, cruzando os braços em frente ao peito.
− Vamos. Algum dia. Mas, não acho que deva ser algo anunciado já.
− Algum dia? Bella, pensei que tínhamos concordado em morarmos juntos. E qual o problema de eu anunciar que você será minha esposa? É o que eu quero, oras.
− Morar juntos é diferente de casar, Edward. E nós não conversamos a respeito. Você apenas mencionou que queria que isso acontecesse.
− Eu quero porque funcionamos juntos. Nós cinco somos uma família e como tal precisamos estar unidos, morando na mesma casa, dividindo o dia-a-dia, os problemas, as conquistas... Tudo. Bella, quando eu fui em busca de uma mulher no Tinder jamais tive a pretensão de encontrar alguém tão especial como você. Você é perfeita pra mim. Eu te amo e meus filhos também. Eu amo sua filha e sei que Sofia sente por mim o mesmo carinho que uma filha tem por um pai. Então, me diga, porque não nos casaríamos? – Ele perguntou e eu suspirei, desviando o olhar.
− Você foi muito feliz no seu primeiro casamento, né? – Eu perguntei em um murmúrio depois de alguns minutos de silêncio e ele me olhou confuso.
− Fui. Mas, o que tem isso?
− Eu nunca estive em um casamento, Edward. Meus relacionamentos amorosos foram fracassos totais. Não tenho a segurança necessária para me casar. Não sei se vai dar certo ou se eu vou conseguir fazê-lo feliz como Tanya o fez. – Eu confessei e ele ficou me encarando por longos segundos, até que desligou o fogo e veio até mim, me tomando nos braços.
− Bella, amor, eu não espero que o nosso casamento seja igual ao casamento que tive com Tanya. Vocês são mulheres diferentes e, embora sejam igualmente maravilhosas, não há como esperar uma repetição do passado. E eu nem quero isso. Eu tive um casamento feliz, mas assim como todas as relações, Tanya e eu passamos por problemas. No início, eu pensei em desistir inúmeras vezes. Brigávamos muito e por tudo. Éramos jovens e imaturos e não sabíamos escolher os motivos certos para brigas, desentendimentos e discussões. Até a cor dos tapetes e das cortinas era motivo de brigas. Depois, com o nascimento de Antony, ela e eu nos afastamos e concentramos toda nossa energia e dedicação ao bebê. Foi um período crítico para nossa relação. Antony e Mia têm uma grande diferença de idade não porque minha esposa e eu resolvemos esperar para ter outro filho e sim porque Tanya e eu não tínhamos uma vida sexual muito ativa. Éramos distantes um do outro nesse aspecto. Eu a amava. Não posso negar isso jamais. Ela me deixou as coisas mais importantes da minha vida que são os nossos filhos. Mas, nosso casamento não era perfeito. Nenhum é. Mas, você e eu nos amamos. Isso já torna um casamento totalmente possível. Além disso, confiamos um no outro e temos uma química sexual maravilhosa. Não tem como dar errado. – Ele falou, beijando minha testa e eu suspirei, deitando minha cabeça em seu peito.
− Tanya e você não faziam sexo? Qual era o problema de vocês? – Eu resmunguei e ele riu, beijando o topo da minha cabeça.
− Problema nenhum. Tanya não gostava muito, na verdade e eu... Bem, eu acabei me acostumando e dedicando todo meu tempo ao escritório e a Antony. Não é a toa que sou um advogado conceituado e que meu escritório dá um bom lucro. Tive muito tempo e energia para me dedicar a ele. – Ele explicou e eu o encarei divertida.
− Por isso esse fogo todo, Edward Cullen? É tesão acumulado? – Eu perguntei e ele riu, beijando meus lábios e infiltrando suas mãos por dentro da minha camiseta para alcançar os meus seios.
− Talvez. Entretanto, eu acho que meu fogo é uma resposta ao fato de eu ter uma namorada muito gostosa ao meu lado, que sabe me provocar e me satisfazer de todas as maneiras. – Ele declarou e eu sorri, beijando-o.
Como alguém podia ter Edward Cullen à disposição e não querer fazer sexo loucamente com ele? Tanya Denali Cullen só podia ter algum problema para não gostar de sexo com o marido, pois ele era fantástico na cama. Doce, romântico, apaixonado, fogoso... Uma combinação maravilhosamente tentadora e da qual eu jamais iria me cansar.
— Casa comigo. – Ele pediu quando nossos lábios se separaram e eu suspirei, encarando-o.
− Eu vou pensar. Prometo que até o fim das nossas férias eu te dou uma resposta. – Eu falei e ele fez uma careta, beijando minha testa.
− Não há outra resposta além de sim. Mas, vou respeitar o seu tempo. Enquanto isso, eu vou convencê-la de que posso ser o marido perfeito. A começar por essa Paeja que vai ficar magnífica. Vá tomar um banho enquanto eu termino. – Edward falou e eu sorri, acatando seu pedido e indo para meu quarto.
Ao passar pela sala sorri ao ver Sofia deitada com a cabeça no colo de Tommy, enquanto ele acariciava seus cabelos e cantava baixinho a música que tocava na TV.
Era perturbador vê-los aos beijos e amassos, mas eu não podia negar que eles eram muito fofos juntos.
***********
O jantar estava ótimo. Edward era, de fato, um excelente cozinheiro. Antony também. Meu genro/enteado havia nos preparado uma sobremesa com suspiros e morangos que tinha um gosto incrível e eu me vi repensando a ideia de casamento. Sofia e eu nunca mais comeríamos comida congelada na vida caso Edward e eu fôssemos morar juntos e essa perspectiva me parecia ótima.
− Está tudo maravilhoso. A propósito, eu mudei de ideia. Nada de depois das férias. Eu me caso com você amanhã. – Eu declarei, beijando o rosto do meu namorado, que sorriu satisfeito.
− Eu sabia que poderia ganha-la pelo estômago. E olha que esse é só um dos meus muitos talentos. – Edward declarou, piscando maliciosamente em minha direção e eu ri, beijando seus lábios.
− Ei, informações demais! Menores de idade na sala. – Sofia resmungou e eu ri outra vez, encarando os adolescentes carrancudos a minha frente.
− Se eu tenho que flagrá-los pelo menos uma vez na semana aos beijos no sofá, vocês podem suportar um pouquinho de insinuações para maiores de idade. Além disso, Edward pode estar falando do talento que ele tem para o canto, para a dança, para o desenho...
− Bella, meu pai não desenha, não canta e muito menos dança. Então... – Antony murmurou, dando de ombros e Edward riu, me abraçando de lado e fazendo com que eu encostasse minha cabeça em seu peito.
− Então, nada. Vamos deixar os meus talentos para quando Bella e eu estivermos sozinhos. Agora, quero saber se vocês estão animados para nossa viagem.
− Eu estou. Vou adorar conhecer Boston. – Sofia falou animada e eu sorri.
− Eu também. Quero ver até se consigo uma cirurgia ao lado de Esme ou Carlisle Cullen. – Eu declarei e Edward bufou.
− Nada de hospital para você, Dra. Swan. Férias são férias e, nesse período, você será apenas minha.
− E minha... – Sofia gracejou, deixando aparecer o ciúme que ela tinha de mim, e Edward riu, beijando meus cabelos.
− E sua, Sofia. Com certeza. E da Mia também. Minha filha já tem os próprios planos para roubar minha namorada de mim durante as férias. Mas, só vou aceitar dividi-la com vocês. Nada de prontuários, plantões e cirurgias.
− Por falar nisso, eu tenho uma novidade. – Eu declarei e os três me olharam curiosos. – Depois das férias eu serei contratada como médica titular. Eu, Dra. Isabella Swan, farei parte do Staff do California Hospital Medical Center. – Eu falei e Sofia deu um gritinho animada, pulando da cadeira para me abraçar.
− Parabéns, mãe. Que legal! – Ela falou, beijando meu rosto e eu sorri largamente, apertando-a contra mim.
Aquela garota, o maior amor da minha vida, era o principal motivo para essa conquista. Tudo o que eu fazia era por ela e para ela.
− Obrigada, meu amor. Essa conquista também é sua. Afinal, você é que teve que viver em um dormitório de universidade sem ser uma estudante, aguentar meu mau-humor durante toda residência, repassar comigo os casos médicos para minha prova do internato e da especialização, segurar a barra quando nosso orçamento estava reduzido. Você é tão merecedora dessa conquista quanto eu. Se eu serei do Staff, minha princesa, é graças a você. É por você... – Eu declarei e Sofia sorriu, disfarçando suas lágrimas e me dando mais um beijo no rosto. Ficamos abraçadas por longos segundos, até que ela se afastou para que Tommy e Edward pudessem me parabenizar também.
− Parabéns, Bella. É algo para se orgulhar. – Tommy falou, me dando um abraço e eu sorri, beijando seu rosto.
− Obrigada, querido.
− De fato. Bella deve se orgulhar muito da sua conquista. Só durante o pouco tempo que a conheço já percebi o quanto ela é dedicada ao seu trabalho. Parabéns, amor. Que essa seja a primeira de muitas conquistas. – Edward falou, me abraçando com carinho e eu sorri, contente por poder contar com todo o seu amor e apoio.
− Obrigada, amor. Contar com seu apoio e carinho nesse momento é muito importante pra mim.
− Disponha, linda! Estarei sempre aqui por você.
Tommy e Sofia se ofereceram para lavar a louça depois que brindamos meu novo cargo no hospital (espumante para Edward e eu e suco para os nossos adolescentes).
Enquanto isso, Edward e eu nos acomodamos juntinhos no sofá para que pudéssemos matar um pouco da saudade que sentíamos um do outro. A semana havia sido longa demais.
− Se não fossem as escapadas noturnas dos nossos filhos, eu dormiria aqui essa noite. Estou com muita vontade de fazer amor com você à noite toda. – Edward falou no meu ouvido e o meu corpo todo se arrepiou.
− Não fale essas coisas para uma pobre mulher que já está sem sexo há mais de uma semana. – Eu reclamei e ele riu, beijando meus cabelos.
− Minha namorada é uma ninfomaníaca, meu Deus!
− Sou mesmo. Totalmente viciada em você. Mas, ultimamente, nossa rotina não tem colaborado muito com nossa vida sexual. – Eu reclamei e Edward riu.
− Realmente. Mas, agora estaremos de férias e poderemos matar toda a nossa saudade.
− Edward, eu não vou transar com você na casa dos seus pais. – Eu declarei decidida e Edward me encarou surpreso.
− Porque não?
− Porque isso é imoral e estranho. Não vou conseguir ficar nua em um quarto, sabendo que seus pais podem nos ouvir ou imaginar o que estamos aprontando. – Eu expliquei e ele revirou os olhos, bufando em seguida.
− Bella, meus pais não são monges. Eles sabem que você e eu fazemos sexo.
− Eu sei que eles sabem. E isso torna o fato de estar sob o mesmo teto que eles ainda mais estranho. Então, não. Nada de sexo na casa dos seus pais. – Eu declarei e ele bufou.
− Vou te convencer do contrário, Dra. Swan. Você não perde por esperar. – Edward prometeu e eu sorri, sentindo um frio de antecipação na barriga.
Ficamos em silêncio por longos minutos, ouvindo Tommy e Sofia cantando desafinados na cozinha enquanto lavavam a louça, até que as próximas palavras de Edward me fizeram ficar tensa.
− Voltou a falar com os seus pais? – Ele perguntou com cautela e eu bufei.
− Não. Depois daquele jantar na casa de Alice eu não quero nunca mais conversar com os meus pais. – Eu declarei com raiva e Edward suspirou.
− Bella, não se pode passar a vida odiando os pais. – Ele falou e eu bufei.
− Eu posso. Minha mãe disse em alto e bom som que eu sou uma vadia. Pois muito bem, essa vadia não vai mais falar com ela. E como meu pai não me defendeu, não quero papo com ele também. – Eu declarei, encerrando o assunto e Edward suspirou, mas teve o bom senso de manter-se em silêncio.
Depois do show que meus pais deram na minha casa ao aparecer de surpresa em Los Angeles, Sofia e eu tivemos o bom senso de nos manter afastadas. Não os convidamos para nenhuma visita e evitamos a casa do meu irmão sempre que possível.
Mas, no sábado à noite, um dia antes de meus pais voltarem para Forks, Alice ofereceu um jantar em sua casa e praticamente me intimou a aparecer.
Eu não queria ir e muito menos levar Edward, pois era mais seguro mantê-lo longe de Renée, mas ele insistiu a me acompanhar e eu não tive como recusar. Sofia e Tommy foram conosco, muito a contragosto, e Mia, graças aos céus, quis ficar na casa da tia.
Tudo estava correndo bem até minha mãe começar com seus comentários mordazes a respeito da minha trajetória amorosa fracassada.
− Quantos namorados você teve antes de Edward, Isabella? Vinte? Trinta, talvez? – Renée me perguntou em alto e bom som, quando Charlie perguntou a Edward sobre o início do nosso namoro e eu enrubesci, lançando-lhe um olhar cortante.
− Não acho que isso seja absolutamente da sua conta, mamãe. – Eu declarei, usando toda a ironia que habitava em meu ser ao pronunciar a palavra mamãe e ela sorriu com sarcasmo.
− Não é da minha conta. Tem razão. Você deixou de ser da minha conta quando engravidou do namorado aos quinze anos e me envergonhou diante de toda a cidade. Mas, é da conta do seu namorado. Ele precisa saber com que tipo de mulher ele está se envolvendo.
− Eu estou me envolvendo com uma mulher linda, decente, íntegra, engraçada, boa mãe, boa médica... Estou namorando alguém em quem confio e a quem respeito. O passado da sua filha não me diz respeito, senhora. – Edward falou, apertando minha mão em uma tentativa de me transmitir calma e eu respirei fundo, contendo-me para não cometer nenhuma sandice da qual eu poderia vir a me arrepender.
− Engana-se caso pense que o passado não importa, meu caro. Jacob não ressurgiu das cinzas para incomodá-los? Jasper me contou a respeito. E assim como o pai de Sofia voltou, outros namorados da minha filha podem aparecer para atrapalhar a felicidade de vocês. James, por exemplo, era um psicopata. Tentou estuprar minha neta, roubou dinheiro de Isabella...
− Pare de mencionar James, Renée! Ele é passado e não vai retornar para minha vida. Eu não tenho nada que me ligue a ele. Pare de torcer por minha infelicidade. – Eu gritei, tremendo de ódio e Sofia, que estava na varanda do apartamento com Tommy e Lara, longe de qualquer possível confronto, veio correndo para dentro e parou ao meu lado, encarando a avó com raiva.
− O que você fez, Renée? Deixe a minha mãe em paz! – Ela gritou, me abraçando, enquanto eu tentava impedir minhas lágrimas de escorrerem e Renée bufou.
− Eu não fiz nada além de falar verdades. Se sua mãe não aguenta o título de vadia que ela conseguiu graças a intensa vida amorosa que ela manteve durante todos esses anos eu não posso fazer nada. – Minha mãe falou e eu arfei, enquanto todos na sala a encaravam chocados.
− Renée, por favor, já chega. – Meu pai falou, tentando controla-la e ela bufou.
− Não. Eu já me calei demais. Bella precisa saber o quanto ela nos decepcionou. – Renée gritou e eu sorri entre lágrimas.
− Ah, mas isso eu sei, mamãe. Você sempre fez questão de deixar claro que apenas Jasper te trouxe orgulho e satisfação. Eu sou apenas a garota inconsequente que engravidou aos quinze anos e dependeu de vocês para sustentar minha filha, já que o pai dela desapareceu. Eu fui tão humilhada no tempo em que vivi com vocês depois que Sofia nasceu que ficou bem claro que eu já não era uma filha amada. Mas, eu fui embora. Fui aceita em uma excelente faculdade e fui para bem longe. Levei Sofia comigo, mesmo Charlie insistindo para que eu a deixasse com vocês. Mas, como eu poderia, se você a detestava, Renée? Nunca a tratou como trata Lara. Nunca foi nem sequer gentil com ela, que também é sua neta. Mas, está tudo bem, pois eu tenho amor suficiente para minha filha. Sofia é minha vida e eu a amei por mim, pelo pai que a abandonou e pela avó que sempre a destratou. – Eu falei e Sofia fungou ao meu lado, sendo imediatamente abraçada por Tommy. Edward também estava ao meu lado e o toque da sua mão na minha me deu a força necessária para continuar falando. − E, apesar de todas as dificuldades que eu passei, eu consegui me formar com honras, fazer o internato, a residência médica e a especialização. Comprei meu apartamento, meu carro, paguei meus empréstimos estudantis, cuido da minha filha e, após minhas férias, serei nomeada médica titular do hospital onde trabalho. Eu tenho um namorado lindo, que me ama e que quer ter uma família comigo. Mas, nada disso importa, não é? Só o meu passado amoroso importa. Isso já me transforma em uma vadia sem valor nenhum. Ótimo! Então eu sou uma vadia, porque eu realmente tive muitos namorados e transei com todos eles. Sim, eu tenho um passado amoroso conturbado. Sim, eu me envolvi com canalhas que me destruíram, mas isso é problema meu. É a porra da minha vida e eu quero a senhora e seu rancor infinito fora dela. Esqueça que eu existo, Renée, pois eu farei exatamente isso. A partir de agora, eu não tenho mais mãe e você só precisa amar a Jasper. Não vai fazer diferença para você, pois há muito tempo você faz exatamente isso. Passar bem! – Eu falei, puxando Edward para fora do apartamento do meu irmão sem esperar que ninguém tentasse me impedir. Tommy e Sofia nos seguiram.
Edward guiou meu carro até sua casa e, naquela noite, ele apenas me abraçou, enquanto eu chorava todas as minhas mágoas e tristezas.
Tommy fez o mesmo com Sofia e, ainda que a ideia de tê-los dormindo juntos me incomodasse, eu permiti, pois ela também precisava do apoio do namorado assim como eu.
Charlie, Jasper e Alice tentaram falar comigo durante os dias que se seguiram, mas eu recusei a ligação de todos. Não estava pronta para falar com ninguém da minha família depois do que aconteceu naquele sábado.
Já fazia quase um mês que Charlie e Renée voltaram a Forks e, desde então, a única Swan com a qual eu tive contato direto, foi Lara. Eu não estava com raiva do meu irmão e de Alice, mas o fato de eles não terem me defendido quando Renée me atacou me magoou e eu precisava de tempo para superar aquele jantar.
− Terra chamando Bella... – Edward sussurrou no meu ouvido e eu o encarei, deixando as lembranças horríveis daquele jantar de lado e me concentrando no meu namorado lindo que me encarava divertido.
− Oi, amor... Estou aqui. – Falei, beijando seus lábios e ele sorriu.
− Tommy e eu vamos para casa. Amanhã, no fim do dia, passo para te buscar. Vamos passar dias maravilhosos em Boston. E não se preocupe com as passagens. Minha secretária já cuidou de tudo. – Ele declarou e eu estreitei os olhos em sua direção.
− Como assim cuidou de tudo? Você nem tinha certeza se eu ia. – Eu falei ele riu.
− Claro que eu tinha. Você não aguentaria ficar tanto tempo longe de mim. – Ele declarou e eu revirei os olhos para sua total falta de modéstia.
− Certo, Cullen. Sofia e eu vamos a Boston com vocês. Mas, eu sustento minha posição sobre sexo na casa dos seus pais. Não e não. – Eu declarei e ele revirou os olhos.
− Vai ser divertido. Nossas primeiras férias em família. Vou tirá-la de Los Angeles por um tempo e fazê-la se esquecer de tudo de ruim que aconteceu esse ano. Vou dividir meus pais e minha família com você. Vou te fazer sorrir e te amar muito. Vou convencê-la a se casar comigo e a fazer sexo na casa dos meus pais. – Ele declarou decidido e eu sorri, beijando seus lábios e chegando a óbvia conclusão de que ter Edward na minha vida todos os dias e para sempre não seria, nem de longe, um sacrifício.
Ele era perfeito pra mim e eu o amava. Muito.
Meu namorado não precisava saber ainda, mas minha decisão para o seu pedido de casamento já estava tomada e não podia ser outra além de sim. Eu aceitaria passar o resto dos meus dias sendo amada por ele.
Não havia outro futuro para mim, pois eu já pertencia a Edward Cullen.
Fale com o autor