Capítulo 25

Pov. Sofia

Minha avó era uma pessoa horrível e eu tinha pleno conhecimento disso, já que fui obrigada a conviver com ela durante alguns anos da minha infância, quando minha mãe ainda não podia sustentar a nós duas sem a ajuda de vovô Charlie.

Vovó Renée nunca me aceitara, pois, segundo suas concepções, minha chegada inesperada atrapalhara o futuro brilhante que ela planejara para minha mãe. Sendo assim, ser distratada por ela era algo corriqueiro para mim. Renée gostava apenas de Lara e nunca fizera questão de esconder isso de ninguém. Todavia, hoje ela fora grossa com Tommy e Edward, duas pessoas maravilhosas que faziam muito bem a minha mãe e a mim e que não mereciam ser alvo de sua total falta de educação e tato.

Os avós de Tommy eram tão legais e receberam tão bem minha mãe e a mim que só de me lembrar da cena horrível que Renée protagonizara essa noite eu tinha vontade de gritar.

Suspirei pesadamente e me virei no colchão lentamente, tomando cuidado para não acordar Mia. Fechei os olhos tentando dormir, mas como não obtive sucesso, me levantei e, silenciosamente, me esgueirei para a sala, onde Tommy dormia. Fui até ele e me deitei ao seu lado, fazendo com que ele acordasse assustado.

− Sofia? Tá fazendo o que aqui?

− Eu não consigo dormir e quando isso acontece eu vou para a cama da minha mãe. Mas, hoje Edward está lá. Então eu vim até aqui. – Eu expliquei e ele sorriu, me abraçando e beijando minha testa.

− Por mais que eu goste da ideia de dormir ao seu lado, não acho que sua mãe vai gostar de te ver aqui. Ontem de manhã ela surtou quando nos viu dormindo juntos. –Tommy falou e eu fiz uma careta, o que o fez rir.

− É... Se ela me pega aqui com certeza vai surtar. Ela teme que você roube minha virtude. – Eu gracejei e ele riu. − Mas, isso não vai acontecer, pois pretendo voltar para minha cama logo. Só vim até aqui para me desculpar pela avó horrível que eu tenho. Não consigo parar de pensar na forma como ela tratou você e Edward essa noite. – Eu falei revoltada e ele revirou os olhos.

− Esquece isso, Sofia. Você não tem controle sobre o comportamento das pessoas. Sua avó é horrível sim, mas a forma como ela me tratou não me incomodou. Na verdade, eu não gostei da forma como ela tratou você. Poxa, você é tão neta dela quanto a Lara. Então, porque a diferença no tratamento? – Ele perguntou e eu suspirei, dando de ombros.

− Não faço ideia. Acho que talvez seja pela forma como eu fui concebida. Minha mãe era muito jovem, Jacob abandonou ela grávida, meus avós tiveram que assumir os gastos comigo no início...

− Pelo que eu entendi seu tio também era muito jovem quando se tornou pai da Lara.

− Sim. Mas, tio Jasper não abandonou a namorada grávida. Os dois assumiram Lara e se casaram. Tio Jasper conseguiu um emprego em Seattle e eles se mudaram de Forks. Depois, vieram para Los Angeles onde vivem bem até hoje. Já minha mãe teve que ficar em Forks, estudar e trabalhar para ajudar no meu sustento. Mas, como ela era apenas uma adolescente, o salário era muito baixo e meus avós tinham que nos ajudar. Além disso, nos finais de semana, minha avó era obrigada a ficar comigo, pois minha mãe trabalhava e a creche na qual eu ficava não funcionava.

− Mas, isso não justifica, Sofia. Ela é sua avó. Eu sei que sua mãe era jovem quando engravidou, mas ela é filha deles. O mínimo que se espera nesse caso é um pouco de apoio.

− Ela teve o apoio deles, mas minha avó sempre fez questão de deixar claro que foi contra a vontade dela. Só que isso não me afeta mais. Já me acostumei com a frieza de Renée.

− Claro que isso te afeta. Se não afetasse, você estaria dormindo agora. – Ele concluiu e eu suspirei, sentindo os meus olhos marejados.

Claro que a rejeição de Renée me afetava. Eu queria ser amada e querida pelos meus avós como Lara era. Mas, há muito tempo, a fim de não deixar minha mãe triste, eu fingia que não ligava para a frieza de Renée, mesmo que todas as vezes que ela agia da forma como agira naquela noite eu me sentisse horrível.

− Sua avó é tão legal, doce e divertida. Você se importa em dividi-la comigo? – Eu perguntei com a voz embargada pelo choro e Tommy sorriu, beijando delicadamente os meus lábios.

− Claro que eu não me importo, princesa. Eu divido tudo com você no momento em que você desejar. Meus avós, tios, primos, pai e irmã. Tudo. – Ele declarou de maneira fofa e eu sorri, me aproximando do seu corpo e escondendo o rosto na curva do seu pescoço.

− Obrigada por ser sempre tão fofo e compreensível.

− Eu não sou fofo, Sofia. – Ele reclamou e eu ri, encarando-o divertida.

− Claro que você é.

− Não. Fofo não é coisa de macho. Eu sou foda, pegador, bonitão. Fofo não. – Ele declarou e eu ergui uma sobrancelha em sua direção.

− Ah, é? Você é pegador, Antony Denali Cullen? Fale mais sobre isso. – Eu falei ironicamente e mesmo com o ambiente escuro percebi que ele corou.

− Hoje eu não sou mais pegador, pois tenho você, minha namorada linda. Mas, eu já fui um pegador.

− Pensei ter ouvido você dizer que não tinha ficado com tantas garotas. – Eu falei emburrada e ele riu, beijando a ponta do meu nariz.

− Eu disse que nunca havia namorado, mas eu não era nenhum monge. Claro que eu ficava com muitas garotas. Essa era a graça de ser o capitão do time de futebol da escola. – Ele falou e eu dei um tapa em seu braço, o que o fez rir. – Calma, princesa. Agora eu só fico com você.

− Eu acho muito bom, Antony. Não queira conhecer a minha ira. – Eu ameacei e ele riu, me abraçando e me aconchegando em seu peito.

− Fique tranquila, pois te dou minha palavra que você jamais precisará usar sua ira comigo. Pelo menos não pelo fato de eu seu um ex-pegador. − Ele afirmou e eu sorri satisfeita.

− É muito bom ter você comigo, principalmente agora com o retorno inesperado de Jacob Black e a visita dos meus avós. Você tem sido incrível e seu pai também. Minha mãe e eu temos sorte de estarmos envolvidas com os Cullen.

− É para isso que servem os namorados, princesa. E meu pai e eu também temos sorte em ter vocês. Bella é maravilhosa comigo e com Mia e faz o meu pai imensamente feliz. E eu nem preciso dizer o quão bem você me faz. – Ele falou, beijando o topo da minha cabeça e eu sorri.

− Eu não queria namorar você. Tinha medo de me apaixonar e sofrer caso a gente terminasse. Algo assim afetaria a relação dos nossos pais e eu não podia permitir que minha mãe sofresse. Não depois de tudo o que ela enfrentou por mim e não agora que ela encontrou um cara decente que a ama e a respeita. Mas, aceitar ser sua namorada foi a melhor coisa que já fiz.

− Não vamos terminar. Nunca. Você vai ter que me aturar para sempre. – Ele declarou e eu sorri, sentindo meus olhos pesados de sono.

O certo era eu voltar para o meu quarto, mas estava tão bom ali com ele que eu me deixei levar. Um cochilo ao seu lado não faria mal a ninguém.

− Estou contando com isso. – Eu murmurei, em resposta ao seu comentário anterior, e me entreguei ao sono que me tomava.

Acordei com o sol batendo em meu rosto e assim que abri os olhos, me deparei com o olhar reprovador da minha mãe.

− Qual é a desculpa dessa vez, Sofia Swan? – Ela perguntou séria e eu suspirei, me desvencilhando de Tommy e me sentando ao seu lado. Meu movimento fez com que meu namorado acordasse também.

Ele empalideceu quando percebeu que minha mãe nos encarava zangada.

− Não vou dar nenhuma desculpa, mãe. Eu me deitei aqui para conversar com ele e acabei dormindo. Mas, nós só dormimos. E eu gostaria que você parasse de achar que vamos transar no sofá da sala todas as vezes que nos pega juntos aqui. – Eu declarei e minha mãe estreitou os olhos em minha direção.

− Sofia! – Tommy falou envergonhado e eu revirei os olhos para sua indignação, ainda prestando atenção em minha mãe.

− Vá se arrumar para a escola. E, por favor, não fale em transar quando estiver de pijama na mesma cama que seu namorado. – Ela pediu e eu suspirei, seguindo em direção ao banheiro, onde Mia já se arrumava.

− Você estava com o meu irmão? – Ela me perguntou e eu assenti, enquanto lavava o rosto e escovava os dentes. – Sua mãe não me pareceu nada contente quando percebeu que você não tinha dormido aqui no quarto comigo. Acho que ela não gosta que você e Tommy dividam a mesma cama.

− Não. Ela não gosta. − Eu falei com a boca cheia de espuma e Mia riu.

− Por quê ela não gosta? Vocês fazem as mesmas coisas que os adultos fazem? – Ela me perguntou e eu cuspi a espuma na pia, me virando para encará-la.

− Que tipo de coisas?

− Namorar pelados. – Ela sussurrou como se me contasse um segredo e eu enrubesci, encarando-a chocada.

O que uma menina de oito anos, quase nove, podia saber sobre sexo?

− De onde você tirou isso, Mia? – Eu perguntei e ela revirou os olhos, me olhando como seu eu não tivesse cérebro.

− Eu sei o que meu pai e sua mãe fazem quando estão sozinhos. Eles namoram pelados. E é por isso que nós não podemos entrar no quarto sem bater. Foi o Nathan da minha turma que me contou. Ah, e é assim que se faz bebês também. – Ela concluiu e eu continuei encarando-a, pensando em confrontar esse tal Nathan para que ele não continuasse a corromper a mente da minha irmãzinha com esse papo de namorar sem roupas. Conversaria com Tommy a respeito.

− Mia, você não deve dizer esse tipo de coisa por aí. E, respondendo à sua pergunta, não. Eu e seu irmão não namoramos pelados. – Eu falei, sentindo meu rosto quente devido ao tópico da nossa conversa e Mia sorriu, me encarando cheia de sabedoria.

− Mas, vão namorar assim um dia, não é?

− É... Um dia. – Eu murmurei envergonhada e ela sorriu mais uma vez, parecendo satisfeita com a minha resposta.

Depois de prontas, fomos para a cozinha e eu enrubesci quando encarei Tommy e me lembrei da conversa que tinha acabado de ter com Mia no banheiro.

− Se apressem ou chegaremos todos atrasados. – Minha mãe falou, colocando panquecas no meu prato, enquanto ainda me lançava olhares zangados e eu suspirei, começando a comer.

− Hoje à noite nós jantaremos juntos. Queremos conversar com vocês. – Edward declarou, trocando um olhar com minha mãe e eu os encarei.

Será que eles se uniriam para nos dar bronca por eu ter dormido no sofá com Tommy?

− Sobre o que será a conversa? – Tommy perguntou e Edward sorriu ironicamente para ele.

− Não será sobre as pernoites no sofá de vocês dois. Fiquem tranquilos. – Ele declarou debochado e Tommy e eu coramos.

− Papai, não tem problema eles dormirem juntos. Sofia me garantiu que eles ainda não namoram pelados. – Mia declarou e Edward pulverizou o café que bebia, enquanto minha mãe engasgava com a comida e Tommy olhava chocado para a irmã.

Eu, por outro lado, queria ter o poder de desaparecer dentro do meu prato de panquecas.

− Mia Denali Cullen! Que história é essa? – Edward perguntou chocado, após se recuperar do susto e Mia revirou os olhos.

− Eu sei que os casais namoram pelados. Mas, Sofia disse que ela e meu irmão ainda não fazem isso.

− Ainda? – Minha mãe perguntou, me fuzilando com o olhar e eu gemi baixinho, querendo estrangular a loirinha linguaruda sentada bem a minha frente.

− É. Eles ainda não fazem. Mas, vão fazer um dia. Não é, Sofia? – Mia me perguntou e eu respirei fundo, tentando, sem sucesso, conter o rubor do meu rosto. Evitei, de propósito, olhar para Tommy.

− Come suas panquecas, Mia. – Eu resmunguei e ela deu de ombros, voltando a comer.

Como minha mãe ia para o hospital naquele dia, ela fez questão de me levar para a escola, pedindo que Edward levasse os filhos, já que ela queria dar uma palavrinha comigo.

− Sofia, Edward e eu estamos pensando em morar juntos. Nós funcionamos bem como uma família e gostaríamos de tentar viver como uma. Mas, essas fugas noturnas para a cama de Tommy terão que parar ou isso não vai dar certo. – Ela falou, enquanto manobrava o carro para fora da garagem do nosso prédio e eu suspirei.

− Mãe, você confia em mim?

− Confio.

− Confia na criação que você deu a mim?

− Confio. Claro que sim.

− Então, porque você fica tão zangada quando me pega ao lado de Tommy de manhã? Acredite em mim quando digo que nada aconteceu. Tommy e eu apenas conversamos. Eu sei que o que a Renée disse sobre estarmos sob o mesmo teto mexeu com você, mas mãe, ele e eu somos responsáveis e jamais faríamos nada para decepcionar você e o Edward. Quando sexo estiver nos nossos planos, você será a primeira a saber. Eu prometo. – Eu falei e ela suspirou.

− Eu estou sendo boba, não é? – Ela perguntou e eu sorri, segurando sua mão com carinho.

− Boba não. Você está sendo mãe. Eu sei que fugir para a cama de Tommy no meio da noite não é algo muito... Ah, muito ortodoxo. – Eu gracejei e ela riu. – Mas, mesmo que a gente fique junto durante quase todo o dia, não sobra muito tempo pra gente conversar. Estamos sempre cheios de dever de casa e acompanhados. Nunca temos tempo de qualidade para conversarmos e trocarmos confidências. E Tommy é um bom ouvinte. Gosto de conversar com ele. Ontem, depois da visita dos meus avós, eu queria desabafar com alguém. Teria ido para sua cama, mas você estava acompanhada. Então, eu fui até Tommy. Mas, como ele disse à vovó, nós respeitamos a sua casa e jamais faríamos algo para envergonhá-la ou ao Edward.

− Eu sei, meu amor. Peço desculpas pelo meu exagero. Afinal, você sempre me ouviu falar sobre sexo e eu estou me tornando uma bela hipócrita agindo assim com Tommy e com você pelos simples fato de vocês terem dividido uma cama. Ou melhor, um sofá. Mas, nós mães somos programadas para sermos bobas assim. Principalmente quando as filhas crescem e se tornam lindas mulheres que até já namoram. Prometo tentar me controlar daqui para frente se você mantiver a promessa de me contar quando vocês dois forem iniciar uma vida sexual.

− Eu prometo. Eu sempre dividi tudo da minha vida com você e agora não seria diferente. A propósito, eu acho que estou apaixonada. – Eu falei corando e ela riu, me encarando enquanto parava em um semáforo.

− Você acha? Pois eu tenho certeza de que você está apaixonada, meu anjo. E ele também está caidinho por você.

− Tommy está sendo meu porto seguro em meio a tudo o que tem acontecido ultimamente. É muito bom poder contar com o apoio dele sempre. Sem contar que ele é carinhoso, atencioso e fofo na maior parte do tempo. – Eu declarei e ela sorriu.

− Acho que essas características são genéticas, então. Edward é tudo isso também. – Ela falou divertida e foi minha vez de sorrir.

− Nós somos garotas sortudas, não é, mamãe?

− Demais, meu amor. Demais. Agora, tenha uma boa aula. Depois da escola, vá direto para casa e faça o dever, pois temos um jantar importante hoje.

− Edward vai pedir a sua mão em casamento para mim? – Eu perguntei divertida e ela corou, rindo em seguida.

− Não falamos nada sobre casamento. Ele expressou a vontade de morarmos juntos. Mas, como isso afeta todos nós, precisamos da opinião de vocês. Por isso, o jantar.

− Entendi. Bem, de qualquer forma, ele já tem a minha benção. Afinal, ele aceitou se tornar o meu pai. Já até considero Mia como minha irmã. Ela, inclusive, é inconveniente como uma. – Eu declarei e minha mãe riu.

− Aquilo de namorar pelado foi o fim da picada. Mas, é Mia. O que esperar daquela garotinha?

− Pois é! Ela vai deixar você e Edward louquinhos. Ah... E por falar nisso, ela não quer irmãos. Disse que quer ser a caçula para sempre. – Eu contei e minha mãe me encarou surpresa.

− Sério?

− Sim. Você e Edward pensam em ter mais filhos? – Perguntei curiosa e minha mãe suspirou.

− Não conversamos a respeito, mas eu gostaria de engravidar outra vez. No entanto, vamos deixar acontecer. Não precisamos nos preocupar com isso agora. Até porque, tenho certeza de que se um dia eu chegar a engravidar, Mia vai curtir a ideia.

− Nós vamos convencê-la. Agora, eu tenho que ir. Até mais tarde, mãe. – Eu falei, lhe dando um beijo no rosto e ela sorriu.

− Até, meu amor. Cuide-se. – Ela falou, afastando-se com o carro e eu fui depressa para minha primeira aula, pois o sinal já havia tocado.

Foram duas aulas torturantes de matemática, nas quais eu recebi pelo menos uma notícia boa. Eu havia tirado A no último teste, o que significava que eu tinha derrotado a álgebra graças à ajuda do meu lindo namorado.

− Olha só... Parece que seu cérebro resolveu funcionar, não é Sofia? Acho que nunca a vi tirando A em matemática. – Mary Jane comentou mordaz e eu revirei os olhos, sorrindo debochada para ela.

− Pra você ver. Mas, esse A só foi possível graças a todas as tardes de estudo que passei ao lado de Antony. Ele é tão dono desta nota quanto eu. Sabe, ele é um ótimo namorado. Está sempre disposto a me ajudar. – Eu declarei e ela bufou, ficando vermelha de raiva.

Ponto pra mim!

Deixei-a falando sozinha e fui para o vestiário, pois nossa próxima aula era de Educação Física. Mas, quando me lembrei de que não poderia participar do treino de vôlei, desanimei.

− Nada de vôlei para nós, não é? Isso é tão injusto! Somos as melhores do time. – Lara falou, sentando-se ao meu lado na arquibancada com uma carranca e eu sorri.

− Eu era a melhor do time, Lara. Você era só boa. –Eu declarei, provocando-a e minha prima me encarou indignada.

− Isso não é verdade, Sofia Swan. Eu sou muito boa. Excelente, aliás, embora seja provável que eu jamais supere o seu saque perfeito. – Ela falou, indicando Mary Jane, que se sentara na arquibancada do outro lado do ginásio com o seu séquito de patricinhas fúteis, e eu revirei os olhos.

− Um dia, vocês terão que se esquecer dessa bolada. – Eu resmunguei e ela riu.

− Jamais. Vou contar sobre o nariz quebrado de Mary Jane para os meus netos. – Ela falou e eu ri, balançando a cabeça. – Por falar em netos, nossos avós vão ficar em Los Angeles até domingo.

− Hum... Legal! – Eu murmurei desinteressada e Lara suspirou.

− Eu sei que a vovó não te trata muito bem, mas ela é a única avó que temos. Vocês duas precisam se entender.

− Ela não é a única avó que eu tenho, Lara. Esme Cullen agora é minha avó e eu prefiro mil vezes estar com ela a estar com Renée, que é desagradável, grossa e sem noção. – Eu falei com raiva e Lara se encolheu, me lançando um olhar ressentido.

− Eu queria tanto que vocês se dessem bem. Você ficaria surpresa com o quanto ela pode ser divertida.

− Tenho certeza que ficaria surpresa, já que ela nunca foi divertida comigo. Agora, chega desse assunto, pois Renée Swan me dá náusea. – Eu declarei e ela bufou, mas não disse mais nada.

Na hora do almoço eu me sentei com Tommy e Lara foi ficar com as meninas da equipe de ginástica que eram suas amigas, mas que eu não suportava.

− Tudo bem entre Lara e você? – Tommy perguntou, roubando descaradamente o meu pudim e eu assenti, batendo em sua mão.

− Sim. – Eu murmurei e ele levantou uma sobrancelha, me olhando em dúvida.

− Tem certeza? Vocês não se desgrudam. Porque ela foi se sentar com aquelas meninas hoje? – Ele perguntou curioso e eu suspirei.

− Ela veio me falar da vovó e eu meio que a cortei. Lara gosta de Renée porque é bem tratada, mas eu não sou obrigada a compartilhar dos mesmos sentimentos, já que minha avó sempre me tratou como lixo.

− Essa diferença que sua avó faz entre vocês nunca vai me entrar na cabeça. – Ele falou revoltado e eu respirei fundo, sorrindo em seguida.

− Renée é louca e loucos devem ser deixados de lado. E para de roubar minha comida, Cullen. – Eu falei, batendo em sua mão quando mais uma vez ele tentou furtar o meu pudim e ele riu, me abraçando e beijando meu rosto.

Mary Jane, que estava sentada a algumas mesas de nós, nos lançou um olhar irado. Mas, ela que explodisse junto com sua raiva. Tommy era meu e não havia a menor possibilidade de ela colocar as mãos nele sem que eu as arrancasse.

Depois do almoço, fui para a aula de literatura, que era uma das minhas preferidas e, quando dei por mim, já era hora de voltar para casa.

− Hoje eu vou com Mia para minha casa. Meu pai não nos quer sozinhos mais que o necessário. Tive que ouvir um discurso bem longo por causa disso hoje de manhã. Até sobre camisinha meu pais quis conversar. –Tommy declarou e eu ri. – Não ria, senhorita Swan. Isso é o que acontece quando você foge para minha cama na calada da noite. – Tommy falou fingindo-se de bravo e eu revirei os olhos.

− Eu tive que conversar sobre camisinha com a minha mãe também, mesmo eu garantindo que não temos planos de transar em breve. Então, estamos quites, senhor pegador.

− Pensei que tivéssemos chegado a um acordo sobre essa coisa de pegador ontem à noite. – Ele resmungou, beijando meus lábios de leve e eu sorri.

− Chegamos, mas eu não podia perder a chance de te provocar.

− Sei... Bem, e quanto a sua afirmativa de não transarmos em breve ou namorarmos pelados, como minha irmã tão bem definiu, saiba que vou esperar o seu momento. Quando você estiver pronta eu também estarei. – Ele declarou e eu sorri largamente, beijando seu rosto em seguida.

− Viu? Por isso que você é classificado como fofo nos meus padrões. – Eu falei e ele revirou os olhos, beijando a ponta do meu nariz, o que me fez rir.

− Tá, Sofia. Vai pra casa agora. Sua tia está esperando. Vejo você à noite. – Ele falou, beijando meus lábios com carinho e eu fui em direção ao carro da minha tia, que me esperava impaciente.

− Que linda você! Namorando e me deixando aqui plantada em meio a esse trânsito caótico. – Tia Alice falou e eu corei, lançando a ela um sorriso amarelo.

− Desculpa, tia. – Eu murmurei e ela riu.

− Tudo bem, gatinha. Deve ser muito difícil resistir ao seu lindo namorado.

− Você nem imagina o quanto. – Eu declarei e ela riu, bagunçando meus cabelos.

Como meus avós estavam hospedados na casa dela, eu declinei o convite para um lanche e pedi que ela me deixasse em casa. Lara não pareceu aprovar minha decisão, mas não disse nada, o que eu achei ótimo. Não queria discutir com a minha prima por causa de Renée.

Eu estava procurando pelas minhas chaves enquanto esperava o elevador quando Jacob Black brotou ao meu lado, quase me matando de susto.

− O que está fazendo aqui? – Eu perguntei brava e ele suspirou, me olhando sério.

− Eu vim para conversar com você. Preciso daquela certidão de nascimento, Sofia. É caso de vida ou morte. – Ele declarou e eu bufei, cruzando os braços sobre o peito e encarando-o.

− Era um caso de vida ou morte que você me assumisse desde o meu nascimento e ajudasse na minha criação. Mas, você sumiu. Então, eu não tenho nenhuma obrigação em te ajudar agora. Aliás, eu não quero te ajudar. – Eu declarei e ele bufou mais uma vez, segurando o meu braço com força.

−Escuta garota, eu estou devendo uma grana para uns agiotas. Preciso da herança do meu pai para quitar essa dívida, ou eles vão me matar. Mas, para receber essa maldita herança eu preciso reconhecê-la como filha. Então, ou você me ajuda, ou o peso da minha morte vai recair todo sobre você. Como vai ser? – Ele falou ríspido e eu gemi de dor, enquanto tentava libertar o meu braço.

− Me solta! Você está me machucando. – Eu falei amedrontada e ele liberou o meu braço.

− Eu prometo que te deixo em paz no momento em que tiver essa certidão nas mãos. Você e sua mãe não me interessam. Eu até queria levar Bella para cama de novo, porque ela está ainda mais gostosa do que quando era adolescente, mas eu não tenho tempo pra isso. Quero a herança do meu pai e eu vou ter, nem que para isso eu tenha que sequestrá-la. Então, como vai ser? Por bem ou por mal? – Ele perguntou e eu engoli em seco, contendo a vontade de mandá-lo para o inferno depois de ouvir suas declarações sobre minha mãe.

− Eu tenho que falar com a minha mãe...

− Não. Você tem que tomar uma decisão, garota. Nós precisamos apenas de um exame de paternidade e, depois disso, eu vou sozinho ao cartório de Forks e faço a mudança na sua certidão. Já até combinei tudo com o cartorário. – Ele declarou e eu revirei os olhos para o seu tom. No mínimo ele devia ter subornado o funcionário do cartório.

− Eu não faço nada sem falar com a minha mãe. – Eu falei decidida e ele grunhiu, agarrando meu braço e me levando para fora do prédio.

− Me solta! Socorro! José, liga pra minha mãe. Pra polícia. – Eu gritei para o porteiro e ele assentiu, me olhando assustado e já pegando o telefone.

− Para de gritar. Você vai fazer esse exame sim. – Ele falou, enquanto tentava me colocar em um carro e eu comecei a chorar, enquanto fazia força para me livrar do seu aperto.

− Me solta, seu desgraçado. Minha mãe vai te por na cadeia e jogar a chave fora. − Eu gritei e ele bufou, me empurrando com mais força.

− Solta ela, Jacob Black. – Eu ouvi a voz irada de Edward e respirei aliviada, me desvincilhando de Jacob e correndo para o seu lado.

Não sei dizer o porquê do namorado da minha mãe estar ali, mas agradeceria eternamente por ele ter aparecido no memento em que Jacob me obrigava a entrar em seu carro.

Mas, ao perceber a forma como Edward e Jacob se encaravam, eu senti medo.

Medo de que eles se agredissem e que aquele embate não terminasse bem.

Ai meu Deus do céu, me ajuda!