Laços de amor
11 Capítulo 11
Capítulo 11
Pov. Bella
Eu tinha um namorado. Um namorado que, além de lindo, gentil, amoroso e atencioso era um excelente pai.
E isso era mais do que perfeito, pois se ele amava tanto os próprios filhos saberia amar e respeitar a minha filha.
E por falar na minha filha, eu precisava conversar com ela a respeito dos acontecimentos inusitados daquela noite.
Sai pela casa em busca da minha pequena e a encontrei na cozinha tomando chá. Havia uma xícara pronta pra mim sobre o balcão, o que fez sorrir para o fato de que ela sabia que eu iria procurá-la.
− Chá preto e sem açúcar. O seu preferido, mãe. Eu fiz para facilitar o interrogatório que será iniciado nessa cozinha. – Sofia falou sem me olhar e eu sorri, beijando seus cabelos e me sentando ao seu lado.
− Não é um interrogatório. É uma conversa sincera entre mãe e filha. Eu preciso saber se depois de tudo o que aconteceu esta noite você está mesmo bem. – Eu declarei, tomando o meu chá e ela sorriu, recostando-se em meu peito.
− Estou. Eu me sinto imensamente feliz pela oficialização do seu namoro e pela alegria que vejo estampada em seu rosto sempre que está perto de Edward. Ele parece tão apaixonado e eu tenho certeza de que vai cuidar muito bem de você.
− Mas... – Ei incentivei e ela suspirou.
− Mas, eu me sinto tão confusa com o que está acontecendo entre Antony e eu. – Ela murmurou e eu suspirei, beijando seus cabelos mais uma vez.
− Defina confusa.
− Ah, mãe... É óbvio que rola algo entre nós dois se até a Mia, que é apenas uma criança, já percebeu. Mas, isso tudo é tão surreal. Nunca, nem eu meus devaneios mais loucos, pensei que Antony Cullen pudesse se interessar por mim de alguma forma. Sou tão comum... – Ela falou e eu fiz uma careta, fazendo com Sofia se virasse para me encarar.
− Odeio quando você se diminui, Sofia. Você não tem nada de comum, filha. Você é uma menina linda, inteligente, doce, simpática... É leal, amiga, companheira, compreensiva. Eu sei que não deu tempo de Antony conhecer todas as suas qualidades ainda, mas ele conseguiu enxergar além dessa capa de menina tímida e ficou encantado. Edward me disse que ele gostava de você antes de eu ele nos conhecermos. Então, se apaixonar por você é possível sim. – Eu falei convicta e ela suspirou, voltando a recostar-se contra o meu peito.
− Ele me disse hoje que subornou o carinha da biblioteca para que pudesse ler minha ficha de leitura. Falou também que ia aos jogos de vôlei para me ver. Eu sempre achei que ele ia ao ginásio para acompanhar Mary Jane. Mas, ele estava lá por minha causa. Você tem noção do quanto isso é surreal, mãe?
− O amor é surreal mesmo, filha. Veja o meu caso. Fui convencida por Lara e por você a criar um perfil no Tinder e conheci um cara maravilhoso que agora é meu namorado e eu estou imensamente feliz. Essa irrealidade é que torna as coisas interessantes. Não busque explicação pra tudo, meu anjo. Deixe acontecer. – Eu aconselhei e ela sorriu.
− Vou deixar. Só espero que Mia não me coloque contra a parede outra vez. Foi o momento mais constrangedor da minha vida quando ela perguntou se eu não iria namorar o irmão dela. – Ela falou rindo e eu a acompanhei.
Quando Mia falou que tinha uma dúvida eu não imaginei, nem por um momento, que envolvesse Antony e Sofia. Foi um choque também para mim sua pergunta inusitada. Mas, minha filha se saíra bem na resposta e, minutos depois do incidente, todo mundo havia esquecido o assunto e voltado a interagir alegremente.
− Mia é uma garota esperta. Ouviu uma conversa aqui e ali e tirou suas próprias conclusões. Ela torce por você e pelo irmão dela. Se analisarmos a situação por esse prisma, a pergunta dela foi bonitinha. – Eu declarei e Sofia fez uma careta, me olhando divertida.
− Bonitinha porque não foi com você, Isabella Swan.
− Eu queria que ela se entusiasmasse assim com o meu namoro. Mas, parece que só uma das Swan caiu nas graças dela. Vou levar uma vida para trazer Mia para o meu time. – Eu comentei triste e Sofia riu.
− Fica tranquila, mãe. Mia parece durona, mas é porque nunca teve o carinho de uma mãe. Pelo que entendi, a mãe deles morreu quando Mia ainda era um bebê. Edward é tudo o que ela tem e Mia tem medo de que uma mulher a tire dela. É insegurança, mãe. Só isso. Você só precisa provar que não vai tirar o pai dela e tudo vai ficar bem. – Sofia falou e eu sorri, beijando sua testa.
− Assim espero, amor. Agora, vamos dormir pois eu tenho um baita plantão amanhã. Obrigada pelo chá. – Eu agradeci e ela piscou para mim, levando as xícaras até a pia e me seguindo em direção aos quartos.
Dei-lhe um beijo de boa noite e fui para meu quarto, me deitando em seguida.
Peguei meu celular para ativar o alarme da manhã e sorri ao visualizar uma mensagem de Edward.
Edward: Já estou com saudades do seu sorriso lindo e dos seus beijos.
Sonhe comigo! Beijos!
Esse homem era perfeito e fofo demais para ser real.
E, de repente, eu senti medo de acordar e me dar conta de que tudo o que eu vivi nessas últimas semanas não passara de um sonho.
Mas, Edward era real e, para comprovar isso, respondi sua mensagem na intenção de fazê-lo sorrir assim como ele havia feito comigo.
Bella: Eu também estou com saudades, namorado!
Sinta-se beijado neste momento.
Até amanhã!
Eu enviei a mensagem e fiquei a espera da resposta, que não demorou a chegar.
Edward: Vai dormir, moça bonita.
Você tem que estar descansada para o seu plantão.
Amanhã, passo lá para pegar ganhar esse beijo pessoalmente.
Boa noite!
Eu sorri largamente ao ler sua mensagem e depois de conectar o celular ao carregador, me entreguei a um sono tranquilo cheio de sonhos com o meu viúvo lindo e perfeito.
**********
Deixei Sofia em casa dormindo e fui para o hospital, onde trabalhei sem parar. Fiz exames, participei de cirurgias, visitei pacientes, preenchi prontuários e quando recebi um recado da recepção informando que tinha uma pessoa me esperando, senti meu estômago se revirar de ansiedade e alegria.
Meu lindo namorado viera mesmo me ver.
− Oi, namorada. Que saudade! – Ele falou, beijando meus lábios com carinho e eu derreti em seus braços.
− Olá, namorado. Achei que tivesse se esquecido da promessa de vir cobrar o seu beijo pessoalmente.
− Desculpe-me pela demora, linda. Tive um compromisso na escola de Mia e só depois de levá-la a sorveteria é que fui liberado para vir encontrar a minha namorada. Mas, estou aqui e vou cobrar quantos beijos eu puder. – Ele explicou e eu sorri, deixando que ele me beijasse o quanto quisesse.
Edward sabia, definitivamente, como beijar uma mulher e eu sentia minhas pernas bambas todas as vezes que seus lábios tocavam os meus e se não estivéssemos na recepção de um hospital eu provavelmente estaria me agarrando a ele de uma forma nada educada.
− Eu queria que estivéssemos em outro lugar e de preferência sozinhos. – Edward falou contra os meus lábios e eu sorri.
− Eu também queria. Assim, poderia te beijar direito.
− O que acha de jantarmos essa noite? Só nós dois, dessa vez. – Ele ofereceu e eu sorri, acariciando seu rosto.
− Eu adoraria, mas hoje saio bem tarde do hospital. Vamos marcar esse jantar para o próximo sábado. – Eu ofereci e ele fez uma careta, beijando meus lábios em seguida.
− Tudo bem, então. Mas, o almoço de amanhã ainda está de pé, não é?
− Claro. Sofia e eu vamos cozinhar pra vocês. Mas, agora, eu preciso ir, namorado. Até amanhã!
− Até amanhã, minha linda! – Ele falou, beijando meus lábios mais uma vez e eu fiquei parada no lugar, observando-o se afastar e desejando poder acompanhá-lo.
Soltei um longo suspiro e voltei para minhas atividades médicas.
Cheguei em casa mais de meia-noite e sorri enternecida ao encontrar Sofia dormindo no sofá com a televisão ligada, certamente esperando por mim.
− Sofia... Amor, a mamãe chegou. – Eu falei, acariciando seus cabelos de leve e ela abriu os olhos, sorrindo quando me viu.
− Oi, mãe... Você demorou hoje, hein! – Ela falou e eu suspirei, me sentando no sofá e colocando sua cabeça sobre meu colo.
− Pois é... O hospital estava uma loucura hoje e quando estava para sair, um menino com o apêndice rompido deu entrada. Eu era a única cirurgiã pediátrica disponível e tive que atendê-lo. Estou exausta. Nem sinto os meus pés.
− Mãe, você trabalha demais. Agora, não é mais preciso fazer tantos plantões intermináveis, pois nossa situação financeira é estável. Temos nossa própria casa e nosso carro. Além disso, já disse que posso procurar um emprego de meio período para ajudá-la com as despesas. Eu não sou mais aquela menininha que você tinha que carregar para todos os lados e que dependia totalmente de você. Eu já sou uma mulher e posso te ajudar. – Ela ofereceu e eu sorri, beijando sua testa e me congratulando pela sorte de ter uma filha tão maravilhosa.
− Amor, eu aprecio sua oferta, mas não será necessário. Eu quero que você se dedique apenas aos estudos. Os plantões intermináveis não são porque estamos com dificuldades financeiras. Eu preciso estar lá para aprender, pois ainda não finalizei minha especialização. Só por isso. Mas, eu estou bem, meu amor. Cansada, mas muito feliz. – Eu declarei e ela riu.
− E acho que essa felicidade tem mais a ver com um certo namorado do que com qualquer outra coisa, não é? Ele foi te ver hoje?
− Foi. Mas, nos vimos por apenas alguns minutos. Ele queria sair pra jantar, mas hoje seria impossível. Aí, marcamos para o próximo sábado.
− Mas, amanhã ainda teremos o almoço, né?
− Sim. Já está confirmado. Mas, ele falou algo sobre sairmos sozinhos e, embora eu queira muito, tenho medo. – Eu confessei e Sofia me olhou confusa.
− Medo do que? De sair sozinha com ele? Achei que já tivéssemos passado dessa fase.
− Não tenho medo de sair sozinha com ele. Claro que não. Tenho medo do que pode acontecer depois do jantar, entende? – Eu perguntei e Sofia enrubesceu quando compreendeu o que eu estava querendo dizer.
− Mas, isso não precisa acontecer agora. Vocês podem esperar um pouco mais, mãe. Afinal, acabaram de iniciar o namoro.
− Filha, Edward é viúvo há oito anos. Pelo que entendi, ele teve pouquíssimas namoradas depois que a esposa morreu. Eu sou mãe, o que significa que não sou, definitivamente, uma virgem inexperiente. Quando estivermos sozinhos sexo é algo que inevitavelmente vai acontecer e eu... Bem, eu fico insegura, pois apesar de não ser nenhuma virgem, minha prática sexual é bem limitada. − Eu declarei e Sofia fez uma careta.
− Eu não sou a pessoa mais indicada para te dar conselhos nessa área, pois eu nem sequer beijei um garoto em toda minha vida. Mas, eu acho que vocês terão que entrar em um acordo sobre o melhor momento de iniciar a vida sexual de vocês. Deixa rolar, mãe e, se acontecer no próximo sábado, ótimo. Até porque, você não tem que se sentir insegura. Você é uma mulher linda, Isabella Swan. Linda e totalmente desejável. Pode acreditar. – Sofia falou e eu sorri, beijando seu rosto.
− Saber da sua inexperiência me deixa aliviada, filha. Não quero que você cometa os mesmos erros que eu cometi na sua idade. Você foi o meu maior presente e é o grande amor da minha vida. Eu amo você mais do que a mim mesma, mas acho que eu não deveria ter sido mãe tão jovem. Minha vida teria sido bem menos complicada. E quanto a deixar rolar, é o que vou fazer. Mas, só de pensar em ir pra cama com ele, eu sinto meu corpo estremecer.
− Bom, segundo alguns relatos e leituras que eu faço, isso se chama antecipação e desejo e não medo. Então, fique tranquila, mãe. Vai dar tudo certo. – Sofia falou, piscando para mim e eu ri.
− Vai sim, amor. Agora, vamos pra cama, pois amanhã temos um almoço para preparar.
Fomos para nossos respectivos quartos, mas quando saí do banho, Sofia estava esparramada na minha cama, o que me fez rir.
− Vai dormir aí?
− Vou. Quero aproveitar enquanto você ainda dorme sozinha. Porque depois que a senhorita tiver uma vida sexual, duvido que vá preferir a minha companhia. – Ela falou divertida e eu gargalhei, me deitando ao seu lado.
Dormimos rapidamente e quando o celular despertou eu gemi baixinho, tendo a impressão de que eu tivera apenas cinco minutos de sono.
Cutuquei Sofia irritantemente até que ela acordasse e depois do café, fomos ao mercado.
O almoço ficou pronto por volta do meio dia e foi nessa hora que a campainha tocou.
Foi uma delícia receber Edward e os filhos na minha casa. Mia ainda era um pouco retraída e fria na minha presença, mas pelo menos não me tratava com hostilidade e nem me fez vítima de nenhuma das suas travessuras.
Antony era uma graça. Educado, atencioso e gentil e eu podia perceber, pela forma como ele olhava para Sofia, que ele estava, de fato, apaixonando-se pela minha princesa.
− Você acha que vai dar namoro? – Edward perguntou, enquanto me ajudava com a louça e eu sorri, observando Sofia e Antony sentados sobre o tapete da sala conversando sobre livros, músicas e esporte.
Mia estava com eles e parecia bem atenta a conversa.
− Acho que sim. Os dois combinam bastante e ficam bonitinhos juntos.
− Eu também acho. Mas, eles têm medo de interferirem negativamente no nosso namoro. O que eu acho bobagem! Nada vai me separar de você. – Ele falou, me abraçando por trás e beijando meu pescoço e eu ri, sentindo meu corpo todo arrepiado.
− Os dois vão acabar percebendo isso e se entendendo. Sofia está confusa, mas Antony é um garoto legal e vai acabar provando pra ela que eles podem ficar juntos sem interferir na nossa relação. Até porque, eu também não pretendo me separar de você. – Eu falei, me virando em seus braços e beijando seus lábios, o que fez com que ele soltasse um gemido satisfeito.
− Eu adoro beijar você... – Ele sussurrou e foi minha vez de gemer baixinho.
Esse homem e sua fala mansa ainda acabariam comigo.
Ataquei seus lábios mais uma vez e só parei quando percebi a presença de alguém ao nosso lado.
Era Mia, que nos encarava com uma expressão de nojo.
− Algum problema, querida? – Eu perguntei e ela levantou a sobrancelha em nossa direção, alternando o olhar entre o pai e eu.
− Sofia, Antony e eu vamos sair para tomar sorvete. Vocês vão ficar sozinhos. Só, por favor, nada de produzir bebês. Eu quero continuar sendo a caçula. – Mia declarou e eu enrubesci na mesma hora, me afastando de Edward e olhando para ele assustada.
O que uma menina de oito anos anos podia saber sobre produzir bebês?
Essa criança era precoce demais para o meu gosto.
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