Capítulo 10

Pov. Antony

Minha irmã tinha que aprender a ficar com a boca fechada, pelo amor de Deus!
Tudo bem que eu daria o mundo para de ouvir a resposta de Sofia àquela pergunta sobre nós dois, mas ela não precisava ser feita na frente de tanta gente.
− Mia, por favor! – Eu pedi entredentes à minha irmã insolente e curiosa que me lançou um olhar irritado.
Como se ela, realmente, tivesse o direito de ficar brava naquele momento!
− É só Sofia responder que eu não pergunto mais nada. E não me venha com “por favor”, Tommy. Você quer saber essa resposta tanto quanto eu. – Mia respondeu petulante e eu tive a certeza que meu rosto era um tomate gigante, assim como o de Sofia.
Eu estava prestes a esganar minha irmã quando Sofia a segurou pelos ombros e fez com que Mia a encarasse. Ela não parecia brava, apenas constrangida, o que era surpreendente.
Eu no lugar de Sofia iria chacoalhar minha irmã e cortar sua língua para que ela deixasse de ser tão intrometida.
− Mia, vamos conversar sobre Tommy e eu em outra hora. Essa noite é dos nossos pais e não é justo que eles dividam a atenção com qualquer outro assunto que não seja o início do namoro deles. Pode ser assim? – Sofia perguntou suavemente e minha irmã revirou os olhos, sentando-se emburrada ao seu lado.
− Pode. Fazer o que? Mas, não pense você que eu vou esquecer. – Mia afirmou e Sofia e eu trocamos um breve olhar, enquanto todos os outros explodiam em risos.
Meu pai me lançou um sorriso solidário e Bella foi abraçar Sofia. Eu esperava que meu velho desse um jeito naquela pirralha, pois ela não podia dizer o que se passava na cabeça dela assim, sem mais, nem menos.
Mia precisava de limites e Edward Cullen teria que impô-los a ela. A força, se preciso fosse.
Depois que tudo voltou ao normal na sala após a passagem do furacão Mia Cullen, eu percebi o momento em que, silenciosamente, Sofia se esgueirou para o quintal da minha casa e eu não pude fazer outra coisa ao não ser segui-la.
Precisava conversar seriamente com ela.
− Fugindo? – Eu perguntei quando a encontrei imóvel observando a lua e ela me olhou por um momento, antes de soltar um longo suspiro e voltar a observar o céu.
− Estou tentando me recuperar da situação que Mia criou. – Ela respondeu baixinho e eu respirei fundo, me aproximando dela.
− Sinto muito por aquilo. Não sei de onde Mia tira essas coisas. – Eu falei e ela sorriu.
− Mia é uma criança esperta. Ela ouviu você falando de mim para o seu primo e certamente percebeu o clima entre a gente sempre que estamos juntos. Mas, não estou chateada com ela. Só queria que Mia não tivesse tocado nesse assunto em meio a tanta gente.
− Existe um clima entre nós? – Eu perguntei, não contendo minha curiosidade diante de suas palavras inesperadas e ela suspirou mais uma vez, me olhando de esguelha.
− Você sabe que sim. Eu achava que você era só... Ah, Antony, eu nunca imaginei que um cara como você iria reparar em uma garota como eu. Eu sou tão comum. Quase monótona, para dizer a verdade. E você... Bem, as meninas da escola morreriam para ter o mínimo da sua atenção. Você é bonito e popular e sabe disso. Mas, eu não te conhecia direito. Quer dizer, ainda não te conheço. No entanto, eu percebi que você é mais que um atleta bonito e burro... – Ela falou e eu sorri ao me lembrar das minhas próprias palavras afirmando exatamente aquilo.
E, realmente, eu não era um atleta bonito e burro. E Sofia Swan não era uma garota comum e monótona. Ela havia conquistado toda a minha atenção com apenas um sorriso. Um sorriso que nem mesmo tinha sido dirigido a mim na primeira vez que eu a vira no ginásio da escola. Mas, era um sorriso tão lindo que eu simplesmente não fora capaz de esquecer.
− Você não é comum, Sofia. E muito menos monótona. Você é linda, doce, gentil, inteligente. Você é a garota que conseguiu conquistar minha irmã logo de cara. E olha que isso é algo bem difícil de fazer. Eu também não te conheço muito bem, mas adoro o que conheci até agora. – Eu declarei e ela me olhou envergonhada.
− Você sabe que, no momento, nada pode acontecer entre nós. É a vez dos nossos pais, Tommy. Você entende isso né? – Ela murmurou e eu suspirei, colocando uma mecha do seu cabelo atrás da sua orelha.
− Sei. Mas, eu quero que você me prometa que não vamos encerrar esse assunto. Que no momento certo vamos falar de nós dois.
− Logo você vai para a universidade, Tommy. Vai me esquecer rapidinho. – Ela murmurou e eu bufei, erguendo seu queixo para que ela me encarasse.
− Sofia, eu te vi pela primeira vez no ginásio da escola. Eu fiquei encantado pelo seu sorriso. Depois disso, passei a assistir todos os jogos de vôlei apenas para te ver sorrindo outra vez. Subornei o carinha da biblioteca para descobrir o seu nome. Eu te persegui em silêncio por meses. Então, não. Não serei capaz de te esquecer quando for para a faculdade. – Eu declarei, acariciando seu rosto de leve e ela ficou me encarando por longos segundos, até me presentear com um sorriso envergonhado.
− Você subornou o Vincent para descobrir meu nome? Isso é sério? – ela me perguntou surpresa e eu ri.
− Sim. Dei a ele entradas para o jogo dos Dodgers. Ele queria levar uma garota. Aí, ele me deixou ver sua ficha de leitura. Confesso que fiquei impressionado com a quantidade de livros que você lê por semana. E me encantei mais ainda. – Eu confessei e ela corou.
− Acho que se você tivesse me subornado com uma entrada para assistir um jogo dos Dodgers provavelmente poderíamos estar namorando agora. – Ela pontuou divertida e eu arregalei os olhos, surpreso com sua declaração, o que fez com que ela risse.
− Gosta de baseball?
− Amo. Minha mãe e eu não perdemos nem um jogo. Foi uma paixão que herdamos do meu avô. Quando ela terminou a residência e passou a ter um salário melhor, fomos assisti-los em campo. Foi mágico. Acho que nunca vou me esquecer daquela noite. – Ela falou e eu fiquei encarando-a igual a um idiota.
Ela gostava de baseball e livros clássicos. Era linda, boa filha, inteligente, doce, gentil e minha irmã estava apaixonada por ela. Tinha como essa garota ser mais perfeita?
− Sofia Swan, você me surpreende a cada dia mais. – Eu falei admirado e ela sorriu timidamente.
− Surpreendo de um jeito bom?
− De um jeito ótimo. – Eu gracejei e ela sorriu largamente. Acho até que ela ia dizer alguma coisa, mas nesse momento Ethan, meu primo, resolveu nos atrapalhar.
− Achei vocês. Minha mãe pediu que eu viesse procura-los. Parece que é hora das visitas irem para casa. Mas, não vou perder a oportunidade de me apresentar à famosa Sofia Swan. Meu primo fala muito de você. E quando eu digo muito, acredite, é muito mesmo. Oi, eu sou Ethan Cullen Mccarty – Ethan falou, se aproximando de Sofia com a mão estendida em um cumprimento e ela me olhou por um momento antes de estender a mão ao meu primo, enquanto eu o olhava com olhos dardejantes.
Qual era o problema da minha família, afinal?
− Oi, Ethan. Conheço você. Joga no time de futebol também, não é? Só não sabia que você e Tommy eram primos.
− Sim. Eu jogo na defesa. Sou um talento nato para o esporte. E meu primo tem razão quanto a sua beleza. Você é uma coisinha linda de se olhar. – Ethan declarou e Sofia corou envergonhada.
Eu ia matar aquele idiota!
− Chega, Ethan. Não dá uma de Mia, pelo amor de Deus. Vem, Sofia. Vamos para dentro. – Falei, puxando-a pela mão e tirando-a de perto de Ethan antes que ele soltasse mais alguma bobagem.
Todos estavam, de fato, se despedindo e eu me vi lamentando o fato de não poder conversar com Sofia por mais um tempo.
− Edward, eu estou de plantão amanhã, mas no domingo quero fazer um almoço pra você, Antony e Mia lá em casa. Pode ser? – Bella ofereceu e eu me vi sorrindo diante da perspectiva de me encontrar com Sofia mais uma vez.
− Claro que pode, amor. Mas, amanhã, passo no hospital para te dar um beijo.
− Eu acho essa ideia ótima. Então, até amanhã, namorado. – Ela falou, beijando meu pai e Sofia e eu nos olhamos sorridentes.
− Até amanhã, namorada. – Meu pai falou, beijando-a mais uma vez e mantendo o braço em torno da sua cintura até que ela teve que entrar no carro, fazendo-o se lamentar por ter que se separar dela.
Acho que alguém estava muito apaixonado!
Ficamos na calçada até que os carros dos nossos convidados desapareceram e quando meu pai deu um salto, lançando os braços para o ar em uma comemoração estranha, eu só pude rir e torcer para que nossos vizinhos não vissem aquilo.
Não queria que pensassem que meu pai era maluco.
− Eu tenho uma namorada, Tommy. E ela é simplesmente perfeita. Chega de ser solteiro. – Ele falou animado, fazendo uma dancinha da vitória ridícula, o que me fez rir ainda mais.
− Você é louco, pai. Mas, tem razão. Bella é perfeita. Assim como a filha dela. – Eu declarei e ele sorriu, colocando os braços em torno dos meus ombros e me conduzindo para dentro.
− Vai chegar sua hora de ter uma namorada, campeão. E algo me diz que ela vai ser praticamente idêntica a minha. – Meu pai declarou e eu sorri animado, me lembrando da conversa que Sofia e eu tivemos.
− Pode apostar que sim, papai. Pode apostar!