Laços Imperfeitos

25 Sobre presentes, reencontros e aquela coisa chamada “espírito natalino”


Notas iniciais
(Emily, a linda Glória) Oi, gente! Nós viemos no time certo, enfim. Queria dar um feliz ano novo atrasado para todo mundo que está lendo aqui. O capítulo escrito pela Yasmin, que eu tive todo o prazer de betar (já sabem, se houver erros...), vale como um presente de natal atrasado também. Ele é bem maior que o habitual e vale por dois; é como uma deliciosa pizza meio a meio. Particularmente, é o meu preferido. Eu quero muito saber o que os senhores estão achando e, acreditem ou não, eu estou uma chateação por não dizerem nunca! o que acham. Parece que eu escrevo para o nada, sabe? Então, se é assim, eu prefiro escrever só pra mim, mesmo. É, podem sentir a ameaça. Notas sobre o capítulo no final, leiam! Sério, é importante. Ou não.

Capítulo dezenove — Sobre presentes, reencontros e aquela coisa chamada “espírito natalino”

Finalmente as férias de final de ano haviam começado. E com ela aquele tempo de descanso merecido depois de um ano cheio. Depois de provas exaustivas, de repetir as explicações diversas vezes para alunos idiotas, depois de mais provas de recuperação para os idiotas em questão... Enfim, todo aquele sofrimento acabara. Bom, repetir-se-ia no ano seguinte, mas, ninguém pensaria nisso agora...

Com as desejadas férias, chegavam as festas de fim de ano.

Aquele dia, véspera de Natal, prometia muito. Bem, não muito. Mas, aquelas coisas que vêm com o Natal. Tipo, comer até passar mal, ficar um tempo com a família, perdoar as besteiras cometidas durante o ano que está acabando, reencontrar velhos "amigos", entre outras coisas natalinas.

De qualquer forma, aquele belo dia prometia isso e muito mais.

...

Hisagi caminhava preguiçosamente rumo à pequena padaria um pouco longe demais de sua casa. Compraria dorayaki, fazia tempo que não comiam o doce. Era um costume de quando eram pequenos... Seria nostálgico. Sabia que não precisava levar nada, a avó de Kira fazia tanta comida que continuavam comendo as sobras por uma semana, às vezes mais. Mesmo assim, doce nunca seria demais, principalmente levando em consideração o fato de que Izuru e sua avó serem duas formigas.

Sorriu com a comparação. Passar o Natal na casa do melhor amigo se tornara uma tradição desde a mudança de seus pais. Não é como se tivessem o abandonado, longe disso. Mas, com a mudança devido aos negócios da família, Shuuhei optara por continuar em sua cidade natal. Não queria se afastar dos amigos e a ideia de se afastar de certa pessoa era atraente o suficiente para que batesse o pé contra a mudança. Sempre fora muito responsável e independente, não era um modelo de inteligência, mas, quanto aos itens anteriores ninguém poderia dizer o contrário.

Por isso, seus pais, permitiram que continuasse lá. Claro que a promessa da oba-chan de Kira, que disse que tomaria conta dele, teve grande peso na decisão.

Ao chega à padaria, recebeu a triste notícia de que o dorayaki já havia acabado. Na verdade, um rapaz comprara tudo. A atendente parecia um tanto assustada afirmando que o tal rapaz era extremamente parecido com Hisagi. Não se importando com a semelhança com o tal cara, o moreno decidiu não desperdiçar sua ida até lá comprando um bolo de morangos que parecia muito atraente.

Enquanto esperava a garota embrulhar o bolo, ouviu o sino da porta o que indicava mais algum cliente. Olhou apenas por olhar, sentindo um calor conhecido, muito bem-vindo naquele frio de inverno, subir por seu corpo e instalando-se em suas bochechas ao se dar conta de quem era. Quando os olhos se encontraram o outro poderia ter corado igualmente, se fosse o tipo de homem que corasse. Obviamente não era. Ignorou o desconforto e foi cumprimentar seu aluno. Droga, por que o garoto tinha que fazer uma carinha tão... adorável?

Oh, realmente havia usado a palavra “adorável” para descrever um aluno? Era o fim, só poderia ser!

– Oi.

– O-olá, sensei. – devolveu o cumprimento em um murmúrio, abaixando os olhos.

Por Deus, ele poderia ser um pouco menos óbvio? Sério, isso ajudaria bastante.

– Fazendo compras para ceia em cima da hora? – perguntou, claramente fazendo esforço para puxar assunto.

– Não, não. Só comprando uma sobremesa mesmo.

– Entendo. Queria que fosse o meu caso...

A atendente terminou o embrulho o entregando ao moreno que lhe deu uma boa caixinha de Natal. Kensei havia se afastado nesse meio tempo, pegando algumas coisas e colocando na cesta. Ficou com um pouco sem jeito de ir se despedir, sairia logo em seguida se a garota não tivesse lhe puxado a manga da blusa.

– Pergunte se ele quer ajuda! – sussurrou, mostrando-lhe um sorriso em apoio (ou ele pensava que fosse de apoio).

Corou mais que antes, será que fora tão óbvio? Decidiu não perguntar, fez um gesto em agradecimento e foi até o professor. Ficou ainda mais agradecido à garota quando Kensei aceitou, dando-lhe a lista do que precisava comprar. Era muita coisa, tinha sorte que a pequena padaria era praticamente um minimercado. Os mercados grandes com certeza estavam lotados.

Ajudou-o principalmente a decifrar a letra terrível da lista, para falar a verdade havia coisas um tanto absurdas ali.

– Sensei, como não entende sua própria letra?

– Porque essa letra não é minha. Mashiro tem um garrancho como letra e ainda escreveu às pressas...

– Mashiro? Su-sua esposa? – gaguejou a indagação, tentando esconder a decepção.

– Não, nem pensar. – Quase torceu o nariz em nojo com a probabilidade. – Não sou casado. – completou, arrependendo-se logo em seguida ao ver o sorriso de alívio no rosto do aluno. Isso, ele deveria frisar o aluno. – Mashiro é minha sobrinha, a mãe dela é uma cabeça-oca. Deixou-a comigo porque iria viajar sabe-se lá com quem.

Parou de falar. Não era de falar tanto, mas, por algum motivo sentia-se a vontade ao conversar com Hisagi. Isso era muito complicado. Terminou as compras, estranhando a expressão da garota do balcão. Garota sinistra. Para sua "tristeza", o moreno morava na mesma direção que ele próprio, o que rendeu mais alguns minutos de conversa fiada.

Hisagi lhe contou seu trágico episódio envolvendo a falta de dorayaki e citou o que a garota disse sobre o cara parecido com ele fazendo pouco caso. Kensei se lembrou do jovem mal educado que estava na escola, talvez fosse o mesmo. Ainda assim, não falou sobre ele. Era muito estranho para significar boa coisa.

Shuuhei perguntou o porquê de o professor ter escolhido aquela profissão. Esse era um assunto que sempre o animava. Contou fervorosamente sua paixão por educação física, como esta havia começado e até falou sobre os seus métodos. O moreno digeria as informações com grande satisfação, a paixão com que o professor falava mexia consigo. Mais uma vez suas bochechas ganharam cor, enquanto se perguntava quantas vezes poderia se apaixonar pela mesma pessoa.

– Sensei, como eu o amo... – pensou um pouco alto demais, suspirando em seguida.

– Você o quê!? – Assustou-se tanto com as palavras do garoto que quase pulou, claro que não o fez porque não era o tipo de homem que fazia essas coisas.

– E-eu... como... como amo... bolo! 'Tou muito ansioso para comer esse bolo... Caramba, eu moro logo ali, nem vi o tempo passar. Tchau, sensei. A gente se vê depois!

Falou tudo rápido demais, não tendo coragem de olhar para o homem mais velho. Caramba, como poderia ser tão idiota? Só esperava não ter arruinado tudo... Kensei olhava o aluno atrapalhado quase correr dali, tentou conter o riso no caminho para sua própria casa. Falhando miseravelmente.

É, Hisagi realmente era adorável.

...

Renji vivia um drama intenso e cheio de reviravoltas.

O que daria de presente para o homem que tem tudo? Se esse homem ainda é Byakuya? Teria que ser algo emocionante, algo que o deixasse feliz... Mas o quê? O que poderia dar a um homem tão rico quanto o Kuchiki? Sentia-se um idiota por não ter comprado nada e já estarem na véspera de Natal. E pior, sentia-se um lixo por nunca ter comprado nenhum presente para o outro.

O moreno sempre lhe comprava presentes no Natal e em seu aniversário. Nada muito grandioso, coisas como roupa ou algo que precisasse para sua finada casa. Que Kami a tenha! De alguma forma ele sempre sabia o que o ruivo precisava, provavelmente através de Rukia. Fato esse que lhe deu a ideia de perguntar para a garota o que poderia comprar.

A Kuchiki vinha sendo boazinha consigo, sabe, culpa por destruir a pobre casa. Que Kami a tenha! Pensou que ela o ajudaria, mas, apenas riu de sua cara e disse: "Por que não se embrulha para presente e se dá para ele?". Ficara muito irritado com a garota, mas, agora via a ideia como a única opção... Esquece, com o humor de Byakuya, ele provavelmente o atiraria pela janela.

Rukia daria ao irmão um boneco horroroso, Renji se perguntava de onde diabos ela havia tirado aquela coisa. Ainda assim, por algum motivo ela tinha a certeza de que seu "nii-sama" adoraria. Até fez graça dizendo que o Kuchiki gostava de coisas exóticas... Por algum motivo sentiu que aquele comentário fora ofensivo.

Enfim, com o desespero da falta de tempo, decidiu que o melhor era perguntar para o homem em questão. Foi até a biblioteca, Byakuya passava muito tempo lá. Estava ali há alguns dias, já tinha ido à biblioteca, porém a ideia de ficar a sós com o moreno naquele cômodo lhe dava um frio na barriga. Bateu na porta e esperou que o outro respondesse.

– Entre. – Fechou o livro que lia e o repousou sobre a mesa, assustando-se ao se deparar com Renji. Ainda não havia se acostumado ao fato do ruivo morar ali. Às vezes pensava que seria melhor se tivesse ido com Ichigo... Não, era melhor tê-lo por perto. – Pensei que fosse Rukia... Bem, sente-se. Algum problema?

Sentou-se de frente para o moreno. Formulando o que diria. Aquele lugar... Era um fato certo que ele tinha vontade de agarrar o Kuchiki toda vez que o via, mas, com toda certeza ali era pior.

– Senpai, eu queria lhe dar um presente... Mas, não consegui pensar em nada que pudesse agrada-lo... Bem, poderia me dar uma dica?

– Renji, não precisa se preocupar com isso.

– Mas, senpai, você sempre me dá algo. Todos os natais... Eu queria lhe dar algo também.

– Realmente, não há necessidade. Não comprei nada para você ou para Rukia esse ano.

– Bem, estamos de castigo... Mas, o senhor, digo, você não.

– Renji, eu não quero que gaste seu dinheiro comigo. Gaste com algo melhor.

– Gastar com você seria o melhor. – insistiu.

Byakuya se assustava com a franqueza com a qual Renji falava esse tipo de coisa. Ficou um pouco sem graça por não ter comprado nada, se bem que o presente que lhe daria o deixaria muito feliz... Não que fosse convencido ou algo do tipo (apesar de, francamente, ter todos os motivos para tal), só sabia que era algo que Renji gostaria muito.

– Bem, não quero que compre nada. Mas, isso não lhe impede de me dar algo.

– Quer que lhe faça um presente?

– O que preferir.

Se Renji não sabia o que fazer antes, agora sabia ainda menos.

...

Kira ajudava sua avó com a ceia. Hisagi logo estaria ali, fato que o deixava ansioso e um tanto receoso. Sabia que era errado, contudo, doía ver o amigo tão feliz por causa daquele brutamonte. Depois do que o amigo lhe dissera, tomou uma importante decisão. Lutaria com todas as forças pelo amor de Shuuhei, mas, se o moreno conseguisse ser correspondido pelo... professor, desistiria.

Sempre quis a felicidade de Hisagi, e acreditava que esta não estava naquele cara. Caso estivesse, não a arruinaria. Essa resolução o machucava, mas, era o que deveria fazer. Por enquanto precisava de coragem para mostrar ao amigo que ele tinha opções. O toque da campainha o tirou de sua pequena depressão. Só poderia ser ele!

Foi o mais rápido que pôde até a porta, apenas não correu para que sua avó não estranhasse. Porém, quando a abriu não se deparou com o sorriso gentil de Hisagi. Na verdade, era o rosto dele com um sorriso zombeteiro e muito mais cabelo que o normal...

– Loiro-aguado-chan, há quanto tempo! Ora, não mudou nadinha, continua sem-sal como sempre.

Mas o quê? De todas as pessoas que poderiam aparecer naquele dia, aquela sem sombra de dúvidas era a pior opção. Izuru ficou congelado na porta, torcendo para que aquilo fosse apenas uma miragem.

– Ei, sentiu tanto a minha falta que não sabe o que dizer? Poxa, até te trouxe dorayaki. A oba-chan tá ai?

– S-senpai...? – a incredulidade estava destacada em sua voz. Limpou a garganta sonoramente e tentou de novo, mais uma vez errando. – E-ela está sim, entre.

– Valeu. Ah, não me chame de "senpai", estamos na mesma turma agora. – expôs sorridente, entrando logo em seguida com todo aquele jeito prepotente que sempre teve. Por Deus, Hisagi não ia gostar nada disso!

– Oba-chan! Senti sua falta. – Ele era terrível, mas, Kira tinha que concordar que realmente gostava de sua avó. Bem, e ela dele.

Mal acreditou quando ouviu a voz do garoto. Saiu da cozinha e lhe deu um forte abraço, puxou-lhe a orelha por não ter os visitado e pelo descaso em avisar que viria. Para infelicidade geral da nação, não era uma simples visita, havia voltado definitivamente... Izuru suspirou ao imaginar a reação de Hisagi. Bem, o resto do dia prometia.

...

A mansão Kuchiki não parecia em clima de Natal. Rukia sabia que seu irmão estava bravo, mas, nunca imaginou que não teriam uma ceia. E pior, pelo que Renji havia lhe dito antes de se trancar no quarto, o Kuchiki não havia comprado nenhum presente. Sabia que tinha o decepcionado, mas nunca imaginou que tivesse sido tanto. Leves batidas na porta a tiraram de seus devaneios. Logo em seguida Byakuya entrou no quarto da irmã.

– Rukia, arrume-se. Vamos sair daqui a pouco. Coloque algo quente. Está nevando, não quero que fique gripada. – Rukia mordeu a parte interna da bochecha. Era fofinha essa preocupação dele.

– Eu não vou. – Ele estreitou os olhos, esperando o desafio, mas ela apenas percebeu a gafe e se corrigiu rapidamente. – Não vou ficar gripada. Vou obedientemente vestir algo quente. – Ela bateu continência e a sombra de um sorriso passou pelo rosto esbelto do Kuchiki mais velho.

– Espero que sim.

Saiu do quarto da garota antes que ela perguntasse algo sobre o local. Foi ao quarto de Renji, coisa que não fazia. O ruivo sempre o olhava de forma perigosa, o novo quarto dele com certeza era uma área que devia evitar. Bateu na porta e esperou. O ruivo abriu uma pequena brecha o olhando desconfiado.

– Renji, vamos sair daqui a pouco. É melhor você se aprontar... – parou a frase lentamente, observando melhor. – Está tudo bem aí? – perguntou desconfiado, tentando ver o que tinha no quarto. Não que estivesse curioso ou algo assim, mas o garoto parecia mais estranho que o normal.

– 'Tá tudo ótimo. Já vou me arrumar. – murmurou tentando evitar que Byakuya visse alguma coisa. Bem, depois de tudo que haviam aprontado pelas suas costas, o Kuchiki não confiava nenhum pouco naqueles dois. Segurou a porta antes que o ruivo a fechasse.

– Abra a porta, Renji.

– N-não dá... Eu... 'tou sem roupa!

– O quê? Você mente muito mal. Abra a porta, agora. – pronunciou a última sentença lentamente da forma mais autoritária possível.

– Senpai, não seja pervertido. – acusou levemente, vendo Byakuya estreitar os olhos. – Já disse que estou nu!

Dessa vez Renji havia conseguido. Definitivamente, nunca vira o Kuchiki tão irritado.

– Abra essa porta, não vou me repetir uma terceira vez. – Bem, geralmente, o ruivo não cederia tão fácil, mas algo lhe dizia que sua vida correria sério risco caso não o obedecesse.

Assim que o ruivo desencostou da porta, Byakuya a empurrou entrando no pequeno quarto. Na verdade não era pequeno, era enorme, mas havia outros melhores e maiores, ainda assim, Renji escolheu o menor que encontrou. A cena com a qual se deparou acabou com todo seu mal humor. Até riria se fosse dado a esse tipo de comportamento.

Havia uma enorme bagunça no chão. Ao que tudo indicava, o ruivo estava tentando fazer o bendito presente. Havia desenhos horrorosos do Kuchiki, o que quase o fez rir. Bem, mas não acabavam por aí. Graças a Deus, em algum momento Renji se deu conta de que desenhava muito mal, bem, aí começou a dar asas à sua imaginação.

Byakuya se abaixou para observar melhor, Renji o imitou ainda que muito envergonhado. O Kuchiki reclamaria da proximidade, mas, era Natal e toda aquela tentativa do ruivo era bem... bonitinha. Além de tinta e papéis espalhados, o moreno encontrou um pouco daquela massa de modelar grudenta que as crianças usam. Ele estava tentando fazer uma escultura?

Enfim, num canto da pequena bagunça havia um caderno com coisas completamente rabiscadas. Pegou-o tentando decifrar algo.

– Não vai querer ler isso... Eu pensei que, como gostava muito de ler, eu poderia lhe escrever algo... Mas não consegui nada. – admitiu contrariado.

– Tudo bem. Eu entendi quase tudo o que tentou fazer, mas, para que o macarrão?

– É que eu encontrei essa foto. – murmurou, entregando a Byakuya uma foto antiga um tanto amassada. – Daí, eu pensei em fazer um porta-retratos.

– Com macarrão?

– É, vi em um programa ocidental.

Mais uma vez, o Kuchiki segurou o riso. Entretanto, não evitou esboçar um leve sorriso ao examinar melhor a antiga foto. Não era uma boa foto, caso avaliasse do modo técnico. Ainda assim, lembrava exatamente daquele dia. Foi algumas semanas depois de encontrarem Renji pela primeira vez. Rukia adorava tirar fotos, naquele dia havia insistido muito para que os três tirassem uma juntos.

Byakuya nunca foi muito fã disso, porém, cedeu devido à insistência da garota. Ela deixou a câmera estranhamente repousada em cima do banco da pequena praça. Renji ficara muito animado, coisa que não era tão natural na época. Um vento forte os atingiu, derrubando a câmera e fazendo com que os dois menores agarrassem o mais velho. Enfim, a foto que via estava tremida, completamente torta, o cabelo dos três lhes cobria a face, a paisagem no fundo não era das mais bonitas, já que o vento levantou muita poeira. Resumindo, a fotografia era um completo caos.

– Guardou isso por todo esse tempo? – sua voz soou quase surpresa.

– Sim, foi a primeira foto que tirei. – Deu um meio sorriso para Byakuya, que engoliu um nó que se formou em sua garganta.

– Ia me dar sua primeira foto?

– Sim... Bem, eu sei que era uma ideia idiota, mas... – não terminou sua explicação.

– Não. – interrompeu, sorrindo levemente enquanto encarava a imagem em suas mãos. – Eu adorei, na verdade.

– Sério? Mesmo? Eu posso terminar o porta-retratos...

– Não precisa.

O Kuchiki acariciou os cabelos ruivos, agradecendo-o pelo presente. Olhou o relógio, era uma pena não terem tempo, teve vontade de dar o presente de Renji naquele momento mesmo.

...

Kira esperava por Hisagi, enquanto a visita surpresa ajudava sua avó. Não conseguia entender como ela podia gostar tanto dele. Por mais que ansiasse pela presença do amigo, começa a rezar para que ele não viesse. Sua suplica não serviu de nada, logo ouviu o som da campainha. Foi atender a porta, não tão animado quanto antes.

E lá estava Hisagi, segurando um grande embrulho com um enorme sorriso no rosto. Sorriso este que logo se desfez ao ver a expressão do amigo.

– Algum problema?

Antes que Kira pudesse responder, uma voz irritante foi ouvida se aproximando.

– Loiro-chan, vai ficar namorando na porta? Eu e a oba-chan arrumamos tudo.

Assim que o susto desapareceu do rosto de Shuuhei, o amigo desbloqueou a passagem permitindo que entrasse. Parecia estar revivendo sua infância. Os dois primos, ridiculamente parecidos, encaravam-se. Um com uma expressão séria e fria o outro com seu costumeiro sorriso maldoso.

– Kazeshini.

– Hisagi... – O rapaz começou a olhar em volta como se estivesse faltando algo. – Nossa, pensei que fosse começar a tocar alguma musiquinha de tensão. – Shuuhei permaneceu sério, enquanto Kira revirava os olhos. Antes que os ânimos esquentassem demais, sua avó apareceu, fazendo com que fingissem que estava tudo bem.

...

Rukia e Renji estavam muito curiosos para descobrirem para onde Byakuya os levava. Talvez algum restaurante. Ainda assim, Renji reconhecia bem aquele caminho, Rukia mais ainda. Só não conseguiam acreditar, nem mesmo quando o Kuchiki estacionou em frente à casa do morango. Não poderia ser, poderia?

– Nii-sama...?

– Esse é o seu presente de Natal. Vamos, a garotinha pediu para que não nos atrasássemos.

– Garotinha...? Yuzu?

– Sim, ela pediu para que passássemos a véspera de Natal aqui e eu aceitei.

– Então, Ichigo não sabe?

– Acredito que ainda não.

– Nii-sama! Muito obrigada...E-eu... Esse é o melhor presente de Natal! – A garota o abraçou, sendo retribuída por um homem muito se jeito, tentando não chorar. Depois correu para tocar a campainha da pequena casa.

Byakuya e Renji foram até a garota enquanto ela pulava em frente à porta. Naquele momento, os sentimentos do ruivo pelo Kuchiki aumentaram de uma forma que não deveria ser possível. Ainda assim, aquele sentimento de culpa se fez presente. O moreno era um homem bom, não merecia o que havia feito. Antes de se afogar em culpa, a porta se abriu revelando um Ichigo muito surpreso.

...

A ceia na casa de Kira não foi das mais agradáveis. Os primos soltavam farpas em todas as pequenas oportunidades. Na verdade, Kazeshini provocava, o outro apenas tentava revidar a altura. De qualquer forma, não podia esperar nada melhor tendo os dois sob o mesmo teto, tinha que agradecer por eles não terem se estapeado até então.

A avó do loiro ignorava a rixa dos dois, interessando-se pelas aventuras de Kazeshini em outro país. Uma coisa devia confessar, o rapaz era muito divertido quando se tratava de sua avó. Na verdade, havia um mistério envolvendo Kazeshini. Kira, sempre observador, notara que normalmente as pessoas o odiavam. Mas, não todas. Por algum motivo sobrenatural, crianças e idosos o adoravam e ele sempre era agradável com estes. Bem, e com animais também.

Fora isso, o moreno fazia questão de ser um nojo debochado.

Hisagi não estava tão mal humorado. Tentava com todas as forças ignorar a presença do primo e se concentrar em conversar com Kira. O que evitou brigas e talvez a destruição da casa do loiro, o que era muito bom. Estava tudo bem, na medida do possível, mas, Kazeshini tinha que fazer algo para estragar. Depois de terminarem o jantar, a oba-chan havia começado a arrumar a louça, recusando qualquer ajuda. Izuru a ajudaria mesmo tendo recusado, mas, imaginou que não seria bom deixar os morenos a sós.

– Loiro-chan, acho que os doces que eu trouxe cairiam bem agora.

Kira achou educado da parte dele lembrar-se do dorayaki, talvez fizesse bem a eles comerem algo tão nostálgico. Mas, Hisagi não gostou nenhum pouco.

– Lembro-me de ter dito para que não o chamasse assim!

– Disse? Não me lembro. Não que não preste atenção em suas fabulosas palavras é só que... Eu realmente não presto. – bocejou fazendo troça de Shuuhei.

– Pouco me importa se presta atenção no que eu digo, mas não falte com o respeito com Kira. – sibilou.

Izuru achou melhor apartar a provável briga, colocando-se entre eles. Os dois já haviam até levantado!

– Tudo bem, Hisagi. Ele não me ofendeu.

– Não o defenda, é lógico que isso é ofensivo.

– Na verdade, não falo querendo ofender. Gosto do Loiro-chan, ele também é meu amigo. – Kazeshini explicou, falsamente amigável.

– Não, ele não é seu amigo. Ele é meu!

Kira sabia que Hisagi queria dizer "meu amigo", mas não conseguiu evitar ser atravessado por um arrepio com o que ouviu.

– Tudo bem, tudo bem. Não o "ofenderei" mais, já que não gosta. – disse conciliador. E tudo acabaria bem se Kazeshini tivesse parado por aí, coisa que não fez. – Prefere que eu o chame de "Loiro-sama"? – completou zombeteiro. Antes que Hisagi lhe desse um bom soco, o loiro se interpôs.

– Senpai, não o provoque! – o repreendeu.

– Nossa, adoro quando fala assim comigo. Vai me chicotear e dizer que sou um "menino mau", Loiro-sama?

Kazeshini era extremamente desagradável. Izuru não conseguiu evitar corar com o comentário de mau gosto e um tanto sem noção. Definitivamente, Hisagi socaria o primo, caso oba-chan não tivesse surgido com os doces reclamando que haviam se esquecido da sobremesa. Mais uma vez fingiram que estava tudo bem, até que finalmente Kazeshini decidiu que devia ir embora.

Não sem antes se despedir da oba-chan e de Kira adequadamente. Algo que, no primeiro caso significava um doce abraço (muito falso, na opinião de Hisagi) e no segundo bagunçar a franja loira e dizer que ele parecia um "emo", seja lá o que for isso. Izuru quase suspirou de alegria, mas, a noite não poderia terminar tão bem.

– Nos vemos na escola.

E saiu sorridente, deixando para trás um Hisagi muito irritado.

...

A noite na casa de Ichigo fora muito agradável. Mesmo que Byakuya tenha achado os Kurosaki muito excêntricos. Principalmente o pai. Sinceramente, achara muito mais agradável conversar com a casula da família do que com aquele homem. Rukia e o namorado não se desgrudavam. Claro que não fizeram nada, ainda mais com o olhar atencioso do Kuchiki sobre eles.

Ichigo agradeceu Byakuya pelo que havia feito e também a irmãzinha. O moreno não era fã dele, mas admitia que era um bom rapaz... Bem, nem tanto. Bons rapazes não destroem casas. Lembrou-se de frisar para ele que, aquela era uma pequena exceção ao castigo de Rukia. Mas, obviamente, ela ainda estava de castigo.

Já em casa, a irmã mais uma vez o agradecia pelo presente e lhe entregava o seu próprio. Foi com espanto que Renji percebeu que o Kuchiki realmente havia gostado daquela criatura estranha. Enfim, retiraram-se para seus devidos quartos. Infelizmente, o ruivo ainda tinha que arrumar a zona que havia feito. Ainda achava que Byakuya havia mentido sobre gostar da foto, mas, aquele pequeno sorriso o deixou tão feliz que decidiu se convencer de que ele havia gostado, pelo menos um pouco.

Assim que arrumou o quarto, fez sua higiene e vestiu uma roupa qualquer... Bem, sobre isso não eram roupas quaisquer. Com a destruição de sua pobre casa (Que Kami a tenha!), havia perdido também todas as roupas. Recusou veementemente que Byakuya lhe comprasse roupas novas. Comprou algumas coisas necessárias e ganhou algumas roupas que o Kuchiki não usava mais. Estava tudo tão novo que duvidava que fossem roupas velhas como o outro disse. Mas não teve como recusar.

Tinham praticamente a mesma altura, por mais que Renji se orgulhasse de seus músculos o Kuchiki não ficava atrás (ele era meio magrinho, na verdade. Apesar de os músculos bem definidos serem cobertos por aquela pele suave e clara e-!). Fala sério, ficar pensado no corpo do moreno não era uma boa ideia. Batidas na porta o livraram de pensamentos pervertidos. Bem, nem tanto, já que o motivo de tais pensamentos estava do outro lado da desta.

– Posso entrar?

– C-claro!

Deveria ser um sonho. Beliscou-se para comprovar a teoria, a leve dor o fez sorrir de forma perigosa aos olhos do Kuchiki. Que teria fugido, mas, estava ali para dar o presente de Renji. Byakuya sentou na nova cama do ruivo, gesticulando para que Renji se juntasse a ele. Que o fez rapidamente.

– Espero que não tenha pensado que não o daria nada. Como o presente de Rukia não e algo comprado. Pensei que quisesse isso... Enfim.

Suspirou criando coragem, segurou o rosto do ruivo se aproximando lentamente. Renji se perguntava se havia ganhado na loteria, até que a pressão dos lábios de Byakuya o fizesse esquecer-se de qualquer outra coisa. Eles eram macios e cheios, o cheiro dos cabelos escuros era acentuado. Os olhos, mesmo que isso fosse um desperdício, se fecharam, mas não antes de observarem as sardas claras entre o pescoço e o ombro.

Era casto e doce e perfeito. Até que Renji perdeu o controle. Então, a singela carícia tornou-se mais. E era duro e difícil e profundo e Renji lhe beijava com ardor além de que, na opinião totalmente imparcial do ruivo, Byakuya era todo lindo.

Os lábios pareciam devorar um ao outro, e os dedos de Renji desceram pela garganta clara, que tremeu com o toque e houve um suspiro e mãos bobas. Um som desprotegido deixou a boca de Renji, do fundo de seu ser. Byakuya interrompeu o ósculo, que se tornava perigoso, beijando o pescoço bronzeado do outro. Chegou a junção do ombro e pescoço, mordendo de leve ali.

Renji não conseguia se conter ao sentir os beijos de Byakuya em sua pele. Beijou-lhe os lábios mais uma vez, sentindo o moreno lhe responder com a mesma urgência, enquanto imitava as carícias que ele lhe proporcionava. Mas, felicidade de pobre dura pouco. Quando a respiração ofegante de Byakuya foi ouvida, claramente sentindo dificuldades para respirar direito com um beijo tão intenso, o Kuchiki levantou da cama do outro até que chegou à porta, parando apenas para dizer antes de sair:

– Nos vemos amanhã. Boa noite. – então, Renji morreu. Não literalmente, claro.

{...}

Notas finais
O que estão achando? Quero mesmo saber, então, deixe seu review que não faz mal S2. O Kazeshine foi numa ideia meio doida e meio brilhante da Yasmin, e eu já amo o cara (eu amo qualquer coisa que faça bullying com o Kira). Essa ideia veio com um "a zanpakutou faz parte de seu dono" e faz todo sentido. Ele é o lado mau do Hisagi. Eu posso facilmente ficar de mau humor, então não fiquem felizinhos com o momento mais fofo e cute do mundo Renbya. Eu posso estragar isso com meus dedinhos ~apanha~. Então, é isso... Se nem uma de nós morrer, capítulo novo no sábado.