Laço de Sangue

3 Drink de Peculiaridade


Alguns dias depois da sessão de fotos, estou sentada na beirada de uma mesa de bilhar com as pernas cruzadas, olhando para o lado como se estivesse acanhada.

Ele não para de olhar meus peitos que quase saem para fora do meu vestido tubinho azul bem justo.

— Pare de me olhar desse jeito. Assim você me deixa com vergonha.

— Desculpe gata, é que você tem belos peitos.

Hoje é noite de caçada e esse cara já está no papo.

As noites de sextas são as mais badaladas no Paraíso, o melhor bar da cidade. Não demorou mais de vinte minutos para achar minha presa. Ele estava sentado sozinho em uma mesa, com uma cara de poucos amigos, olhando para a bunda de qualquer mulher que passava por perto. Parecia que não transava a um bom tempo. O melhor tipo de presa. Não precisei de mais de um minuto para fazê-lo se interessar. Afinal, qual homem não quer uma loira peituda em cima dele.

— Ainda bem que eu encontrei você. Acabei de pegar meu marido com outra na cama — Faço carinha de mulher traída — Não sei o que fazer, ele dizia que me amava muito, mas pelo jeito ele prefere uma ruiva mais nova e com mais bunda do que eu.

— Ele deve ser bem trouxa por trocar esses belos par de peitos, e aposto que ela não era tão gostosa quanto você.

Desço da mesa de bilhar e me aproximo colocando minhas mãos em seu peito.

Me agradeço mentalmente por estar usando a proteção de digitais que nosso grupo desenvolvera.

Heitor não é um cara muito atraente. Um metro e sessenta, muito magro, pele malcuidada e quase tão ressecada quanto o cabelo preto opaco, dentes amarelados, olhos caídos e marcados pelo tempo, completando com a cara de tarado machista.

— Você me acha gostosa?

— É claro! Nenhum homem em sã consciência não acharia. Mas eu sinto que te conheço de algum lugar.

— Eu também sinto que já lhe conheço, e sinto também que estava perdendo tempo com o homem errado.

O lugar é bem cuidado. Paredes vermelhas, cadeiras tão confortáveis quanto os sofás aconchegantes. O bar é composto por uma imensa variedade de bebidas das mais simples as mais sofisticadas.

A área dos jogos é a mais precária e com um cheiro forte de tabaco.

— Se você quiser gata, eu posso lhe ajudar a se animar um pouco.

— Você faria isso?

— Sem nem pensar duas vezes.

Sorrio sem desejar ser inocente.

— Vem – Pego seu braço esquerdo com as duas mãos e o puxo – Vamos a um lugar mais privado.

Assim que saímos, o ar da quente noite de verão nos atinge em cheio.

Ao chegarmos próximo a seu carro ele o destrava e eu pego a chave de sua mão.

— Você não quer ser imprudente, quer? – Ele nega com a cabeça – Então eu dirijo – Mordo o lábio inferior.

Tempo depois paro o carro perto de um beco escuro e logo minha caça começa a tentar me beijar a todo custo.

— Caralho, você é muito gostosa.

— Calma aí, gato. Vamos tomar um drinque especial para animar essa maravilhosa noite.

Tiro duas garras de metal da minha bolsa e dou uma a ele.

— Um brinde à noite, delicinha.

Reprimo a vontade de revirar os olhos.

Brindamos e ele bebe tudo bem rápido.

— Você já ouviu falar sobre Sócrates? – Questiono fitando-o atentamente — Em trezentos e noventa e nove antes de Cristo ele foi acusado pelo tribunal de Atenas de infidelidade aos Deuses e de corromper a juventude ateniense. Apesar da acusação, o tribunal não queria condená-lo, tanto é que sua fuga foi facilitada e até teria a pena perdoada, se ele abdicasse de sua filosofia é claro, mas Sócrates na sua defesa disse apenas que não poderia abandonar sua filosofia porque foi uma missão dada a ele pelo Deus Apolo e abandoná-la seria falta de respeito com o Deus, afirmando ainda que fazia seus discursos em praça pública, portanto não poderia impedir os jovens de continuar seguindo-o. Ele apenas deixou uma dúvida a seus acusadores: "E agora chegou a hora de nós irmos, eu para morrer, vós para viver; quem de nós fica com a melhor parte ninguém sabe, exceto os deuses". Sendo assim o tribunal obrigou Sócrates a tomar uma taça de cicuta, um veneno mortal e incrivelmente atraente.

Heitor me dirige um olhar confuso.

— E é legal porque a cicuta é uma plantinha interessante — Nathan diz enquanto se abaixa para ficar na altura da janela do lado do meu "amante" — ela faz parte de um grupo de plantas altamente venenosas nativas às regiões do hemisfério norte. As plantas têm pequenas flores brancas ou verdes, dispostas em forma de guarda-chuva. Já foi dita como a planta mais venenosa da América do Norte, que contém uma toxina que provoca convulsões. O veneno é encontrado na planta inteira, porém é mais concentrado nas raízes, que por sua vez são mais potentes na primavera. Além das convulsões quase imediatas, outros sintomas incluem náuseas, vômitos, dores abdominais, tremores e confusão. A morte geralmente é causada por insuficiência respiratória ou fibrilação ventricular e pode ocorrer poucas horas após a ingestão.

Minha presa se vira para o lado em um pulo, olhando tudo sem entender nada.

Sua testa contém gotículas de suor enquanto o tórax sobe e desce rapidamente.

Minha planta favorita está começando a agir.

— Você deveria tomar mais cuidado com quem “tenta” levar para a cama, querido — Falo tirando a peruca loira — Algumas mulheres não são o que parecem.

Essa á uma das melhores partes de fazer isso: a cara de espanto da presa quando é surpreendida por seu caçador.

— E-eu sabia que te conhecia. E-eu conheço vocês dois. V-vocês são aquele casal de famosos que todo mundo ama.

— Olha, parece que alguém aqui nos conhece.

Nathan abre a porta e o imobiliza.

Heitor parece um adolescente anorexo perto de todo aquele tamanho do meu Demônio.

Depois de amordaçar e jogar nossa vitima no porta-malas do próprio veículo, Nathan sai com nosso carro em direção ao lugar em que deixaremos nossa vítima e eu vou logo atrás com nossa presa no porta malas.

Quando chegamos ao local, logo avisto algumas tralhas e o buraco onde enterraremos a presa.

O idiota é tirado do porta-malas, estando por triz. Quase morrera engasgado com o próprio vômito.

Ele treme ao mesmo tempo em que está suado.

— Por favor, não façam isso, eu não quero morrer — Diz chorando.

— Hum... que pena, porque eu quero que você morra — Fala Nathan enquanto tira as calças dele.

— O-o que você vai fazer.

— Vou cortar seu pintinho fora.

A presa fica branca. Ele já está sem forças. Vai morrer a qualquer momento

— Ei, não morra ainda querido — Comento com um sorriso, dando tapinhas em seu rosto — Aguente mais um pouco.

Nathan, que já estava de luvas, corta o pênis da presa fora com um golpe só, que grita, mas se cala quando seu amiguinho é enfiado goela à baixo.

Ele começa a sufocar.

Nem esperamos a caça estar cem por cento morta e o jogamos no buraco.

Depois de enterrado, colocamos as tralhas em cima de onde a presa jaz, em seguida despejamos gasolina em tudo e tacamos fogo.

Quem encontrasse acharia que alguém só tinha se livrado do lixo.

O que não era completamente mentira.

Abandonamos o carro da vítima perto de um porto de desmanche, dessa forma não será encontrado facilmente.

E assim, seguimos tranquilamente e para a gravação do clipe do próximo single da banda de Nathan.

“Bad Distraction” era a minha faixa preferida do último trabalho dos meninos.

Nós, as esposas dos membros da banda contracenaríamos com eles.

Eu estava um pouco animada com a ideia de aparecer em um de seus clipes.

Cantarolo o refrão da música composta pelo meu marido, entrando no clima das gravações.

“Girl, don’t think about my bad reputation”

“I just wanna be your distraction”