Laço de Sangue
2 Demônios Sempre Habitam os Melhores Lugares
Nathan está nu deitado em nossa cama vendo aquela entrevista ridícula que havíamos dado semana passada.
— É um prazer receber vocês aqui, Nathan e Nathalie – A vozinha da entrevistadora de meia tigela que sai da TV me irrita.
— Imagina, Luciene. Não há nada melhor do que dar atenção aos nossos fãs, afinal, sem eles não seriamos nada – Nathan respondeu a ela com seu melhor sorriso de astro do rock.
— É um prazer para nós dois estarmos aqui – Falei como se fosse realmente verdade.
— Então, me digam você dois; como é ser o casal mais amado não só do Brasil como em outros países também?
— Ah Luh! Posso te chamar assim? – A apresentadora afirmou com a cabeça – É realmente incrível. Quando nós andamos na rua as pessoas sorriem e nos cumprimentam, algumas pedem autógrafos e outras para tirarmos uma foto. É tão gratificante.
— Mas devemos confessar que é meio assustador – Nathan completou – Esses milhares de pessoas realmente gostam de nós, só pelo fato de sermos nós mesmos. É claro que existem uns que acham que não somos legais com as pessoas de verdade, que é só encenação.
— É triste – Falei colocando a mão em cima das de meu marido – Mas espero de coração, que essas pessoas possam nos conhecer pessoalmente um dia e que elas tenham tudo de bom na vida delas.
— Vocês são realmente uns amores. Agora nos contem como vocês se conheceram.
Nathan coçou a nuca como se estivesse encabulado e eu sorri, me preparando para dar um belo show, mas ele foi mais rápido e explicou:
— É uma história engraçada. Eu estava procurando uma vaga para estacionar no supermercado, aí eu avistei uma moça, toda desajeitada, tentando tirar o carro da vaga, então eu me ofereci para ajudá-la. É claro que no começo ela ficou um pouco relutante achando que eu estava dando em cima dela, mas acabou aceitando. Nó final ela acabou me chamando para dar uma volta e eu aceitei. Desde então eu fiquei perdidamente louco por ela.
Nathan bufa e desliga a tv.
— Nós merecíamos um óscar com essa encenação toda – Falo me deitando ao lado dele e colocando a mão em seu peito.
Nathan é explicitamente gostoso, alto e musculoso, com os cabelos e olhos castanhos escuros e a o cavanhaque muito bem aparado que tanto amo. Ele é dono da melhor lábia e de um olhar capaz de fazer qualquer mulher abrir as pernas sem precisar dizer sequer uma palavra. É vocalista da banda de rock que mais faz sucesso atualmente no Brasil, a Blood Ties. Mas atua como profissional.
Já eu sou mais baixa do que ele, tenho os olhos verdes, cabelos ruivos, lábios carnudos e muito sex appeal, que sei usar muito bem ao meu favor. Sou também uma estimada atriz de sucesso.
Nos dois fingimos ser um casal doce e adorável, fazendo as pessoas de fora acharem que meu marido é um perfeito cavalheiro com as pessoas e que eu sou dedicada e delicada. Mal sabem do segredo que guardamos.
— O que você acha que as pessoas fariam se soubessem como REALMENTE nos conhecemos? — Continuo.
Ele fica sério, se preparando para fazer uma cena.
— É uma história engraçada. Eu estava fazendo minha corrida noturna perto do penhasco da cidade quando de longe vi uma bela ruiva descendo de um carro preto e analisando o lugar para ver se estava sozinha. É claro que a reconheci do grupo de assassinos que temos em comum e quando cheguei perto para ver se ela precisava de ajuda ela também me reconheceu. Ela aceitou minha ajuda para se livrar do corpo de um cara gordo. Mas o melhor de tudo foi descobrir que já havíamos nos conhecidos na adolescência. Depois disso passamos a assassinar pessoas juntos e eu fiquei perdidamente louco por ela.
Eu solto uma gargalhada alta.
Ele é demais e eu realmente o amo, ele me transborda.
Meu demônio de olhos escuros.
— Então você está perdidamente louco por mim?
— Sempre — Ele me deixa em baixo de seu corpo e beija meu pescoço.
— Nav… — Falo relutante — Você tem uma sessão fotos. Nós temos que nos aprontar.
Ele para de me beijar e me olha atentamente.
— Você está recusando uma transa logo de manhã, Sra. Vallentim? — Ele me dá seu sorriso de canto.
Nathan sabe que eu não resisto ao sorriso de canto.
— Você sabe que eu detesto me atrasar.
— Mas eu não me importo — Responde, voltando ao meu pescoço.
Ele morde minha orelha me arrepiando enquanto fica entre minhas pernas. Lentamente começa a descer, me acariciando e dando leves mordidas.
Meu marido tem mãos pesadas, mas sabe ser doce. Exceto quando estamos afim de sexo selvagem. Nessas ocasiões eu geralmente demoro para conseguir voltar a andar normalmente.
Ele senta-se sobre as pernas e puxa minha calcinha enquanto me deseja com os olhos.
Nathan cheira minha calcinha.
— Só tem uma coisa melhor que seu cheiro — Diz com sua voz rouca, me fazendo vibrar — Seu gosto.
Ao colocar o rosto entre minhas pernas, eu gemo sem pesar.
Braços envolvem-me e seguraram firmemente minha cintura.
Meus dedos ficam brancos ao apertar o lençol de seda na cor vinho.
As paredes de nossa casa são grossas, assim não temos que nos preocupar com o barulho que fazemos.
— Na… Nav… eu… eu… eu vou.
Ele para e belisca meu sexo.
— Não vai, não — Diz limpando a boca com o polegar — Pelo menos ainda não.
Esse homem sabe como seduzir e como me enlouquecer.
Antes que possa protestar, sou virada na cama, ficando de bruços.
Olho para trás e vejo meu marido engatinhando até mim. Beija minha nuca e logo em seguida morde meu pescoço enquanto desliza sua mão por baixo de meu corpo e me aperta o seio, fazendo-me morder o lábio inferior.
— Adoro sentir sua pele em minha boca — Diz sedutoramente.
Posso sentir sua ereção me cutucando.
Agarro a cabeceira de nossa cama, estico minhas pernas, as deixando levemente abertas enquanto Nathan se apoia sobre o antebraço e os joelhos em cada lado de meu corpo. Após senti-lo dentro de mim, aproximo minhas coxas e cruzo o tornozelo direito sobre o esquerdo.
Enquanto me penetra, meu marido estimula um de meus mamilos.
— Você é tão gostoso — Sussurro.
Sinto-o sorrir em meu pescoço.
— E eu sou inteirinho seu, minha deusa.
Sinto sua respiração amena em minha orelha. Me eriçando ainda mais.
Já estou vendo estrelas pela segunda vez, e por ter sido interrompida sinto o orgasmo vir fortemente.
— Vire-se — Nathan ordena e sai rapidamente de mim para eu poder me virar, me fazendo olhá-lo furiosa. Ele sorri e volta a me possuir — Quero estar te olhando quando te fizer gozar.
Estava pronta para pergunta se ele me achava com cara e peão para ficar me rodando, mas como sempre, ele me desarma.
Nav sabe me enlouquecer até com as palavras.
Estou tão excitada que logo sinto o ápice se aproximar novamente.
Nathan está com o rosto bem próximo ao meu, me olhando no fundo dos olhos, com os seus repletos de paixão.
— Você me dá as melhores sensações do universo — Ele me diz bem baixinho.
Seus belíssimos olhos escuros brilham.
Pontinhos pretos aparecem em minha visão enquanto sinto o orgasmo vindo em minha direção.
Eu não tenho muitas certezas em minha vida. Não posso me firmar sobre alguns assuntos, mas eu me colocaria inteira em uma fogueira pelo amor que Nathan tem por mim.
O amor dele é algo que eu jamais duvidaria.
Assim como o que eu sinto por ele.
Nathan se tornara essencial para mim.
Ele é o único que realmente me conhece e ama cada defeito meu. E não são poucos.
Eu reviro os olhos e grito seu nome ao ser atingida pela erupção sensacional que domina meu corpo, enquanto Nathan ruge ferozmente.
Ofegamos por um tempo.
— Acho que teremos de tomarmos banho juntos – Meu marido me propõe com seu sorriso de canto enquanto sai de entro de mim.
Eu jamais conseguiria dizer não aquele sorriso.
Alguns segundos depois, estamos ambos em baixo do chuveiro, nos lavando.
Nathan fecha os olhos enquanto ensaboa seu cabelo e me cutuca novamente com sua ereção.
Ele é insaciável.
Paro de me esfregar para analisar a arte naquele belo corpo. O grosso braço direito fechado pela tatuagem de filamentos negros que saem do desenho de uma ferida da lateral e sobem em direção ao pescoço. O lobo com a caveira saindo pela mandíbula aberta no digníssimo peitoral esquerdo. Desço o olhar e encontro o dragão que começa em sua grossa panturrilha esquerda e se entrelaça em sua perna até o definido abdômen. Ele começa a se virar, mostrando o microfone e a guitarra em sua costela esquerda e ao estar completamente virado, admiro a imponente fênix vermelho alaranjada no centro de sua larga costa, logo depois babo em seu magnífico traseiro e vislumbro na panturrilha direita sua homenagem a nós: duas armas entrelaçadas por uma fita escrito “Eternity”.
Todas essas tatuagens dão ao meu companheiro um ar ainda maior de astro do Rock’ in Roll.
Desde de minha adolescência sou apaixonada por tatuagens e sempre desejei uma, porém, nunca fiz por causa de minha profissão e assim também consigo uma imagem de puritana.
— Eu odeio esses fotoshoots – Meu marido comenta enquanto veste uma calça preta rasgada nos joelhos, um coturno e uma camisa xadrez vermelha por cima da camisa preta que dizia “Demon Boy” o título do último single de sua banda.
— Você vai se sair bem.
Ele suspira.
Eu termino de passar uma maquiagem leve após vestir um jeans escuro, uma bota na cor nude de cano curto com cadarço e salto alto e uma das primeiras camisetas da Blood Ties.
De vez em quando, eu gostava de tietar meu homem.
— Eu só não gosto de ter que ficar de cueca para um marmanjo me bombardear com flashes.
Nathan sabia que era extremamente atraente, mas odiava ficar sem camisa. Era estranho ele ter toda essa personalidade marcante, mas não gostar de expor o corpo.
— Se você não fosse tão gostoso, não pediram para você ficar só de cueca – Falo beijando levemente seus lábios.
— Eu não sou homem objeto para essas garotas gostarem de mim só pela minha aparência. O que importa é a minha música. Esse sim é o meu trabalho.
Eu já perdi a conta de quantas vezes havíamos discutido isso.
Às vezes eu me sentia o homem da relação.
Por mais que essa vida de celebridades seja somente um disfarce, Nathan leva a música muito a sério.
Reviro os olhos.
— Já terminou, princesa? – Pergunto impaciente – Não quero me atrasar mais ainda.
Nathan pega as chaves e entramos em nosso Mustang Gt 1967 Shelby azul metálico com a faixa preta no centro, saindo em direção ao estúdio.
— Já está tudo certo para mais tarde? – Nathan me pergunta enquanto estaciona o carro.
— Sim. Os caras já vão estão aqui por perto. Vão estar só aguardo o sinal.
Está um dia lindo. Sem Sol com o céu cheio de nuvens e com a cor preferida de meu homem: Cinza.
Venta bem pouco, o suficiente para manter o dia numa ótima temperatura.
Meus cachos avermelhados voam para lado quando saio do carro e entrelaço os dedos aos do meu marido ao sentir o horrível cheiro de poluição.
O prédio onde será realizado o fotoshoot fica na parte leste da cidade. Uma parte menos populosa, com mais prédios industriais do que comerciais.
Estranhei um estúdio de alto porte como aquele estar num lugar deste, mas isso só serviu para facilitar nosso trabalho, ainda mais que o prédio era desses que quem estava dentro poderia ver as pessoas de fora, entretanto, as pessoas de fora não poderiam ver as de dentro e de bônus uma das partes do prédio dá para um beco.
Essa é a receita perfeita da facilidade.
Assim que entramos no prédio somos atingidos pela baixa temperatura do ar condicionado e eu desejo ter trazido uma blusa de frio.
— Bom dia – Nathan fala com o guarda – O senhor, poderia nos informar em qual andar fica o estúdio fotográfico, por gentileza?
Eu poderia ter dito a ele, já que meu marido era um desmemoriado dos grandes, mas era bom para nossa imagem falarmos com as pessoas.
— Ah.... é.... – O homem parece ficar atônito com nossa presença – Fica... fica... fica no decimo terceiro andar.
— Muitíssimo obrigado... – Meu galã pega o crachá do segurança entre os dedos e o analisou – ...senhor, Irineu.
Nós dois sorrimos e viramos ao mesmo tempo. O que nos permite ver que todos que ali passam param para nos olhar.
Nathan aperta minha mão e retribuo o aperto.
O fato mais curioso sobre meu marido é que quando nos conhecemos na adolescência, antes da fama, ele tinha problemas com ataques de pânico e sempre que recebia atenção de muitas pessoas sem antes preparar o psicológico ficava extremamente nervoso. É claro que não houve mais ataques de pânicos, mas mesmo assim ficava bastante abalado.
Ele respira fundo e começamos nossa caminhada pelo corredor de granito branco tão limpo que é possível ver nossos reflexos.
Depois de parar para dar alguns autógrafos e tirar algumas fotos, Britany, nossa agente, aparece para nos salvar. Uma travesti linda e que se parece mais com uma mulher do que muitas garotas por aí.
— Vocês estão atrasados – Ela nos diz assim que chegamos no decimo terceiro andar.
— Nos desculpe. Minha mãe me ligou de última hora e como fazia muito tempo que não nos falávamos eu não podia dispensar a ligação dela – Nathan fala com um falso remorso que até eu quase acredito.
— E tinha todas essas pessoas que queriam fotos e tudo mais – Completo – Não podíamos dizer não a eles.
— Vocês nunca podem, não é mesmo – Ela resmunga enquanto mexe em seu celular.
Britany tem sérios problemas de humor.
— Ei — Nathan a segura pelos ombros, me fazendo achar que ele lhe dará um esporro por falar com ele daquela maneira. Já batera em caras por menos – Desculpe mesmo. Não vai acontecer novamente.
Ela o olha nos olhos e cede, sorrindo.
Todas cedem. Ninguém é imune ao charme de meu homem e isso incluí os heteros.
— Enfim. Vou levar vocês até o fotografo.
Nós a seguimos até chegarmos a um cara alto e musculoso vestindo uma camisa social azul escuro, calça social e sapatos pretos. Ele tem belos olhos pretos sob os óculos de armação quadrada preto e verde e cabelo castanho escuro. Tem uma pequena semelhança com Nathan.
— Olá – Diz apertando a nossas mãos – Eu me chamo Miguel. É um enorme prazer conhece-los.
Assim como Nathan, ele é charmoso. Ainda mais com a câmera pendurada no pescoço.
É como se ele fosse uma versão menos sofrida de meu marido.
— Que isso, cara – Nathan comenta sorrindo – Pedimos perdão por termos atrasado.
— Não tem problema.
Seus dentes são extremamente brancos e perfeitos, deixando seu sorriso ainda mais lindo.
Ele começa a andar e nós o seguimos.
— Essa é Vanessa – Diz Miguel ao chegarmos perto de uma mulher morena – Ela é minha nova assistente.
Assim que seus olhos caem em cima de Nathan, eles reluzem.
Tiete – Penso.
— Oiiiiiiiii – A vadia sibila se jogando nos braços do meu marido que precisa soltar nossas mãos para segurar a vaca que finge tropeçar – Opa. Como sou desastrada.
Miguel e Britany a olham sem entender o que acabou de acontecer.
Ela se ajeita.
— Oh, querida – Falo tocando em seu braço – Você está bem?
Ela me olha com desdém.
— Ah... sim. Obrigada.
Ela me dirige um sorriso que quase me faz enfiar meu sapato em seus dentes.
— Ah... Nathan – Miguel chama a atenção do modelo do dia enquanto olha feio para sua assistente – Vamos começar?
— Vamos sim. O que eu devo fazer primeiro?
— As primeiras fotos podem ser do jeito que vocês está mesmo – Muge a assistente nojenta – Mais como você é no dia a dia.
Ah, querida. Se você continuar a dar em cima do meu marido, EU é que vou agir como no dia a dia.
— Isso e se você não se importar, gostaríamos de finalizarmos com você e seu carro.
— Cara. Você que manda – Enquanto Nathan fala, o projeto de assistente baba – Mas a paisagem não vai estragar a foto?
— Depois eu altero o fundo. Por mais que eu odeie fazer fotoshop.
— Bom saber – Comento abraçando minha posse – Assim sabemos que não vão alterar quase nada no corpo do meu marido.
— Não vamos alterar nada. O mais próximo que chego de alterar minhas fotos, é a iluminação e foco se necessário e dificilmente o ambiente.
Pela cara de Nathan, ela apoia a ideia.
— Meu, na boa. Depois eu preciso do seu cartão. Seria bom substituir o fotografo da banda. Ele altera até a sujeira do meu All Star.
— Eu jamais faria uma atrocidade dessas.
Os dois gargalham, enquanto nos três ficamos apenas mostrando os dentes.
Nathan tem um amor doentio por All Star, ainda mais quando estão sujos.
Ele fica em cima da marca que o fotografo indicou enquanto é bombardeado pelos flashs.
Por mais que odeie essas sessões de fotos, Nathan consegue ser um bom modelo.
— Anjo – Ele me chama e me entrega a camisa xadrez depois de ter sido registrado nas fotos com ela na cintura.
Automaticamente inalo seu maravilhoso perfume depois de vesti-la.
Vanessa me fuzila com os olhos.
— Essa garota está me tirando do sério – Britany comenta perto de mim.
— Já estou tão acostumada que nem me importo mais – Minto – Ela não faz por mal, só que o melhor para o Nav.
Sempre foi comum eu receber mensagens de ódio em meu facebook e Instagram. Grande parte eram de garotas dizendo que eu não servia para o Nathan. Que ele merecia coisa melhor. Já me desejaram a morte, uma vez e até que eu contraísse alguma doença grave.
É estranho pessoas que nem ao menos me conhecem desejarem minha morte, já que nunca fiz nada diretamente a elas.
Mas não era somente comigo. Nathan também recebia diversas mensagens de ódio. Por isso ele utilizava apenas o Instagram, pois sempre foi menos paciente do que eu.
Incrível como as pessoas odeiam com tanta facilidade.
Mas como diz Taylor Swift “Haters, Gona Hate”.
— Muito bom, Nathan – Britany vai em direção ao fotografo – Agora vamos mudar o figurino.
— O Closet de maquiagem fica por aqui – A Perua se oferece.
— Isso é mesmo necessário? – Nathan pergunta com uma careta.
— Não gosta de make, Nat?
Eu vejo o ódio passar pelos olhos de meu marido que detesta mortalmente esse apelido, já que grande parte das pessoas não pronunciavam o “a” com a entonação correta de seu nome, deixado o apelido feminino, sendo mais apropriado para o meu nome do que para o dele.
— Não será necessário, Vanessa – Miguel interrompe – O vestiário fica atrás daquela porta – Ele nos aponta uma porta marrom perto do corredor – Vocês dois podem ficar à vontade. Britany já separou as roupas que achou melhor para o ensaio.
Assim que entramos no vestiário, me viro furiosa pra Nathan.
— Se aquela garota continuar agindo dessa forma, eu vou adiantar nosso trabalho.
— Não vi nenhum problema – Nathan comenta como se a assistente estivesse agindo normalmente.
Eu o olho embasbacada.
— É o que, senhor Nathan? Não se finja de desentendido.
— Eu não estou me fingindo de desentendido – Ele fecha a cara – Você acha que não percebi você praticamente babando pelo fotografo?
Oi?
É obvio. Nathan está com ciúmes.
— Eu não estava babando nele. Estava apenas observando o quanto vocês são parecidos.
Meu Rockstar me olha com a sobrancelha esquerda arqueada.
— É sério – Jogo os braços em volta de seu pescoço – Eu não quero saber de nenhum homem além de você.
— Hum... Espero que seja verdade.
Ele me beija da forma que sempre beijava.
Começando calmo e se tornando faminto.
Nos separamos ao ouvir uma batida na porta.
— Nós não temos o dia todo – Britany reclama.
— Às vezes ela me dá no saco – Nathan sussurra.
A primeira escolha de Britany já fora o suficiente para deixar o seu cliente desconfortável.
Admito que me surpreendo ao ver que Britany começa um pouco mais comportada que o normal.
Assim que saímos do vestiário com Nav usando apenas um macacão velho e sujo e sem a camisa, observamos Miguel sair de perto de sua assistente que não está com uma das melhores caras. Bom. Não até ver meu marido.
Depois de muito tempo de Nathan tirando foto só de macacão, calça jeans e instrumentos musicais, e dele vestir uma bermuda branca, começamos a descer até piscina do térreo.
Miguel já tinha chamado a atenção de sua assistente duas vezes, mas não surtira nenhum efeito, então, para a nossa sorte, ele decide dispensa-la mais cedo.
Eu que tinha suspeitado que isso aconteceria, já tinha mandado uma mensagem para os “caras”, mandando ficarem no lugar combinado. Só precisei mandar um polegar avisando que a presa estava descendo.
Ao sair, Vanessa bate a porta fortemente e desce pisando duro.
Enquanto continuam a sessão, preparo o sms que será usado para nos encobrir e mando para o celular de um de nossos amigos para que ele copie a mensagem no celular da vagabunda.
Fora preciso algum tempo e um pouco de minha persuasão para Britany achar que seria uma boa fazermos um fotoshoots com o famoso fotografo Miguel Juarez, que tinha como assistente, Vanessa Marques, ou como eu preferia chamar, nossa presa.
O plano era Nathan e eu fazermos Vanessa chegar até o estacionamento sozinha, onde eles discretamente a jogariam na van, roubariam o carro dela e de seu celular mandariam uma mensagem de demissão. Eu precisava estudar um pouco seu jeito e elaborar uma mensagem convincente.
Após estar seco e vestido com a roupa que chegara ali (sem a camiseta xadrez que eu ainda vestia), saímos do vestiário e ouvimos o fotografo e a agente conversando.
— É – Miguel diz analisando o celular – Vou precisar arranjar outra assistente.
— Por que? – Questiono da forma mais cínica possível – Espero que não seja por nossa causa.
— Ela acabou de me enviar uma mensagem grosseira se demitindo – Ele nos mostra rapidamente a tela de seu aparelho – Enfim, ela que não espere boas recomendações.
— Oh! Sinto muito, Miguel – Enceno um arrependimento – Se tiver algo que possamos fazer para ajudar.
— Não se preocupem. Agora só falta as fotos com o carro e vocês estarão livres de mim – Ele nos dá seu belo sorriso – Vocês devem estar cansados.
Nós vamos em direção ao estacionamento para finalizarmos a sessão.
Miguel captura imagens de Nathan apoiado e em cima do capo do carro e até pede para que eu participasse de umas.
— Bom. Assim que ficarem prontas eu aviso vocês – Ele aperta nossas mãos novamente – Foi um prazer conhecer e trabalhar com vocês.
— O prazer foi todo nosso – Nathan enfatiza enquanto guarda o cartão de Miguel no bolso traseiro da calça.
Britany se despede e em entra em sua BMW.
— O que você disse na mensagem? – Nathan me pergunta quando estamos só nos dois dentro de nosso carro e bem longe do prédio que tínhamos acabado de sair.
— “Estou cansada dessa merda que você chama de emprego. Eu não tenho que gastar meu precioso tempo com um profissional de tão de baixo escalão como você. Não preciso ouvir sermão de um nerd idiota como você por causa de uma perua ruiva, rica, idiota e tão sem personalidade. Eu não tenho culpa que o marido dela estava me dando bola. Até ele percebeu que eu era melhor do que aquele projeto de atriz. Desejo que você possa um dia ser um terço do fotografo que você pensa que é. Eu irei achar um emprego decente em um lugar muito melhor do que essa cidadezinha fuleira.
— Você sabe como ser traiçoeira, Sra. Vallentim.
— Obrigada – Analiso as luzes do prédio que passam por nós em velocidade, em contraste com o escuro céu carregado com nuvens ameaçando chover – Mas admito que fiquei bem chateada não poder resgar a garganta daquela biscate com minhas próprias mãos.
— Não se preocupe – Nathan entrelaça nossos dedos e beija a costa de minha mão esquerda – Você vai poder rasgar o pescoço de muita biscate.
Foi automático.
Ele me dá seu sorriso de canto, o que me fez vibrar.
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