Lawrence

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Notas iniciais
Neste capítulo, Lawrence ainda não aparecerá. Aqui vão acontecer algumas coisas importantes para a história mais pra frente, como o surgimento de um novo personagem, o professor Luke. Espero que gostem e que comentem!!!

-- Kyle... você... é... – Hannah estava atordoada – totalmente... pirado...!

Encostados na parede de um dos corredores lotados, Kyle tinha mostrado a Hannah aquilo que tinha anotado no dia anterior. Mostrou, no seu celular, o número do celular de Vince, que tinha visto na revista de cosméticos de Andrea.

-- Por que não me mostrou ontem mesmo?!

-- Porque... – Kyle estava ainda mais aturdido que ela – eu congelei o resto do dia...

E era verdade. Durante a saída, o resto da tarde e a noite inteira, Kyle parecia estar no modo de “Piloto Automático”.

-- Tá bom, agora que você tem o número dele, o que vai fazer? – perguntou Hannah. Kyle deu de ombros.

-- Sei lá... – disse, pensativo – ligar pra ele... e... NÃO, não posso falar que sou eu! – exclamou pondo as mãos no rosto. Mal tinha tomado uma atitude, e as coisas já estavam ficando complicadas.

-- Ué, por que não?!

Kyle olhou para ela como se fosse chutar o traseiro da garota.

-- Ele vai me odiar! – disse, de olhos arregalados – Se é que já não odeia... Vai achar que estou perseguindo ele, ou melhor, vai ter CERTEZA!

Hannah virou os olhos.

-- Então o que pretende fazer?

-- Não sei... vamos, Hannah, me ajuda, vai...?

A garota fechou os olhos e balançou a cabeça.

-- Nem pensar – disse ela, séria – Lembra que eu disse que não ia te ajudar? Que era para você se virar sozinho? Então.

-- Ah, que ótimo – disse o garoto, frustrado – Então o que você sugere? Mandar um torpedo secreto? “Olá, eu sou seu admirador secreto”...

-- Bom, é uma opção.

Kyle levantou os olhos. Por essa, ele não estava esperando. Realmente, ele havia pensado no dia anterior em mandar um torpedo secreto, mas achou a ideia piegas e totalmente cafona.

-- Claro, você pode excluir a parte do “admirador secreto”, mas a essência pode continuar sendo a mesma.

O sinal da troca de aulas soou, então Kyle e Hannah foram para a sala da aula seguinte. O garoto foi pensando na ideia do torpedo. Até que era um método interessante... poderia falar o que ele sentia diretamente para Vince, sem ele saber quem era... mas o garoto poderia ficar com medo justamente por não saber quem era a pessoa que lhe mandaria os torpedos... além do mais, ele iria expor seu número para uma pessoa para a qual não tinha certeza se devia expor... “Que besteira, Kyle”, pensou consigo mesmo; “Se você quer o garoto para você, por quê não mostrar seu número para ele...?”

Durante uma aula de Física especialmente chata, Kyle pegou seu telefone com muito cuidado e começou a escrever uma mensagem de texto, bem devagar e olhando o tempo inteiro para o professor Luke, para certificar-se de que ele não estava vendo nada. Demorou um bom tempo para escrever a mensagem, não porque o garoto tinha a impressão de que o professor olhava para ele o tempo inteiro, mas porque cada botão parecia necessitar uma força descomunal para se mover. Leu e releu a mensagem pelo menos cinco vezes. “Você é o Vince? Eu sou da escola também... e te acho muito gato...”. Passou o celular para Hannah, sentada do seu lado, que leu a mensagem e acenou afirmativamente com a cabeça. Kyle pegou o celular de volta e ficou paralisado com ele na mão. Hannah olhava para ele ligeiramente ansiosa, mas o garoto não manifestava qualquer reação que indicasse que iria enviar o SMS.

-- Você quer que eu mande para você...? – cochichou Hannah.

-- Não, eu...

Kyle não conseguia completar a frase. A possibilidade de entrar em possível contato com Vince o aterrorizou o suficiente para não deixar que ele se movesse. Hannah rapidamente pegou o celular das mãos do garoto.

-- Certo... onde eu envio...?

Kyle percebeu o que ela estava tentando fazer e praticamente saltou sobre a amiga, que estendeu o braço, aumentando a distância entre o menino e o aparelho. Kyle se esticou o máximo que pode até ouvir alguém pigarrear.

Era o professor Luke. Kyle e Hannah paralisaram no mesmo momento em que perceberam que a bronca seria para os dois. O professor estava de braços cruzados na frente da sala, olhando para os dois. Todos os seus colegas também os encaravam.

O professor era bem jovem, tinha algo em volta de 25 anos, era alegre, divertido e bem bonito também. Mas este era um dos poucos momentos em que ele parecia muito mais velho, devido a sua cara séria. Ele começou a andar até os dois, na quinta fileira de cadeiras, com seus cabelos bem louros brilhando devido ao sol que vinha da janela. Seus olhos azuis também estavam frios demais.

-- Mandando mensagens durante a aula, Sr. Rivers? – disse ele, numa voz leve, mas letal – Talvez a classe ache interessante, não é?

-- N-não! – exclamou Kyle.

-- Ora, por que não? – disse o professor, parando no meio do caminho e descruzando os braços, deixando as mãos com as palmas pra cima – Se é tão importante a ponto de querer enviá-los durante as aulas...

O professor retomou seu caminho e pegou o celular da mão de Hannah. Kyle, com a testa apoiada na mão, fazia caras e bocas para a amiga, que só fazia cara em tom de desculpas. O professor leu primeiro para ele mesmo, então franziu o cenho. Guardou o celular no bolso da calça e disse:

-- Venha pegar seu telefone de volta quando a aula acabar. Vou querer falar com você depois.

A classe pareceu desapontada ao perceber que não ficariam sabendo o que estava escrito no celular de Kyle. O garoto soltou o ar que estava prendendo e Hannah pareceu fazer o mesmo. Eles se entreolharam e não falaram mais nada até o final da aula. O menino sentiu uma mistura de alívio e de desapontamento ao mesmo tempo e sabia porque. Quando o professor Luke levou seu celular, ficou mais tranquilo por saber que Hannah não ficaria perturbando-o para enviar a mensagem, mas pensar que não saberia o que Vince lhe diria até lá o deixava triste. Então esperou, com expectativa, o sinal tocar.

Quando a aula acabou e os alunos começaram a sair, Kyle parou diante da mesa do professor Luke. Hannah parou do lado da porta, esperando. O professor parou de escrever suas anotações e levantou os olhos para o garoto.

-- Por mais que estivesse errado seu comportamento, não poderia te expor na frente da sala.

Kyle não respondeu.

-- O Sr. está interessado no Sr. Guimber, não é?

Kyle olhou em volta para ver se nenhum aluno tinha sobrado na sala. Nunca tinha falado diretamente para nenhum homem sobre o fato de ser gay, e achou que não seria esperto falar isso na frente de alguém que não fosse de confiança. Hannah e o professor eram as únicas pessoas além do garoto na sala. Olhou bem nos olhos do homem e balançou a cabeça afirmativamente. O professor mexeu a cabeça em tom de concordância. Em seguida, ele estendeu a mão com o celular para o garoto. Kyle pegou o aparelho, mas antes que pudesse recolher a mão, o rapaz pousou sua mão esquerda em cima da do menino.

-- Aconteça o que acontecer – disse o professor Luke – se sentir que precisa, venha falar comigo. Eu posso entender isso melhor que qualquer outro professor, Kyle.

Kyle olhou nos olhos do homem, pensando no que ele acabara de falar. Era a primeira vez que o professor o chamara pelo primeiro nome. Também nunca tinha notado como os olhos dele eram tão azuis e brilhantes.

Notas finais
Bom, esse capítulo não tem muita ação, mas merecia ser separado porque contém acontecimentos importantíssimos. No próximo capítulo, as coisas começam a ficar interessantes de verdade.