Lawrence

6 Lágrimas


Notas iniciais
EU SINTO MUUUUITO >..<* Eu lembrei o que queria dizer no capítulo anterior... xD Ele foi uma pequena homenagem ao meu seriado favorito, "Glee", uma série musical. OS personagens Rachel Berry e Jesse St. James cantam a música "Hello", que eu gosto muito, tanto quanto o Kyle. xD Ah, os nomes dos outros integrantes do clube do coral do Kyle são os primeiros nomes de alguns atores da série. Bom, divirtam-se com esse capítulo. Luke certamente está ficando importante...

---- Toma.

Lawrence largou um bolo de papéis na mesa de Kyle. Hannah havia faltado, e o garoto queria um tempo para ele mesmo na hora do intervalo. Ele tomou os papéis na mão e os olhou. Eram umas partituras.

-- ... o que tem isso...?

-- Eu te disse que queria ser seu amigo, não disse? — disse o moreno, sentando-se na cadeira ao lado de Kyle — Pois bem, acho que aquele momento não foi o mais apropriado... E achei que seria melhor se eu te desse um... presente, que significasse algo mais concreto.

Kyle olhou a primeira partitura. Chamava-se "Alone". E também era um dueto.

-- Eu fico lisonjeado, Lawrence, mas.. — disse o garoto, estendendo-lhe a mão com as partituras — acho que não vamos mais fazer duetos juntos. Vou preferir fazer com a Hannah.

Lawrence não se mexeu para pegar os papéis. Continuou com o cotovelo apoiado na mesa, segurando a cabeça.

-- Fique com eles. Eu disse que era um presente, não tarefa de casa.

Kyle ficou desconcertado com o fora. Colocou as partituras em uma pasta e guardou na mochila de novo.

-- Olha — disse Lawrence — Eu sei que você está receoso de falar comigo, mas... não há razão para isso.

-- É mesmo...? — disse Kyle. "Ah claro, não há motivo nenhum para eu pensar que você pode estar tirando uma com a minha cara..."

-- É... — ele olhou para Kyle com seus olhos penetrantes — Sabe.. às vezes... nós pedimos por coisas que não podem surgir tão de repente... tem que haver uma base para que comece.

Kyle parou de arrumar os livros dentro da mochila de repente e começou a encarar o vazio.

-- Quer dizer... — continuou Lawrence — elas podem até chegar a acontecer, mas... tudo tem um início... e esse início pode ser bem diferente daquilo que esperamos...

Kyle olhou para o rosto do outro garoto, que se ajeitou na cadeira ao lado dele e estendeu a mão direita.

-- Vamos pensar nisso como um começo para algo maior.

Kyle olhava da mão do garoto para o rosto dele. Não sabia o que fazer. As palavras de Lawrence eram ambíguas. O que ele estava querendo dizer...? Será que tinha alguma coisa a ver com o "pacto" que tinha feito na semana anterior com uma folha de papel?

-- Tá bem...

Dito isso, pegou a mão de Lawrence com cautela. A mão dele era muito quente. Muito, muito quente, mas não estava suada. O aperto parecia estar tomando mais tempo do que devia. Kyle largou a mão dele, não sem antes Lawrence esfregar de leve as pontas dos dedos na palma da mão dele, como fizeram na primeira vez que se falaram. Kyle sentiu o calor subir pelo pescoço.

-- Olha... — disse ele, se levantando — eu tenho que falar com uma pessoa agora... Falo com você depois, certo...?

-- Quando você quiser, baby...

Kyle sentiu um arrepio na espinha. Aquela frase era dele. Usava geralmente quando brincava de flertar com suas amigas. Mas Lawrence não usou o tom de brincadeira. Parecia ser mais sério. Como um verdadeiro... flerte. Kyle pegou a mochila, jogou sobre um ombro, e seguiu andando, sentindo olhar queimante de Lawrence em sua nuca.

Ele realmente não tinha com quem conversar. Hannah não estava lá, e mesmo que estivesse, ele não iria querer contar. Quem sabe Thammy...? Não, ela não iria entender... e se entendesse, não saberia agir... Ferny? Não, ela acharia tolice... Andrea, nem pensar. Quando contou que gostava de Vince para ela, tinha certeza que tinha feito besteira... Realmente, não poderia conversar com nenhuma mulher...

Mulher... mas por que tinha que ser com uma mulher...? Kyle lembrou de um nome... e foi, com passos decididos para a sala do coral, por enquanto vazia. Mas ele sabia que uma pessoa sempre ficava lá. Abriu a porta e viu, sentado numa cadeira e apoiado na escrivaninha, o professor Luke.

-- Oh... Hey, Kyle, tudo bem? Não temos reunião hoje...

-- Eu sei, professor, mas... — disse Kyle, ajeitando a mochila no ombro — ... eu acho que preciso conversar com o senhor...

O olhar de Luke ficou mais sério, de repente. Ele desencostou da cadeira e puxou uma segunda de frente para ele.

-- Ah, entendo... bom, sente-se, vamos ver o que posso fazer, mas... o que fez você resolver vir falar comigo...?

-- Bom — disse Kyle, sentando-se — uma vez o senhor me disse que poderia me entender melhor do que ninguém, lembra...?

-- Claro, claro, lembro sim...

-- Certo... queria falar sobre umas coisas... duas, para ser mais exato.

-- E o que seriam? Tem a ver com o Sr....?

Kyle concordou com a cabeça.

-- Sim, sim... tem a ver com ele...

-- Pois bem, me diga então.

-- Bom... — começou Kyle — O senhor já deve saber da história das mensagens... Eu mandei algumas mensagens secretas e... bem, ele parece estar demonstrando algum interesse...

-- Isso é bom — respondeu o professor. Kyle olhou para os olhos azuis do homem. Ele tinha virado a cadeira de costas e agora apoiava a cabeça no encosto dela.

-- Mas... eu... droga, eu não sei se... se quero me expôr... entende...?

-- Você tem medo dele descobrir quem você é, não é isso...?

-- É... exatamente...

-- Kyle — disse Luke, ajeitando o queixo na mão — Já pensou por que você está fazendo isso?

-- Bom, porque eu gosto dele, ora...

-- Em que intensidade? É amor verdadeiro ou só uma... paixonite...?

Kyle ficou parado olhando para o rosto do professor. Pensava que sabia a resposta. Aliás, tinha certeza que estava apaixonado. Mas não pensara na palavra "paixonite". Pensou consigo mesmo. "Vou amá-lo para sempre... ou vou esquecê-lo assim que começar a gostar mais de alguém...?".

-- Olha... quando se está realmente apaixonado por algém, você sabe disso. Essa sua pausa para dar uma resposta... só mostra o quanto não está preparado para conhecer esse garoto do jeito que você tanto quer. Quero dizer, o passo que você deu... não é o comum para gente da sua idade... é como...

-- Correio Elegante... — Kyle sabia o que dizer — Bonitinho, mas super...

-- ... super brega, isso mesmo — completou Luke, olhando pro chão. Ele levantou os olhos — E ele correspondeu isso, mesmo sem parecer ser do tipo de garoto que faria uma coisa dessas... o que eu quero dizer é que... provavelmente, ele pode nem estar interessado em VOCÊ, Kyle. Quero dizer, ele, na verdade, quer ver quem está mandando mensagens secretas para ele, e pode ser que não esteja procurando... algo mais.

Kyle ficou imóvel, em choque. Não tinha pensado nessa possibilidade. Sua testa estava franzida, e balançou de leve a cabeça.

-- Mas... ele disse que...

-- Kyle... deixa eu te falar uma coisa — disse o professor, se levantando e pondo a cadeira dele do lado da de Kyle, sentando-se logo em seguida — Já que estamos falando sobre você, é melhor eu esclarecer uma coisa.

Kyle olhou para o professor, que juntara as pontas dos dedos. Ele olhava para frente, com a boca aberta. Certamente pensava se era a coisa certa dizer o que queria dizer a Kyle. Por final, ele falou.

-- Eu sou gay também, Kyle.

Os olhos do garoto arregalaram um pouco. Certo, não estava esperando por isso. Era verdade que ele parecia se cuidar muito mais que a maioria dos homens, nem nunca ficara sabendo que ele estivera com alguma mulher. Mas não esperava que ele fosse gay. Ele não parecia. Quer dizer que, por baixo da barba clara e daqueles olhos havia um homem que também gostava de homens...? Onde estava o potente Gaydar de Kyle...?!

-- E... quando eu tinha a sua idade... também me apaixonei por um colega...

Kyle continuou encarando o homem Sentado ao seu lado, mudo.

-- Eu fiz algo parecido com o que você fez, mas claro, uma versão menos moderna... — continuou, rindo pelo nariz — Eram só bilhetinhos tirados de folhas de caderno... Cara, ele era tão...

O homem suspirou. Estava claro que o que ele tinha sentido por aquele garoto não era paixonite.

-- Ele... tinha um sorriso que... fazia-o parecer um anjo... ele também tinha umas bochechas e... cantava tão bem... — ele apoiou um dos cotovelos no encosto da cadeira e cobriu a boca com a outra mão — bom, mas o que importa é que... ele acabou descobrindo quem eu era... e... bom, ser gay não era uma coisa boa alguns anos atrás... então... logo eu tinha virado a piada da escola...

-- Mas... — gaguejou Kyle. Havia um nó dolorido em sua garganta — ... mas o Vince... ele não pode...

-- Não quero te decepcionar, Kyle, mas... — disse o homem — nós nunca podemos ter certeza daquilo que os outros pensam... entende...?

Kyle abaixou a cabeça, paralisado. Não, aquilo não podia ser verdade. Vince não estava fingindo que gostava dele só para descobrir a verdade... não parecia ser coisa dele... ou parecia? Kyle não o conhecia, nunca conversara com ele, podia apenas adivinhar como seria. Não sabia se ele era doce, apaixonado... ou até mesmo cruel. A lógica de Luke fazia muito mais sentido do que qualquer outra coisa. O professor disse "Hey", pegou levemente o queixo de Kyle com o indicador e levantou-o para que o garoto olhasse o rosto dele. Os olhos do aluno estavam vermelhos e começavam a ficar molhados.

-- Se isso for verdade, Kyle... então ele não merece ter alguma coisa com você. Nem que seja uma ficada.

-- Ele não pode... — a lágrima que tremia na pálpebra inferior do garoto finalmente escorreu — ... não, não pode estar fazendo isso... comigo... comigo não...

-- Não estou dizendo que está... — disse o professor Luke, enxugando a lágrima com o dedão da mão que segurava o rosto do menino — Só que precisa ter cautela. Porque nem sempre podemos ter aquilo que queremos, do jeito que queremos...

-- Isso não é justo... — mais duas lágrimas caíram, uma de cada olho. Nem sabia mais se estava prestando atenção ao professor — ... o que eu fiz para ele... para ele querer me tratar assim...?

-- Shh... calma... — o homem puxou o corpo do garoto num abraço — calma...

Kyle passou os braços pela cintura do professor e ajeitou o rosto no ombro dele. O professor segurou a cabeça do aluno com uma mão, enquanto a outra dava tapinhas em suas costas. Kyle começou a chorar de verdade, de forma silenciosa, com as lágrimas que saíam manchando o ombro do suéter azul do homem que o abraçava com tanta compreensão. Quer dizer que a pessoa que gostava podia só estar fingindo, com o simples propósito de humilhá-lo mais tarde, na frente de todos? Não queria pensar em Vince, mas não podia evitar. Apesar de sentir tanta tristeza e até mesmo raiva, que faziam-no ter vontade de nunca mais vê-lo ou falar com ele, não podia simplesmente sumir. O garoto viria atrás dele, e aquilo que estaria evitando aconteceria com certeza, e de uma forma que não podia controlar. Ele estava com muito medo...

Resolveu se concentrar no abraço que dividia com o professor. Sentiu o cheiro do perfume do homem, que saía do pescoço dele. Sentiu os braços dele em volta de seu corpo, e sentiu seus próprios braços agarrarem a cintura do homem como quem agarra o travesseiro quando chora. Sentiu a mão que batia de leve em sua omoplata, e ouviu cada um dos sons que Luke fazia com a boca, tentando acalmá-lo. Logo, os soluços foram diminuindo de frequência sem que Kyle percebesse. O professor então começou a falar em uma voz muito leve e macia, bem perto de seu ouvido:

-- Faça o seguinte... pense com você mesmo o que isso lhe parece... posso estar enganado, pode ser que ele goste mesmo de você... mas me prometa que vai pensar no que quer fazer. Se achar que está tudo bem, continue. Vá em frente. Se não, venha falar comigo... vamos pensar juntos no que fazer a seguir — o professor Luke soltou um pouco o abraço para olhar o rosto vermelho de Kyle — certo?

Kyle olhou para os olhos azuis do professor. Eles não eram mais frios como antes. Eram acolhedores, mornos... quentes. Ele enxugou as trilhas molhadas pelo rosto com as costas da mão e respondeu afirmativamente com a cabeça. Soltou os braços da cintura do professor Luke e se levantou da cadeira.

-- Obrigado, professor — disse ele, jogando a mochila sobre um dos ombros — Vou arrumar minhas coisas para a próxima aula...

-- Vá — respondeu o homem — E lembre-se de pensar naquilo que combinamos. Peça ajuda de Hannah se achar que precisa, está bem?

Kyle apenas concordou com a cabeça e foi andando para o corredor. Abriu a porta, saiu da sala do coral e, enquanto fechava a porta, viu o professor Luke sentado, ainda olhando para ele e dando um tchauzinho. Havia uma mancha molhada em seu suéter e algo diferente em seu olhar doce.

Notas finais
Adoro o Luke... xD

Eu sei que a conversa de Kyle e Luke não era para ser sobre o Vince, e sim sobre o Lawrence... mas tudo que eu escrevi e não escrevi tem um propósito, inclusive essa repentina mudança de prioridades do Kyle xD Fiquem tranquilos porque eu não esqueci nem pulei nenhuma parte, OK? O próximo capítulo postarei logo mais. Desculpem a pressa xD

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