Lawrence

7 Emoções


Notas iniciais
OK, pessoal, sei que a essa altura, todos vocês devem estar querendo me matar por ter ficado quase um mês e meio sem atualizar a história. Bom, é porque eu simplesmente O-D-I-E-I ter que escrever os capítulos diretamente na página do Nyah, prefiro escrever no Word. Então decidi atualizar as coisas só quando eu voltasse de viagem. Pois bem, semana passada eu voltei, e depois de me por em dia com o lugar, resolvi escrever um novo capítulo (que aliás, está concorrendo seriamente a posto de capítulo favorito meu xD).

Esse capítulo atualiza a história entre Vince e Kyle, encaminhando-se para o desfecho desse relacionamento. Mas não se preocupem, a história é longa e dará muito pano para manga ainda. E aqui eu também apresento a verdadeira razão de ter botado Luke nessa história. Acho que ele é meu personagem favorito.... *--*

-- Adivinha só quem eu estou namorando!

Thammy estivera animada o dia inteiro, e no final do período de aulas, não conseguiu mais segurar o segredo. Apesar de ter dito que não ia contar o que era, ela era como um cão que havia feito alguma arte. E realmente parecia uma arte, pois assim que ela disse isso, Kyle virou o rosto para ela com surpresa. Thammy só tivera um único namorado na vida e era extremamente tímida e inocente.

-- Como assim, namorando?!

Ela abriu um sorriso gigantesco.

-- Começamos anteontem! Mas anda, Kyle, adivinha quem é!

Kyle entortou a boca como fazia sempre que pensava, e lembrou-se do paquera de sempre da amiga.

-- É o Roger! Aposto!

Para surpresa do garoto, a amiga fechou os olhos e balançou a cabeça.

-- Como não é ele?! Não era sobre ele que você falava vinte e quatro horas por dia?

-- Sim, mas ele já virou passado agora! Anda, tenta de novo...

Kyle tentou se lembrar dos amigos homens dela. Não eram muitos... era o Rusty? Não, não era. Leonard...? Não, também não...Duncan? Muito menos... Mas não havia mais amigos na lista... Ou havia? Uma ideia passou pela cabeça de Kyle, mas era absurda demais para ser verdade...

-- Anda, Kyle, você conhece ele também! Só nunca conversou com ele... Mas sempre me dizia que queria... Lembrou?

Kyle parou de andar. Sua testa se franziu de leve e ele sentiu um aperto estranho. Levantou os olhos para Thammy, que estava alguns passos à frente e arriscou, com voz trêmula:

-- ... Vince...?

Thammy fechou os olhos e abriu um sorriso. Concordou com a cabeça, fazendo as marias-chiquinhas loiras balançarem.

-- Sim, é o Vince!

A cena, de repente, ficou em câmera lenta. Thammy abrindo lentamente aquele sorriso doce e inocente, enquanto os olhos verdes estavam apertados, os pulinhos lentos que ela dava. O sorriso doce dela que mostrava todos os dentes da frente se abria lentamente. E de uma forma tão... irritante. A cena era tão irritantemente doce e fofa... Aqueles cabelos perfeitamente presos em duas marias-chiquinhas tão ridículas pulavam em cima dos ombros da menina, enrolando os cachinhos que tinham uma cor loura tão apagada e nojenta. E aquele sorriso malicioso dela amassava todas as espinhas e marcas que ela tinha por baixo dos trinta quilos de maquiagem que ela botava todo dia para ir à escola, pensando que sua fachada de bonequinha iria cobrir todas as falhas de sua pele.

O que ela queria dizer com namorar? Eles andavam de mãos juntas...? Se abraçavam, passeavam pelo shopping...? Se beijavam...? Kyle teve uma visão que não se permitiu continuar.

-- Você não gostou...?

Thammy havia parado de pular. Ela olhava com uma cara curiosa para ele. Estava de volta ao tempo real. Por que ela olhava para ele com tanta inocência...?

-- Você tá falando sério...?

-- Sim – respondeu a garota com uma expressão confusa.

-- Thammy, o Vince é gay.

A menina piscou.

-- Não, Kyle, ele não é. Estou namorando ele! – disse ela, botando outro sorriso no rosto.

O garoto olhava para a menina com a testa franzida.

-- Ah, sim, Thammy, ele é.

O sorriso que ela tinha foi embora e deu lugar a uma expressão um pouco mais séria.

-- Mas ele mesmo me pediu em namoro, Kyle! Ele não pode ser.

-- Então ele está fingindo, porque não tem como O VINCE gostar tanto assim de você.

Kyle nem estava mais medindo suas palavras. Ele só queria tirar aquele sorriso retardado da cara da garota. Perceber que aquilo não podia ser verdade.

-- ... Como assim...?

-- Ele só pode estar te usando, pra provar pra todo mundo que ele não é gay. Mas eu sou gay, Thammy, então consigo perceber quem é e quem não é. E eu digo que o Vince é gay.

-- K-Kyle... o que você está dizendo...? – o rosto dela estava ficando estranho.

-- Largue mão de ser tonta, Thammy – a menina piscou – ele não gosta de você.

-- K-Kyle... por favor... p-pare... p-por que você está t-tão... – os olhos de Thammy estavam ficando completamente molhados. Ela não conseguiu completar a frase, que foi interrompida por um som que ela emitiu semelhante a um ganido.

Aquele som fez alguma espécie de efeito em Kyle, que voltou para a Terra. Ele olhou para o rosto, agora triste de Thammy. Olhou para as lágrimas que começavam a se formar, e percebeu o que estava fazendo. Se continuasse, a alta sensibilidade da menina começaria a chorar a qualquer instante. Ele piscou e disse:

-- eu vou embora daqui.

E em seguida, começou a andar rápido, batendo os pés no chão, deixando Thammy abalada para trás. Kyle apertou os dedos num punho tão forte que sentiu as unhas se enterrarem em sua própria carne. Vince e Thammy. Namorando. Namorando. Se abraçando. Se beijando. Rindo. Tripudiando. Fazendo piadas. Dele. De Kyle. Do garoto gay. Do “viadinho”. Ele respirava forte pelo nariz, bufando como um touro pelos corredores apinhados de gente que ia embora da escola. Seu queixo tremia e seus olhos ardiam porque ele não piscava. Uma lagriminha embaçou o canto do olho de Kyle, que a enxugou com raiva. O que ele sentia...? Raiva ou tristeza...? E quem era o culpado disso...? Thammy ou Vince...? O garoto apertou os olhos, espremendo algumas lágrimas pra fora e fazendo um ruído molhado pelo nariz.

-- Opa!

Bem quando o choro estava vindo, Kyle esbarrou em alguém mais alto. Esse alguém cheirava levemente a cigarros. Ele olhou pra cima, e através da água que cobria seus olhos, viu em quem tinha esbarrado. Era nele.

-- Desculpa, eu não vi que você estava vindo, Kyle. Eu... espera... Kyle, você vai... você está bem?

Lawrence era a última pessoa que o garoto queria encontrar naquele momento. Passou os dedos de novo pelos olhos e disse, com a garganta doída do nó que estava lá dentro.

-- Não, Lawrence, eu... eu estou bem...

-- Não parece. O que aconteceu?

Kyle olhou para os lados, para a massa de pessoas que desviavam dos dois, parados no meio do corredor. Ele viu Michie e Mandy andando rápido e rindo perto deles. Elas olharam para o rosto vermelho de Kyle e a risada delas ficou mais histérica ainda. Então ele notou quem vinha logo atrás delas. Vince andava no passo delas, mas não ria. Também não pareceu notar Kyle, nem que as amigas dele pareciam rir do garoto. Ele sentiu um aperto no coração. Aquilo tudo que Thammy disse não poderia ser verdade, não podia ser... Lawrence percebeu para quem Kyle olhava.

-- O que tem ele...? Vince, é esse o nome dele, não é? Ele fez alguma coisa com você?

Não, ele apenas quebrou meu coração, pensou Kyle. Ele enxugou mais lágrimas que surgiram e voltou a andar em frente.

-- Não é nada, Lawrence, não se preocupe, ok?

Kyle sentiu uma mão pesada em seu ombro. Se virou para o rosto de Lawrence, que estava sério.

-- Kyle, eu disse que queria ser seu amigo. Mas não vou conseguir se você não colaborar. Eu só quero te ajudar, mais nada.

Os olhos dele estavam fixos nos de Kyle, e sua voz não era autoritária, e sim totalmente calma e baixa. A mão dele apertou o ombro do garoto de leve. Talvez ele devesse confiar em Lawrence... Precisava desabafar... Mas ele era a pessoa certa para dizer logo isso...? Kyle abriu a boca para falar, mas lembrou de outra pessoa. Uma que exigira que Kyle conversasse sobre este assunto com ele. Kyle soltou o ar e olhou pra baixo. Se desvencilhou da mão de Lawrence e voltou a andar pelo corredor, só que dessa vez na direção contrária ao fluxo de alunos que iam embora.

-- Olha, Law – não sabia se podia chamá-lo de “Law”, mas pensou que isso podia, pelo menos, compensá-lo por não deixá-lo ouvir seu preblema – eu juro que quero contar isso pra você, mas... tem uma pessoa que entenderia melhor. Não se sinta mal, por favor. E eu juro, JURO, que amanhã eu passo o almoço inteiro com você, mas agora eu não posso mesmo. Desculpe...

E retomou seu caminho. Quando ia virar o corredor, olhou para trás. Lawrence ainda o olhava. Quando percebeu que Kyle o tinha visto, deu meia-volta e foi em direção à saída. Kyle continuou seu trajeto até uma sala em especial. Parou em frente da porta daquela sala e prestou atenção em qualquer sinal de que havia alguém lá dentro. Escutou uma voz de homem que parecia testar algumas notas. Kyle girou a maçaneta e entrou na sala do coral.

O professor Luke estava lá dentro como sempre. Olhava para o quadro-branco onde havia rabiscado algumas pautas e sustentava algumas notas. Quando notou que Kyle havia entrado, desafinou de leve.

-- Não notei que você estava aí, Kyle, desculpe – disse ele.

-- Professor, eu... eu preciso falar com o senhor urgente...

O homem ergueu as sobrancelhas e abriu a boca. Então pegou duas cadeiras e pôs uma de frente com a outra. Sentou-se numa e indicou a outra para Kyle, que se acomodou.

-- Tem a ver com o Vince de novo? – disse o professor, com calma?

Kyle acenou com a cabeça. Mas não sabia por onde começar. Tentou falar qualquer coisa, mas não conseguiu, as palavras se prenderam de novo naquele nó na garganta. Kyle abriu e fechou a boca várias vezes, mas nada parecia querer sair. Apenas o choro, que estava começando a aparecer. As bochechas foram ficando vermelhas, a respiração difícil e o rosto dele se contorceu. Luke notou o que ia acontecer e se levantou rápido.

-- Opa, opa – disse ele, com um rosto preocupado. Kyle ia começar a chorar – calma, Kyle, calma.

O professor deu um abraço no garoto bem quando o primeiro soluço saiu. Então ele não conseguiu mais segurar e começou a chorar com vontade, deixando as lágrimas escorrerem. Ele não achou que fosse chorar tão intensamente, já que tinha entrado tão normal na sala. Agarrou o suéter cinza do professor com força nos ombros e apertou o rosto contra o pescoço dele. Luke segurou a nuca de Kyle com uma mão e esfregou as costas dele com outra enquanto fazia “shh”. Ele esperou o garoto parar de se sacudir tanto, e quando ele se acalmou um pouco, perguntou o que houve. Kyle apertou os olhos.

-- Thammy está namorando o Vince.

Luke olhou para Kyle e abraçou-o novamente. Kyle chorou um pouco mais. Sabia que não havia o que fazer nesse caso, então não culpou o professor por não dizer nada. Só ficou abraçado com o ele por mais algum tempo. De novo, enquanto estivesse com ele, não queria pensar em Vince nem em mais nada. Agarrou a lã do suéter dele de novo e ficou fungando em seu ombro, olhando para os cabelos louros da nuca do professor. Ele também parou pra sentir a mão do professor que dava tapinhas em suas costas. Quando ele deu sinal de que iria soltar o abraço, Kyle não se moveu. Segurou a roupa do homem, que decidiu continuar do jeito que estavam.

Kyle não sabia bem porquê fez aquilo, mas botou a mão na nuca do professor, passando os dedos pelos fios sedosos. O homem não expressou reação. Kyle ficou olhando para a luz refletida no cabelo dele até que se concentrou novamente nas mãos do professor. Uma delas estava na nuca de Kyle também, e a outra deslizava por suas costas. Ele fechou os olhos para sentir melhor a respiração do professor em seu pescoço. O perfume dele já saía, dando lugar para o cheiro natural dele, bem leve. A lã do suéter cinza dele e a curva entre o ombro e o pescoço do homem acolhiam com conforto a cabeça de Kyle, que ainda doía do choro. A respiração de Luke no pescoço do garoto era quente. E foi ficando mais quente, e... molhada. E macia também. O quê...?

Kyle apenas passou os dedos um pouco mais forte na nuca do professor Luke. Ele, em compensação, intensificou o beijo no pescoço do garoto. As mãos dos dois foram se aventurando um pouco mais, desenhando caminhos lentamente nas costas um do outro. A boca do professor foi subindo pelo pescoço de Kyle, que, com os olhos semicerrados e embaçados, fitou a pele branca do homem. Arriscou um beijinho nele também. Foi isso o que ele precisou. Soltou o abraço um pouco e encarou o rosto de Kyle, que, no fundo, esperava uma bronca, ou no mínimo, um chega-pra-lá. Mas o rosto do professor Luke tinha um olhar diferente de todos os que o garoto já tinha visto. Não era de alguém que estava ensinando, nem de quem repreendia, muito menos de quem fazia uma piada. Era um olhar ligeiramente... desejoso.

Kyle afastou completamente a razão de ter ido para lá. Teve uma ideia ali mesmo, e iria até o fundo com ela. Com o corpo ligeiramente mole nas mãos daquele homem lindo que o segurava com cuidado, inclinou o rosto e deixou que o professor o beijasse. Ele retribuiu o beijo com vontade, puxando a cabeça dele mais para perto. Mais perto do que os dois já estavam. Ele deixou a língua do professor entrar em sua boca, e depois disso se imaginou tão sujo e falso quanto Thammy fora com ele todo aquele tempo. Iria ter um caso com o professor deles para que todo mundo notasse o quanto ele era melhor que todo mundo. Que Thammy, Vince, até mesmo melhor que Hannah. As mãos do homem deslizaram para baixo das costas do garoto, até a cintura. Kyle inclinou-se para trás puxando o suéter junto, fazendo com que Luke ficasse quase deitado em cima dele, por cima das cadeiras. Mas de repente, o professor parou.

-- Não – disse ele, interrompendo o beijo dos dois – não, isso não está certo.

Kyle voltou para a vida real novamente. Abriu os olhos e percebeu o que estava acontecendo. Meu Deus.

-- Não podia ter feito isso...

O professor tinha razão. Eles não deviam ter feito isso.

Notas finais
Eu amei escrever esse capítulo... *--*

Qual casal vocês acham melhor, até agora??? Kyle x Vince, Kyle x Lawrence ou Kyle x Luke???

Deem suas opiniões à vontade! Espero muitos reviews!!! Beijos!!