Lawrence

8 Mudanças


Notas iniciais
Sim, eu sei que todos vocês querem me matar por ter passado, tipo, uns cinco meses sem postar porcaria nenhuma. Bom, explicações: bloqueio mental, preguiça, modem queimado, e, principalmente, castigo sem tempo determinado. Agora juntem tudo isso. Bom, se isso pode compensar, estou postando os dois mais novos capítulos xD Neste capítulo, Kyle e Luke começam a engrenar, e a relação do garoto com Lawrence fica um pouco diferente...

-- Kyle... você... não... presta!

Apesar da fala de Hannah parecer ofensiva, Kyle soube o que ela quis dizer. Ela sorria para ele, maliciosa, e parecia, de certa forma, orgulhosa dele. Afinal, ela mesma havia dado ao amigo o desejo de ter um relacionamento com algum professor, inconscientemente. Ela havia lhe contado de como ficara com um ex-professor de Geografia, e isso se tornou uma ideia fixa na mente de Kyle. Por um bom tempo, conseguiu controlá-la, mas depois do dia anterior, duvidava que conseguisse suprimir esse desejo novamente.

-- E aí, como foi? – perguntou Hannah.

-- Bom, eu estava chorando – contou Kyle, com certo orgulho contido – quando senti que ele estava beijando meu pescoço... E uma coisa levou a outra, e... Você sabe...

Hannah soltou uma risada gostosa e bateu as palmas das mãos.

-- Mas você disse que logo depois vocês pararam, não foi? Então foi só isso mesmo?

-- Não... a gente continuou depois – disse o garoto com um sorrisinho, conforme lembrava dos acontecimentos...

...

-- Melhor não contarmos isso para ninguém – disse o professor Luke enquanto arrumava seu suéter.

-- Quase ninguém, você quer dizer, não é? – respondeu Kyle, arrumando o cabelo.

-- Como assim, “quase” ninguém? – perguntou o professor, virando a cabeça rapidamente para encarar o garoto.

-- É claro que eu vou contar para a Hannah – disse o garoto, com um olhar que dizia “é óbvio” – Eu conto tudo para ela, você sabe disso.

Luke bufou. Ele tentou enxugar a mancha de lágrimas em seu ombro esquerdo.

-- Se você deixar uma mancha de lágrimas na minha roupa toda vez que nos virmos, vou ter uma mancha desbotada em todos os meus suéteres... – disse o professor, com um sorrisinho.

Kyle olhou para ele e sorriu de volta. Chegou perto dele e disse:

-- Deixa eu secar isso aí...

Ele espremeu o pedaço do tecido cinza com os dedos e enxugava a umidade com a mão. Não resolvia nada, na verdade. Devia ser só uma desculpa para ele mesmo para poder tocar Luke de novo. Em certo momento, Kyle parou sem perceber de esfregar a mancha. O professor tocou com sua mão direita os dedos da mão livre do garoto. Ele olhou para os dedos que se tocavam, e olhou novamente para os olhos incrivelmente azuis do professor. Ele notou a língua do homem se insinuar para um dos cantos da boca dele. Sem esperar mais nada, ao mesmo tempo, os dois puxaram as cabeças uns dos outros para um beijo nada gentil.

Beijaram-se por um tempo assim, de forma um tanto violenta, até que Luke disse, com os lábios ainda colados ao rosto de Kyle:

-- E o Vince...?

Kyle não parou de beijar o rosto do homem. Os fios de barba dele faziam cócegas em sua pele.

-- Foda-se o Vince...

Os dois começaram a se enroscar apenas na cadeira de Luke, que não tinha espaço para os dois. Kyle saltou rapidamente para o colo do professor, botando as pernas nos lados do corpo dele para ficarem de frente. Ele abraçava a cabeça do professor enquanto este apertava o corpo do garoto contra o seu. Ele passou a boca pelo queixo de Kyle e foi descendo, seguindo o contorno do rosto dele, até atingir seu pescoço. O garoto, de olhos fechados, se contorcia de leve sobre Luke, que intensificava os abraços. Ele botou as mãos por baixo do suéter do professor, passando a palma das mãos sobre a pele macia do homem, sentindo sua leve textura. Cravou as unhas nas costas dele e arranhou-as com vontade. Luke soltou um gemido baixo e voltou a sua boca para os lábios de Kyle. Mordeu o lábio inferior do garoto, que não conseguiu segurar um sorrisinho. Sentia-se uma vadia, trocando tantas carícias com o homem, e esse pensamento apenas deixava-o mais interessado em que ponto chegaria com o professor.

Aquele agarramento levou mais alguns minutos, até que os dois ouviram um barulho do lado de fora do corredor. Professor e aluno se desenroscaram imediatamente, Kyle se levantou e pôs a mochila em apenas um ombro.

-- Eu devo ir agora – disse ele – Nos vemos outro dia, professor.

-- Claro, claro – disse Luke, como se nada tivesse acontecido pelos últimos minutos – Na reunião do coral, não se esqueça.

Kyle concordou com a cabeça e saiu da sala. Quem o visse saindo desse jeito despreocupado da sala, pensaria que os dois não tinham feito nada de mais além de tirar dúvidas sobre a matéria escolar, apesar de o garoto arrumar o cabelo, que estava completamente desalinhado, e passar um dedo pelo canto da boca. E naquele momento, apenas uma frase ecoava pela mente de Kyle. “Foda-se o Vince...”

“Foda-se o Vince...”

Realmente, ele que se fodesse.

...

Um tempo se passou, durante o qual Kyle e Luke passaram a se ver sozinhos bastante. Quase sempre eles iam para alguns lugares discretos, como cafés, mas não chegavam a se agarrar em público. Isso era reservado para lugares mais escondidos, como banheiros pouco movimentados ou uma sala de máquinas. Luke o convidara para irem para sua casa uma vez, mas Kyle achou prudente não aceitar a oferta ainda.

Mas o lugar onde mais se viam para ficar era mesmo a escola. Havia alguma coisa naquela ideia de praticar um ato ilícito num lugar mais ilícito ainda que os excitava e deixava tudo melhor. Assim como os olhares furtivos que eram trocados durante as aulas. Quase sempre que Luke contava uma piada, ele olhava para Kyle no final, que respondia com um sorriso e um olhar ao qual Hannah se referia como “Te-Quero”. Mas por algum motivo, só ela parecia perceber mesmo. Nenhum dos outros alunos parecia suspeitar de algum caso entre os dois, o que por enquanto deixava a situação segura. Enquanto ninguém soubesse o quão perto as bocas dos dois haviam ficado próximas ou que as máquinas da sala de máquinas eram perfeitas para encobrir alguns sons, não havia perigo.

Voltava de um desses encontros na escola, na hora do almoço, quando viu Lawrence, de longe, no refeitório. Um milagre, pois sempre que os dois se falavam, era sempre o mais alto que o encontrava primeiro. Kyle, de repente, lembrou-se de que havia prometido passar um almoço com ele, e resolveu contornar a multidão que os separava para fugir, aproveitando que Lawrence ainda não o vira. Quando estava quase passando por ele, parou. Não, isso não era certo. Ele tinha prometido. Tudo bem, Kyle estava nervoso naquele dia, mas não era o suficiente para falar qualquer bobagem e não cumprir depois. Fechou os olhos, respirou fundo, e resolveu ir falar com ele. Lawrence o viu chegando por entre os colegas e acenou discretamente.

-- Oi... – disse Kyle quando chegou perto dele – olha, desculpa por não ter passado o almoço com você no dia que eu prometi... Eu estava realmente mal aquela semana e...

-- Tudo bem – disse Lawrence, calmo por trás de seus cabelos escuros – eu percebi, não precisa se desculpar. Mas você tem um tempo agora? Podemos ir hoje...

Kyle abriu a boca, mas não disse nada. Por fim, acenou que sim com a cabeça, fazendo Lawrence sorrir. Os dois saíram andando e entraram na fila para pegar a comida, no refeitório. Passaram pela fila, pegaram as bandejas e se serviram de comida. Depois buscaram uma mesa para se sentar, tudo isso enquanto conversavam amenidades. Até que Lawrence começou o assunto:

-- O que houve com você semana passada? – disse ele, à queima-roupa, mas com certo tato – Quero dizer, você parecia que ia chorar naquele dia, mas depois... ficou tão alegre...

-- Ah... – começou Kyle, sorrindo de leve – era... uma bobagem qualquer, não... precisa se preocupar de verdade...

-- Ora, vamos – disse Lawrence, dando um grande sorriso – eu te disse que você pode confiar em mim pra qualquer coisa, não é? Anda, me diga.

Kyle olhou para o rosto do garoto. Ele ainda sorria de leve. Metade dos olhos estavam encobertos pelos fios de cabelo negro da franja dele. E nestes olhos, brilhavam duas íris negras, com duas pupilas mais negras ainda no centro. E sentiu-se de novo puxado por aqueles olhos. Ficou olhando para eles por um tempo, que acabou parecendo longo demais, pois Lawrence quebrou o silêncio:

-- E então?

Kyle voltou de seu devaneio e abaixou a cabeça. Começou a falar.

-- Eu gosto de um garoto...

-- Então você é gay mesmo? – perguntou Lawrence.

-- Bom... sim... – Kyle disse isso e esperou qualquer reação do colega. Como não manifestasse nada, prosseguiu – o nome dele é Guimber...

-- Vince Guimber?

-- Ele mesmo... – Kyle ficou ligeiramente surpreso por Lawrence conhecer o nome dele. Mas era bem provável que ele não soubesse disso, então continuou falando – bom, ele começou a namorar uma amiga minha, Aguilera...

-- Cristina? – brincou Lawrence. Kyle riu.

-- Não, Thammy. Bom, eu fiquei, tipo, muito surpreso, pois pra mim o Vince sempre foi gay, e... bom, aí você me achou... é mais ou menos esse o motivo pelo qual eu estava quase chorando aquele dia.

-- Lamento – disse mais alto, olhando para o colega – Mas essa tal de Thammy sabia que você gostava dele?

-- É cla--...

Kyle parou a frase no meio. Estava com tanta raiva de Thammy e Vince esses dias, e tão ocupado com Luke que nem sequer dignara um tempo para pensar se a amiga tinha agido de má-fé. Na verdade, não parecia que o garoto havia falado para ela que gostava de Vince... Pelo contrário, certa vez negara o fato por achar que ele o estava sondando através de Thammy... pondo os pensamentos em ordem, não havia razão pela qual Thammy evitaria um relacionamento com Vince. Bom, fora ele ser gay, isso estava decidido na cabeça de Kyle. Mas realmente, a garota não tinha culpa de nada. Lawrence notou o silêncio contínuo do garoto.

-- Parece que ela não sabia, não é...?

Kyle mordeu o lábio. Estivera tanto tempo com raiva da garota sem um motivo coerente...

-- Olha Kyle... deixa eu te falar o que eu penso – começou Lawrence, com o garfo em uma mão, olhando para cima, pensativo – Você diz que acha que o Vince é gay. Bom, isso é posto à prova, já que ele está, supostamente, namorando. Eu acho que você devia desistir dele, por dois principais motivos. Primeiro, se ele não for gay, vocês nunca poderiam ter um relacionamento, isso é completamente óbvio. Segundo, pense numa coisa. Se ele for gay, talvez ele não te mereça. Quer dizer, ele diz gostar de você, mas do nada começa a namorar uma garota, mesmo tendo respondido mensagens de interesse? Então, se ele for mesmo gay e está interessado em saber quem você é, mas finge um relacionamento com alguém é porque é um cara inseguro de si, e acha que está tudo bem brincar com alguém só para descobrir quem mandava as mensagens para ele. Bom, é isso que eu penso.

-- É, faz sentido, mas... – disse Kyle sem olhar para Lawrence – como você sabe dessa história das mensagens de texto? Eu não te contei nada...

Os dois se olharam. Lawrence tinha a boca entreaberta. Kyle franzira as sobrancelhas numa expressão curiosa. Ele teve a impressão que Lawrence se xingava internamente por ter dito demais.

-- Quem te contou isso?

Lawrence abriu a boca e demorou um pouco demais para dizer o nome:

-- Andrea Amallo.

Kyle sabia que era mentira. Nem Andrea sabia dessa história. Mas achou melhor fingir que acreditava. Lawrence não parecia mesmo uma má pessoa como pensava antes de conhecê-lo, pelo contrário. Parecia mesmo se preocupar com ele, e um amigo hétero para ele era raro. Se ele estava apenas brincando com Kyle para magoá-lo depois, não foi uma ideia levada totalmente a sério pelo garoto. Mas se esse fosse o caso, pensou que seria interessante fazer o jogo dele por mais um tempo.

-- Depois me entenderei com ela... – disse virando a cabeça. Tinha vontade de rir.

Lawrence ficou quieto por um momento, até que Kyle falou, mudando de assunto.

-- Você gosta de gatos, Law?

Ele olhou para Kyle e os dois sorriram. Passaram o resto do almoço conversando sobre Napoleão, que uma vez arranhara inteirinho o casaco que Lawrence havia comprado para dar de presente à mãe dele.

...

Depois daquele dia no refeitório, Kyle notou que Lawrence não o encarava mais, e agora toda vez que se viam, paravam para conversar por alguns segundos. Mas outra pessoa substituíra seu lugar na tarefa de encarar Kyle pelas costas. A relação com Luke parecia surtir um efeito estranho no garoto, que mudara um pouco o seu astral. Ficara um pouco mais ácido, e sua aparência melhorara um pouco também. Provavelmente por estar se arrumando um pouco mais. Isso fora o suficiente para que certos comportamentos de colegas mudassem. Como de Michie e Mandy, que passaram a ignorá-lo totalmente. Mas uma pessoa passou a olhá-lo com mais frequência. E, naquele dia, Kyle não aguentou ficar parado apenas sentindo o olhar de Vince nele.

-- Droga, por que de repente esse garoto começou a prestar tanta atenção em mim?!

-- Eu não faço ideia – disse Hannah se virando para ver Vince. Ele notou que a garota olhava para ele e desviou o olhar – Mas como você sabe que ele estava te olhando se você está de costas?

-- Depois de passar sete anos sendo alvo de piadinhas, você meio que desenvolve um sexto sentido pra descobrir quando alguém está te observando – respondeu o garoto.

-- Esses olhares dele começaram depois que Thammy te contou que os dois estavam namorando, não é?

-- Sim, mais ou menos isso – disse Kyle, pensativo. Ele parou um pouco e se desencostou do pilar onde estava encostado, no pátio – Vou falar com ele.

Hannah piscou várias vezes antes de falar.

-- O quê, como assim?! – a garota estava completamente surpresa – Quando você ficou tão corajoso para tomar essa decisão?!

-- Agora – disse ele, decidido – Além do mais, eu não escrevo torpedo nenhum para ele faz tempo, ele está namorando a Thammy e eu estou com o Luke. Ninguém vai largar dos outros por causa do que eu vou falar, e pra ser sincero, nem me importo mais com ele tanto assim. Eu já volto.

Hannah acenou com a cabeça, estupefata, e ficou observando enquanto o amigo atravessava o pátio correndo para alcançar Vince, que saíra andando, provavelmente procurando suas amigas. Quando chegou numa distância satisfatória, chamou o garoto.

-- Vince!

Vince olhou para trás e, por um momento, o mundo inteiro congelou.

Notas finais
Ah, eu achei esse finalzinho tão bonitinho... =3 O Lawrence é mesmo muito fofo (pelo menos por enquanto) ... xD A cena de "pega-pega" do Kyle e do Luke foi um pouco difícil de fazer, porque sempre saía uma coisa meio erotizada, algo que eu não quero fazer nesta fic... =X mas consegui fazer alguma coisa que leitores mais novos possam ler, pelo jeito xD