Lauro e Pedro
3 Mãe Sou Gay!
Marcela viu que seu amigo não estava bem e foi sentar-se ao seu lado.
_ Tem certeza de que está bem? Está com uma cara.
_ Ai Marcela. Eu não me sinto nada bem, estou confuso.
_ Por que?
_ Se eu te contasse riria da minha cara.
_ Como tem tanta certeza? Você sabe que eu não sou como aqueles dois babacas, sou uma menina, tenho sentimentos.
_ Quer dizer que nós meninos não temos sentimentos?
_ Eles não parecem ter._ apontava os dois garotos que agora estavam fazendo campeonato de arroto.
_ Não mesmo.
_ Mas, você vai me dizer o motivo de tanta melancolia?
_ Eu queria, te juro. Mas não tenho certeza de algumas coisas, eu queria antes falar com a minha mãe.
_ E eu queria uma mãe como a sua, você pode falar tudo com ela que ela sempre tem um conselho na ponta da língua.
_ Por isso mesmo que eu preciso dela. Conselhos.
Pedro não via a hora de acabar as aulas, queria chegar em casa queria falar com sua mãe. Precisava dela, precisava de sua ajuda. Agora mais do que nunca. Finalmente o sinal da sexta aula tocou e Pedro nem disse tchau direito para seus amigos, correu pra casa. Chegou e já foi barrado na porta pelo Bobi, o cachorro de seu irmão e de seu pai, pulando que nem besta na sua frente.
_ E aí bobinho tudo bem? Cachorro bobo, para de pular, deixa eu passar. Oi Pai! Não foi trabalhar ainda?
_ Estava saindo agora, sua mãe foi até a casa da sua vó e já volta, o almoço ainda está quente.
_ Tchau pai, bom trabalho.
_ Tchau Peu.
O pai de Pedro era músico, e dava aula de flauta na prefeitura da cidade do lado, pegava ônibus e demorava vinte minutos pra chegar, ele também fazia casamentos, era tenor e tocava trompete. Pedro tinha herdado do pai o gosto pela musica, tinha uma voz muito bonita e sabia tocar violão, queria aprender a tocar guitarra e quem sabe formar uma banda. Sua mãe era professora trabalhava em uma outra cidade vizinha, mas hoje ela não ia trabalhar, ela só ia de terça e quinta. Fez faculdade de historia mas no momento dava aula de inglês.
Pedro almoçou junto com seu irmão mais novo Daniel, um garoto quase 3 anos mais novo que ele. Os dois eram grandes amigos, aprontavam todas juntos, e quase nunca brigavam. Logo depois Daniel foi pra escola e Pedro ficou sozinho em casa esperando sua mãe voltar da casa da vovó. Passava os canais procurando algo para passar o tempo. Parou em um canal onde estava passando um anime que ele costumava assistir, mas nem prestava atenção no que via, só queria que a mãe chegasse logo. Estava ficando com sono, sua mãe não chegava, Pedro levou sua mão a boca, tinha essa mania, chupava o dedo. Nenhum de seus amigos sabia, e ele nunca iria contar, seria completamente humilhante. Isso o relaxava, e muito, foi pouco a pouco adormecendo na poltrona.
Mais uma vez teve um sonho realmente peculiar, estava entre as pernas de um garoto, devia ser o mesmo do ultimo sonho, não sabia, pois não via seu rosto, estava ocupado demais, chupava ardentemente seu...
Foi acordado pela voz de sua mãe o chamando.
_ Peu, filho acorda.
Vagarosamente foi abrindo os olhos. Viu o rosto de sua mãe sorrindo-lhe.
_ Não acha melhor ir dormir no quarto? A poltrona não é um lugar confortável, vai ficar com um problema nas costas.
Pedro suava, sentia seu dedo latejando, devia ter se empolgado durante o sonho. Como se nada fosse, abraçou sua mãe com força, quase chorando.
_ Mãe, me ajuda.
_ O que foi filho?
Pedro começara a chorar, lágrimas caiam pelo ombro da mãe, que sem entender nada tentava consolar o filho.
_ O que aconteceu?_ estava começando a se preocupar com o filho, ele nunca tinha chorado dessa maneira.
_ Me ajuda.
Pedro começou a contar o que lhe aconteceu pra a mãe, sobre os sonhos, sobre os acontecimentos lá na escola e sobre como se sentia. Ela ouvia tudo quieta, deixava que ele colocasse tudo pra fora, se abrisse sozinho. Ela só falou quando teve certeza de que o filho não tinha mais nada a dizer.
_ E o que acha que está acontecendo com você? _ perguntou tranqüilamente.
_ Mãe, eu acho que... _ a simples idéia o assustava, mas não podia mais fugir disso, tinha ido longe demais. _ Eu acho que sou gay. Bom depois de tudo isso que aconteceu eu tenho é certeza.
_ Bom Peu. _ sorriu-lhe a mãe. _ Qualquer que seja sua escolha, eu estarei sempre ao seu lado, terei prazer em ajudar-te.
_ Eu te amo mamãe. _ disse abraçando sua mãe chorando, dessa vez de felicidade.
Sua mãe sorria, seu filho estava crescendo, estava amadurecendo, isso era bom, mas será que ele agüentaria a pressão?
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