Lauro e Pedro

4 Sou o que Sou.


Notas iniciais
Depois de assumir-se, Pedro realiza alguns de seus sonhos, antes impossiveis.

O pai de Pedro tomou um baita susto quando chegou em casa, seu filho estava completamente diferente. Pedro tinha acabado de voltar do cabeleireiro quando seu pai chegou, tinha dado um belo susto em seu irmão, mas não se comparou com a reação de seu pai ao ver o que tinha feito com o cabelo. Como costumava prender só parte do cabelo para trás, baseou-se nesse penteado, fez mechas vermelhas na parte do cabelo que costumava prender para dar um charme e nas compridas franjas fez mechas azuis. Só para mudar, hoje tinha preso o cabelo em um rabo de cavalo deixando as franjas caídas na cara, as mechas vermelhas dispostas em seu complexo penteado brilhavam toda vez que batia luz. Estava deslumbrante.

_ O que diabos você fez com o cabelo?_ bradou o pai assustado

_ Eu fiz mechas, não ficou legal?_ perguntou inocentemente ao pai abismado.

_ Como eu posso dizer sem ser insensível com você? Você parece bem... com um daqueles homens... que bem.

_ Uma bicha!_ completou Daniel._ É isso que parece, gay, completamente gay.

_ É o que acha pai?_ Pedro sorria para o pai, que parecia que tinha tomado um tiro no peito. Não tinha ficado aborrecido como comentaria do irmão? Geralmente, ao menos faria cara feia. Mas parecia ter gostado do que ouvira.

_ De certa forma, sim, é o que acho.

Pedro sorriu mais ainda, queria ver a cara de bobo que faria o pai quando contasse seu segredinho, queria brincar um pouco.

_ Está absolutamente certo pai! Como sempre está.

_ Como disse?_ Pedro conseguiu o que queria, seu pai estava com uma cara, não entendia bem o que seu filho lhe insinuava, mas não insinuava coisa boa.

_ Eu disse que sou gay pai. Sabe um daqueles homens que...bem.... Completa pra ficar bonitinho Dan.

_ Eu heim!_ Daniel olhava com cara de nojo para o irmão, pra ele isso tudo não passava de uma brincadeira de muito mau gosto. Pedro ria de tudo, do irmão do pai, sabia que este assunto era delicado por isso tentava descontrair o ambiente, conselho de sua mãe. O pai de Pedro demorou um pouco para entender a situação, na boa, isso não se ouve todo dia. Mas fazer o que? Pedro era muito persistente, seu pai sabia que nada que dissesse o faria mudar de idéia.

No dia seguinte Pedro deu mais sustos na escola, alem do novo penteado comprou coisas novas, uma mochila e um fichário, ambos azul e vermelho, a mochila que carregava no ombro lhe caia abaixo da cintura acompanhava seus movimentos, carregava o fichário abraçado junto a seu peito, sem falar na maquiagem que estava usando, era só lápis de olho, mas ainda assim não era uma coisa que se via todo dia, não teve um que não olhasse para ele, alguns até perguntaram quem era esse garoto.

_ Meu Deus! É você mesmo Peu?­_ perguntou Rogério completamente abismado.

_ Quem mais seria Ro?_ Pedro sorria por detrás de suas franjas azuis.

_ Uau! Pedro._ era Marcela, chegando por trás dos dois._ Você radicalizou geral, heim.

_ Maninha, eu diria embixou legal.... Que coisa boiola.

_ Que amigos são vocês! Não liga não Peu, tá muito louco.

_ Tá muito bicha! _ disseram Rogério e Manuel em uníssono.

_ Ora seus... _ Marcela ia partir pra cima dos amigos, mas Pedro a deteve.

_ Deixa os dois. Eu não ligo._ Marcela não acreditava em como seu amigo estava calmo e sorridente, normalmente teria, pelo menos, revidado o insulto.

_ Mas eles não têm o direito de agir assim.

_ Eu já disse que não me incomodo.

_ Ok. Isso não é normal. O que aconteceu com você? Não foi só a sua aparência que mudou, tem alguma coisa em você que não está normal.

_ Maninha burra! É o cabelo. Dãã...

_ Vou fingir que nem te ouvi Manuel.

_ Não se preocupe Marcela, eu entendi o que quis dizer, e tem absoluta razão.

_ Então me conta o que é.

_ Depois. O sinal já bateu, o portão já abriu e temos que correr, se não perdemos a primeira aula.

_ Mas não pense que fugiu de mim, vai me esclarecer tudinho.

_ No intervalo Marcela. No intervalo.

Marcela não conseguia segurar a ansiedade, tanto que, quando finalmente o sinal do intervalo tocou, nem deixou Pedro arrumar o material, puxou ele pra fora da sala violentamente.

_ Hey!_ protestou Pedro. _ Pra que tudo isso?

_ Vai me explicar tudo, do fim ao começo. Agora!

_ Acha que esconderia alguma coisa de você?

_ Bom... Nunca se sabe.

_ Lembra-se que ontem eu não estava bem da cabeça? Então, eu fui falar com minha mãe, e ela me ajudou a entender uma coisa que eu não conseguia enxergar, mas que estava dentro de mim esse tempo todo, eu só tinha medo de admitir.

_ Chega de rodeios vá direto ao ponto!_ Marcela estava começando a ficar nervosa com Pedro.

_ Eu sou gay.

_ Você é o que!_ tal foi a intensidade do grito de Marcela quemaioria das pessoas por perto a encaravam. Vermelha que nem um pimentão ela repetiu a pergunta, bem baixinho.

_ Foi isso que ouviu, eu jogo no outro time.

_ Cara. Que loucura.

_ Não é?

_ Mas como você descobriu que você é... Bem, você sabe?

_ Nem eu sei. Só sei que sou o que sou.

Acabou o intervalo, Marcela subiu as escadas conversando com suas amigas, Pedro, que tinha ido ao banheiro “retocar a maquiagem” ficou para trás, e subiu sozinho, naquele corredor apinhado de gente era difícil se mexer. Sem querer Pedro esbarrou em alguém, um garoto que passava, como ele estava com a mochila entreaberta o estojo dele caiu no chão. O garoto nem percebeu, mas Pedro pegou o estojo e foi atrás dele. Foi se esgueirando por entre as pessoas e o encontrou em frente à sala 15 esperando o professor. Encostado na parede, ouvindo disckman, era um rapaz de estatura baixa, os cabelos castanho caiam elegantemente pelo pescoço, levemente ondulados e bem arrumados, seu rosto era perfeito, delicado, parecia um anjo. Um anjo usando o uniforme da escola.

_ Com licença. _ disse Pedro ao rapaz.

O garoto levantou o rosto e olhou para Pedro, desligou o disckman, Pedro pode ver seus lindos olhos castanho escuro bem de perto.

_ Você deixou cair quando esbarrou em mim. A mochila está aberta.

O garoto olhou de súbito para trás e viu que a mochila estava mesmo aberta e viu seu estojo nas mãos de Pedro. Este aproveitou que o rapaz havia se virado e colocou o estojo dento da mochila fechando-a logo em seguida.

_ Valeu._ disse o garoto.

_ Não foi nada, toma mais cuidado da próxima vez. Até mais!

Pedro foi correndo pra sala o professor estava vindo. Foi só quando Pedro entrou na sala que o rapaz disse:

_ Tchau, a gente se vê.

Notas finais
Repaginada total no visual heim Peu.
Bichice total. Mas td bem, vc pode^^
E