Lauro e Pedro
7 Eu Também te Amo
Mas Pedro não atendeu ninguém, nem Rogério, nem Marcela, nem Manuel, e nem muito menos Lauro. Estava em um nível de lamentação que cortaria o coração de qualquer um. Pedro sabia que não podia continuar, tinha que viver sua vida, mesmo sem Lauro, mas doía tanto pensar em Lauro beijando uma menina. Seus sonhos agora tinham se tornado pesadelos horríveis. Não conseguia nem dormir mais, estava em um estado deplorável, tinha olheiras enormes, os olhos inchados de tanto chorar, e tinha emagrecido bem uns cinco quilos. Queria ser mais forte e se reerguer, mas não conseguia, seu coração fora estilhaçado completamente. De vez em quando ele conversava com a mãe, ou com o pai nenhum deles conseguiu convence-lo, bem que tentaram, mas nada fazia Pedro se alegrar, e eles sabiam que isso iria demorar a passar, Lauro foi o primeiro grande amor de Pedro, perde-lo foi simplesmente horrível. Os pais de Pedro deixariam isso passar com o tempo, a escola podia esperar, não podiam obriga-lo a ir até lá, só pioraria as coisas.
Na sexta-feira Pedro mal se agüentava em pé, seu quarto estava uma bagunça e ele não conseguia comer nada.
No sábado Lauro não agüentou mais ligar e foi pessoalmente ver o Pedro, estava muito preocupado. A mãe de Pedro atendeu Lauro, ela não o mandou embora como fazia com os outros amigos de Pedro, pediu que ele entrasse. Queria que Pedro falasse com Lauro e esclarecesse isso tudo logo. Ela subiu as escadas para chamar Pedro, mas voltou sozinha.
_ Desculpe Lauro, Pedro está dormindo. Como ele não dorme direito a dias eu não quis acorda-lo.
_ Tudo bem. Mas afinal o que ele tem? É grave?
_ O babaca do meu irmão tá é com frescura._ era o irmão mais novo de Pedro, tinha 13 anos e vivia azucrinando o irmão desde que ele se trancou no quarto.
_ Daniel!_ advertiu a mãe.
_ Daniel o que? Desde quando melancolia exagerada é doença? Ele é o próprio exagero em pessoa.
_ O Pedro não está doente?_ perguntou Lauro sem entender nada.
_ Na verdade Lauro, ele está... Ele está... Bem, muito triste. Ele está doente sim, mas porque não sai do quarto, não come nada e não fala com ninguém.
_ O que deixou ele assim, senhora?
_ Eu não posso te dizer.
_ Eu compreendo, eu posso subir e ver como ele está? Por favor, eu prometo que não vou acorda-lo.
_Pode subir.
Lauro foi até o quarto de Pedro, e lá estava ele, dormindo agarrado em um urso de pelúcia que Lauro conhecia muito bem Lauro ganhara em um parque de diversões e dera ao amigo, o que ele achou estranho ver Pedro chupando o dedo. Lauro não acreditou que aquele era seu amigo, ele estava pálido, magro e com olheiras enormes, não parecia nem um pouco com o Pedro de sempre, aquele que não saia de casa sem escovar os cabelos pelo menos umas cem vezes, que tinha sempre na bolsa lápis de olho, brilho labial e sua inseparável escova de cabelo. Uma lagrima caiu silenciosa por sua face, nunca pensou em ver o amigo assim, partia-lhe o coração. Ajoelhou-se ao lado da cama do amigo que dormia profundamente e chorou baixinho, olhava Pedro com tristeza, mesmo com essa aparência deplorável, Pedro ainda era o mais lindo garoto que Lauro já conhecera, como sentia inveja. Devagar ele acariciou a face do amigo, afastando os cabelos emaranhados do rosto. Este se mexeu e vagarosamente abriu os olhos e levemente retirou o dedo de dentro da boca.
_ Pedro!_ exclamou Lauro._ Me desculpe eu não queria acorda-lo.
_ Lauro?
_ É, sou eu. Sua mãe disse que eu podia subir para vê-lo. Todos na escola estão...
_ Vai embora._ Pedro interrompeu Lauro, e se virou de costas para ele. Que idéia era essa? A ultima pessoa que queria ver no momento era Lauro, no que sua mãe estaria pensando.
_ Como?
_Vai embora! Some daqui, eu não quero ver ninguém.
_ Mas Peu, eu só queria ver como você estava.
_ Já viu. Pode ir.
Lauro começou a chorar mais ainda, porque Pedro o estava tratando tão mal? Pedro também chorava, não agüentava tratar Lauro assim, mas não queria que ele continuasse ali.
_ Eu não vou embora. Não quero ir, quero ficar com você.
_ Hoje é sábado, você devia sair e se divertir, não ficar aqui comigo.
_ Mas eu não quero, já disse, eu quero ficar com você. Com mais ninguém.
_ Por que? Você tem namorada lembra? Devia estar com ela, no comigo.
_ Eu não tenho mais.
Pedro se virou de súbito, tal foi a velocidade que assustou Lauro. Então ele não tinha mais namorada?
_ Como?
_ Ela terminou comigo.
_ Por que?
_ Porque é uma chata! Não queria deixar eu vim te ver, eu teria vindo antes, mas ela não deixava. Daí hoje eu briguei com ela e ela me deu o fora.
_ Prefere ficar comigo do que com ela?
_ Muito mais do que imagina.
Lauro tinha o rosto abaixado, era para ao mesmo tempo evitar Pedro e esconder que estava chorando. Pedro estava agora, de certa forma, feliz, Lauro tinha largado a namorada pra ficar com ele.
_ Eu não gostava dela, não de verdade. Não do jeito que eu... Não do jeito que eu... Gosto de você.
Pedro não acreditava no que estava ouvindo, Lauro disse que gostava dele, mas será que era do mesmo jeito que este achava?
Pedro não quis saber de que jeito, afinal, Lauro gostava dele. Seu lindo anjo estava chorando, e isso era o que mais importava no momento, ver Lauro chorando é uma coisa que Pedro odiava. Devagar Pedro foi chegando perto de seu amado e o fez olhar em seus olhos.
_ Não gosto de te ver chorando, meu lindo anjinho. _disse isso sorridente e foi chegando perto, bem perto do rosto de Lauro e o beijou. Um beijo simples, um encostar de lábios, mas algo que sempre desejara fazer. Lauro ficou sem ação, sentia seus lábios prensando contra os de Pedro, suas lagrimas não queriam parar de cair, sentiu que Pedro também chorava. Foi aí que caiu a ficha, era por sua causa que Pedro estava assim, porque ele estava namorando. Sentiu-se culpado, Pedro o amava tanto que quase morreu ao saber que estava com outra, e ele? E ele, Lauro, foi bobo o bastante para ficar com alguém que não gostava enquanto seu verdadeiro amor estava precisando dele.
Os dois se separaram do beijo e se entreolharam, esse gesto simples, um beijo, disse tudo o que os dois tinham escondido dentro de si.
_ Me desculpe. _ disse Lauro._ Eu sou um imbecil, não devia ter deixado você sozinho. Eu não sei aonde estava com a cabeça pra ficar com outra pessoa, sendo queúnica pessoa que eu amo é você. Me perdoa? Por favor.
Pedro sorriu e beijou Lauro uma outra vez.
_ Eu te perdoou se você também me perdoar, eu devia ter-lhe dito o que sentia antes, mas tive medo. Não queria perder você. É a coisa mais importante na minha vida.
_ Nós dois fomos bobos não é? Se tivéssemos esclarecido tudo antes nada disso teria acontecido.
_ É, e agora?
_ E agora, o que?
_ Eu não ganhei um beijo de verdade ainda por que? Estou esperando, eu já te dei dois.
_ Como você é bobo.
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