Jocasta ja havia voltado do hospital. Não queria largar de jeito nenhum sua nova filha. Laura era linda. Tinha curtos fios de cabelo negro, pele igual a de seu pai e o rosto lindo. Ela era a mistura dos pais. Jocasta imaginava o olho de Laura, ja que a pequena não abria os olhos. Carregou ela escada a cima, onde seu quarto estava preparado desde que descobrira que estava gravida. Como não sabia (e nem queria saber) o sexo antes do bebê nascer Jocasta preparou o quarto em cores neutras. Amarelo e branco era a cor que mais prevalecia, mas não deixou de comprar roupas, tanto de menino como de menina. Jocasta lembrou que fez seu marido comprar mais roupas de menina, pois tinha certeza que viria uma. Só comprou de menino pois o marido insistiu.

Jocasta estava sozinha em casa, seu marido fora comprar bonecas para a nova filha, que viveria no luxo e no amor dos pais até encontrar o marido certo. Jocasta tinha horror em pensar em um marido para sua filha. Não tinha nem dois dias direito.

Colocou a filha no berço para descansar seus braços e sentou-se em uma poltrona preparada para isso. Não queria largar a filha. Jocasta não se lembrava de um bebê tão lindo desde que o filho havia crescido. E como Miguel cresceu, pensava Jocasta. Seu filhinho ja era um adulto.

Jocasta sentada ali naquela poltrona pensava muito. Pensava em sua filha, no seu filho, no seu marido, etc. Ouviu o barulho da porta e de caixas. O marido gritou por ela:

-Jocasta, querida?

-Estou aqui em cima, meu amor! No quarto de nossa filha! — Gritou Jocasta de volta

-Estou subindo!

O marido subiu e cumprimentou sua esposa com um beijo. Segurava uma caixa com varias bonecas de variados tipos. Eles arrumaram os brinquedos em prateleiras e armarios, sentaram-se junto na poltrona. Observavam a filha em quanto conversavam:

-Desculpe pela demora, queida. Encontrei-me com Gusmão. — Disse Simis

-O Caixão? — Perguntou Jocasta

-Este mesmo.

-O que tanto conversavam?

-Ele soube na nossa filha pelo jornal. — A cidade era pequena, então todos se conheciam e sabiam de tudo pelo jornal — Nos convidou para um jantar em sua casa. Eu, você, Miguel e Laura.

-Mas Laura é tão pequenina.

-Eu também pensei nisso, querida. Mas ele me disse que teve um filho também. O seu primeiro.

-Ora! Quando isso aconteceu?

-Ja faz um mês.

-Tudo isto.

-Foi o que pensei. Também pensei em como estou desatualizado. Não leio o jornal faz tudo. O trabalho me consome.

-Nunca li, pois então não te informei.

-Ó querida, eu sei disto.

-Obrigada por me entender querido. Aceitou o convite, não é?

-Mas é claro, nós iremos, não?

-Claro, claro.

Jocasta estava feliz. Ha muito tempo não ia a um jantar. Finalmente largaria os vestidos de gravida. Finalmente poderia beber quanto vinho gostaria de beber. Foi preparar o jantar para seu marido que ficou cuidando da pequenina. Comeram no quarto de Laura mesmo. E foram se deitar.