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Abri os olhos na esperança de tudo aquilo ainda ser um sonho, mas não. Eu ainda estava num maldito quarto de hospital e sem noticias do estado de meu melhor amigo. Peguei meu celular que estava em cima do criado-mudo ao lado da cama. Haviam mensagens de meus pais, da minha prima e alguns amigos, perguntando o que havia acontecido, ignorei; sabia que não estavam realmente preocupados e sim curiosos; adoram saber da vida dos outros para fofocar. Detesto isso, e gente assim. Já eram 17h42min, como Gustavo não apareceu depois da ultima visita, acabei pegando no sono. E pelo visto isso apenas piorou minha situação, pois ainda estava bem preocupada, talvez sua demora seja por algo grave, não sei.. Não sei.. É horrível ficar com essa duvida..

Peguei o celular novamente, pronta para ligar para ele, até que a porta se abriu e Gustavo passou por ela. Finalmente.

— Por que demorou tanto?

— Perdão, eu tive alguns problemas em casa e precisei ir resolver. — começou. — Mas, olha, eu te trouxe duas noticias fresquinhas maninha..

— Ah ótimo.. Espero que sejam boas, viu? — disse.

— Sim, são sim, não se preocupe — ele deu um sorriso largo, sentando-se numa poltrona próxima a minha cama.

— Então o que foi, me diga .. — falei ansiosa.

— Primeiramente, você terá alta hoje a noite, seus pais vem te buscar.

Suspirei, aliviada, enfim vou me livrar desse inferno.

— Segundo, eu falei com o doutor que estava cuidando de Vitor, e ele disse que ele já está bem, mas só vai poder receber visitas pela manhã. — terminou.

— Nossa, estou bem mais tranquila agora, eu .. já estava pensando no pior Gus.

— Não, não, agora relaxe, ele está bem .. E como um ótimo amigo que sou .. — arqueei a sobrancelha, não é nem um pouco convencido esse garoto. — consegui fazer o doutor te deixar vê-lo hoje, só que tem uma coisa, ele ainda está desacordado. — continuou.

Soltei um sorriso sincero. Estava feliz.

— Não acredito, eu vou agora mesmo! — falei, colocando os pés para fora da cama, empolgada.

— NÃO! — ele mudou o semblante, e me olhou sério, o que me faz parar imediatamente. Mas o que deu nele ..

— O que? Por que não? — perguntei, sem entender sua reação.

— Não vai.. sem eu te acompanhar, é claro. — disse, e começou a rir da minha cara.

— Babaca! — peguei uma maçã que estava na bandeja que a enfermeira me trouxe hoje cedo — que por sinal estava intacta, eu não tive humor pra comer — e joguei em Gustavo, que ainda ria.

Ele me ajudou a levantar, me entregou umas roupas que minha mãe havia mandado e fui me trocar no banheiro. Saímos e passamos pela recepção, minha mãe e irmã estavam lá resolvendo os últimos detalhes para eu sair, apenas acenei de longe e seguimos rumo ao elevador, o andar de cima é onde ficam internados os pacientes em situações mais graves, obvio que a de Vitor já não era tanto assim, o perigo já havia se dissipado e provavelmente o iriam transferir de ala pela manhã.

Chegamos ao quarto número 102, respirei fundo e abri a porta. Gustavo resolveu ficar me aguardando fora do quarto, ele sabia que queria um momento a sós com Vitor.

Encostei a porta para ninguém nos incomodar e o observei um pouco antes de continuar, estava dormindo, tranquilo, como se nem soubesse o que havia passado horas antes. Aproximei-me dele, e acariciei seu rosto, desde seu cabelo meio bagunçado pegando parte da testa, até sua barba falhada que eu adorava.

Lembrei-me das vezes em que discutíamos por ele querer cortá-la e eu não deixava; soltei um pequeno riso. Não sei o que faria, ou o que seria de mim sem ele. Não seria fácil esquecer de tudo o que já passamos, o que vivemos, nossa história, todos os momentos juntos, sejam eles bons ou ruim. Felizmente, nada disso seria perdido agora...