Last Trigger
4 Awake
"Não seria fácil esquecer de tudo o que já passamos, o que vivemos, nossa história, todos os momentos juntos, sejam eles bons ou ruins. Felizmente, nada disso seria perdido agora..."
[...]
Não me resisti a chorar, eu sempre fui muito sentimental, e muito menos obtive êxito em esconder meus sentimentos das vezes em que tentava, para ele, principalmente.
Ele sabia que mais do que tudo, eu tinha medo de perde-lo, por isso se esforçava ao máximo para nunca deixar-me de lado, apesar de seus vários problemas. E eu valorizava muito isso. Por que sabia o quanto era irritante, todos os dias eu chegar com coisas simples transformadas em problemas e acabar descontando nele sem necessidade. Eu era fraca. Imatura. Nunca consegui encará-los sozinha, tive que aprender com certa dificuldade e tempo. Graças a ele, sou uma pessoa muito melhor hoje em dia.
— "Eu juro que tento desviar dos meus problemas..." — comecei a cantar baixinho, voltando a acaricia-lo.
— "E achar mais tempo pra escutar os teus,
Mas minha consciência me sufoca
e é terrível quando não encontro mais
Por onde caminhar sozinha."
Parei de cantar por perceber o quanto devia estar sendo ridícula aquela cena, eu nem se quer sabia cantar.
[...]
Ao contrário de mim, Vitor nunca foi um livro aberto, ele dificilmente me contava sobre ele, eu tentava entender seu lado e não insistia; sabia que quando se sentisse melhor me contaria. A confiança que tínhamos era o que nos manteve unido durante esse tempo, e não nos deixava desistir um do outro.
Nossos amigos, viviam nos dizendo que eramos perfeitos juntos, que fora obra do Destino termos nos conhecido. Por um momento eu também pensei assim, mas percebi que apesar de nossos sentimentos, não passaríamos da barreira da amizade.
E deixando-me levar pelas emoções, depositei em seus lábios um pequeno beijo. Não sei se o que houve depois eu poderia considerar bom ou ruim, mas o pouco contato que tivemos o fez despertar. O que simultaneamente, me fez afastar-se dele, e enxugar minhas lagrimas com as mangas do meu moletom, para que ele não as visse.
— Sara .. — ele pronunciou, num fio de voz.
— Olá, Vitor. Como se sente? Precisa de algo?
— Não, não, estou bem..
— Bom, que bom, fico feliz que esteja melhor.. — falei, meu nervosismo era evidente, esperava que ele não tivera sentido o beijo, eu não deveria tê-lo dado, infelizmente, não foi o que aconteceu.
Ele me olhou e deu um pequeno sorriso de canto, e eu o retribuí -como era lindo-.
— Está nervosa pelo selinho, não está ?
Merda.
Não respondi, apenas abaixei a cabeça envergonhada.
— Me desculpe, Sara. — o fitei. Ele não fez nada, eu que deveria me desculpar.
— Vitor, eu .. — me interrompeu.
— Eu deveria ter lutado mais por nós, me perdoe. Sei o quanto queria que dessemos certo, e tudo o que fiz foi ignorar, tanto seus sentimentos quanto os meus, tudo por culpa de meu maldito medo de que iria me deixar, e me magoaria novamente. E isso acabou te magoando.. Eu agi feito um idiota, eu sei.
— Vih, você não tem culpa de nada.. — comecei, sabia que ele ainda iria insistir. — não era pra ser e pronto, não tem que se culpar pelo que não aconteceu, vamos .. apenas esquecer isso, pode ser? Deixar no passado.
— Não, eu não vou esquecer okay .. Eu vou tentar Sara — disse. — eu te prometo.
— O que? Não, não Vitor, você está doido, o acidente afetou seu cérebro — exclamei, indignada.
— Sara! — agora quem havia se exaltado era ele. — Não! Olha, vem aqui .. — esticou sua mão para eu pegá-la, e me puxou até ele. — Eu te amo. Não se esqueça disso.
Não sabia o que dizer, ele havia me pegado de surpresa. Quase não parecia que era real, ele nunca dizia esse tipo de coisa, princialmente pra mim.
Quando finalmente tomei coragem para responde-lo, e enfim dizer que também o amava, a enfermeira entrou pela porta, avisando-me que eu deveria sair pois meu tempo permitido já havia terminado.
Me despedi de Vitor com um beijo na testa, e saí, avisei-o que iria visita-lo amanhã de manhã novamente e saí. Em breve, as coisas voltarão ao normal e estava ansiosa por isso, não que eu gostasse da minha patética e monótona vida, mas preferia ficar em casa, e saber que ele também estava bem em casa, do que naquele lugar; ele me dava arrepios, e me recordava do meu mau pressentimento, eu não estava segura, minha intuição dificilmente falha. Ou talvez, aquilo fosse apenas paranoia de minha mente e o melhor a se fazer era ignorar. E foi exatamente o que eu fiz.
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