Last Sacrifice
1 Nobody's Home
Notas iniciais
Haviam se passado quase dois meses antes que Victoria Vizelle estivesse a caminho de seu mais novo e inesperado destino, é claro que ela não estava nem um pouco animada com a ideia de estar indo embora da penitenciaria o que pode parecer estranho, mas todas as vezes em que pensou em como seria sua vida ela nunca cogitou a possibilidade de estar sendo transferida de uma penitenciaria feminina a um hospital psiquiátrico, ela estava assustada com a repentina decisão do juiz é claro e intrigada pelo rumo que tudo tomou, mas como sempre fora ensinada pela vida a fazer ela não demonstraria nada que sentia. Enquanto jogava suas roupas “novas” na mala antiga e suja ela se lembrou de com viera parar naquele lugar, os gritos da mãe de Tood, o amor de sua vida que morreu em seus braços tentando salvá-la do traficante que agora corria atrás dela. Vick cresceu em um bairro muito violento onde a vida te ensinava da pior maneira como crescer, mas nem sempre foi assim, em meio ao caos que era viver ali ela era amada, amada por seus pais, amada por sua irmã menor, amada por Tood o único garoto cujo ela já foi apaixonada e que a vida lhe tirou da pior maneira. Tood e ela sempre tiveram o sonho de se mudar dali, pensavam na faculdade em construir um futuro bom e seguro para os dois e então veio a onda de devastação, os traficantes não estavam mais satisfeitos de roubar as pessoas daquele lugar, eles também queriam sangue. Tood havia saído de manhã para levar Candice sua mãe até o trabalho de moto, se lembrou em como foi vê-lo pela ultima vez com vida, ela estava cruzando a esquina da livraria, comprava um livro que esperava ler e depois passar para Tood que também compartilhava assim como ela, o gosto pela leitura. Foi só quando ela viu que ele não estava só que resolveu se aproximar mais rápido. Foi tudo tão rápido mas tão nítido que as memórias daquela cena jamais seriam esquecidas, o garoto que conversava com Tood estava armado, o perceber a reação de Victoria o garoto não pensou duas vezes e atirou contra o peito de Tood, Aquelas lembranças doíam demais. Ela se sentou no beliche enquanto escutava Laila roncar no beliche de cima, sua única amiga na prisão que agora teria que dizer adeus, assim como a todos que ela já amou na vida, ela ainda não sabia porque Laila a suportava, ela tentou ao máximo não ter um tipo de contato com nenhum ser humano depois de tudo que acontecera a sua vida. Fechou a mala e esperou deitada seus pensamentos voltando a tantas coisas que ela desejava esquecer, foi então que ouviu barulhos de sapatos no corredor, duas policiais pararam em frente a cela.
_ Vizelle, sua vez, a ambulância já esta aqui te esperando. A policial estava séria e a encarava com.. pena talvez? Bem, ela não se importava iria sair dali de qualquer jeito, seja para um vida de camisas de força e remédios controlados ela não se importava
Ela se levantou sem se despedir de Laila, apenas deixando um olhar reconfortante na amiga, ela não gostava de despedidas, e não queria se emocionar, odiava sentir aquele aperto no fundo do peito.
Lá fora o sol nascia e ela observou a ambulância velha e um homem que aparentava ter talvez sessenta anos de idade, sua careca estava a mostra e seus olhos encaravam a Senhora Dawson a diretora do presidio como se estivesse entediado, mas pousou rapidamente os olhos por Victoria, e fez sinal para que as policiais a colocassem na ambulância.
Victoria foi colocada na ambulância de forma bruta como sempre era tratada desde que começou a usar aquele maldito uniforme com números, algemada ela se encostou no banco nada confortavél, foi então que percebeu que havia um outro homem encostado na traseira da ambulância, ele estava armado e a encarava fixamente, mas ela não se importava, se recostou no banco, as algemas ainda presas rasgando um pouco de seus punhos. Não ligava, ela aceitaria de bom grado dores físicas se não fosse sujeitada a mais nenhuma de suas dores emocionais.
Como todas as vezes em que o mundo se calava Victoria percebia o barulho de dentro de sua mente, e com todas as vezes em que ficava sozinha pensava em tudo que havia acontecido, Tood morto em seus braços enquanto seus olhos giravam e ela gritava de desespero, Candice ajoelhada tentando sem sucesso reanimar o filho, os olhos verdes de Tood fixaram nos dela pela ultima vez antes de perderem o foco pra sempre. Ela nunca foi a mesma, seções de terapias foram por meses a vida de Vick, mas nada adiantava, nada traria Tood de volta, e o bandido que tirou dela a única esperança estava solto, a policia não perdia tempo atrás dele, pois para a policia as pessoas que morriam naquele bairro não passavam de merecedores dessa “sorte” a vida era injusta demais, e era curta demais pra que você esperasse que alguém vingasse suas dores, então ela decidiu se vingar sozinha, pesquisou por meses antes de achar o maldito que acabara com a vida de seu único amor, e achou, ele tinha uma filha e uma mulher, viviam em um morro cercado de traficantes que trabalhavam para ele, ela pensou em matá-lo, mas seria fácil demais, deveria deixá-lo sofrer assim como ela sofria a morte de Tood todos os dias, como Candice sofria todos os dias por não ter seu filho de volta são e salvo, então não pensou duas vezes antes de achar a mulher do traficante, e ela estava lá sozinha e desprotegida, comprando alguns enfeites de cabelo, a seguiu por uma rua deserta e a matou a sangue frio, uma punhalada do peito. Ela nunca quis matar ninguém, mas era como se o mundo só voltasse ao normal, como se Tood fosse ficar aliviado se ela o vingasse. E ela não fez questão de correr, apenas foi caminhando para casa, não se deu conta de apagar as provas do crime, só alguns dias depois as impressões digitais foram achadas na faca e a levaram, condenada a passar 40 anos da sua vida por tirar a vida de alguém, mas quem tirou a vida de Tood ainda vivia talvez até estivesse feliz. Seis meses se passaram naquela prisão, então no dia do seus julgamento os exames médicos diziam que ela não estava em condições mentais de permanecer na penitenciaria e e que ela deveria ser encaminhada a um sanatório. Sua mão foi visitá-la um dia antes de partir, algo lhe dizia que não iria vê-la nunca mais. Quando acordou percebeu que dormiu a viagem toda, sentiu uma freada repentina e olhou para o homem que estava no parte traseira, ele ainda a encarava sem expressão nenhuma. Ele não disse nada, apenas fez um sinal que ela entendeu como “desça”.
Ok ela não esperava por isso, eles estavam no meio de uma floresta, uma casa branca descascada com árvores em volta, aquilo parecia mais um cenário de filme de terror, seria o cenário perfeito para o massacre da serra elétrica. Na frente havia uma placa escrito “Hospital psiquiátrico Hilmarsnorf” um arrepio lhe correu pela espinha, andando ela percebeu que em frente havia uma pequena "praça" com bancos, de madeiras que pareciam ser de outro século, ali se encontravam doze meninas, ela contou. Todas se olhavam estranhamente enquanto observavam a estranha paisagem. Victoria também notava, com as mãos algemadas ela quase tropeçou em uma raiz gigante de árvore, algo lhe dava a sensação de que não deveria estar ali. O engraçado é que ela não via policias por nenhuma parte, bem ela estava acostumada a lidar com brutamontes a cercando o tempo todo como se fosse esfaquear o primeiro que passasse em sua frente, não havia sinais de enfermeiros ou qualquer pessoa, só o cara forte que a trouxe na ambulância, mas todas as garotas ainda permaneciam algemadas.
Uma mulher de cabelos negros e baixinha apareceu na porta, usava um vestido longo como aqueles de filmes antigos, seus cabelos estavam desgrenhados e seus olhos azuis encaravam todas as meninas uma a uma. Até pousar seus olhos em Victoria que agora desviava olhar mesmo sem saber o porquê.
_Louis, vamos logo traga a mala da ultima para dentro, depressa está escurecendo. Sua voz soou cortante e autoritária.
O Homem grande que veio acompanhando Victoria na ambulância se apressou com sua mala entrando na casa, foi então que sentiu doze pares de olhos a encarando, ela não esta pior do que ninguém ali, todas usavam o mesmo macacão que ela, porém em cores diferentes com números diferentes, os cabelos presos a um rabo de cavalo. Ela as encarou também, ela não sabia mais o que estava acontecendo, se todas estavam sendo transferidas para um sanatório era porque haviam feito algo de muito ruim, então porque estavam ali paradas perto uma das outras? Porque não havia policiais e enfermeiros por toda a parte? Porque ninguém estava tentando fugir? Ela não teve tempo de pensar em alguma resposta plausível. A mulher voltou a entrada da casa, agora com um sorriso nos lábios. Olhou para Louis que estava agora descendo a escada que dava acesso a varanda da casa.
_Vamos lá Louis, solte nossas meninas, elas precisam se estabilizar a sua primeira e ultima casa.
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