Notas iniciais
É o primeiro capitulo e essa é minha primeira história, então se possível sejam legais.

\"\"

A liberdade é o direito de fazer o próprio dever, A. Comte.


Acordo com o movimento dos guardas ao lado de fora da cela, o barulho do metal rangendo evidencia que as portas estão sendo abertas. O som misturado ao cheiro de ferrugem e o mais acentuado movimento da espaçonave, me faz acreditar que hoje é o grande dia do qual eles sempre se referiam. O dia da nossa liberdade, mas como já nos foi avisado, a liberdade tem o seu custo.



***


O barulho começa a ficar mais evidente e começo a sentir que chegou a minha vez, o medo e a ansiedade tomam conta do meu corpo e sinto minhas mãos estremecerem. Somos cem, e estamos sendo treinados desde que éramos crianças e não sabemos exatamente o motivo de tal preparação, uns acreditam que seremos enviados para um trabalho ultrassecreto, mas algo me diz que isso é muito maior do que todos pensam.

"Nunca pergunte sobre isso, nunca fale sobre isso, esqueça e treine ou será pior para todos vocês" essas eram as palavras de Luke, o comandante do que ele chamava de Projeto ROE. Todo dia temo descobrir o que a sigla ROE signifique, mas inúmeras possibilidades já se passaram pela minha mente e, hoje é o dia, o dia em que tudo será revelado.

As portas da minha cela se abrem, fico imóvel com uma sensação de medo misturada com felicidade ascende, vejo um guarda com óculos de proteção de guerra e um colete com as siglas grafadas.



— Chegou a hora -- ele diz, sem mais explicações.



Demoro a responder.

— Eu estou pronto -- minha voz sai abafada.

Longas filas se formam no corredor das celas do setor três. Consigo ver as filas dos outros setores sendo que a do quarto ainda esta em formação, pois grande parte das pessoas ainda estão em suas celas. Ao longo dos oitos anos de treinamento a qual fomos submetidos, consegui fazer apenas dois únicos amigos, nunca fui muito bom nisso e a insociabilidade que nos era imposta apenas contribuía para acentuar tal ocorrência. Jennifer, que eu prefiro chamar de Jenny, esta a treze pessoas em minha frente e Andrew logo diante de mim. Ela em olhos claros, cabelos ruivos e um sorriso que poderia iluminar a cidade inteira e desperta a atenção de muitos garotos, como por exemplo eu , mas isso não vem ao caso porque ela já tem namorado Drake, também do nosso setor, caras como eu não tem uma boa relação com as garotas. Já Andrew, é capaz de fazer todo mundo sorrir.

— Então Austin, é o grande dia -- Andrew disse com uma alegria que para mim até parecera irônica.

— Sim, mas eu não ficaria tão feliz com isso -- minha voz ainda saia inconstante.

— Liberdade cara, era tudo que a gente sempre quis -- respondeu.

— Você sabe que não é tão fácil assim -- antes que Andrew pudesse responder, Luke guiou-nos até uma porta feita de metal de onde saiam luzes ofuscantes, entrando na sala havia um pequeno palco onde estava uma mulher baixa e com uma aparência brava e icônica, logo que percebeu que todos os setores já haviam entrado começou a falar em um microfone ajustado para seu tamanho:

— Vocês foram designados há 8 anos atrás para participar do Projeto ROE ... -- falava com uma voz rígida. No momento eu só conseguia pensar que era a hora, finalmente saberei o que a sigla significa, o porquê de estamos aqui, meu coração dançava um movimento envolvente --... também conhecido como The Rescue Of Earth Project, vocês serão enviados para a terra, o antigo planeta em que vivíamos até ser destruído devido uma guerra nuclear entre as antigas potências, com o intuito de recoloniza-lo para o manutenção da vida humana. Nosso ar aqui vem ficando cada dia mais escasso e de má qualidade, acredita-se que a Terra já tenha se recuperado, mas não sabemos pelo que esperar. Vocês foram selecionados e divididos em setores de 25 pessoas cada, conforme as habilidades de cada um ... -- Ela continuava a falar até ser interrompida.

— Mas por que nós fomos os escolhidos? -- Alguém que não conheço, mas já vi durante o treinamento pergunta.

— Essa informação ainda é restrita aos organizadores, um dia vocês saberão. Sem mais interrupções ... -- falou com maior amplitude -- Espero que entendam que tudo isso é para o nosso bem. Toda essa divisória na qual foram colocados separa o mistério das coisas que até nós ainda não sabemos, mas chamamos de vida. Vocês estarão por contra própria e são nossa ultima esperança, então o único conselho que posso dar é: Sobrevivam.


A palavra ficou ecoando em minha mente, sobrevivam. Mas sobreviver do que? Todo esse tempo sonhei com as respostas, mas mesmo com tudo isso só sobraram duvidas e mais duvidas. Um grito incessante inicia-se logo após o término de sua fala, tento procurar Andrew ou Jenny, mas após a descoberta todos estão muito agitados, a mulher que não se identificou entra em uma porta a esquerda e Luke assume seu lugar :



— Quietos! Vocês serão organizados conforme os setores nos quais foram destinados e vão ser enviados para a terra, lembrem-se de que para entender o futuro, terão que descobrir o passado -- disse, deixando um incessante mistério em minha mente.


***

Os guardas que nos acompanharam até o corredor chegam e nos encaminham para fora da nave, no caminho passamos através dos corredores dos locais de treinamento e do refeitório, em que éramos alimentados com vitaminas e comidas artificiais, será que na Terra a comida é diferente? Muitos já disseram que antigamente se comia melhor, acho que enfim vamos descobrir isso. Chegamos em um grande portão que se abre após Luke digitar uma senha de pelo que pude perceber 10 dígitos, sempre fui muito observador, a porta se abre e somos direcionados para uma plataforma externa, quatro naves estão alinhadas com a sigla que sempre quis descobrir escrita. Alcanço Jenny que esta ao lado de Andrew.

— Olá -- digo.

— Oi -- Jenny responde, seus olhos parecem aflitos.

Andrew apenas acena. Todos nós estamos pensando em tudo que fizemos até aqui e o que faremos a seguir, mas ninguém tinha vontade de conversar. Entramos na nave, a tecnologia era impressionante, telas pequenas eram posicionadas acima das poltronas nas quais teríamos que sentar, não havia janelas, acredito que poderiam quebrar durante o impacto. A contagem das pessoas era realizada e quando confirmada, aparecera nas telas um vídeo explicativo feito pela mulher que nos falou sobre o projeto. Não havia piloto então deduzi que seria automática, até que a partida é ligada e os motores começam a funcionar.

A decolagem é tranquila, todos nós já estávamos acostumados com o movimento de uma espaçonave. O clima começa a ficar cada vez mais tenso, e a troca de olhares é cada vez mais intensa. Uma voz programada de alguém que não reconheço diz: Preparem-se para pousar.

O impacto é tão grande que consigo sentir o cheiro de fogo por fora da nave, todos nós ficamos tontos com tamanha ocorrência e consigo sentir o cheiro de fogo e metal se chocando, chegamos a Terra. A porta da nave se abre.

–- É hora de sermos despachados -- diz Andrew.

Tudo que consigo pensar é em o que a mulher queria dizer com sobrevivam, mas pelo que pude ver até agora com a porta aberta parece um lugar calmo e com um ar peculiarmente incrível.


Notas finais
Obrigado por chegar até aqui, e se gostou, quiser que eu poste mais sugestões, é só me pedir no meu twitter (@mrswiftie) ou comentar aqui (se isso é possível eu ainda não sei)