Notas iniciais
Ooi cupcakes *--* capítulo dois aqui para vocês, espero que gostem :)

Nem eu e nem o Andrew lembrávamos de nada da noite passada. Nem como chegamos aqui e nem como nos conhecemos. Super legal né? A gente estava no meio do nada, com o sol a pino, vestidos como se fôssemos para uma festa e sentados nas raízes da árvore. Impressionante como fazia um calor insuportável e nenhuma brisa. Eu já estava suando aos montes, então fiz um coque e peguei um gravetinho, improvisando um daqueles palitos que usamos para prender o cabelo.

— Ok, vamos nos concentrar , qual é a última coisa que você se lembra?

— O que foi? Pensei que conseguisse resolver tudo sozinho senhor Eu-sou-homem-e-sou-melhor-que-você.

— Eu estava tentando te ajudar, sua ingrata.

— Ah claro, você me ajudou muito me carregando nos ombros como um saco de farinha e ainda dando uma visão privilegiada do meu traseiro para aquele velho tarado! Eu sabia muito bem me virar sozinha.

— Eu deveria ter usado você como escudo contra os tiros do velho e não ter te tirado de lá! Seria bem mais útil. Se bem que, magrinha desse jeito, não ia servir para nada mesmo – ele falou olhando com desdém para mim.

— Minha nutricionista disse que eu estou no peso ideal seu porco machista! – o empurrei da raiz que ele estava sentado e ele caiu de costas numa poça de lama.

— Olha o que você fez! Sua... Sua...

— Olha a boca, temos damas presentes – falei ainda rindo dele, tinha sido realmente engraçado. A cara que ele fez era impagável.

Agora, podia vê-lo mais calmamente sem a lente do desespero obstruindo a minha visão. Até que para um machista, era bem bonito. Tinha cabelos loiros, uma barba rala, por fazer e um corpo bem trabalhado. Pena que era machista. É, realmente um desperdício.

— Um pouquinho de ajuda seria bom aqui, mãe natureza. – ele falou sarcasticamente e estendeu a mão para que eu o ajudasse.

— Mãe Natureza? Você precisa aprender a xingar alguém de verdade Andrew. — dei a mão e ele me puxou para a lama também. Idiota.

— Eu não acredito que você fez isso, seu imbecil! – comecei a estapear os braços dele com a maior força que eu tinha.

— Você que começou. – ele tentava desviar das minhas tapas e então comecei a usar as unhas. – Ai, até que para uma magrela você bate forte ein?

Eu já tinha parado de batê-lo e ele esfregava as manchas vermelhas que a minha mão tinha feito na sua pele. E de repente, olhamos um para o outro e começamos a rir. Eu não sabia porque, mas tinha algo muito engraçado naquela situação. A bebida ainda deve estar fazendo efeito. Isso é teoricamente impossível, mas eu não achei outra resposta plausível. Olhei para Andrew e vi que ele tentava se levantar, mas escorregara na lama e caíra de novo nela. Isso só nos fez rir mais ainda, como dois bobos.

— Vamos, segure na minha mão e nos levantamos lentamente, assim não caímos de novo. – falei e dei graças aos céus por ele ter me ouvido dessa vez. Nos levantamos e sentamos de novo nas raízes, todos sujos de lama.

— Sabia que os porcos rolam na lama por causa do calor?

— Está me chamando de porca? – falei e ele riu.

— Não, estou dizendo que a lama ajuda a aliviar o calor.

— Só se for para você, porque eu estou do mesmo jeito. A única diferença é que agora eu estou cheia de lama. Por sua causa. – falei dando um sorriso cínico e ele riu.

— Acho que deveríamos estar procurando algum sinal de civilização ao invés de ficarmos discutindo quem é o porco da história.

— Finalmente, uma boa ideia sua.

— Ei, minhas ideias são sempre as melhores. – ele cruzou os braços e eu levantei a sobrancelha.

— Se você tivesse ido pela esquerda, como eu disse, poderíamos ter saído daquela casa sem que o velhinho nos notasse e talvez até perguntássemos onde fica o ponto de táxi mais próximo daqui. Mas não, você é cabeça dura e ele quase atirou em nós. É sua responsabilidade agora achar um caminho para a civilização.

Engole essa, seu loiro aguado! 1X0 para mim. Ele iria aprender do jeito mais difícil que não tinha como ganhar uma briga comigo. Se ele pensava que ele era cabeça dura, ele não tinha visto um terço de mim. Quando coloco uma coisa na cabeça, ninguém tira. E esse foi um dos motivos para eu me tornar advogada. Ele apenas bufou e se levantou, olhando para o horizonte em busca de algum sinal de civilização, eu acho/espero. Porque se não, ele era um homem morto. Eu ia matar ele se não me tirasse daquela natureza insuportável.

— Tá vendo aquela coisa vermelha lá longe? – ele perguntou para mim, apontando para algo na sua frente. Eu não via nada, a não ser mato, mato e mato.

— Não. Eu deveria ver? – Me levantei e fui para perto dele, para ver se melhorava, mas não. Não enxergava nada na direção que ele apontava.

— Por acaso você é cega? Tá logo ali!

— Eu não consigo ver muito bem de longe, algum problema?

Isso fez ele se calar e colocar a mão sobre a testa, para proteger os olhos do sol. Fitou atenciosamente o ponto-vermelho-praticamente-inexistente-para-mim e depois continuou a falar.

— Eu acho que é um estábulo. Deve ter alguma casa ali por perto.

Andrew pulou a cerca com a maior facilidade e saiu andando, abrindo caminho entre as plantas que cobriam até o seu joelho. Eu tentei subir, mas não consegui. Lembrete mental: Nunca mais usar saia quando decidir se perder por aí com um loiro alto e bonito. Claro, vou me lembrar disso da próxima vez. Mas na próxima, por favor, que seja um ruivo fofo que não me deixe para trás e não discorde de qualquer coisa que saia da minha boca. Notei que Andrew já estava a uma distância considerável, eu pigarreei, mas ele não me ouviu.

— Não está se esquecendo de nada não? – gritei e ele se virou para me encarar.

— Bem, só da noite passada. O resto, tá tranquilo. – Ele continuou a andar e eu bufei, cruzando os braços.

— Ei, me ajuda aqui, eu não consigo subir nessa cerca! – ouvi uma risada dele e continuei – Eu estou de saia e de salto alto! Andrew!

— Boa sorte então – ele de um aceno e sorriu. Ah como eu queria arrebentar todos aqueles branquíssimos dentes dele.

— Andrew! Volte aqui! Isso não é jeito de se tratar uma dama!

— Você mesma disse que sabe se virar sozinha. Adeus!

— Você vai se arrepender amargamente do que está fazendo! Andrew! Andrew! – gritei, mas não consegui resposta. Ele já estava longe demais para me ouvir.

Idiota, Idiota, Idiota! Como ele pôde me deixar aqui, assim, indefesa? Algum bicho poderia surgir e me atacar. Eu poderia ser morta, roubada, estuprada aqui! Tá, eu não tinha nada de valor aqui comigo, mas vocês me entenderam. Bufei e saí andando, tomando a cerca como guia. Deveria ter alguma porta, ou quem sabe uma brecha onde eu pudesse passar. Mas quanto mais eu andava, mais aquela cerca parecia interminável e só conseguia ver mato dos dois lados dela. Nenhum sinal de civilização. Os mosquitos resolveram me atacar e o sol era tão quente que fazia umas pequenas ondulações no ar. Não tinha sequer uma brisa para refrescar.

— Eu não aguento mais! Ei, você aí de cima, será que dá para dar uma ajudinha aqui? Seria ótimo. – Apoei-me na cerca, baixando a cabeça sobre os braços. Ouvi um trote de cavalo e quando olhei para cima, tinha um homem montado em um cavalo marrom, com a crina negra, me observando.

— Ei moça, tá perdida?

— Não, eu resolvi andar pelo meio da plantação porque eu gosto. – respondi sarcástica. Meu humor não estava dos melhores para aguentar perguntas tolas. Você vê uma moça toda suja de lama, apoiada numa cerca ao meio dia e vem perguntar se ela está perdida? Me poupe né?

— Desculpe moça, é que nunca te vi por aqui. De que ‘cê é ?

— Nova York.

— Nossa, tá bem longe de casa. Veio para cá só porque gosta de andar pelo meio das plantações toda suja de lama? – ele falou com um sorriso e eu o fitei. Acabei dando um sorriso de volta.

— Pra ser sincera, não sei nem como vim parar aqui. Eu acordei hoje em um quarto estranho, com um cara que acha que é o rei da Inglaterra. Aí, apareceu um velhinho com a espingarda, que ficou me secando e nos botou para correr de lá. Chegamos perto dessa cerca e caímos na poça de lama. Ele disse que eu era porca e depois saiu andando pelo meio da plantação, e eu fiquei aqui porque não consigo pular essa cerca com essa roupa e esse sapato. Estou andando faz séculos, meu cabelo tá um nojo, os mosquitos me picaram e eu preciso de um banho! – falei num fôlego só, chorosa e ele riu. – Do que você tá rindo?

— Nada, nada. Foi o Joe, não foi? – eu assenti e ele riu de novo — Eu e minha família moramos aqui perto, se quiser. Pode tomar um banho, ligar para alguém conhecido, comer alguma coisa.

— Muito, muito obrigada, você é muito gentil. Como você se chama?

— Lorenzo. E você é...?

— Lindsay. Lindsay Mason.

— Prazer em conhecê-la, Lindsay. Precisa de ajuda aí? – ele perguntou, apontando para a cerca.

— Com certeza preciso.- ri e ele desceu do cavalo, vindo em minha direção. Até que a fuga do Andrew não foi tão ruim assim.