Last Friday Night
3 Surpresa Querido!
Notas iniciais
- Você mora aqui? – disse espantada e ele riu.
Estávamos de frente a uma casa enorme, bem do jeito que seria uma casa no campo. Era pintada de um amarelo claro, com detalhes brancos. A varanda era enorme e tinha uma mesa no canto esquerdo, com quatro cadeiras em volta, daquelas que você veria num filme do século XIX, com quatro moças tomando chá nela. Foi amor á primeira vista. Eu amava coisas vintage. Vários quadros estavam espalhados pela parede da frente, na varanda, e a porta da frente estava aberta, mostrando uma mulher e uma garota conversando animadamente. Lorenzo me ajudou a descer do cavalo e me guiou até a entrada. Subimos os três degraus da frente e os olhares da senhora e da moça pousaram em mim.
— Lorenzo, eu já te disse, não pode sair trazendo qualquer coisa que encontra no campo para casa! – a senhora falou com as duas mãos na cintura e a garota riu.
— Mãe, por favor. Temos visitas. – a garota falou, reprovando a mãe.
— Ela está perdida. Encontrei-a na fronteira com as terras dos Daufenbach.
— Perdida? Coitadinha. Venha querida, parece que você precisa de um banho – a mulher falou tampando o nariz com uma das mãos. – Como se chama?
— Lindsay Mason.
— Eu sou a Gemma e essa é a minha filha Isabella. – disse Gemma, com um sotaque claramente italiano.
A casa era bem maior por dentro. Elas me levaram até um banheiro e me deram roupas limpas da Isabella para eu vestir. Como a garota era um pouco mais gorda do que eu, as roupas ficaram um pouco largas. Mas eu não reclamei, era muito melhor do que aquela minha roupa cheia de lama. Foi uma verdadeira luta para eu conseguir tirar a lama do meu cabelo. Depois de vários enxágues, ele estava completamente limpo, assim como eu. O penteei e botei a cabeça para fora do banheiro á procura de alguém. Eu seria capaz de me perder ali dentro. Logo vi dois garotinhos passando no corredor ao lado e resolvi segui-los. Me levaram diretamente á sala de jantar, onde várias pessoas conversavam animadamente, e Gemma servia a mesa.
— Você está com fome querida? – ela deu um sorriso para mim e eu retribuí. Estava mesmo com fome. Me sentei entre os dois garotinhos gêmeos que eu tinha seguido até aqui. Me serviram um boa porção de espaguete e molho de tomate, que estava divino.
— Essa comida está deliciosa! A senhora tem mãos de fada. – elogiei Gemma enquanto as pessoas davam murmúrios de concordância.
— Que nada – ela responde um pouco corada – Sabe, eu gostei de você.
— Sorte minha, eu acho. – eu ri e eles me acompanharam – Eu também gostei muito de ter conhecido vocês. E não estou dizendo isso só porque vocês estão me dando comida não ok? – consegui fazer eles rirem mais ainda.
— Além de simpática, é engraçada. Daria uma boa nora. – quase me engasguei na hora que ela disse isso, mas me esforcei para dar um sorriso amarelo pelo menos. Aquela mulher só podia estar de brincadeira não é?
— O Lorenzo já está noivo, querida. – o marido, Sr. Luttini, a informou e ela deu um suspiro decepcionado.
— É uma pena mesmo.
— Pois é, que pena. – falei concordando com ela, aliviada por dentro. Assim que eu terminei de falar, um cara gordo, com um cavanhaque e vestindo um casaco vermelho que o deixava maior ainda entrou na sala.
— Não acredito que não esperaram por mim!
— Julio, querido! Pensávamos que você iria vir semana que vem – Gemma se levantou, indo ao encontro do gordinho e dando um abraço apertado nele. Por favor, não diga que era mais um filho deles. Esses dois não tinha outra coisa para fazer não? Eu sei que aqui é meio rural, mas devem ter uma televisão pelo menos dentro de casa para se distrair não é? — Olhe só, achamos uma noiva para você!
Agora sim eu me engasguei. Aquela mulher maluca estava me oferecendo como esposa para o filho dela? Onde é que eu fui me meter meu Deus? Sério, nunca mais eu vou beber. Nem sair. Vou comprar dez gatos e virar uma solteirona. Sinceramente, se toda vez que eu bebesse acontecesse isso, eu estava muito, muito ferrada. Eu saio para uma festa e no outro dia vou me casar com um gordinho estranho com cara de tarado? Não mesmo. O Sr. Luttini estava afagando as minhas costas, na esperança de que isso me fizesse melhorar. Tomei um grande gole de suco e consegui respirar normalmente de novo.
— Você está bem querida? – Gemma falou preocupada, colocando a mão no meu ombro.
— Claro, foi só um mosquito que eu engoli. — Nossa, eu deveria ser atriz e não advogada. Sério, vou entrar para o seriado Pretty Little Liars e ser a mais mentirosa de todas. O que eu faço agora, o que eu faço agora? Eu não posso me casar com aquele cara. Resolvi me pronunciar, assim que notei que já podia formar uma frase sem meus olhos lacrimejarem. – Eu não posso me casar com o seu filho, Sra. Luttini.
— Porque não querida? Você está solteira, ele também.
— Porque... – porque eu não conseguia pensar em nada para dizer? Droga droga droga. Olhei pela janela panorâmica á minha frente e vi um celeiro vermelho. Peraí, celeiro vermelho? Essa deve ter sido a coisa vermelha que o Andrew estava falando! E como que se para testar a minha teoria, vi Andrew sair do meio da plantação, arfante, e se dirigir até o celeiro. Uma ideia tomou conta da minha mente e eu rapidamente a aproveitei. – Porque eu já sou casada! Olha ali o meu marido!
Apontei para o Andrew pela janela e todos se viraram para olhar. Saí da mesa correndo em direção á porta de entrada, com o restante da família no meu calcanhar. Acenei para chamar a sua atenção e ele colocou a mão nos olhos, fazendo uma viseira para poder me ver melhor. Saí correndo em sua direção, até que o escuto falando.
— Como você chegou tão rápido aqui? E que roupas são essas?
— Ah querido, eu estava com tantas saudades! – falo o abraçando, mas sinto-o enrijecer e me olhar confuso. – Concorde com tudo que eu disser, depois eu explico. – sussurrei e senti os braços dele me envolvendo num abraço.
— E porque eu faria isso? – ele sussurrou de volta e eu revirei os olhos.
— Você me deixou sozinha no meio do nada, acho que me deve uma não é?
— Vai ficar me devendo uma depois. – ele falou me soltando e abrindo um sorriso que se eu não soubesse de nada, nunca acreditaria que era falso. Cínico. – Eu também estava com saudades, como você chegou aqui?
— O Lorenzo me encontrou logo depois que nos separamos e me trouxe até aqui. Foi muito gentil da parte deles me acolher. – falei me virando para eles, tendo plena consciência que a mão de Andrew continuava na minha cintura. Se eu não precisasse dele, ele poderia dar adeus á sua querida mãozinha.
— Sim, Sim, muito gentil da parte deles. Muito obrigado por terem cuidado da minha querida esposa. – Eu poderia me afogar nos incontáveis litros de sarcasmo que a frase anterior continha. Dei uma cotovelada discreta nele, mas parece ter doído mais em mim do que nele. Sério. Sabe aqueles choques que a gente tem quando bate o cotovelo em alguma coisa? Era exatamente o que eu estava sentindo. Maldito.
— Não foi nada. Ela é uma ótima pessoa. – Gemma falou com um sorriso
— É, ela é uma ótima pessoa mesmo – ele falou com um sorriso cínico que eu devolvi na mesma moeda. – Então, é que nós estamos perdidos, será que pode nos dizer onde nós estamos?
— Claro, sejam bem vindos a Nova Jersey.
Nossa Gemma, essa foi a melhor coisa que já me disseram hoje. Agora eu tenho certeza que estou realmente no fim do mundo. Parece que dez gatos não vão ser suficientes.
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