Last Battle

31 O real motivo por trás de tudo


Sara acordou com a sensação de que o próprio corpo não lhe pertencia. A primeira coisa que percebeu foi o gosto amargo na boca. Depois veio a dor. Uma dor pesada, espalhada por todos os músculos, como se alguém tivesse usado seu corpo como saco de pancadas enquanto ela estava inconsciente. Sua cabeça latejava violentamente e havia um peso estranho atrás dos olhos. Quando tentou respirar fundo, sentiu uma fisgada nas costelas e precisou interromper o movimento.


Abriu os olhos devagar. Por alguns segundos, tudo era apenas um borrão. Então sua visão começou a clarear.


E o sangue de Sara gelou.


Aquilo não era Hogwarts.


Ela estava deitada sobre um piso de madeira escura, frio e impecavelmente polido. As paredes eram negras. As cortinas eram negras. Os móveis, antigos e pesados, tinham madeira tão escura que pareciam absorver a pouca luz existente no cômodo. Até os detalhes das paredes tinham aquela mesma aparência sufocante, como se a casa inteira tivesse sido construída para lembrar a quem entrasse nela que não havia espaço para esperança.


Sara tentou se mexer. As correntes presas aos seus pulsos rangeram.


Foi então que ouviu uma respiração ao lado.


Virou o rosto.


Grace estava presa alguns metros adiante, encostada contra uma das paredes. O rosto estava machucado, havia sangue seco na lateral da testa e um dos olhos começava a inchar. Mesmo assim, estava acordada. Seus olhos encontraram os de Sara imediatamente.


Mais adiante estava Hailey.


E aquilo foi o que fez Sara sentir uma coisa ainda pior do que a dor.


Hailey estava sentada no chão, os pulsos presos por correntes, a cabeça baixa e os cabelos parcialmente cobrindo o rosto. Havia um corte na sobrancelha e marcas de sangue na roupa. Mas não era isso que assustava Sara.


Era a expressão dela. Hailey parecia vazia.


Sara conhecia aquela mulher. Conhecia a maneira como Hailey costumava olhar para uma ameaça. Conhecia a raiva que surgia quando alguém ameaçava seus amigos, a eletricidade que começava a dançar em seus olhos quando perdia a paciência, a determinação quase absurda que fazia com que continuasse lutando mesmo quando qualquer pessoa sensata já teria desistido.


Aquilo havia desaparecido.


— Hailey?


Hailey não respondeu. Não levantou o rosto. Não olhou para Sara. Permaneceu imóvel, com os olhos fixos em algum ponto do chão, como se nem tivesse ouvido seu nome. Sara sentiu o peito apertar.


Antes que pudesse dizer qualquer outra coisa, uma porta pesada se abriu. Jeanine entrou acompanhada de Umbridge e vários homens. Alguns eram membros da Erudição. Outros pareciam ter sido escolhidos pela força física. Havia também criaturas espalhadas pelo cômodo, silenciosas, observando.


Jeanine fechou a porta atrás de si e caminhou tranquilamente até o centro da sala.


— Finalmente — disse ela. — Estão todas acordadas.


Sara puxou as correntes.


— Onde estamos?


Jeanine sorriu.


— Na antiga propriedade dos Malfoy.


O nome produziu um silêncio imediato. Grace olhou ao redor, procurando alguma possibilidade de fuga. Sara fez o mesmo. Hailey simplesmente permaneceu em silêncio, com a cabeça baixa. Jeanine percebeu.


— Interessante. Vocês ainda estão tentando encontrar uma saída.


— Sempre existe uma saída — Grace respondeu, com a voz rouca.


Jeanine soltou uma pequena risada.


— É justamente essa arrogância que tornou tudo tão divertido.


Ela caminhou lentamente diante das três.


— Vocês ainda não entenderam o que aconteceu em Hogwarts, não é?


Sara estreitou os olhos.


— A guerra.


— Não. — Jeanine parou diante dela. — A guerra foi apenas a parte visível.


Sara sentiu o estômago apertar. Jeanine continuou:


— Vocês passaram meses acreditando que estavam se preparando para uma guerra. Treinaram, fortaleceram seus aliados, aprenderam a lutar juntas e convenceram todos ao redor de que estavam se preparando para derrotar seus inimigos. Nós deixamos que acreditassem nisso porque era exatamente o que precisávamos.


Grace cuspiu no chão.


— Vocês perderam.


Jeanine sorriu.


— Não. Nós conseguimos exatamente o que queríamos.


Ela apontou para as três.


— Vocês.


O silêncio ficou mais pesado.


— A batalha em Hogwarts nunca teve como objetivo principal derrotar vocês. Queríamos reunir todos no mesmo lugar. Bruxos. Semideuses. Audaciosos. Guerreiros. Todos os grupos que poderiam oferecer resistência. Precisávamos de uma batalha grande o suficiente para criar mortes, caos e distração.


Sara sentiu a raiva crescer.


— E as pessoas que morreram?


— Foram necessárias.


Grace puxou as correntes com tanta força que o metal estalou.


— Monstro.


Jeanine sequer piscou.


— As mortes diminuíram a quantidade de pessoas capazes de interferir quando chegássemos à etapa final. Enquanto todos acreditavam estar lutando por Hogwarts, nós estávamos conduzindo cada peça para a posição correta.


Ela se aproximou de Hailey.


Hailey continuou imóvel.


Jeanine percebeu a ausência de reação e sorriu.


— Inclusive Gareth.


Hailey não levantou a cabeça.


Jeanine continuou:


— Deve ter sido difícil vê-lo morto depois de tudo o que você passou. Você deveria agradecer. Se ele tivesse sobrevivido, talvez estivesse aqui agora. E provavelmente morreria junto com vocês.


Hailey fechou os olhos por alguns segundos. A respiração ficou mais pesada, mas ela continuou sem dizer nada. Sara sentiu a garganta apertar. Jeanine afastou-se dela.


— Vocês querem saber por que foram escolhidas?


Sara ficou completamente imóvel. Grace encarou Jeanine. Hailey finalmente levantou um pouco o rosto, ainda sem conseguir encará-la diretamente.


— Porque vocês possuem algo que ninguém mais possui.


Jeanine caminhou até uma mesa onde havia vários pergaminhos e objetos ritualísticos.


— Sangue. Sangue mágico e divino. E, no caso de vocês, essas duas naturezas existem no mesmo corpo.


Sara franziu a testa.


— Isso não explica nada.


— Explica tudo.


Jeanine voltou-se para elas.


— Vocês não são simplesmente bruxas. Também não são simplesmente semideusas. O sangue que corre nas veias de vocês carrega as duas linhagens ao mesmo tempo. É uma combinação extremamente rara. O sangue divino possui uma força que a magia comum não consegue reproduzir. O sangue mágico possui uma capacidade de conduzir energia que a essência divina, sozinha, não possui.


Grace compreendeu primeiro.


— Vocês querem usar nosso sangue como fonte de energia.


— Exatamente.


Jeanine sorriu.


— Mas existe mais.


Ela apontou para cada uma delas.


— Filhas de Zeus. Poseidon. Hades. Três linhagens divinas que não deveriam estar reunidas dessa maneira em três bruxas.


Sara sentiu a garganta secar.


— O que vocês pretendem fazer?


Jeanine demorou alguns segundos para responder.


— Ressuscitação.


O silêncio foi absoluto.


— Não apenas uma pessoa — ela continuou. — Queremos abrir uma passagem suficientemente poderosa para trazer de volta aqueles que deveriam permanecer mortos. Voldemort é apenas o começo. Existem outras forças. Outros seres. Outros mortos cuja existência poderia alterar completamente o equilíbrio entre os mundos.


Grace balançou a cabeça.


— Vocês são loucos.


— Talvez.


Jeanine aproximou-se.


— Mas não estamos erradas.


Sara olhou para Hailey. Hailey agora encarava Jeanine, embora seu rosto continuasse abatido.


— Por que precisamos estar fracas? — Sara perguntou.


Jeanine sorriu.


— Porque vocês são perigosas.


Ela apontou para Sara.


— Você é capaz de manipular forças que a maioria dos vivos sequer consegue compreender.


Depois para Grace.


— Você controla água, possui treinamento de combate e uma ligação com o mar que torna seu corpo muito mais resistente do que o de uma bruxa comum.


Por fim, olhou para Hailey que a encarou de volta pela primeira vez.


— E você...


Jeanine parou.


— Você é a mais perigosa das três.


Hailey sustentou o olhar dela por alguns segundos. Então, seu cérebro voltou a trabalhar e ela entendeu.


— Então era isso?


Jeanine arqueou uma sobrancelha.


— O quê?


— Todo esse tempo até a invasão. Todos os treinamentos. Todas as batalhas. Vocês queriam que a gente ficasse mais forte. Nos deram tempo pra nos fortalecermos


Jeanine sorriu. Grace e Sara ficaram estáticas. Antes Hailey mal parecia ouvir alguma coisa e seu cérebro já tinha chegado à conclusão antes delas.


— Você realmente é a mais inteligente.


Hailey engoliu em seco.


— Queriam fortalecer nosso sangue. E vocês sabiam que faríamos de tudo pra desenvolver nossos poderes e proteger a todos...


— Exatamente. — Jeanine voltou-se para as três — O sangue divino não é uma coisa estática. Quanto mais vocês crescem, mais desenvolvem seus poderes, mais forte se torna aquilo que carregam dentro de si. Precisávamos esperar. Precisávamos que vocês chegassem ao ponto certo.


Sara franziu a testa.


— Então vocês não poderiam ter nos capturado antes? A invasão na Audácia foi um teste?


— Exatamente. Tudo seria em vão se tivéssemos trazidos vocês antes.


Jeanine caminhou lentamente diante delas.


— O tempo de preparação da guerra foi necessário. Vocês acreditavam que estavam treinando para sobreviver ao conflito. Nós precisávamos que vocês treinassem, lutassem, usassem seus poderes e amadurecessem. Precisávamos que o sangue divino de vocês se fortalecesse até atingir a potência necessária para o ritual.


Grace sentiu a raiva crescer novamente.


— Vocês usaram tudo o que fizemos contra nós...


— Sim.


Hailey abaixou os olhos por um instante.


— E agora vocês querem tirar esse sangue da gente.


— Precisamente.


Jeanine voltou à mesa e tocou um dos recipientes.


— O sangue de vocês é a ponte. O sangue mágico conduz a energia do ritual. O sangue divino fornece a força necessária para atravessar a barreira entre os vivos e os mortos. Mas precisávamos esperar até que ele estivesse forte o suficiente.


— E é por isso que a guerra aconteceu daquele jeito. A guerra tinha vários objetivos. Mas vocês três eram o objetivo final.


Hailey respirou fundo.


— E depois que conseguirem o sangue?


Jeanine olhou diretamente para ela.


— Depois disso, vocês deixam de ser necessárias.


Grace puxou as correntes.


— Então é isso? Vocês querem nos enfraquecer, tirar nosso sangue e nos matar?


— Basicamente — Jeanine inclinou a cabeça. — Queremos mantê-las vivas até que o ritual esteja suficientemente avançado. O sangue precisa ser retirado enquanto a essência divina ainda está ligada ao corpo. Vocês não são apenas recipientes. São a fonte.


Sara soltou uma risada sem humor.


— Vocês realmente acham que vamos facilitar?


Jeanine olhou para ela.


— Não. É justamente isso o que queremos. — ela fez um pequeno gesto para os homens — Comecem com a Sara.


As correntes de Sara foram destravadas de uma das extremidades. Dois homens avançaram imediatamente, mas Sara se levantou antes que conseguissem agarrá-la. O primeiro mal teve tempo de erguer os braços antes de receber uma cotovelada violenta no rosto; o impacto produziu um estalo seco e o homem cambaleou para trás, levando as mãos ao nariz, enquanto Sara girava sobre o próprio corpo e enterrava o joelho no abdômen do segundo. Ele perdeu o ar e se curvou, mas outro homem surgiu atrás dela no mesmo instante. Sara sentiu uma mão fechar-se em seus cabelos e puxá-los com força, fazendo sua cabeça inclinar-se para trás, mas ela reagiu por instinto: agarrou o braço do homem, girou o corpo e usou o próprio impulso dele para lançá-lo contra uma mesa. A madeira estalou violentamente quando suas costas a atingiram e a mesa se partiu sob o impacto. Por alguns segundos, ninguém conseguiu alcançá-la. Sara permaneceu no centro do cômodo, ofegante, os cabelos ruivos completamente desgrenhados e o sangue escorrendo pela lateral do rosto, mas seus olhos continuavam firmes, carregados de uma fúria que fazia os homens hesitarem antes de avançar novamente.


Um deles foi o primeiro a recuperar a coragem e veio em sua direção segurando uma barra de ferro. Sara desviou por pouco do golpe, e a barra atingiu a parede com força suficiente para abrir uma rachadura na madeira escura. Antes que o homem pudesse recuperá-la, Sara avançou e acertou seu rosto com o punho fechado. Ele cambaleou, mas outro surgiu pelo lado e acertou seu ombro com violência. A dor atravessou o braço inteiro e fez Sara perder o equilíbrio por um instante. Ela mal teve tempo de se recuperar antes que um terceiro golpe atingisse suas costelas. O ar abandonou seus pulmões e ela caiu sobre um joelho. Um novo golpe atingiu seu abdômen, fazendo-a dobrar-se sobre si mesma, e outro veio logo depois, atingindo suas costas. Sara tentou permanecer de pé, mas os golpes começaram a se acumular rápido demais. Cada impacto fazia seu corpo perder um pouco mais da força que ainda lhe restava. Mesmo assim, quando um dos homens tentou agarrá-la por trás, ela se virou com dificuldade e acertou seu rosto com toda a força que conseguiu reunir. O homem caiu de costas, e Sara permaneceu imóvel por um segundo, respirando com dificuldade, antes de sentir dois braços fecharem-se ao redor dos seus.


Ela se debateu violentamente, tentando se libertar, mas os homens eram numerosos demais. Seus pés deixaram o chão quando eles a ergueram pelos braços.


— ME SOLTEM!


Outro golpe atingiu seu estômago. Sara perdeu o ar imediatamente e sentiu uma dor aguda atravessar as costelas quando uma delas se partiu sob a força do impacto. O gosto metálico do sangue tomou sua boca e, quando tossiu, uma pequena quantidade escorreu por seus lábios. Os homens a arrastaram até o centro da sala enquanto ela ainda tentava se soltar, mas Sara fechou os olhos por um instante e tentou alcançar aquilo que existia dentro dela. Seus dedos começaram a tremer. As sombras espalhadas pelos cantos do cômodo pareceram se contorcer, alongando-se pelo chão como se respondessem ao chamado. Um arrepio percorreu o ambiente e alguns dos homens recuaram instintivamente.


Jeanine sorriu.


— Não deixem que ela recupere força.


Sara abriu os olhos e tentou novamente. Dessa vez, as sombras se ergueram por alguns segundos, envolvendo seus pés e avançando pelo chão, mas seu corpo estava debilitado demais para sustentar o poder. A manifestação vacilou e desapareceu quase imediatamente. Antes que pudesse tentar outra vez, um golpe atingiu sua cabeça com brutalidade. A dor explodiu na lateral do crânio e um corte profundo se abriu próximo à têmpora, fazendo o sangue escorrer pelo rosto. Sara perdeu o equilíbrio e caiu no chão.


Antes que pudesse se levantar, vários homens avançaram sobre ela. Sara ainda tentou lutar. Acertou um com o punho, outro com o joelho e conseguiu afastar um terceiro com uma cotovelada, mas cada movimento parecia arrancar uma parte diferente de sua força. Um dos homens conseguiu agarrá-la e outro acertou uma pancada violenta na lateral de seu corpo. O impacto a lançou para o outro lado do ambiente, fazendo-a bater contra o chão e deslizar por alguns metros sobre o próprio sangue. Sara tentou apoiar as mãos para se levantar, mas seus braços tremiam tanto que quase não conseguiam sustentá-la. Sua visão começou a escurecer nas bordas. Então uma mão fechou-se em seus cabelos e puxou sua cabeça para trás, obrigando-a a ficar de joelhos. Sara cuspiu sangue no chão e ergueu os olhos, ainda desafiadores.


Jeanine aproximou-se sorrindo triunfante e se inclinou diante dela.


— Nós precisamos que você sobreviva. Por enquanto.


Sara respirou com dificuldade, mas não desviou o olhar. Os homens a prenderam novamente às correntes e a ergueram do chão. Seu corpo ficou suspenso, os braços presos acima da cabeça, enquanto o sangue continuava escorrendo pelo rosto e pelo canto da boca. Cada respiração parecia atravessar as costelas quebradas, mas Sara permaneceu consciente. Mesmo ferida, mesmo exausta e praticamente sem forças, manteve os olhos abertos.


Grace a encarou. Sara conseguiu sorrir.


— Não deixa eles quebrarem você.


Grace assentiu.


— Nunca.


Jeanine virou-se para ela.


— Grace.


Grace levantou o rosto. A raiva em seus olhos era completamente diferente da de Sara. Sara lutava para não cair. Grace lutava porque ainda havia alguma coisa dentro dela que se recusava a aceitar aquilo. Havia pessoas que amava do outro lado daquela batalha, havia uma vida que ainda pretendia viver e, acima de tudo, havia a certeza de que não permitiria que aqueles homens simplesmente a levassem sem lutar. Quando os homens avançaram, Grace não esperou que chegassem. Atacou primeiro. O primeiro recebeu um chute violento no joelho e caiu com um grunhido, e Grace avançou imediatamente sobre ele, acertando dois socos rápidos no rosto antes que pudesse se recuperar. Outro homem agarrou seu braço por trás, mas Grace girou o corpo com força, acertou o cotovelo no peito dele e tentou correr. Não conseguiu chegar nem à porta. Um terceiro homem surgiu em seu caminho e Grace acertou seu rosto com o punho fechado. O golpe fez sua mão doer, mas o homem sequer cambaleou. No segundo seguinte, ele agarrou sua cintura e a lançou contra a parede.


As costas de Grace bateram com força contra a pedra, arrancando o ar de seus pulmões. Ela tentou se manter de pé, mas outro golpe atingiu seu abdômen antes que conseguisse recuperar o fôlego. A dor fez seu corpo se dobrar e ela caiu no chão. Por alguns segundos, permaneceu imóvel, tentando respirar. Então apoiou as mãos no chão e se levantou novamente. Mal conseguiu ficar de pé antes de outro golpe atingir seu rosto. Grace caiu outra vez. O gosto de sangue apareceu em sua boca, mas ela cuspiu no chão e tornou a se levantar. Os homens avançaram, esperando que finalmente tivesse entendido que não conseguiria vencer. Grace limpou o sangue do canto dos lábios com o dorso da mão e ergueu o rosto.


— Vocês não vão me levar fácil.


A frase saiu rouca, mas firme. Um dos homens avançou primeiro. Grace se abaixou no último instante e o punho dele passou por cima de sua cabeça. Ela aproveitou a abertura, acertou o joelho dele com força e tentou arrancar a arma que carregava junto ao corpo. Seus dedos quase alcançaram o cabo, mas outro homem surgiu por trás e a atingiu violentamente nas costas. Grace perdeu o equilíbrio e caiu de joelhos. Por um instante, apoiou uma das mãos no chão e respirou fundo, sentindo o corpo inteiro protestar contra o esforço. Então alguma coisa mudou.


Não foi um som.


Não foi uma luz.


Foi uma sensação.


Uma familiaridade profunda, quase instintiva, que atravessou seu corpo como uma corrente fria. Grace sentiu a umidade do ambiente, percebeu a presença da água no ar, nas pedras, no próprio sangue que havia se espalhado pelo chão. Era como se alguma coisa dentro dela tivesse encontrado uma porta e começado a empurrá-la. Pequenas gotas começaram a surgir sobre o piso ao redor de seus joelhos. Primeiro foram poucas. Depois mais algumas. As gotas tremularam sobre a pedra e começaram a se mover lentamente na direção de Grace.


Jeanine percebeu imediatamente.


— Agora!


Os homens avançaram juntos.


Grace ergueu uma das mãos, tentando reunir a água antes que eles chegassem. As gotas começaram a se elevar, formando pequenos fios que giravam ao redor de seus dedos. Ela sentiu o poder crescendo dentro do peito e tentou puxá-lo com mais força, mas um golpe atingiu seu rosto antes que conseguisse concentrar energia suficiente. Sua cabeça virou para o lado e a manifestação desapareceu. Outro homem a atingiu no abdômen, e Grace foi lançada contra uma mesa. A madeira se partiu sob o impacto, fazendo-a cair entre os pedaços quebrados.


Ela tentou se levantar.


Uma mão agarrou seus cabelos e puxou sua cabeça para trás. Grace reagiu imediatamente, levando o braço para trás e acertando o homem no rosto. Ele a soltou por um instante, mas outro golpe atingiu suas costelas. A dor atravessou seu corpo e fez suas pernas vacilarem. Antes que pudesse se recuperar, outro golpe acertou seu ombro e, logo depois, outro atingiu seu rosto. Grace caiu novamente, sentindo o chão duro contra os joelhos e as mãos.


— GRACE!


A voz de Sara atravessou o salão.


Grace levantou os olhos.


Sara continuava presa às correntes, o rosto coberto de sangue, mas os olhos ainda fixos nela.


— Estou bem!


A resposta saiu automaticamente. Mas ela não estava. Seu corpo inteiro doía. Cada respiração parecia exigir mais esforço do que a anterior. Havia sangue escorrendo pelo seu rosto e seu braço tremia quando tentou apoiar-se no chão. Mas Grace não permitiria que eles soubessem disso. Não permitiria que Sara percebesse o quanto estava perto de não conseguir mais se levantar.


Um dos homens a puxou pelo braço. Grace tentou resistir. Outro segurou seu outro lado.


Ela se debateu, girou o corpo e acertou um deles com a cabeça. O homem cambaleou para trás, mas o segundo a atingiu novamente. Grace tentou responder, mas seus movimentos já não tinham a mesma velocidade. O cansaço começava a pesar sobre seus músculos e a dor se espalhava por todo o corpo. Ainda assim, continuou lutando. Acertou um soco, depois outro. Tentou chutar. Tentou se soltar. Tentou alcançar novamente a água que sentia ao redor dela.


Mas os homens não deram tempo.


Um golpe atingiu seu abdômen.


Outro acertou suas costelas.


Grace caiu de lado e tentou se levantar mais uma vez. Uma mão agarrou seu braço e a puxou para cima. Ela reagiu com um último golpe, acertando o rosto do homem que a segurava, mas outro homem atingiu suas costas e suas pernas finalmente cederam.


Grace caiu de joelhos.


Sua respiração estava pesada.


Os cabelos estavam desgrenhados, o rosto machucado e o sangue escorria pelo queixo. Mesmo assim, ela ainda tentou se levantar.


Foi então que os homens finalmente conseguiram dominá-la.


Prenderam seus braços, arrastaram-na até as correntes e a forçaram a ficar de pé enquanto os ferrolhos eram fechados novamente. Grace ainda tentou se debater quando prenderam seus pulsos, mas sua força já estava quase completamente esgotada. Quando finalmente terminaram, seu corpo inteiro tremia.


Ela permaneceu consciente.


Ofegante.


Ferida.


Exausta.


Mas consciente.


Grace ergueu lentamente o rosto e procurou Sara com os olhos. Quando encontrou a amiga ainda pendurada nas correntes, sustentou seu olhar por alguns segundos.


Não precisava dizer nada.


As duas sabiam que ainda estavam ali.


E, naquele momento, permanecer conscientes era a única forma de continuar lutando.


Continuava olhando para Sara.


— Você está bem? — perguntou, respirando com dificuldade.


Sara soltou uma risada sem humor.


— Eu já estive melhor.


Grace sorriu.


Então seus olhos foram para Hailey.


Hailey continuava sentada. Permanecia em silêncio, com o corpo ainda dolorido pelos ferimentos anteriores e a cabeça baixa, enquanto observava discretamente o que acontecia ao redor. Não precisava perguntar o que fariam com ela. Depois de ouvir Jeanine explicar que precisavam do sangue das três ainda vivas e em condições de ser utilizado no ritual, Hailey havia entendido uma coisa que as outras talvez ainda não tivessem percebido completamente: eles precisavam do sangue quente. Precisavam que circulasse pelo corpo, que carregasse a força vital e a energia divina que pretendiam arrancar delas. E isso significava que cada movimento, cada esforço, cada descarga de poder faria seu coração trabalhar mais depressa e seu sangue circular com mais intensidade. Se lutasse, entregaria exatamente aquilo que eles queriam. Se permanecesse imóvel, poderia atrasar o processo. Talvez pouco. Talvez apenas alguns minutos. Mas, naquele momento, alguns minutos eram tudo o que ela podia oferecer. Jeanine percebeu que ela não se levantava e se aproximou lentamente.


— E agora chegamos à última.


Hailey levantou o rosto.


— Não.


Jeanine franziu a testa.


— Não?


— Você não vai conseguir.


Jeanine sorriu.


— Você está quebrada antes mesmo de começarmos.


Hailey não respondeu. Por dentro, porém, sua mente continuava funcionando. Gareth estava morto. A imagem dele caindo no campo de batalha permanecia presa em sua cabeça como uma ferida que se recusava a fechar: o corpo imóvel, o sangue espalhado sobre o chão, a sensação terrível de que o mundo havia desaparecido debaixo de seus pés no instante em que o viu cair. Agora ela estava ali, naquela sala, e não havia Gareth. Não havia Hogwarts. Não havia o futuro que havia imaginado ao lado dele, os dias que ainda pretendiam viver, as discussões sobre casamento, a casa que talvez construíssem, os filhos que um dia poderiam ter. Tudo aquilo havia sido arrancado dela em um único instante. Restava apenas uma dor tão profunda que, por alguns segundos, parecia mais fácil simplesmente deixar que levassem tudo.


Jeanine aproximou-se mais.


— Você quer saber por que deixei você por último?


Hailey não respondeu.


— Porque sabia que você seria a mais difícil.


Hailey ergueu os olhos para ela.


— Você está errada.


Sua voz saiu baixa, rouca, quase irreconhecível.


Jeanine sorriu.


— Está vendo? Ainda existe luta aí dentro.


Hailey desviou os olhos para Sara e Grace. As duas estavam presas às correntes, feridas, exaustas e ainda assim conscientes. Depois voltou a encarar Jeanine.


— Não...


Sua voz saiu quase como um sussurro.


— Não existe mais.


Jeanine fez um gesto.


Os homens avançaram.


Hailey permaneceu imóvel. O primeiro golpe atingiu seu rosto com força suficiente para fazê-la cair de lado. A cabeça bateu contra o chão e, por um instante, sua visão ficou turva. Ela sentiu o gosto de sangue na boca, mas não tentou revidar. Sabia exatamente o que estava fazendo. Jeanine havia explicado o que precisava, e Hailey havia entendido a parte mais importante: o sangue precisava permanecer quente para que o ritual funcionasse. Qualquer esforço físico aceleraria seu coração, aumentaria sua circulação e aqueceria o sangue que corria por suas veias. Se continuasse imóvel, poderia atrasar aquilo. Talvez por minutos. Talvez apenas por alguns instantes. Mas, enquanto seu sangue permanecesse frio, o ritual não poderia avançar como eles queriam.


Então ela ficou no chão.


Grace gritou.


— HAILEY!


Hailey colocou uma mão no chão e começou a se levantar, mas outro golpe atingiu seu rosto antes que conseguisse ficar completamente de pé. Seu corpo girou e ela caiu novamente. Um dos homens agarrou seu braço e a puxou para cima. Hailey não atacou; deixou o próprio corpo pesar contra ele. O homem pareceu interpretar aquilo como fraqueza e acertou seu abdômen com força. O ar desapareceu de seus pulmões e ela caiu de joelhos.


Permaneceu assim por alguns segundos, respirando devagar. Outro golpe atingiu suas costas. Hailey caiu para a frente e apoiou as mãos no chão. Não lutou. Outro homem agarrou seus cabelos e puxou sua cabeça para trás. A dor percorreu seu couro cabeludo, mas ela continuou imóvel. O homem a soltou apenas para acertar seu rosto novamente. O impacto abriu ainda mais o corte que já existia em sua pele, e o sangue escorreu pelo canto de sua boca.


Hailey fechou os olhos.


Pensou em Gareth.


Viu o sorriso dele. Ouviu sua voz. Sentiu a lembrança das mãos dele segurando as suas. E então viu novamente o campo de batalha, o corpo caído, o sangue, a ausência de movimento.


Ela abriu os olhos.


— Hailey, olha para mim!


A voz de Grace atravessou a sala.


Hailey levantou lentamente o rosto. Grace estava pendurada nas correntes, o rosto machucado, o peito subindo e descendo com dificuldade, mas os olhos ainda estavam fixos nela.


— Você não pode desistir agora — Grace disse.


Hailey respirou com dificuldade.


Sara ergueu a cabeça e sustentou o olhar de Hailey apesar da dor.


— Luta, Hailey. Mesmo que seja só por nós.


Por alguns segundos, Hailey não respondeu. Aquelas palavras atingiram alguma coisa dentro dela, mas não trouxeram esperança. Não fizeram a dor desaparecer. Não fizeram Gareth voltar. Trouxeram raiva. Uma raiva pequena, sufocada durante todo aquele tempo, mas ainda viva.


Hailey olhou para os homens ao redor. Depois para Jeanine. E compreendeu que havia chegado ao limite. Ela já havia permanecido imóvel por tempo suficiente. Já havia suportado golpes que poderiam ter derrubado alguém muito antes. Seu corpo estava destruído, sua respiração irregular, sua visão turva e o sangue escorria pelo rosto. Mesmo assim, eles continuavam ali. Continuariam até arrancarem dela exatamente aquilo que queriam: seu sangue. Quente ou frio. Vivo ou morto. Não faria diferença. Eles iriam matá-la de qualquer maneira.


Hailey respirou fundo.


Se iria morrer, então morreria lutando.


O homem mais próximo avançou. Dessa vez, Hailey se moveu. Ela desviou do golpe por pouco e acertou o rosto dele com o punho. O impacto fez o homem cambalear. Antes que ele pudesse recuperar o equilíbrio, Hailey agarrou sua roupa e o puxou para perto, acertando o joelho em seu abdômen. Ele perdeu o ar e caiu de joelhos. Outro homem tentou agarrá-la por trás, mas Hailey girou o corpo e acertou seu cotovelo no rosto. O homem recuou, levando as mãos ao nariz.


Um terceiro veio pela lateral. Hailey tentou desviar, mas o golpe atingiu suas costelas. Ela cambaleou. Outro golpe atingiu seu abdômen. Hailey dobrou o corpo, sentindo uma dor brutal atravessar seu ventre, mas permaneceu de pé. Quando o homem tentou acertá-la novamente, ela agarrou seu braço e o torceu com violência, usando o próprio movimento dele para jogá-lo contra uma mesa. A madeira se partiu quando o homem caiu sobre ela.


Hailey respirava pesadamente. O peito subia e descia rápido demais. E ela percebeu. O sangue estava começando a aquecer. Era inevitável. Ela havia passado tempo demais sendo golpeada. Agora estava lutando. Seu coração acelerava, a adrenalina corria por seu corpo e sua energia divina começava a despertar.


Jeanine percebeu também.


— Agora sim.


Hailey ergueu o rosto.


— Venham.


Os homens avançaram juntos. Hailey recebeu o primeiro com um soco no rosto. O segundo acertou seu ombro, fazendo seu braço inteiro formigar, mas ela respondeu com uma cotovelada no maxilar. Um terceiro tentou agarrá-la pela cintura e Hailey acertou a cabeça contra o rosto dele. O homem cambaleou. Ela girou e o derrubou com um chute.


Outro golpe atingiu suas costas. Hailey caiu contra uma parede. O homem avançou para terminar o ataque, mas Hailey ergueu a mão.


Uma faísca surgiu entre seus dedos.


O homem parou.


Outra faísca apareceu, depois outra. Pequenos arcos elétricos começaram a percorrer sua pele. Hailey respirou fundo. A eletricidade cresceu. Seus dedos tremiam, não apenas pela dor, mas pela energia que começava a atravessar seu corpo. O ar ao redor dela pareceu mudar. Um cheiro metálico tomou o ambiente e os cabelos de Hailey começaram a se mover levemente, como se uma tempestade estivesse se formando dentro daquela sala.


Jeanine sorriu.


— Finalmente.


Hailey ergueu os olhos. O castanho havia desaparecido completamente. Seus olhos agora brilhavam em um cinza elétrico intenso. Relâmpagos pequenos dançaram entre seus dedos.


— Venham.


Os homens avançaram.


Hailey abriu a mão.


A descarga explodiu.


Um relâmpago atravessou o primeiro homem e o lançou contra a parede. O impacto fez seu corpo cair pesadamente no chão. O segundo tentou recuar, mas uma descarga percorreu o piso e atingiu suas pernas, fazendo-o cair de joelhos. O terceiro conseguiu alcançar Hailey e a atingiu no rosto.


Ela cambaleou.


Mas não caiu.


A eletricidade explodiu novamente.


O homem foi arremessado para trás.


Hailey gritou.


Não de medo.


De dor.


De raiva.


De tudo que havia perdido.


A energia saiu de seu corpo em uma onda violenta, atravessando o chão, subindo pelas paredes e iluminando o salão por alguns segundos. As correntes estremeceram. As velas próximas se apagaram. Os homens recuaram enquanto pequenos relâmpagos continuavam percorrendo os braços de Hailey.


Ela mal conseguia permanecer de pé.


Mas continuava.


Um homem tentou avançar. Hailey ergueu a mão. Uma descarga o atingiu no peito e o derrubou. Outro veio pelo lado. Ela o acertou com o punho. O homem caiu.


Hailey deu um passo.


Depois outro.


Cada movimento parecia exigir uma quantidade absurda de força. Seus pulmões queimavam. As pernas tremiam. O sangue agora corria quente por suas veias, acelerado pela luta, pela adrenalina e pelo poder de Zeus que havia despertado completamente.


Ela sabia o que aquilo significava.


Sua estratégia havia terminado.


Seu sangue estava quente.


E não havia mais como voltar atrás.


Mas, naquele momento, ela já não se importava.


Se morreria de qualquer maneira, não morreria ajoelhada.


Hailey avançou novamente. O último homem que ainda conseguia ficar de pé tentou agarrá-la. Ela desviou e acertou seu rosto. Ele respondeu com um golpe no abdômen. Hailey perdeu o ar, mas agarrou a camisa dele e o puxou para perto.


— Eu já perdi tudo. — sua voz saiu baixa, quase irreconhecível — Não tenho mais medo de você.


Ela o atingiu com uma descarga elétrica.


O homem foi desintegrado.


Hailey ficou parada no centro do salão, respirando com dificuldade, os olhos ainda cinza, a eletricidade percorrendo seus braços. Por alguns segundos, ninguém se moveu.


Então suas pernas falharam.


Hailey caiu.


O poder desapareceu.


Seus olhos voltaram lentamente ao castanho enquanto ela tentava respirar. Seu corpo inteiro tremia e a visão escurecia nas bordas.


Jeanine aproximou-se sem pressa.


— É suficiente.


Os homens restantes avançaram.


Hailey tentou levantar. Um deles segurou seu braço. Ela tentou acertá-lo. Outro segurou seu outro braço. Hailey ainda se debateu, chutou, tentou se soltar, mas seu corpo já não respondia com a mesma força. Depois de tudo que havia suportado, finalmente estava no limite.


Os homens a arrastaram até as correntes. Prenderam seus pulsos. Hailey ainda tentou resistir quando fecharam os ferrolhos, mas os braços tremiam demais. Sua cabeça caiu para frente.


Jeanine aproximou-se.


— Você poderia ter continuado quieta.


Hailey ergueu os olhos lentamente.


— Eu sei.


— E então seu sangue teria permanecido frio.


Hailey não respondeu. Jeanine sorriu.


— Mas você decidiu lutar. Podia só ter se ajoelhado e feito um truque com os raios.


Hailey respirou fundo, sentindo o próprio sangue ainda quente percorrer suas veias.


— Eu só me ajoelho por vontade própria diante de Deus... e eu não to vendo Ele aqui...


Jeanine observou-a por alguns segundos. Então se afastou.


As três permaneceram penduradas diante dela. Sara estava ferida e furiosa. Grace estava exausta, mas consciente. Hailey mal conseguia manter os olhos abertos, o rosto marcado pelos golpes, o corpo destruído pelo esforço e pela manifestação do poder de Zeus.


E, pela primeira vez desde que havia sido capturada, Hailey sabia que sua estratégia havia falhado. Ela havia comprado tempo para Sara e Grace. Mas não tempo suficiente.


Jeanine caminhou até uma grande banheira de mármore instalada no centro do salão. Dentro dela havia símbolos antigos, recipientes com ervas, ossos e objetos ritualísticos. Ela observou o conteúdo por alguns instantes antes de voltar-se para as três.


— Está na hora.


As correntes foram baixadas. Os homens carregaram as três até a banheira. Nenhuma delas tinha forças para lutar como antes, mas ainda estavam conscientes. Ainda respiravam. Ainda estavam vivas. E era exatamente isso que os inimigos precisavam.


Jeanine posicionou-se diante delas.


— Vocês queriam saber porque a guerra aconteceu. — ela olhou para a lâmina afiada que usaria no ritual — Agora sabem.


Sara levantou os olhos. Grace fez o mesmo. Hailey permaneceu imóvel.


Jeanine sorriu.


— E agora vocês vão nos dar exatamente aquilo que precisamos.


As três foram posicionadas diante da banheira com o pescoço para dentro. Jeanine jogou algumas ervas e alguns ossos dentro dela. Os homens que as seguravam receberam a ordem silenciosa e, em seguida, cortaram suas jugulares.


O sangue que saía de seus corpos começou a encher a banheira rapidamente.


Sara sentiu o frio primeiro. Grace fechou os olhos, sentindo o próprio corpo perder força. Hailey respirou uma última vez, ainda pensando em Gareth.


As três sentiram a morte chegando.


A última coisa que viram foi uma menina diante da banheira, pronunciando palavras em latim. A última coisa que ouviram foi sua voz ecoando pelo salão.


Então um clarão tomou conta do ambiente.


E as três mergulharam na morte.