Last Battle

23 Meu pai veio me visitar - parte 2


O ar pareceu desaparecer de seus pulmões.

Uma garota a encarava do outro lado da fotografia.

Tinha cabelos ruivos acobreados, longos e levemente ondulados, exatamente como Hades havia descrito. Os olhos verde-acinzentados que pareciam vivos mesmo através da imagem antiga, e a pele clara destacava os traços delicados do rosto. Ela usava o uniforme da Corvinal, com os cabelos caindo sobre os ombros, e tinha aproximadamente a mesma idade que Sara.

A fotografia se mexeu levemente no anuário. Amelia sorria elegantemente.

Não era uma fotografia antiga qualquer. Era a imagem de uma garota que poderia ter sido sua colega de dormitório, alguém que poderia ter caminhado pelos mesmos corredores, reclamado das aulas e rido de alguma coisa idiota durante o café da manhã.

Só que aquela garota era sua mãe.

Abaixo da foto estava escrito:

VANYE, AMÉLIA — CORVINAL.

Sara levou o livro para mais perto do rosto, como se precisasse confirmar que era real. Os olhos começaram a arder e, dessa vez, ela não conseguiu impedir as lágrimas.

— Mãe...

A palavra saiu quase sem voz.

Ela passou o polegar cuidadosamente pela fotografia, tocando o rosto de Amelia sem conseguir acreditar que finalmente tinha uma imagem dela.

Durante dezessete anos, sua mãe havia sido uma ausência, um nome que nem sequer conhecia. Agora tinha um rosto. Um sorriso. Uma idade. Uma lembrança que podia segurar nas mãos.

Sara apertou o livro contra o peito e fechou os olhos. As lágrimas escorreram silenciosamente pelo rosto.

Ninguém na biblioteca falou nada.

As meninas também estavam emocionadas, e os meninos permaneceram quietos. Apenas Draco se mexeu. Ele se aproximou dela sem dizer nada e passou os braços ao redor de seu corpo. Sara ergueu o rosto vermelho e encontrou os olhos dele.

— Ei...

Ela respirou fundo. Draco estendeu a mão para o anuário.

— Me empresta?

Sara entregou o livro. Draco sacudiu a varinha sobre a fotografia de Amelia e, no instante seguinte, uma cópia daquela foto surgiu.

Ele a entregou para Sara. Ela não disse nada. Apenas pegou a fotografia e abraçou o namorado com força.

Draco a envolveu imediatamente, mantendo-a junto ao peito enquanto Sara escondia o rosto contra ele. Para ele, aquele pedaço de papel não era apenas uma fotografia. Era a primeira coisa concreta que Sara possuía da mãe, algo que ela poderia guardar quando o resto da história ainda estivesse cheio de perguntas. Draco sabia que não podia devolver a Sara os dezessete anos que ela havia passado sem Amelia, nem responder tudo o que ela ainda queria saber. Mas podia pelo menos garantir que aquela lembrança fosse dela.

Depois de alguns segundos, Sara conseguiu se recompor.

Quando se virou, viu que Hailey estava novamente com o anuário nas mãos, mas agora encarava outra página com certa melancolia.

Grace estava de pé atrás dela, junto de Tobias.

— O que foi? — perguntou Sara.

Hailey virou o anuário para a amiga.

Era uma foto de três meninas.

A menina do lado esquerdo tinha cabelos cacheados e olhos castanhos e usava o uniforme da Lufa-Lufa. Ela sorria largamente, como se alguém tivesse dito algo muito engraçado antes de a foto ser tirada.

A menina do meio era loira, de olhos verdes e algumas sardas no rosto. Usava o uniforme da Grifinória, e sua postura era imponente. Ela também ria com gosto. Do lado direito estava uma menina ruiva, de olhos verde-acinzentados, usando o uniforme da Corvinal. Ela tinha um sorriso doce.

Abaixo da foto estavam os nomes das garotas:

BLACKTHORN, EVELYN; CIPRIANO, LUCY; VANYE, AMELIA.

LUFA-LUFA, GRIFINÓRIA, CORVINAL.

Hailey permaneceu olhando para a fotografia por alguns segundos. Dessa vez, não havia apenas surpresa em seu rosto. Havia reconhecimento. Ela conhecia aqueles sorrisos. Conhecia aquelas garotas. Conhecia aquela história de amizade por ter ouvido sua mãe falar dela durante anos. Já tinha visto aquelas fotos várias vezes. Hailey se aproximou um pouco mais.

— Então eram elas...

Grace assentiu.

— Nossas mães eram amigas. As três.

Sara olhou para a fotografia novamente.

— E elas estavam em casas diferentes.

— Lufa-Lufa, Grifinória e Corvinal — respondeu Hailey. — Mesmo assim, eram amigas. Não precisavam estar na mesma casa para continuarem juntas.

Grace passou os olhos pela imagem de Evelyn. Depois olhou para Lucy. Por fim, para Amelia.

Havia alguma coisa estranha naquilo tudo. As três garotas tinham vivido suas próprias histórias, tomado decisões completamente diferentes e seguido caminhos que acabaram separando suas vidas.

E, ainda assim, naquela fotografia, estavam lado a lado.

Sara segurou a cópia da fotografia de Amelia junto ao peito.

— É estranho pensar que elas estavam aqui juntas antes da gente.

Grace assentiu.

— E que nós estamos fazendo quase a mesma coisa agora.

Hailey olhou para as duas.

As três mães tinham sido amigas.

As três filhas estavam ali.

Juntas.

A ligação parecia mais forte agora que conheciam os rostos e as histórias por trás daqueles nomes.

Hailey passou o dedo pela borda da fotografia.

— Minha mãe sempre falou delas com muito carinho. Uma pena que Amelia morreu e Evelyn foi embora...

Durante alguns segundos, ninguém pareceu saber o que dizer.

Era estranho pensar que aquelas três garotas haviam vivido em Hogwarts décadas antes deles. Tinham estudado nas mesmas salas, caminhado pelos mesmos corredores e compartilhado uma amizade que atravessara o tempo, mesmo quando suas vidas tomaram caminhos completamente diferentes.

E agora suas filhas estavam ali.

Juntas.

Hailey respirou fundo.

— Quem diria que um dia... as filhas dessas grandes amigas seriam primas de sangue e estariam juntas, prontas pra lutar em uma guerra...

Sara olhou novamente para a fotografia. A ideia parecia grande demais para ser compreendida de uma vez.

Três meninas.

Três histórias.

Três famílias que haviam seguido caminhos diferentes.

E agora, de alguma maneira, tudo havia voltado a se encontrar. Então Sara se lembrou de mais um detalhe.

— Hailey... o que é feitiço Fidelius?

A pergunta fez Hailey ficar séria imediatamente. Ela fechou o anuário devagar e o deixou sobre a mesa.

— É um feitiço de proteção. Um dos mais complexos da magia.

Sara franziu a testa.

— Proteção como?

Hailey pensou em como colocar tudo o que sabia de uma forma que ficasse mais fácil de todos entenderem antes de responder.

— O Fidelius não simplesmente esconde uma pessoa ou uma casa. Ele esconde um segredo dentro da alma de uma pessoa viva. Essa pessoa recebe o nome de Fiel do Segredo. Enquanto ela não revelar aquilo voluntariamente, ninguém consegue descobrir o segredo por conta própria.

Gareth observava Hailey enquanto ela explicava. Havia uma expressão diferente em seu rosto, quase imperceptível, que aparecia sempre que ela começava a falar sobre algo que realmente dominava. Ele amava aquilo nela. Não era apenas a inteligência de Hailey, mas a forma como ela ficava quando podia colocá-la em prática: os olhos brilhando, a fala ganhando ritmo, as mãos acompanhando o raciocínio e aquela segurança natural de quem conhecia profundamente o assunto. Gareth poderia ficar ouvindo-a explicar coisas por horas. Amava aquela versão dela, concentrada, curiosa e completamente envolvida pelo próprio conhecimento.

Grace inclinou-se sobre a mesa.

— Então, se alguém procurasse a pessoa no lugar que está escondido...

— Poderia estar em frente ao local e ainda assim não encontrá-lo — explicou Hailey. — O segredo fica protegido magicamente. Não importa se a pessoa procura, pergunta ou tenta descobrir de outras formas. Ela não consegue simplesmente chegar à informação.

Sara ficou olhando para ela.

— E como os Potter usaram isso? Meu pai os mencionou e disse que você saberia explicar

Hailey respirou fundo antes de continuar.

— Eles estavam sendo perseguidos porque Voldemort queria matar Harry e usaram o feitiço para se proteger. O problema, é que eles cometeram o erro principal. A escolha do Fiel

Gareth se inclinou um pouco para frente.

— E quem era o Fiel do Segredo deles?

Hailey fez uma pequena pausa.

— Pedro Pettigrew.

O nome pareceu pesar sobre a mesa.

— Originalmente, Sirius Black seria o Fiel — continuou Hailey. — Mas ele convenceu Tiago e Lílian a escolherem Pedro. A ideia era que Voldemort jamais suspeitaria que alguém como Pedro pudesse ter recebido um segredo tão importante. E ele traiu os Potter.

Todos, tirando Draco, prenderam a respiração.

— Ele revelou voluntariamente o segredo para Voldemort. E foi isso que permitiu que Voldemort encontrasse a família.

Sara ficou em silêncio por alguns segundos.

— Então... quando o Fiel revela o segredo, o que acontece?

— A pessoa para quem ele contou passa a ter acesso àquilo que estava escondido. É justamente por isso que o Fiel do Segredo precisa ser alguém em quem se confie completamente. O segredo não pode ser arrancado dele à força. Ele precisa escolher revelá-lo.

— Nem com magia?

— Não da maneira comum. O encanto depende da vontade do Fiel. É uma das razões pelas quais ser escolhido para guardar um segredo desses é uma responsabilidade tão grande.

Tobias apoiou os braços sobre a mesa.

— E se o Fiel morrer?

Hailey hesitou apenas um instante.

— Aí as coisas ficam mais complicadas. No caso de um segredo que foi compartilhado com outras pessoas, aqueles que já receberam a informação passam a poder agir como novos Fiéis do Segredo. Foi o que aconteceu com o segredo da sede da Ordem da Fênix depois da morte de Dumbledore.

Grace permaneceu em silêncio por alguns segundos, mas então pareceu perceber uma coisa.

— Por que minha mãe não usou o feitiço Fidelius sobre mim?

Hailey virou o rosto para ela.

Grace parecia realmente estar tentando encontrar uma lógica para aquilo. Não havia acusação em sua pergunta, apenas a necessidade de entender por que Evelyn havia escolhido uma forma diferente de desaparecer.

Hailey pensou por alguns segundos antes de responder.

— Pelo que eu sei, a família Blackthorn odiava sua mãe. Então ninguém queria ela por perto. Queriam mais que ela fosse embora. Tanto é que disseram durante todos esses anos para a sociedade que sua filha tinha morrido antes deles mesmos morrerem. Mas, pra garantir que ninguém a achasse nunca, ela trocou de nome.

Grace ficou olhando para ela tentando entender como a amiga conseguia guardar tanta informação na cabeça. Hailey continuou, tentando organizar o raciocínio.

— Bom, estou seguindo a lógica. Não tinha ninguém que quisesse encontrá-la. Então ela não precisava lançar um feitiço desses... uma vez que ela não estava mais nem no país. Já Amélia tinha a família viva. Os Vanye, apesar de não serem da Sonserina, não eram dos mais simpáticos.

Grace baixou os olhos para a mesa. Hailey continuou o raciocínio.

— Evelyn queria se desvencilhar de uma família que queria que ela sumisse. Amelia precisava esconder a própria filha de qualquer pessoa que pudesse querer encontrá-la. Eu a entendo. Os Vanye eram pessoas difíceis.

Sara segurou a fotografia de Amelia com mais força. Grace continuou olhando para Hailey.

— Minha mãe simplesmente deixou que acreditassem que ela tinha morrido.

— E isso já afastava qualquer pessoa que pudesse tentar procurá-la — explicou Hailey. — Se todo mundo acreditava que ela estava morta, não havia o mesmo motivo para criar um segredo mágico tão complexo como Amelia tinha. A Evelyn saiu do país e trocou de nome. Ninguém ia achá-la nunca.

Grace respirou lentamente.

— Faz sentido – ela voltou os olhos para a fotografia de Evelyn sobre a mesa — Talvez ela só quisesse desaparecer o suficiente para poder viver.

Hailey observou a amiga.

— E pelo que sabemos, ela conseguiu.

Grace ficou alguns segundos em silêncio.

A diferença entre as duas histórias parecia pequena quando colocada em poucas palavras, mas era enorme quando pensada de verdade. Evelyn havia precisado desaparecer de uma família que a rejeitava. Amelia havia precisado esconder a própria filha porque ainda existia uma família e um mundo que poderiam colocar aquela criança em perigo.

Sara passou o polegar pela fotografia.

— Minha mãe não queria que ninguém me encontrasse.

— Não — respondeu Hailey. — Ela queria que você pudesse viver sem ser encontrada por quem pudesse machucar você. Mas ela morreu antes de criar você, mas conseguiu te manter segura junto com Hades.

Sara engoliu em seco. Foi então que uma nova compreensão pareceu atingi-la.

— Então Hades não era só alguém que sabia onde eu estava.

Hailey franziu a testa.

Sara ergueu os olhos.

— Ele era o Fiel do Segredo. Ele me disse mas agora faz muito mais sentido com essa explicação sobre o feitiço.

A voz dela estava diferente. Mais pesada.

— Durante dezessete anos, ele sabia exatamente onde eu estava e ninguém podia simplesmente descobrir. Ele carregou esse segredo todo esse tempo.

Draco segurou a mão dela. Sara olhou para ele, mas voltou rapidamente para Hailey.

— Então, se alguém tivesse perguntado sobre mim, ele não poderia simplesmente contar?

— Não sem escolher fazer isso — explicou Hailey. — Essa é justamente a parte mais importante. Se Hades era realmente o Fiel do Segredo, ele não estava apenas guardando uma informação. Ele estava guardando magicamente a sua existência e a sua localização.

Sara respirou fundo. A emoção voltou com força. Ela balançou a cabeça, os olhos novamente marejados.

— Eu sei que ele estava tentando me proteger. Eu sei. Mas é difícil pensar que meu pai carregou essa verdade por dezessete anos enquanto eu crescia sem nem saber o rosto da minha mãe.

Hailey se aproximou dela.

— Eu acho que é justamente por isso que Hades falou tanto sobre Amelia hoje. Ele queria que você entendesse que esconder você não significava que ele tinha esquecido de você.

Sara respirou fundo, olhando novamente para a fotografia e fechou os olhos por um instante. Quando os abriu novamente, ainda havia tristeza neles, mas agora também havia uma compreensão diferente.

As histórias começavam a se encaixar.

Evelyn havia mudado de nome porque não queria que ninguém mudasse de ideia e tentasse encontrá-la. Amelia havia usado o Fidelius porque alguém poderia querer encontrar Sara.

Uma havia apagado a própria identidade. A outra havia transformado a existência da filha em segredo.

Duas mães. Duas formas de proteger suas filhas. Duas histórias que, de maneiras diferentes, haviam chegado até aquelas seis pessoas sentadas naquela biblioteca.

Sara fungou baixinho e olhou para a fotografia que Draco havia feito para ela. Amelia sorria do papel. Uma garota de dezessete anos. Sua mãe.

Todos permaneceram em silêncio por alguns instantes.

Dessa vez, porém, havia também uma espécie de entendimento doloroso. Durante toda a vida, ela havia enxergado a ausência da mãe como um vazio. Agora começava a perceber que, por trás daquele vazio, existira uma escolha deliberada de proteção. Amelia havia morrido jovem. Hades havia permanecido distante. E Sara havia crescido sem saber por quê. Agora ela começava a entender que, pelo menos em parte, o silêncio tinha sido uma tentativa de mantê-la segura.

Ela baixou os olhos para a fotografia.

— Eu ainda tenho raiva deles.

Draco passou o polegar sobre a mão dela.

— Você tem todo o direito de ter.

Sara respirou fundo.

— Mas acho que também consigo entender por que fizeram isso.

Draco permaneceu ao lado dela, sem tentar apagar a raiva ou convencê-la a perdoar ninguém. Ele conhecia Sara o suficiente para saber que ela não precisava que alguém decidisse por ela o que deveria sentir. Só precisava saber que não estaria sozinha enquanto descobria como lidar com aquilo. Draco passou um braço pelos ombros de Sara.

— A gente vai descobrir o resto.

Sara olhou para ele e sorriu.

Grace aproximou-se de Tobias que a acolheu em um abraço reconfortante. Draco continuava abraçando Sara. Gareth havia puxado Hailey para seu colo. Por alguns segundos, os seis permaneceram em silêncio.

A tensão que havia acompanhado todas aquelas revelações parecia finalmente diminuir. Grace fechou o anuário e passou a mão sobre a capa, guardando com cuidado a fotografia de Evelyn dentro dele. Sara colocou a fotografia de Amelia junto ao peito antes de guardá-la no bolso. Hailey olhou para as duas amigas e soltou um pequeno sorriso.

— Bom... pelo menos agora sabemos um pouco mais do que sabíamos quando entramos aqui.

Sara sorriu de volta.

— E, considerando a quantidade de coisas absurdas que descobrimos hoje, eu acho que já foi informação suficiente para uma manhã.

Grace soltou uma risada.

— Pela primeira vez desde que acordei, eu concordo com você.

Tobias sorriu.

— Talvez a gente consiga passar algumas horas sem descobrir que as famílias escondem mais alguma coisa.

Gareth olhou para Hailey.

— Eu não apostaria nisso. O cerébro dela não sossega

Hailey deu uma risada antes de voltar sua atenção para o anuário.

A biblioteca havia voltado a ficar silenciosa depois da longa conversa. O anuário permanecia aberto sobre a mesa, as fotografias das três mães ainda visíveis entre as páginas antigas, enquanto os seis continuavam próximos, absorvendo tudo o que haviam descoberto naquela tarde. Sara ainda segurava a cópia mágica da fotografia de Amelia, protegendo-a cuidadosamente entre os dedos. Grace mantinha a mão sobre a página onde aparecia Evelyn Blackthorn, o olhar demorando-se sobre aquele rosto jovem que, de alguma forma, revelava uma parte da mãe que ela nunca havia conhecido. Hailey observava a fotografia das três amigas com uma expressão que misturava carinho, surpresa e incredulidade. Gareth estava ao lado dela, Tobias permanecia próximo de Grace e Draco não havia se afastado de Sara.

Por alguns instantes, ninguém disse nada. Depois de tantas revelações, era quase estranho perceber como a biblioteca ainda parecia capaz de oferecer alguma sensação de normalidade.

Foi então que um estrondo atravessou o castelo.