Last Battle
18 Até parece que isso me ofende
Grace acordou cedo naquela manhã, embora não tão cedo quanto sabia que Hailey e Sara provavelmente teriam acordado. Ela nunca tinha entendido a necessidade de transformar o horário de despertar em uma competição e, se pudesse escolher entre acordar antes do sol ou aproveitar alguns minutos extras de sono, não tinha vergonha nenhuma de admitir que escolheria a segunda opção. Ainda assim, havia uma coisa que fazia questão de fazer todas as manhãs: encontrar a água. No Acampamento Meio-Sangue, aquilo costumava significar o mar. Em Hogwarts, significava o Lago Negro.
Ansiosa para desbravar as profundezas daquele espelho negro, Grace vestiu uma roupa de ginástica, calçou os chinelos e saiu do dormitório da Lufa-Lufa. Apesar de ter ficado confusa com a escolha do Chapéu Seletor, os lufanos haviam sido extremamente calorosos com ela, e Grace acabara se afeiçoando à casa com uma facilidade que a surpreendera. Atravessou o castelo e seguiu até os jardins ainda tranquilos, chegando à margem sem pressa. O lago parecia imóvel naquela hora, uma extensão escura e misteriosa sob a luz suave da manhã. Para qualquer outro aluno, provavelmente seria frio, profundo e pouco convidativo. Para Grace, era quase um chamado. Tirou os chinelos, deixou-os na margem e entrou na água sem hesitar.
O frio durou apenas o primeiro instante. Assim que mergulhou, o mundo mudou. A água, que para quem observava de fora parecia escura e turva, tornou-se completamente clara aos olhos de Grace. Ela enxergava a vegetação submersa, os cardumes se movimentando entre as plantas e as construções da comunidade dos sereianos muito mais abaixo. Conseguia respirar naturalmente, como se ainda estivesse acima da superfície, e nadava com uma facilidade que faria qualquer outro ser humano parecer desajeitado. Havia algo profundamente familiar naquela sensação. A água não era apenas um elemento que ela controlava. Era o lugar onde uma parte dela conseguia respirar melhor.
Não demorou para que os primeiros Grindylows aparecessem. As criaturas se aproximaram, mas não houve o comportamento agressivo que normalmente se esperaria delas. Pararam a certa distância, observando Grace com curiosidade. Um deles chegou a se afastar para abrir passagem quando ela nadou em sua direção.
— Podem ficar tranquilos — Grace murmurou, embora soubesse perfeitamente que eles não precisavam de tranquilização.
Mais adiante, alguns sereianos saíram de suas construções. Ao perceberem quem estava diante deles, baixaram as lanças e inclinaram a cabeça em uma reverência silenciosa. Grace ergueu uma sobrancelha.
— Sério? — perguntou, apontando para si mesma. — Se vocês começarem a me chamar de majestade, eu vou embora.
Os sereianos permaneceram em silêncio, mas um deles fez uma nova reverência.
Grace soltou uma gargalhada.
— Ótimo. Estamos entendidos.
A presença dela não provocava medo ali. Havia reconhecimento. O sangue de Poseidon corria por suas veias, e aquelas criaturas pareciam senti-lo com a mesma clareza com que Grace sentia a água ao redor do próprio corpo. Então uma sombra enorme surgiu atrás dela.
Grace virou-se e encontrou a lula-gigante aproximando-se lentamente. Um dos enormes tentáculos passou ao seu lado, sem qualquer sinal de agressividade, e tocou de leve sua mão.
— Você também? — Grace perguntou, divertida. — Isso está ficando constrangedor.
A lula pareceu ignorar completamente a reclamação.
Grace nadou por mais algum tempo antes de decidir voltar. Quando rompeu a superfície, a água escorreu por seu rosto e pelos cabelos por apenas alguns segundos. Então, como se obedecesse a uma ordem silenciosa, desapareceu de sua pele e de suas roupas. Grace olhou para si mesma e sorriu.
— Ainda funciona.
— Convencida.
A voz familiar fez seu sorriso aumentar antes mesmo de ela se virar. Tobias estava sentado na margem, os braços apoiados nos joelhos, observando-a com aquela expressão que Grace conhecia bem demais. Havia diversão nos olhos dele, mas também uma admiração silenciosa que ela reconheceria em qualquer lugar. Ele estava acostumado a vê-la lutar, controlar seus poderes e desafiar qualquer coisa que aparecesse em seu caminho, mas havia algo diferente em observá-la dentro da água. Ali, Grace parecia completamente livre.
Ela caminhou até ele.
— Há quanto tempo está aqui?
— Quinze minutos.
— Só?
— Pensei em esperar mais meia hora antes de entrar nesse lago pra te procurar.
Grace abriu um sorriso e parou diante dele.
— Você me conhece bem.
— Claro. Você é minha garota. É meu dever.
A resposta veio tão naturalmente que alguma coisa quente se espalhou pelo peito dela. Grace agarrou a gola da camisa dele e o puxou para perto antes que pudesse continuar. O beijo veio rápido, espontâneo, mas não terminou depressa. Tobias segurou sua cintura imediatamente, trazendo-a contra si com cuidado, como se aquele gesto fosse tão natural quanto respirar. Grace sentiu o corpo dele responder à proximidade e sorriu contra seus lábios, reconhecendo aquela mistura deliciosa de saudade e desejo que existia entre os dois depois de uma noite separados.
Quando se afastaram apenas o suficiente para respirar, Tobias manteve uma das mãos em sua cintura. Seus olhos percorreram o rosto dela, demorando-se por um instante nos cabelos antes de voltarem aos olhos.
— Sentiu minha falta?
Ele soltou uma pequena risada, mas a sinceridade apareceu antes da brincadeira.
— Você ficou uma eternidade dentro de um lago. E eu fui obrigado a passar a noite longe de você. Então, sim. Mais do que gostaria de admitir.
Grace passou os dedos pela nuca dele.
— Coitado.
— Não faz essa cara. Você sabe exatamente o que faz comigo.
Ela arqueou uma sobrancelha, divertindo-se.
— Sei?
Tobias aproximou o rosto do dela novamente, mas parou antes de beijá-la.
— Sabe muito bem.
O sorriso de Grace ficou mais largo.
— Talvez eu goste de testar.
— Eu percebi.
Ele roçou o nariz no dela antes de acrescentar, em um tom baixo e cheio de provocação:
— Mas hoje à noite a gente pode matar essa saudade decentemente.
Grace arregalou os olhos por um instante e depois soltou uma risada, empurrando de leve o peito dele.
— Tobias!
— O quê? Estou apenas fazendo uma sugestão.
— Mas nós somos de casas diferentes. Estamos em dormitórios diferentes.
Ele deu de ombros, completamente tranquilo.
— Tenho certeza de que a Hailey ou o Draco conhecem um lugar ideal.
Grace ficou olhando para ele por alguns segundos, tentando decidir se deveria repreendê-lo ou rir. Acabou fazendo os dois, escondendo o rosto por um instante no ombro dele.
— Você não presta.
Tobias passou os braços ao redor dela e beijou sua têmpora.
— Mas você me ama.
Grace ergueu o rosto.
— Infelizmente, muito.
— Então estamos quites.
Ela o beijou novamente, dessa vez mais devagar. Tobias correspondeu sem pressa, uma das mãos subindo pelas costas dela enquanto a outra permanecia firme em sua cintura. Havia desejo no beijo, mas também havia algo mais profundo: a familiaridade de dois apaixonados que conheciam o corpo, os limites e as reações um do outro e, justamente por isso, não precisavam ter pressa. Quando se separaram, Tobias passou os dedos delicadamente por uma mecha dos cabelos dela, afastando-a do rosto.
— Você está linda.
Grace piscou, pega de surpresa pela sinceridade.
— Eu acabei de sair de acordar... to com a cara amassada.
— Eu sei.
Ela riu baixinho, mas seu olhar suavizou. Era fácil brincar com Tobias. Mais difícil era esconder o quanto aquelas pequenas declarações a atingiam.
— Você é perigosamente bom nisso.
— Em quê?
— Em me fazer esquecer o que eu estava prestes a falar.
Ele sorriu.
— Então está funcionando.
Grace aproximou-se mais uma vez, encostando a testa na dele.
— Estou muito feliz.
A expressão de Tobias mudou imediatamente. A brincadeira desapareceu, dando lugar a algo mais profundo.
— Eu sei.
— Como?
— Porque eu conheço você.
Grace passou o polegar pelo maxilar dele.
— E isso não te assusta?
— Me assusta um pouco. — Ele segurou a mão dela e beijou seus dedos. — Mas eu prefiro conhecer você inteira do que passar a vida tentando adivinhar quem você é.
Ela ficou em silêncio por um instante, tocada.
Então voltou a sorrir.
— Agora eu quero que você entre comigo.
Tobias olhou para o lago.
— Você sabe que eu não tenho o mesmo entusiasmo que você por água gelada e escura certo?
— Sei.
— E mesmo assim está pedindo?
Grace estendeu a mão.
— Não estou pedindo.
— Ah, não?
— Estou ordenando.
Tobias olhou para a mão dela, depois para o rosto de Grace.
— Mandona.
— Você ainda está segurando minha mão.
Ele entrelaçou os dedos nos dela.
— Esse é o meu problema. Você manda em mim.
— Mentira. Você só gosta de deixar que eu ache isso.
— Talvez.
Grace soltou uma risada e o puxou para dentro.
Tobias protestou no primeiro contato com a água, mas ela riu tanto que ele acabou desistindo de reclamar. Pouco a pouco, os dois avançaram até a água alcançar seus ombros. Tobias se aproximou mais dela, ainda tentando se acostumar com a temperatura.
— Isso está congelando.
— Você se acostuma.
— Não pretendo.
Grace mergulhou de repente sumindo de vista.
— Grace...
Uma coluna de água se ergueu ao lado dele e tomou a forma de uma espiral que girou ao redor de seu corpo. Tobias recuou, surpreso, enquanto Grace reaparecia alguns metros à frente, rindo.
— Está se exibindo?
— Um pouco. Estou conseguindo te impressionar?
Tobias passou a língua lentamente pelo lábio inferior enquanto a observava.
— Você está conseguindo me fazer sentir um monte de coisa, isso sim.
Grace arregalou os olhos e começou a rir.
— Seu sem-vergonha!
— Até parece que isso me ofende.
O sorriso maroto dele fez Grace corar, e Tobias pareceu ainda mais satisfeito ao perceber. Havia algo particularmente divertido em conseguir deixá-la sem resposta, principalmente porque Grace passava a maior parte do tempo completamente no controle.
Ela ergueu uma das mãos e a água diante deles se elevou, formando uma parede líquida que permaneceu suspensa por alguns segundos antes de se desfazer. Tobias ficou olhando, admirado.
— Você faz isso parecer fácil.
— Porque é.
— Não é isso que eu quis dizer.
Grace baixou a mão.
— Então o que quis dizer?
Ele nadou até ela.
— Que eu acho incrível ver você fazendo isso.
A expressão dela mudou.
Tobias tocou delicadamente seu rosto.
— Você fica diferente aqui.
— Diferente como?
— Mais livre. — O polegar dele deslizou de leve pela maçã de seu rosto. — E eu gosto de ver você assim.
Grace sustentou o olhar dele por alguns segundos.
— Eu gosto quando você me olha desse jeito.
— Que jeito?
— Como se eu fosse a coisa mais impressionante que você já viu.
Tobias sorriu.
— Quem disse que você não é?
Ela balançou a cabeça, tentando esconder o sorriso.
— Você está ficando muito bom nisso.
— Culpa sua.
Grace abriu os braços e, dessa vez, a água começou a se juntar diante deles até formar a silhueta de um cavalo. A criatura líquida ergueu a cabeça, relinchou de maneira quase convincente e avançou alguns passos sobre a superfície antes de se desfazer em dezenas de gotas.
Tobias ficou em silêncio.
Grace cruzou os braços.
— Agora você pode dizer que ficou impressionado.
— Essa é uma das palavras que eu posso dizer que estou sentindo. Mas eu estava tentando encontrar uma resposta que não alimentasse seu ego.
— E encontrou?
— Não.
Ela riu.
— Sabia.
Então desapareceu outra vez sob a superfície.
— Grace?
Nada.
Tobias olhou ao redor.
— Grace.
Uma mão surgiu debaixo d'água e agarrou seu tornozelo.
— Droga!
Ele perdeu o equilíbrio e mergulhou na água, sendo imediatamente puxado para baixo. Quando abriu os olhos, encontrou Grace diante dele, sorrindo. Tobias tentou falar, mas não conseguiu respirar.
Grace percebeu imediatamente.
Ergueu a mão e uma pequena bolha de ar se formou ao redor do rosto dele.
Tobias respirou profundamente e, assim que conseguiu, aproximou-se dela.
— Você é impossível.
Grace sorriu.
— Mas você veio comigo.
— Eu vim porque você me puxou.
— Detalhes, meu amor. Detalhes.
Ela colocou a cabeça dentro da bolha de ar dele e o beijou debaixo d'água. Tobias segurou sua cintura, correspondendo ao beijo, e por alguns segundos todo o resto pareceu desaparecer. Não havia Hogwarts, não havia guerra, profecia ou deuses. Apenas os dois, suspensos naquela água, dividindo o mesmo espaço e a mesma respiração.
Quando voltaram à superfície, Tobias passou uma mão pelo rosto e respirou fundo. Grace permaneceu próxima, sorrindo.
— Isso foi incrível.
— Eu sei.
— E você consegue fazer isso sempre?
— Tobias, eu sou filha de Poseidon. Se eu não soubesse brincar com água, seria uma vergonha familiar.
Ele riu e aproximou-se para beijar sua testa.
— Ainda bem que você nasceu você.
Grace o abraçou pelo pescoço.
— Isso foi quase romântico demais para você.
— Estou tentando acompanhar seu nível.
— Está indo bem.
Os dois permaneceram ali por mais algum tempo, brincando e explorando o lago. Tobias admirava cada demonstração de poder com uma mistura de fascínio e orgulho, mas nunca havia em seu olhar qualquer traço de medo ou tentativa de diminuir aquilo que Grace era. Ele gostava dela inteira: da garota que fazia piada em situações perigosas, da semideusa que conseguia comandar a água, da mulher que o provocava até deixá-lo sem resposta e, principalmente, daquela parte dela que confiava nele o suficiente para simplesmente ser ela mesma.
Grace percebeu os olhares dos sereianos e apontou para eles.
— Temos plateia.
Tobias olhou para as criaturas.
— Então vamos dar um espetáculo.
— Finalmente uma ideia decente.
Ela entrelaçou os dedos nos dele e o puxou para mais perto. O beijo começou brincalhão, mas logo perdeu qualquer vestígio de provocação. Tobias segurou Grace pela cintura, enquanto ela passou os braços ao redor de seu pescoço, e os dois se beijaram com uma intensidade que fez até os sereianos perceberem que talvez fosse melhor conceder alguma privacidade. Um a um, começaram a se virar ou a desaparecer entre as construções, enquanto a lula-gigante afundava lentamente de volta para as profundezas.
Quando finalmente se afastaram, Grace encostou a testa na dele, respirando mais rápido.
— Acho que assustamos a plateia.
— Acho que eles entenderam o recado.
Ela riu e deu um último beijo rápido nele antes de nadar em direção à margem.
Depois de algum tempo, os dois retornaram à grama. Grace sentou-se na margem, e Tobias se acomodou ao lado dela. Ela apoiou a cabeça em seu ombro, enquanto ele passou um braço ao redor de sua cintura e a puxou para mais perto. Grace relaxou contra ele, sentindo o calor do corpo de Tobias depois do frio da água.
Foi então que ficou imóvel.
A mudança foi tão pequena que qualquer outra pessoa talvez não percebesse.
Tobias percebeu.
Seu braço apertou levemente a cintura dela, não para prendê-la, mas para lembrá-la de que ele estava ali.
— O que foi?
Grace não respondeu imediatamente. Seus olhos estavam presos à superfície do lago.
A água havia mudado.
Não era uma onda. Não era o vento. Não era magia de nenhum aluno brincando por perto.
Era algo vindo de dentro.
Os peixes começaram a desaparecer entre as plantas. Os poucos Grindylows que ainda estavam próximos sumiram de repente. A vegetação submersa começou a se mover, embora não houvesse vento algum.
Grace se levantou.
— Alguma coisa está vindo.
Tobias também ficou de pé.
— Você está fazendo isso?
Ela virou o rosto para ele.
— Não.
A resposta saiu sem brincadeira.
A superfície do lago recuou alguns centímetros, como se a própria água estivesse sendo puxada para trás. Em seguida, retornou em uma onda que bateu contra a margem com força suficiente para molhar os dois.
Os sereianos começaram a sair de suas construções.
Mas não estavam se armando.
Estavam se organizando.
Grace observou enquanto eles formavam uma espécie de recepção diante da parte mais profunda do lago. Alguns ergueram as cabeças e começaram a cantar. A melodia era baixa, antiga e estranhamente solene.
O coração de Grace acelerou.
Aquilo não era um monstro.
Não era magia comum.
Era algo muito mais antigo.
Tobias aproximou-se dela.
— Quer que eu fique?
Grace olhou para ele como se a pergunta fosse absurda.
— Claro que quero.
Ele segurou sua mão.
Os dedos dos dois se entrelaçaram.
A superfície do lago começou a se abrir.
Primeiro lentamente. Depois, com uma força que fez a água subir dos dois lados como enormes paredes líquidas.
Os sereianos baixaram a cabeça.
Os Grindylows desapareceram completamente.
A lula-gigante surgiu parcialmente da água, erguendo os tentáculos como se anunciasse a chegada de alguém que pertencia àquele lugar muito mais do que qualquer criatura ali.
Então um homem surgiu no centro da abertura.
Era alto, de pele bronzeada, cabelos negros e barba preta cuidadosamente aparada. Havia pequenas marcas ao redor dos olhos, como se o sol, o vento e o sal tivessem deixado sua assinatura ao longo dos anos. Seus olhos eram de um verde-mar intenso, impossível de ignorar, e havia algo nele que parecia carregar simultaneamente a força de uma tempestade e a tranquilidade das águas profundas. Vestia roupas simples, descontraídas, e suas mãos tinham marcas que lembravam alguém acostumado ao trabalho, à madeira, às cordas e ao mar.
Ele não precisou anunciar quem era.
A água parecia reconhecê-lo.
As criaturas também.
Os sereianos se curvaram. Os Grindylows permaneceram afastados. Até mesmo a enorme lula-gigante baixou os tentáculos, como se prestasse homenagem.
Grace sentiu alguma coisa dentro do peito responder.
Não era memória.
Ela nunca tinha visto aquele homem pessoalmente.
Era sangue.
Seu sangue reconhecia o dele antes mesmo que sua mente pudesse compreender completamente o que estava diante dela.
Tobias apertou sua mão.
Grace não se moveu.
O homem caminhou sobre a superfície do lago como se aquela fosse a coisa mais natural do mundo. A cada passo, pequenas ondas se espalhavam ao redor de seus pés.
Grace respirou fundo.
Pela primeira vez desde que descobrira ser uma semideusa, ela não estava diante de uma criatura, de um inimigo ou de uma manifestação distante de seu poder.
Estava diante da origem daquela parte dela.
Ela ainda não sabia como chamá-lo.
Mas sabia exatamente quem estava diante dela.
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