Lapsus

3 GRITOS NO VAZIO


O silêncio do corredor era quase sólido. Marcos sentia-se um intruso em uma realidade que acabara de ser deletada. Ele estava no centro de um paradoxo: as marcas de cordas queimavam em seus pulsos, mas a sala onde fora amarrado era um túmulo de poeira e abandono.

Ele caminhou pelo corredor, testando as maçanetas das outras portas. Estavam todas trancadas, frias e imóveis, como se guardassem segredos que não queriam ser perturbados.

— Como alguém sai daqui? — sussurrou, a voz ecoando de forma estranha. — Como esse prédio respira?

Não havia escadas de emergência. Não havia janelas laterais. O andar era uma caixa lacrada. Frustrado, ele foi até o elevador. Ao entrar na cabine espelhada, notou algo que o fez estacar. O painel de botões não era o mesmo do outro dia. Onde antes havia uma sequência lógica, agora restavam apenas três botões funcionais, gastos e amarelados: Terraço, 4 e Subsolo.

Ele apertou o botão do subsolo com força, como se quisesse esmagar a dúvida que crescia em seu peito. Se o quarto andar não era acessível pelo elevador principal do saguão, aquele prédio possuía uma anatomia secreta.

O elevador desceu. Um... dois...

As portas se abriram para um cenário que não lembrava em nada um estacionamento. À sua frente, estendia-se um corredor de concreto bruto, iluminado por lâmpadas fluorescentes que piscavam em um ritmo doentio. No fim do corredor, uma única porta de aço maciço.

Marcos saiu, sentindo o ar pesado de ozônio. Atrás dele, o elevador fechou as portas com um baque final e subiu, deixando-o entregue ao silêncio do subsolo. Sem alternativas, ele caminhou até a porta de aço. Ao empurrá-la, o contraste o atingiu como um tapa.

O ar frio da madrugada de São Paulo invadiu seus pulmões. Ele estava na calçada de uma viela estreita, nos fundos do edifício. A porta, pesada e sem qualquer trinco ou fechadura pelo lado de fora, bateu atrás dele com o som de um veredito. Estava fora. E não havia como voltar.

Marcos checou o relógio. O vidro estava trincado, mas os ponteiros marcavam duas da manhã.

— Droga... — a palavra morreu em seus lábios. Ele perdera o horário do encontro. O tempo parecia ter se comportado de maneira diferente dentro do apartamento 401.

Apesar da exaustão, ele começou a correr. A cidade àquela hora era um deserto de asfalto e luzes de neon. Ele precisava encontrar Laura, precisava saber se ela era a chave ou a fechadura de todo aquele caos.

Ele estava atravessando uma avenida deserta quando o viu: um homem cruzava a rua na direção oposta. Ele vestia um sobretudo escuro, tinha cabelos pretos desalinhados e uma barba por fazer que lhe dava um ar de cansaço crônico. Ele estava absorto, com o celular pressionado contra a orelha, gesticulando enquanto falava com alguém.

Marcos viu o brilho dos faróis antes de ouvir o motor. Um sedã preto surgiu de uma transversal em alta velocidade, cortando a noite. O homem no celular não olhou. Não houve frenagem.

— CUIDADO! — Marcos gritou, lançando-se à frente, mas a física foi mais rápida que seu impulso.

O impacto foi seco, um som de metal contra osso que ecoou por todo o quarteirão. O corpo do desconhecido foi lançado a metros de distância, rolando pelo asfalto como um boneco de pano desarticulado.

O carro estancou metros à frente, os pneus cantando. O motorista desceu, trêmulo, as mãos agarradas ao volante como se buscasse equilíbrio. Ele olhou para o corpo imóvel e depois para Marcos, que parara no meio da rua, ofegante.

Os olhos do motorista encontraram os de Marcos. O pânico nos olhos do homem era quase contagioso. Antes que Marcos pudesse dizer "ajuda" ou "hospital", o motorista saltou de volta para o banco, engatou a marcha e acelerou, os pneus deixando marcas pretas no asfalto enquanto desaparecia na escuridão.

— EI! VOLTA AQUI! — Marcos berrou, mas era inútil.

Ele correu até o homem caído. O asfalto estava quente sob o corpo. Ao se aproximar para checar o pulso, Marcos sentiu um arrepio que lhe subiu pela espinha. O celular do homem ainda estava aceso no chão, a tela rachada mostrando uma ligação ativa com uma mulher que berrava tentando entender o que havia acontecido.

Marcos ajoelhou-se ao lado do corpo, o sangue do desconhecido começando a serpentear pelo asfalto frio em direção aos seus pés. Ao redor, as janelas dos prédios vizinhos se iluminavam. Vultos apareciam nas sacadas, silenciosos, apenas observando o drama lá embaixo como se fosse uma peça de teatro macabra. Ninguém desceu. Ninguém gritou.

Ele pegou o celular de tela estilhaçada das mãos rígidas do homem. A ligação anterior havia caído. Com os dedos trêmulos, discou a emergência.

— Um atropelamento — ele disse, a voz soando como se pertencesse a outra pessoa. — Rua da praça próxima a praça no Centro. Rápido.

Ele permaneceu ali, uma sentinela solitária ao lado do morto, sob os olhares pesados e julgadores da vizinhança. Quando o som distante das sirenes começou a cortar o silêncio da madrugada e as luzes azuis e vermelhas refletiram nas vidraças, Marcos se levantou. Ele não podia explicar o que acontecera. Não podia explicar por que o motorista fugiu como um covarde. Ele simplesmente partiu, desaparecendo nas sombras antes que os paramédicos pudessem questioná-lo.

O caminho até o endereço que Laura o dera foi um borrão de exaustão e adrenalina residual. Cada músculo do seu corpo protestava. Quando finalmente chegou, o vazio foi o seu único anfitrião. A rua estava deserta. Nenhum rastro de perfume, nenhum bilhete colado na parede, nenhuma Laura.

— Que droga! — murmurou, sentindo a frustração borbulhar como ácido em seu estômago.

Sem alternativas e com a mente operando no limite, ele fez a única coisa que parecia lógica: voltou para a praça. O banco de madeira em frente ao prédio comercial parecia ser o centro de gravidade da sua nova e caótica vida. Ele desabou ali, fechando os olhos enquanto o mundo ainda girava.

O sonho não começou com imagens, mas com o tato. Marcos sentia o calor de um corpo contra o seu. Ele estava naquela sala novamente — a sala onde ele assistira uma série com Laura no sonho anterior. O cheiro de café era o perfume da segurança.

Laura estava em seus braços, a cabeça repousada em seu peito. Kevin estava sentado em uma poltrona próxima, girando um copo de bebida entre as mãos, o olhar perdido nas sombras do canto da sala.

— E como você está? — Kevin quebrou o silêncio, a voz carregada. Ele olhava para Laura, ignorando Marcos por um momento.

— Como você acha que eu estou, Kevin? — Laura respondeu com um sorriso que não chegava aos olhos. Era uma expressão de cansaço que Marcos reconhecia agora.

— Você ainda vai levar isso adiante? — insistiu Kevin, inclinando-se para a frente. — O Projeto... você sabe que pode ser um erro irreversível. Não somos deuses, Laura.

Laura soltou-se do abraço de Marcos, o rosto endurecendo com uma determinação gélida.

— Eu não vou desistir só porque vocês dois resolveram me pressionar agora. É a minha vida, meu trabalho. Eu estava nisso antes mesmo de conhecer qualquer um de vocês. Se me dão licença... preciso respirar.

Ela caminhou até o banheiro. Marcos a seguiu com o olhar, sentindo uma angústia que o sufocava. No reflexo do espelho do banheiro, Laura encarava a própria imagem. Ela alisou o cabelo, tentando manter a compostura, mas uma única lágrima traiu sua máscara de ferro e deslizou pelo rosto.

Marcos entrou e a abraçou por trás, escondendo o rosto em seu pescoço.

— Ei... — ele sussurrou. — Eu estou aqui, tá legal? Eu sempre estarei por aqui por você.

Laura desabou. O choro dela foi um som que quebrou a realidade do sonho como um vidro estilhaçado.

Marcos acordou com o sol castigando suas pálpebras. O calor de São Paulo era úmido e sufocante. Ele sentou-se no banco, o coração ainda disparado pelo choro de Laura que parecia ecoar em seus ouvidos.

Ele olhou para o relógio de pulso por hábito. O ponteiro dos segundos estava parado, tremendo levemente no mesmo lugar, como se estivesse tentando avançar contra uma barreira invisível. A bateria morrera, ou o mecanismo simplesmente desistira de contar o tempo naquela cidade.

— Droga — ele suspirou, sentindo-se tão estático quanto o relógio.

Ele olhou para o prédio comercial à sua frente. As pessoas começavam a entrar para o trabalho. O ciclo recomeçava, mas Marcos sentia que ele era o único que não pertencia àquela engrenagem.

As horas passaram como borrões de estática. Sem o relógio para ancorá-lo, Marcos sentia o tempo se liquefazer. Laura não veio. A paciência dele, já corroída pela dor e pelo luto do desconhecido na rua, finalmente quebrou. Ele se levantou, ajeitou a camisa suada e marchou até a guarita.

O porteiro da manhã — o mesmo que o ameaçara com uma arma — retesou os ombros assim que ele cruzou a linha da calçada.

— Você de novo? — O homem disse através do vidro, a mão descendo lentamente para o coldre sob o balcão. — Eu avisei para não voltar.

— Eu não vim para brigar — Marcos cuspiu as palavras, sentindo o abdômen latejar. Em um movimento brusco, ele puxou a camisa, revelando a pele. — A marca no seu pescoço. É igual a esta. Por quê?

O porteiro mal piscou. Olhou para o abdômen de Marcos com um desdém gelado e soltou um suspiro de tédio fingido.

— É uma tatuagem de catálogo, rapaz. Está na moda. Metade de São Paulo deve ter uma dessas. E daí? Segue o seu caminho.

A fúria de Marcos transbordou. Ele precisava provar que era diferente. Uma mulher passava apressada ao seu lado, falando ao celular. Marcos estendeu a mão, não para tocá-la, mas para capturar sua mente.

— Você me conhece, não conhece? — A voz dele saiu carregada de uma vibração estranha.

A mulher parou como se tivesse batido em uma parede invisível. O celular caiu no chão, mas ela não notou. Seus olhos ficaram vítreos por um segundo antes de brilharem com uma afeição súbita e artificial.

— Marcos! — Ela exclamou, tocando o braço dele. — Meu Deus, quanto tempo! Como você sumiu desse jeito?

O porteiro levantou-se da cadeira, a confusão dando lugar a uma suspeita perigosa.

— O que você fez com ela? — Ele indagou, a voz agora mortalmente séria.

— Não é o que eu fiz... — Marcos começou, mas as palavras se transformaram em um urro de agonia.

A marca sob sua pele começou a reluzir — um dourado doentio que vazava através do tecido da camisa, pulsando como um coração estranho. A dor veio em ondas, profundas, esmagadoras, como se algo dentro dele estivesse sendo comprimido até o limite.

Marcos caiu de joelhos, o ar fugindo dos pulmões em um som rouco. Seus dedos cravaram o asfalto enquanto o corpo tremia sem controle.

O porteiro não hesitou.

Pegou o rádio com uma mão e, com a outra, puxou a pistola do coldre.

— Código zero na portaria 1. Ele está aqui. Instável. — a voz saiu firme, sem pressa. — Repito: instável.

O chiado da resposta veio baixo demais para Marcos entender.

O homem saiu da guarita com passos medidos. Parou a poucos metros, erguendo a arma — não agressivo, mas definitivo.

— Desculpe, rapaz — disse, com uma calma que incomodava mais do que qualquer grito. — Mas você nunca deveria ter forçado a entrada. E esse olhar. Você olha para gente como se nunca tivesse nos vistos antes.

Marcos tentou levantar a cabeça. A visão estava turva, fragmentada em manchas de luz.

— Quem... é você? — a pergunta saiu quebrada.

O porteiro o observou por um segundo a mais do que o necessário. Havia algo ali — não exatamente hostilidade, mas reconhecimento… e um cansaço estranho.

A dor aumentou. Marcos fechou os olhos com força, os dentes rangendo.

— Devia ter ficado quieto — continuou o homem, agora mais baixo. — Às vezes o vazio é… mais seguro.

O silêncio que se seguiu foi curto — mas pesado.

O suficiente. O suficiente para Marcos perceber que algo estava errado.

Não com a dor. Com o tempo. O mundo ao redor parecia… lento demais.

O som distante da rua demorava a chegar. O movimento das pessoas na calçada tinha um atraso sutil, como se estivesse fora de sincronia.

A marca pulsou de novo.

Mais forte.

E, por um instante, tudo… cedeu.

Marcos se moveu.

Não foi um gesto planejado. Foi um reflexo bruto.

Ele girou o corpo com o pouco de força que restava, usando o próprio peso para se lançar contra o porteiro. O impacto foi desajeitado, mas suficiente. O homem perdeu o equilíbrio, recuando um passo, a arma desviando da linha de tiro.

O disparo não veio.

Marcos não esperou.

Levantou-se cambaleando, ignorando o protesto violento do corpo, e correu.

— Ei! — a voz do porteiro veio atrás, mais surpresa do que furiosa. — Volta aqui!

Passos começaram a ecoar, mas não em perseguição imediata. Havia hesitação.

Marcos atravessou a rua quase sem olhar. Um carro buzinou, freando a poucos centímetros dele. O mundo parecia atrasado, como se reagisse sempre um segundo depois.

Ele não parou.

Dobrou a esquina, depois outra, e mais uma, até que o prédio desapareceu atrás das fachadas cinzentas da cidade.

Só então o corpo cobrou o preço. A dor voltou inteira.

Marcos encostou na parede de um beco estreito, escorregando até o chão. O peito subia e descia em descompasso, o gosto metálico invadindo a boca.

A mão foi instintivamente até o abdômen. A marca ainda pulsava… mas mais fraca agora.

Como se tivesse recuado. Como se estivesse… esperando.

Marcos fechou os olhos por um segundo.

Na sua mente, o olhar do porteiro ainda estava lá. Não de ódio. De reconhecimento.

— …você olha pra gente como se nunca tivesse nos visto antes…

Ele abriu os olhos de novo, o coração acelerando por um motivo diferente.

— “A gente”… — murmurou.

Não era só um prédio. Não era só uma marca.

E, definitivamente, ele não era o único. Então, seus pés cederam e ele caiu no asfalto, adormecendo logo em seguida devido a dor e o cansaço do esforço que fizera.

O sonho era banhado por uma luz de fim de tarde, quente e preguiçosa. Marcos estava na cozinha, o som rítmico de um pano secando a louça sendo a única trilha sonora de uma paz que ele não sentia há séculos. Ao virar-se, encontrou Laura encostada no batente da porta, observando-o com uma intensidade que parecia querer decorá-lo.

— O que foi? — Ele sorriu, sentindo uma leveza no peito que chegava a doer. — Tenho algo no rosto?

— Não posso mais admirar o homem por quem me apaixonei? — Laura rebateu, devolvendo um sorriso que, embora doce, carregava uma sombra nos cantos.

— Admire o quanto quiser, mas eu sei que você veio julgar minha limpeza — ele brincou, jogando o pano de prato sobre o ombro.

— Talvez um pouco — ela riu, aproximando-se. — Mas você não precisa fazer isso, Marcos. Não precisa carregar tudo sozinho.

Ele a envolveu pela cintura, sentindo o calor real da pele dela.

— Eu também não precisava ter ido àquele restaurante italiano barato há três anos. Mas eu fui, e lá estava a mulher mais incrível que já vi.

Laura soltou uma risada cristalina, mas seus olhos brilharam com lágrimas contidas.

— Não esqueça que foi nesse dia que você quase me matou engasgada com uma aliança de noivado escondida na taça de vinho.

— Eu não imaginei que você beberia tão rápido — ele riu, beijando-lhe a testa. — Mas, ainda assim, sou o homem mais feliz do mundo.

O semblante de Laura mudou bruscamente. O sorriso desmoronou, dando lugar a uma expressão de angústia profunda. Ela se afastou um passo, como se o toque dele a queimasse.

— Pare, Marcos. Por favor, pare.

— O quê? O que eu disse?

— Você merece alguém melhor — ela sussurrou, a voz falhando. — Alguém que possa te dar uma vida de verdade. Alguém que não vá...

— Laura, já conversamos sobre isso. Eu não me importo com o resto.

— Você não entende? — Ela gritou baixinho, as lágrimas agora correndo livremente. — E depois?

Marcos a puxou de volta para um abraço apertado, enterrando o rosto em seus cabelos.

— Então eu vou continuar te amando no nada. Não importa se for aqui, se for em outro plano ou em outra memória. Você sempre será a única coisa perfeita que eu conheci.

Ele sentiu o corpo dela soluçar contra o seu, mas antes que pudesse dizer mais nada, a cozinha começou a desintegrar-se em fumaça cinzenta.

Marcos despertou com o rosto colado no asfalto áspero. O oxigênio entrou em seus pulmões como se fosse vidro moído. Ele estava caído em uma calçada suja, longe do prédio comercial, com o corpo doendo como se tivesse sido mastigado por uma máquina.

— O quê... — ele gemeu, tentando se localizar.

Enquanto tentava se apoiar nos cotovelos, uma sombra se projetou sobre ele.

— Tudo bem, senhor? Precisa de ajuda?

Uma mão forte e calejada se estendeu em sua direção. Marcos segurou-a por instinto para se levantar, mas, ao erguer o olhar, o mundo pareceu parar de girar.

O homem à sua frente era idêntico ao desconhecido que morrera atropelado na noite anterior. O mesmo cabelo preto desalinhado, a mesma barba por fazer, o mesmo sobretudo escuro com um fio solto no ombro. Era um reflexo de um cadáver.

— O que foi? O senhor está passando mal? — o homem perguntou, franzindo a testa.

O celular no bolso do homem tocou. Ele o retirou com naturalidade. Era o mesmo aparelho de tela rachada que Marcos vira caído no asfalto ensanguentado.

— Não... não pode ser — Marcos recuou, tropeçando nos próprios pés. — Você morreu. Eu vi você morrer! O carro... o sangue no asfalto!

O homem olhou para Marcos com uma mistura de pena e irritação, atendendo o celular sem desviar os olhos do "mendigo" à sua frente.

— Alô? Sim, estou chegando. Não, o sinal está ótimo aqui — o homem disse para o telefone.

Marcos continuou se afastando, as costas batendo contra um muro. Ele tremia violentamente.

— Você é um fantasma? — Marcos gritou.

O homem apenas balançou a cabeça negativamente e começou a caminhar, falando baixo ao celular:

— É só um desabrigado aqui que ajudei a levantar. O coitado está delirando, falando coisas sem sentido sobre morte. Acho que é o sol. Enfim, onde estávamos?

Marcos ficou parado, assistindo o homem que deveria estar em um necrotério caminhar tranquilamente em direção ao horizonte de concreto de São Paulo. Ele olhou para os próprios pulsos. As marcas das cordas de Kevin ainda estavam lá. A dor no abdômen ainda queimava.

A realidade não era um caminho reto; era um disco riscado. E Marcos estava preso na trilha sonora de um pesadelo que se recusava a terminar.

Notas finais
Comente. Isso me inspira a continuar escrevendo.