Lamentos de Um Bardo

17 Pergaminho Desgastado XVII


[...] E lá se foram o dó, o ré, o mi, e o fá... E lá se foram as melodias...

Trapos, foi nisto que minha alma se converteu. Temores e sonhos agora fedem com o mesmo azedo e fétido odor.

Lá se foram as notas, as cordas, as vozes, as dores e os algozes. E na doce companhia da solidão ela sorria para mim: Desenhe sozinho!

Obliterarar-se pouco a pouco. Este foi o veredicto sujeito á este reles bardo. Sofra, maldito!

Que tu vertas lágrimas de sangue, que teu canto se torne um lamento eterno de dor! Que seu coração sangre para sempre, pois estas feridas jamais cicatrizarão!

E lá se foram as esperanças e sonhos. O sorriso persiste. Não me renderei!

Uma gargalhada estridente me tirava os últimos resquícios de honra, ela escorria entre as fissuras das pedras no chão juntamente com a urina dos ratos que guichavam espalhafatosamente.

Sorri de desespero! Você é um morto! Um morto consciente! Quem pensas que és para que ouse sorrir de felicidade? Sua felicidade fora lhe furtada ah muito tempo! Não por mim, me tiraram o prazer de fazer isto... Mas por aquela a que um dia disse amar!

O sorriso se fecha.

E lá se foi o sorriso, a honra e a felicidade. Não... A felicidade ah muito ja se fora, então que se proclame somente as duas primeiras.

Salve-me...

Sem misericórdia, bardo! Sem misericórdia!

Salve-me...

Sem piedade! Desenhe sozinho! [...]